0:00 min       DESEJO SECRETO     MINISSÉRIE
0:15:00 min    


WEBTVPLAY ORIGINAL APRESENTA
DESEJO SECRETO


Minissérie de
Lucas Oliveira

Baseado na obra de
J. Gaspar

Capítulo 02 de 07

Personagens deste Capítulo:

ANINHA
BENTINHO
FERNANDO
LAURO
MANECO
MARLENE
OLGA
PADRE TIDE



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Todos os direitos reservados.

 

CAPÍTULO 02

 

CENA 01. MANSÃO BELMONTE. QUARTO DE MARLENE. INT. DIA.

Continuação imediata do capítulo anterior. Bentinho e Marlene deitados, seminus. Ele se levanta e começa a se vestir. Ouve-se batidas na porta.

REBECA: (OFF) Marlene, está tudo bem, minha filha?

MARLENE: (Baixo) É a mamãe!

Bentinho e Marlene se entreolham apavorados.

MARLENE: (Baixo) Entra debaixo da cama, vai!

BENTINHO: Ah, meu Deus! Nunca pensei ter que me submeter a isso.

MARLENE: A outra opção é muito pior. Entra logo!

Bentinho entra debaixo da cama. Marlene começa a se vestir.

REBECA: (OFF) Filha, está tudo bem ai?

MARLENE: Só um momentinho, mãe.

Marlene abre a porta. Rebeca entra.

REBECA: O que houve, minha filha? Já é quase meio-dia e você ainda nesse quarto. Fiquei preocupada.

MARLENE: Acabei tendo insônia à noite.

REBECA: Insônia?

MARLENE: É... É um problema que eu já tenho há alguns anos. O sono foi embora e veio todo pela manhã.

REBECA: Que coisa chata! Mas eu ouvi um barulho. Parecia vozes...

MARLENE: Era a radiola! Eu estava ouvindo um disco, mas desliguei para falar contigo.

REBECA: Ah...Bom, desça para almoçar! Daqui a pouco a Dita põe a mesa.

MARLENE: Pode deixar, mamãe!

Marlene vai empurrando Rebeca e fecha a porta. Ela respira aliviada. Bentinho sai debaixo da cama e espirra.

MARLENE: Saúde!

BENTINHO: Ufa! Essa foi por pouco!

MARLENE: Comigo nada é por um triz, Bentinho. Tudo é calculado previamente, pode estar certo disso.

Bentinho termina de se vestir. Marlene abre a porta.

MARLENE: Agora vai para o teu quarto de uma vez!

Bentinho sai esbaforido. Marlene fecha a porta. CORTE PARA/

CENA 02. MANSÃO BELMONTE. QUARTO DE RUTE. INT. DIA

Rute vestindo-se. Maneco deitado, fumando um charuto.

MANECO: Por sua causa eu vou chegar atrasado no escritório.

RUTE: Vai dizer que não valeu a pena?

MANECO: Isso eu não posso falar. E você, aonde vai?

RUTE: Eu vou até a cidade fazer umas compras na venda do Fernando.

MANECO: A Dita já não fez?

RUTE: Ela não comprou mamão. Eu não passo um dia sem minha vitamina.

Rute dá um beijo em Maneco.

RUTE: Bom trabalho e até mais tarde, amor!

Rute sai. CORTE PARA/

CENA 03. MANSÃO BELMONTE. SALA DE ESTAR. INT. DIA.

Lauro sentado no sofá, lendo um jornal. Bentinho vem de dentro.

LAURO: Finalmente apareceu, meu sobrinho!

BENTINHO: Estava à minha procura, tio?

LAURO: Sim. Fui até a igreja falar com o Padre Tide, mas você não estava lá.

BENTINHO: Hoje o sono me roubou. Com licença!

Bentinho sai. Lauro segue lendo o jornal. CORTE PARA/

CENA 04. MANSÃO BELMONTE. FACHADA. EXT. DIA.

Marlene aproxima-se do carro.

MARLENE: Pode me levar até a cidade?

MOTORISTA: Claro que sim, Dona Marlene! Deseja ir aonde?

MARLENE: Ao ateliê da Olga. É minha grande amiga e quero muito revê-la.

O motorista abre a porta.

MOTORITA: Pode entrar!

MARLENE: Obrigada!

Marlene e o motorista entram. O carro avança. CORTE PARA/

CENA 05. VENDA DE FERNANDO. INT. DIA.

FERNANDO (Branco, alto e com uns 35 anos) atrás do balcão. ANINHA (Branca, baixa e com uns 28 anos) vem de dentro.

ANINHA: Precisa de mais de alguma ajuda, amor?

FERNANDO: Não, Aninha. Pode voltar para casa. Eu me viro aqui.

ANINHA: Eu coloquei as verduras naquela prateleira de cima. Tem algum problema?

FERNANDO: Não, não. Você já me ajudou bastante.

ANINHA: Então eu vou subir para casa. Não demore para ir almoçar, tá?!

FERNANDO: Fique tranquila!

Aninha sai. Fernando começa a fechar a venda. Rute o intercepta.

RUTE: Calma! Eu ainda quero comprar umas coisinhas.

FERNANDO: Que susto, Rute! A Aninha acabou de sair daqui.

RUTE: Eu precisava muito te ver.

FERNANDO: Vamos lá no fundo e conversaremos melhor!

Fernando puxa Rute pra dentro. Fernando fecha totalmente o portão da venda. CORTE PARA/

CENA 06. GRAMADO. RUA. EXT. DIA.

O carro para. Marlene e o motorista descem.

MOROTISTA: O Ateliê da Olga é logo ali.

MARLENE: Me espere aqui. Não irei demorar.

Marlene sai caminhando devagar. Ela chama atenção de todos os homens que vão passando. Alguns viram o pescoço para olha-la. Marlene percebe e sorri, visivelmente convencida. CORTE PARA/

CENA 07. ATELIÊ DE OLGA. RECEPÇÃO. INT. DIA.

Marlene e OLGA (Branca, alta e com uns 35 anos) se abraçam.

MARLENE: Que saudades, minha amiga!

OLGA: (Admirando-a) Quanto glamour!

MARLENE: Estou bem vestida?

OLGA: Deixe-me ver.

Marlene dá uma voltinha.

MARLENE: Sem a sua aprovação, não me sentirei bem.

OLGA: Está linda! Você sempre teve bom gosto.

Olga e Marlene se sentam.

OLGA: Me conte: por qual motivo voltou para cá?

MARLENE: (Desconcertada) Bem...Eu precisava rever minha família. E também os trabalhos como atriz já não apareciam com tanta frequência.

OLGA: Tem certeza que foi só isso? Somos amigas desde a adolescência e sei bem quando você esconde algo.

MARLENE: Na verdade...Aconteceu outras coisas. Mas outra hora conversamos sobre esse assunto, pode ser?

OLGA: Se prefere...

MARLENE: (Levantando-se) Agora eu quero conhecer cada canto desse ateliê. Fiquei muito feliz quando me contou nas cartas que você tinha conseguido abri-lo.

OLGA: Vou fazer um modelo exclusivo só para você!

MARLENE: (Largo sorriso) Aaaah... Agora eu me lembrei o motivo de ter me tornado sua melhor amiga.

Elas riem. CORTE PARA/

CENA 08. VENDA DE FERNANDO. FUNDOS. INT. DIA.

Fernando coloca Rute contra parede e eles se beijam com voracidade.

RUTE: Que saudade que eu estava dos seus beijos. Dessa sensação de perigo que só nós dois sentimos.

FERNANDO: (Ofegante) Eu também, eu também. Você me deixa louco, Rute! Por que demorou tanto de me procurar novamente?

RUTE: Você sabe que não podemos deixar pistas. Ainda mais agora que minha irmã Marlene voltou da Europa. Eu fiquei com tanta raiva do Maneco por não tirar o olho dela ontem, que tive que vir te encontrar para descarregar meu ódio.

FERNANDO: Só não pode esquecer que eu também sou casado. Se você tivesse chegado um pouco antes, tinha dado de cara com minha esposa. A Aninha tinha acabado de subir para casa.

RUTE: Vai me dizer que desse jeito não é bem mais excitante?! (Riso) E se ela me visse, para todos os efeitos eu seria só mais uma cliente de sua venda como tantas outras.

FERNANDO: De qualquer forma, é melhor não abusarmos da sorte. Me encontre mais tarde lá na cabana de sempre. Lá terminaremos o que começamos aqui.

Eles voltam a se beijar intensamente. CORTE PARA/

CENA 09. ATELIÊ DE OLGA. FACHADA. EXT. DIA.

Olga e Marlene se cumprimentam.

OLGA: Volte mais vezes, Marlene.

MARLENE: Voltarei. Apareça também lá na mansão de papai.

OLGA: Seu primo Bentinho está morando lá, não é?! A cidade toda ficou comovida com o acidente dos pais dele.

MARLENE: Uma fatalidade...

OLGA: Outra fatalidade é o um homem tão bonito como o Bentinho, querer se tornar padre. Acho um completo desperdício.

MARLENE: Tenho que concordar que meu primo não tem o biótipo mais apropriado para se anular dos prazeres da carne. Porém, eu acho que eu posso conseguir dar um jeito nisso.

OLGA: Marlene, Marlene... O que você está pensando em fazer?

MARLENE: Ainda é cedo. Quem sabe mais pra frente não veremos um progresso mais visível?! Por enquanto, é segredo! Mas você sabe que meus métodos sempre foram muito eficazes.

OLGA: E como sei!

Marlene sorri maliciosamente.

Ao fundo, vemos Rute caminhando rapidamente. Olga nota.

OLGA: (Apontando) Aquela ali não é a sua irmã?

MARLENE: Aonde?

OLGA: Dobrando aquela rua ali da esquina.

MARLENE: É a Rute, sim. O que será que ela vai fazer ali?

OLGA: Se você não sabe, pior eu! Mas eu sempre a vejo fazendo compras na venda do Fernando.

MARLENE: Quem é Fernando?

OLGA: É um verdureiro que chegou há pouco tempo na cidade. Ele é casado com uma descendente japonesa muito simpática.

MARLENE: (desconfiada) Interessante...

Vemos de longe Fernando atravessando a rua e seguindo o mesmo caminho de Rute.

OLGA: (Apontando) Olha ele ali! E está indo na mesma direção de sua irmã.

MARLENE: Eu preciso averiguar isso de perto. Outra hora nos falamos, Olga!

Marlene sai apressadamente. CORTE PARA/

CENA 10. MANSÃO BELMONTE. QUARTO DE BENTINHO. INT. DIA.

Bentinho ajoelhado, rezando.

BENTINHO: Oh, meu santo... Eu pequei! Não sou mais puro como queria. Me ajuda a resistir à tentação. O senhor sabe que é difícil. Às vezes ela é mais forte que nós. Mas eu quero vencer. Eu preciso vencer!

Bentinho começa a chorar, compulsivamente. CORTE PARA/

CENA 11. GRAMADO. RUA. EXT. DIA.

Marlene caminhando em passos rápidos. Ela passa pelo carro da família.

MOTORISTA: Vai aonde, Dona Marlene?

MARLENE: Eu vou ali na esquina resolver um pequeno problema. Pode continuar esperando aí. Eu não me demoro.

MOTORISTA: Não quer que eu a leve?

MARLENE: Não é necessário, querido. Eu já volto!

Marlene segue andando. O motorista a observa. CORTE PARA/

CENA 12. CABANA ABANDONADA. EXT. DIA.

Rute entra, seguida por Fernando. CAM desfoca e vemos Marlene escondida atrás de uma árvore.

MARLENE: (Pra si mesma) É, minha irmã...Teu telhado de vidro foi descoberto!

Em Marlene, sorrindo maliciosamente. CORTE PARA/

CENA 13. CABANA ABANDONADA. INT. DIA.

Fernando e Rute deitados na cama.

FERNANDO: (Sorri) Que saudades desse disso tudo contigo, Rute!

RUTE: Eu também. Precisava de uma dose de prazer para me revigorar.

FERNANDO: Não sabia que você tinha tanto ciúmes do Maneco.

RUTE: O problema não é o Maneco. É a puta da Marlene! Aquele ar de superioridade dela, aquele jeito que quando chega chama atenção de todos, que abala as estruturas, sabe?!

FERNANDO: Eu ainda não a vi, então não posso falar.

RUTE: Pois é exatamente assim! Foi desse jeito que ela deixou todos os homens daquela casa. E eu não posso dar esse gostinho para ela.

FERNANDO: Gosto de que?

RUTE: Dela roubar o meu marido. Ela vai ficar se achando se conseguir levar o Maneco para a cama. E eu sei que ela vai! Ele já estava babando.

Rute se levanta e começa a se vestir.

RUTE: Desde pequena ela disputava comigo, queria se mostrar melhor. Tudo que eu fazia, ela também queria fazer só para não ficar pra trás.

FERNANDO: Rute, eu pensei que viemos aqui para falar da gente. Sei que está querendo desabafar, mas vamos tentar aproveitar o pouco tempo que temos juntos para colocar a nossa relação em foco.

RUTE: Até o Bentinho, meu primo seminarista, aquela vadia... Ai, que ódio! Se você soubesse o que eu vi...

FERNANDO: Rute, você ouviu alguma coisa do que te falei?

RUTE: Ouvi. Mas eu preciso botar minha raiva para fora, senão eu vou surtar!

FERNANDO: O que está acontecendo é que você e eu estamos sufocados com a vida que levamos. Ou você acha que eu me sinto bem em estar casado com uma pessoa que eu não amo?! Eu casei com a Aninha por conveniência, mas não por amor.

Rute se senta na cama.

RUTE: Isso você nunca me contou.

FERNANDO: O pai da Aninha me obrigou a casar com ela depois que descobriu que nós transamos. Mas não tinha nenhum sentimento da minha parte. Sentimento mesmo eu tenho por você, Rute. Foi você quem eu aprendi a amar nesse tempo que estamos juntos às escondidas.

Fernando pega as mãos de Rute e a olha fixamente.

FERNANDO: E pensando nisso, eu queria te fazer uma pergunta. Você também é apaixonada por mim?

RUTE: Claro que sou! Quer dizer... Eu não vou negar que sinto atração pelo Maneco, que é bom estar com ele. Mas paixão, não sinto mais!

FERNANDO: É o mesmo que acontece comigo e com a Aninha. Acho que vamos poder resolver nosso problema.

RUTE: Aonde você quer chegar, Fernando?

FERNANDO: Foge comigo, Rute! Vamos fugir juntos e sermos felizes bem longe daqui?

Em Rute, surpresa. CORTE PARA/

CENA 14. GRAMADO. RUA. EXT. DIA.

Carro parado por ali. Motorista encostado nele. Marlene aproxima-se.

MARLENE: Pronto! Você já pode me levar para casa, meu querido.

MOROTISTA: Aconteceu alguma coisa, Dona Marlene?

MARLENE: Nada que você possa ajudar. Obrigada!

O motorista e Marlene entram no carro, que avança. CORTE PARA/

CENA 15. CABANA ABANDONADA. INT. DIA.

Rute e Fernando sentados na cama.

RUTE: Fugir com você?

FERNANDO: Isso. Só nós dois juntos, sem nenhuma preocupação.

RUTE: E do que iríamos viver?

FERNANDO: Eu tenho umas economias e uma irmã bem de vida na capital. Ela me conseguiria um emprego no estabelecimento dela.

Rute levanta.

RUTE: (Indecisa) Talvez seja uma boa ideia, mas... Eu não posso te dar uma resposta imediata. Preciso pensar.

Fernando se aproxima dela.

FERNANDO: Pense o quanto quiser e depois me der a resposta. Imagina como será boa nossa vida, juntos, meu amor?! Até as dificuldades que possamos ter, com o sentimento que a gente tem um pelo outro, nós enfrentaríamos.

Fernando abraça Rute, animado. Rute, visivelmente insegura. CORTE PARA/

CENA 16. IGREJA. SACRISTIA. INT. DIA.

Padre Tide guardando alguns objetos na gaveta. Bentinho ao lado.

PADRE TIDE: Tu não sabes quem esteve hoje aqui.

BENTINHO: Quem?

PADRE TIDE: Seu tio. Queria saber onde tu estavas.

BENTINHO: (Cabisbaixo) Ele me contou. Eu tinha apenas dormido demais. Só isso!

PADRE TIDE: Tu estás triste, Bentinho?

BENTINHO: Um pouco desanimado. Tristeza comum que atinge qualquer ser humano e com um homem de fé, não seria diferente. Mas nada demais, Padre.

PADRE TIDE: Pois escrevas. Escrever é um bom exercício. Fazia muito na época do meu seminário. Escrevas o que te entristece e vás se sentir mais aliviado. E qualquer coisa, podes contar comigo!

Bentinho dá um leve sorriso de canto. CORTE PARA/

CENA 17. IGREJA. FACHADA. EXT. DIA.

Bentinho sai, pensativo. Ele vê o carro da família passando de longe, com Marlene dentro.

BENTINHO: (Pra si mesmo) Eu preciso ser forte!

Nele, decidido. CORTE PARA/

CENA 18. GRAMADO. EXT. DIA.

Planos gerais. ANOITECE. CORTE PARA/

CENA 19. CASA DE FERNANDO. SALA DE ESTAR. INT. NOITE.

Aninha sentada no sofá, bordando. Fernando entra.

ANINHA: (Séria) Aonde estava até essa hora, Fernando?

FERNANDO: Meu amor, eu posso explicar.

ANINHA: Espero mesmo que tenha uma boa explicação. Eu coloquei o almoço, fiquei horas esperando e você não apareceu. Depois eu desci na venda e não te achei. Não tinha sequer um bilhete de satisfação. Você acha isso certo?

FERNANDO: O seu Antônio me chamou para repor algumas mercadorias no armazém dele. Aí eu fui ajudá-lo e como era bastante coisa, acabou levando a tarde inteira.

Aninha começa a chorar.

ANINHA: E você nem lembrou de subir e me avisar antes? Quanto descaso comigo, Fernando!

FERNANDO: Por favor, sem drama! Eu já expliquei com todo carinho o que aconteceu. Não precisa mais ficar alongando isso. Estou aqui, não estou?! Pois vamos jantar juntos. Já botou a mesa?

ANINHA: (Limpando as lágrimas) Não. Ainda vou colocar.

FERNANDO: Pois coloque enquanto eu vou tomar um banho!

Fernando beija friamente a testa de Aninha e sai. CORTE PARA/

CENA 20. MANSÃO BELMONTE. QUARTO DE BENTINHO. INT. NOITE.

Bentinho sentado em frente a uma mesa, escrevendo em uma máquina de escrever. Marlene entra e se aproxima dele.

MARLENE: Não sabia que você também era escritor, meu primo.

BENTINHO: São só uns pensamentos. Escrevo para não morrer por dentro.

MARLENE: Posso ver o que você está escrevendo?

BENTINHO: Não! Lógico que não!

Marlene puxa o papel da máquina de escrever e corre. Bentinho vai atrás dela, tentando impedi-la.

MARLENE: Deixa eu ler, vai!

BENTINHO: São coisas pessoais, Marlene. Por favor!

MARLENE: (Lendo) E ela me beijou com gosto de leite na boca e eu fiquei tão excitado.’’

Bentinho toma o papel da mão de Marlene. Ela dá fortes risadas.

BETINHO: Isso é particular. Para!

Bentinho guarda o papel embaixo de alguns livros.

MARLENE: É sobre ontem à noite, não é?

BENTINHO: Isso são contos que eu escrevo.

MARLENE: Contos não. Isso que você escreveu é sobre o que aconteceu ontem à noite entre a gente.

BENTINHO: Claro que não!

Marlene se aproxima de Bentinho.

MARLENE: (Provocando) Claro que é! Não mente pra mim, primo. Diz que você gostou, diz!

Marlene suspende o vestido e exibe uma das pernas pra Bentinho.

MARLENE: Já que você ficou tão excitado comigo...Quer ficar de novo?

Marlene começa a desabotoar o vestido.

MARLENE: Ai, eu quero tanto que você fique excitado de novo comigo. Vem!

Bentinho se retrai.

MARLENE: Só mais um pouquinho. Vem com a sua priminha que ela vai cuidar muito bem de você. E amanhã você vai poder escrever ainda mais coisas saborosas sobre sua Marlene.

Bentinho pega Marlene pelos braços e a sacode de forma brusca.

BENTINHO: (Firme) Para com isso, Marlene! Vai embora daqui e me deixa em paz!

MARLENE: Não faz isso, priminho. Quanto menos educação, mais excitada eu fico. Quanto menos você pedir permissão para me tocar, mais eu fico louca com a sensação de domínio.

BENTINHO: Eu estou falando sério. Ou você some da minha frente, ou então/

MARLENE: (POR CIMA) Ou então você vai fazer o quê?

BENTINHO: Desço lá embaixo e conto para todo mundo que você está dando em cima de mim. Quer pagar pra ver?

Marlene e Bentinho se encaram fixamente. Alta tensão entre os dois. CORTE PARA/

FIM DO CAPÍTULO!

Elenco:

Mariana Ximenes como Marlene

Joaquim Lopes como Bentinho

Juliane Araújo como Rute

Marcos Pitombo como Maneco

Ary Fontoura como Lauro

Ana Lúcia Torre como Rebeca

Amanda Richter como Olga

Giordano Becheleni como Fernando

Jacqueline Sato como Aninha

Carlos Vereza como Padre Tide

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