Antologia Halloween - Contos de Terror no Brasil - 1x03



Sinopse: Julia é uma garota que acabou de chegar na escola mais renomada de São Paulo, que carrega não só um nome, mas uma passado sombrio. O colégio Empire foi palco de assassinatos, depois de uma onda massacrante e brutal de bullying. O assassino? Um professor de meia idade, que não aguentava mais toda aquela maldade desenvolvida pelos alunos do ensino médio.

Anos depois, com a chegada de Julia, tudo vem à tona com a morte do professor Louis. Mas tudo parece normal, até quando Julia e os três alunos mais invejados do colégio Empire são perseguidos depois de uma noite no qual realizaram uma brincadeira de mal gosto. E agora, quem será o novo assassino?


O Mal que há Aqui
de Bruno Rodrigo


PARTE I – PSICOPATAS E SEGREDOS.

COLOQUEI O PÉ ESQUERDO NA ESCADARIA DA FACHADA DO COLÉGIO EMPIRE E FOI AI QUE TUDO DEU ERRADO. Eu, a garota nova e desconhecida, entrando na escola mais renomada deste país, com certeza iria causar algum alvoroço e atiçar a curiosidade de todos. Sempre fui assim, na moda, linda e com certeza popular, mas isso era na minha outra escola, onde o meu dinheiro parecia ser um mar. Aqui é no mínimo um restinho de água no fundo da privada.

Cada passo que dou nestes corredores percebo os alunos comentando, curiosamente sobre quem eu era e principalmente de onde eu vim. -Olá pessoal, não sou um ET. – Essa foi a primeira coisa que quis dizer, quando pisei naquelas escadas. Um pouco mais a frente, perto do meu armário, está Marcela, mais conhecida como Ma. Ma por ser má. Ridículo, não?

Não me importava se eles seriam bregas e babacas, eu só queria ter a melhor experiência nesses últimos três anos de escola, então fui gentil e obviamente burra. Marcela aproximou-se de mim e logo seus cachorrinhos aproximaram-se. Hélio, o mascote gay e a Lara, a amiga, inimiga que transa com o namorado. Como eu sei? Bom, basta prestar atenção nos becos dessa escola. E antes de pisar aqui, estudei bem onde eu estava me metendo.

O colégio Empire foi palco de assassinatos no passado e uma das vítimas foi a tia de Marcela. Ela era idêntica à antiga rainha, não só na fisionomia, mas principalmente no jeito de tratar as pessoas. Ela se aproximou de mim e me ajudou a abrir o armário. Eu sorri.

Obrigado, estava um pouco difícil. – Disse, altiva, mas com receio do que ela faria comigo.

Que isso! Esse armário foi meu durante anos e esse problema também foi eu que causei. – Sorrio, com seus lábios cheios de Botox e dentes extremamente brancos.

Hélio aproveitou a deixa e completou.

– Bom, esse defeito foi causado porque o ex-namorado dela a traiu. Como ele não estava aqui, ela destruiu o armário. – Disse, encarando-a debochado, como se esperasse vê-la humilhada.

Marcela o repreende. – Cala a boca, Hélio, ou com certeza essa língua vai parar de fazer os seus machos revirar os olhos. – Ele leva a mão em sua boca, assustado. Lara segue me analisando, como se eu fosse uma criminosa. Então guardei meus materiais e fechei o armário. Marcela queria mais, ela sabia que corria algum risco com a minha chegada, mas não fazia ideia de qual seria.

Me diz, o que acha de almoçarmos juntas? Afinal, quero conhecer bem mais da garota nova. E então? – Ela me questionou como se já soubesse a resposta. Eu a respondi. – Claro, nos encontramos no almoço. Agora preciso ir, minha aula está começando. – Me afastei, sentindo os olhares dos três me queimando como se eu tivesse com a calcinha no lugar errado.

Eu sabia que tinha um caminho longo para fazer parte daquele trio. Os motivos? Eles são populares e as melhores experiências sempre serão ao lado dos vilões. No fim do segundo tempo da aula, fui até o refeitório externo e os vi sentados numa mesa no centro do refeitório, e claro que seria bem no centro das atenções, era isso que eles buscavam.

Aproximei-me e sentei-me. Marcela olhou para mim e me questionou. – Como foi a aula? Está à sua altura? – Ela me olhava, quase me amedrontando. Lara falou pela primeira vez – Acredito que sim, afinal, você veio de escolas praticamente públicas. Sinto o cheiro de pobreza. – Sorrio, ao terminar seu comentário nada agradável e elitista. Hélio estava distraído, até que deu um pulo assustando-nos.

Ele mostra algo para Marcela, que a estremece. Então, questionei. – Algum problema? – Curiosa, quis saber o que atraia tanto os dois. Marcela disfarçou e Hélio começou a falar. – O professor Louis que matou todos aqueles alunos, anos atrás, está morto agora. Ele se suicidou na cela. Disseram que nem quiseram ouvir os gritos de socorro dos outros detentos. – Terminou, atraído de uma forma estranha sobre aquele assunto.

Marcela voltou para a mesa, ainda chateada. – Ele merecia. Esse foi um fim menos cruel. Levando em conta tudo o que fez. – Completou Marcela. Lara mexe em seu celular, agilmente. Começamos a almoçar, até que Lara deu outro pulo e descobri que eles sempre farão isso. – Ele será velado e enterrado durante a noite. Acho que tive uma ideia. – Ela disse, sorridente.

Hélio e Marcela ficaram curiosos e levemente animados. – Diz logo, estou quase voando de tanta curiosidade. – Disse Hélio, curioso. Lara fez um sinal para que todos nós se aproximassem e assim fizemos. – Vamos ao enterro e fazer algo que aquele velho nojento odiava, que é bullying. – Disse, diabólica, bem mais vilã do que Alisson de Pretty Little Liars.

Achei a ideia chocante, mas me calei por medo da retaliação. Lara completou. – Vamos enterrar a feia, que luta contra o Bullying no túmulo daquele louco. Ela nunca mais irá pisar novamente dentro desta escola e nos lembrar daquele passado sombrio. – Marcela e Hélio não julgaram a ideia, como eu. Eles ficaram reflexivos e observaram Jéssica, a garota mencionada por Lara.

Marcela sorriu e concordou. – Essa ideia é genial. A retaliação, o aviso e a necessidade de acabar com esse mimimi é muito mais forte, do que seguir as regras. Bom, já sei como será a primeira parte do plano. – Hélio concordou, sem nem mesmo dizer algo. Os três olham para mim, esperando qualquer reação ou concordância. Eles perceberam que engoli cada olhar a seco.

Eu tenho compromisso hoje a noite, não posso sair. – Disse, tentando sair dessa, mas eles não compraram a ideia. Marcela então me encarou. – Querida, você quer fazer parte do nosso grupo ou não? – Lara toma um gole do seu suco e me olha, por fim finaliza. – E então? Lembre-se que fazer parte do nosso grupo é um privilégio e evita de ser enterrada. – Eles levantam-se e saem. Eu respirei fundo, trêmula, e então fiz a mesma escolha burra de quando pisei pela primeira vez aqui e, com certeza, foi a errada.

Era tarde da noite, quando o carro parou em frente ao meu prédio. Estou tensa e totalmente cheia de receios, afinal, qual seria o próximo passo desse plano? O que iria acontecer com todos nós até o fim da noite? Eu mal os conhecia e já estava a um passo de fazer uma das maiores vilanias já presenciada por mim. Mas lembrei que se eu não fosse, com certeza, eu seria a próxima. Então peguei minha bolsa e desci.

Hélio estava dirigindo o carro de seus pais, que pegou escondido. Fiquei preocupada, afinal, ele tinha apenas dezessete anos e aqui no Brasil a idade mínima é dezoito e precisar ter carteira de motorista. Marcela e Lara estavam despreocupadas, como se eles fizessem isso desde quando nasceram. Nos aproximamos de um bairro suburbano e paramos em frente a uma casa. Ficamos algum tempo encarando o lugar, até que Jéssica saiu. Ela foi em direção ao carro. Olhei a rua e estava vazia. Logo, Marcela e Lara saíram do carro e surpreenderam Jéssica, que ficou visivelmente apavorada. Hélio saiu logo depois com um saco preto na mão e correu na direção das garotas.

Minutos depois, Jéssica estava entre mim e Lara no banco de trás, apavorada. Ela não sabia os motivos e as meninas mal se importaram em esconder seus rostos, apenas agiram, como se fossem donas do mundo. – Por favor, não sei o que querem, mas não façam nada comigo! Eu imploro! – Disse Jéssica, aos prantos. Lara riu. – Calma, sua vadia feia, o que é seu está guardado. Mas isso ainda lhe deixará respirando. – Lara estava com um olhar psicopata e Marcela a acompanhava, enquanto Hélio suava frio, com medo dos próximos passos.

Aguardamos por horas no estacionamento do cemitério. Logo, Hélio emerge do cemitério, correndo em nossa direção. Ofegante, ele diz. – Eles acabaram de o enterrar! Vamos, não tem mais ninguém no cemitério! Aproveita a terra macia. – Ele dá uma risada estranha ao finalizar. Descemos do carro e arrastamos Jéssica, que já havia se calado. Entramos no cemitério e seguimos em direção ao túmulo.

Marcela e Lara amarraram a Jéssica na árvore, depois de ordenarem que eu e o Hélio cavasse a cova do professor psicopata. Cavei, preocupada e percebi que Hélio estava começando sentir o mesmo que eu.

Me diz, quais as chances de isso tudo dar certo? – Eu disse, olhando pro lado, observando Marcela e Lara.

Tem que dar, ou seremos nós três que pararemos dentro desse túmulo. – Disse, trêmulo.

Elas não têm tanto poder assim. Podemos voltar atrás e sair disso. Essa merda é arriscada e tudo pode dar errado. – Completei, tentando persuadir, mas ele seguiu com os planos, como se elas o tivessem em cativeiro. Então continuei. Terminamos e então abrimos o caixão. Ele estava ali, podre e morto, o cheiro já não era tão agradável e tudo que eu queria era tomar um banho e vomitar.

E vomitei. Em cima do professor psicopata. Hélio fez o sinal e Lara e Marcela aproximaram-se com Jéssica, que estava amordaçada. Lágrimas de desespero escorrem molhando todo o semblante da garota, ela só quer ser salva. Lara e Jéssica param em frente ao túmulo, frias.

Agora vou te ensinar que não se deve mexer com os grandões. Passei os últimos anos da minha vida tendo que lidar com o seu antibullying e toda essa merda que você milita. – Disse Marcela, com ódio.

Vamos, Marcela. Está na hora de vingar a morte da sua tia. – Disse Lara, encantada com tudo o que estava acontecendo.

Foi neste momento que minha ficha caiu e entendi o motivo daquilo tudo. Não era só um bullying doentio. Uma retaliação. É na verdade a vingança que Marcela sempre desejou e por que não enterrar a líder deste movimento no Colégio Empire, junto com o professor que assassinou alunos cruelmente, após esses mesmos alunos assassinarem outro aluno, numa “brincadeira” de mal gosto?

Marcela então empurrou Jéssica dentro do túmulo, junto ao corpo apodrecido. – Por favor, não me deixem aqui. Não quero morrer assim, enterrada com um psicopata. – Disse Jéssica, implorando por salvação. Então, entrei e ação, partindo para cima de Marcela, mas Hélio e Lara me seguraram.

Isso está indo longe demais, Marcela. Me escuta, não vale a pena seguir com o plano. Ela já aprendeu a porra da lição. – Tentei, mais uma vez persuadir alguém daquele grupo, mas eles não eram persuadidos. Ela olhou para mim e depois para Jéssica.

Minha tia foi assassinada por um monstro, e depois disso culparam as vítimas de tudo o que aconteceu com elas. Falaram que eles iniciaram tudo aquilo, que enlouqueceu o professor e o fez matar cada um deles. Não aceito que a líder dessa merda de grupo continue compactuando com essa porra de mentira. – Gritou, histérica.

Jéssica a olhou, indignada.

Você é pior que ela. Todos sabem que ele enlouqueceu, não foi só pelo bullying, mas porque mataram o filho dele. Basta ler pra ter o mínimo da informação, mas este homem, que está morto aqui, não suportou a morte do seu próprio filho, principalmente pelas mãos das pessoas que deveriam ser amigos dele e não uns filhos da putas psicopatas. Eles mereceram o fim que tiveram. Mesmo eu sendo contra, não dá pra sentir empatia quando você também está na reta de psicopatas como vocês e como eles. – Disse Jéssica, esperando apenas o seu fim.

Marcela engole seco todas aquelas palavras e depois as cospe com todo o seu ódio, cravando a pá no pescoço de Jéssica, arrancado a cabeça dela de seu tronco. Ela estava morta. E Marcela suja de sangue. Lara e Hélio me soltaram. Perplexo.

O que você fez? – Indagou Lara, não acreditando na cena.

Ela ousou em tentar me humilhar. – Disse Marcela, fria, encarando todo o sangue de Jéssica inundar o caixão. – Fechem isso e vamos esquecer da existência dela. – Terminou, ordenando para Lara e Hélio aquela função.

Arrastei-me em direção à árvore, ainda sem ar e enojada. Eu estava envolvida na merda de um assassinato e tudo isso para estar no grupo dos populares. Não valia o preço. Enquanto Lara e Hélio seguia fielmente os mandatos de Marcela, ela aproximou-se de mim e me encarou.

Você vai abrir a boca ou irá ser nossa melhor amiga, de hoje em diante? Foi uma bela iniciação. Não gostei do questionamento lá atrás, mas posso perdoar, novatos merecem segundas chances. – Disse, ainda fria, com aquele olhar que me causava pânico. Apenas concordei e seguimos em frente.

PARTE II – O HALLOWEEN, FANTASMAS E MORTE.

O Halloween estava se aproximando, faltava apenas uma noite para a grande noite no Colégio Empire. As decorações tomavam todo o campus, as salas, os refeitórios, as quadras. Qualquer nos lembravam e anunciavam o Dia das Bruxas, que se iniciou semanas antes, depois da morte de Jéssica e dos cartazes escrito desaparecida.

Se lessem a minha mente, iriam saber que ela nunca esteve desaparecida. Sempre soube o paradeiro dela e quem eram os culpados. Aquilo me perturbou até o dia de hoje. O trio de psicopatas seguiam intactos, mas eu me afastei. Não consegui seguir com aquilo, era perigoso demais para minha própria integridade e ainda de fato era, afinal, carrego um segredo que os colocará atrás das grades.

Passaram-se as horas, os dias e, enfim, chegou à noite tão esperada. Meus pais me forçaram a ir ao baile, afinal, era o primeiro depois que cheguei nessa escola e precisava de amigos. Então menti, dizendo que iria. Mas fui para outro lugar, o cemitério. Deixei mudas de flores naquele túmulo desde aquela semana sombria. Era minha forma de tentar concertar as coisas.

Ajoelhei em cima do túmulo e comecei a chorar de soluçar. Implorei pelo perdão e agarrei a terra, sentindo-a molhada, gelada, fria. Sentindo a morte. Eu senti a dor daquele acontecimento, que me sufocava e não aliviava. Senti que só havia um final para tudo isso e era inevitável. Minhas lágrimas regavam aquele gramado morto, até que uma fumaça sombria se intensificou em volta daqueles túmulos e eu senti algo aproximando-se.

Senti algo me possuir, enquanto agarrei aquela grama, que começou a se mexer. Numa ação ágil, uma mão saiu de dentro da terra, que agarrou o meu braço. Comecei a ouvir o chamado e qual era a minha missão. A voz dizia: – É a sua hora, Julia. Atenda ao meu chamado. É seu dever. – A voz ecoava em meio a névoa. Senti algo dominando o meu corpo.

Levantei-me e vesti a máscara do psicopata dos filmes “Halloween”. Caiu perfeitamente. Andei em meio a névoa, até desaparecer. Cheguei no baile e entrei no salão principal. Eu tinha a trama perfeita e precisava usar. Observei e percebi que Lara não estava no local, nem mesmo o namorado de Marcela.

Ela estava ao meio do salão, implorando por atenção e desejando ser a rainha. Hélio a fotografava e destilava toda sua adoração. Aproximei-me e cochichei no ouvido dela o que ela deveria descobrir. Me afastei. Marcela me gravou como se eu fosse o pivô da traição. Ela logo chamou a atenção de Hélio e os dois seguiram-me pelos corredores da escola.

Ouvi alguns gemidos ecoando e deduzi que poderia ser a Lara e o Ítalo. Apontei para a sala e Marcela parou. Ela não sabia se me destruía ou se mataria os dois naquela sala. Hélio aproximou-se da porta e os viu, confirmando todas as suspeitas com sua reação. Marcela então invadiu a sala.

Filhos da putas desgraçados, eu vou matar vocês. – Disse, enquanto entrava na sala com todo o ódio sendo usado em seus passos. Ela pegou o seu salto alto fino agulha e partiu para cima de Ítalo e Lara, acertando-os com o salto. Eles tentam se defender, mas ela está histérica.

Ele tenta escapar, mas Marcela calcula errado ao deferir outra agressão com o seu sapato, ao enfiar o salto agulha dentro do olho de Ítalo, matando-o na hora. Ele cai ao chão. Ela o observa, fria. Lara aproxima-se da janela, em pânico. Ela abre e observa a altura.

Hélio ficou paralisado, sem reação. Aproveitei seu momento de distração e acertei sua cabeça com um taco que escondi sob minha fantasia, fazendo-o desmaiar. Entrei na sala e chamei a atenção de Marcela.

Você não devia ter feito o que fez, Marcela. O seu legado acaba hoje, junto com toda a maldita linhagem da sua família. Você nunca mais será adorada. – Falei, anunciando o seu fim. Ela soltou uma risada, achando-se vencedora.

Tá pra nascer a vadia que vai me... – Disse, vangloriando-se, mas antes que terminasse, acertei sua cabeça com o taco, fazendo-a desmaiar. Lara observou a cena e ficou calma, quando viu que a sua melhor amiga assassina estava desacordada. Ela afastou-se da janela e estendeu o braço até mim.

Obrigado, eu não sabia qual seria o meu fim, ou o quão doloroso iria ser. Você me... – A interrompi, dando com o taco em sua cabeça.

Ali estavam os três, desacordados, em meio ao sangue de um outro garoto morto. E então peguei minha carta e deixei em cima da mesa, contando o local onde estava o corpo de Jéssica e os motivos de ela ter parado lá. Revelei cada pedaço daquela noite sombria e então me sentei em meio aos três.

Ouvi de longe a polícia aproximando-se, com as sirenes e os carros acelerados. Eu podia realizar uma nova chacina, mas pra quê? Eles precisam pagar por isso em vida. Eles seriam até o fim os vilões e não mais as vítimas. Mas eu não conseguia seguir em frente, ali era o meu fim. A culpa havia me matado dias antes. A minha morte não tinha sido anunciada. Minha família escondeu sobre o suicídio. Ninguém da escola sabia. Eu estava ali, mas ninguém podia me ver. Era invisível.

Fiquei no canto daquela sala fria, vendo os três sendo levados pela polícia. Lara, Marcela e Hélio iriam pagar da pior forma por tudo que fizeram. Pela morte da Jéssica, do Ítalo e a minha. Eles carregavam nas mãos o sangue e as armas, todos eram culpados.

Marcela gritava desesperada e culpava-me. – Foi a Júlia. Ela nos atraiu para cá e matou o meu namorado. A culpa não é nossa. – Gritava. Um professor aproximou-se e disse.

Não, não é possível. Acabei de ter uma reunião com os pais de Julia. Ela morreu dias atrás, sem deixar nenhuma carta ou qualquer pista. Apenas tirou a própria vida. – Disse, deixando os três perplexos.

A polícia recolhe a carta que deixei na mesa do professor, colocando-a dentro de um saco plástico. Mostra-se a cena do crime. Por fim, mostram-se os três sendo levados pela polícia, atormentados com os acontecimentos. Prontos para pagarem por seus pecados.

Alguns dizem que pessoas mortas não revelam segredos.

Eles nunca iriam conseguir me calar. 

Conto escrito por
Bruno Rodrigo

CAL - Comissão de Autores Literários
Agnes Izumi Nagashima
Eliane Rodrigues
Francisco Caetano 
Gisela Lopes Peçanha
Lígia Diniz Donega
Márcio André Silva Garcia
Paulo Luís Ferreira
Pedro Panhoca
Rosside Rodrigues Machado

Produção
Bruno Olsen
Cristina Ravela


Esta é uma obra de ficção virtual sem fins lucrativos. Qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.


REALIZAÇÃO

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