0:00 min       RAÍZA 3ª TEMPORADA     SÉRIE
0:30:00 min    


WEBTVPLAY ORIGINAL APRESENTA
RAÍZA 3


Série de
Cristina Ravela

Episódio 12 de 17
"Círculo Fechado pt1"



© 2020, Webtvplay.
Todos os direitos reservados.

 

PRIMEIRO ATO

 

FADE IN

CENA 1 APTº 3011 – SALA [INT. / MANHÃ]

Um diário (já visto na 1ª temporada) é jogado sobre uma mesa diante de Dcr.

DCR: Então isso seria o livro das trevas? (Raíza se senta ao seu lado) O diário que conta as experiências místicas de sua mãe?

RAÍZA: Meu pai acredita que eu poderia aprender muito com ele, e que, eu não devia ter desprezado quando ele me deu da primeira vez.

DCR: E o que aconteceu da primeira vez?

RAÍZA (desconversa): Nada que valha a pena lembrar. Já sabe o que fazer com esse diário?

DCR: O que nós faremos, né? (Raíza disfarça, temerosa) Temos que descobrir por quê o sujeito do capuz preto não apareceu claramente em sua visão.

Dcr abre o diário, folheia, indeciso.

DCR (irônico / cont.): Talvez tenha sido pelo tratamento especial que você recebeu na clínica. Ou o sujeito tem uma energia muito maior evitando ser alvo fácil de suas visões.

E Dcr para numa página que lhe chama atenção.

DCR: Ritual da Verdade? (Raíza dá uma olhada, curiosa) Aqui diz: “O Ritual implica em trazer a Verdade, pois que a Verdade vos libertará; Vos libertará da sombra do mal, da dúvida, do caos interno, e por seguinte, assim espero, salvar a humanidade” (Dcr entreolha Raíza, admirado) “Somente duas pessoas especiais, sendo um deles capaz de retroceder o tempo, poderão praticar o Ritual”.

RAÍZA(lendo): “Para começar, mantenham-se de pé...”

Dcr e Raíza se levantam e ficam cara a cara.

DCR (lendo): “Segure firmemente na mão de seu amigo (Dcr segura na mão de Raíza) e pensem no que vocês mais desejam descobrir”.

Dcr olha para Raíza e ambos fazem sinal positivo. Dcr estende o diário para ambos lerem.

DCR (lendo): “Por ela vivo”.

RAÍZA (lendo): “Por ele morro”

DCR (lendo): “Foi por amor que eu ganhei a guerra”

RAÍZA (lendo): “Foi por ódio que eu perdi a batalha”

DCR (lendo): “O fogo que consumiu tantas vidas”

RAÍZA (lendo): ”Há de ser a luz no caminho das trevas”

DCR e RAÍZA: “Que nós trilhamos juntos”

Os dois se encaram, Dcr olha adiante sem entender.

DCR: Será que faltou alguma coisa?

Nesse instante, OUVIMOS um som estridente de flauta, cada um põe a mão na cabeça gritando de dor. Até que desmaiam e somem da tela. O vento assopra no local e a CAM lentamente busca o diário onde as páginas folheiam rapidamente. Quando a CAM avança nas páginas...

FADE TO BLACK

Ouvimos alguém tocar Vinci - Sonata for Flute No1

FADE IN

= = FLASHBACK  = =

CENA 2 RUA DA CIDADE [MANHÃ]

Legenda: Londres, Julho de 1765

Carruagens passam pelo local, pessoas com roupas típicas da época caminham tranquilas.

VOZ MASCULINA (O.S): Você realmente acredita em magia negra, amigo?

Dcr aparece a frente da CAM com uma expressão fechada, porém simpático, carregando uma mala.

GEORGE/DCR: Ninguém pode voltar à vida depois que morre, amigo Erom. A não ser que aceite Jesus de todo o coração.

EROM: Pois eu tenho cá minhas dúvidas, senhor Everett (ambos riem). Não se lembra de Neithan Lennox? Foi morto num duelo e ressuscitou dentro do caixão. Dizem que ele recebeu a visita de um estranho de capuz preto.

GEORGE/DCR: Eu acho que fazer parte dessa sociedade que se diz mágica não anda lhe fazendo bem. Ou você pretende morrer agora e voltar pra puxar o meu pé?

Risos.
George observa um grupo de pessoas ao longe diante de uma jovem que toca na flauta a música que ouvimos. A jovem tem cabelos pretos e trajes simples, incluindo um xale vermelho.

GEORGE/DCR: Quem é?

EROM: Creio que você já deve ter ouvido falar dela. Elisabeth Prescott. Ela também faz parte da Midas, e dizem ter o dom da cura.

GEORGE/DCR: (estupefato) Ela é uma bruxa, Erom? O que o padre Lewis acha disso? E as autoridades? O que têm feito para bani-la?

EROM: E fazer o quê? O líder da Midas é o novo rei, e há quem diga que o Primeiro Lord do Tesouro, Mr. Gouverth, nutre uma paixão por ela.

GEORGE/DCR: O irmão do padre?

Erom faz que sim. Em George admirado. Os dois dão as costas em direção à moça.

= = Music Off = =

CORTE DESCONTÍNUO PARA

Elisabeth/Raíza que de olhos fechados, toca a mão de uma criança. Logo ela abre os olhos e sorri.

ELISABETH/RAÍZA: Pode ir. A tua fé lhe salvou.

George passa a frente de uma senhora e estende a mão para a garota.

GEORGE/DCR: Eu estou absorto com tamanha desfaçatez. (irônico) A senhorita consegue me curar?

Elisabeth o encara de soslaio e, em seguida, olha para Erom, que disfarça. Elisabeth segura na mão de George.

ELISABETH/RAÍZA: E o que o senhor chama de desfaçatez?

GEORGE/DCR: A senhorita achar que cura alguém em nome de Deus.

ELISABETH/RAÍZA (sarcástica): Se eu não usar a palavra de Deus, amanhã estarei em praça pública sendo enforcada como bruxa.

George solta sua mão dela, irritado.

GEORGE/DCR: Sua herege!

George sai batido, todos se espantam, alguns comentam curiosos.

EROM: Você devia ter mais cuidado com as palavras, Elisabeth. George Everett é um teólogo com bastante influência na igreja Católica. E como deu pra perceber, ele não aceita o fim da inquisição.

ELISABETH/RAÍZA: (preocupada) E você acha que ele tem mais poder que o rei, amigo Erom?

EROM: Depende dos interesses da Sua Majestade, você devia saber disso. E quando George aponta um herege, a igreja entrega a vítima às autoridades. Por enquanto ele pensa que você está protegida pelo rei, mas deixa ele descobrir que o senhor Banks não morre de amores pela senhorita.

ELISABETH/RAÍZA (pensativa): Acho que vai ser bom fazer um novo amigo; Você ainda está entre nós, não é?

Erom sorri sagaz e Elisabeth volta a tocar sua flauta.

CENA 3 IGREJA CATÓLICA [INT. / MANHÃ]

Uma imensa cruz onde está pregado Jesus Cristo, ao lado de um grande candelabro. CAM desce e George, de costas, se ajoelha diante do altar, fazendo o sinal da cruz. JOSUÉ, de batina preta, surge pela esquerda demonstrando grande alegria.

JOSUÉ: George! Eu estava ansioso por sua volta.

GEORGE/DCR: (sorri) Eu também, padre Lewis. (Ele segura sua mão respeitosamente) Sua benção, padre.

LEWIS/JOSUÉ: Deus te abençoe, meu filho. Fez boa viagem?

GEORGE/DCR: Considerando que eu passei mais tempo no navio do que estudando, acho que sim.

Ambos riem. O padre se senta no banco e George faz o mesmo.

GEORGE/DCR: Por aqui as coisas não devem andar bem, não é?

LEWIS/JOSUÉ: Por que diz isso?

GEORGE/DCR: Como é possível que uma herege trabalhe na frente da igreja e ninguém toma providências?

LEWIS/JOSUÉ: Infelizmente, essa moça é protegida do rei Oliver II, que vem contribuindo pelo progresso da igreja. Na verdade, boa parte do que somos, devemos a ele.

Em George, petrificado.

GEORGE/DCR: Mas isso é um absurdo! O rei Oliver Primeiro deve estar revirando-se no túmulo com isso. Esse rei está comprando a igreja em favor dos hereges!

LEWIS/JOSUÉ: (sempre amável) Eu sei disso, mas com o fim da Inquisição se aproximando, não podemos impedir que as pessoas favoreçam à igreja, mesmo que essa seja a maneira deles de impor as suas crenças malditas. Agora que você será pastor terá que lidar com os novos tempos, mas não quer dizer que deixaremos de punir quem merece a punição.

GEORGE/DCR: Não sei. A igreja está sendo forçada a acelerar as mortes dos presos, antes que eles ganhem o direito à liberdade. Esse Oliver Banks é líder de uma seita, de uma sociedade mágica, aos poucos vai ganhando respeito bem mais do que nós.

LEWIS/JOSUÉ: Não se desespere, meu filho. Ninguém vive para sempre, e a hora do juízo final para ele chegará. Deus é justo. Confie Nele.

Lewis sorri, simpático. George suspira, mais confiante.

CENA 4 QUARTO - IGREJA CATÓLICA [INT. / MANHÃ]

O quarto tem apenas duas camas, mesa de cabeceira; na parede, entre as duas camas, há um castiçal com uma vela e a imagem de Cristo pregada acima de ambas delas e envolvidas por um terço. George coloca sua mala sobre a cama, desfaz a mala e procura por alguma coisa. Até que sua mão apanha uma pintura onde ele aparece ao lado de uma moça vestida com roupas simples. É a imagem da Ari.

VOZ MASCULINA #3 (O.S): Os bons sempre retornam.

George esconde a pintura dentre as roupas e vê JOÃO BATISTA adentrando o quarto.

GEORGE/DCR: Blake!

Blake/João abre os braços sorrindo e os dois se abraçam.

GEORGE/DCR: De todos, você foi o único que mais me fez falta em minha viagem.

BLAKE/JOÃO: Depois do padre, da igreja e dos seus estudos, acho que realmente sobra uma vaga pro seu irmão aqui.

Ambos riem.

BLAKE/JOÃO: E a viagem? Proveitosa?

GEORGE/DCR: Magnânima, querido irmão, mas saiba que eu não esqueci do seu pedido.

Blake faz que não entende, George apanha de dentro da mala uma pequena caixa de madeira comprida e entrega a Blake.

BLAKE/JOÃO: Você e suas surpresas.

Blake abre a caixa e, admirado, pega uma luneta.

GEORGE/DCR: E então?

Blake abraça George, feliz da vida.

BLAKE/JOÃO: Você sabe mesmo agradar o seu irmão, não é?

GEORGE/DCR: Agora você poderá ver as três Marias de pertinho.

BLAKE/JOÃO: Como você é engraçado, irmão George. (George ri) Também quero te dar um presente.

GEORGE/DCR: Uma passagem de volta à França?

Ambos riem, demonstrando serem muito ligados.

BLAKE/JOÃO: Não, eu odiaria mais um dia de despedida. Padre Lewis não economiza no sermão, você sabe (risos). É que eu achei que você ia gostar de saber que aquela bruxa Bridget Foley se casou com o rei Oliver Segundo.

George vai desfazendo o sorriso, frustrado.

GEORGE/DCR: Bridget Foley?

BLAKE/JOÃO: Você acredita que ela salvou a vida dele quando, segundo disseram, ele foi vítima de um atentado promovido pela sociedade secreta Círculo Fechado? (desdém) Agora a senhora Foley é rainha.

George, pensativo, caminha pelo quarto, enquanto Blake admira sua luneta.

GEORGE/DCR: Parece que ela encontrou uma forma de permanecer viva.

BLAKE/JOÃO: E você também. Aquela herege ia acabar te levando para o mau caminho. (os dois se encaram) Os dois anos de mestrado na França foi a sua salvação, querido irmão. (Blake dá um tapinha em seu ombro) Obrigado pelo presente. Vou mostrar para o padre.

George nada diz e assim que Blake atravessa a porta, George vai até a sua mala, apanha aquela pintura e olha para a imagem dele ao lado de Ari. A pintura é virada do avesso onde há uma dedicatória em inglês.

Forever by your side (para sempre ao seu lado) – Bridget Foley.”

No olhar marcante de George.

GEORGE/DCR (V.O): A palavra de Deus não pode ser difundida entre povos que renegam a fé perante a Igreja.

Emenda áudio com a cena seguinte.

George, em trajes brancos de pastor, prega a palavra de Deus no altar ao lado do padre Lewis e de Blake.

CENA 5 IGREJA CATÓLICA - CONTINUAÇÃO [INT. / NOITE]

CAM vai se afastando de George à medida que ele fala.

GEORGE/DCR: Esses povos hereges anseiam induzir erroneamente outros povos e empobrecer as Escrituras Sagradas com as suas falsas verdades. E onde estará a verdade?

A Igreja está lotada. No canto à direita, há uma pessoa de costas, com véu branco sobre o rosto. Em outro ponto, há um sujeito de capuz preto.

GEORGE/DCR (cont.): A Verdade, vos digo, (George mostra a bíblia) está aqui na Bíblia e no Senhor Jesus. Pois que a Verdade vos libertará de todos os seus pecados e limpará a cidade de toda e qualquer heresia.

VOZ MASCULINA #2 (O.S): EU SOU A VERDADE!

A voz soa familiar, todos olham para trás e veem o sujeito de capuz preto sem revelar seu rosto.

HOMEM #1: E eu libertarei a cidade dos seus pecados, seus hipócritas!

A tal mulher de véu branco é Elisabeth que discretamente assopra um apito.
As portas da igreja são escancaradas e várias pessoas de capuz preto invadem segurando tochas de fogo. Os fiéis gritam e tentam correr.

Rapidamente no rosto de George, atônito, que nem vê o padre correndo para trás do altar.
Os sujeitos do capuz preto ameaçam os fiéis com tochas, causam alvoroço, quebram cadeiras, empurram as pessoas.

GEORGE/DCR: (com a bíblia na mão) POR FAVOR! VOCÊS ESTÃO AGREDINDO A CASA DE DEUS!

Um agressor arremessa a tocha na direção de George, Blake salta para a esquerda e George se agacha. A tocha atinge um castiçal e causa um pequeno incêndio, sua chama queima o braço de George que urra de dor.

BLAKE/JOÃO (preocupado): George!

Um dos homens encapuzados segura no braço de Elisabeth.

HOMEM #1 (murmura): O padre foi para os fundos. Ache-o!

Elisabeth se embrenha entre as pessoas,
George ainda luta contra um dos encapuzados, arranca sua tocha e o atinge, jogando-o no chão.

Elisabeth atravessa a frente do altar quando ouvimos um grito masculino.
Elisabeth olha para trás, assustada. Um do grupo arremessa a tocha para o alto. George olha para o candelabro que despenca, mas rapidamente, George salta do altar e agarra a herege. O candelabro atinge o chão causando um enorme estrondo.
Elisabeth está suspensa pelos braços de George, que a encara, surpreso.

ELISABETH/RAÍZA: O senhor salvou a minha vida!

Na expressão confusa de George.

A tela se fecha



CÍRCULO FECHADO PT1



SEGUNDO ATO

FADE IN

CENA 6 IGREJA - QUARTO [INT. / NOITE]

Não ouvimos mais o som da algazarra. George está deitado na cama com queimaduras no braço. Elisabeth surge envolvendo o braço dele no seu véu branco. Em seguida, paira a mão sobre o seu braço como a fazer um passe.

GEORGE/DCR: O que a senhorita está fazendo?

ELISABETH/RAÍZA: Retribuindo a sua ajuda.

George se irrita e solta o braço dela.

GEORGE/DCR: Aqui é a Casa de Deus. Não tente me ludibriar com a sua charlatanice.

ELISABETH/RAÍZA: Deus não tem uma só casa, senhor George, assim como os hereges não estão todos do lado de fora.

GEORGE/DCR: O que quer dizer com isso?

Blake já entra esbaforido.

BLAKE/JOÃO: Eles foram embora, meu irmão/

Blake encara Elisabeth estarrecido. Elisabeth se levanta, temerosa.

BLAKE/JOÃO: O que essa mulher faz aqui? Ela estava com eles, George!

ELISABETH/RAÍZA: Pensei que quisesse saber como está o seu irmão.

BLAKE/JOÃO: Não tente me distrair, sua herege!

Os dois ficam cara a cara, e Blake vacila o olhar por instantes.

GEORGE/DCR: Creio que a senhorita já esteja de saída. Obrigado pela ajuda.

ELISABETH/RAÍZA: (encarando Blake) Eu que agradeço por ter salvado a minha vida, senhor George. (Ela olha para George) Por isso, o senhor jamais será morto pela espada em tempo algum.

E Elisabeth sai deixando Blake nitidamente sem jeito e George sem entender.
Assim que ela sai, Blake se mostra com raiva.

BLAKE/JOÃO: O padre não vai gostar nada de saber que você encobriu uma bruxa, George.

GEORGE/DCR: Calma, Blake, ela ainda pode ter salvação. Mas se for verdade que ela fez parte do grupo, a entregarei às autoridades.

No olhar de George, sem confiança no que disse.

Vista aérea da cidade à noite / Corta

Uma mansão branca, com detalhes dourados, inclusive pilastras na varanda / Corta

CENA 7 MANSÃO - SALA [INT. / NOITE]

O corte é feito diretamente na foto de George iluminado por velas. Acima, reconhecemos a cruz que está cravada no pulso de Raíza. Elisabeth está ajoelhada diante da imagem e com as mãos cruzadas, rezando. De repente, um vento assopra forte no local, mas as velas não se apagam. Elisabeth olha para trás e vê um sujeito de capuz preto.

SUJEITO #1: (voz familiar) Soube que você desempenhou muito bem o seu papel (CAM se aproxima de seu rosto). Mas ninguém foi tão magnífico quanto George Everett.

E o sujeito retira o capuz revelando ser CIPRIANO. Elisabeth se levanta, com um olhar macabro. A sala é toda branca, com tochas acesas nos quatro pontos do cenário.

ELISABETH/RAÍZA: Eu não estava desempenhando o meu papel quando quase fui atingida, senhor/

Cipriano caminha com as mãos voltadas para trás.

CIPRIANO: (corta) Você teve sorte de ser salva por George. A Providência Divina nunca falha mesmo.

ELISABETH/RAÍZA: O senhor está dizendo que a minha quase morte fazia parte do plano?

CIPRIANO: E você foi brilhante! O caos foi instalado e você passará para uma nova fase.

ELISABETH/RAÍZA: Que fase?! O senhor está brincando com a minha vida! O senhor nunca disse que seria assim.

Cipriano a encara, de forma medonha.

CIPRIANO: Eu nunca te perguntei se você queria entrar para o grupo, Elisabeth. Foi você quem assim quis no dia em que me desafiou.

No olhar de raiva de Elisabeth.

FUSÃO PARA

= = FLASHBACK – VILAREJO DE CHARING CROSS [MANHÃ] = =

Elisabeth acaba de dar um passe numa criança, quando Cipriano, bem vestido, se aproxima e dá a mão.

CIPRIANO: Estou com muitas dores de cabeça, senhorita, será que poderia me curar?

Elisabeth o olha de cima a baixo, Cipriano tem postura de gente da alta sociedade, e aparentemente agradável. Elisabeth segura sua mão, fecha os olhos, mas logo abre, olhando-o sagaz.

ELISABETH/RAÍZA (mente): Sinto dizer, senhor, mas não é o seu corpo que precisa de cura, e sim, a sua alma.

Cipriano finge surpresa.

CIPRIANO: Oh! E o que me sugere?

ELISABETH/RAÍZA: Um trabalho de energização, senhor, pois que a morte é certa, caso nada seja feito.

CIPRIANO (sarcástico): E por quanto ficaria a minha salvação?

ELISABETH/RAÍZA: Prometo lhe fazer um preço razoável.

Cipriano põe as mãos por dentro do paletó, olha adiante, não vê ninguém por perto, pensa um pouco. Até que ele retira uma moeda grande dourada e entrega a Elisabeth. Pelo seu PONTO DE VISTA, a moeda tem uma inscrição.

ELISABETH/RAÍZA: (lendo) “Vida longa aos que nos seguem” (a moeda é virada do avesso) “S.M Toque de Midas”.

CIPRIANO: É uma sociedade mágica criada pelo príncipe Oliver Banks. Em breve, nossa sociedade. Minha e sua, senhorita Prescott.

A moça o encara de soslaio, descrente.

ELISABETH/RAÍZA: Sei...E isso vale quanto?

Cipriano ri, simpático.

CIPRIANO: A sua liberdade, querida. (ele estende a mão) Deixa eu me apresentar. Meu nome é Cipriano Zacarta (Elisabeth não cumprimenta) e eu tenho certeza de que você ganharia bem mais enganando as pessoas na cidade.

No olhar de temor de Elisabeth.

FUSÃO PARA

Elisabeth sendo carregada à força por autoridades que a arrastam pelas RUAS.

CIPRIANO (V.O): Você não me ouviu, Elisabeth, então eu tive que agir de outra forma. Apesar de já ter sido expulso da côrte por prática de magia negra, Oliver Banks me aceitou em sua sociedade e perdoou meus atos.

CORTA PARA

A porta de uma cela sendo fechada e Elisabeth segura nas grades, medrosa.

CIPRIANO (V.O): Ele faria o mesmo por você.

FADE TO BLACK

FADE IN

CENA 8 CELA [EXT. / MANHÃ]

Elisabeth acordando em sua cela, a porta é aberta e Elisabeth se vê diante de um homem bem vestido. CAM vai dos pés à cabeça revelando ser CAEL.

DELEGADO: As autoridades pedem desculpas por sua prisão, senhorita Prescott. Não sabíamos que era parente do príncipe Oliver.

BANKS/CAEL: Vamos, Elisabeth! Você está livre.

Cipriano surge, sorrateiro. Elisabeth se assusta com aquela figura novamente.

CIPRIANO: Nosso príncipe sempre intervindo na hora certa. Vai ser um prazer recebê-la na Midas...(olho no olho) senhorita Prescott.

Na expressão de raiva em Elisabeth.

FUSÃO PARA

= = FIM DO FLASHBACK = =

Elisabeth amargando a lembrança.

CIPRIANO: Se isso te serve de consolo, você não ia durar muito tempo ali. Hoje você seria vítima do magnífico e cruel George Everett.

ELISABETH/RAÍZA: Isso já faz 1 ano, senhor. A sociedade ainda não é nossa, como prometeu.

CIPRIANO: Talvez, tenha chegado a hora.

Fecha em Cipriano, mantendo o suspense.

Vista aérea da cidade e da igreja / Corta

CENA 9 PRISÃO [EXT. / MANHÃ]

Muita movimentação no local. As celas ficam dispostas lado a lado num pátio todo de terra, cercado por guardas.

George vem acompanhado de um guarda até uma cela, onde está Erom.

EROM: George! Você veio me tirar daqui?

O guarda se afasta, George observa.

GEORGE/DCR: Você disse que a sociedade Toque de Midas era diferente, Erom. Mas por quê você liderou a invasão à igreja?

Erom, confuso, abaixa a cabeça.

GEORGE/DCR: Você achou que eu não fosse reconhecer a sua voz me chamando de hipócrita?

EROM: Foi você que me denunciou? Você disse que era meu amigo, George!

GEORGE/DCR: E só por isso estou aqui, caro amigo. Se queres a liberdade, entregue o nome do seu líder e eu poderei livrá-lo de qualquer acusação.

EROM: Eu estarei morto, George, de um jeito ou de outro. Eles não perdoam uma traição.

GEORGE/DCR: Então essa é a filosofia da Midas?

EROM (mente): Não. Essa é a filosofia da sociedade secreta Círculo Fechado (baque em George). Por favor, George, eu apenas entrei na Midas por curiosidade, mas um dos membros me colocou na Círculo Fechado quando descobriu que eu sou um excelente químico. Eu preciso da sua ajuda.

Em George, atônito.

CENA 10 IGREJA [INT. / MANHÃ]

O cenário é deplorável; cadeiras quebradas, imagens sacras queimadas, púlpito arrebentado. Homens trabalham na reforma, Padre Lewis surge na direção do altar e olha para alguém fora da tela.

LEWIS/JOSUÉ: Majestades! Que honra recebê-los em minha humilde igreja.

CAEL, com roupas viçosas de um rei, está de braços dados com ARI, muito bonita, de vestido em tons claros, chique, um chapéu grande no estilo da época.

CAEL: (sorri) Não me tornei rei para ficar sentado no trono, padre Lewis.

LEWIS/JOSUÉ: Vossa humildade será exemplo para toda a nação, Rei Oliver Banks.

BANKS/CAEL: Amém! Soube do ocorrido, padre, disseram que foi um atentado.

LEWIS/JOSUÉ: Infelizmente, Majestade, acho que foi uma recepção de boas vindas a George Everett, o nosso novo pastor. (em Bridget, corada) Fico feliz que o senhor e a sua senhora não presenciaram tal ato.

BRIDGET/ARI: O senhor Everett já voltou de viagem? Pensei que ele ficaria na França a fim de lecionar.

LEWIS/PADRE: George é o bom moço que à boa casa torna. Tenho certeza que ele será um ótimo pastor.

VOZ MASCULINA #3: Bang! Bang!

Todos olham MARCO, trajando roupas da alta sociedade e da época, chegar acompanhado de dois homens tão bem alinhados quanto ele.

MARCO (irônico): Vossa Majestade é um homem morto, Oliver Banks! Nunca dê as costas para mim.

LEWIS/JOSUÉ: Por favor, meu irmão, isso não é coisa que se diga.

BANKS/CAEL: Eu tenho certeza de que o nosso Primeiro Lord do Tesouro, Benjamin Gouverth, está apenas brincando, seu padre (sorri, cínico). Ele não atiraria pelas costas, não é?

BENJAMIN/MARCO (sonso): Claro, meu amigo mais querido.

Benjamin sorri, pega na mão de Bridget e a beija, respeitosamente.

BENJAMIN/MARCO: Rainha Banks...

Bridget sorri, incomodada.
Benjamin estende a mão e cumprimenta Banks.

BENJAMIN/MARCO: Parece que houve uma revolução aqui, irmão Lewis. Mortos e feridos?

LEWIS/JOSUÉ: Com a graça de Deus, ninguém se machucou gravemente...

BENJAMIN/MARCO (mão no peito / irônico): Ah, fico mais aliviado.

LEWIS/JOSUÉ: A não ser pelo George que se feriu no atentado.

BRIDGET/ARI (preocupada): Ele está bem?

Banks a lança um olhar de recriminação. Benjamin sorri de deboche.

LEWIS/JOSUÉ: Sim, George é um herói, e mesmo ferido salvou a vida daquela moça, (olhando para Benjamin) a senhorita Elisabeth Prescott.

Benjamin esboça interesse, meio sem jeito, ajeita a gola da camisa.

BENJAMIN/MARCO: Faço votos para que o seu pastor se recupere, Lewis. Admiro os fortes e corajosos.

BANKS/CAEL: A polícia já tem algum suspeito?

LEWIS/JOSUÉ: Nós acreditamos que foi obra da sociedade secreta Círculo Fechado, devido às marcas nas paredes de um círculo, mas nada concreto.

Benjamin observa, sem entender.

BENJAMIN/MARCO: Creio que eu já tomei muito do tempo dos senhores. Se me permite...? (Benjamin faz um gesto de despedida)

LEWIS/JOSUÉ: Que Deus lhe acompanhe, meu irmão.

Benjamin sai de cena junto dos dois homens que o acompanham.
George surge à extrema esquerda, Bridget o encara, admirada.

CENA 11 IGREJA [EXT. / MANHÃ]

Ouvimos uma música tocada em flauta. Benjamin está prestes a entrar em sua carruagem, ao lado de outras da realeza, quando avista Elisabeth tocando seu instrumento.

CORTE DESCONTÍNUO

Benjamin se aproxima da moça, que para de tocar a flauta.

BENJAMIN/MARCO (sedutor): Soube que em 48 horas haverá o enforcamento de Mary Mitchell, acusada de seduzir homens da alta côrte através da magia negra. Não tens medo de ser pega, senhorita Prescott?

ELISABETH/RAÍZA: O senhor me ofende com essa pergunta, senhor Gouverth. Eu não seduzo homens, apenas toco a minha flauta.

BENJAMIN/MARCO: Perdoe o meu atrevimento. Acho que posso me retratar com a senhorita. Às oito, em minha casa. Não me deixe esperando.

Elisabeth o vê partir, desconfiada.

CENA 12 IGREJA - SACRISTIA [INT. / MANHÃ]

George agarra Bridget e a prensa de contra a parede, apaixonado.

BRIDGET/ARI (murmurando): Eu não posso demorar, George. Meu esposo deve ser breve com o padre.

GEORGE/DCR: Eu esperava bem mais do que ouvir isso.

E George a beija intensamente, sendo bem correspondido. Em seguida, ele se afasta e passa a mão no rosto, meio arredio, os dois ofegantes.

GEORGE/DCR: Estou desonrando a igreja, Bridget. Agora a senhora é uma mulher casada.

BRIDGET/ARI: Não com você, não é George? Você jamais se casaria com uma herege.

GEORGE/DCR: As coisas teriam sido mais fáceis se a senhora tivesse superado essa barreira entre nós dois.

BRIDGET/ARI: A única barreira que existe é você mesmo. Você acha que eu teria sobrevivido nesses dois anos, enquanto você aperfeiçoava sua estratégia em caçar inocentes?

GEORGE/DCR: Não são inocentes os que proferem contra a Igreja Católica!

BRIDGET/ARI (suspira): Oliver Banks agora é rei e, como novo rei, a inquisição acabará e você irá amargar o resto dos dias por me ver como rainha da Inglaterra, e você, um mero discípulo fiel de uma igreja derrotada.

Bridget sai enfurecida, George ainda tenta alcançá-la, arrependido, mas ela some da tela.

Vista aérea da Mansão Midas / Corta

CENA 13 MANSÃO MIDAS – SALA [INT. / NOITE]

Tela preta.
A luz da chama ilumina a face de Elisabeth, que acaba de acender uma tocha. Elisabeth, com um capuz branco, olha para o centro da sala onde outras pessoas, de capuz branco, estão sentadas no chão. Outro sujeito com a mesma vestimenta aparece de pé, e logo retira seu capuz, revelando ser Oliver Banks.

BANKS/CAEL: Estamos a um passo de conquistar a paz que almejamos. Como novo Rei, desejo que todos sejam livres para fazer suas escolhas, e isso só será possível com o fim da Inquisição.

CIPRIANO (falso): Todos nós ficamos tristes com o assassinato de seu pai, senhor Oliver, mas acreditamos que Deus está trazendo a renovação para o nosso país. Com a sua ajuda, muitos que estão aqui quase foram decapitados ou enforcados em praça pública, como a senhorita Prescott.

Elisabeth lhe dá uma olhada seca, concordando à força. Bridget observa, amuada.

BANKS/CAEL: Mas a única coisa que peço é que deem o melhor de si. Infelizmente, Erom Garcia está preso por liderar a invasão à igreja. Rumores de que ele estava participando ativamente da Círculo Fechado me obrigam a deixá-lo pagar por infringir nossas regras.

ELISABETH/RAÍZA: Justo o senhor, tão generoso, não dará uma segunda chance a ele?

BANKS/CAEL: Quem trai a nossa ordem com uma sociedade que é contra a monarquia, não merece segunda chance. Isso vale para a senhorita também.

Elisabeth quase o fulmina no olhar.

ELISABETH/RAÍZA: E se essa sociedade fosse a favor da monarquia? Erom estaria conosco agora?

Clima.

BANKS/CAEL: A senhorita está defendendo o seu amigo, ou a ordem rival?

BRIDGET/ARI: Por favor, acalmem-se! Eu tenho certeza que ela não falou por mal, meu esposo.

BANKS/CAEL (imponente): Deixa que ela diga. Gosto de saber a opinião dos membros. (ameaça) Talvez ela queira se juntar a Erom e ficar longe da minha proteção.

Elisabeth se levanta, enfurecida.

ELISABETH/RAÍZA: Depois de morto, o senhor acha que vai proteger quem?

Susto nos demais. Bridget e Cipriano se levantam, surpresos.

CIPRIANO: O que a senhorita está dizendo?

Banks segura no braço de uma Elisabeth acuada.

BANKS/CAEL: A senhorita está me ameaçando?

ELISABETH/RAÍZA: Eu não sou Deus, Majestade. Mas vejo claramente a sua morte e a inquisição muito longe do fim.

BRIDGET/ARI: Por favor, Elisa...Isso não pode ser verdade.

BANKS/CAEL: Eu já lhe avisei que não tolero falsas previsões!

ELISABETH/RAÍZA: Então pague pra ver! O senhor está mesmo preparado para ser rei? Para enfrentar a pressão do povo que é contra a todos nós? Ou a Midas é fachada para reunir o maior número de hereges e depois nos entregar?

BANKS/CAEL: A senhorita enlouqueceu?(T) Fora daqui, agora!

BRIDGET/ARI: Por favor, Oliver! Ela falou sem pensar.

BANKS/CAEL: (compassado) Fo-ra da-qui!

Elisabeth nada diz, encara Cipriano que devolve um olhar macabro.
E ela, quase chorando, sai correndo.
Banks suspira, chateado, segura Cipriano pelo braço, discretamente.

BANKS/CAEL: Fique de olho nela.

CIPRIANO: Sim, senhor.

Em Banks, mais seguro.

CENA 14 MANSÃO MIDAS [EXT. / NOITE]

Elisabeth chega na varanda chorando, mescla raiva e medo. Bridget toca seu ombro, mas Elisabeth desvia, com raiva. Cipriano chegando ali.

CIPRIANO: Não se preocupe. Você não ficará desamparada.

ELISABETH/RAÍZA: Pro inferno o seu amparo!(T) Oliver Banks era a única pessoa que me estendeu a mão de coração.

Cipriano sorri.

CIPRIANO: E era justamente isso que impedia Benjamin Gouverth de dar a Oliver o mesmo fim que deu ao pai dele, o rei Oliver Primeiro.

BRIDGET/ARI: Oliver Primeiro teve o que merecia por incentivar a inquisição. Ninguém de bem sentirá a sua falta.

ELISABETH/RAÍZA: Benjamin e Oliver podem estar em lados opostos, mas pensam igual. Benjamin jamais o mataria por minha culpa.

Cipriano se aproxima do rosto de Elisabeth, ameaçador.

CIPRIANO: Já ouviu falar em crime de honra, senhorita Prescott?

Raiva em Elisabeth que desfere um TAPA em Cipriano. Susto em Bridget.
Cipriano segura Elisabeth com força.

CIPRIANO: Eu só não mando decapitarem-na, porque a senhorita foi brilhante mais uma vez. A sua encenação mereceria um brinde. (a solta rispidamente) Agora vai! O senhor Gouverth não gosta que lhe deixem esperando.

Elisabeth sai furiosa.
Cipriano chega perto de Bridget, sorrateiro, põe a mão por dentro do capuz branco e retira uma poção transparente.

CIPRIANO: Preparada para ser minha rainha?

BRIDGET/ARI: Senhor...Oliver é um homem bom/

CIPRIANO: Eu também sou um homem bom, rainha Bridget. Eu poderia matar a senhora e o seu amante George – O Magnífico.

Cipriano sorri e coloca a poção à força na mão de Bridget.

CIPRIANO: Ansioso para subir ao trono, minha querida.

E ele deixa a varanda. Em Bridget, aflita.

FADE TO BLACK

 

TERCEIRO ATO

 

FADE IN

CENA 15 FACHADA - MANSÃO GOUVERTH [NOITE]

A mansão toda de pedra, estilo medieval, tochas acesas nos dois pontos da entrada e um chafariz com a estátua de uma mulher.

Corta para o INTERIOR da Mansão

Benjamin Gouverth se vira em sua cadeira preta, todo elegante, exibindo um anel de pedra azul.

BENJAMIN/MARCO: Pontualidade inglesa, senhorita Prescott.

Elisabeth, com seu xale vermelho sobre o vestido branco chega ali.

ELISABETH/RAÍZA: Hoje não teremos reunião da Círculo Fechado, senhor Gouverth?

Benjamin se levanta, olhar sedutor, vai se aproximando da moça.

BENJAMIN/MARCO: Não. Dispensei todos os outros membros, porque precisava apenas de um deles hoje.

Elisabeth tenta se afastar, mas Benjamin segura em sua mão, muito cavalheiro.

BENJAMIN/MARCO: Por que afasta-se de mim, senhorita? Se lhe quero tão bem? Não gostas de mim?

ELISABETH/RAÍZA: Não me sinto bem entre duas sociedades rivais. O Rei foi bom comigo, mas nós dois sabemos que não é fácil se desligar de uma sociedade.

BENJAMIN/MARCO: Eu não lhe obrigo a ficar nessa sociedade. Eu só não quero que saia da minha vida (em Elisabeth corada). Desde o dia em que a vi tocando flauta, que eu não consigo pensar em mais nada. Sou capaz de pedir a sua mão ao Rei, se assim desejares.

Elisabeth emudece por instantes, mas o encara esboçando desejo.

ELISABETH/RAÍZA: Faria isso por mim, senhor?

Benjamin se aproxima mais, rosto a rosto, muito clima.

BENJAMIN/MARCO: A senhorita me atiça me chamando de Senhor. Se fizeres isso de novo, juro que não responderei por mim.

ELISABETH/RAÍZA (provoca): É para eu ter medo...Senhor?

Benjamin a beija na boca e Elisabeth corresponde. Ele a abraça, segura sua nuca, num beijo caloroso.

Ao fundo, reconhecemos BRUNO, observando a cena, atento.

Vista aérea da cidade / Transição da NOITE para o DIA/ CORTA

CENA 16 RUA DA CIDADE [MANHÃ]

Elisabeth para de tocar flauta e conversa com um menino coisas que não conseguimos ouvir. Assim que o menino sai sorrindo, George, de mãos por dentro da calça, chega ali, despretensioso.

GEORGE/DCR: És uma moça ousada, senhorita Prescott.

ELISABETH/RAÍZA: És um moço forte, senhor Everett.

George olha para o próprio braço são, disfarça.

GEORGE/DCR: Não foram tão graves assim as queimaduras. Tive sorte. (T) Acho que temos uma conversa pendente, não?

ELISABETH/RAÍZA: Sobre?

GEORGE/DCR: Sobre a senhorita ter me dito que eu jamais seria morto pela espada em tempo algum. Fui vítima de feitiçaria?

Elisabeth segura a flauta com uma mão e, com a outra, ajeita seu xale.

ELISABETH/RAÍZA (sarcástica): Admirada por essa pergunta não vir acompanhada de um insulto. As autoridades estão preparadas para me levar?

George ri, simpático.

GEORGE/DCR: Deve bastar a senhorita dizer que não.

ELISABETH/RAÍZA: A única coisa que eu fiz foi desejar vida longa ao senhor.

GEORGE/DCR: Geralmente desejamos vida longa ao rei, não?

ELISABETH/RAÍZA (sarcástica): Será que isso faltou ao rei Oliver I?

George estremece um sorriso de canto na boca, olhar observador.

Os dois passam a ser vistos do ALTO através de uma lente. Quando Elisabeth olha para a CAM, Blake, em seu QUARTO, se afasta com a sua luneta, meio perturbado.

LEWIS/JOSUÉ(O.S): Blake! Você viu o/

Blake sai da janela rapidamente.

BLAKE/JOÃO: Padre!

LEWIS/JOSUÉ (cismado): Você viu o seu irmão?

BLAKE/JOÃO: Ah...Não...É algo urgente?

LEWIS/JOSUÉ: Não, é que...Dei falta dele essa manhã para o estudo da palestra desta noite.

BLAKE/JOÃO: (arredio) Deve estar caçando bruxas nos vilarejos. Com licença, padre.

Blake deixa o quarto e Lewis observa a luneta, desconfiado. Em seguida, Lewis olha pela luneta.
George acaba de se despedir de Elisabeth.
Lewis se volta, preocupado.

FADE OUT

FADE IN

CENA 17 PRESÍDIO [EXT. / MANHÃ]

Mãos masculinas depositam um prato de comida diante de uma mulher que, prontamente, segura em suas mãos. Em seguida, as acariciam.

MULHER #1 (V.O): Mãos de rei...

A mulher é RAFAELA, com um xale preto sobre o vestido vermelho, sedutoramente encarando o homem robusto, trajando uniforme da Cavalaria Inglesa.

RAFAELA: O senhor merecia bem mais do que servir uma pobre condenada como eu.

O guarda se afasta, mas com certo desejo no olhar.

GUARDA: Conheço tua fama, herege. Tu não conseguirás nada comigo, a não ser comida e o meu braço para lhe conduzir ao cadafalso.

Rafaela vai se chegando, retirando o xale.

RAFAELA: Podes me conduzir para qualquer lugar, senhor. Sou frágil, não posso me defender.

VOZ MASCULINA (O.S): Senhorita Mary Mitchell!

Mary se desarma, chateada.

MARY/RAFAELA: Padre! (falsa) Sua benção.

Padre Lewis chegando ali, com as mãos para trás, tranquilo.

LEWIS/JOSUÉ: Que Deus lhe abençoe. Espero que esteja se comportando bem, senhorita, para que possas se arrepender a tempo antes (mãos pra cima) do juízo final.

Mary revira os olhos. Lewis espera o guarda sair dali.

MARY/RAFAELA (sonsa): Morrerei amanhã, seu padre. Veio se despedir?

LEWIS/JOSUÉ: Você pode se arrepender agora, aceitar os preceitos católicos e se livrar da execução.

MARY/RAFAELA: Serei livre?

LEWIS/JOSUÉ: Cometes crimes, se comporta como satanás, e espera ser livre?

Mary bate nas grades.

MARY/RAFAELA: Então volte para o seu rebanho, seu padre. Perdes o seu tempo comigo.

Lewis toca na grade, olhando firme para Mary.

LEWIS/JOSUÉ: Preferes a morte, senhorita Mitchell?

Mary o encara e toca sua mão. Lewis nada faz.

MARY/RAFAELA: (insinuante) Eu já preferi coisa pior, não é Joshua?

LEWIS/JOSUÉ (irônico): Espero que esteja se referindo ao meu irmão Benjamin, porque eu sempre pertenci a Jesus.

MARY/RAFAELA: Dois irmãos em lados opostos, mas igualmente poderosos. Benjamin só não ficou comigo por causa daquela bruxa que ninguém consegue pegar.

LEWIS/JOSUÉ: Ainda com raiva dele por causa de Elisabeth Prescott?

MARY/RAFAELA: Tem coisas que só com a morte poderei superar. (irônica / raiva) Amanhã!

Mary dá as costas, Lewis pensativo.

Vista da cidade, carruagens, pouco movimento

FADE OUT

FADE IN

CENA 18 IGREJA [INT. / TARDE]

Na entrada da igreja vazia, reformada, com outro candelabro no teto ao lado da gigante imagem de Jesus Cristo.

FUSÃO PARA

CONFESSIONÁRIO [INT.]

Onde Lewis, sentado, segura o terço.

LEWIS/JOSUÉ: Que a paz do Senhor esteja convosco. Diga o que lhe atormenta, filho.

HOMEM #3: Estou preocupado, padre. Seu irmão Benjamin Gouverth finalmente pediu a mão de Elisabeth em casamento. Essa moça o enfeitiçou!

LEWIS/JOSUÉ: Benjamin sempre preferiu estar do lado errado da lei. Só podemos esperar por um triste fim, senhor Nheitan Lennox.

Do outro lado, Nheitan (BRUNO), bem vestido.

NHEITAN/BRUNO: Mas tem um porém, Lewis. Benjamin está disposto a pedir oficialmente a mão dela ao Rei. Sabe o que isso significa?

LEWIS/JOSUÉ: O fim da Círculo Fechado? Meu irmão sempre foi um apaixonado, capaz de largar uma burrada por outra. Não duvido que ele irá oferecer o cargo dele na sociedade a alguém de confiança.

NHEITAN/BRUNO: Estás certo disso, Lewis. Sabes que o senhor Zacarta é praticamente o braço direito dele, não é? E ele pode ter muito mais poder até mesmo que o senhor.

Lewis pensa um pouco, incomodado.

LEWIS/JOSUÉ: Amigo Lennox, não coloque Satanás acima de Deus. Cipriano Zacarta não lhe trouxe dos mortos, porque o senhor nunca esteve morto; Deus sempre esteve no comando.

NHEITAN/BRUNO: Não duvide das forças ocultas, padre. A luta contra a profanação da Igreja Católica não surgiu por duvidarem da força dos hereges. A caça às bruxas vai continuar, mas eles não vão parar.

LEWIS/JOSUÉ: A semeadura é livre, amigo Lennox, mas a colheita é certa.(T) Obrigado pelas boas novas.

CORTA PARA

George se aproximando do confessionário enquanto folheia a bíblia.
Imediatamente, a porta do mesmo se abre, saindo o padre Lewis e Nheitan.

NHEITAN/BRUNO: Assim que eu souber de mais alguma coisa sobre a Círculo Fechado, virei ao seu encontro, padre. O senhor ainda vai celebrar o fim dessa sociedade com uma digníssima missa.

LEWIS/JOSUÉ (sorri): Faço votos que assim será, Nheitan Lennox.

CAM busca George escondido.

GEORGE/DCR (pensa / confuso): Nheitan Lennox?

= = FLASHBACK – GEORGE E EROM CONVERSAM NA RUA = =

EROM: [...] Não se lembra de Neithan Lennox? Foi morto num duelo e ressuscitou dentro do caixão. Dizem que ele recebeu a visita de um estranho de capuz preto.

= = FIM DO FLASHBACK = =

Em George, abismado.

CENA 19 PALÁCIO DE BUCKINGHAM - GABINETE [INT. / NOITE]

Uma xícara de chá sendo pega por mãos masculinas. Banks, sentado, toma o chá, enquanto assina alguns papéis; Bridget, de pé, toma outro chá, olhando de soslaio para o marido.

BANKS/CAEL: Esse é o motivo para o senhor ficar até tarde no gabinete, Gouverth? Eu não sou o pai de Elisabeth para conceder sua mão ao senhor.

Benjamin Gouverth está diante do rei segurando uma pasta.

BENJAMIN/MARCO: Desculpe, mas diante das circunstâncias, não tenho a quem recorrer. Elisabeth não tem mais ninguém, a não ser quem a protege.

BANKS/CAEL: Tem certeza que um homem da sua posição quer se casar com uma herege?

BENJAMIN/MARCO: A sua posição é maior que a minha, (olha rapidamente para Bridget e encara Banks) Majestade.

Bridget desvia o olhar, incomodada com a situação.

BRIDGET/ARI: Acho que o senhor poderá cuidar muito bem dela já que/

Banks já se levantando.

BANKS/CAEL: (por cima) E fazemos votos que será um belíssimo casamento, senhor Gouverth (Bridget faz que não entende). Mas creio que seja melhor esperar pelo fim da Inquisição. (Banks ajeita o paletó e se aproxima) Não quero meu principal braço direito correndo o risco de ser execrado pela população. Isso não faria bem ao seu cargo, concorda?

BENJAMIN/MARCO: Vossa Majestade está no poder há 1 mês. Aguardo ansioso por esse dia.

BANKS/CAEL: (dá um tapinha em seu ombro) Sabe bem como as coisas não são fáceis por aqui, não é?

BENJAMIN/MARCO (alfineta): Só espero que não sejam tão difíceis como foram para o seu digníssimo pai, Oliver Primeiro.

Banks fecha a expressão, mas logo sorri falsamente, concordando.

BANKS/CAEL: Deseja uma carona, senhor Gouverth? Ou teme ser alvo de atentado ao meu lado?

Ambos riem, preocupando Bridget, ao fundo.

BENJAMIN/MARCO: Comigo ao seu lado, (eleva a mão ao céu) Deus está no comando. Palavras do meu irmão Joshua.

Nos sorrisos falsos.

CENA 20 PALÁCIO DE BUCKINGHAM – FACHADA [NOITE]

A residência é feita de pedra, com tons de ouro pálido; diversas janelas retangulares até que a CAM busca uma janela grande no 2º andar.

Corta para o INTERIOR DE UM QUARTO

No rosto de Bridget dormindo. De repente, alguém tenta enforcá-la, Bridget acorda assustada, luta para se livrar de Banks, totalmente alucinado.

BRIDGET/ARI: Oliver! O que está acontecendo? Sou eu, Bridget! Oliver!

Banks, de roupão preto, está com o rosto desfigurado de tanto ódio.

BANKS/CAEL: Traidora! Eu te dei um nome e você me trai!

Bridget, em meio à luta, derruba Banks para o lado e se levanta, mas Banks é rápido e a agarra pelos cabelos.

BANKS/CAEL: Você pretende me matar para ficar com aquele caçador de bruxas, é isso? (sacode sua cabeça) Responde, rainha!

BRIDGET/ARI: Você não está bem, Oliver, por favor!

BANKS/CAEL: Por que você está fazendo isso comigo? É retaliação por causa de Elisabeth? Hen?

Bridget, nas mãos de um rei louco, nada responde, mantendo o medo no rosto.

BANKS/CAEL: Eu estou falando com você!

E Banks a joga de contra a parede, fazendo Bridget derrubar jarros de cima da cômoda. Banks desfere um TAPA na rainha.

BANKS/CAEL: Você vai morrer por causa dela!

BRIDGET/ARI: Você é quem vai no meu lugar!

E Bridget se joga em Banks, o empurrando de contra a janela.

CORTA PARA O

EXTERIOR DO QUARTO

Onde Banks despenca da janela.
No rosto de Banks sobre o quintal, olhos abertos e sangue escorrendo de sua cabeça.
Bridget aparece da janela, horrorizada e olha para alguém fora da tela. Sua imagem perde o foco e revela George em primeiro plano, afastado do Palácio, atordoado com o que assistiu.

A tela se fecha bruscamente

 

QUARTO ATO

 

FADE IN

Em várias pessoas cercando as ruas, atirando tochas contra a igreja, causando algazarra.

SÉRIE DE SEQUÊNCIAS

1. Mary, EM SUA CELA, agarra nas grades, ouvindo o burburinho.

MARY/RAFAELA: O que está acontecendo?

GUARDA: O Rei está morto. Dizem que se suicidou.

Em Mary, surpresa.

2. Blake, NA IGREJA, acaba de fechar as portas. Lewis vem por trás, inquieto.

BLAKE/JOÃO: Esse povo está culpando a igreja pela morte do Rei, padre.

LEWIS/JOSUÉ (firme): Esse povo é herege, filho. (se aproxima da porta) Deus vai responder a isso enviando todos para o fogo do inferno.

Blake observa, estranhando.

3. NA RUA, Cipriano, com a sua roupa elegante e uma capa preta, surge por trás de uma parede e observa atento a movimentação. Cipriano esboça satisfação.

CIPRIANO (V.O): Todos acreditam que a Círculo Fechado foi responsável por essa morte.

Emenda áudio com a cena seguinte

CENA 21 MANSÃO GOUVERTH – SALA [INT. / MANHÃ]

Cipriano, mãos nos bolsos da capa preta, caminha tranquilo pela sala, enquanto observa alguns quadros.

CIPRIANO: E pelos ataques na cidade.

Benjamin se levanta da cadeira, injuriado.

BENJAMIN/MARCO: Isso é uma infame! Todos conhecem nosso objetivo, e já deviam saber que eu jamais desejaria o mau a quem quer a liberdade ao povo.

CIPRIANO: Mas o povo está dividido em suas opiniões. (Cipriano se volta / mente) Há quem acredite que o crime foi passional, porque o Rei não quis conceder a mão da senhorita Prescott ao senhor.

BENJAMIN/MARCO: O quê? Você está dizendo...?

Cipriano deixa no ar o mistério, Benjamin vem andando, pensativo, até que se volta, encarando Cipriano.

BENJAMIN/MARCO: Rainha Bridget?

Em Benjamin, incrédulo.

CENA 22 PALÁCIO DE BUCKINGHAM - SALÃO [INT. / TARDE]

O salão (todo decorado em tons dourados, muito reluzente, escadaria à direita e candelabros por todos os lados) tem algumas pessoas da alta sociedade próximas a um caixão dourado, onde jaz o Rei Oliver II.

Padre Lewis se aproxima discretamente de Bridget, toda de preto e um véu cobrindo seu rosto.

LEWIS/JOSUÉ: Senhora, muitos que estão lá fora, anseiam ver o Rei pela última vez.

BRIDGET/ARI: Não acho certo, padre. Parte dessas pessoas era contra o fim da Inquisição. Não darei a eles o gostinho de ver o Rei no caixão. Já não basta o senhor, não é?

Bridget sai de cena e Lewis a olha com raiva.

CENA 23 PALÁCIO DE BUCKINGHAM - JARDIM [INT. / TARDE]

Bridget sai de cabeça baixa, muita gente por ali, afastada por Guardas Reais. Até que mãos masculinas a pegam discretamente pelo braço.

BRIDGET/ARI: George!

GEORGE/DCR: Precisamos conversar, Bridget. No gabinete. Agora!

CORTE DESCONTÍNUO PARA

George, incrédulo.

GEORGE/DCR: Cipriano Zacarta? O ex-secretário do Rei Oliver Primeiro?

BRIDGET/ARI: E futuro Rei da Inglaterra. Você acha que eu mataria por vontade própria a única pessoa que poderia dar liberdade ao povo?

GEORGE/DCR: Ele está lhe ameaçando?

BRIDGET/ARI: A nós dois (surpresa em George). E ele não está disposto a governar ao meu lado por muito tempo.

GEORGE/DCR: (tom acusador) E o que foi que você fez para ter a vida condenada desse jeito?

BRIDGET/ARI: Me apaixonei por você, George (George se encabula), e o seu irmão Blake me jogou atrás das grades.

GEORGE/DCR: O quê? Isso é uma calúnia! Blake jamais/

BRIDGET/ARI (por cima): Eu teria morrido, George! Eu teria morrido se não fosse Cipriano falar de mim para o até então Príncipe Oliver. O padre Lewis mandou você para a França a fim de se afastar de mim.

GEORGE/DCR: Você agora está querendo me culpar? Por que o Rei não assinou logo o fim da Inquisição que tanto se falava?

BRIDGET/ARI: Porque ele queria primeiro extirpar a Círculo Fechado para ganhar o respeito da Igreja, e vingar a morte do pai.

GEORGE/DCR: Mas ele apoiava os hereges. Não entendo esse interesse dele querer brilhar diante da Igreja.

BRIDGET/ARI: Justamente porque assim, ele poderia assinar o fim dessa crueldade, como um prêmio por acabar com a Círculo Fechado, sem sofrer a possibilidade de retaliação. Banks não queria entrar em conflito com ninguém. Ele não era um santo, mas era um homem bom.

GEORGE/DCR: Me assusta esse comentário partir da assassina dele.

BRIDGET/ARI: Eu fui obrigada, George! Pelo amor de Deus!

GEORGE/DCR: Não use o nome de Deus em vão! Um verdadeiro cristão é capaz de dar a vida a vitimar quem quer que seja.

BRIDGET/ARI (angustiada): Eu só estava me defendendo...Eu estaria morta...

GEORGE/DCR: Muito providencial essa poção mágica. Você mata para se defender. Deve estar com a consciência menos pesada, agora, não?

Olho no olho. George deixa a sala, Bridget faz que vai impedi-lo, mas desiste.

CORTA PARA O EXTERIOR

George sai do PALÁCIO, perturbado, se embrenhando entre as pessoas. Dois homens parecendo seguranças, discretamente, pegam George pelo braço.

SEGURANÇA #1: Por gentileza, queira nos acompanhar, mr. Everett.

GEORGE/DCR: Quem são vocês? Para onde estão me levando?

Os seguranças o levam até uma carruagem, mas George recua.

GEORGE/DCR: Que isso? Solte-me!

SEGURANÇA #2: A segurança da Rainha está em perigo se o senhor não vier conosco.

Em George, assustado.

CORTA PARA

George, olhos vendados, guiado à força para o INTERIOR de uma SALA obscura. Sua venda é retirada e George se vê diante de Benjamin Gouverth, acabando de se levantar de sua cadeira.

BENJAMIN/MARCO (imponente): É sempre uma honra receber um herói como o senhor, George – O Magnífico.

GEORGE/DCR: Senhor Gouverth? O que está havendo aqui? Onde estou?

BENJAMIN/MARCO (abre os braços / sonso): Bem-vindo à Círculo Fechado, meu amigo.

Surpresa e medo em George.

CENA 24 MANSÃO MIDAS [EXT. / NOITE]

Na estátua do deus Midas situado perto do muro branco, e tocando um vaso, totalmente dourado.

CIPRIANO (O.S): Todos nós lamentamos a partida do memorável Rei Oliver Segundo, mas a Sociedade que ele criou não pode acabar com ele.

Corta para o interior da Mansão

O ambiente iluminado por tochas, mais obscura do que vista anteriormente.

Os membros trajam capuz preto, ajoelhados, cada um olhando para fora da tela. Um deles ergue a cabeça. É Elisabeth, preocupada.

CIPRIANO (O.S): A Sua Majestade não provou sua capacidade mental de comandar um grupo. Ele não tinha a evolução espiritual que queria nos ensinar, pois que, retirou sua vida, o maior bem que temos. É esse tipo de mágica que vocês querem para a vida de vocês? (Todos se entreolham, fazem a negativa) Ou um poder absoluto para vencer os inimigos?

Os membros estão dispostos um ao lado do outro, e cada grupo frente a frente. No meio, o desenho de uma cruz dourada em uma estampa vermelha.

ELISABETH/RAÍZA (forçada): Creio que todos nós desejamos a vitória, senhor. Mas de que maneira poderíamos vencê-los?

CIPRIANO (O.S): Fazendo jus ao nome, minha cara.

CAM avança para trás e para em Cipriano, de capuz preto, cobrindo parte do seu rosto, muito sombrio.

CIPRIANO (cont.): A tudo que Midas toca se transforma em ouro. Quem aceitar a palavra de Midas, será brilhante, poderoso e jamais conhecerá...A morte (impacto). Quem me aceitar como líder, estará aceitando a sua salvação.

Todos os membros se entreolham, fazem suspense, mas acabam por se levantar, cumprimentando com a cabeça, um diante do outro.

Cipriano caminha entre eles, satisfeito e encara uma Elisabeth com olhar maligno sobre ele.
Em Cipriano, sorrindo.

A tela se fecha bruscamente

A MÚSICA SE ENCERRA NOS CRÉDITOS

CONTINUA NO PRÓXIMO EPISÓDIO

Relacionados

0 comentários: