0:00 min       DESEJO SECRETO     MINISSÉRIE
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WEBTVPLAY ORIGINAL APRESENTA
DESEJO SECRETO


Minissérie de
Lucas Oliveira

Baseado na obra de
J. Gaspar

Capítulo 06 de 07

Personagens deste Capítulo:

ANINHA
AURÉLIO
BENTINHO
DITA
MANECO
MARLENE
OLGA
REBECA

Participação:

PIPOQUEIRO



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Todos os direitos reservados.

 

CAPÍTULO 06
(Penúltimo Capítulo)


 

CENA 01. ATELIÊ DE OLGA. RECEPÇÃO. INT. NOITE.

Continuação imediata do capítulo anterior. Olga em pé. Aurélio sentado no sofá.

AURÉLIO: A Marlene e eu fomos mais que um casal. Fomos cúmplices!

OLGA: Cúmplices?

AURÉLIO: Exatamente! Mas ela não foi leal comigo e voltou para o Brasil sem nem olhar pra trás.

Aurélio se levanta.

AURÉLIO: O que ela fez comigo, eu não vou deixar barato! Eu voltei para acertar todas as minhas contas com ela!

Olga boquiaberta. Aurélio firme, decidido.

OLGA: Você fala com um ódio, um rancor... Eu estou assustada!

AURÉLIO: Você não imagina do que um coração ferido é capaz.

OLGA: Não faça nada que possa se arrepender depois, pelo amor de Deus!

AURÉLIO: Eu sei bem a língua falada pela Marlene. Você não sabe o quanto aprontamos em Paris. De santa, sua amiga não tem nada!

OLGA: Isso eu sei. Mas será que pode me dizer o que vocês fizeram?

AURÉLIO: Só ela pode te contar!

Aurélio se aproxima da porta.

AURÉLIO: Eu já vou indo!

OLGA: Tem lugar para ficar?

AURÉLIO: Pode me indicar um?

OLGA: Bom, tem uma pensão na rua ali da esquina. Siga em frente e logo verá. É simples, porém bem aconchegante e com um ótimo preço.

AURÉLIO: Avise a sua amiga que eu estou na cidade. E peça pra ela me procurar na pensão.

OLGA: Eu posso ceder o ateliê para vocês conversarem mais discretamente. Conhecendo bem a Marlene como eu conheço, eu sei que ela é bem discreta quando o ramo é os assuntos pessoais.

AURÉLIO: Certo. Muito obrigado!

Olga aproxima-se da porta e abre.

OLGA: Boa noite!

AURÉLIO: Passar bem!

Aurélio sai. Olga fecha a porta e respira fundo. CORTE PARA/

CENA 02. GRAMADO. EXT. NOITE.

Planos gerais. TRANSIÇÃO da NOITE para o DIA. CORTE PARA/

CENA 03. MANSÃO BELMONTE. SALA DE JANTAR. INT. DIA.

Mesa posta de café da manhã. Rebeca sentada. Marlene vem de dentro.

MARLENE: (Sentando-se) Bom dia, mamãe!

REBECA: Bom dia, minha filha!

MARLENE: Ahhh...Eu tive uma noite maravilhosa! Dormi como há tempos não dormia.

REBECA: Como você poder falar uma coisa dessa, Marlene?!

MARLENE: Ué, por causa da Rute? Ah, francamente! É só sentir o ar. Ele ficou muito mais leve depois que aquela sonsa foi embora!

REBECA: Seja como for, ela é sua irmã!

MARLENE: Pena que ela não se lembrava disso.

Dita vem de dentro.

DITA: Desculpa interromper o café de vocês, mas é que tem uma mulher aí.

REBECA: Quem?

DITA: É a Olga, modista da cidade. Ela quer falar com você, Dona Marlene.

MARLENE: Nossa! Mas o que será que a Olga quer comigo essa hora da manhã?

DITA: Eu não sei. Ela está te esperando lá na sala. Só disse que é urgente!

MARLENE: Eu vou ver o que ela quer!

Marlene levanta e sai. CORTE PARA/

CENA 04. MANSÃO BELMONTE. SALA DE ESTAR. INT. DIA.

Marlene e Olga sentadas no sofá.

MARLENE: Fala de uma vez, Olga! O que te trouxe aqui tão cedo?

OLGA: Marlene, minha amiga... É que é um assunto meio chato. Eu não trago boas notícias.

MARLENE: Você sabe muito bem que eu detesto rodeios. Fala, criatura!

OLGA: O Aurélio está na cidade te procurando!

Reação espantosa de Marlene.

OLGA: Pela sua cara, você sabe muito bem de quem se trata.

Marlene se levanta.

MARLENE: Você tem certeza?

OLGA: É claro! Ele praticamente invadiu meu ateliê quando eu já estava de saída. Me perguntou sobre você e disse que o meu ateliê era a única pista que ele tinha.

MARLENE: E você disse que eu estava aqui?

OLGA: Não tinha como negar. Ele já sabia que você tinha voltado para o Brasil.

Marlene leva as mãos sobre a cabeça, apavorada.

MARLENE: Meu Deus do céu! Era só você dizer que eu não estava aqui em Gramado. O Brasil é tão grande, tem tantas cidades e estados... Inventava uma desculpa, sei lá. Mas você não podia ter feito isso comigo!

Olga se levanta.

OLGA: Me desculpe, mas eu não posso ser culpada pelos seus erros. Você voltou toda misteriosa de Paris, nunca me contou nada sobre esse assunto e ainda queria que eu resolvesse pra você? Menos, Marlene!

MARLENE: (Aflita) Eu não estou acreditando que isso está acontecendo!

OLGA: Eu só vim trazer o recado! Ele pediu para falar com você e eu vim te buscar para irmos juntas ao ateliê.

Marlene andando de um lado para o outro, inquieta.

OLGA: Agora será que você pode me contar direito essa história, Marlene? Depois disso tudo, acho que tenho o direito de saber o que aconteceu.

MARLENE: Vamos lá na varanda. É mais seguro pra conversarmos!

Marlene e Olga saem. CORTE PARA/

CENA 05. MANSÃO BELMONTE. SALA DE JANTAR. INT. DIA.

Rebeca à mesa. Bentinho vem de dentro e senta-se.

BENTINHO: Bom dia!

REBECA: Bom dia, meu querido!

BENTINHO: O tio Lauro ainda não desceu para tomar café?

REBECA: Ih... Ele já saiu faz tempo. Foi cedo para a fábrica. Ainda não digeriu tudo o que aconteceu.

BENTINHO: Nem ele, nem ninguém!

REBECA: Tem razão. Eu ainda não consigo acreditar que a Rute fez isso.

BENTINHO: Só nos resta rezar por ela.

REBECA: Falando nisso... Como está seu seminário, Bentinho? Não vimos mais você falar sobre, nem tocar no assunto. Está desanimado?

BENTINHO: (Nervoso) Não é isso. É que... O Padre Tide anda muito atarefado esses tempos. Mas eu já estou me preparando para voltar. Nunca ia desanimar de uma coisa que me preenche tanto.

REBECA: Que bom! O Lauro tem muito orgulho do caminho que você escolheu. Ele diz que não quer morrer antes de assistir uma missa celebrada por você. Mas uma decepção, o meu velho não aguentaria.

Em Bentinho, desconfortável. CORTE PARA/

CENA 06. MANSÃO BELMONTE. VARANDA. EXT. DIA.

Marlene e Olga sentadas em uma poltrona.

OLGA: Então, me fala: afinal de contas, o que aconteceu entre você e esse tal Aurélio em Paris?

MARLENE: Bem... Quando eu cheguei lá, as coisas não foram tão fáceis como eu imaginei. Houve um certo preconceito por eu ser uma atriz brasileira. Mas por conta do caso que eu tive com um dos produtores do filme quando ele veio ao Brasil, todos me respeitaram. Afinal, ele mesmo tinha me contratado para o filme.

OLGA: Disso tudo eu sei, Marlene. Mas e depois?

MARLENE: Filmamos um filme, depois outro filme e depois outro. Aí esse produtor se casou e voltou para Espanha. Ele nem me deu muita satisfação, mas também não me importei. Nunca existiu amor na nossa relação. Era prazerosa e só isso.

OLGA: Sei bem. Talvez essa sua falta de apego seja sua maior perdição, minha amiga. Você nunca foi ligada a sentimentos.

MARLENE: Se esse for o preço a se pagar para ser eu mesma, eu hei de morrer pagando!

OLGA: Mas até agora você não me falou sobre o Aurélio.

Marlene respira fundo e levanta.

MARLENE: Bom, depois que o produtor foi embora, eu quis continuar na França esperando um novo trabalho. Porém, não surgiram nossos convites e minhas reservas foram acabando. Foi então que eu comecei a ficar muito íntima de um velho milionário e solitário que estava hospedado no mesmo hotel que eu.

OLGA: E...?

MARLENE: Ele gostou de mim e ficamos cada vez mais próximos. Aí eu descobri que ele estava doente e desenganado.

OLGA: Já entendi tudo. E o Aurélio?

MARLENE: Em um dos nossos passeios em Paris, meu caminho se cruzou com o do Aurélio. Ele me pediu uma informação falando um francês péssimo. Logo eu notei que ele não era dali e foi aí que ele me contou que também era brasileiro. Eu já estava carente e encontrar alguém tão próximo a minha realidade foi o que mais precisava.

OLGA: Foi aí que vocês se envolveram?

MARLENE: Sim. Ele também não estava muito bem financeiramente e na medida que fomos nos envolvendo, fomos nos ajudando também. Foi então que ele soube do meu caso com o velho milionário e percebemos que tínhamos uma grande chance de tirar o pé da lama.

OLGA: (Curiosa) E o que vocês fizeram?

MARLENE: Eu e o Aurélio decidimos.../

A conversa continua em OFF. CORTE PARA/

CENA 07. MANSÃO BELMONTE. QUARTO DE HÓSPEDE. INT. DIA.

Aninha arrumando a cama. Ouve-se batidas na porta.

ANINHA: Pode entrar!

Maneco entra e fecha a porta.

ANINHA: Ah, é você?!

MANECO: Estava preocupado contigo. Dormiu bem, Aninha?

ANINHA: Dormi sim. Mas é melhor você se retirar. Não fica bem um homem entrar no quarto de outra mulher sem serem casados.

Maneco se aproxima de Aninha.

MANECO: Tem horas que precisamos nos libertar de certas convenções sociais. Elas nos sufocam muito!

Maneco começa a acariciar o rosto de Aninha.

MANECO: Uma moça tão linda, tão delicada... Passar a noite chorando por um verdureiro burro como aquele... É muita injustiça!

ANINHA: Você pelo visto já superou o abandono da Rute.

MANECO: Como eu já disse, eu não sofro por quem não me merece!

Maneco segura firme as mãos de Aninha.

MANECO: (Encarando-a) Deixa eu te dizer uma coisa: o que aconteceu com nós dois, só pode ser traduzida em uma palavra: liberdade!

Maneco passa a mão e cheira o pescoço de Aninha. Ela se arrepia.

ANINHA: Eu não sei se isso é certo.

MANECO: O que é certo e errado já não importa mais. Agora chegou a hora de pensarmos um pouco na gente, no nosso bem-estar, no nosso prazer... Deixa eu te mostrar quanta coisa boa você perdeu, deixa!

Maneco morde levemente a orelha de Aninha e passa as mãos pelo corpo dela. Ela amolece. Ele a beija intensamente. Os dois caem na cama e começam a se despir. CORTE PARA/

CENA 08. ATELIÊ DE OLGA. RECEPÇÃO. INT. DIA.

Marlene sentada no sofá. Olga em pé.

OLGA: Me espera que eu vou lá na pensão chamar o Aurélio para vir aqui.

MARLENE: Não demora, viu?

OLGA: Pode deixar! Enquanto vocês conversam, eu vou dar um passeio pela cidade.

MARLENE: Não iremos prolongar a conversa. Não tenho muita coisa pra falar com aquele idiota!

OLGA: Se eu fosse você, iria com mais cautela...

MARLENE: Eu sei muito bem o que estou fazendo.

OLGA: Espero que sim!

Olga sai. Em Marlene, apreensiva. CORTE PARA/

CENA 09. MANSÃO BELMONTE. QUARTO DE HÓSPEDE. INT. DIA.

Aninha e Maneco deitados na cama, seminus.

ANINHA: Eu ainda não estou acreditando no que aconteceu.

MANECO: Foi bom, não foi?

ANINHA: (Desvia o olhar) Foi... Mas não é certo.

MANECO: Estamos livres, desimpedidos. Certo e errado já não existe mais!

ANINHA: Você assumiria uma mulher abandonada pelo marido?

MANECO: Aninha, em nenhum momento eu te prometi compromisso. Disso você não pode me acusar!

ANINHA: É que eu pensei que/

MANECO: (POR CIMA) Eu estou muito machucado com a atitude da Rute. Talvez eu nunca case outra vez. O que eu quero e propus pra gente é apenas a liberdade.

ANINHA: Como assim?

MANECO: Você volta para a cidade, toma conta da venda que o Fernando te deixou e vive sua vida livremente e eu também. Aí quando nós quisermos nos divertir um pouco, é só nos encontrarmos novamente às escondidas.

ANINHA: Eu não me sentiria bem em ficar me encontrando sempre com você sem assumirmos um relacionamento.

MANECO: Assim é bem melhor. Sem cobranças, sem amarras, sem controle! Vamos ficar com a melhor parte. Quer coisa melhor?! Ninguém nunca precisa saber. Isso é liberdade, Ana! Liberdade de fazer o que bem entender da própria vida e não precisar dar satisfações.

ANINHA: Talvez seja mesmo uma boa alternativa. Mas agora é melhor você levantar e sair daqui antes que alguém veja.

Maneco levanta e começa se vestir.

ANINHA: Eu também vou descer e me preparar para voltar â cidade.

MANECO: Se quiser, eu te acompanho. Não tenho medo desse povo!

ANINHA: Melhor não. Mas agradeço muito pela acolhida!

MANECO: Vá de cabeça erguida. E quando precisar de boa companhia novamente, é só me procurar!

Maneco pisca para Aninha e sai. Ela sorri, já bastante envolvida. CORTE PARA/

CENA 10. MANSÃO BELMONTE. QUARTO DE BENTINHO. INT. DIA.

Bentinho acende uma vela em frente a um santo e se ajoelha.

BENTINHO: (Pra si mesmo) Eu preciso me libertar dessa culpa, meu santo! Ela me corrói demais! Me ajudar a vencer e a resistir a Marlene! Eu preciso de uma luz!

Em Bentinho, aos prantos. CORTA PARA/

CENA 11. ATELIÊ DE OLGA. RECEPÇÃO. INT. DIA.

Marlene andando de um lado para o outro, visivelmente inquieta. Aurélio entra.

AURÉLIO: Finalmente estamos cara a cara, Marlene!

Marlene paralisa. Ela vai se virando aos poucos.

AURÉLIO: Não está feliz em me vê novamente?

Marlene engole a seco. Aurélio sorrindo. CORTE PARA/

CENA 12. MANSÃO BELMONTE. CORREDOR. INT. DIA.

Bentinho passa pelo corredor. Maneco sai do quarto de hóspede.

BENTINHO: (Surpreende-se) Maneco!!! O que você estava fazendo aí?

Os dois se entreolham. CORTE PARA/

CENA 13. ATELIÊ DE OLGA. RECEPÇÃO. INT. DIA.

Marlene paralisada. Aurélio se aproxima.

AURÉLIO: Não imagina o quanto esperei por esse momento.

MARLENE: O que você veio fazer aqui?

AURÉLIO: Acertar as contas contigo. Ou você achou mesmo que eu ia esquecer o que você me fez?

MARLENE: Eu não vou admitir que você cruze o meu caminho, Aurélio! Você sabe bem do que eu sou capaz!

AURÉLIO: Claro que eu sei! Afinal, aquele velho milionário de Paris morreu por sua causa!

MARLENE: Cala a boca!

AURÉLIO: Por quê? Você teve a ideia e foi por causa daqueles remédios que você colocava na comida dele, que ele morreu. Foi o plano perfeito!

MARLENE: (Grita) CALA A BOCA!

AURÉLIO: (Sorriso debochado) Calma, Marlene! Está com medo de alguém ouvir?! Engraçado... Você deveria era ter medo de mim.

MARLENE: Você não me assusta, Aurélio! Eu não sei aonde você quer chegar, mas eu não vou continuar ouvindo seus lamentos.

AURÉLIO: Eu lamento mesmo. Era um plano tão perfeito... Pena que você não quis cumprir a sua parte! Pegou o dinheiro do velho e foi embora, sem me dar nenhuma satisfação! Você me abandonou, me traiu e quis me fazer de idiota. Acha mesmo que isso tem perdão?

MARLENE: E o que você quer? Veio atrás do dinheiro, é isso?

AURÉLIO: Exatamente! E você vai me dizer onde você guardou.

Aurélio retira um revólver do bolso e aponta para Marlene.

AURÉLIO: (Grita) ANDA, FALA LOGO!

Marlene na mira do revólver, apreensiva. Clima tenso. CORTE PARA/

CENA 14. MANSÃO BELMONTE. CORREDOR. INT. DIA.

Bentinho e Maneco frente a frente.

BENTINHO: Você não vai me dizer o que estava fazendo no quarto de hóspede, Maneco?

MANECO: Fala baixo! Quer que alguém escute?

BENTINHO: A tal Aninha dormiu nesse quarto. Não vai me dizer que... (Cai a ficha) Não, não é possível!

MANECO: Eu já disse pra falar baixo.

BENTINHO: Como pôde? Mal a Rute foi embora, e você já levou essa aí para a cama?!

MANECO: Você sabe que eu não sou homem de perder tempo. Agora a Aninha e eu somos duas pessoas livres. Nada impede de nos divertimos um pouco sempre que quisermos.

BENTINHO: Não iluda a moça. Ela já sofreu tanto...

MANECO: Depois desse sexo, eu a fiz esquecer qualquer sofrimento. E pode ficar tranquilo, pois eu não estou iludindo ninguém!

BENTINHO: E eu pensando que você ainda estava abalado e sofrendo pela Rute. Estou chocado!

MANECO: Sem falso moralismo, por favor! Apesar de vestir essa batina, você não é nenhum santo! Sabemos muito bem o que fizemos com a Marlene. Não me condene, Bentinho! Você também é homem e sabe como são essas coisas.

BENTINHO: (Abaixa a cabeça) Não estou te condenando. Apenas fiquei surpreso. Eu só condeno a mim mesmo, Maneco. Não sabe o quanto me culpo por tudo o que eu fiz. Você não tem noção de quanto essa culpa me perturba.

MANECO: Vamos descer! Daqui a pouco a Aninha sai do quarto. Não é bom que ela nos veja conversando aqui. Vamos!

Maneco e Bentinho saem andando apressadamente. CORTE PARA/

CENA 15. GRAMADO. RUA. EXT. DIA.

Olga caminhando pela cidade.

OLGA: (Pra si mesmo) Ai, meu Deus! Será que a conversa entre a Marlene e o Aurélio já terminou?! Espero que esteja tudo sob controle.

Ela se aproxima de um carrinho de pipoca.

OLGA: Me ver um saquinho, por favor!

PIPOQUEIRO: É pra já, senhorita!

OLGA: Obrigada!

Em Olga, preocupada. CORTE PARA/

CENA 16. MANSÃO BELMONTE. SALA DE ESTAR. INT. DIA.

Rebeca e Aninha frente a frente. Maneco e Bentinho ao canto.

REBECA: Tem certeza que não quer ficar mais uns dias?

ANINHA: Melhor não, Dona Rebeca. Quanto mais eu adiar, será pior! Vou encarar esse povo de uma vez, reabrir a venda e seguir a minha vida.

REBECA: Força, minha querida!

Rebeca e Aninha se abraçam.

ANINHA: E o Seu Lauro?

REBECA: Está na fábrica. Mas mando lembranças suas a ele.

Dita vem de dentro com prato na mão.

DITA: Fiz um bolo e trouxe um pedaço para você levar.

REBECA: Ótima ideia, Dita!

Dita entrega o prato para Aninha.

ANINHA: Muito obrigada!

DITA: É de coco com chocolate. Espero que goste!

ANINHA: Irei gostar. Você tem uma mão de fada!

REBECA: E quando quiser aparecer, as portas estarão sempre abertas.

ANINHA: Muito obrigada!

Aninha cumprimenta Maneco rapidamente.

MANECO: Até logo, Ana!

ANINHA: Até!

Maneco e Aninha se entreolham disfarçadamente e sorriem um para o outro. Bentinho percebe e entra no meio dos dois.

BENTINHO: Que Deus te abençoe e te guarde!

ANINHA: Amém!

REBECA: Dita, Leve a Aninha até a porta.

DITA: Sim, senhora!

Aninha sai, seguida por Dita. CORTE PARA/

CENA 17. ATELIÊ DE OLGA. RECEPÇÃO. INT. DIA.

Aurélio com o revólver apontado para Marlene.

AURÉLIO: (Grita) FALA! AONDE VOCÊ COLOCOU O DINHEIRO?

MARLENE: Eu não tenho mais nenhum tostão desse dinheiro, Aurélio. Eu juro!

AURÉLIO: (Riso nervoso) Não, não. Você deve mesmo me achar com cara de palhaço. Você prefere abrir essa boca ou ir pra debaixo da terra?

MARLENE: Eu estou falando a verdade! Depois que eu fugi com todo dinheiro do cofre do velho, eu viajei para várias outras cidades da Europa. Me dei todo luxo que eu merecia.

AURÉLIO: E por qual motivo você me passou a perna, Marlene? Podia ter sido tudo tão diferente...

MARLENE: Eu pensei que você poderia fazer o mesmo e ir embora. Aí eu fiz primeiro. Não foi nada premeditado, eu juro! Aí depois que o dinheiro acabou, eu me vi obrigada a voltar para o Brasil. Por que você acha que eu voltei para esse fim de mundo?

Aurélio respira fundo e abaixa o revólver.

AURÉLIO: O que você fez não tem perdão, Marlene. Eu comi o pão que o diabo amassou por sua culpa! Só eu sei o que eu passei sem nenhum dinheiro no bolso. E você nem imagina o que eu fiz para poder voltar para o Brasil.

Aurélio se senta e coloca o revólver no colo.

MARLENE: Eu sinto muito. Mas na dúvida de sua lealdade, eu tive que pensar em mim e ser desleal primeiro.

Marlene se aproxima lentamente.

MARLENE: Eu vou te provar que não tenho medo de você, Aurélio. Nunca mais aponte um revólver para Marlene Belmonte!

Marlene tenta puxa o revólver do colo de Maneco, mas ele a empurra.

AURÉLIO: (Irado) Enlouqueceu?

Aurélio dá um tapa na cara de Marlene, que cai no chão.

AURÉLIO: (Cheio de ódio) Sua vagabunda!

Aurélio pega Marlene pelos cabelos e a joga contra parede. Ele a segura pelo braço e aponta o revólver para cabeça dela.

AURÉLIO: (Sangue nos olhos) Agora você vai ver quem sou eu de verdade, sua vadia!

Os dois colados. Olhos fixados um no outro. Clima tenso. CORTE PARA/


FIM DO CAPÍTULO


Elenco:

Mariana Ximenes como Marlene

Joaquim Lopes como Bentinho

Juliane Araújo como Rute

Marcos Pitombo como Maneco

Daniel Boaventura como Aurélio

Ary Fontoura como Lauro

Ana Lúcia Torre como Rebeca

Maria Eduarda de Carvalho como Olga

Giordano Becheleni como Fernando

Jacqueline Sato como Aninha

Rosane Gofman como Dita

Carlos Vereza como Padre Tide

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