0:00 min       RAÍZA TEMPORADA FINAL     SÉRIE
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WEBTVPLAY APRESENTA
RAÍZA 4


Série de
Cristina Ravela

Episódio 09 de 14
"O Condutor"



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 ATO DE ABERTURA

FADE IN

CENA 1 HOSPITAL CENTRAL – CORREDOR [INT. / MANHÃ]

Movimento típico. Um médico caminha com uma prancheta em mãos e passa em frente a um quarto de porta fechada. CLOSE na porta do quarto de número 401.

CAM atravessa a porta e entra no

QUARTO

Sônia está acamada, com uma faixa no pescoço. De cada lado da cama estão Cael e João.

SÔNIA (com dificuldade): Eu achei que eu fosse morrer.

CAEL: Se o João não tivesse aparecido na hora...(para João) Não conseguiu mesmo ver quem era?

JOÃO: Foi tudo muito rápido.

= = FLASHBACK = =

CENA EM QUE SÔNIA É ATACADA NA NOITE ANTERIOR

CARRO DE JOÃO [INT. / NOITE]

João dirige, atento, quando vê algo fora da tela. 

JOÃO: Meu Deus!

Pelo seu PONTO DE VISTA, um sujeito de roupas e capuz pretos agarra Sônia pelas costas. Ela se debate o quanto pode. BUZINA soa fortemente, mas o sujeito tem tempo de rasgar o pescoço da beata. 

João desce do carro aos gritos.

JOÃO: EI! EI!

Atordoado, o sujeito cambaleia e corre pela calçada.
João se apressa até Sônia, que agoniza. Seu sangue escorrendo, João assustado.

= = FIM DO FLASHBACK = =

JOÃO: Tive a impressão de que ele tava nervoso; não deve estar acostumado. Ou seja, não era o Josué.

CAEL: João!

SÔNIA: Tudo bem. Não to em condições alguma de passar sermão. (para João) Obrigada. (João para Cael, constrangido) Mas...Meu irmão jamais teria se enganado com uma pessoa. 

CAEL: Josué enganou a própria família por anos. É assim que os psicopatas agem.

JOÃO: São capazes de seduzir...(encara Cael, alfinetando-o) De enganar.

Cael engole a seco.

SÔNIA: Mas e agora? Como eu vou encará-lo depois disso? 

BATIDAS na porta. Quando todos olham, veem Josué adentrando com aquela cara de vítima.

JOSUÉ: Com licença. Vim ver como tá a irmã.

Nos olhares de todos, até parar em Sônia, tensa.

CENA 2 HOSPITAL CENTRAL – CORREDOR [INT. / MANHÃ]

Cael e João caminhando por ali.

JOÃO: Você devia ter ficado lá. Capaz de ele matá-la e dizer que foi a gente/

CAEL: Por que você falou aquilo? (João não entende) Você insinuou que eu engano a Sônia?

JOÃO: Insinuei não; eu disse. Não sou homem de meias palavras. Vai dizer que ficou ofendido?

CAEL: Você sabe muito bem que eu só aceitei essa proposta do Marco pra recuperar a reputação do Danilo e da Raíza. Vai dizer que não tá mais do nosso lado?

JOÃO: Acontece que você não precisa mais bancar ao apaixonado. Sônia já sabe quem é o Josué graças às desconfianças que você plantou nela. 

CAEL: Desde quando se tornou puritano? E se eu me apaixonei por ela?

JOÃO: Francamente, Cael. Sônia não faz o teu tipo. O teu tipo é aquela moça de novela das seis, pacata, chatinha, mas que depois se revela uma guerreira com algum poder especial. Tipo assim a Raíza.

Cael se mostra surpreso, mas João lhe dá um tapinha no ombro.

JOÃO: Desculpa, esquece aí. É que...(os dois param) Eu to me esforçando para ser um exemplo para a Ana, entende? Você sabe que pra ela ter uma recaída...

CAEL: Ela mudou, João. Ela não bebe há muito tempo, e não acho que seja por você. (João vai pra trás, meio ofendido) É por tudo que já aconteceu. (João faz que entende). Devíamos nos preocupar com o tal advogado Emerson Martins, não acha?

Em João, assentindo.

CORTA PARA A FACHADA DA MANSÃO DE CIPRIANO. Toda pintada de branco, com detalhes dourados e janelas grandes. Um chafariz marca a entrada. Muito semelhante à mansão MIDAS do século XVIII (mostrada no episódio 3x13).

Corta para o seu INTERIOR

CENA 3 MANSÃO ZACARTA – ESCRITÓRIO [INT. / MANHÃ]

Hans está sentado numa cadeira de couro preta. Preocupado, olha para os lados onde alguém o cerca.

HANS: Por que não marcou no mesmo lugar de sempre?

Cipriano toca o ombro de Hans e senta na beirada da mesa. 

CIPRIANO: Porque eu tenho certeza que você não ia querer que os teus irmãos soubessem do erro grave que cometeste.

Hans esboça medo.

CIPRIANO: Sabe o que acontece com o membro que age por impulso? 

HANS: O mesmo que acontecerá com o pastor?

CIPRIANO: Você não é tão útil pra mim como ele, Hans. A Novo Dia tem outros jornalistas, aquele Beto, por exemplo.

Hans se levanta abruptamente e contorna a cadeira.

HANS: Cipriano, a minha intenção era ajudar, já que o Josué resolveu vacilar, então /

CIPRIANO: Você fez pior. Não teve competência para matar a beata. Não gosto de serviços mal feitos, Hans. Sabe disso. 

HANS: Me dê uma chance. A Novo Dia tá indo muito bem desde que a Carioca fez manchete com o meu vídeo. Eu posso, sei lá...Inventar que algum fã do Nilo tentou matar a beata, talvez/

CIPRIANO: Esqueça.

Cipriano se levanta e contorna a mesa.

HANS: Um vacilo meu e não terei nem uma chance?

CIPRIANO: Você agiu por impulso, não é? (Erom aparece ao lado de Hans e, este, mostra-se com raiva) Quando eu quero alguma coisa, eu conduzo sozinho, ou mando alguém competente para fazer. Não mandei você fazer nada.

HANS: Então me dê uma ordem e eu faço.

Cipriano apenas o encara.

FADE OUT


FIM DO ATO DE ABERTURA


4x09

O CONDUTOR


PRIMEIRO ATO

FADE IN

= = TOCANDO: The Conductor – AFI = =

Takes da cidade, incluindo grandes prédios, a Praça XV, a Assembleia Legislativa, várias ruas entrecortando-se num grande movimento de pessoas e veículos.

CENA 5 MANSÃO DE CIPRIANO – QUARTO DE AIMÉE [INT. / MANHÃ]

MUSIC OFF

Aimée anda de um lado e de outro, entediada.

O quarto é bem diferente do estilo clássico da fachada. (Um lado da parede é vermelho contrastando com o branco geral; objetos negros dispostos sobre móveis de madeira rústica; quadros com pinturas sombrias e que remetem a um passado distante).

Aimée vai até a janela, suspira, claramente chateada. É quando, pelo seu PONTO DE VISTA, Hans anda apressado até o portão. O portão é aberto automaticamente. Hans vai embora.

VOLTA EM AIMÉE, desconfiada.

AIMÉE: Aí tem...

CORTE DESCONTÍNUO

CENA 6 MANSÃO DE CIPRIANO – ESCRITÓRIO [INT. / MANHÃ]

Cipriano está de costas (usando terno cinza, comumente usado quando está como Emerson) e colocando seu sobretudo no cabide.

Quando se volta, é EMERSON, ajeitando o paletó e fechando os olhos, concentrado.

EMERSON/CIPRIANO: *Domine Zacarta, ex nihilo nihil fit. Ad onera vestra!

*Legenda: Senhor Zacarta, nada vem do nada. Ao trabalho! 

AIMÉE (O.S): Cipriano?

Em Aimée acabando de entrar. Ela se mostra confusa.

AIMÉE: Cipriano? Mas o que...?

Cipriano não está mais com a feição de Emerson, mas permanece com o terno cinza.

AIMÉE: Eu ouvi a voz do Emerson...(procura ao redor) Você está sozinho? 

CIPRIANO (abre os braços): Não mais, minha querida; você está aqui.

AIMÉE: Nunca te vi com nenhuma outra roupa que não fosse preta.

Cipriano se aproxima, galanteador.

CIPRIANO: Minha querida! Às vezes, o homem precisa de algumas mudanças...Para surpreender sua esposa.

Ele tenta tocar o rosto dela, mas Aimée leva o braço, ríspida.

AIMÉE: Eu vi o Hans saindo daqui. O que vocês estão aprontando? 

CIPRIANO: Somos amigos, Aimée. Os amigos visitam os amigos.

AIMÉE: Você não tem amigos, Cipriano; tem aliados. Já não bastou tudo o que fez? Pelo amor de Deus! Não aguento mais ficar presa aqui!

CIPRIANO: Quem disse que você está presa? O nosso segurança pode acompanhá-la/

AIMÉE: Ah, me poupe, Cipriano! Você bloqueou meu celular, tablet, computador. Só posso acessar o que você permitir. Eu não posso falar com os meus amigos, eu só tenho vida social quando é pra sair contigo e fazer de conta que to feliz.

CIPRIANO (se faz de vítima): Você tem ideia de quantas pessoas estão passando fome neste momento? Sozinhas...orfãs...Mas tudo o que você quer é falar com os seus amigos? Você está me magoando, Aimée.

Aimée suspira, aborrecida.

AIMÉE: Você não precisa fazer mais nada contra ninguém, Cipriano. Se adiantasse eu não reclamar pra que você me ouvisse...

Cipriano vai se aproximando.

CIPRIANO: Isso tudo é só pelo seu pai ou pelo Danilo também? Porque eu acho que a minha mágoa está evoluindo...

AIMÉE: É isso...Você odeia o Danilo porque ele é muito melhor do que você. E ainda parece ser mais forte, porque sobreviver a uma flechada daquelas...

Cipriano cala Aimée tocando sua boca com o dedo indicador.

CIPRIANO: Nem mais uma palavra.

AIMÉE: Já me tirou todas as formas de comunicação, agora quer me calar também?

CIPRIANO: Não me custa experimentar (Aimée faz que não entende). Praestat tacere quam stulte loqui.

Legenda: Quem não sabe falar, é melhor calar.

Cipriano retira o dedo, lentamente, da boca da esposa. Esta se mantém imóvel, parecendo uma estátua. É quando Cipriano faz um movimento rápido para baixo com o mesmo dedo. Aimée desaba no chão, inconsciente e de olhos abertos.

FECHA EM SEU SEMBLANTE PARALISADO

FADE IN

CENA 7 CARIOCA NEWS [INT. / MANHÃ]

Emerson acaba de chegar, ajeitando o paletó. OUVE buchichos entre os colegas.

COLEGAS: Lila é maluca! – Ela vai mesmo provocar o Zacarta desse jeito? – Ela tem provas?

Emerson, admirado, se apressa até Lila, sentada em sua mesa.

EMERSON: Lila!

LILA: Emerson! Será que você poderia/

EMERSON: É verdade isso que você vai provocar o futuro presidente?

Lila para o que está fazendo e o encara, atenta.

LILA: Futuro presidente? Tá querendo tirar o cargo de vidente da Raíza, Emerson?

Emerson a encara, esperto.

EMERSON: Não preciso. Todos sabem que ele é bem capaz de chegar a esse cargo. E você sabe o que ele pode fazer contra você se escrever uma nota, um trecho sequer para o seu livro que tenha o nome dele.

Lila ajeita sua mesa e vai se levantando.

LILA: O que ele faria? Mandaria cassar meu registro de jornalista? Cara, vivemos numa democracia, ele/

EMERSON: Ele sumiu com o presidente, Lila. O vice está morto e o Danilo quase morreu. Como presidente ele pode acabar com a democracia. Você já se imaginou vivendo numa ditadura?

Roger chegando ali.

ROGER (ironiza): O Emerson parece um advogado sempre defendendo quem precisa. 

Lila o reprova no olhar; Emerson desconfia.

LILA: Olha, eu duvido que o povo vá aceitar isso.

EMERSON: O Zacarta manda, o povo acata. Esqueceu?

LILA: Agradeço a preocupação, Emerson. Mas você não acha que tá exagerando?

EMERSON: Não é exagero quando há o nome Zacarta envolvido. Ele pode muito bem querer eliminar os desafetos, se ficar muito aborrecido.

Lila vai pra trás, baqueada. Roger se choca também.

ROGER: Gente, acho que os últimos eventos abalou a sua cabeça, Emerson. O Cipriano não seria louco de matar uma das principais jornalistas da cidade depois de uma matéria provocativa, né?

Lila só observa o ar misterioso do office boy.

LILA: Talvez ele seja um amigo muito zeloso, Roger. Não é, Emerson?

Emerson não faz nem que sim, nem que não. 

CENA 8 DEPÓSITO DE EROM – PORÃO [INT. / MANHÃ]

Ao longe, Jaime está atrás das grades, sentado numa cama baixa, pensativo. SOM DE PORTA DE FERRO se abrindo. Sapatos fazem barulho pelo extenso corredor e logo atravessam a tela. Jaime se levanta, aborrecido.

Em Cipriano, trazendo uma bandeja farta de café da manhã.

CIPRIANO: Bom dia, ex-presidente! Como passou mais uma noite?

Jaime se agarra nas grades.

JAIME: Vá a merda!

CIPRIANO (ironiza): Mas o que é isto, nobre amigo? Trouxe um belíssimo café para você. Temos pão quente, torradas, geleia de morango e também kiwi. Sabe o que dizem sobre kiwi? Que é excelente para os ossos. Você não está acostumado a ficar muito tempo parado, não é?

O vilão ri.

JAIME: Quero saber da minha filha. O que anda fazendo com ela?

Cipriano olha para um CADEADO que destrava sozinho. Em Jaime, perplexo. A porta se abre, Cipriano adentra, tranquilamente, e caminha por trás de um Jaime paralisado. Jaime tenta se soltar das grades, mas é inútil.

CIPRIANO: Felizmente não permito visitas. Mas estou cuidando muito bem dela. Sabe que, deixá-la sem nenhuma comunicação está fazendo bem a ela? Afinal, eu vivi e sobrevivi em tempos em que nem existia telefone.

Cipriano dispõe a bandeja sobre a cama, enquanto ri, debochado.

JAIME: Você a paralisa como faz comigo? Anda mantendo minha filha presa? 

CIPRIANO: Segura, você quis dizer. Nada melhor do que viver acreditando que tudo está em perfeita ordem; que não há tanta violência; que a harmonia impera entre os povos. Por isso, pretendo acabar com a internet (baque em Jaime). 

JAIME: Você está louco!

CIPRIANO: Ora! Pra quê saber o que acontece fora do país, se tem gente que não sabe o que acontece na própria família?

JAIME: O que pretende com ela? O que fará comigo depois?

Cipriano SAI e a porta se tranca sozinha.

CIPRIANO: Sua filha permanecerá comigo até o meu mandato. Após, você será capturado e exposto em praça pública como responsável pela guerra que culminou na morte do vice e na quase morte do seu justiceiro. 

JAIME: Você pretende me matar no cadafalso?

CIPRIANO: E que outro lugar seria apropriado para punir um criminoso? (sorri / Jaime retoma seus movimentos) Mas não se preocupe; não pretendo esperar três meses para me tornar líder do meu país. Espero que aprecie o café. 

E Cipriano dá as costas, caminha até atravessar a tela.
FECHA em Jaime, impotente.

FADE TO BLACK


FIM DO PRIMEIRO ATO


SEGUNDO ATO

FADE IN

Na colher mexendo numa xícara de café. A xícara é levada à boca.

BETO (O.S): Cheguei!

CENA 9 BAR [INT. / MANHÃ]

Roger, ansioso, deixa a xícara sobre o balcão.

ROGER: E aí, irmão? Conseguiu seguir o Hans?

Beto mostra o celular, animado.

BETO: Ele sempre visita esse depósito que, segundo o que sei, foi desativado pelo governo após ter sido encontrado evidências de ilegalidade.

Roger espia, abismado.

ROGER: Claro! Era do tal Erom Garcia que atendia pelo nome de Gustavo O’nara! O dono da fórmula perigosa “Desejo Proibido”, tá lembrado?

BETO: A que prometia rejuvenescer, mas no mínimo matava.

ROGER: O que será que o Hans anda aprontando por lá?

JOÃO (O.S): É o que vamos descobrir.

João bem atrás deles, seguro de si.

ROGER: Mas nem! Você nos seguiu, que horror! 

JOÃO: Você sabe que pode contar comigo bem mais do que esse Beto, né?

BETO: Que isso, cara? O que foi que eu te fiz?

JOÃO: Você é da concorrência, melhor amigo do Hans. Vai entregar o ouro assim? De boa?

ROGER: Ele já ajudou muito, João, que isso?

BETO: Tudo bem. Parece estranho mesmo, mas...Ele já tentou me matar. Quero e exijo saber quem é esse novo Hans, porque ele sempre foi nojento em suas abordagens, mas um criminoso? Nunca!

João só espia, incrédulo.

JOÃO: Olha só, as comadres aí me passam o endereço ou eu consigo de outra forma. Pode ser ou tá difícil?

Roger e Beto se entreolham.

CENA 10 CARIOCA NEWS [EXT. / MANHÃ]

Dcr e Raíza caminham pela calçada. Ele abocanha um misto quente, enquanto segura um copo de cappuccino; ela apenas bebe um cappuccino.

DCR: Já sabe o que vai fazer se o Cipriano nos jogar no cadafalso?

RAÍZA: Ele não fará isso. (Dcr a olha, abismado) Ele deve tá mais preocupado com a cadeira do presidente. A propósito, eu sinto que ele está perto...Em algum lugar sombrio.

DCR: Desde que não seja no inferno. Cipriano deve tá usando a Aimeé pra manter o Jaime preso, porque fugir, ele não fugiu não.

RAÍZA: Só sei que o Cipriano não nos chamou pra tomar café, então...

Raíza dando um belo gole no copo, quando uma MULHER morena, na faixa dos 30, avança sobre eles, derrubando o copo da heroína.

RAÍZA: Mas o que é isso?! Tá maluca?

MULHER #1: Eu, pelo menos, nunca estive num hospício. Qual é? Não previu que eu tava passando não, dupla de bandidos!

RAÍZA: Escuta aqui.../

Dcr a contém, a tempo.

DCR: Vamos, Raíza! Melhor não responder.

MULHER: Você devia ter morrido, seu herói fajuto.

Dcr fecha a cara, espia ao redor.

DCR: Aprecio sua opinião, mas ela não me faz falta, ok?

Dcr sai puxando Raíza.

RAÍZA: Bitch!

A mulher se enfurece, mas os heróis saem correndo.

CORTA PARA A FACHADA DA MANSÃO DE CIPRIANO /

CENA 11 MANSÃO DE CIPRIANO – ESCRITÓRIO [INT. / MANHÃ]

A porta entreaberta, BATIDAS nela. Um homem (branco, cabelos pretos, alto, na faixa dos 30 anos) espia e leva um susto.

SEGURANÇA #1: Senhora Zacarta!

Aimée desacordada no chão, de olhos abertos. O homem vai até ela, preocupado, e dá leves tapas em seu rosto.

SEGURANÇA #1: Senhora! Acorda! 

Aimée vai despertando, põe a mão na nuca. Reclama de dor.

AIMÉE: Ramon? Nossa...Aquele maldito/

RAMON: O que disse? Quer que eu avise ao senhor Zacarta? Vou chamar um médico/

Aimée segura no braço forte do segurança.

AIMÉE: NÃO! Ahn...Eu devo ter desmaiado porque não ando me alimentando direito.

RAMON: Vem, te ajudo a se levantar.

Ramon apoia a garota e a põe de pé.

RAMON: A senhora quase não sai. Isso pode tá te fazendo mal.

AIMÉE (ironiza): Você me dizendo isso? Você é pago pra me manter sob vigilância 24 horas e longe dos meus amigos. 

RAMON: A senhora é esposa do candidato à presidência. Normal ele zelar pela sua segurança. Ele acha que seus amigos são má influência.

AIMÉE: E eu acho que vou morrer sozinha aqui, porque o meu marido passa mais tempo fora de casa. Qualquer dia desses você me encontra morta neste chão.

RAMON: Pelo amor de Deus, senhora! Não diga isso. 

AIMÉE: Preciso ver gente, Ramon. Este lugar me sufoca.

RAMON: Ok, para onde quer ir?

Em Aimée, esperta.

CENA 12 RUAS DA CIDADE [TARDE]

Ana caminha pela calçada com sacolas de compras. Rafaela, óculos escuros, surge de dentro de um BAR e se joga nela propositalmente. Ana cai no chão e suas sacolas se espalham.

RAFAELA: Ai, desculpa, querida!

Rafaela apanha as sacolas e dá a mão para Ana.

ANA: Você podia ter mais cuidado, né?

As duas se encaram.

ANA: Rafaela, né? Obrigada, tenho que ir.

RAFAELA: Espera! Você sabe quem eu sou, né? Me desculpa, eu...Eu não ando muito bem com tudo que fiz. Tenho tentado uma reconciliação com o Danilo, mas ele não dá trégua.

ANA: O seu problema é com ele, não comigo.

Ana vai saindo, mas Rafaela segura em seu braço.

RAFAELA: Podemos conversar? Talvez eu possa desabafar com você, ou terei que fazer isso com um estranho total. Vamos tomar alguma coisa? Gosta de vodka?

No olhar de tentação em Ana.

CENA 13 CARRO DE JOÃO [INT. / TARDE]

João dirigindo, enquanto fala ao celular usando o fone.

JOÃO (ao telefone): Eu já entendi, Roger. Só vou descobrir se o Emerson realmente mora no apartamento que diz. (mente) Não vou a nenhum outro lugar sem você e sua comadre. (T) Sei, Roger/

João vê algo fora da tela que o deixa preocupado. Pelo seu P.V, Rafaela conduz Ana para o interior do bar.

JOÃO (ao telefone): Depois a gente se fala!

João arranca o fone, para o carro e abre a porta abruptamente.

CENA 14 BAR [EXT. / TARDE]

Rafaela segura as sacolas, muito simpática e vai conduzindo Ana.

JOÃO (O.S): Pode parar por aí!

Ana se assusta, mostra-se constrangida. 

JOÃO: O que pensa que tá fazendo, Rafaela?

ANA: Ela disse que queria conversar/

JOÃO: Eu perguntei pra essa vadia, o que ela pensa que tá fazendo?

Rafaela fecha a cara. Algumas pessoas notam a discussão.

RAFAELA (raiva): Se meu namorado estivesse aqui você ia ter que passar um mês de repouso.

JOÃO: Você não precisa de ninguém pra desgraçar a vida dos outros, não. Não duvido nada que tenha sido você quem deu o porrete no pastor.

ANA: João, por favor!

JOÃO (ignora): Eu podia te parabenizar, mas aquilo quase custou a vida do Danilo.

RAFAELA (ironiza): Defendendo seu rival, Joãozinho? Só porque tu tá namorando a priminha sem sal dele?

JOÃO: Nem todo mundo é igual a você, Rafaela, que não evolui, tá sempre justificando um erro atrás do outro. Queria o quê com a Ana? Embebedá-la só por prazer?

RAFAELA: Acha que seria fácil? (Ana recua, envergonhada / Rafaela ri) Vocês são patéticos, mas até que me divirto.

JOÃO: Se eu te pegar rondando a Ana ou quem quer que seja, farei contigo pior do que o Danilo já fez.

Um sujeito de roupas simples e com um copo de cerveja na mão aparece da porta do bar.

HOMEM #1: Essa é aquela Rafaela que traiu o herói Nilo?

Rafaela nem olha de tão tensa.

JOÃO: É essa mesma! Voltou pra acabar de vez com o herói!

HOMEM #1: Aí, pessoal! A vadia que traiu o herói Nilo tá aqui!

O povo se movimenta, Rafaela dá uma última olhada para João.

RAFAELA: Desejo uma morte dolorosa pra você, imbecil.

E a garota corre pela calçada. Os homens do bar gritam e gargalham.

Em João, que abraça e conforta Ana.

CENA 15 MANSÃO DE CIPRIANO – ESCRITÓRIO [INT. / TARDE]

Em Dcr e Raíza sentados em poltronas de couro preto e esboçando impaciência. 

CIPRIANO (O.S): Lamento tê-los feito esperar.

Cipriano contorna-os e senta atrás da mesa, diante deles. 

CIPRIANO: Aceitam um café, chá, talvez (para Dcr)...Veneno?

Cipriano sorri, de deboche.

DCR: Isso é um jogo? Porque se for pra ser um jogo eu não to.

RAÍZA: Você consegue ir direto ao assunto, Cipriano?

Cipriano apoia os braços sobre a mesa, encara os visitantes, especialmente Dcr.

CIPRIANO: Você me surpreendeu, garoto. Poderia trabalhar para mim como um homem de ferro, já que não morre nunca, não? (ri). Garanto que teria uma vida bem mais tranquila do que aborrecer políticos.

DCR: Não devo estar aborrecendo tanto; ainda to vivo.

Dcr e Raíza sorriem, sarcásticos. Cipriano devolve o sorriso.

CIPRIANO: E com uma dívida imensa com a nação, sabes disso, não?

Dcr e Raíza se entreolham, estranhando.

DCR: Não provocamos guerra nenhuma! Eu só queria defender o João que tava sob a mira de um revólver.

CIPRIANO: Vocês estavam em posse de armas do governo quando a guerra foi iniciada – melhor assim? Certamente não sabiam que é crime roubar armas, mais ainda quando não se tem licença pra matar.

RAÍZA: O presidente nos confiou, ele tava do nosso lado. Droga, Cipriano! Tu sabe muito bem disso.

CIPRIANO: Não, não sei. O ex-presidente não está aqui para confirmar a sua versão. Nem o vice que acabou morto por causa desse caos...(suspira / faz o falso nostálgico) Israel, Israel...Que esteja em paz.

DCR: Nos chamou para dar a sua sentença?

CIPRIANO: Vocês deviam me agradecer (os heróis riem, incrédulos). Uma nota minha sobre a guerra e vocês seriam massacrados pelo povo. Por enquanto, eles só desconfiam da participação de vocês. Minimizei muito para a mídia aceitar que você não foi o autor dos primeiros disparos.

RAÍZA: Então...?

CIPRIANO: Quero ajudá-los a retomar melhor a vida, a não ficarem tentados a fazer justiça por aí de forma tão descuidada. Gosto de dar uma segunda chance. 

Em Dcr e Raíza sem entenderem. Até que duas mãos masculinas pairam sobre seus ombros, assustando-os.

Um homem alto, moreno, na faixa dos 40 anos, tipo truculento. Ele tem um olhar vago.

CIPRIANO: Esse é Rynaldo, o segurança de vocês a partir de hoje.

RAÍZA: O quê?

CIPRIANO: Quero ter certeza de que vocês estarão em segurança e deixarão a nação segura também. Serão 24 horas até o meu mandato (susto nos heróis). Não pretendo puni-los por causa da guerra. Acredito bem mais na política da educação.

DCR: Você não pode fazer isso!

Cipriano levantando-se.

CIPRIANO: Posso sim. Como posso mandá-lo para o cadafalso, o que seria cansativo em época de campanha. Vocês estão com sorte. (faz um gesto indicando a porta) Por favor.

Raíza e Dcr se levantam, incomodados.

CENA 16 CARRO DE HANS [INT. / TARDE]

Nas mãos de Hans que dedilham o volante, impaciente. Hans espia pelo vidro.

SEMÁFORO COM SINAL VERMELHO

Quando Hans vai encostar-se à poltrona, a porta do carona é aberta e Rafaela entra rapidamente. 

HANS (Susto): Você tá maluca? Quer me matar de susto?

RAFAELA: Eu fui descoberta, caramba! O João me revelou pra uns caras que apoiam o Danilo.

HANS: E daí? A sua batata tá assando, mas a minha também, tá?

RAFAELA: É o quê? (ironiza) Sujou o tapete do pai Cipriano? Tá revoltadinho, é?

HANS: Eu não to pra suas ironias. Cai fora!

RAFAELA: Não, mas antes quero te pedir a cabeça do João.

HANS: Mas o quê?

Rafaela ignora o surto dele.

RAFAELA: Coisa simples. Acho que dá pra quebrar aqueles heróis de merda/

HANS: Já chega!

Hans avança sobre a outra porta e vai abrindo.

HANS: Pula! Anda!

RAFAELA: O que te deu, homem?

HANS: Vontade de dar na sua cara, por isso prefiro que você desça agora!

Rafaela demora e Hans a empurra. A garota 

SAI 

do carro, chateada.

RAFAELA: Tu vai se arrepender, viu?

O carro parte. Em Rafaela, olhando ao redor, se apressa pra sair dali.

FADE OUT

FIM DO SEGUNDO ATO


TERCEIRO ATO

FADE IN

CENA 17 DEPÓSITO DE EROM [EXT. / TARDE]

Um carro estaciona a alguns metros do depósito. CAM busca lentamente o interior do carro onde João e Sam estão.

JOÃO: É ali. Será que conseguimos ser rápidos?

SAM: A pergunta é se você sabe o que tá fazendo. Nem a Raíza nem o Danilo sabem disso.

João retira a chave da ignição, inquieto.

JOÃO: Não precisamos da ordem deles. E você disse que topava me ajudar.

SAM: Você se esquece de que faz parte de uma sociedade e que existe uma hierarquia.

João já abrindo a porta.

JOÃO: Quem sabe a gente não ganha uma promoção, né?

João averigua a rua vazia. Sam sai do outro lado, respira fundo e estende o braço.

SAM: Melhor irmos logo então.

Em João, confiante. Estende o braço e

FUSÃO PARA

CENA 18 DEPÓSITO DE EROM - TÉRREO [INT. / TARDE]

João e Sam surgem no meio de um CORREDOR estreito, mal iluminado, cercado por máquinas velhas. Há vazamentos pelo chão, SOM de pingos d’água e grades rangendo como se alguém abrisse.

Sam tira do bolso da calça seu celular.

SAM: Vamos filmar tudo. Acho que consigo me lembrar da cela onde o Danilo esteve.

JOÃO: Eu queria era flagrar o bom pastor, isso sim.

Sam vai andando, enquanto filma.

CORTE DESCONTÍNUO

PLANO GERAL

Sam e João adentram um corredor mais sombrio, com portas de ferro pretas e lâmpadas no teto que falham. 

Os dois passam pela primeira porta.
CLOSE nela.
BARULHO qualquer.

Sam e João se assustam e a garota deixa o celular cair. No que cai, CAM atravessa o chão e encontra a 

CELA de Jaime. 

Este, assustado, olha para o alto.

JAIME: EI! (balança as grades) EU TO COM FOME, SEUS DESGRAÇADOS! EI!

PALMAS.

HOMEM #2: Que baderna é essa aí? 

JAIME: Eu to com fome e acho que ainda é cedo pra eu morrer, não?

HOMEM #2: Aqui tem horário, senhor ex-presidente. Mas vou ver o que arrumo pra excelência.

BARULHO vindo do alto.

HOMEM #2: O que foi isso?

JAIME: Suas comadres tricotando.

HOMEM #2: Cala essa boca, desgraça! (ele saca um celular do bolso da camisa) Tem algo errado aqui.

O homem dá as costas. Jaime olha para o alto, sem entender.

CENA 19 DEPÓSITO DE EROM - TÉRREO [INT. / TARDE]

João e Sam quase abraçados, temerosos.

SAM: Melhor a gente se apressar antes que alguém apareça...

Mal termina de completar e PASSOS firmes soam próximos. Sam e João se entreolhando. Na porta de ferro que faz BARULHO.

A porta se abre, o homem da cena anterior SAI rapidamente para ver quem está ali.

SAM e JOÃO sumiram.

CENA 20 CARRO DE JOÃO [INT. / TARDE]

Em João e Sam, apressados.

JOÃO (bate no volante): Droga, droga, droga! Tudo culpa sua, né? Tá sabendo que a culpa é sua, né?

SAM (indignada): Você devia me agradecer isso sim! Porque se não fosse por mim você nem entraria nesse lugar. Menos ainda sairia.

João engata a chave na ignição com raiva.

JOÃO: Como eu queria pegar o pastor em suas verdadeiras funções.

SAM: A gente precisa de ajuda. Se esse depósito ainda é frequentado não é por boa coisa. Promete que não vai tentar nada sem antes falar com a Raíza e o Danilo?

João apenas faz que sim, desviando o olhar.

JOÃO: Aonde quer que eu te deixe?

Em Sam, confiando.

CENA 21 COFFEE BREAK [EXT. / TARDE]

Um carro preto estaciona. A janela de trás abaixa e Aimée olha saudosa para a fachada do local.

CENA 22 CARRO [INT. / TARDE]

Ramon, na direção.

RAMON: O senhor Zacarta não ia gostar de te ver aqui.

AIMÉE: Ele não ia gostar de saber que você não quis parar para eu beber alguma coisa. Me espere aqui.

RAMON: Sinto muito, mas eu irei junto.

Em Aimée, bufando.

CENA 23 COFFEE BREAK [INT. / TARDE]

Ramon já puxando a cadeira para Aimée. Valentina, vestida pra matar com um tubinho preto e um crachá, se admira ao vê-la e, com uma bandeja e um bloco de notas, se aproxima.

VALENTINA: Aimée! 

Aimée sorri, tensa, se levanta.

AIMÉE: Valentina! Quanto tempo!

As duas se abraçam. CLOSE em Aimée com a boca bem próxima da orelha de Valentina.

AIMÉE (cochicha): Preciso falar contigo.

Valentina sorri, disfarçando, para Ramon.

VALENTINA: Posso dar uma sugestão? Afinal, receber a esposa do candidato à presidência merece algo especial.

RAMON: Se a senhora Zacarta aprovar, pra mim, está ótimo.

VALENTINA: Ok. Trarei dois expressos com sorvete, chocolate e menta. Já volto.

Valentina sai.

Aimée, já sentada, não consegue disfarçar o nervosismo.

RAMON: Falei pra senhora que não era bom vir até aqui. Ela pode chamar a imprensa, a senhora é uma visita ilustre!

AIMÉE: Sem pânico, Ramon! A Valentina sabe que detesto holofotes.

A garota espia Valentina do outro lado cochichando com uma garçonete morena. Aimée olha para o segurança, que se distrai.

A garçonete vem com uma bandeja contendo um copo de frappuccino. Quando passa pelas costas de Aimée e derruba o copo sobre ela.

GARÇONETE: Ai, me desculpe, senhora!

A garota se levanta, assustada. Todos observam a cena.

VALENTINA: Cê tem que prestar atenção, garota! O que o senhor Zacarta vai pensar de nós? (para Aimée) Vem comigo, vou dar um jeito nisso.

RAMON: Eu irei junto!

VALENTINA: O senhor não pode entrar no banheiro feminino. Espere aqui, por favor.

Ramon se inquieta.

CENA 24 COFFEE BREAK – BANHEIRO [INT. / TARDE]

Aimée entra, aflita; Valentina vem logo atrás e fecha a porta.

VALENTINA: Me conta! O que tá acontecendo? O bandido do Cipriano tá te mantendo presa, é?

AIMÉE: Ele tá com o meu pai. (Valentina se espanta) Ele vai matá-lo assim que assumir a presidência, Val!

Valentina cobre a boca, horrorizada.

VALENTINA: Ele te falou isso?

AIMÉE: Não...Eu só sei que ele tá preso em algum lugar, mas você acha que ele pretende mantê-lo vivo depois que for eleito? Se eu me rebelar, ele mata o meu pai; se eu fico quieta, ele provavelmente o matará e dirá a todos que o capturou pelo povo. Eu to sem saída!

VALENTINA: Esse cara deve dar bola fora em algum momento, não é possível.

As duas pensam um pouco.

AIMÉE: Ahn...Tem uma coisa...Certa vez encontrei uma conta de luz do mesmo apartamento que o Emerson diz morar.

VALENTINA: O quê? Cipriano paga as contas do Emerson? (sorri maliciosa) Taí, uma faceta que eu não conhecia dele.

AIMÉE: Val, não perca o foco! Se Cipriano paga as contas do Emerson é porque eles são cúmplices!

Valentina pensa, preocupada. 

VALENTINA: Meu Deus...Emerson trabalha na redação, repassa tudo pro bandido (cobre a boca). To chocada! Nós temos que fazer alguma coisa. (pega do decote um celular) Fica com isso.

AIMÉE: Mas pode ser perigoso.

VALENTINA: Nada. Eu tenho outro e você mantém esse no silenciador. Qualquer novidade me avise. Sei de alguém bastante ousado que vai curtir essa história.

No olhar sagaz de Valentina.

CENA 25 HDM CONSTRUTORA - RECEPÇÃO [INT. / TARDE]

Valentina parada perto da porta se exibindo para alguns homens engravatados que passam por ali. João vem observando a cena.

JOÃO: Seja breve que eu to com a cabeça estourando.

VALENTINA (aponta o dedo): Tu me trata direito que eu me desloquei até aqui/

JOÃO: Tá, tá bom, garota! Quer um café? Um chá, talvez?

Valentina se chateia.

VALENTINA: O que me diz de você averiguar o apartamento de Emerson Martins com aquela doida da Sam?

JOÃO: Pensei nisso hoje, mas tive um contratempo. Mas você veio aqui pra isso?

VALENTINA: Não, porque tempo é money, queridinho. A Aimée apareceu lá no Café.

JOÃO: A Aimée?! E como ela tá?

VALENTINA: Melhor perguntar o que ela me disse. O Cipriano paga as contas do tal Emerson. Tá bom pra você?

JOÃO (surpreso): Como é?

VALENTINA: Será que hoje você não sairia mais cedo?

JOÃO: Já to lá!

CENA 26 PRÉDIO ONDE MORA RAFAELA [EXT. / TARDE] 

Em João e Valentina estacados diante do portão. Um homem (60 anos, estatura baixa, gordo e branco) surge lá de dentro e se aproxima.

ZELADOR: Boa tarde! Posso ajudá-los?

JOÃO: Boa tarde. A gente queria falar com a síndica.

ZELADOR: Ela deu uma saída. É só com ela? Se eu puder ajudar.

João e Valentina se mostram indecisos. Valentina abre sua bolsa e apanha seu celular.

VALENTINA: O senhor sabe me dizer se esse cara (estende o celular) mora aqui?

P.V do zelador na foto de Emerson no celular.

ZELADOR: Ah, (ri) o sósia do meu antigo advogado. Sim, ele mora aqui, mas quase não o vejo.

Valentina e João não entendem.

JOÃO: Sósia?

ZELADOR: Sempre achei curioso o fato dele ser a cara e ter o mesmo nome do advogado cível Emerson Martins. Mas isso seria impossível.

VALENTINA: E por quê? Ele pode ter mudado de profissão.

ZELADOR: O Emerson que conheci morreu há mais de 10 anos, dona.

SUSTO nos visitantes.

JOÃO: E sabe do que ele morreu?

ZELADOR: Acidente de carro. O caso ganhou só uma nota no jornal, porque o assunto na época era o incêndio a um manicômio. Mas quem pode informar melhor são os colegas dele.

O zelador olha para alguém fora da tela. Tony aparece com uma sacola de compras, fita João e Valentina, meio sem graça.

TONY: Boa tarde, boa tarde!

O zelador abre o portão e Tony entra. Assim que ele some dentro do prédio, o zelador se aproxima dos visitantes.

ZELADOR: Querem o endereço onde o meu advogado trabalhava?

Em João e Valentina, na expectativa.

CENA 27 APTº DE RAFAELA – SALA [INT. / TARDE]

Tony já entrando, apressado.

TONY: Princesa! Ô princesa!

Rafaela surge do corredor com a toalha branca enrolada na cabeça e trajando roupa de banho na cor rosa.

RAFAELA: O que foi?

TONY: Tu não vai acreditar em quem eu vi lá embaixo.

RAFAELA (impaciente): Hmmm...Quem, criatura? Um agiota atrás de você?

TONY: Aquela gostosa da Valentina e o tal do João. Estavam sondando o zelador.

RAFAELA (preocupada): Sobre mim? 

Tony larga a sacola em cima do sofá.

TONY: Não. Era sobre o Emerson Martins. Esse nosso vizinho que quase nunca aparece.

RAFAELA: Que estranho...Ele não é amigo dessa liga maldita?

Tony se aproxima dela, mexe em sua toalha branca.

TONY: Sei não, princesa. Vai vê...Ele andou fazendo coisa errada...

Tony a beija no pescoço, Rafaela deixa, distraída.

RAFAELA: Melhor deixar os amigos de sobreaviso...

Em seu olhar marcante.

CENA 28 CARRO DE JOÃO [INT. / TARDE]

João dirige atento, olhando para os lados. 

JOÃO: Esse escritório que o zelador falou parece meio longe. Se bobear, nem existe mais.

Valentina segura um pacote de biscoito e abocanha alguns.

VALENTINA: Tu tá achando o mesmo que eu? 

JOÃO: Não acredito em zumbis, se é isso que você tá achando.

VALENTINA: Eu também não acreditava em videntes, nem que a inquisição pudesse voltar, mas...

JOÃO: Tudo tem limite. Até satanás, então não inventa. No máximo o Emerson teve um sósia mesmo.

Valentina bufa.

JOÃO: Já tá escurecendo. Esses escritórios devem fechar cedo.

Valentina aponta para baixo e deixa cair farelo de biscoito.

VALENTINA: Mete o pé no acelerador então, seu lerdo!

JOÃO: Olha a sujeira que você tá fazendo no meu carro, garota! E fecha essas pernas, por Deus! Ai, graças a Deus eu tenho a Ana, viu.

Valentina nem se importa. O celular TOCA.

João espia o celular próximo da marcha. A foto de ANA aparece no visor.

JOÃO: Falando nela...(atende) Oi, Aninha. (T) Quê?

INTERCALA COM

UM CLOSE NUMA BOCA MASCULINA AO TELEFONE.

HOMEM #3: Soube que andou perguntando por mim. Eu estou bem aqui.

VOLTA EM JOÃO

JOÃO: Emerson? Cadê a Ana? Emerson?!

O telefone é desligado.

VALENTINA: O que houve, João?

JOÃO: O Emerson tá com a Ana! Se segura!

Corta para o EXTERIOR

Onde o carro dá uma freada e os pneus chegam a cantar no asfalto até fazer o retorno. BUZINAS. O carro parte em alta velocidade.

FADE TO BLACK

FIM DO TERCEIRO ATO


QUARTO ATO


FADE IN

CENA 29 PRÉDIO ONDE MORA ANA – CORREDOR [INT. / NOITE]

João e Valentina acabam de sair do elevador, apressados, num cenário mal iluminado. Na bifurcação, João vê quando um sujeito todo de preto e capuz escondendo o rosto, SAI do apartamento rapidamente e some pela saída de emergência.

JOÃO: EI!

João vai atrás, entra na

SAÍDA DE EMERGÊNCIA

E chega a descer a escada, mas logo desiste e retorna.

João abre a porta e corre para o APARTAMENTO de frente junto de Valentina.

CENA 30 APTº 215 – SALA [INT. / NOITE]

João entra, assustado.

JOÃO: ANA! ANA!

SOM DE CHUVEIRO ligado.

VALENTINA: No banheiro!

João sai em disparada para o 

BANHEIRO

E quando entra, dá com a silhueta da namorada por trás da porta do Box, tomando banho.

JOÃO: Ana...

ANA: João?

João, sem cerimônias, abre a porta, deixando Ana constrangida, e a abraça fortemente.

JOÃO: Que bom que você tá bem.

Ana, sem entender, olha por cima do ombro, alguém fora da tela.

Valentina sorri e sai de cena.

Fecha em João, aliviado.

FADE OUT

FADE IN

FACHADA DO HOSPITAL CENTRAL/ 

CENA 31 HOSPITAL CENTRAL – QUARTO DE SÔNIA [INT. / MANHÃ SEGUINTE]

Sônia, usando um vestido leve e florido, está sentada na cama, com uma faixa no pescoço e diante do médico. Cael por ali.

MÉDICO: É uma sobrevivente, Sônia. Em poucos dias quero você de volta para retirarmos a faixa.

SÔNIA: Graças a Deus!

A porta se abre, Josué entra, afoito, com uma sacola de roupas na mão.

JOSUÉ: Boa tarde! Soube que a irmã sairá hoje. Vim te buscar.

Josué observa a roupa de Sônia e uma pequena mala sobre a cama.

CAEL: Ela irá comigo, pastor.

JOSUÉ: Como assim? Ela tem uma casa e quem cuide dela.

CAEL: Espero que não fique chateado. Eu fiz o convite e ela aceitou.

O médico se afasta.

JOSUÉ (para Sônia): É isso mesmo, irmã? Por que isso agora? Tá achando que eu tive alguma coisa a ver com o que te fizeram?

Sônia se mostra amedrontada.

SÔNIA: Não! Claro que não, mas é que...Cael é meu namorado e/

JOSUÉ (vitimiza): Já entendi, desculpa. Claro que você prefere o seu namorado a mim. Espero que não me esqueça na sua casa.

Cael pousa a mão sobre o ombro de Josué.

CAEL (ironiza): Não tem como esquecê-lo, irmão.

Em Josué, fechando a cara.

CENA 32 APTº 3011 – SALA [INT. / MANHÃ]

Em João, cabisbaixo.

DCR (O.S): Vocês não tinham nada que terem ido a esse depósito, sozinhos.

RAÍZA (O.S): Nem ido atrás de informações sobre o Emerson.

CLOSE em Valentina e, em seguida, Sam. Ambas cabisbaixas.

PLANO GERAL

João, Sam e Valentina estão sentados no sofá, lado a lado. Marco, Lila e Roger também marcam presença.

RAÍZA: Deram muito na cara indo até o reduto da Rafaela. Só pode ter sido ela quem bateu pro Cipriano.

VALENTINA: Ah, na boa, Raíza, quando o João e o Nilo armaram aquela cena na praça 15, muita gente aqui foi pega de surpresa, né não? E quase meio mundo se ferrou. Agora, só porque os líderes ficaram de fora, a gente errou?   

DCR: Justamente por isso precisamos ter cautela. A Ana podia ter morrido! 

JOÃO: A Ana, eu, a Sam. Todo mundo aqui pode morrer, Danilo. Quando se enfrenta um sujeito como o Cipriano tem que estar ciente dos riscos. Eu não quero expor a Ana, mas não se faz uma omelete sem quebrar os ovos. Frase feita, odeio, mas é isso.

Sam se levanta, decidida.

SAM: Eu concordo. Tipo, eu sou a única pessoa capaz de entrar e sair dos lugares sem ser vista. E o João era o único disponível para topar investigar o tal depósito. Agora que vocês são obrigados a andar com segurança vão depender muito mais da gente.

ROGER: Sim! (abraçando Sam, animado, e gesticulando) A gente pode se revezar, fingir que vamos pra um lugar e ir pra outro, invadir o depósito discretamente e usando armas secretas como câmeras espiãs, meio James Bond/ 

JOÃO (por cima): Alguém desliga esse cara? 

MARCO: Calma, João Batista. Não vá perder a cabeça como seu xará bíblico (João revira os olhos). O importante é que sabemos da morte precoce de Emerson Martins. O que ainda nos falta saber é quem esse Emerson que nos cerca. Porque não são a mesma pessoa...Não é?

Nos olhares de alguns, indecisos, até chegar a Raíza, pensativa. Lila está distraída com seu tablet.

MARCO: Lila, querida, não é hora para rede social.

ROGER: Ela tá conferindo a repercussão da matéria dela.

RAÍZA: Matéria essa que o defunto do Emerson sugeriu que não fosse postada...

LILA: Já era. Eu to com isso entalado há meses. 

P.V de Lila diante do tablet, no qual o site da Carioca News exibe a foto de Cipriano Zacarta sob a seguinte manchete: “Após vetar novo livro, Zacarta teria a intenção de calar o Brasil? – Parece que o nome NILO não agrada ao candidato à presidência, nem nada que possa ferir sua moral”.

DCR (ironiza): Eu falei alguma coisa sobre “cautela”?

Todos se calam. João, Roger, Marco e Valentina escondem o riso.

CENA 33 MANSÃO DE CIPRIANO – QUARTO DE AIMÉE [INT. / MANHÃ]

Aimée sentada na cama, lendo um livro, concentrada. Quando abaixa o livro, SUSTO!

Cipriano está de pé, à frente dela, com um notebook nas mãos.

AIMÉE: Cipriano? Como entrou aqui? Eu não/

CIPRIANO: Desculpe se lhe assustei, querida. Vim apenas informar que a sua saída de hoje custou minha paciência.

AIMÉE: Quê?

CIPRIANO: (indaga, esperto) Não foi capaz de me subestimar, não é? Eu poderia matar seu segurança, se eu fosse descontrolado, mas...(exibe a tela do notebook) Outros assuntos chamam a minha atenção.

A tela mostra a matéria de Lila com a manchete: “Após vetar novo livro, Zacarta teria a intenção de calar o Brasil? – Parece que o nome NILO não agrada ao candidato à presidência, nem nada que possa ferir sua moral”.

A tela é fechada na nossa cara. Cipriano sorri, sádico.

CIPRIANO: Percebe que você não é a única que gosta de me irritar? Felizmente, para tudo há uma solução. O teu castigo será ficar aqui como telespectadora do que vai acontecer amanhã.

AIMÉE: Como assim? O que vai acontecer?

CIPRIANO: A solução. Não quero que se preocupe mais com os seus amigos. Afinal, só nos preocupamos com quem está vivo, concorda?

Aimée dá um pulo na cama, nervosa.

AIMÉE: Cipriano, pelo amor de Deus! Eu não fiz nada, juro! Eu só saí pra arejar a cabeça e/

CIPRIANO (por cima): Com a Valentina? 

AIMÉE: Eu não falei nada/

CIPRIANO: O que vai acontecer será culpa sua, minha querida. Culpa sua.

Cipriano dá as costas. Aimée se enfurece, grita e salta da cama em direção a Cipriano. Mas quando pensa em alcançá-lo, ele se esvai.

Aimée, ofegante, se mostra assustada.

FADE OUT

FIM DO QUARTO ATO


ATO FINAL


FADE IN

CENA 34 MANSÃO DE CAEL – QUARTO [INT. / MANHÃ]

Sônia está sentada na cama, dobrando seu vestido de beata. A roupa dobrada é colocada em cima da cama onde há outras roupas e toalhas. Sônia apanha uma toalha azul, dobra e, em seguida, olha para o móvel. 

INSERT – Mãos de Sônia

Que abrem a gaveta contendo algumas toalhas amarelas. As mãos ajeitam a toalha azul sobre as outras, mas não cabe. Então, uma toalha amarela é retirada. Percebe-se que está mal dobrada e quando Sônia a abre, um porta-retrato CAI no chão.

FIM DO INSERT

Sônia apanha o porta-retrato e, pelo seu P.V, trata-se da foto de Cael e Raíza, lado a lado, e sorridentes, tirada há alguns anos.

CAEL (O.S): Imperdoável.

Sônia se assusta ao ver Cael parado ao seu lado.

SÔNIA: Desculpa, eu /

Cael pega o porta-retrato das mãos dela, chateado.

CAEL: É imperdoável eu tê-la constrangido desta forma. Eu devia ter jogado essa foto fora.

Sônia se levanta, envergonhada.

SÔNIA: Não, eu que nem devia estar aqui /

Cael se senta e segura o braço de Sônia, incentivando-a a sentar.

CAEL: Você está aqui porque eu quero. Porque eu preciso. Sou nostálgico, admito.

Ambos riem. Sônia se senta.

SÔNIA: A Raíza ainda significa muito pra você, não é?

CAEL: Vai significar sempre. De certa forma, foi através dela que eu e o meu irmão nos reconciliamos. 

SÔNIA: Mas pra isso você teve que perdê-la, né? Você ainda a ama?

Cael pensa um pouco, um tanto hesitante.

CAEL: O meu amor por ela é algo que devia ter sido desde o começo. Eu sentia necessidade de protegê-la, entende? Não sei explicar. 

SÔNIA: E por mim? Você sabe explicar?

Cael toca no rosto dela, firme. Sônia, corada.

CAEL: De trás pra frente.

E Cael arranca um beijo caloroso de Sônia. Ela corresponde, apaixonada. E enquanto se beijam, ele a deita na cama. CAM desliza à procura do porta-retrato que a mão de Cael deixa cair.

CLOSE na foto de Cael e Raíza. 

CENA 35 DEPÓSITO DE EROM - SALÃO [INT. / TARDE]

Alguns homens de pé logo atrás de Hans, sentado. Hans se mostra nervoso, sua, desliza a mão pelo rosto. Alguém de capa preta atravessa a câmera. Hans mal o encara.

Cipriano, atrás do púlpito, apoia as mãos sobre a mesa.

CIPRIANO: Querido Hans, você sabe por que está aqui?

HANS (disfarça): Porque...Eu posso ser útil em alguma coisa?

Cipriano põe a mão por dentro do sobretudo e retira uma foto.

CIPRIANO: Você sempre pode ser útil para nós, meu amigo mais querido.

E coloca a foto sobre a mesa. Hans não entende.

HANS: O que quer que eu faça com ele?

Cipriano, já com uma caneta preta em mãos, a aproxima da foto e faz uma marcação, sem que possamos ver.

CIPRIANO: Elimine-o.

Hans se espanta, mas logo abre um sorriso maligno; Erom está ao seu lado, com o mesmo sorriso. Walter dá uma risadinha.

CAM busca a foto sobre a mesa. É João Batista, marcado com um “X”.

CENA 36 RUAS DA CIDADE [TARDE]

Uma calçada qualquer, muitos pedestres, e ambulantes. Valentina vem ao longe, olhando para os arranha-céus e para o seu celular. Para diante de um sobrado pobre, em estilo colonial.

CLOSE na fachada com a seguinte placa desbotada: SANTOS Advocacia Cível.

CENA 37 SOBRADO – SANTOS ADVOCACIA CÍVEL [INT. / TARDE]

Num homem alto, forte, de uns 45 anos, trajando camisa social listrada em azul e branco, com calça jeans. 

HOMEM #4: Emerson Martins? Nossa! Grande garoto! Claro que ele trabalhava aqui.

Valentina, em pé, diante dele, mostra-se confiante.

VALENTINA (mente): Ahn...Então, uma amiga minha disse que ele resolveu um caso pra ela há muito tempo e eu ando com problemas, sabe?

HOMEM #4: Deve ter sido há muito tempo mesmo, porque ele morreu há mais de 10 anos.

VALENTINA (finge surpresa): Morreu?

HOMEM #4: Sim, mas não se preocupe, eu posso resolver o seu caso. É só/

Valentina se senta, rapidamente.

VALENTINA: Mas ele morreu como? Quero dizer, em que circunstâncias?

Outro homem, branco, de barba, de estatura baixa e trajando terno, se aproxima com uma pasta.

HOMEM #4: Aí, Hamilton, essa moça veio perguntar do Emerson Martins. Lembra dele, né?

HAMILTON: O advogado ou o blasfemador?

Ambos riem. Valentina, curiosa.

HOMEM #4: Hamilton cismou que o nosso advogado falecido voltou das tumbas como aquele cara que blasfemou contra o pastor Josué.

HAMILTON: Eles têm o mesmo nome e a mesma cara, Elton. Mas prefiro não me aprofundar no assunto porque tenho medo de feitiçaria. Deixa eu ir.

Elton e Valentina riem. Hamilton deixa a pasta sobre a mesa e SAI.

ELTON: Ele é uma figura.

VALENTINA: Mas ele morreu de quê? Foi comprovado que ele morreu, né?

Elton ri.

ELTON: Hamilton tava brincando, dona. Emerson sofreu um acidente de carro. O garoto era tão cuidadoso na estrada, mas naquele dia ele saiu daqui desesperado.

VALENTINA: Desesperado?

ELTON: Coitado, né? Não era fácil ter uma irmã internada num hospício. E naquele dia, ele soube de um incêndio por lá...

VALENTINA: Suponho que essa notícia virou manchete.

ELTON: Do incêndio sim, mas da morte dele, só uma nota. Deus que me perdoe, mas aquela Marina dava muita dor de cabeça pra ele. Saiu viva, acredita?

VALENTINA: Marina?

ELTON: Sim. Marina Martins. Lembro-me dela voltando pro manicômio depois de tentar matar aquela garota, a...A vidente.

Valentina vai pra trás, em choque.

CENA 38 SANTOS ADVOCACIA CÍVEL [EXT. / TARDE]

Valentina acaba de sair, eufórica, e fecha a porta. 

EMERSON (O.S): Você sabe correr?

Valentina se volta e leva um susto ao ver Emerson encarando-a de forma sádica.

VALENTINA: Emerson?

EMERSON: Eu perguntei se você sabe correr.

Valentina olha para os lados. Pelo seu P.V, seu olhar percorre por entre as pessoas, onde alguns homens suspeitos a encaram.

Suspense.

VOLTA À CENA

Emerson sorri. Valentina recua, medrosa, até que corre. Suspense aumenta.
Valentina vai olhando para trás, Emerson caminha em sua direção com olhar vidrado. Valentina esbarra nas pessoas, ganha distância, mas não percebe a transversal que se aproxima. 

BUZINA estridente. 

Valentina para na pista, e no que encara a CAM

SMASH TO BLACK

Em off, ouvimos o GRITO de Valentina e o SOM DE PNEUS RASPANDO O ASFALTO.


FIM DO EPISÓDIO


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