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WEBTVPLAY APRESENTA
RAÍZA 4


Série de
Cristina Ravela

Episódio 06 de 14
"Senhorita Assassina"



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 ATO DE ABERTURA

FADE IN

CENA 1 PRAÇA DA REPÚBLICA [EXT. / MANHÃ]

As pessoas cochicham entre si, muita balburdia. Jornalistas se esgueirando por ali.

Corta para o meio da multidão, por onde Raíza e Dcr se apressam, mas acabam esbarrando numa mulher ruiva, de sobretudo marrom e óculos escuros.

As duas se encaram. Ao abaixar os óculos, reconhecemos ser Rafaela, de sorriso malicioso.

RAFAELA: Tá nas suas mãos, garota.

Raíza e Dcr tornam a correr até ficarem cara a cara com o cadafalso. 

CIPRIANO: Há alguém aqui que defenda a teoria dessa mulher?

Todos se entreolham. Cipriano encara Raíza.

Uma mulher (40 anos, magra, morena, em trajes ciganos) está sobre um banco e com uma corda no pescoço.

CIGANA: O meu trabalho é honesto! Ninguém nunca reclamou a sorte que tirou comigo.

CIPRIANO (discretamente para Raíza): Alguém concorda com ela?

Em Raíza, aflita.

Cipriano abre os braços.

CIPRIANO: Homens! Executem-na!

Raíza quase grita, mas Dcr a abraça forte.

[efeito câmera lenta]

Em Raíza fechando os olhos. Dcr vê Rafaela indo embora, mas olhando para trás, satisfeita. 

[fim do efeito câmera lenta]

VOZ MASCULINA: É o que eu to pensando? (T) Raíza?

Forte suspense. CLOSE de Raíza, que confusa, olha para trás e o clima de suspense CESSA bruscamente. Em Dcr, ali.

DCR: É o que eu to pensando? (T) Raíza?

Raíza respira fundo, torna a olhar para a direção do cadafalso, mas não há nada ali montado.

Em Raíza, receosa.

CORTA PARA

CENA 2  APTº 3011 – SALA [INT. / NOITE]

Raíza acaba de entrar, abalada. Dcr, logo atrás, fechando a porta. 

DCR: Me conta isso direito. (ele joga o molho de chaves sobre uma poltrona) Como é que a Rafaela sabe do seu segredo?

Raíza senta no sofá, Dcr faz o mesmo.

RAÍZA: Não sei. Só sei que na minha visão a cigana morria e eu seria a culpada. A Rafaela disse que dependia de mim, sabe?

DCR: Raíza, você apenas prevê o futuro. Ninguém disse que você tinha o compromisso de salvar a humanidade.

Em Raíza, pensativa.

RAÍZA: Meu pai dizia a mesma coisa. E eu o deixei morrer.

Dcr toca em suas mãos, compreensivo.

DCR: Não! Não carregue uma culpa que não é sua, Raíza. Todo mundo morre. Não se martirize pelo o que não é sua missão.

Raíza se levanta, chateada.

RAÍZA: E qual é a minha missão? Por que mesmo que sou vidente? Pra assistir as pessoas morrerem, e não fazer nada?

Dcr se levanta, complacente, toca em seus ombros.

DCR: Você percebe que tá dando audiência para as coisas ruins que lhe aconteceram, e não vê o quanto de gente que você já salvou? Eu, a Ari, Marco, Cael, seu pai...Você lembra de quando você escapou do incêndio na escola pra salvar seu pai naquela obra?

RAÍZA: E Rafaela gravou tudo. Foi por pouco.

Ambos riem. 

DCR: Rafaela não tem prova nenhuma contra você. Se aqueles vídeos que ela gravou confirmassem alguma coisa, ela já teria usado. 

RAÍZA: Mas ela planeja alguma coisa. Alguma coisa...

E os dois se abraçam. No rosto de Raíza, preocupada.

A imagem passa a ser vista através de uma câmera, até que uma TELA DE LAPTOP cobre a tela.

CENA 3 APTº DE RAFAELA – SALA [INT. / NOITE]

Rafaela assiste com um sorriso sádico, ao lado de Hans.

RAFAELA: A minha teoria tava certa. Raíza é vidente!

No olhar doentio de Rafaela. Em Hans, fascinado.

FADE TO BLACK


FIM DO ATO DE ABERTURA


4x06

SENHORITA
ASSASSINA


PRIMEIRO ATO

FADE IN

CENA 4 RUA DA CIDADE [MANHÃ]

PLANO GERAL da cidade, ruas movimentadas. Destaque para um grupo formado em torno de uma mulher (a mesma da CENA 1).

CENA 5 CARRO DO GOVERNADOR [INT. / MANHÃ]

Cipriano espia a movimentação, curioso. Pelo seu P.V. a tal cigana entrega bilhetes às pessoas em troca de dinheiro.

CIGANA: Você quer saber o seu futuro? O futuro está em suas mãos!

VOLTA À CENA

Israel, ao seu lado, também espia, descrente.

ISRAEL: Hunf...Tá com cara de trambiqueira. Vê lá se alguém pode prever o futuro...


Ouvimos a voz de uma mulher em OFF, vinda da cena seguinte.


CIGANA (O.S): Mas não sou eu que prevejo o futuro, senhor vice-presidente.


CENA 6 RUA DA CIDADE [MANHÃ]


Cipriano e Israel, ao lado de dois seguranças, estão diante da cigana, que segura uma caixa de sapato contendo alguns bilhetes brancos. Muito alvoroço por ali, gente filmando, tirando fotos.


CIGANA: O futuro está em suas mãos (estende a caixa). É ele quem vai dizer o que o senhor pode esperar pelo futuro.


Israel entreolha o governador, na dúvida.


CIPRIANO: Eu quero um. (Ele apanha o bilhete) Mas se o que estiver aqui não se cumprir em 48 horas, serei obrigado a tomar minhas providências.


A vidente abaixa a cabeça, retraída. TODOS na expectativa.


Pelo P.V. de Cipriano, o bilhete traz a seguinte mensagem: “Serás atacado pelas costas por causa de uma ficção.”.


Cipriano encara a todos, sério.


CIPRIANO (lê): “Serás atacado pelas costas por causa de uma ficção.”. A senhora pode fazer a gentileza de me explicar o que é isso? 


OUVIMOS um tumulto. A cigana encara algo fora da tela, assustada.


CIGANA: Oh meu Deus...CUIDADO!


Cipriano olha para trás e não tem tempo de nada; um rapaz branco, de 25 anos, SALTA do alto de um carro e acerta a cara de Cipriano com um porrete, caindo por cima dele, em seguida. 


RAPAZ #1: Você não vai matar o herói! NÃO VAI!


Muita confusão.

Os seguranças conseguem contê-lo. 

Israel, em pânico.

No olhar surpreso de Cipriano.


CORTA PARA


CENA 7 REDAÇÃO CARIOCA NEWS [INT. / MANHÃ]


Lila está diante do computador, digitando algo. Em outro ponto, Dcr e Raíza tomam café, enquanto conversam sem que possamos ouvir. Ritmo comum no local.


Até que Roger adentra, esbaforido.


ROGER: Gente! Gente! Protejam-se! Pulem as janelas, se escondem debaixo das mesas, qualquer coisa!


DCR: Calma, Roger! Quem tá vindo aí desta vez?


Roger respira fundo.


ROGER: O governador.


Logo Cipriano (rosto marcado pelo golpe) e seus seguranças surgem da porta, fazendo uma entrada triunfal.

Lila se levanta e toma a frente dos colegas.


LILA: Senhor governador, podemos ajudar em alguma coisa?


CIPRIANO: Eu tenho certeza que sim. Não devem estar sabendo que fui surpreendido por um jovem que se diz fã da saga Nilo.


TODOS se entreolham, confusos.


CIPRIANO: Ele disse que no seu próximo livro, Lila, um político influente tentaria matar o herói, e ele achou melhor me matar primeiro. Me parece que você anda sendo muito convincente em seu enredo.


LILA: Ahn...Eu não sei nem o que dizer...A história é uma ficção.


CIPRIANO: Mas o herói não.


Dcr se aproxima de Lila para encarar de perto o governador.


DCR: O que quer dizer com isso?


CIPRIANO: A partir de hoje, para o bem de todos, fica proibida a distribuição online ou física da saga Nilo.

Burburinhos. Roger com a mão no peito, chocado.

CIPRIANO: E a Carioca News só deverá escrever aquilo que for realmente necessário. Nem uma linha a mais sobre o herói Nilo. Não queremos que mais alguém se machuque...Não é?

Nos olhares dos jornalistas que se cruzam.

CIPRIANO: Tenham um bom dia.

O governador dá as costas junto de seus seguranças. TODOS cochicham, alarmados. Em Raíza, desconfiada.

FADE OUT


FIM DO PRIMEIRO ATO


SEGUNDO ATO

FADE IN

CENA 8 REDAÇÃO CARIOCA NEWS [INT. / MANHÃ]

Na tela do PC no qual páginas e mais páginas escritas são roladas para cima.

É Lila quem está ali, com a mão no queixo, sofrida. Roger chega com um copo d’água.

ROGER: Sinto muito, amiga. Alcançar a centésima página e ser impedida de continuar chega a ser broxante.

LILA (suspira): Não vou desistir não, Roger. Vou guardar para quando o vilão sair do trono dele. O que ele tá fazendo é coisa de ditador.

ALEXANDRE (O.S): Nenhuma novidade, não é? (Alexandre vem com um tablet na mão) Para quem trouxe a inquisição de volta, tava demorando pra ele se comportar como ditador.

LILA: Essa história de vidente acertar a previsão dele...Sei não...Achei tão forçado.

ALEXANDRE: Seja como for (ele exibe o tablet) o vídeo já está na internet. Já mandei o Danilo e a Raíza apurarem essa história. Se for uma farsa, nós poderemos ganhar muitos pontos. E você, Lila, não precisará engavetar seu livro.

Roger coça as mãos, de olhar sádico.

ROGER: Seria ótimo sambar na cara do governador.

ALEXANDRE: Seria ótimo se você tivesse ido junto com os seus colegas, Roger. O que ainda faz aqui?

Roger mal encara o chefe, dá um sorriso sem graça.

ROGER: Eu não to mais aqui, sério. FUI!

E Roger corre dali. Alexandre e Lila riem.
Roger se esbarra com Emerson, dá um leve toque em seu ombro e vai embora.

EMERSON: Bom dia, bom dia!

ALEXANDRE: Bom dia, meu rapaz!

EMERSON: Parece que cheguei meio tarde. O Danilo já saiu, né?

LILA: Já. Se a gente puder ajudar.

Emerson põe as mãos na cintura, esboça lamento.

EMERSON: Eu só queria me despedir. Vou embora da cidade.

ALEXANDRE: Se despedir? Mas e o seu emprego na HDM?

EMERSON: Fui demitido (nas reações de Alexandre e Lila). Parece que ser amigo do Nilo não é uma vantagem pro meu currículo.

LILA: Não, espera. Chegaram a esse ponto? Falaram isso pra você?

ALEXANDRE: O João não trabalha lá? Ele deveria ser o primeiro a ser demitido nesse caso.

EMERSON: Eles têm consideração pelo tio dele que trabalhou lá por um bom tempo. Sem contar que eu sou estagiário, então...

ALEXANDRE: Que situação hen...

EMERSON: Justo agora que eu já tinha feito amizade com vocês...To frustrado.

LILA: E você estagiava em quê?

EMERSON: Engenharia mesmo. Muito embora meu pai quisesse que eu fosse administrador (sorri).

ALEXANDRE: Uma pena eu não ter nada a lhe oferecer. Só to precisando de um Office boy/

EMERSON: Eu aceito! (T) Quero dizer, se me oferecer.

ALEXANDRE: Mas alguém com o seu diploma trabalhar nessa área...

EMERSON: Não me importo de ganhar pouco. Só quero continuar na cidade. Depois encontro algo na minha área ou...Estudo jornalismo e fico por aqui mesmo.

Risos.

ALEXANDRE: Bom, força de vontade eu to vendo que você tem. (estende a mão) Tá contratado! Pode começar quando?

EMERSON: Agora mesmo. To aqui para o que der e vier.

Os dois se cumprimentam e se abraçam, dando um tapinha nas costas de cada um. Lila observa, satisfeita.

CENA 9 IGREJA EVANGÉLICA MÃO DIVINA [INT. / MANHÃ]

Mãos femininas e com luvas amarelas lustram a cadeira com uma flanela. CAM revela Sam limpando o móvel, de joelhos, fecha o produto e se levanta. Quando se volta, SUSTO! Josué, com a bíblia na mão, diante dela.

SAM: Pastor...Bom dia.

JOSUÉ: Bom dia, irmã. Você já terminou? Os fiéis devem começar a chegar.

SAM: Sim. Eu agora vou pra boate. O seu Cael gosta de pontualidade.

Josué faz que sim, analisando-a.

JOSUÉ: Fico muito contente por vê-la bem, menina. Espero que a graça que lhe foi concedida, seja bem aproveitada.

SAM: Eu faço a minha parte, pastor. Fico grata pela dona Sônia ter me perdoado. 

JOSUÉ: Deus sempre no comando, minha irmã.

VOZ FEMININA: SUA HEREGE!

Ambos olham para a 

PORTA DA IGREJA

Onde uma mulher arremessa uma PEDRA que atinge a cabeça de Sam. Josué prontamente a segura.

A tal mulher foi embora. Na cara de pânico de Sam cuja testa sangra.

JOSUÉ: Tudo bem? (Sam só faz que sim) Senta aqui que eu vou buscar alguma coisa pro seu ferimento.

Josué SAI. Sam está sentada, nervosa.

SÔNIA: Achou que seria fácil, né?

Sônia espia a testa da garota com ar de escárnio.

SÔNIA: Nós fomos obrigados a te aceitar aqui, mas o povo não é obrigado a fazer o mesmo.

SAM: Quando foi mesmo que o pastor Josué foi atacado por ser assassino?

Sônia se enfurece e aperta seu braço.

JOSUÉ: Graças a Deus nós temos um kit de primeiros socorros.

Sônia larga de Sam e disfarça.

SÔNIA: Deus seja louvado!

Sam a encarando, com raiva.

Takes rápidos da cidade, muita BUZINA.

CENA 10 RUA DA CIDADE [MANHÃ]

Um alvoroço é feito ao redor da cigana. Gente de tudo que é parte, crianças, jovens, idosos, entre eles jornalistas também. Dcr, Raíza e Roger vão abrindo caminho até ficarem cara a cara com a vidente.

Um garoto de 18 anos se deslumbra com o bilhete na mão.

GAROTO #1: Aqui diz que eu ficarei rico?

CIGANA: Então você ficará rico.

O garoto sai dali rindo, animado.

Mão feminina estende uma nota de cinco reais. A cigana espia a dona das mãos. É Raíza, firme.

RAÍZA: Eu também quero ver a minha sorte.

A cigana encara Dcr de cima a baixo.

CIGANA: Mas é uma honra recebê-los. Principalmente...O herói.

Dcr retira da carteira uma nota de cinco e a estende também.

DCR: Pois então, o que o futuro nos reserva?

A cigana dispõe a caixa na frente deles e cada um pega um bilhete. As pessoas ficam na expectativa.

DCR (lendo): “Você é um herói morto. Se conseguir escapar outro morre em seu lugar.”.

Dcr engole a seco, fecha o bilhete.

HOMEM #1: Ih, será que vai ser pelas mãos do governador?

RISOS DO POVO.

Alguns ficam sérios, nota-se que Raíza se mostra bem perturbada. 

HOMEM #1: E o seu, Raíza? Não vai ler pra nós não? 

MAIS RISOS.

Raíza espia seu bilhete. Pelo seu P.V. o bilhete tem a seguinte mensagem: “Você é vidente. Salve uma vida hoje!”.

VOLTA À CENA

Raíza amassa o papel e guarda em seu bolso da calça.

POVO LAMENTA.

RAÍZA: Muito interessante você ter alertado o governador. Queremos saber mais sobre o seu trabalho.

CIGANA: Vocês são da imprensa, né? Já já falo com vocês.

OUVIMOS um apito policial.

GUARDA (O.S): Vambora! Vocês estão tumultuando a via!

Um guarda faz sinal para o povo se dispersar. Quando Dcr, Roger e Raíza dão por si, a cigana sumiu.

CAM busca Hans, que acaba de filmar tudo, sacana.

RAFAELA (V.O): Cigana Aline?

CORTA PARA

CENA 11 APTº DE RAFAELA – SALA [INT. / MANHÃ]

Na tela do PC com a gravação da cena anterior. Rafaela está em pé, ao lado de Hans, sentado.

RAFAELA: Esperava qualquer nome brega. O que mais você descobriu? 

HANS: Que o herói vai morrer.

Rafaela faz cara de tédio.

RAFAELA: Isso eu já ouvi e nem precisava de vidente pra saber o óbvio. Quero saber da cigana.

HANS: Essa mulher atuava na zona norte da cidade. Veio há pouco tempo pra cá com essa palhaçada de prever o futuro do outros no papel.

RAFAELA: Hmmm...Muito interessante, principalmente a cara da Raíza ao vê-la.

Tony está sentado no sofá, lendo o jornal.

TONY: Cara, muito doido esse bagulho dela ser vidente e não ter salvado o pai. Essa garota pode ser mais perigosa do que você, hen princesa.

Rafaela anda pela sala com os braços cruzados, pensativa.

RAFAELA: É isso que o povo precisa achar. Só preciso de vocês para armar a peça. (leva as mãos ao léu) A grande vilã da história atende pelo nome de Raíza Maciel (sorri, de olhar sádico). Já pensaram, hen? E já sabem onde vai sair a notícia?

HANS: Na Novo Dia, é claro!

RAFAELA: É claro que não, né? Você quer que o povo ainda duvide? Pra acabar como aquelas histórias de et’s que viram sempre piada?

TONY: Eu acredito mais em et’s do que na Novo Dia.

Hans o encara, quase fala alguma coisa, mas/

RAFAELA: É óbvio que a notícia será dada pela Lila.

Hans se levanta, abruptamente. Tony faz o mesmo, já na defensiva.

HANS: Mas é o quê?! Você ficou maluca, é?

TONY: Tu pega leve aí, irmão.

HANS (ignora): Já não bastou o Nilo, agora você quer entregar mais um ouro pra Lila? Qual é a tua?

RAFAELA: A minha é me vingar da Lila e te colocar no topo. Pensa comigo: a notícia irá sair na Carioca News logo depois do vídeo ser lançado pela Novo Dia. Ou seja, é a Carioca dando créditos ao seu jornal. Não é incrível?

Hans se mostra mais receptivo, mas ainda desconfiado.

HANS: Tudo bem, mas como faremos? Não pense você que foi fácil hackear o computador do Cipriano. Na verdade...Nem sei como fiz aquilo sem ser pego.

RAFAELA: Pois é bom saber, a menos que você saiba postar news por telepatia.

Tony ri diante de um Hans chateado.

CENA 12 RUA DA CIDADE [MANHÃ]

Sam vem andando, olhando para trás, cismada.

Um rapaz montado numa moto surge no asfalto lentamente.

MOTOQUEIRO: Cuidado, mocinha...Não quer ser pega de surpresa, né?

O cara ri de forma vil. Sam apressa os passos, TRÊS BEATAS saem de uma rua à esquerda fazendo Sam travar. As beatas cochicham entre si, mas Sam ignora e anda mais rápido. 

MULHER #1 (O.S): Aquela não é a garota que atacou a igreja? 

Cortes descontínuos em Sam olhando para todos os lados. Em seu P.V. há borrões de pessoas paradas, encarando-a e apontando o dedo para ela.

VOLTA EM SAM

Que tenta correr quando é surpreendida por João. 

JOÃO: Vem comigo.

João a envolve num abraço protegendo-a da aproximação do povo.
As pessoas observam ambos ganhando distância.

SAM (V.O): Eu pensei que eles fossem me matar.

CENA 13 CURTO-CIRCUITO [INT. / MANHÃ]

João está na porta, vigiando algo fora da tela. Sam, ao fundo, nervosa.

JOÃO: Se você ainda tivesse matado o Josué...

SAM: Credo! Aí mesmo que eu nem estaria aqui.

João se volta, pensa um pouco, preocupado.

JOÃO: A coisa tá tomando uma proporção inacreditável. Veja, você pediu perdão, (faz as aspas) aceitou Jesus, e ainda assim é perseguida. O Josué MATOU e é ovacionado. Não dá pra aceitar isso.

SAM: Nessa confusão eu nem te agradeci. Obrigada. Espero que não tenha se atrasado por minha culpa.

JOÃO: Tá tranquilo. Só fiz isso porque você faz parte do clã e quanto menos gente o clã tiver, mais tempo vamos demorar pra derrubar esses hipócritas.

Sam se mostra admirada.

SAM: Obrigada pela sinceridade.

Ambos sorriem forçado.

JOÃO: Agora deixa eu ir. Se cuida!

SAM: Você trabalha na HDM, né? (João faz que sim) Não é lá que trabalha o Emerson?

JOÃO: Não to a par de todos os funcionários não, mas as fuças dele eu nunca vi por lá. Até!

Em Sam.

CENA 14 MANSÃO DO PRESIDENTE – ESCRITÓRIO [INT. / MANHÃ]

Em Jaime, ao telefone, e sentado em sua cadeira diante de algumas papeladas.

JAIME (ao tel.): Não, não, eu pretendo voltar para Brasília dentro de um mês, mais ou menos. Tive alguns imprevistos, amigo.

Jaime vê Aimée adentrar, receosa.

JAIME (ao tel.): A cidade aqui já foi maravilhosa, amigo. Me sinto na era medieval... Não que eu tenha vivido aquela época, né? (risos) Ok, a gente se fala, até!

E Jaime desliga o telefone.

AIMÉE: Era aquele seu amigo senador? Ele espera que a gente volte pra Brasília, né?

Jaime descansa os braços sobre a mesa, observando seu nervosismo.

JAIME: Sim, mas parece que você não quer ir embora, não? Tem a ver com aquele rapaz, o Danilo?

Aimée gagueja, reluta, desvia o olhar.

AIMÉE: Tipo isso.

JAIME: Tipo isso? O que ta acontecendo? Ele fez alguma coisa suspeita?

Aimée se apressa para sentar diante do pai, ansiosa.

AIMÉE (murmura): Sim!...Quer dizer, não exatamente. Ahn...Eu ouvi uma conversa estranha entre o meu noivo e o Walter.

JAIME (murmura): Conversa estranha? 

AIMÉE: É, o Walter disse que estava tudo armado pra matar o João Batista e prender o Nilo durante o julgamento da Samantha.

JAIME: O quê? Explica isso direito.

AIMÉE: Parece que os dois estavam no alto de um prédio e armados para salvar a garota. Mas como ela foi perdoada...

Jaime se levanta, exaltado.

JAIME: Mas esse garoto pensa que é quem? Justiceiro?

AIMÉE: Pai! Isso é o de menos; o meu noivo quis matá-lo. (pensativa) Ai, será que foi por minha causa?

JAIME: Filha...(relutante) Não termine o noivado dele ainda, ok? (Aimée se espanta) Esse cara quer a cabeça desse garoto e da Raíza. Não comente isso com mais ninguém, entendeu?

Aimée se levanta, aturdida.

AIMÉE: Pai...O senhor já sabia? Por que não me contou?

JAIME: Pra você não fazer nenhuma besteira, mas to vendo que você anda bem envolvida.

Alguém BATE na porta.
A porta abre e Israel entra.

ISRAEL: Ah, desculpe, volto em outra hora.

JAIME: Não, Israel, entra aí. (para Aimée) Não se preocupe, ele sabe de tudo. (para Israel) Alguma novidade?

ISRAEL: Cipriano acabou de decretar uma lei contra a Carioca News. E a câmara já aprovou.

Em Aimée e Jaime, curiosos.

Corta para a vista panorâmica da Assembleia Legislativa, com sua arquitetura romana visível em calçadas e estátuas. Dois mastros erguem as bandeiras do Brasil e a do Rio de Janeiro/

CENA 15 ASSEMBLEIA LEGISLATIVA - SALÃO [INT. / TARDE]

PLANO GERAL

O grande salão é composto por várias cadeiras e mesas enfileiradas, todos os móveis de madeira rústica. À frente, três bancadas separadas uma das outras; logo atrás, uma bancada de canto a canto composta por sete cadeiras. Por trás, um painel com a imagem muito antiga do interior da Assembleia.

Muitos políticos cumprimentando Cipriano, animados. 

POLÍTICO #1: Mais uma vitória e você será reeleito nas próximas eleições, amigo.

CIPRIANO: Vou te contar um segredo: (murmura) pretendo apoiar sua candidatura, querido amigo.

Ambos riem.

POLÍTICO #1: Você vai longe!

O político dá um tapinha nas costas do governador e sai de cena. Walter se aproxima e puxa Cipriano para se afastarem dos demais.

WALTER: Tivemos 70% de aprovação para a nova lei. Parece que a liberdade de expressão não é bem-vinda.

CIPRIANO: Nunca foi. O povo só finge que é a favor se puder denunciar os outros. 

WALTER: Falando em liberdade, não acha contraditório você permitir uma vidente perambulando por aí? O que fará com ela depois?

Cipriano olha ao léu, suspira.

CIPRIANO: Estou tendo ótimas ideias, meu amigo mais querido. Ela foi excelente, não achou?

WALTER: Ela mente muito bem...Mas ela previu mesmo que você não deve “subestimá-los”, porque “eles” podem derrubá-lo. Ela se referia ao Danilo, né?

Cipriano o encara, seriamente.

CIPRIANO: Ela previu que eu seria atacado pelas costas e eu fui atacado. Foi isso que o povo presenciou. Entendeu, Walter?

Walter não sabe o que dizer. Hans chega ali, ávido.

HANS: Opa! Já tenho a manchete para amanhã: “Nova lei derruba herói Nilo!”. O que acharam?

CIPRIANO: Hans, meu querido, você sabe o que significa uma lei estadual? (Hans faz cara de desentendido) Significa que no âmbito em que ela estiver todos devem respeitá-la. Então, por favor, não se dirija àquele rapaz com o adjetivo de herói.

HANS: Mas eu preciso fazer essa referência na coluna, afinal, você foi atacado por causa de um fã maluco dele, né?

Cipriano respira fundo.

CIPRIANO: Ok. Mas eu vou querer detalhes sobre sua futura manchete. Walter, espero que não demore em Brasília. Quero comemorar o natal na presença de meus amigos.

Os dois se cumprimentam.

WALTER: Volto em breve, pode ter certeza.

Walter sai de cena. 

CIPRIANO (para Hans): Vamos? 

Em Hans, com cara de inocente.

CENA 16 PALÁCIO GUANABARA – GABINETE [INT. / TARDE]

Hans entra na frente, Cipriano fecha a porta em seguida.

HANS: Basicamente é isso. Terei que mencionar o nome de todos os envolvidos, pôr a foto do galã e, claro, alfinetar aqueles jornalistas de várias formas possíveis.

Enquanto ele fala, Cipriano retira o sobretudo e o coloca no cabide. Ajeita as abotoaduras encarando Hans.

CIPRIANO: Não estou interessado nessa matéria, Hans. E sim numa outra que você e a sua espiã Rafaela pretendem fazer usando a minha câmera.

HANS (cara de besta): Como?

CIPRIANO: Admiro sua habilidade e ousadia, Hans. Porque hackear o meu computador e subestimar minha inteligência são coisas as quais não toleraria...(se aproxima) Se eu não estivesse de bom humor.

Hans se mostra tenso.

CIPRIANO: Conte-me tudo. Gosto de ouvir um bom plano.

CAM se afasta e revela Erom entre eles, firme.

CENA 17 REDAÇÃO CARIOCA NEWS [INT. / TARDE]

O pessoal concentrado em seus trabalhos, alguns ao telefone, distraídos.

Dcr está bem num canto com um tablet na mão, atitude suspeita.

DCR: Acha mesmo que é o momento? Certeza de que sua vida para ela tá valendo muito?

P.V. de Dcr para o tablet no qual está Cael.

CAEL: Ela já me considera quase um parceiro de crime, alguém que consegue compreendê-la muito bem. Não será difícil convencê-la a se tornar a mais nova fã do herói Nilo.

DCR: Confesso que depois da ameaça da Sônia eu não ando confiante não. Mas se foi esse o combinado...

CAEl (O.S): Não se preocupe; você não fará nada de extraordinário... 

Em Dcr, respirando fundo, desliga o tablet. Raíza surge por trás da pilastra, esperta.

RAÍZA: Jornada dupla, Clark Kent?

Dcr se sobressalta, mas ri.

DCR: Essa deveria ser a sua jornada, né? Acha que a Sônia pode vir a gostar de mim?

Raíza dá de ombros, indecisa.

RAÍZA: Essa é a menor das preocupações, Dcr. Você não acreditou na previsão daquela cigana?

Dcr abraça Raíza e dois saem caminhando.

DCR (faz graça): Só acredito em você (ambos sorriem). E você? Por que não disse o que ela previu?

Raíza pensa um pouco, insegura.

RAÍZA (mente): Você acredita que eu tirei um papel em branco?

DCR: Que horror!

RAÍZA: É, essa vidente me deve uma explicação, não acha?

DCR: Tem o meu apoio.

Ambos riem e somem da tela.

FADE OUT

FIM DO SEGUNDO ATO


TERCEIRO ATO

FADE IN

CENA 18 CAMPO DE SANTANA - BOSQUE [INT. / TARDE]

Mãos femininas, repletas de pulseiras e com dedos adornados por anéis, acabam de fechar a mesma caixa que vimos com a cigana.

VOZ FEMININA: Rendeu muito hoje?

A cigana se assusta ao ver Raíza ali, que senta ao seu lado, sem cerimônia.

RAÍZA: Que sorte a sua o governador ter cruzado o seu caminho, não é? O povo ficou impressionado.

CIGANA: Ah, você é do jornal, né? Não tivemos tempo de conversar, como você queria. E acho que agora não será possível.

A cigana quase se levanta, mas Raíza segura seu braço.

RAÍZA: Quanto ele tá te pagando pra ter mentido? Te deu a palavra de que jamais mandaria prendê-la por iludir as pessoas?

CIGANA (seca): Eu não iludo ninguém! Você mesma viu que a previsão se cumpriu/

RAÍZA: Como a senhora faz? Por que a senhora mesma não diz o futuro das pessoas ao invés de fazê-las retirar a própria sorte num papel? Por que não diz agora na minha cara o que o futuro me reserva?

A cigana se levanta, perturbada.

CIGANA: Ora, garota! Quer me transformar na próxima manchete do jornal? Tenho mais o que fazer!

Raíza a detém, tom mais agressivo.

RAÍZA: Como pode ter tanta certeza de que a pessoa vai retirar o bilhete certo? Se fosse vidente falaria na cara.

A cigana se volta num rompante.

CIGANA: PORQUE TENHO MEDO DE ERRAR, CARAMBA!

As duas se encaram fortemente.

CIGANA: Eu não posso dizer que você vai morrer porque eu não tenho certeza se é você ou alguém próximo, entende? E se tu não morre? E se você for salva? Como fica a minha cara? A minha vida?

RAÍZA: Então você escreve as previsões nos bilhetes e deixa que as pessoas tirem a própria sorte? Assim você não se sente culpada se algo der errado?

A cigana se mostra desconcertada.

CIGANA: Não me olhe assim, não, viu garota. Se tu fosse vidente ia espalhar pra todo mundo o que vai acontecer na cidade? Não seria louca nesses tempos de inquisição, né?

Raíza está abalada, confusa, não sabe o que dizer.

CIGANA (cara de poucos amigos): Agora me deixa ir. Já deu por hoje.

A mulher sai esbarrando nela. Raíza fecha os olhos, por instantes, e os abre, tensa. Olha para trás e vê a CIGANA INDO EMBORA. 

Em Raíza.

FADE OUT

FADE IN

Vista aérea da cidade/

CENA 19 RUA DA CIDADE [TARDE]

ÂNGULO ALTO

Uma rua asfaltada, pouco arborizada. Logo um carro preto corta o cenário lentamente.

Da janela aparece Valentina, de óculos escuros, prestando atenção nas casas.

VALENTINA: É aqui!

O portão cinza de ferro é aberto e dele sai um rapaz (30 anos, moreno claro e magro) que se prepara para trancá-lo.

VALENTINA: Com licença, boa tarde! Eu poderia falar com Emerson Martins?

RAPAZ: Emerson? 

VALENTINA: É, ahn...Irmão de Vicky Amaral.

O rapaz se mostra confuso.

RAPAZ: Você se enganou de endereço, moça.

Valentina estende um papel.

VALENTINA: Não, mas tá aqui, ó. Ele mesmo me passou o/

RAPAZ (por cima): O único irmão da Vicky sou eu.

BAQUE.

VALENTINA: Único irmão? Mas...E o Emerson?

RAPAZ: Nunca ouvi falar por aqui. 

Em Valentina, surpresa.

CORTA PARA

CENA 20 CARRO DE VALENTINA [INT. / TARDE]

Valentina, ao telefone, engata a chave na ignição.

VALENTINA: Você tinha razão, Aimée. Emerson não é quem a gente pensa.

AIMÉE (V.O): Será que o Nilo corre perigo?

VALENTINA: Talvez, mas a gente precisa agir.

E Valentina arranca com o carro.

CENA 21 IGREJA EVANGÉLICA MÃO DIVINA [EXT. / TARDE]

Sônia caminha pela calçada, distraída com um jornal.
O Toyota de Cael para um pouco afastado, a porta é aberta e ele desce.

CAEL: SÔNIA!

Sônia procura por alguém, até ver Cael. Este acena, olha para os lados e atravessa a rua.

CLOSE na placa da igreja no qual a letra “O” é atingida por uma PEDRA.
Sônia se assusta,
Cael ainda atravessando,
A letra “O” despenca
É quando Dcr surge do nada e salta sobre a beata.
A parte da placa faz um pequeno estrondo ao BATER na calçada.
Cael olha estagnado para Dcr apoiando Sônia no chão.

CLÍMAX

FADE OUT

FADE IN

Continuação da cena anterior

Dcr e Cael ajudam a beata a se levantar, ainda espavorida. Alguns curiosos cercam o local, tiram fotos.

SÔNIA: Meu Deus...Eu podia ter morrido.

Cael a abraça, carinhoso.

CAEL: Já passou. (para Dcr) Obrigado, Danilo. Se não fosse por você/

SÔNIA (por cima / sem encarar Dcr): É como o pastor diz: Deus no comando, sempre.

Na troca de olhares de Cael para Dcr, meio insatisfeitos.

CENA 22 IGREJA EVANGÉLICA MÃO DIVINA [INT. / TARDE]

Mãos masculinas entregam um copo plástico com água para Sônia.

Cael senta ao seu lado e envolve o braço no encosto da cadeira onde Sônia está.

CAEL: Mais calma?

Sônia acaba de beber a água, aturdida.

SÔNIA: Agora eu to. Obrigada.

CAEL: Quem merecia um agradecimento era o Danilo, não acha?

SÔNIA: Por favor, o que aconteceu foi um mero acaso. 

Cael toca as mãos dela repentinamente, deixando-a corada.

CAEL: Não faça isso contigo, Sônia. Não repita o mesmo erro que o meu irmão.

SÔNIA: Do que está falando?

CAEL: Foi assim que ele e Raíza se conheceram; ela surgiu do nada e o salvou de ser atingido pela marquise da boate.

Sônia se impressiona.

CAEL (cont.): Ele não agradeceu, e ainda a perseguiu até...Perceber que estava apaixonado (Sônia cobre a boca, horrorizada). Não, não espero que a história se repita completamente.

Cael ri e consegue tirar um sorriso da beata.

SÔNIA: Você perdoou mesmo o Marco?

Cael força o semblante de dúvida.

CAEL: Sempre fica uma mágoa, aquela sensação de que eu fiz tudo errado, mas o outro não podia ter errado também. A gente se engana muitas vezes, Sônia. Mas eu não quero mais me enganar.

Cael, discretamente, toca seu ombro, depois, com a outra mão, toca o queixo dela.

CAEL: E nem disposto a perder de novo.

Sônia treme, olhar de desejo. Até que Cael a beija na boca, Sônia corresponde.

CAM busca o alto da igreja, no segundo piso. Josué observando a cena, preocupado.

CENA 22 REDAÇÃO CARIOCA NEWS [INT. / TARDE]

Raíza diante do PC, editando umas fotos. O celular sobre a mesa TOCA um alerta de mensagem. Raíza verifica.

Pelo seu P.V. há um vídeo para ser baixado com um número de telefone desconhecido.
Raíza reluta, mas acaba clicando.
Novamente, pelo seu P.V. o vídeo mostra Raíza e Dcr no apartamento dele (cena 3).

[No Vídeo:

RAÍZA: Não sei. Só sei que na minha visão a cigana morria e eu seria a culpada. 

DCR: Raíza, você apenas prevê o futuro. Ninguém disse que você tinha o compromisso de salvar a humanidade.

Em Raíza, pensativa.

RAÍZA: Meu pai dizia a mesma coisa. E eu o deixei morrer.]

O vídeo é cortado bruscamente para a imagem de Rafaela.

RAFAELA (no vídeo): Ah, que chato! Quer dizer que eu sempre soube que você é especial e agora poderei provar?

Na aflição de Raíza.

RAFAELA (no vídeo): Ah, não, não quero ser portadora dessa notícia incrível. Será você quem vai contar a novidade para o mundo. Amanhã teremos uma nova punição na praça, tá sabendo? Ah, claro! Que bobagem a minha. Você sempre sabe das coisas. Será que conseguiria evitar?

Rafaela ri, sádica e o vídeo termina.
Em Raíza, chocada.

A TELA SE FECHA NO BAQUE 

FIM DO TERCEIRO ATO


QUARTO ATO

FADE IN

Vista aérea da Praça da República, um cadafalso erguido, policiais, e curiosos cercam o cenário.

CENA 23 PRAÇA DA REPÚBLICA [EXT. / MANHÃ]

As pessoas cochicham entre si, muita balburdia. Jornalistas se esgueirando por ali.

Uma repórter (30 anos, loira, cabelos curtos e lisos) está com um microfone diante da câmera.

REPÓRTER #1: Os cariocas foram pegos de surpresa na manhã de hoje. Segundo o rápido pronunciamento do governador Cipriano Zacarta, a cigana que atraiu milhares de pessoas ontem após prever um atentado ao político, era na verdade uma charlatã e estava de cumplicidade com o homem que o atacou.  

No cadafalso, Cipriano diante do povo. Até que ele se afasta e a cigana pode ser vista em cima do banco, com a corda no pescoço.

REPÓRTER #3: Senhor governador, pode nos dizer como o senhor descobriu a farsa?

CIPRIANO: Não existe nada que aconteça nessa cidade sem que eu descubra, minha cara jovem. O rapaz confessou a armação em troca de fazer trabalhos comunitários. Eu aprecio quem fala a verdade, mas crime de alta traição não tem perdão.

CIGANA: Isso tudo é mentira!

O POVO SE ESPANTA.

CIGANA: O senhor me pagou pra mentir sobre a sua sorte! O senhor não gostou de saber que pode ser derrubado, né?

Cipriano a encara com raiva.

Corta para o meio da multidão, por onde Raíza e Dcr se apressam, mas acabam esbarrando numa mulher ruiva, de sobretudo marrom e óculos escuros.

As duas se encaram. Ao abaixar os óculos, reconhecemos ser Rafaela, de sorriso malicioso.

RAFAELA: Tá nas suas mãos, garota.

Raíza e Dcr tornam a correr até ficarem cara a cara com o cadafalso. 

CIPRIANO: Há alguém aqui que defenda a teoria dessa mulher?

Todos se entreolham. Cipriano encara Raíza.

CIGANA: O meu trabalho é honesto! Ninguém nunca reclamou a sorte que tirou comigo.

CIPRIANO (discretamente para Raíza): Alguém concorda com ela?

Em Raíza, aflita.

Cipriano abre os braços.

CIPRIANO: Homens! Executem-na!

Raíza quase grita, mas Dcr a abraça forte.

[efeito câmera lenta]

Em Raíza fechando os olhos. Dcr vê Rafaela indo embora, mas olhando para trás, satisfeita. 

[fim do efeito câmera lenta]

FUSÃO PARA

CENAS ALTERNADAS

= = TOCANDO: This Is Who I Am – Third Day = =

  1. Vários jornais são jogados numa mesa, incluindo o jornal da Novo Dia, com a foto de Raíza e sob a seguinte manchete: 

 “Conheça Raíza Maciel, a garota que pode prever o futuro, mas não é capaz de salvar ninguém.”

CENA 24 APTº 3011 [EXT. / MANHÃ]

Um rapaz para a moto e arremessa uma PEDRA na janela do apartamento. A janela se QUEBRA.
O motoqueiro arranca, outros seguem atrás cantando pneu.

Dcr e Raíza surgem da janela, apavorados.

CORTA PARA

  1. Mais jornais dispostos numa BANCA:

“Haters comparam Nilo Rodrigues e Raíza Maciel aos novos Coringa e Arlequina do estado.”

CENA 25 HDM CONSTRUTORA – RECEPÇÃO [INT. / MANHÃ]

Alguns funcionários reunidos, vendo algo em seus respectivos celulares. João acaba de chegar, mas para ao ver os olhares maliciosos dos colegas. João se chateia e segue seu caminho.

CORTA PARA

  1. Outro jornal é jogado na mesa exibindo a foto de Dcr com outra manchete:

“Governador proíbe estado de fazer alusão ao herói Nilo.”

CENA 26 MANSÃO DE CAEL – SALA [INT. / MANHÃ]

Um jornal cobrindo o rosto de Cael, sentado num sofá. Ele abaixa o jornal, e se mostra estagnado.

CORTA PARA

  1. Outro jornal, desta vez, destacando Dcr e Raíza como capa na primeira página:

“Produtora já pensa em transformar a história dos anti-heróis em filme, diz uma fonte.”

CORTA PARA

CENA 27 CASA DO PASTOR EVERTON – QUARTO [INT. / MANHÃ]

CLOSE na porta entreaberta, de onde surge Sônia. Ela faz que vai bater na porta, mas para, curiosa. CAM desliza até uma cama na qual Josué está sentado, lendo um jornal, enquanto ri diabolicamente.
Sônia estranha e se afasta.

CORTA PARA

  1. Jornal da Carioca News é jogado à frente da tela:

“Vídeo denuncia verdadeira vidente que poderia ter evitado punição de mulher – Seria ela uma anti-heroína?” 

CORTE DESCONTÍNUO

Nas mãos femininas segurando o jornal anterior. Lila vê, indignada.

MUSIC FADE

CENA 28 REDAÇÃO CARIOCA NEWS [INT. / MANHÃ]

Lila diante de Alexandre, Dcr e Roger, todos chocados.

ALEXANDRE: Notícia é notícia, mas você podia ter apurado isso, ainda mais que se trata de um vídeo postado pela Novo Dia. Pode ser montagem!

LILA: Mas eu não postei, Alexandre! Acha que eu daria qualquer nota que viesse desse jornal sem averiguar antes?

ROGER: Será que o seu computador foi hackeado, amiga?

ALEXANDRE: Seja como for, arrume um jeito de reverter isso. (já saindo) Daqui a pouco até a imprensa internacional vai tá na nossa porta.

Alexandre se afasta. Roger se põe na frente de Lila, em dúvida.

ROGER: Não quero desanimar não, mas...Não acho que seja a imprensa internacional que estará na nossa porta. Os fiéis da igreja vão querer uma explicação sobre o porquê de Raíza não ter evitado o atentado.

LILA: Aquele vídeo é montagem, só pode! Coisa da Rafaela que sempre inventou que a Raíza era especial.

Roger olha para Dcr, que não consegue encará-los.

ROGER: Eu já mandei checar, Lila. Não é montagem. Não é, Nilo?

Em Lila, tensa, esperando uma reação de Dcr.

DCR: O melhor que temos a fazer é reverter essa história. À propósito, viram a Raíza?

Na troca de olhares deles. Ao fundo, Emerson espia, com umas contas na mão.

FADE OUT

FIM DO QUARTO ATO


ATO FINAL


FADE IN

Abre na FACHADA do APTº 3011

FUSÃO PARA

CENA 29 APTº 3011 – QUARTO DE RAÍZA [INT. / MANHÃ]

ÂNGULO ALTO

Raíza deitada na cama, de frente, com as mãos sobre o estômago. Seu semblante sofrido, de quem já chorou.

Alguém BATE na porta. Marco adentra, sem graça, e sorri.

MARCO: Eu acho que aqui não é um bom esconderijo.

Raíza limpa o rosto, mas continua deitada.

RAÍZA: Você tem uma cópia da chave?

MARCO: Luxo de quem é sócio de um clã e noivo da Arlequina.

Raíza não ri. Marco senta na beirada da cama.

MARCO: Desculpe, não resisti. Quer conversar? Talvez...Contar os detalhes sórdidos do seu segredo/

RAÍZA (por cima): Aquilo foi uma encenação (Marco, confuso). A Lila foi proibida de citar o nome do Dcr como o herói Nilo, mas não de criar uma nova heroína. Só que alguém roubou o vídeo e/

MARCO (corta, chateado): Espera aí, Raíza! Estamos juntos há dois anos, prestes a nos casar daqui a três semanas. Certeza de que vai me enrolar mais uma vez?

Marco pega em seu rosto e a faz encará-lo.

MARCO: Eu te amo e não pretendo me casar com uma supergirl e vê-la salvando meio mundo por aí; eu pretendo me casar com uma pessoa que erra, como eu já errei tantas vezes.

RAÍZA: Você sempre fez de um tudo pra descobrir algum segredo meu só pra me forçar a um casamento e, assim, se vingar do Cael. Esse suposto segredo quase acabou comigo.

MARCO: Então é isso? Você sente que sofreu demais guardando um segredo e, agora que tudo veio à tona, você acha que sofreu à toa? E eu estou incluído nesse rol de sofrimento que você não conseguiu superar?

Muito clima. Raíza se esforça para não chorar, engole a seco.
Marco se levanta, nitidamente perturbado.

MARCO: Não é nesse clima de desconfiança e mágoa que eu quero me casar contigo. Quando você estiver pronta pra confiar em mim, a gente remarca o casamento.

Marco dá as costas, chega até o batente da porta e torna a olhar para Raíza. Esta nem o encara, mas quando resolve olhar

ELE NÃO ESTÁ MAIS LÁ.

Volta em Raíza, que sofre.

Corta para a FACHADA DO PALÁCIO GUANABARA / NOITE

CENA 30 PALÁCIO GUANABARA – GABINETE [INT. / NOITE]

O corte é feito diretamente em duas mãos (masculinas e femininas) que se cumprimentam.

CIPRIANO: Não costumo ceder ao pedido de ninguém, mas devo admitir que o seu foi extraordinário.

Rafaela acaba de cumprimentá-lo, radiante.

RAFAELA: Espero que desta forma o senhor não nos condene por ter invadido o seu computador.

Cipriano espia Hans, do outro lado.

CIPRIANO: Não se preocupe; não mando amigos para o cadafalso. Muito menos quem sugeriu a morte da cigana para Raíza sair como a vilã da história.

HANS: A essas alturas a garota deve estar se sentindo a pior espécie de gente. Afinal, de qualquer maneira todos já sabem do seu segredo. 

RAFAELA: Há alguma nova tarefa?

Cipriano se senta, recosta na cadeira, olhando-a de baixo a cima.

CIPRIANO: A minha discípula precisa mesmo que eu dê uma nova tarefa?

Olhares sinuosos. Até que alguém BATE na porta. 

ISRAEL: Com licença. Preciso falar contigo, Cipriano.

CIPRIANO: Pode falar. 

ISRAEL: É sobre a Aimée. Ela já sabe que você quer matar o Nilo e...Contou para o pai.

Em Cipriano, com os cotovelos sobre os braços da cadeira, mãos na boca, pensativo. Rafaela olha para Hans, preocupada.

CENA 31 COFFEE BREAK – ESCRITÓRIO [INT. / NOITE]

Marco está sentado na poltrona, com um porta retrato na mão. No seu P.V. a foto é dele com Raíza, vestida de noiva, há dois anos.

VOLTA PARA

O seu rosto, inconformado.

VALENTINA (O.S): Tão concentrado que nem me viu entrar?

MARCO: O que você quer, Valentina?

VALENTINA: Não eu exatamente, já que você não acreditaria em mim. (T) Pode entrar, garota!

Valentina abre espaço e revela uma garota branca, de óculos escuros e peruca preta.

MARCO: Quem é essa garota?

A garota retira os óculos e a peruca, revelando ser Aimée.

AIMÉE: Essa foi a maneira de ninguém me reconhecer. 

MARCO: Senhorita? O que quer comigo?

AIMÉE: Preferi falar contigo porque o Nilo e a Lila achariam que é coisa da minha cabeça e nem me deixariam falar. (T) O Emerson não é irmão da Vicky, como ele disse.

Marco se levanta, abismado.
CLOSE em Aimée, segura.

AIMÉE: O Emerson é uma farsa!

Em Valentina, esperta. Fecha em Marco, espantado.

CENA 32 APTº 3011 – SALA [INT. / NOITE]

Raíza sentada à mesa, na qual há uma tigela de macarronada ao molho bolonhesa, além de dois pratos e dois copos dispostos de cada lado. Dcr logo aparece com um jarro de suco de laranja.

DCR: O Cael ligou. Disse que o plano deu certo e já conquistou a Sônia. 

RAÍZA: Para ele precisar de um plano pra conquistar aquela songa monga é porque não tá fácil pra ninguém mesmo.

Dcr se senta, apanha um pegador na tigela e se serve.

DCR: Você é que não tá fácil hoje.

RAÍZA: Mudando de assunto, já encontrou a câmera?

DCR: Já. Com certeza foi obra do Cipriano se passando por mim. (pensa) Acho que a gente precisa de uma boa estratégia, porque o meu gesto heróico já sumiu dos trending topics. Agora só se fala de você.

O interfone TOCA. Raíza se levanta, prontamente, vai até o interfone e atende.

RAÍZA: Sim? (T) Ah sim, pode subir.

Raíza desliga o interfone.

DCR: Quem é? 

Corte descontínuo em ambos abrindo a porta. Aimée sorri, sem graça.

AIMÉE: Boa noite. Desculpe, mas não vim sozinha.

Para surpresa dos heróis, o presidente Jaime (de óculos escuros) surge logo atrás de Aimée (de óculos escuros também e peruca preta).

JAIME: Será que eu teria a honra de jantar com os heróis?

Dcr e Raíza sem reação.
Em Aimée e Jaime sorrindo, cúmplices.

FADE TO BLACK


FIM DO EPISÓDIO


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