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WEBTVPLAY APRESENTA
RAÍZA 4


Série de
Cristina Ravela

Episódio 05 de 14
"Aflição"



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 ATO DE ABERTURA

FADE IN

Vista frontal do prédio onde mora Rafaela/ NOITE

CENA 1 PRÉDIO - CORREDOR [INT. / NOITE]

= = SONOPLASTIA – Suspense = =

Chão de lajotas escuras, paredes brancas, portas de madeira. CAM vai invadindo o local como se fosse alguém. Até vazar

POR UMA PORTA

CENA 2 APTº DE RAFAELA [INT. / NOITE]

Aparentemente vazio.

CAM revela Raíza e Sam, olhando ao seu redor, apreensivas.

Corte descontínuo nas duas vasculhando a área.
Raíza abre gavetas, tomando cuidado para que tudo fique no mesmo lugar; já Sam abre a porta da rack, retira umas pastas dali, jogando-as no chão.

RAÍZA (murmura): Não faça bagunça, Sam! A gente tem que deixar tudo no devido lugar.

SAM (murmura): O que importa? A vontade que eu tenho é de bagunçar a cara daquela vadia.

Raíza faz a negativa.

A cena é observada pelo PONTO DE VISTA de alguém escondido por trás da mureta da cozinha.

RAÍZA: Eu vou dar uma olhada no quarto.

Raíza segue até o 

QUARTO

E abre a porta, rapidamente.

(Há uma CAMA DE CASAL coberta por uma colcha cinza, um móvel na cor preta, um guarda-roupa de SOLTEIRO na mesma cor e uma penteadeira simples, contendo cosméticos e alguns poucos bibelôs).

Raíza avança no móvel, abre a gaveta, mas há apenas uma agenda preta e óculos escuros. Depois olha por debaixo da cama

ENCONTRA UMA CAIXA DE SAPATO

Que Raíza pega, coloca por cima da cama e abre. Com um semblante preocupado, a garota apanha umas fotos rasgadas e, pelo seu P.V as fotos são dela e de Marco, riscadas de caneta vermelha. As outras são recortes de jornais com a imagem de Dcr, Lila, Roger e Josué.

RAÍZA: Meu Deus...

BARULHO VINDO DA SALA

Raíza se assusta, guarda tudo de volta e enfia a caixa para debaixo da cama novamente.

CORTA PARA

SALA

Raíza chegando, encontra Sam no chão tentando se levantar, com a mão na cabeça.

RAÍZA: Sam! O que houve?

SAM: Cuidado!

Raíza se volta, mas Rafaela consegue acertar um GOLPE com o cabo da vassoura na cara dela. Raíza cai no chão. Ritmo.
Rafaela ergue a vassoura para mais um golpe, mas Raíza lhe ACERTA duas pernadas na barriga, fazendo a vilã se baquear.

SIRENE DE POLÍCIA

Tony surge do lado escuro do cômodo e agarra Sam, que tenta se desvencilhar, em vão.

RAFAELA: Perderam! Suas bandidas de merda!

RAÍZA: Talvez.

Raíza avança e as duas vão de encontro à janela. Raíza segura sua nuca e BATE TRÊS VEZES na parede.

RAÍZA: Vadia!

E Raíza a JOGA por cima da mesa.

AS PORTAS SÃO ABERTAS

Policiais invadem e flagram Rafaela caída e Tony segurando Sam.

POLICIAL: Ela é a Sam?

TONY: Sim, senhor, chefia. Tentou roubar a minha namorada.

Rafaela, zonza, aponta para trás.

RAFAELA: Podem levá-las...

Mas Raíza sumiu.

POLICIAL: O que disse, senhora?

Rafaela, confusa, vai até a janela, mas nem sinal de Raíza.

RAFAELA: Que os senhores podem levar essa bandida.

Sam se desespera, mas é carregada pelos homens.
Rafaela ali, olhando para a janela.

CAM se distancia para o 

EXTERIOR

Até encontrar uma árvore próxima das viaturas. Ali, a imagem de Raíza, assustada, surge, perdendo a invisibilidade.

FADE TO BLACK


FIM DO ATO DE ABERTURA


4x05

AFLIÇÃO


PRIMEIRO ATO

FADE IN

CENA 3 DELEGACIA – CELA [INT. / MANHÃ]

Sam anda de um lado e de outro, tensa, enquanto outras três mulheres COCHICHAM.
Sam se segura nas grades, finge não dar importância. Uma das mulheres (loira, cabelos lisos, mal tratados, beirando os 30 anos) se aproxima, debochada.

MULHER #1: E aí, novinha? Qual foi o teu crime?

As outras riem. Sam apenas encara a tal mulher, depois vira a cara.

MULHER #1: Eu fiz uma pergunta, sua puta.

SAM: Matei a sua mãe, satisfeita?

A mulher agarra Sam pela nuca e a prensa de contra a grade.

MULHER #1: Eu que matei, sua imbecil! E se ficar de graça, te mato também, tá ouvindo?

A mulherada se exalta, animada.

BARULHO NA CARCERAGEM

Um policial chega ali ao lado de Sônia.

POLICIAL: Vamos parar com essa zona aqui?

A tal mulher já soltou Sam, que se recompõe.

POLICIAL (para Sônia): Dez minutos, hen.

Quando ele SAI, Sônia, ainda abatida e com uma bíblia na mão, olha para o ambiente, com asco.

SÔNIA: Então foi você, né?

SAM (confusa): Eu o quê?

SÔNIA: Não se faça de desentendida! Você não tem medo da mão de Deus, não? Como pôde atacar a igreja? (em Sam, alarmada) O meu irmão morreu abalado com tamanha violência, você não tem coração, não?

SAM: Escuta, não foi bem assim/

SÔNIA (ignora / levanta a bíblia): Será que essa perseguição não vai acabar nunca, meu Deus? Há séculos somos perseguidos por seguir Jesus.

RISADAS e COCHICHOS das presas.

SAM: Peraí! A Inquisição perseguia gente como eu, gente inocente.

SÔNIA (alterada): Inocentes não agridem a Casa de Deus! Você pecou. A mão de Deus vai te enforcar no cadafalso e você nunca mais cometerá sacrilégio algum.

MULHER #2: Seu Deus mata, é? Eu achava que só o governador.

RISOS.

SÔNIA: Vocês todas já estão condenadas. Deus mandará seu anjo para limpar a terra dos seus pecados. (para Sam) E quanto a você, eu assistirei seu fim e que sirva de lição para todos os demônios. Até lá!

E Sônia SAI, deixando Sam, aflita.

CENA 4 CARIOCA NEWS [INT. / MANHÃ]

Lila, diante do computador, muito preocupada.

NA TELA DO PC

A página da NOVO DIA, estampando a notícia: “Polícia prende líder de atacar a igreja Evangélica Mão Divina – Jovem tem antecedentes criminais e foi pega invadindo uma residência”.

VOLTA EM LILA

VOZ MASCULINA: Dia difícil?

Lila, se levanta, sobressaltada ao ver Cipriano ali.

LILA: Governador?!

CIPRIANO: Desculpe, não quis assustar.

Cipriano apanha, de cima da mesa, umas folhas de papel, cuja capa é do próximo livro de Lila, “Nilo – Na Inquisição dos Novos Tempos”. Em Lila, tensa.

CIPRIANO: Percebo que a matéria do Hans deixou-a perturbada. Imagino que seja evangélica e que (Cipriano folheia) esteja aflita com uma violência proferida por uma bela jovem.

LILA: Ahn...Eu ainda não me acostumei com a pena de morte.

Pelo PONTO DE VISTA de Cipriano, ele vê o seguinte parágrafo: “Numa corrida alucinante, Nilo acabou atingido nas costas por um tiro, sentindo uma dor que foi lhe contorcendo até fazê-lo cair no chão batido de terra.”.

As folhas são retiradas pelas mãos de Lila, forçando a educação.

LILA: Desculpe, ainda não está liberado para a leitura.

Cipriano dá de ombros, simpático.

CIPRIANO: A tua sorte é que não sou fã do Nilo, do contrário, eu poderia lançar alguns trechos na internet e estragar a surpresa.

ELE ri, sedutor; Lila na dela.

CIPRIANO: Não me conformo de uma notícia tão importante como a prisão de Samantha não ter sido dada por você primeiro. 

LILA (sarcástica): Da próxima eu coloco meus colegas para madrugar na porta do prédio de Rafaela.

Cipriano ri, se aproxima, fazendo certo suspense.

CIPRIANO: Eu entendo. Você se dedica muito a escrever a saga do herói Nilo. Deve ser difícil conciliar a ficção com a realidade, não é? (Lila, temerosa, mas firme) Mas eu sou seu anjo da guarda hoje (Lila esboça escárnio) e quero lhe dar uma exclusividade, algo que deixará seu chefe feliz e sua saga mais real: Você irá escrever sobre a morte de Samantha.

Lila se espanta, cai sentada na cadeira.

CIPRIANO: A amiga do herói é a anti-heroína do povo. Já pensou no prestígio que você terá? E eu ainda deixo o seu jornal falar de mim, no quanto sou um bom governador. (sorri, sádico) O que me diz?

Reação em Lila, que olha para a mesa.
Na capa do seu livro.

A TELA SE FECHA

FIM DO PRIMEIRO ATO


SEGUNDO ATO

FADE IN

Vista frontal da Igreja Evangélica Mão Divina /

CENA 5 IGREJA EVANGÉLICA MÃO DIVINA [INT. / MANHÃ]

CAM se aproximando das costas de Sônia, sentada numa das primeiras fileiras. Sônia lê a bíblia, em voz baixa, não é possível entender.

CAEL (O.S): Atrapalho?

Sônia se assusta, sorri, sem graça.

SÔNIA: Micael/

CAEL: Por favor, me chame de Cael. To mais acostumado.

Cael se senta ao seu lado, muito delicado.

SÔNIA: Soube que prenderam a garota que atacou a igreja?

CAEL: Sim e lamento. Parece que ela não terá direito ao perdão.

Sônia olha para a bíblia, convicta, faz que vai ler.

CAEL: “Perdoai setenta vezes sete” (Sônia o encara, surpresa). Já é difícil perdoar uma vez imagina 490 vezes.

SÔNIA: 490?

CAEL: É. Setenta vezes sete.

Ambos riem. Sônia se mostra séria, em seguida.

SÔNIA: Aquela garota cometeu sacrilégio. É um crime terrível contra a igreja. É um crime contra Deus.

CAEL: As pessoas fazem coisas terríveis uma com as outras, todos os dias. Roubam, matam, destroem famílias...É uma ofensa a Deus, não acha?

SÔNIA: Virou advogado dos hereges?

Cael segura suas mãos, deixando-a envergonhada.

CAEL: Não. Eu apenas não gosto de condenar, porque não quero ser condenado (Sônia abaixa a cabeça). Não fiz coisas muito boas por aí. Mas fui perdoado.

Sônia concorda, pensativa.

SÔNIA: Se você pede perdão, é digno de ser perdoado. Samantha não se arrependeu.

Nas mãos de Cael apertando calorosamente as de Sônia.

CAEL: É difícil perdoar primeiro, não é?

Sônia desvia o olhar, incomodada.

CENA 6 DELEGACIA – CARCERAGEM [INT. / MANHÃ]

Muito alvoroço. O carcereiro conduzindo Dcr até uma cela.

DETENTAS: Mas tu é mais gostoso pessoalmente hen! – Herói Nilo, me salve! – Deixa eu ser sua mocinha! (RISADAS).

CARCEREIRO: Vamos parar com esse fogo!

Os dois chegam à cela onde está Sam.

CARCEREIRO: Cê já conhece o esquema, né garoto?

Dcr nada diz e espera o carcereiro SAIR. Sam se agarra nas grades, ansiosa.

SAM: Danilo, por favor, diz que não é verdade. Eu vou morrer? Eu não terei direito a cumprir pena, pedir perdão, como em vários casos?

DCR: Infelizmente, Sam...Você tem antecedentes criminais (Sam fica agitada) e um agravante: você tá sendo acusada de sacrilégio.

SAM (fala baixo): Hipocrisia. Tem gente aqui que matou a mãe. Será que a mãe é menos importante do que o governo e as igrejas?

DCR: Você sabe muito bem que o problema não é o ato criminoso. Somos nós. O governo escolhe aleatoriamente quem ele quer levar para o cadafalso. O povo pede a sua cabeça; o governo faz o que o povo quer.

Sam bate na grade, abaixa a cabeça, vencida.

SAM: Foi a Rafaela, aquela maldita. Armou uma arapuca pra gente. (T) Falando nisso...E a Raíza?

DCR: Ela tá bem, mas...Como a Rafaela ia saber que vocês estariam lá ontem? Só o clã sabia.

Sam o encara, preocupada.

SAM: Eu não to gostando nada disso. (T) Danilo, você precisa reverter essa situação. Só você pode.

Em Dcr, sem saber o que fazer.

CENA 7 PALÁCIO GUANABARA – GABINETE [INT. / MANHÃ]

Em Cipriano entrando, Walter e Israel logo atrás.

WALTER: Povo está aguardando o enforcamento como se fosse um evento do Rock in Rio.

Cipriano se senta diante do laptop, pensativo, dá alguns cliques.

WALTER: Estão sugerindo até Lana Del Rey como fundo musical.

Walter dá uma risadinha. Cipriano apenas o encara, com desprezo.

CIPRIANO: Se isso foi uma piada, foi de extremo mau gosto. 

Walter se recompõe.

ISRAEL: Você parece preocupado. 

CIPRIANO: Estou apenas cuidando de uma próxima lei que o congresso terá que aprovar. Caso, é claro, os inimigos tentem me desafiar. 

Israel se aproxima, curioso.

ISRAEL: E que lei é essa?

Cipriano se recosta na poltrona, pensativo.

CIPRIANO: Ainda está em desenvolvimento, meu caro. Mas se tudo der certo, não será preciso impor limites a certas pessoas.

P.V de Cipriano mostra a página do facebook, intitulada “Herói Nilo” com mais de 15 mil seguidores. Há um post, datado de 24 horas antes, com a seguinte mensagem: “Novo livro sairá até o fim do ano. Aguardem!”. Seguido de vários comentários.

CIPRIANO (O.S): Eu confio no bom senso dessa humanidade.

CORTE DESCONTÍNUO

CENA 8 REDAÇÃO CARIOCA NEWS [INT. / MANHÃ]

Na mesma página do facebook. A página é minimizada, dando lugar ao site da redação.

RAÍZA (O.S): Não achou precipitado avisar do lançamento? O Cipriano é bem capaz de barrar o seu livro.

Lila está sentada; Raíza, de pé.

LILA: Se a ameaça tivesse vindo antes. (Lila se levanta, chateada) Agora como posso fazer essa exclusiva, encarar a Sam depois do que fiz?

RAÍZA: Não é hora pra dramas, Lila. Se você não fizer, o Hans fará e será bem pior. Ele não só destruirá a reputação dela mais ainda, como a de todos os envolvidos com ela. É quase como boicotarem seu livro; até os fãs vão pensar que o Dcr é o cabeça do ataque à igreja.

LILA: É verdade. Mas o ideal seria salvá-la. Acha que o Danilo consegue?

RAÍZA: Sinceramente? Retroceder não vai mudar a decisão do governo de prender a Sam. E o Dcr não tá a fim de passar o resto da vida retrocedendo como num jogo; algo dá errado, ele vai lá e recomeça a fase.

LILA: E como faremos?

Um celular TOCA sobre a mesa. Raíza apanha e vê a foto de Marco na chamada.

RAÍZA: Oi, Marco, e aí?

MARCO (V.O): Eu esperava um “Oi, meu amor”, mas ok (Raíza sorri). Sabe o que descobri? Que eu sou diretor de um reality show, cujos protagonistas deveriam ser premiados.

RAÍZA: Não entendi, Marco.

MARCO (V.O): Eu tenho as gravações da L.A House, minha querida. Imagine a nossa beata Sônia se vendo durante o crime? (Em Raíza, surpresa) Acha que ela ia gostar de saber que o crime foi gravado?

Raíza esboça satisfação e malícia. Encara Lila.

RAÍZA: Que notícia mais oportuna! Conte-me mais sobre como é guardar o crime do pastor Everton por tanto tempo, sem saber como tirar proveito disso?

Lila cobre a boca, surpresa, para logo sorrir de alegria.

CENA 9 REDAÇÃO CARIOCA NEWS – DEPÓSITO [INT. / MANHÃ]

Entre caixas e armários, lá está Dcr, sentado numa cadeira, de olhos fechados e muito concentrado. Ouvimos seus cochichos, CAM se aproximando vagarosamente dele.

DCR (murmura): Isso não pode ter acontecido...Não aconteceu...Isso não tá acontecendo.

CLOSE em seu rosto rígido.
Muito suspense.
Até que ele abre os olhos e/

SUSTO

Dcr dá um salto para trás, derrubando uma caixa.
Cipriano com um sorriso debochado.

CIPRIANO: Desculpe o transtorno. Estava pensando num método para salvar a Sam?

Dcr se recupera do susto, espavorido.

DCR: Eu já soube da proposta descabida que você fez a Lila.

CIPRIANO: Por favor, não se precipite! É claro que ela não vai precisar fazer matéria alguma, se você aceitar a minha proposta.

DCR: Proposta? 

CIPRIANO: Você irá salvar a sua amiga Samantha. (Em Dcr, sem entender) Mas não será fácil passar pelos policiais. (Põe a mão no queixo, fingindo relutar) Permito que mate-os (baque em Dcr). Prometo liberar poucos seguranças para que você não tenha trabalho.

DCR: Mas o quê?!

CIPRIANO (por cima): E então você fugiria do país. Poderia levar a Raíza junto. Vocês teriam todo o meu respaldo e eu garantiria que vocês estejam bem longe...E seguros.

Dcr se revolta e o agarra pela gola do sobretudo, empurrando-o de contra o armário.

DCR: Você tá maluco? Isso tudo porque eu to te atrapalhando, não é? Tem medo de quê? Hen?

CIPRIANO (sarcástico): Que você amasse o meu Armani.

DCR: Você tá querendo que eu troque a liberdade de expressão e a nossa reputação pela vida de alguém!

CIPRIANO: Como você é cômico, garoto. Você ainda tem uma reputação a zelar?

Dcr o empurra, chateado.

DCR: Você não quer que eu salve a Sam; Você quer que eu caia numa cilada mais uma vez. Não me esqueci daquela poção da invisibilidade com prazo de validade vencida.

Cipriano ajeita a gola, sonso.

CIPRIANO: Quanto rancor! Você podia pagar para ver. Olhe em volta e veja tudo que você já perdeu. Entre amigos e familiares, o que sobrou? (Cipriano se aproxima, desafiante) Quem é Sam perto da sua mãe?

Dcr avança mais uma vez, mas Cipriano leva a mão e aperta seu pescoço, paralisando-o.

CIPRIANO: Não se esqueça que você ainda tem mais gente a perder. Pense bem se vale a pena arriscar todos eles pela Sam.

Olho no olho. Até que Cipriano o arremessa de contra o restante das caixas.
Dcr se atordoa. Cipriano sumiu.

Em Dcr, vencido.

CORTA PARA

REDAÇÃO

Dcr acaba de sair por uma porta, apressado, e logo vê Emerson conversando com Roger.

ROGER: Nilo? Pensei que tivesse ido almoçar com a Lila.

Emerson estende a mão e Dcr o cumprimenta.

DCR (ainda atordoado): Ahn...Aconteceu alguma coisa, Emerson? Alguma nova retaliação?

EMERSON: Não, não...É que só conheço vocês aqui na cidade e...Eu pensei que/

Roger bate em seu ombro e o abraça.

ROGER (sorridente): Já é de casa! “Bora” almoçar todo mundo junto? 

DCR: Mas cadê a Lila?

Roger olha com ar de suspense para Emerson.

CENA 10 DELEGACIA – CARCERAGEM [INT. / MANHÃ]

Muita bagunça, mulheres alvoroçadas ao ver Lila sendo conduzida pelo carcereiro.

DETENTAS: Olha se não é a Lila! – Mulher, me coloca pra pegar o Nilo no seu livro – (RISOS).

O carcereiro se afasta, Lila diante de uma Sam nervosa.

SAM: Pensei que não ia dar as caras por aqui. Trouxe uma solução?

Lila observa as detentas, de olho. Disfarça.

LILA: (mente) Não. Mas você tem que confiar em mim. Você sairá dessa.

Sam ri, sem esperança.

SAM: Eu confiei o pen drive a você, Lila. E olha onde vim parar!

Lila se aproxima, faz segredo.

LILA: Então confie na Raíza. Nela você confia, né?

Lila a encara, firme, deixando Sam, desconfiada.

SAM (murmura): Eu to prestes a subir ao cadafalso, Lila. Eu não to esperando um super herói me salvar...Ainda mais na frente de todo mundo.

LILA: Ore (Sam não entende). Porque Deus vai enviar um anjo pra te salvar. Raíza é quem garante isso.

MULHER #1: Que tanto as lindas cochicham, hen? Queremos participar também, né não, gente?

DETENTAS: É ISSO AÊ!

MULHER #1: Tão planejando o quê? Fuga? Também queremos e de quebra a gente faz uma ponta no seu livro, malandra.

LILA: Vim a trabalho. (Lila abre a bolsa e apanha seu bloco e uma caneta) Vim saber de você, Sam, o que tem a dizer sobre essa acusação de atentado à igreja?

Sam se mostra falsamente ofendida.

SAM: Vai me estampar em seu jornal? É sério isso? Pensei que fossemos amigas.

LILA (bancando a fria): E sou, por isso quero lhe dar a chance de se defender, já que daqui a 15 dias você não estará mais entre nós.

Em Sam olhando de canto para a tal mulher que, desconfiada, encara uma Lila sonsa.

CENA 11 CARIOCA NEWS – ESTACIONAMENTO [INT. / TARDE]

Área reformada após a explosão no 3x17. Poucos carros, SOM de passos se aproximando.

RAÍZA (O.S / sarcástica): E você guardava essas fitas como recordação, né? Que fofo.

Risos.

MARCO (O.S): Não é uma coisa da qual me orgulho, mas eu preferia me precaver. 

Marco e Raíza caminham abraçados, enquanto ela segura sua bolsa a tiracolo.

MARCO: Eu ainda vivia naquela ideia de prejudicar o Cael de alguma forma e...Tirar vantagem dos que aprontavam no cassino. Caso fosse preciso.

RAÍZA: E quem diria que você teria o aval justamente dele pra prejudicar alguém, hen.

MARCO (sorri, beijando seu pescoço): Meu incrível poder de sedução.

RAÍZA: Sério? Pensei que fosse ironia do destino.

Risos.
APLAUSOS interrompem os dois, que estacam diante de alguém fora da tela.
Rafaela surge batendo palmas e com um sorriso de escárnio.

RAFAELA: Concordo com a ironia do destino. (para de bater palmas) Vendo vocês dois aí na maior felicidade nem me lembro de suas brigas. (T) Mentira, lembro sim.

Rafaela gargalha, mas Raíza e Marco se mantêm firmes.

MARCO: Estamos sem paciência para suas gracinhas, querida. Por que não passa outro dia? Quem sabe...Quando o segundo sol chegar?

Marco e Raíza vão andando, mas Tony aparece por detrás da pilastra e sobe a camisa. Close em seu revólver.

RAFAELA: Eu poderia mandar o garotão aqui pegar a sua bolsa, Raíza, mas conto com a participação de vocês.

RAÍZA: O que tá procurando? A sua sanidade? (ri) Até eu perdi a minha, lembra?

Rafaela trinca os dentes.

RAFAELA: Cachorra. Pega a bolsa, Tony!

Tony avança e arranca a bolsa de Raíza. Marco sem ação. Raíza só observa, meio aflita.
Tony abre a bolsa e despeja tudo no chão. Há celular, câmera digital, canetas e carteira. Nada demais.

TONY (para Rafaela): Nada, princesa.

RAFAELA: Vocês estão aprontando alguma coisa pra salvar a idiota da Sam. Mas não vão ter tempo de pensar nisso. Tony, atira!

Em Marco e Raíza, tensos.

RAFAELA: ATIRA!

Tony nem tem tempo de puxar a arma da cintura, quando Marco lhe acerta um CHUTE em suas partes íntimas. A arma cai de um lado e Tony urra de dor. Marco ainda tenta dar outro chute, mas Tony segura suas pernas e os dois caem no chão. Luta.

Rafaela apanha o revólver e APONTA para Raíza, mas esta desvia a tempo, o TIRO atinge uma pilastra. Raíza, de raiva, avança em Rafaela, as duas se engalfinham.

RAÍZA: Não foi o suficiente ontem, não, sua vaca?

E Raíza arremessa Rafaela sobre um CARRO, a garota cai no capô e rola pelo chão.
Tony dando um soco em Marco, levanta-se e corre até Rafaela.

TONY: Tudo bem aí, princesa?

Rafaela se ergue, com ódio, encarando Raíza.

RAFAELA: A tua hora vai chegar...Bruxa!

Tony e Rafaela SAEM dali.
Raíza olha para Marco, ferido.
Nela, sem reação.

FADE TO BLACK

FIM DO SEGUNDO ATO


TERCEIRO ATO

FADE IN

CENA 12 IGREJA EVANGÉLICA MÃO DIVINA [INT. / TARDE]

Nas mãos femininas, unidas, segurando uma cruz. Sônia, sentada na cadeira, reza de olhos fechados. Em seguida, faz o sinal da cruz e quando abre os olhos, SUSTO.

Josué está de frente para ela, com a bíblia na mão.

SÔNIA: Seu Josué, que susto!

JOSUÉ: A irmã parece perturbada. Se quiser conversar.

SÔNIA (pensativa): O Micael esteve aqui. Ele parece ser tão solidário...

Josué senta-se ao seu lado.

JOSUÉ: Cael é um homem de negócios, irmã, acostumado a proporcionar uma vida de vícios e prazer. Não espere que ele seja um santo após ter sido dono de um cassino.

SÔNIA: Ele disse que mudou muito nos últimos anos, porque ele teve uma chance de mudar.

JOSUÉ: Por acaso ele mencionou aquela garota que nos atacou? Como é mesmo o nome dela?

SÔNIA: Samantha. 

JOSUÉ: Isso! A amiga daquele que todos ovacionam como herói. Muito cuidado, Sônia; o poder de persuasão que Cael tem pode confundir sua cabeça.

SÔNIA: Acha que ele tá querendo me usar? 

JOSUÉ: Pior, irmã! Ele sabe do seu passado e está tentando convencê-la a fazer o que ele quer.

Sônia se levanta, magoada.

SÔNIA: Isso é horrível! Eu aceitei Jesus, eu mereço viver a minha vida em paz!

Josué se levanta e segura fortemente suas mãos com o rosto muito próximo dela.

JOSUÉ: Nós dois, irmã. Mas quem não está propenso ao perdão, não pode conviver livremente entre nós sem punição, concorda? Veja o que o mau sentimento de minha sobrinha provocou em seu irmão...

No olhar confuso de Sônia.

SÔNIA: Tenho medo dessa gente, mas...O Micael?

JOSUÉ: Não deixe que ele te engane com palavras bonitas, irmã. Deus há de mostrar a verdade a você.

GAROTO (O.S): Dona Sônia?

Sônia e Josué veem um garoto moreno, de aproximadamente 12 anos, estendendo um envelope de papel pardo.

SÔNIA: Sim, sou eu.

GAROTO: Mandaram te entregar, moça.

JOSUÉ: Quem mandou?

GAROTO: Só me pediram pra entregar, pastor.

Sônia acaba de retirar um DVD do envelope.
O garoto SAI de cena.

Em Sônia, sem entender.

CORTA PARA

CENA 13 CASA DO PASTOR EVERTON – SALA [INT. / TARDE]

NA TELA DA TV 

Imagens do circuito interno de um cassino, onde reconhecemos ser a antiga boate L.A House. Garçons transitam por entre as pessoas; jogadores apostam, cercados de mulheres; risos e conversas permeiam o local. Até que aparece um HOMEM NEGRO que acerta uma FACADA pelas costas de um sujeito moreno, que está sentado.

GRITOS.

A vítima cambaleia, apanha uma garrafa de uísque sobre o balcão.

EVERTON: Desgraçado! Tu vai morrer da mesma forma que matou meu pai! COVARDE!

A vítima volta com a garrafa e ACERTA a cabeça de Everton. Os seguranças tentam apartar, mas SÔNIA surge em cena, ARRANCA a faca das costas do sujeito e desfere mais três vezes. Um segurança a contém. O sujeito cai MORTO.

A tela fica chuviscada, até entrar um fundo negro com legendas:

“Perdoai setenta vezes sete. Não é isso que Jesus pregava e que o pastor Everton sempre repetia? E não era ele mesmo que se orgulhava do passado sem manchas de vocês dois? Não condenes uma jovem, para não serdes condenada.”

A TV é desligada.
Sônia está sentada diante da TV, em pânico. Josué coloca o controle remoto sobre a rack no qual está a televisão.

JOSUÉ: Não tenha medo, Sônia. Ninguém fará nada contra você.

Sônia disfarça as lágrimas.

SÔNIA (voz embargada): Você não percebe? A minha imagem de fiel à igreja, de uma mulher com um passado limpo, vai ser destruída. E eu ainda posso ser presa!

Josué senta na mesinha central, diante de Sônia.

JOSUÉ (segura suas mãos): Você ainda não tinha encontrado Jesus. O que o demônio quer é que você defenda os ímpios. Não esmoreça! 

SÔNIA: E você acha que a polícia vai entender isso?

JOSUÉ: O governo defende todos que são tementes a Deus. Ninguém pode contra nós, irmã. Ninguém.

No estranho olhar convincente de Josué.

CENA 14 PALÁCIO GUANABARA – GABINETE [INT. / TARDE]

Aimée está deitada no sofá, usando seu smartphone, distraída. 

AIMÉE: Hmmm...O Emerson assiste Resurrection, Infamous e…Oh! É fã da atriz Christina Monroe, a scream Queen mais famosa da década de cinquenta, hmmm.

CIPRIANO (O.S): O que está fazendo?

Aimée leva um baita SUSTO.

AIMÉE: Que susto, amor! Quer me matar do coração?

Cipriano encosta-se a um dos sofás.

CIPRIANO: Não entendo o espanto; eu trabalho e moro aqui.

Aimée sorri, sem graça.

AIMÉE: É que eu tava/

CIPRIANO (por cima): Lendo o perfil de Emerson Martins, o blasfemador?

AIMÉE: Ai, Cipriano, que horror! Ele apenas é contra o pastor Josué.

CIPRIANO: Eu sei. E até entendo as razões dele. (falso) Pobre homem!

Aimée se levanta, abismada.

AIMÉE: Entende? Como assim você entende?

CIPRIANO: Eu o visitei quando ele estava preso. Ele me disse que perdeu alguém da família, mas que não pôde lutar por justiça. Acho que por isso ele admira tanto o Danilo. (T) Tenho que admitir que o Danilo é um justiceiro nato.

AIMÉE: Hmmm, (ela envolve os braços em seu pescoço e ele a abraça pela cintura) adoro quando o meu noivo elogia outros caras; é tão sexy e inteligente.

Os dois se beijam. Cipriano toca seu rosto levemente.

CIPRIANO: Eu me esforço, minha cara, mas não me deixe vê-la olhando o perfil de “outros caras”; já me basta você ser fã do Danilo.

Ele ri, ameaçador; Aimée também ri, ingênua.

Takes da cidade/

CORTA PARA

FACHADA DA CURTO-CIRCUITO/

CENA 15 CURTO-CIRCUITO [INT. / TARDE]

Cael acaba de conversar com uma atendente, quando Sônia adentra, intempestiva.

SÔNIA: Micael?

CAEL: Sônia, aconteceu alguma/

E Sônia lhe desfere um TAPA. Cael, cobre o rosto, aturdido.

CAEL: Sônia! O que foi isso?

SÔNIA: Você me enganou. Tá me usando para salvar aquela herege, não é? Como tem coragem de fazer isso com uma pessoa de luto? Hen?

Cael olha para a atendente, que abaixa a cabeça.

CAEL: Melhor conversarmos no meu escritório, vem.

Sônia desvia violentamente, mas Cael a segura com força.

CAEL: Por favor!

CORTE DESCONTÍNUO

Em Cael, sentado, acaba de fechar o laptop, fingindo estar desolado. Ao lado do laptop, a capa do DVD da boate L.A House.

CAEL: Sônia, eu...Eu não sei como isso foi acontecer/

Sônia avança sobre a mesa, põem as duas mãos sobre ela.

SÔNIA: Ah, não sabe? O dono da boate e do cassino coloca câmeras de segurança no estabelecimento e não sabe como isso foi acontecer? Me poupe!

CAEL: Quem cuidava disso era o meu irmão. Ele sempre tentou me prejudicar, então certamente ele gravou para ter algum benefício no futuro.

SÔNIA: Você tá acusando o seu irmão que você perdoou?

CAEL: Eu perdoei; não virei santo, Sônia. Se ele enviou esse vídeo foi a minha revelia. Eu jamais faria isso contigo.

Sônia, agitada, anda de um lado e de outro.

SÔNIA: Eu tava acreditando em você, Micael. 

Cael se levanta, vai até ela.

SÔNIA (cont.): Mas eu sou uma idiota mesmo! Você tá do lado deles, você vai contar pra todo mundo que sou uma assassina!

Cael a segura pelos ombros e a faz parar com a agitação.

CAEL: Eu também sou um assassino!

BAQUE em Sônia, esbaforida.

CAEL (cont.): Eu matei a minha noiva. (T) Foi sem querer (olhos marejados). Não vinguei ninguém, não matei um bandido como você.

= = FLASHBACK = =

MANSÃO BEDLIN – ESCRITÓRIO - LOS ANGELES – ESTADOS UNIDOS [INT. / MANHÃ]


Um cenário rústico, requintado. Poltronas pretas, móveis de madeira, quadros de artistas famosos.

Cael está sentado atrás da mesa, acaba de fazer uma ligação. Marco todo desalinhado, aparece espumando de ódio.


MARCO: Não bastou me ver sem boate, sem noiva e sem credibilidade, agora você quer que eu trabalhe pra você na SUA casa noturna?


CAEL: O nosso pai só quer te ajudar. Ele não quer que nos tornemos inimigos por causa da Marina/


MARCO: Por causa da Marina? Ou por causa da sua arrogância? Você preferiu dar ouvidos a sua noiva, do que a mim que sou teu irmão.


Cael se levanta, Marco puxa uma arma e assusta o irmão.


MARCO: Você sabe o que é se sentir destruído por dentro? (T) Eu não tenho mais nada a perder.


Muita tensão.
Cael é rápido, se agacha no momento do TIRO. 


CAEL: Por favor, Marco! Me matar não vai resolver nada!


Cael ganha tempo e agarra o braço de Marco.


MARCO: Mas me deixará mais leve.


Muita luta, os dois acabam

CAINDO NA SALA

A arma de Marco desliza pelo chão
Os dois medem força para ver quem pega primeiro
Cael alcança, Marco vai pra cima e naquele embate, Cael ATIRA.
Silêncio, olho no olho, e quando os dois se afastam.


UMA GAROTA MORENA, CABELOS LONGOS E PRETOS ESTÁ FERIDA

Ela acabou de ser baleada e cai no chão.


CAEL: Tita? TITA!


= = FIM DO FLASHBACK = =

Cael seca as poucas lágrimas que caem. Sônia se mostra compadecida.

CAEL: Eu matei a mulher que eu amava. Eu devia ter pagado por aquele crime, mas quando você tem dinheiro...Tudo não passa de um acidente; mas se você não tem, acaba pagando até por um bem que faça à humanidade. 

SÔNIA: Como você consegue viver?

CAEL: Como você consegue viver, Sônia? O meu crime prescreveu; o seu ainda não.

Em Sônia, alarmada.

CENA 16 COFFEE BREAK – ESCRITÓRIO [INT. / TARDE]

Marco (com uma ferida na boca) analisa uns papéis, enquanto Valentina está sentada na beirada da mesa com outras folhas na mão.

VALENTINA: Acho que devíamos mudar o nome do bar, o que acha? Vamos combinar que Coffee Break não tem muito a ver com o novo ambiente, né?

MARCO (dá de ombros): É Coffee Break de dia e Bar Break à noite.

VALENTINA: Falo sério, Marco. Você sempre curtiu mais a noite, a balada, os shows...A lanchonete família era apenas fachada pro cassino. O seu negócio é outro.

Marco para um instante de assinar os papéis, pousa os cotovelos sobre a mesa.

MARCO: Acho que você gosta mais disso do que eu. Vai ver eu gosto apenas de administrar, seja lá o que for. Meu negócio é mandar mesmo.

Nesse instante, Dcr invade o escritório, agressivo.

DCR: Isso eu já percebi, né Marco?

MARCO (surpreso): Danilo?

Valentina salta da mesa, animada.

VALENTINA (dengosa): Danilo...

DCR: Quando foi que eu fiquei de fora da sociedade?

VALENTINA: Sociedade? Vocês são sócios? Em quê?

MARCO: Por favor, Valentina, preciso de você lá embaixo.

VALENTINA: Ah, Marco! Sempre me deixa de fora na melhor parte. Eu sou sua sócia, lembra?

MARCO: Valentina...

Valentina bufa, faz pirraça batendo o pé, mas SAI.
DO LADO DE FORA, Valentina fecha a porta, mas fica à espreita para ouvir a conversa.

VOLTA EM DCR

Notavelmente irado, com as mãos sobre a mesa.

DCR: Já fiquei sabendo que você e a Raíza enviaram um vídeo à Sônia que denuncia ela e o irmão como assassinos. A pergunta é: como tomaram uma decisão sem me consultar?

MARCO: Danilo, não tivemos tempo de reunir o clã para decidir o futuro da Samantha. A garota anda rodeada de inimigos.

DCR: E o Cael de acordo com isso? E posso saber como ele vai ajudar a recuperar a minha reputação com a dele manchada? Sim, porque a Sônia não vai cair no papo de que ele foi enganado.

MARCO: É um risco que corremos, Danilo. Você tinha uma ideia melhor para salvar a garota? A Rafaela e o comparsa dela nos atacaram, sabia?

Dcr passa a mão no rosto, ainda chateado.

DCR: Você percebe a que ponto essa sociedade secreta tá chegando? Daqui a pouco teremos que matar pra fazer justiça?

Marco se levanta e se aproxima de Dcr.

MARCO: Por favor, Danilo! Não se torne o herói chato que tem receio de métodos extracurriculares. (toca em seu ombro) Entramos numa guerra e não é pra perder. 

Em Dcr, indeciso.

CAM busca Valentina esboçando alguma ideia. Logo sai da tela.

FADE OUT

FADE IN

Takes da cidade, muito movimento de carros, pessoas indo e vindo/

CENA 17 REDAÇÃO CARIOCA NEWS [INT. / TARDE]

Dcr se debruça sobre uma mesa onde está Raíza, digitando algo no computador. Lila e Roger por ali.

DCR: Ok, eu já entendi que o nosso clã tá disposto a tudo, mas eu peço que da próxima vez me avisem. Não saem atirando sem falar comigo antes.

RAÍZA: Dependendo não vai dar nem pra avisar...

DCR: Raíza!

LILA: Danilo, depois que a Rafaela atacou, acha que dá pra fazermos a linha “bom moço”? A garota tem um comparsa; o Cipriano tem mais da metade do povo a seu favor; o Josué tem uma legião de fiéis. Tá ficando difícil pra gente.

ROGER: Peraí, gente! O Nilo é um herói e todo herói nunca mata.

RAÍZA: E o vilão nunca morre. Quer mesmo seguir o roteiro?

DCR: Tá bom, chega! O Cipriano tá fazendo o cerco, a Sam tá prestes a morrer e não sabemos se a chantagem contra a Sônia vai funcionar, menos ainda se a nossa reputação vai sair ilesa. (T) Precisamos de um plano B.

RAÍZA: Bom, arma você já sabe usar, né?

Dcr revira os olhos. Roger disfarça o riso.

CENA 18 REDAÇÃO NOVO DIA – ESTACIONAMENTO [INT. / TARDE]

O elevador de portas fechadas. Quando abre, Hans sai de lá, preocupado, dá uma boa olhada.

NÃO HÁ NINGUÉM, SOMENTE CARROS.

Hans caminha, olhando para trás, mas quando olha para frente, SUSTO. Rafaela bem diante dele.

HANS: Que droga, Rafaela! Já não te falei que é arriscado vir até aqui?

Tony surge por trás da pilastra, imponente.

TONY: Tu fala direito com a minha princesa, hen.

HANS: Que isso? Segurança?

RAFAELA: Fica quieto, Hans! Ninguém nos viu entrar. Só vim pra te dar a real: a Raíza não tinha nada com ela. Se eles pretendem salvar a Sam, só se for na base da violência.

HANS: Você podia ter ligado, poxa! O Beto já tá desconfiado.

TONY: Eu posso dar um jeito nele.

HANS: Não vai dar jeito em ninguém! Rafaela, se eles estão armando alguma coisa, eu estarei lá pra gravar tudo. Limpos eles não saem dessa guerra.

Rafaela se mostra impaciente, põe as mãos na cintura, depois coça a cabeça.

RAFAELA: Se a Sam sair viva dessa, eu não respondo por mim, tá ouvindo? Eu to doida pra dar um tiro em alguém, escuta.

TONY: E eu to com ela.

Hans faz a negativa.
CAM busca Beto, escorado na parede, assustado. 

CENA 19 HDM CONSTRUTORA – RECEPÇÃO [INT. / TARDE]

João Batista, todo alinhado de terno preto, procura por alguém, olha para a recepcionista. Esta aponta para algo fora da tela.

João não acredita no que vê. Valentina está sentada num dos bancos e logo se levanta.

JOÃO: Valentina? Quase não acreditei quando te anunciaram.

VALENTINA: Oi, João. Eu sei que é estranho, mas acho que você é a única pessoa que pode me ajudar. 

JOÃO: Sério? Se for pra conquistar o Danilo, esqueça. Eu apenas namoro a prima dele/

VALENTINA (por cima): Não é nada disso! Eu só quero fazer parte do clã.

JOÃO: Oi?

VALENTINA: Oi, tudo bem? Não se faça de desentendido, João! Eu já sei que o Danilo e o Marco têm uma sociedade secreta. Quero saber como funciona, o que eu preciso fazer/

JOÃO (abismado): Peraí, peraí! Clã? Sociedade secreta? Que história é essa?

VALENTINA: Vai me dizer que te deixaram de fora? Justo você o filho daquele diabo do Josué? (em João, pensativo) Eles estão armando algo pra salvar aquela Sam. Sabe-se lá o que mais andam planejando.

JOÃO: Então foi por isso...

VALENTINA: O quê?

JOÃO: Cael me pediu ajuda para salvar a reputação do Danilo, mas ninguém me falou de clã algum. Eu sou tão vítima quanto eles. Como pode?

VALENTINA: Não devem estar achando que somos competentes o suficiente. O que vai fazer?

No olhar suspeito de João.

CENA 20 COFFEE BREAK [EXT. / NOITE]

Marco está saindo, ajeita o paletó e faz um sinal para o motorista.

MARCO: Aproveite a folga, meu querido. Hoje eu vou levar minha noiva para jantar.

JOÃO (O.S): Certeza que só a noiva?

João atravessa a calçada, agitado. Marco faz um sinal para que o motorista se afaste.

MARCO: João! Que prazer revê-lo!

Marco estica a mão, mas João não cumprimenta. Marco estranha.

MARCO: Algum problema?

JOÃO (sarcástico): Nenhum. Só acho que eu deveria te acompanhar. Afinal, por que o filho do diabo não pode fazer parte do clã?

MARCO: O que disse?

JOÃO: Sociedade secreta é mais elegante? Olha, Marco, eu topei ajudar o Cael a salvar a reputação do Danilo, veja bem! Do Danilo! Mas não acho justo me usarem quando bem entendem. É melhor me colocar nesse meio de vocês ou paro por aqui.

Marco espia ao redor, respira fundo, chateado.

MARCO: Melhor a gente ir pra outro lugar. Entra aí.

Marco abre a porta do carro, João entra. Marco bate a porta e faz o contorno. Valentina na entrada do bar, observando.

João, pela janela, faz um sinal de positivo para ela. O carro arranca.

CORTA PARA

CENA 21 APTº 3011 – SALA [INT. / NOITE]

Dcr acaba de abrir a porta e dá com Marco e João.

DCR: João?

JOÃO (sonso): Danilo?

João vai adentrando sem cerimônia. Dcr encara Marco, indignado.

MARCO: Ele descobriu, não sei como.

Cael, Raíza, Lila, Roger e Emerson se entreolham diante de João.

JOÃO: Mas até esse herege aqui? Nada contra, porque quem ataca o meu pai, é digno do meu respeito, mas me deixar de fora por acharem que sou impulsivo? Não existe ninguém mais impulsivo que esse herege e a Raíza.

RAÍZA: João, fui eu que pedi pra não te envolverem. Senão daqui a pouco até a Ana vai tá aqui. E o Dcr não quer isso.

Roger vai até João e o abraça, se fazendo de muito amigo.

ROGER: Mentira, João. Ela só tem medo de perder mais um da família.

JOÃO: Que pretensão! Qualquer um aqui pode morrer, até o herói dos quadrinhos ali (para Dcr, que esboça um riso). Eu posso ser bastante útil, tá? Ou não fui tão convincente na igreja, hen Cael?

Cael suspira, mas concorda com a cabeça.

CAEL: Verdade. Tenho que admitir que o João é um excelente ator.

RAÍZA: Isso eu já sabia.

Ela e João fazem careta um para o outro.

DCR: Ok...Já que você quer fazer parte, que tal nos dar um plano B para salvar a Sam?

JOÃO: Não só dou o plano, como eu mesmo irei executá-lo.

Ninguém entende, ficam na expectativa.

JOÃO: O que acham de tiro ao alvo?

Nas expressões pasmas de cada um, até fechar no semblante sacana de João.

SMASH TO BLACK

FIM DO TERCEIRO ATO


QUARTO ATO

FADE IN

NO FUNDO NEGRO, DOIS TIROS SÃO DISPARADOS.

CENA 22 ESTANDE DE TIRO [INT. / MANHÃ]

Ao longe, entre paredes escuras, uma placa com a figura humanoide é alvo de tiros certeiros. CLOSE na mão masculina usando uma pistola. João Batista se desarma, satisfeito e um homem ao seu lado balança a cabeça em sinal de aprovação. 

FUSÃO PARA

CENA 23 APTº DE RAFAELA – QUARTO [INT. / MANHÃ]

Numa penteadeira contendo algumas maquiagens. Mãos femininas apanham um batom vermelho e leva até a boca. Rafaela, de cabelos amarrados, passa o batom diante do espelho, fricciona os lábios, e sorri. Depois tenta fechar o vestido preto, mas logo Tony surge pelas suas costas e puxa o zíper.

Ambos sorriem, sádicos.

FUSÃO PARA

CENA 24 PRAÇA DA REPÚBLICA [EXT. / MANHÃ]

Alguns curiosos observam algo fora da tela, cochicham entre si; outros filmam, animados. CAM revela o trabalho de policiais em torno do novo cadafalso sendo erguido.

FUSÃO PARA

CENA 25 DELEGACIA – CELA [INT. / MANHÃ]

O carcereiro vai passando pelas celas distribuindo marmita às detentas. Até chegar na vez de Sam, que pega o prato e olha para a cara do carcereiro. 

CARCEREIRO: Aproveite. Sua última refeição.

Sam abaixa a cabeça, vencida.

FUSÃO PARA

CENA 26 IGREJA EVANGÉLICA MÃO DIVINA [INT. / MANHÃ]

Josué, segurando firme um terço, está agachado, diante do púlpito. Sônia, muito pensativa, o observa no canto, enquanto folheia sua bíblia.

FUSÃO PARA

CENA 27 PALÁCIO GUANABARA – GABINETE [INT. / MANHÃ]

Cipriano conversa com Walter coisas as quais não ouvimos. Num PLANO-SEQUÊNCIA, CAM atravessa a parede e revela

NO CORREDOR

Aimée ouvindo tudo, surpresa.

FUSÃO PARA

CENA 28 DELEGACIA - CELA [INT. / MANHÃ]

Sam desviando das colegas de cela, ansiosa. BARULHO DE CHAVES. Sam se assusta. O delegado aparece na porta com dois policiais que vão abrindo a cela.

DELEGADO: Senhorita Samantha, chegou a sua hora.

As detentas cochicham, agitadas. No desespero de Sam.

FADE OUT

FADE IN

CENA 29 PRAÇA DA REPÚBLICA [EXT. / MANHÃ]

Muito movimento em torno do cadafalso. Pessoas tiram fotos, filmam; crianças circulam alegremente; outras se mostram preocupadas; a imprensa em cima.

Uma repórter (30 anos, loira, cabelos curtos e lisos) se posiciona diante da câmera.

REPÓRTER: Estamos aqui na Praça da República onde deverá acontecer mais uma punição, desta vez, contra a igreja. O cadafalso, como vocês podem ver, já foi montado e a polícia foi reforçada para evitar qualquer tipo de transtorno.

Lila, Roger e Raíza passam por trás, apreensivos.

ROGER: Algum sinal da Sônia?

LILA: Nada. Se o plano B tiver que ser executado, Deus que nos perdoe, mas isso aqui vai se transformar num campo de batalha. 

RAÍZA: O João já tá a postos. Acho que de onde ele tá, ele tem uma boa vista daqui.

Raíza disfarça e olha para o alto.

Vista aérea da Praça da República onde é possível ter a dimensão do aglomerado de gente.

CENA 30 PRÉDIO – COBERTURA [EXT. / MANHÃ]

O PONTO DE VISTA é de João Batista. Ele está deitado de bruços, apontando sua pistola na direção do cadafalso. Dcr se rasteja até ele.

DCR: Tudo certo aí?

JOÃO: Treinei por duas semanas, então sim, tá tudo certo por aqui.

DCR: Por que você ainda se arma tanto comigo? Será que já não é hora de baixar a arma, não?

João, mirando sua pistola.

JOÃO: Não dá. To mirando na cabeça do Josué (ri). O diabo não ia nem sentir de onde partiu o golpe.

Dcr se chateia.

DCR: Não fique muito tentado não, porque a Ana prefere você livre e bem vivo.

JOÃO: Sam chegou e nem sinal da beata. O bruxo do Cipriano já começou o discurso. (espia Dcr) O show vai começar.

Em Dcr, na expectativa.

CENA 31 PRAÇA DA REPÚBLICA [EXT. / MANHÃ]

Sam, abatida, está em cima do banco e ao lado de dois policiais. Logo a frente, Cipriano munido de um microfone.

CIPRIANO: Deus sabe como eu gostaria de não estar aqui para punir, e sim, para decretar o fim da punição, porque todos aprenderam a conviver em harmonia.

APLAUSOS E VAIAS SE MISTURAM.

CLOSES alternados entre Raíza, Lila e Roger. Cael está mais afastado. Marco assiste a tudo de seu carro, com cara de deboche para o que o governador acabou de falar. Imediatamente, ele vê Rafaela chegar acompanhada de Tony.

Hans está animado, filmando tudo.

CIPRIANO: Infelizmente, essa cidadã chamada Samantha não quer que o povo tenha harmonia. Pelo contrário, ela veio trazer a desordem. Samantha, qual foi o seu crime?

Sam encara um por um. Pelo seu PONTO DE VISTA, Raíza faz um sinal de positivo, discretamente.

CIPRIANO: Então, senhorita? Qual foi o seu/

SAM (por cima): Ataquei a igreja evangélica Mão Divina.

Na expressão de horror da população.

CIPRIANO: A senhorita sabe que sacrilégio é uma ofensa à igreja e que está imune de perdão?

Sam lhe dá uma olhada irônica.

SAM: E quando foi que o governador perdoou alguém?

As pessoas se entreolham, admiradas por aquele abuso; outros aplaudem Sam.

Cipriano suspira, prepotente.

CIPRIANO: O grupo que atacou a igreja usava roupas com uma mensagem a favor do herói Nilo: “Herói Nilo merece justiça!”. É verdade que se não fosse pelo o herói criado pela jornalista Lila Machado, o ataque não teria acontecido? 

SAM: A história do Danilo não foi criada pela Lila, senhor governador; é real. Não ataquei a igreja por ser fã de um herói fictício; ataquei o lugar onde um assassino profana a palavra de Deus.

Josué encara Sam de onde está e faz o sinal da cruz. Sam ergue a cabeça, firme.

CIPRIANO: Então a senhorita admite ter planejado o ataque com a intenção de matar o nosso pastor?

IMPACTO.

Sam, aflita. Povo se exalta.

[POVO: DESCONJURO! – MERECE MORRER! – MATA LOGO!]

SAM: Eu nunca disse/

CIPRIANO (por cima / para os policiais): Senhores, por favor.

Um policial segura Sam, nitidamente espantada, e o outro coloca a corda em seu pescoço.
Raíza entreolha Lila e Roger, em pânico.
Rafaela ri, excitada.

CORTA PARA

João Batista concentrado em sua mira. Em Dcr, super tenso.

VOLTA PARA

Cipriano, abrindo os braços.

CIPRIANO: Seja feita a vontade de Deus.

VOZ FEMININA: NÃO!

O povo abre espaço e revela Sônia, com a bíblia na mão. 

JOSUÉ: Irmã? O que tá fazendo?

Sônia, ofegante, encara Raíza do outro lado.

SÔNIA: O que é melhor, irmão. (para Cipriano) Senhor Governador, peço, por favor, que não condene essa herege.

Cipriano coloca as mãos nos bolsos do sobretudo, franze a testa, confuso.

CIPRIANO: Senhorita Sônia, essa moça cometeu sacrilégio.

SÔNIA: E pela sua lei, se a vítima perdoa, o condenado tem direito a uma segunda chance. To certa disso? Eu a perdoo.

CIPRIANO: Mas a condenada não pediu perdão/

SAM: Eu peço!

Josué esboça ódio e acaba sendo flagrado por Roger. Na expectativa em cada um dos presentes.

SAM: Eu peço perdão por ter atacado a igreja. Não estava em mim quando fiz aquilo.

SÔNIA: Eu te perdoo, menina. E que nunca mais cometa sacrilégio, nem qualquer ofensa a Deus.

Cipriano suspira profundamente, contrariado.

CIPRIANO: Esse é um exemplo a ser seguido, amigos! Perdoem e se forem perdoados, terão uma segunda chance.

Ele volta-se para os policiais e encara Sam.

CIPRIANO: Soltem-na!

POUCOS APLAUSOS.

Muitas pessoas nitidamente chateadas, inclusive Rafaela, que sai, enfurecida dali. Tony vai atrás. Marco para bem a sua frente.

MARCO: Não curtiu o evento, minha querida?

Rafaela o empurra, Marco sorri de deboche.

CORTA PARA

João, frustrado, assistindo a tudo.

JOÃO: Tanto empenho pra isso? Seria tão perfeito...Um tiro naquela corda e a guerra teria começado. Com sorte, até o Josué seria morto.

Dcr se levanta, achando graça.

DCR: Sem dramas, João. Vamos, antes que alguém nos veja.

João se prepara para se levantar, e nem percebe, escondido por trás de uma parede, um homem todo de preto, com o rosto coberto por uma touca preta, uma arma no coldre e outra na mão.

PLANO GERAL da população se dispersando.

FADE OUT

FIM DO QUARTO ATO


ATO FINAL

FADE IN

CENA 32 PALÁCIO GUANABARA – GABINETE [INT. / TARDE]

Na mão masculina socando um jornal sobre a mesa e um BRADO soa pelo local. Cipriano está revoltado. CLOSE na manchete da Carioca News:

“Irmã de pastor livra condenada de crueldade – Governador se viu obrigado a respeitar a própria lei.”

CIPRIANO: Como aquela Sônia teve a petulância de invadir o meu evento? Como?

Walter e Israel sentados diante dele, sem reação. Cipriano suspira, mais calmo.

CIPRIANO: Eu subestimei os inimigos. Acho que está na hora de impor limites a eles.

ISRAEL: Refere-se à lei que mencionou semanas atrás?

CIPRIANO: Sim, meu caro. Só que para isso, vou precisar de uma ajuda. De uma grande ajuda.

Walter sorri, malicioso, para um Israel, curioso. Em Cipriano, sorrindo, diabólico.

CENA 33 PRÉDIO ONDE MORA RAFAELA [EXT. / TARDE]

Em Rafaela saindo, atendendo um celular, agitada.

RAFAELA: Eu falei pra você, eles armaram pra salvar a garota. Você acha que a Sônia, aquela beata imbecil, ia deixar passar um sacrilégio? Ouvi dizer que até ameaçou a Raíza. Aí tem coisa! (T) Ah, Hans! To vendo que se eu quiser alguma coisa, eu mesma vou ter que agir. Passar mal!

Rafaela desliga, com raiva, e quando vira o rosto. BAQUE. Raíza está ali, séria.

RAFAELA: Maldita! Vai assustar o diabo!

RAÍZA: Assustei você.

RAFAELA: Veio sambar na minha cara, é? Muito cedo pra isso. A Sam não vai escapar da fúria do povo e vai levar todos vocês junto dela.

RAÍZA: É isso que você quer? É pra isso que voltou? Me diz: quanto que você perdeu que justifique sua revolta?

RAFAELA: O Marco me ameaçou, acabou com a minha liberdade, e eu não tive a ajuda dos “velhos amigos” pra acabar com ele. Qual o problema se ele fosse preso pela morte da Ari? O Josué não taí, solto?

RAÍZA: O problema é que se você tivesse dito a verdade antes, meu pai poderia estar vivo.

As duas se encaram, firmes. Rafaela desata a rir.

RAFAELA: Que dramático! Seu pai era imortal, por acaso? Ele ia morrer de qualquer maneira, mas Deus quis que ele fosse esfaqueado/

Raíza lhe dá um TAPA, segura pela sua nuca e bate de contra um carro. O ALARME soa. A testa da vilã sangra.

RAÍZA: O dia de todo mundo chega, Rafaela. O meu pai teve quem chorasse por ele, mas não sei quem ia chorar pela sua.

E Raíza a larga e sai rápido dali.

Tony surge de dentro do prédio e, rapidamente, vai até Rafaela.

TONY: Princesa, o que aconteceu?

A garota alisa a testa e vê sangue em sua mão.

RAFAELA: Nada, ainda. Mas vai acontecer (encara ao léu)...Vai acontecer um inferno na vida de Raíza. O inferno!

Rafaela treme os lábios, de ansiedade. Tony, assustado.

CENA 34 REDAÇÃO CARIOCA NEWS [EXT. / TARDE]

Um carro preto, blindado, acaba de estacionar. A porta da frente abre, o motorista sai, abre a porta de trás e de lá, Aimée desce, munida de uma bolsa e um celular na mão. Do outro lado, um segurança também desce, ficando a postos.

AIMÉE: Me espere dentro do carro, Lucas, pra não chamar mais atenção. Não vou demorar.

Lucas faz que sim. Aimée se dirige à escada, dando uma olhada no celular, distraída. Valentina vem de encontro, percebe a garota e se esbarra propositalmente. O celular de Aimée CAI no chão.

VALENTINA: Oh, me desculpe! (Valentina apanha o celular) Eu...

Pelo seu P.V, o aparelho mostra o perfil de Emerson Martins. Com o dedo, Valentina desliza pelas páginas e vê site de pesquisa sobre Emerson.

Aimée arranca o celular dela, preocupada.

AIMÉE: Obrigada, tenho que ir agora.

VALENTINA: Aimée? A filha do presidente circula sem segurança pela cidade?

AIMÉE: Ah...Você é aquela que nos atendeu na Coffee Break...?

Valentina estende a mão, forçando a simpatia.

VALENTINA: Valentina. Uma amiga de longa data do Danilo.

Aimée cumprimenta, hesitante.

AIMÉE: Não seria a mesma que o atacou no escritório do Marco e que, por isso, o Nilo quase foi morto?

VALENTINA: Lila é uma adorável contadora de histórias, não é? E parece que você também gosta de uma boa história.

AIMÉE: Não sei do que fala, mas preciso ir.

VALENTINA: Danilo não está na redação. E se você quer saber mais da vida desse Emerson, acho melhor buscar novas fontes; a internet não é muito confiável.

Em Aimée, indignada.

AIMÉE: Eu apenas tava vendo o perfil dele, como eu poderia ver o seu.

VALENTINA: Você sondou o Danilo pra saber mais desse cara, não acho que seja uma curiosidade à toa.

AIMÉE: Você ouviu a nossa conversa na Coffee?

VALENTINA: Eu achei estranho, mas depois disso? Imagine se o Emerson descobre que você é uma stalker? (olho no olho) Vai se abrir comigo ou com ele?

Cortes descontínuos entre as duas.

CORTA PARA

Uma rua vazia, até que um carro quebra o silêncio e estaciona a frente do prédio onde mora Dcr.

CENA 35 CARRO DE LILA [INT. / NOITE]

Lila está ao volante, olha para o seu lado, sorriso sacana.

LILA: Os dois estão entregues sãos e salvos. 

DCR: Não gosto de deixar minha moto no estacionamento da redação; sinto que deixei alguém pra trás.

LILA: E você deixou.

Raíza, logo atrás, ri junto de Lila.

LILA: Não ia perder a chance de trazer meu namorado em casa.

Lila e Dcr se beijam na boca. Raíza pigarreia.

RAÍZA: Vocês estão me vendo aqui, né? Espero.

Lila e Dcr se afastam, aos risos.

LILA: Sabe? To feliz. Não cedemos a chantagem do Cipriano e ele não tem como fazer nada contra a gente. (faz um sinal de oração / falsa) Que Deus abençoe a Sônia.

DCR E RAÍZA (em uníssono): Amém!

RAÍZA: Será que a Sam vai se dar bem com a Sônia, agora que ela precisa cumprir os trabalhos comunitários na igreja?

Lila dá de ombros.

LILA: Apesar do que fizemos, acredito que a Sônia foi sincera. Perto do Josué, ela é uma santa.

É quando SÔNIA surge de surpresa na janela, assustando a todos.

SÔNIA: Felizes?

LILA: Sônia?!

SÔNIA: Não comemorem antes do tempo, seus hereges! Eu fui obrigada a ceder, mas não posso obrigar o povo a fazer o mesmo. 

SONOPLASTIA: Suspense

SÔNIA (cont.): A desgraça cairá sobre suas cabeças, ouviram bem? A desgraça cairá sobre suas cabeças! (E acerta um soco na lataria do carro).

Sônia vai embora. Nos olhares temerosos de cada um.

FADE OUT

FIM DO EPISÓDIO


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