0:00 min       RAÍZA TEMPORADA FINAL     SÉRIE
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WEBTVPLAY APRESENTA
RAÍZA 4


Série de
Cristina Ravela

Episódio 12 de 14
"Rebobine"



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ATO DE ABERTURA

FADE IN

Fachada do prédio onde mora Dcr e Raíza /

CENA 1 APTº 3011 – SALA [INT. / MANHÃ]

Uma xícara de café é posta sobre a mesa. Raíza pega sua bolsa em cima do sofá.

DCR: Ei! Já vai pra redação?

RAÍZA: Oi! Não, o Alexandre me forçou a tirar uma semana.

DCR: Ele fez bem. Essa sua mania de achar que supera tudo, no fundo, eu sei que você precisa de um tempo.

RAÍZA: Eu quero que você saiba que eu fiquei feliz pela Lila, só não consegui ficar com vocês ontem, porque…

Dcr se aproxima a afaga seus cabelos.

DCR: Eu entendo. Você queria que ele também estivesse vivo. Eu também.

Raíza quase esmorece, mas levanta a cabeça, decidida.

RAÍZA: Agora eu preciso tomar a frente dos negócios.

DCR: Ui! Mulher dos business (ambos riem). Em que tipos de negócios a senhorita tá envolvida?

RAÍZA: Em dois negócios grandes do tipo...Dois apartamentos que eu tenho de herança. To indo agora pra imobiliária.

Raíza apanha a chave de cima do sofá.

DCR: Mas e a Lila? Ela quer reunir o clã pra contar tudo que sabe.

RAÍZA: Depois me passa o relatório. Ela vai entender.

Raíza some da tela. Em Dcr.

CENA 2 EDIFÍCIO – ELEVADOR [EXT. / MANHÃ]

CLOSE na porta cinza fechada. A porta abre, Raíza sai, disposta, caminha até uma porta de vidro. CAM sobe e para na placa: “Santos Imóveis”.

CENA 3 EDIFÍCIO – SANTOS IMÓVEIS [INT. / MANHÃ]

Local bem espaçoso, chão de porcelanato, uma TV de tela plana na parede, e um sofá preto no canto.

Raíza chega no balcão, diante de uma mulher loira, mais ou menos 25 anos.

RAÍZA: Oi, bom dia. Eu tenho um apartamento alugado aqui e gostaria de alugar um outro.

ATENDENTE #1: Seu nome, por favor?

RAÍZA: Raíza Maciel.

ATENDENTE #1: Vou pedir que aguarde um instante.

Raíza faz que sim, espia ao redor. Pouca gente. Dá uma olhada no álbum sobre o balcão com a seguinte inscrição: “Vendas / Casas e Apartamentos”. Resolve abrir, sem compromisso.

No rosto dela, distraída, até que sua expressão muda. Mostra-se emocionada.

RAÍZA (balbucia): Essa casa…? Nessa rua, mas...É a casa onde morei!

ATENDENTE #1 (colocando uma ficha sobre a mesa): Se interessou em vender o apartamento? Eles teriam um ótimo valor de venda, se te interessar/

RAÍZA: Como faço se eu quiser ver essa casa? Alguém me leva lá ou eu vou sozinha?

Nela.

CENA 4 CASA Nº 137 [EXT. / MANHÃ]

Raíza acaba de pagar ao motorista do táxi. O carro arranca dali.

Raíza admira a casa (a mesma onde morou no início da série), emocionada. O local não mudou muito desde a última vez que foi vista.

CENA 5 CASA Nº 137 – SALA [INT. / MANHÃ]

Local vazio, empoeirado, o chão ainda é de taco, e as paredes brancas. Raíza vai olhando tudo, tentando controlar as lágrimas. Toca no corrimão da escada, olha para o alto.
A porta do sótão fechada.
OUVIMOS uma conversa vinda da cozinha.

Raíza caminha, cautelosa, até lá e quando chega na porta, cobre a boca, surpresa.

Uma mesa posta. Bruno, Josué, João e Raíza sentados, tomando café.

BRUNO: Dormiu tarde, né, minha filha? Aposto que ficou no computador a noite toda.

JOÃO: Eu tenho até medo de passar perto do seu quarto (boca cheia) pode ser que eu veja um zumbi em vez de você (ele ri, se engasgando).

RAÍZA (ignora): Eu tive que fazer um trabalho pra escola e um amigo meu da internet me ajudou. Se você tivesse me ajudado...

JOSUÉ (tom repreensivo, interrompe): Como sempre deixando tudo pra última hora não é, Raíza?

JOÃO (O.S): Não é melhor você ir logo?

Raíza se assusta ao ver João, agora, ao seu lado.

JOÃO: Senão vai chegar tarde...De novo.

RAÍZA: João?

Raíza torna a olhar para a

COZINHA

Vazia.

Ao virar-se para João, ele também sumiu. SOM de alguém subindo as escadas. Raíza se apressa e vê a porta do sótão aberta. Sobe imediatamente, aflita.

Porta entreaberta, SOM vindo lá de dentro. A mão de Raíza empurra, delicadamente, a porta, revelando João de costas e agachado.

RAÍZA: João?

JOÃO: Encontrei!

João se levanta segurando uma cruz que ilumina todo o ambiente.

JOÃO: Isso aqui agora me pertence.

RAÍZA: Não, João, não faça isso!

JOÃO: Sai da minha frente!

Raíza tenta segurar seu braço, ele resiste.

RAÍZA: Jogue isso fora, eu não quero passar por isso de novo.

JOÃO (berra): VOCÊ SEMPRE TOMA TUDO QUE É MEU!

João tenta forçar a passagem, mas a heroína o empurra de contra a parede e segura a mão onde ele mantém a cruz. João aperta seu pulso e é quando ambos ficam paralisados. SOM de trovoadas fortes, do nada.

Em FLASHES, ambos aparecem no mesmo VIADUTO (cena 17 – episódio piloto). CAM invade os olhos de Raíza até que se fecham.

FADE TO BLACK

FADE IN

No olhos de Raíza abrindo. Sem entender, olha tudo ao redor até se deparar com a antiga boate L.A House, de pé.

CENA 6 L.A HOUSE [EXT. / MANHÃ]

*Para cenas seguintes, Raíza #1 é a heroína atualmente, assistindo a seu passado.

Marco, mais novo, acaba de sair e para no meio da calçada.

RAÍZA #1: Marco? (sorri) MARCO!

Raíza #1 se assusta ao ver ela mesma, mais nova, ao seu lado, olhando para a cena. No momento em que Marco dá um passo a frente, um CONCRETO CAI logo atrás. Cael aparece da porta, afobado.

Raíza #1 vê ela mesma se escorando na parede para não ser vista. Em Raíza #1, assistindo a tudo, petrificada.

FADE OUT

FIM DO ATO DE ABERTURA



4x12

REBOBINE


PRIMEIRO ATO

FADE IN

Fachada da Casa de Campo /

CENA 7 CASA DE CAMPO – SALA [INT. / MANHÃ]

Na tela da TV, exibindo a conversa entre Lila e Walter (cena 26/28- episódio 4x10). A CAM, em primeira pessoa, capta apenas o rosto de Walter.

LILA (O.S): Isso é sério? Esse Zacarta é um bruxo? Por isso só existe essa maneira de derrubá-lo?

WALTER: Não é das mais fáceis, concorda?

Um telefone TOCA. Lila vai até a mesa, ficando de costas para Walter. Ela abre sua bolsa e saca o celular.

LILA (O.S): Fala (T)...Ah, sim, valeu!

Um GEMIDO DE DOR e Lila se volta, sobressaltada. Walter está de joelhos com as mãos no peito. Emerson logo atrás com uma das mãos na direção de Walter. Este agoniza até cair no chão, desfalecido. Emerson se aproxima, CAM vai pra trás.

LILA (O.S): Emerson? O que você fez?

EMERSON: Estou há tanto tempo convosco, e não me tendes conhecido?

LILA (O.S): Essa frase é de Jesus.

EMERSON: Concordo.

Emerson puxa Lila pela nuca, assustando-a. Cola em seu ouvido.

EMERSON (sussurra): Mas me define melhor.

E quando a solta, mostra-se como CIPRIANO. GRITOS de Lila, apavorada. CAM avança até a porta, a mão de Lila aperta a maçaneta, mas nada de abrir. Lila BATE freneticamente.

LILA (O.S): SOCORRO! ALGUÉM ABRA AQUI! ABRA AQUI!

A TELA É PAUSADA.

Estão sentados nos sofás, Lila, ao lado de Dcr; no outro, Sam e Valentina; no braço de cada sofá, Roger e Marco. Roger se levanta abruptamente, chocado.

ROGER: Meu Deus! O Emerson era o Cipriano o tempo todo! Por isso toda aquela cena na igreja. Ele só queria causar discórdia.

SAM: O pior é que ele tava com a gente aqui, sabia de nossos planos. Deve ter sido ele quem invadiu o computador da Lila para postar, em nome da redação, o vídeo em que Raíza confessava ser vidente.

MARCO: Mas esse é o menor dos problemas agora, minha querida. O maior de todos é o que o Walter disse sobre como destruir o Cipriano.

Dcr se mostra aturdido.

DCR (para Lila): Foi por isso que você insistiu em ir até lá? Você queria gravar alguma conversa.

LILA: O pedido do Zacarta em ser entrevistado por mim, apenas por mim, e a visão de Raíza me fizeram tomar essa decisão. A gravação foi achada pelo Alexandre e toda a equipe médica apoiou essa farsa.

MARCO: E a Valentina metida nisso. Não bastou ter sofrido um atentado, não?

VALENTINA: Uma vez sobrevivente, sempre sobrevivente, “monamu”. Mas o Alexandre precisava contar com alguém para servir de babá da Lila, né? Só que pra isso ele tinha que ter certeza de que o ditador tava ao vivo na TV e não se passando por um de nós.

ROGER: Nilo, você acha que consegue dar conta de acabar com esse ditador? Você e Raíza?

DCR: Não sei… Ontem tivemos uma amostra de que não será nada fácil essa missão. Hans está morto e Cipriano continua firme e forte.

SAM (sagaz): Como se o Hans tivesse sido o seu maior inimigo, né, Danilo?

Dcr se surpreende. Incomodado, ele levanta, esfrega a mão no rosto.

DCR: Deve ter outra maneira de derrubá-lo. Não é possível!

SAM: Deve ter sim. DEVE ter. Porque não podemos pensar muito. Aqueles tempos de selvageria voltaram; muita gente já morreu; você e a Raíza voltaram a ser apontados como precursores das novas guerras. Não demora muito e serão vocês os novos condenados no cadafalso.

VALENTINA: Em pensar que eu achava mais difícil dar um tiro…

MARCO: Eu também.

Valentina o encara; ele sorri, sacana.

CENA 8 RUA DA CIDADE [MANHÃ]

Raíza se apressa, sem rumo. João atrás.

JOÃO: Raíza! EI!

Raíza para, inquieta, afobada.

JOÃO: O que foi aquilo? Aquele cara podia ter morrido, sabia?

RAÍZA: E você queria que eu fizesse o quê? Que eu pulasse em cima dele?

JOÃO: E fugiu por quê? Sabia que aqueles caras podem ser ricos? Tinham a maior cara.

RAÍZA: E isso mudaria o quê em minha vida?

João vê algo fora da tela.

JOÃO: O que é isso?

João se aproxima de um painel da banca onde tem vários jornais. P.V de João mostra a manchete de um deles: “Uma explosão na Faculdade Sousa Ferreira matou um formando e deixou outros feridos – Segundo testemunhas, a morte de Bruno Ferraz Maciel foi um atentado.”

VOLTA EM JOÃO

Aturdido.

JOÃO: Meu Deus!

RAÍZA: O que foi?

Raíza vê a manchete e fica paralisada com a notícia.

CENA 9 CASA DO PASTOR EVERTON [EXT. / MANHÃ]

Cael bate palmas diante do portão. Pela janela, Josué espia, faz cara feia e some. Em seguida, a porta é aberta e Josué sai com cara de poucos amigos.

JOSUÉ: O que você quer? Não basta o que fez com a Sônia, não?

CAEL (ignora): Bom dia, pastor! Eu poderia falar com ela?

JOSUÉ: Ela foi na padaria e se eu fosse você nem dava mais as caras por aqui.

CAEL (provoca): Por quê? Não mereço uma segunda chance? Não posso ser perdoado?

Josué ri, olha ao redor, incomodado.

JOSUÉ: Você se acha melhor do que os outros, né? Mas até o seu irmão te passou a perna. Você é um idiota mesmo. A Sônia, agora, não sai mais daqui!

CAEL: Ela não é sua propriedade. E uma hora ela vai perceber que é melhor ficar comigo do que com um assassino.

JOSUÉ: Sou convertido, irmão. Me arrependi dos meus atos e sofro todos os dias por ter perdido o meu filho. (olho no olho / Josué ri) Sensacional, não acha?

CAEL: Você é asqueroso. Desejo que a Sônia perceba o mal que ela tá fazendo e acabe contigo de uma vez.

Josué se aproxima do muro, ficando cara a cara com Cael.

JOSUÉ: EU farei pior! (trincando os dentes) Farei todos os fiéis acabarem contigo. Maldito o dia em que conheci você e sua corja. Maldito o dia em que Raíza salvou seu irmão. (bate no muro) Maldito foi o dia em que ele gostou dela. Ele era muito mais útil odiando a garota. As coisas poderiam ter sido melhores se nada daquilo tivesse acontecido!

Neles, se encarando.

FADE OUT

FADE IN

FIM DO PRIMEIRO ATO



SEGUNDO ATO



FADE IN

CENA 10 CEMITÉRIO [INT. / MANHÃ]

A CAM vai se aproximando de um grupo de pessoas ao redor de uma cova.

JOSUÉ (O.S / inflamado): Meu irmão perdeu o contato com a filha, desaparecida há quatro anos, bem como o nosso sobrinho. Deus não quis que esse reencontro fosse possível, mas Ele sabe o que é melhor para nós. Eu irei encontrá-los nem que seja a última coisa que eu faça.

POVO (em uníssono): Amém!

Josué está bem de frente para a cova, mãos voltadas para a frente, e mais novo. É quando ele olha para a CAM e se mostra assustado.

JOSUÉ: Raíza? João?

Todos olham para eles, que esboçam tensão.

JOSUÉ: Vocês estão vivos?! (gagueja) Ahn...Onde vocês estavam? (T) Como vocês aparecem apenas hoje?

RAÍZA: Tio, não sabemos eu...Nós vimos a notícia no jornal /

JOSUÉ: Vocês viram que o Bruno foi vítima de uma bomba? E não sabem dizer onde estavam?

JOÃO: A gente poderia conversar em casa?

JOSUÉ (chateado): Que casa? Vocês abandonaram a casa, abandonaram seus únicos parentes e agora chegam, como se nada tivesse acontecido e pedem pra conversar em casa?

Raíza e João não sabem o que dizer diante dos olhares desconfiados.

JOSUÉ: Seus pervertidos!

As pessoas mostram-se admiradas.

JOSUÉ: Seu pai moveu céu e terra atrás de vocês, mas vocês deviam estar se divertindo por aí.

JOÃO: Tio, pelo amor de Deus! Ouvimos o senhor dizer que ia nos encontrar e/

JOSUÉ: Só se for pra dar uma bela surra! Meu irmão tá morto, caramba! MORTO!

Ele se aproxima, encarando Raíza, com raiva.

JOSUÉ: E a culpa é sua, tá ouvindo? Sua! SUA!

Raíza, muito abalada, lágrimas já escorrendo, quando corre dali. João encara Josué, chocado.

CORTA PARA

CENA 11 CEMITÉRIO [EXT. / MANHÃ]

Raíza vem correndo, transtornada, esbarrando nas pessoas. Nem percebe quando pisa fora da calçada.

BUZINA estridente.

Raíza bate no capô e cai pra trás.
Cael desce do carro, espavorido e rapidamente estende sua mão para a garota.

CAEL: Você está bem?

Raíza olhando para ele. Marco já está fora do carro, observando a cena com ar de indiferente.

Da porta do cemitério, Raíza #1 espia a cena.

FADE OUT

FADE IN

Fachada da Casa de Campo /

CENA 12 CASA DE CAMPO - SALA [INT. / MANHÃ]

Dcr está de pé, mãos na cintura. Lila sentada ao lado de Sam.

LILA: Certeza de que quer fazer isso?

DCR: Eu devia ter feito antes. Não adiantou tomar todos os cuidados; João tá morto de qualquer maneira e você quase foi junto. Eu quero e preciso ir a esse depósito.

SAM: Já to pronta, hein. Vamos aproveitar sua folga no trabalho. Cael não verá problema se eu disser o motivo da minha falta também.

Valentina aparece da porta bebendo água.

VALENTINA: Eu adoraria ir com vocês. Amo correr riscos, vocês sabem.

LILA: Eu já to bem melhor. Acho que posso me cuidar sozinha.

DCR: Negativo. A Valentina fica. Eu e Sam não vamos demorar. Fiquem atentas à TV para ter certeza de quando Cipriano estiver ao vivo. E você, Lila, nunca atenda ao telefone mesmo que seja eu. Porque pode não ser. Ok?

Valentina bate continência.

VALENTINA: Sim, senhor!

Sam se levanta e faz de sinal de positivo para Dcr.

DCR: Vamos.

Dcr vai até Lila e a beija na boca. Olha para Valentina, que ainda bebe água.

DCR: SENTIDO!

Valentina quase cospe de susto. Dcr e Sam saem rindo.

VALENTINA: Cachorro!

Depois encara Lila, que tenta controlar o riso.

CENA 13 MANSÃO DE CIPRIANO – QUARTO DE AIMÉE [INT. / TARDE]

Aimée anda pelo local, nervosa, apertando as mãos. Ramon surge da porta, cauteloso.

RAMON: Senhora. (Aimée se volta, no susto) Já confirmei. O senhor Zacarta está na Assembleia participando da reforma.

AIMÉE: É agora ou nunca, Ramon!

Aimée apanha uma pequena mala azul de cima da cama e SAI pela porta. Ramon atrás.

CORTA PARA

CENA 14 MANSÃO DE CIPRIANO – GARAGEM [INT. / TARDE]

Aimée acaba de entrar no porta-malas. Ramon quase fechando. A mão da garota ampara.

AIMÉE: Obrigada, Ramon. Eu precisava mesmo de alguém com coragem pra me ajudar.

RAMON: Eu pretendo deixar a mansão. Esse homem já passou dos limites.

Aimée sorri e quando Ramon fecha o porta-malas

SUSTO

Cipriano está logo a frente do carro, olhar medonho. Ramon, aflito, nem se mexe. Cipriano se aproxima, coloca o dedo na boca, indicando silêncio. Faz sinal para o segurança entrar no carro.
Ramon, com medo, obedece e entra. Cipriano, de motorista.

CENA 15 PENHASCO [TARDE]

O carro desliza pela terra árida, dá uma guinada e para próximo do abismo.

De cada lado, saem Cipriano e Ramon, sem baterem as portas. VENTA MUITO no local. O ditador faz um sinal com a cabeça e Ramon abre o porta-malas. No rosto de Aimée, tentando driblar o brilho do sol nos olhos.

AIMÉE: Nossa, Ramon, demoramos. Onde estamos?

RAMON: Me desculpe.

O segurança dá a mão e ajuda a garota a sair.

AIMÉE: Que lugar é esse? (olha para baixo, o abismo) Ramon!

É quando olha para trás e leva um baita susto ao ver Cipriano ali.

AIMÉE: Cipriano? (tenta escorar em Ramon) Por favor…

CIPRIANO: Aimée, Aimée...Não posso descrever a decepção que estou sentindo, minha amada esposa. Traindo-me com o meu segurança?

RAMON: Não, senhor /

AIMÉE: Você sabe que não é nada disso /

CIPRIANO (por cima): Eu poderia levá-los ao julgamento pelo crime da desonra. Mas confesso que estou reservando o cadafalso para um grande acontecimento.

AIMÉE: O que vai fazer? (Cipriano estende a mão) Por favor, poupe o Ramon, a culpa foi minha.

Cipriano a pega pelo braço e a garota acaba cedendo.

CIPRIANO: Eu não farei nada. Ramon irá embora da cidade, do país...Do mundo (sorri, diabólico, para Ramon) Entra no carro.

Ramon titubeia, Aimée se mostra aflita.

CIPRIANO: Vamos, rapaz. Eu tenho todo o tempo do mundo, mas hoje tenho pressa.

Ramon entra e fecha a porta.

CIPRIANO: Ligue o carro.

O segurança, trêmulo, liga o carro.

CIPRIANO: E não se preocupe: ninguém saberá o que aconteceu aqui.

Cipriano encara o rapaz fixamente. Ramon sua, treme, até que

GRITA DE DOR

Aimée se assusta. Ramon põe a mão no peito.

AIMÉE: Ramon! Faça alguma coisa, Cipriano! Ele tá passando mal!

CIPRIANO: Você tem razão.

E ele ergue a mão em direção ao carro, que acelera sozinho e segue para frente.

AIMÉE: O que é isso? O que tá acontecendo?

RAMON (O.S): SOCORRO! SOCORRO!

O carro para adiante, começa a dar ré em alta velocidade.
Na aflição de Aimée. Cipriano só observando, de olhar vidrado no carro.

AIMÉE: NÃO! NÃO!

No GRITO da garota, enquanto o carro voa pelo penhasco

e bate nas rochas.

O carro EXPLODE.

ÂNGULO BAIXO

Aimée espia a cena, chorosa, em pânico. Cipriano surge ao seu lado e a abraça.

CIPRIANO: Como prometido. Ninguém saberá o que aconteceu aqui.

AIMÉE: O que você fez? Você é um monstro...Um monstro.

CIPRIANO: Vem, meus amigos já estão nos esperando.

Ambos somem da tela.

FADE OUT

FADE IN

CENA 15 MANSÃO BEDLIN – SALA [INT. / TARDE]

Josué já invadindo o local, empurra a empregada (branca, 30 anos, magra), transtornado.

JOSUÉ: Cadê? Onde ela tá? (olha para a empregada) Onde tá a Raíza, mulher? Eu sei que a malocaram aqui.

Cael, Raíza e João surgem através da porta do escritório.

JOSUÉ: Então é aqui que vocês se esconderam, né? Somem, viram fumaça, reaparecem após a morte do meu irmão e acham que vai ficar por isso mesmo?

CAEL: Por favor, do que o senhor está falando?

JOSUÉ: Não quero papo contigo. Não te conheço e nem quero conhecer. Eu vou levar esses dois de volta pra casa pra dar uma surra neles!

Marco descendo as escadas, de olho na cena.

JOÃO: Tio, pelo amor de Deus! Por que não ouve o que temos pra dizer?

CAEL: Eu atropelei a Raíza e decidi ajudá-la. Ela tava atordoada com a morte do pai/

JOSUÉ (nervoso / faz cena): Atordoado to eu, meu camarada! Eles somem por quatro anos, ninguém, eu disse ninguém conseguiu achar o paradeiro deles e aí, num belo dia, durante o enterro do meu irmão, eu descubro que eles estão vivos e malocados numa mansão?

RAÍZA: O senhor fala de um jeito como se esperasse que tivéssemos mortos.

Em Josué, sem saber como retrucar. Marco sorri, malicioso.

FADE OUT

FADE IN

CENA 16 L.A HOUSE [EXT. / NOITE]

Um carro preto para na lateral. Muita movimentação, gente entrando na boate.
Da janela do carro, Marco olha para a outra janela. Josué aparece, com ar suspeito.

MARCO: Tudo certo para hoje?

JOSUÉ: Sim. Mas você tem certeza que não dará problema pra mim não, né?

MARCO: Você quer dar uma lição nos seus parentes; e eu no meu irmão. (mente) Ele tomou tudo que era meu. Você estará apenas vingando o tempo que o Bruno perdeu tentando achar a Raíza. Justo, não?

Josué faz que sim.

CORTA PARA

CENA 17 L.A HOUSE [INT. / NOITE]

Música alta, gente dançando, muito barulho. Na CHAPELARIA, Ari (vestido azul, cabelos soltos, batom rosa) acaba de desligar o telefone. Fala alguma coisa para um rapaz, sem que possamos ouvir e SAI dali. Se embrenha em meio ao povo e passa por Raíza #1, que assiste a tudo, confusa. Ela segue Ari.

CORTA PARA

CENA 18 CORREDOR – L.A HOUSE [INT. / NOITE]

Raíza #1 seguindo Ari, até que a porta adiante abre e dela sai Josué. Ari não entende, mas entra numa sala e se esconde. Josué passa batido sem ver a garota. Ari suspeita e vai atrás.

CORTE DESCONTÍNUO

Raíza #1 espia Ari observando Josué nos FUNDOS da boate. Josué tira a tampa do lixo, e de dentro retira uma caixa. Coloca no chão, abre e apanha um alicate. Depois, põe a mão no bolso, pega as luvas e as coloca nas mãos. Abre o sistema de energia na parede.

Josué direciona o alicate na caixa de luz. Ari salta em sua direção.

ARI: O que tá fazendo?

Apesar do susto, Josué é rápido e CORTA um fio da energia. A caixa começa a soltar faíscas, até pegar fogo. Ari corre para o INTERIOR da boate. Josué também.

CENA 19 L.A HOUSE [INT. / NOITE]

A luz falha. Um ESTRONDO e todos se assustam. Gritos. Um globo de luz ESTOURA e estilhaços voam para cima de Raíza e Rafaela, que caem para trás. O fogo se espalha, muito desespero. Rafaela se amontoa com um grupo na porta de saída. Raíza procura alguém. Quando olha para o alto, o teto desaba. Dcr caindo, mas é amparado nos braços de Raíza. No olhar de pânico dele.

UM CORTE RÁPIDO E

CENA 20 APTº 403 – QUARTO DE JOÃO [INT. / MANHÃ]

Ari diante de João, já perplexo.

ARI: Foi ele. Foi o Josué que começou o incêndio. Eu achei estranho quando o vi de conversa com o seu Marco na porta da boate. Decidi avisar ao seu Cael, só que acabei flagrando o Josué saindo de uma sala.

JOÃO: Meu tio podia ter matado alguém!

ARI: De qualquer maneira, ele é um criminoso.

CAM BUSCA Josué, atrás da porta, ouvindo tudo.

CORTE DESCONTÍNUO

Josué, ao telefone, muito alterado.

JOSUÉ: Se você não fizer alguma coisa, Marco, eu faço, tá ouvindo?

FADE OUT



FIM DO SEGUNDO ATO



TERCEIRO ATO

FADE IN

CENA 21 DEPÓSITO DE EROM [EXT. / TARDE]

CAM enquadra Cipriano saindo do local com dois capangas. Há dois carros parados e mais três homens, na calçada, fazendo a vigilância.

O PONTO DE VISTA é de Dcr e Sam, no INTERIOR de um carro.

SAM: Não vamos esperar, não. Já sabemos que o depósito não fica vazio em hora alguma.

DCR: E do jeito que ele é, não deve estar escondendo armas ou drogas lá.

Ambos se entreolham, espertos. Sam dá a mão.

SAM: Preparado?

INSERT – Na mão de Sam

Tocada pela mão de Dcr.

FIM DO INSERT

CORTE DESCONTÍNUO

CENA 22 DEPÓSITO DE EROM – CORREDOR [INT. / TARDE]

Nas mãos unidas. Sam e Dcr caminham, cautelosos, pelo ambiente sombrio. SOCOS numa grade, SOM de uma mulher resmungando.

SAM: Tá ouvindo isso?

Eles se apressam e dão de cara com Aimée, presa numa cela. A cela é mais arrumada do que a de Jaime. Com uma cama mais confortável, penteadeira, frigobar e uma TV de 26 polegadas. Aimée sorri, aliviada.

DCR: Aimée?

AIMÉE: Não acredito! Como vocês me acharam?

DCR: Nem sabíamos que você tava aqui.

AIMÉE: Não? Então…?

SAM: Depois a gente explica. Vamos tirá-la daí.

AIMÉE: Isso é impossível! O Cipriano trancou as portas com o olhar! Com o olhar! Acreditam nisso?

Sam segura a mão de Dcr e dá a mão para Aimée.

AIMÉE: O quê? O que quer fazer?

DCR: Segure na mão dela e verá.

Aimée, na dúvida, dá a mão para Sam. Nas mãos se cruzando.

CORTE DESCONTÍNUO

Aimée se assusta ao perceber que está fora da cela.

AIMÉE: Não acredito! (cobre a boca) Você é o quê? Bruxa? É isso? O Cipriano, ele…

Ela entreolha ambos os amigos, que disfarçam.

AIMÉE: Ele é um bruxo? Meu Deus!

DCR: É isso mesmo, Aimée, mas agora precisamos saber o que houve.

AIMÉE: O Cipriano matou meu segurança. (nos olhares entre Sam e Dcr) Ele tentou me ajudar a fugir, mas...(sofrida) O Cipriano descobriu, nos levou pra um precipício e (controla o choro) matou o Ramon. Ele foi cruel. Fez o carro se mover sozinho e o jogou lá de cima.

Dcr a abraça, enquanto ela chora.

SAM: A gente sente muito. Mas precisamos seguir com a missão.

Aimée se desfaz do abraço, sem entender.

AIMÉE: Missão? Que missão?

DCR: A gente acredita que o Cipriano não mantém esse lugar apenas para rituais, mas também para esconder inimigos.

SAM: E pelo visto, não estávamos errados.

Em Aimée, preocupada.

CORTE DESCONTÍNUO

Dcr, Sam e Aimée, descendo uma escadaria estreita, sorrateiramente. O trio alcança uma porta de ferro. Dcr toma a frente e abre, devagar.
Pelo seu P.V, o corredor está vazio, e o SOM de uma TV LIGADA chama a atenção.

VOLTA EM DCR

que faz um sinal com a mão para as garotas o acompanharem.

Nos pés do trio se aproximando do som.
Nos rostos deles, apreensivos.

VOZ MASCULINA (O.S): Tá na hora do lanche, senhor ex-presidente.

O trio para, assustado. Um homem atravessa a transversal segurando uma bandeja e deposita em um banco próximo. Ao se voltar, olha para a CAM, desconfiado. Retira da cintura uma lanterna e a direciona na nossa frente. O homem não se conforma e vem andando.

O homem usa uma lanterna e caminha vagarosamente pelo corredor. CAM se afasta para pegar os três intrusos escondidos por trás de uma porta. Neles, tensos.

FADE OUT

FADE IN

CENA 23 MANSÃO BEDLIN [EXT. / TARDE]

Ari, vestida de noiva, caminha pelo gramado até chegar em Josué, de terno, encostado em seu carro.

JOSUÉ: Você tá linda, Ari. Danilo tem muita sorte mesmo.

Ari sorri, constrangida.

ARI: Não sabia que o senhor viria. Quer que eu chame a Raíza?

Josué segura em seu braço, repentinamente.

JOSUÉ: Não! Ahn...Na verdade, eu sinto falta dela, mas...Ainda não acho o momento de reconciliação. Por isso, acabei ficando carente de cuidar dos meus sobrinhos e queria saber se você se importa de receber o meu presente de casamento?

ARI: Claro que não. O que seria?

CORTE DESCONTÍNUO

CENA 24 PRÉDIO EM CONSTRUÇÃO [INT. / TARDE]

Ambiente um pouco limpo, mas claramente em obras; sacos de cimento e azulejos espalhados; janelas inacabadas. Porém, de bela arquitetura.

Ari, levantando a barra do vestido, e observando tudo.

ARI: Desculpe, seu Josué, mas isso não parece um prédio residencial. O senhor falou que era um apartamento de presente de casamento.

JOSUÉ (O.S): Tem razão. Não era um presente.

Ari se volta e estranha ao encontrar Josué, vestindo luvas pretas e a encarando friamente. Ari vai para trás.

ARI: O que é isso?

JOSUÉ: Sabe o que mais me tira do sério nesta vida? Gente como você. Certinha, boazinha, legalzinha. Cael foi um otário de aceitar ficar com a tua guarda, sabia?

ARI (medo): Seu Josué, por que tá falando assim comigo?

JOSUÉ: Porque se eu for direto demais te assusto.

Ari treme, respira ofegante.

CORTA PARA

CENA 25 PRÉDIO EM CONSTRUÇÃO [EXT. / TARDE]

ÂNGULO BAIXO

Na janela lá do alto por onde Ari é arremessada. Seus GRITOS ecoam.

O P.V passa a ser de Raíza #1, chocada. A garota desvia o olhar. SOM do corpo de Ari sobre um carro.

FADE OUT

FADE IN

CENA 26 COLÉGIO FRANÇA – SALA DE AULA [INT. / MANHÃ]

A porta é aberta violentamente por João, possesso, expressão irreconhecível, invadindo o cenário. Os alunos se assustam. João agarra Josué pelos braços.

JOÃO: Você vai sair daqui, porque seu lugar é na cadeia. Seu assassino! ASSASSINO!

CORTE DESCONTÍNUO

CENA 27 COLÉGIO FRANÇA [EXT. / MANHÃ]

Pessoas cercam uma ambulância, com as portas abertas. Os enfermeiros vêm trazendo João na camisa de força, tentando se desvencilhar.

JOÃO: Eu não to louco! Ele matou a Ari! Ele matou a Ari!

CAM se afasta e revela Cipriano de cochichos com Raíza.

CIPRIANO: João não surtou, Raíza. Mas ele só sairá da clínica se Josué quiser.

RAÍZA: Não sei o que faço.

CIPRIANO: Se Josué não existisse, você seria a única que poderia tirar seu primo da clínica.

Raíza ouvindo, atenta.
Raíza #1 espia, chocada com a proposta de Cipriano.

FADE OUT

FADE IN

CENA 28 APTº 403 – COZINHA [INT. / NOITE]

A mão feminina, discretamente, pegando uma faca de dentro da gaveta.

O P.V mostra o

CORREDOR

Onde é possível ver Josué sair do banheiro e ir em direção ao quarto. Mas ele, desconfiado, olha para a sala.

JOSUÉ: Quem taí?

Seu P.V revela a sala na penumbra. Josué caminha devagar e dá com Raíza, à espreita da porta, escondendo as mãos.

JOSUÉ: Você quer me matar de susto, garota?

E dá as costas.

RAÍZA (O.S): Não sei matar ninguém de susto.

Raíza avança sobre suas costas e enfia a faca. Josué sente o impacto, mas se mantém de pé. Raíza retira a faca, tenta atingi-lo mais uma vez.

RAÍZA: Morre, desgraçado! MORRE!

Mas Josué segura suas mãos, os dois forçando a luta, até que ele chuta a barriga de Raíza e a empurra sobre a mesinha central. No que ela cai no chão…

CORTE DESCONTÍNUO

Raíza acaba de acordar sob o barulho de grades.

CENA 29 DELEGACIA – CELA [INT. / MANHÃ]

O carcereiro, ao lado de Marco.

CARCEREIRO: Dormiu muito, hein princesa. Mas chegou sua salvação.

O homem SAI. Raíza se levanta, confusa, ao ver Marco por ali.

MARCO: Imagino que agiu para defender seu primo. Acho uma atitude louvável.

RAÍZA: Veio fazer o que aqui?

MARCO: Vim lhe propor um acordo. O que você acha melhor? Ficar presa e ainda ver seu primo internado para sempre ou...Se casar comigo?

Em Raíza, pasma.

FADE OUT

FADE IN

CENA 30 APTº 30 [INT. / TARDE]

Marco abre a porta e Dcr já vai entrando, com uma expressão de “tudo ou nada” e mãos para trás.

MARCO: Eu já ia lhe convidar mesmo /

Dcr nem deixa ele terminar e aponta uma ARMA em sua direção.

DCR: Eu já sei que você anda obrigando a Raíza a se casar contigo, já sei que você e o Josué armaram o incêndio na boate e também sei que a Ari sabia demais. O que eu quero saber é quem a matou?

Marco levanta as mãos na altura no estômago. Se faz de vítima.

MARCO: Espera aí, justiceiro! Você está na minha casa e/

Dcr puxa seu colarinho e lhe dá uma gravata. Aponta a arma em seu pescoço.

DCR: Sujar o seu tapete de sangue vai depender de você. ANDA! Me dê um nome.

MARCO (com dificuldade): Eu não sei, mas se serve de ajuda, alguém que já internou o próprio sobrinho e desejou se livrar da Raíza, com certeza não veria problema em matar uma estranha.

Dcr, pasmo, afrouxa as mãos e Marco se solta. Um telefone TOCA. Dcr saca, do bolso da calça, um celular. A imagem da tela é de João.

DCR: Fala, João (T)...O quê? Você tem um jeito de fazer o Josué contar a verdade? (T) O que o Cael tem a ver com isso? (T) Me diz onde você tá? (T) Ok, to indo pr'aí.

Dcr desliga o telefone e SAI batido. Marco espia.
Raíza #1 se preocupa e vai atrás.

FADE OUT

FIM DO TERCEIRO ATO



QUARTO ATO

FADE IN

CENA 31 PRAÇA XV [INT. / TARDE]

Muita gente pulando Carnaval, fantasiados, cantando uma marchinha. João vem no meio deles, atrapalhado, tentando procurar alguém. É quando dá de cara com um sujeito trajando uma máscara de Michael Myers.

Raíza, ao fundo, assiste a cena, se esgueira para alcançá-los.

João tenta recuar, mas no que esbarra nas pessoas, arqueia de dor.

INSERT – mãos de Michael Myers

Enfiando um canivete no estômago de João

FIM DO INSERT

O sujeito retira a máscara e revela ser Josué. João chora, encarando seu agressor.

RAÍZA: JOÃO! JOÃO!

Raíza vai abrindo caminho, corre, esboça tristeza.

João adiante, até então de costas. Quando se vira, suas mãos, sujas de sangue, apertam o estômago. Ele quase caindo, e quando Raíza o ampara /

INSERT – cena final do Piloto

No qual João segura o pulso de Raíza, no VIADUTO, sob fortes trovoadas.

Ambos CAEM no chão, ao mesmo tempo em que /

FIM DO INSERT

Eles CAEM no chão da Praça, em meio ao aglomerado de gente.

ZOOM-IN no rosto de Raíza, desacordada.

VOZ MASCULINA: Raíza? Raíza?

FUSÃO PARA

CENA 32 CASA Nº 137 – SALA [INT. / TARDE]

Raíza abre os olhos, atordoada, diante de Dcr.

RAÍZA: Dcr?

A garota o abraça, caindo no choro.

FADE OUT

FADE IN

CENA 33 CASA Nº 137 – SALA [INT. / TARDE]

Dcr e Raíza, sentados na escada.

DCR: Eu to impressionado. Quer dizer que, quando você e o João sumiram naquele viaduto, na verdade, vocês estavam invisíveis, prevendo o futuro? Previram tudo que ia acontecer durante quatro anos?

RAÍZA: E não serviu pra muita coisa. Quando despertei, achei que salvando o Marco eu poderia mudar o destino de muita gente. Era como se fosse o fio condutor de tudo, sabe?

DCR: Mas você se lembrava de tudo?

RAÍZA: Eu só conseguia lembrar das mortes, mas depois que o Marco foi salvo e meu pai também, comecei a perder o controle. Até esquecer das previsões. Quando a gente mexe em uma linha da história, todo o resto acaba modificado.

DCR: Na verdade, você apenas adiou os fatos, porque o caráter do Josué, por exemplo, não pode ser mudado.

RAÍZA: É, mas o que me intriga é que as mortes ocorreram por motivos e por pessoas diferentes. Josué matou o João? Teria sido ele?

DCR: Acho difícil. Por mais que houvesse tanta gente, Josué se tornou uma figura pública. Ele não ia correr esse risco, mas poderia muito bem saber da sentença.

RAÍZA: E quanto ao meu pai? De qualquer maneira ele morreu assassinado. Se o Josué, de fato, matou a Ari, internou um dos sobrinhos num hospício e sabia da sentença de João, então…

Ambos se encaram, pensativos, até esboçarem espanto.

DCR: Ele planejou a morte do seu Bruno na formatura? (se levanta, pasmado) É isso? (T) É isso! Ele achou que vocês estavam mortos, só precisava de um tempo para matar o irmão. Esse cara é pior do que eu imaginava!

Raíza se levanta, afoita.

RAÍZA: Ele vai ter que dizer isso na minha cara.

E SAI, apressada.

DCR: RAÍZA!

Nele, sem saber o que fazer.

CORTA PARA

Fachada da Casa do Pastor Everton /

CENA 34 CASA DO PASTOR EVERTON – SALA [INT. / TARDE]

Josué na porta, Raíza invadindo, afobada.

JOSUÉ: É uma honra recebê-la aqui /

RAÍZA (por cima): Eu quero saber se aquela explosão na formatura do meu pai foi obra sua.

JOSUÉ: Como é?

RAÍZA: Você tentou matar o meu pai no dia da formatura dele, não é?

Josué espia o quintal e fecha a porta.

JOSUÉ: Nós dois sabemos como aquilo aconteceu. Não venha me sobrecarregar com seus devaneios, não.

RAÍZA: Você sempre quis separar nossa família por vingança. Tentou matar o meu pai de modo que parecesse um acidente, até que perdeu a paciência e o esfaqueou.

JOSUÉ: Você está louca, querida!

RAÍZA: Você não precisa fazer esse jogo comigo. (olho no olho) Você achou que eu e o João estávamos mortos, desaparecidos por quatro anos, lógico! Só podíamos estar mortos. A sua raiva por mim aumentou quando seus planos não deram certo por causa das minhas previsões. Meu pai e o João estão mortos. Sério, você não precisa mais fazer um jogo comigo.

Muita tensão. Josué a encara, muito sério, até que começa a rir. Bate palmas.

JOSUÉ: E o Oscar de melhor Ator vai para...Josué! E todos aplaudem (assovia / faz cena). Merecido! Brilhante! Melhor dos melhores! (Raíza, com raiva) Sabe por que eu sempre duvidei da sua capacidade como vidente? Porque você nunca conseguiu me descobrir. Nunca!

RAÍZA: Na época, eu descobri que o Paulo queria matar o meu pai por achar que ele havia matado o pai dele, colega de escola.

JOSUÉ: E adivinha quem matou aquele idiota que vivia debochando de mim? Hã? (ri) Não teria sido a primeira vez que eu deixava alguém morrer no meu lugar, né não?

RAÍZA (trinca os dentes): Você devia ter morrido no lugar do João.

JOSUÉ: Mas foi ele quem morreu, porque era um idiota. Ele queria ser você, a super girl, que de “super” não tem nada; queria ser o super Batman contra o baixo-astral, vulgo Danilo (gargalha). Mas só eu sou autêntico, superior. Você ainda me verá no topo, ouviu bem? No topo!

Em Raíza, esboçando pena, pela primeira vez.

FADE OUT

FIM DO QUARTO ATO



ATO FINAL

FADE IN

CENA 35 APTº 3011 – SALA [INT. / NOITE]

Dcr abre a porta e dá com Cipriano cercado por três homens(altos, fortes e sinistros, todos usando terno preto).

CIPRIANO: Boa noite. Desculpe pelo horário, mas eu vim buscar minha esposa.

DCR: Até onde sei ela não mora aqui.

CIPRIANO: Não vai nos convidar a entrar?

Dcr só encarando. Cipriano faz um sinal com o dedo para os homens e saem invadindo o apartamento. Dcr é empurrado.

Os três capangas se dividem pelos cômodos, enquanto Cipriano troca olhares mortais com Dcr.

Os homens voltam, frustrados.

HOMEM #1: Nem sinal, senhor.

CIPRIANO (para Dcr): Não importa onde você a escondeu. É melhor que ela apareça em até vinte e quatro horas se você não quiser ser acusado de rapto.

DCR: Não imaginava que o líder do país pudesse perder a esposa de vista.

Cipriano o encara, fortemente. Dcr arqueia de dor, põe a mão no estômago. Cipriano vai embora e os homens seguem atrás.

Dcr empurra a porta com o corpo e cai sentado no chão. Respira fundo e se recupera. Nele.

CENA 36 MANSÃO DE CAEL – ESCRITÓRIO [INT. / NOITE]

Um frasco (o mesmo da cena 18 – 4x11) em mãos masculinas, invade a tela. Cael está sentado, diante da mesa, observando.

CAEL: Eu recebi isso do Cipriano, há alguns anos. Ele garantiu que era uma poção que revelava os verdadeiros sentimentos das pessoas.

Aimée admira o frasco, incrédula.

AIMÉE: E por que você nunca testou?

CAEL: Nunca acreditei. Ou tive medo de descobrir que a Raíza amava mesmo o Marco. Acabei esquecendo.

Aimée pega o frasco, Cael entrega.

AIMÉE: Seria interessante se o Cipriano provasse do próprio veneno…

CAEL: Ele não precisa de um desses. Ele já se revelou para o povo há muito tempo.

Aimée entrega o frasco, respira fundo, sem esperanças.

AIMÉE: Não poderei ficar aqui por muito tempo, Cael. Se Cipriano é mesmo um bruxo como vocês dizem, uma hora ele me acha!

Cael guarda a poção na caixa preta e a fecha.

CAEL: Precisamos ganhar tempo. Você mesma disse que estaria disposta a voltar para ele se o seu pai fosse libertado, ainda que vivendo em outro país.

AIMÉE: Eu tenho a sensação de que ele não vai aceitar isso e ainda vai sobrar pro meu pai.

Cael segura em suas mãos, confiante.

CAEL: Cipriano já tem o poder nas mãos. Seu pai não é mais um empecilho. Os inimigos dele mesmo são Raíza e Danilo.

AIMÉE: Se fosse assim ele já o teria libertado ou matado logo. O que ele ainda quer com o meu pai?

Em Cael, dando de ombros.

CENA 37 FACHADA - CASA DE CAMPO [EXT. / NOITE]

Corta para o seu INTERIOR

Raíza já entrando, larga sua bolsa sobre o sofá; Sam chega junto, se senta ao lado de Lila.

LILA: Imagino que o Danilo não tenha adiantado o assunto.

RAÍZA: Digamos que passei a tarde refletindo sobre o meu passado. (se senta) Mas por quê?

LILA: Porque você e o Danilo têm um jeito de derrubar o Cipriano, mas tenho receio de que nenhum dos dois consiga.

Raíza não entende. Sam apanha o controle remoto e direciona à TV.

SAM: Melhor mostrar logo.

Raíza olha para a

TV

Onde Walter encara a tela como sendo Lila (cena 26/28- episódio 4x10):

LILA (O.S): E como o senhor espera que o Danilo e a Raíza ajudem? Não há o que fazer.

WALTER: Existe um jeito, meio estranho, de desestruturar o Cipriano. Você pode não acreditar, mas é mais eficiente do que tentar matá-lo com arma de fogo.

LILA (O.S): Credo! O que seria?

WALTER: O perdão.

LILA (O.S): Perdão? Por acaso, vai começar com citações bíblicas...Não, né?

WALTER: Isso não tem nada a ver com religião. Cipriano é um bruxo da pior espécie e gosta de promover o ódio entre seus inimigos para se fortalecer. Para ele, ver os inimigos se perdoando é tão doloroso quanto levar um tiro.

LILA (O.S): Isso é sério? Esse Zacarta é um bruxo? Por isso só existe essa maneira de derrubá-lo?

WALTER: Não é das mais fáceis, concorda?

A TELA É PAUSADA.

Raíza se levanta, abismada, sem acreditar. Sam e Lila, ao fundo, se entreolhando.

RAÍZA: O perdão? Eu teria que perdoar os meus inimigos? (pensa) Por isso…

RAÍZA (V.O): Ninguém é invencível, Cipriano. Você não é Deus.

O áudio emenda com a cena seguinte.

= = FLASHBACK = =

CENA EM QUE RAÍZA E CIPRIANO CONFRONTAM-SE (CENA 7 – 4X02)

CIPRIANO: Você e o seu amigo me tornaram invencível. Não há nada que você possa fazer para mudar isso...Nada que esteja ao seu alcance. Portanto, apenas cuide das pessoas queridas que ainda lhe restam.

CORTA PARA

CENA EM QUE CIPRIANO JULGA RAÍZA E AINDA DESAFIA (CENA 14 - 4X01)

CIPRIANO: A que tipo de sacrifício você estaria disposta realmente a fazer? Porque pra me tirar do poder e me impedir de terminar o que comecei em Londres, você vai precisar de muito esforço. (olho no olho) Quem sabe na próxima reencarnação?

= = FIM DO FLASHBACK = =

RAÍZA (surta): NÃO! Não! Isso é impossível! Meu pai tá morto, o João tá morto, a Ari morreu grávida, agonizando! (olhos marejados) Eu fui internada por três meses naquele hospício!

Sam e Lila só olhando para ela.

RAÍZA: A vida de muita gente mudou. Vocês duas podiam estar mortas! Como eu posso perdoar o Josué? Perdoar o Cipriano?

SAM: Pense que é para um bem maior/

RAÍZA (ofegante): O meu bem maior era a minha família e eu não tenho mais família por causa desses dois!

E Raíza SAI, nervosa. Em Lila e Sam.

CENA 38 COFFEE BREAK - ESTACIONAMENTO [EXT. / NOITE]

Uma mulher, de capacete, sai dirigindo sua moto. CAM vai buscar Rafaela, em cima de uma moto, e com celular a postos.

RAFAELA (ao tel.): Tu tinha razão, Tony. A vadia da Valentina tá saindo cedo. Vamos ver pra onde ela tanto vai.

E desliga o celular e esconde no decote. Apanha o capacete, coloca-o e liga a moto.

A moto cruza a tela.

CORTA PARA

CENA 39 CASA DE CAMPO [EXT. / NOITE]

A luz de um farol surge pela estreita trilha de terra. Valentina dá uma guinada e para. Na VARANDA da casa, Sam e Lila tentando amparar Raíza.

Valentina, já sem o capacete, desce da moto.

VALENTINA: Posso saber o que as três chapeuzinhos fazem fora da casa? Eu poderia ser o lobo mau, hein.

SAM: Melhor entrarmos mesmo.

Enquanto elas se preparam para entrar, o P.V passa a ser de Rafaela, embrenhada no meio do mato, tentando enxergar alguma coisa. Até que Lila é vista claramente.

Rafaela, surpresa, logo sorri, diabólica.

RAFAELA: Te peguei!

SMASH TO BLACK


FIM DO EPISÓDIO

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