0:00 min       RAÍZA 3ª TEMPORADA     SÉRIE
0:31:00 min    


WEBTVPLAY ORIGINAL APRESENTA
RAÍZA 3


Série de
Cristina Ravela

Episódio 11 de 17
"Enfim, Sós"



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PRIMEIRO ATO

 

FADE IN

= = TOCANDO: Medicate – AFI = =

Várias luzes da cidade à noite, frenéticas, com o movimento dos carros, tudo bem ágil.

CENA 1 RUA DA CIDADE [NOITE]

Um grupo de 5 jovens (3 garotos e duas garotas), todos no estilo punk (Os meninos trajam jeans rasgados, correntes pela cintura, calçam coturnos, exibem piercings e tatuagens; as meninas também usam jeans, mas com leggings coloridas, também calçam coturnos, exibem piercings e tatuagens, além de maquiagem pesada) seguram mochilas, caminham agitados pela calçada, aos risos. Até se aproximarem do muro onde cada um ajuda o outro a pular.

CAM vai buscar a fachada de onde eles pularam: “Colégio França”.

CORTA PARA

CENA 2 COLÉGIO FRANÇA [INT. / NOITE]

O grupo se espalha, fazendo zoeira na penumbra
Vários takes de cada um pichando as paredes
Risada de Vicky em meio a bagunça (episódio 3x10)
Pichação pra tudo que é lado
Até que Vicky e um rapaz de cavanhaque (3x10) sentam no chão, segurando cada um, um spray.

== Music Off ==

VICKY: Quero só ver a cara do Hitler quando vê a reforma que fizemos.

RAPAZ #1: Cê gosta mesmo de cutucar onça com vara curta, Vicky.

Vicky olha para o rapaz de cavanhaque de cima a baixo, toda se querendo.

VICKY: Eu adoro cutucar alguma coisa, cê sabe disso né, Douglas?

Os dois se beijam.

GAROTA#1: Parou, parou, gente! (desdém) Ainda temos a sala do Hitler, “bora” com isso.

A garota é morena clara e tem cabelos pretos.

VICKY: A sala é minha. Eu faço questão.

DOUGLAS: Vou contigo. Eu prometi a mim mesmo que estaria com você até o fim.

Vicky sorri e ouvimos risadinhas dos amigos.

CORTA PARA
CORREDOR

Onde Vicky e Douglas, este segurando um castiçal com uma vela, caminham enquanto picham por onde passam. Assim que se aproxima de uma porta, Vicky põe a mão na maçaneta, faz mistério.
A porta se abre, Vicky e Douglas vão entrando, sorrateiros. Ela bem na frente visualiza o pouco que a vela ilumina. Sacode o spray até olhar maliciosa para a mesa comprida de madeira.

VICKY: A gente bem que podia deixar essa mesa mais quente, o que cê acha?

A sala escurece, Vicky se assusta, iluminada apenas pela luz da penumbra.

VICKY: Douglas? (T) Douglas...(ri, maliciosa) Não se esconda, não temos a noite toda...

Vicky começa a rodar pela sala à procura de Douglas, e quando faz que vai sair, dá de cara com um sujeito de capa, luvas e máscara pretas no canto da sala.

VICKY: Own! Que sexy...É o que, Douglas? Pegou essa fantasia de negro gato nas coisas do Hitler, é?

Vicky gargalha. O sujeito caminha lentamente em sua direção, Vicky vai se afastando, gostando do jogo.

VICKY: Quer brincar de diretor malvado e aluna malcriada, é? Vem me pegar, então.

E Vicky sai correndo pelo
PÁTIO, aos risos.
O sujeito da capa preta corre atrás. Vicky atravessa o portão, pula o muro e na

CALÇADA

Se esconde atrás de um carro. Pelo PONTO DE VISTA de Vicky, o sujeito olha para ambos os lados. Vicky se apresenta.

VICKY: Aqui você não pode me fazer nada; eu já to fora do colégio.

O sujeito puxa de dentro da capa um revólver.
Vicky fecha a cara, vai se distanciando com medo, até que corre.
INSERT da arma com silenciador apontada. Três disparos.
Vicky é atingida pelas costas,

Em seu semblante assustado, até que Vicky tomba no asfalto de olhos abertos, já sem vida.

A tela se fecha bruscamente

ENFIM, SÓS



SEGUNDO ATO

 

FADE IN 

CENA 3 COLÉGIO FRANÇA [EXT. / MANHÃ]

No rosto de Vicky sendo coberto por um pano branco, vários curiosos assistem a cena atrás de uma fita de isolamento. Uma garota com visual punk fala com um policial.

GAROTA #1: A Vicky trabalhava de manhã na Curto-Circuito e era líder do nosso grupo. O diretor chegou a dizer que o lugar dela era no hospício.

CORTA PARA Lila e Hans que se esbarram.

LILA: Não empurra, Hans! A defunta não vai sair andando não.

HANS: Cê tá fazendo o quê aqui, hen? Você é só a fofoqueira do Jet-set, ou já esqueceu?

LILA: Fui promovida, meu querido. Agora sou oficialmente uma jornalista investigativa.

HANS: Tá se achando né? Por que você não continua com a saga do herói Nilo, hen? (joga a mão no ar, debochado) “Herói Nilo: The Ultimate Collection”, que tal?

LILA: (olho no olho) E que tal...”Herói Nilo: O inimigo agora é outro”?

Os dois se fitam. Roger chega por trás.

ROGER: Lila, cê precisa ver uma coisa lá dentro.

CORTE DESCONTÍNUO EM

Lila, surpresa diante de uma parede pichada em preto e vermelho com a inscrição “Morte ao diretor!”.
Lila observa cadeiras fora do lugar, muita sujeira nas paredes e portas arrancadas.

CIPRIANO (O.S): Vandalismo para punir a educação.

Cipriano vem caminhando com os braços voltados para trás, tranquilo. Lila, Roger e Hans observam.

LILA: Parece que o modo de educar do novo diretor não tem agradado muita gente, não é?

CIPRIANO: Para criar inimigos, não é necessário declarar guerra, basta dizer o que pensa.

LILA: Martin Luther King. É uma bela citação, seu Cipriano, mas não acho que o senhor diretor esteja se fazendo entender exatamente como um líder deste colégio.

HANS: Cipriano, como você avalia a gestão do novo diretor?

VOZ MASCULINA: Isso é o que eu vou querer saber. (Delegado Queiroz chegando ali). Bom dia a todos.

LILA: Bom dia, seu delegado. Alguma pista?

QUEIROZ: Estamos à procura do noivo da vítima. Segundo uma menina que estava no grupo que invadiu o colégio, Douglas Souza acompanhou Victoria Amaral, conhecida por aqui como Vicky, até a sala do diretor a quem eles chamam de Hitler.

ROGER: Hitler?!

QUEIROZ: Sim. Parece que o diretor anda impondo regras que não são bem aceitas por alguns alunos, e quem não obedecer é enviado ao psicólogo.

HANS: Ah, mas tem que enviar mesmo né? Pra acabar com essa frescura. Esses alunos não gostam de regra alguma. Querem vir pra cá como se aqui fosse uma área de lazer.

CIPRIANO: Aprecio seu modo de pensar, caro Hans Stroher,(Roger saca os olhares entre eles) mas o problema é que por ele ter internado a sobrinha à força numa clínica, todos acreditam que teriam o mesmo destino. É um medo sem fundamento.

ROGER: Eu também acreditaria.

Um policial vem do outro lado com uma capa preta nas mãos.

POLICIAL #1: Delegado, olha o que eu achei na diretoria.

O delegado dá uma olhada, sem tocar na roupa.

QUEIROZ: Isso é do diretor?

CIPRIANO: Nunca vi essa roupa por lá, seu delegado. (sarcástico) Não faz o estilo de Josué.

ROGER: Talvez alguém queira incriminá-lo.

O delegado olha esperto para Roger.

DELEGADO: Faz sentido. De qualquer maneira, vou apurar o caso. (para Cipriano) Se puder comparecer mais tarde à delegacia para prestar depoimento.

CIPRIANO: (sorriso falso) Claro, ao seu dispor.

Queiroz sai com o policial.

CIPRIANO: Com licença.

Hans encara esnobe Lila e Roger.

CENA 4 CARIOCA NEWS [INT. / MANHÃ]

Roger vem animado e para diante de um computador, onde estende a mão com uma câmera.

ROGER: Pode passar umas fotos pro computador, sobrevivente da noite?

Rafaela, sentada, o encara com um sorriso forçado.

RAFAELA: Você já providenciou uma lanterna pra essa noite, Roger?

ROGER: Não me culpe, tá? Minha cabeça dói até agora. A polícia vai arrumar um segurança pra gente pelo menos?

RAFAELA: Pra gente? (ela pega a câmera da mão de Roger) Pra mim, né? Pelo menos até sair o julgamento do Marco.

ROGER: Eu acho bem arriscado ele ter tentado te matar no mesmo dia em que saiu da cadeia. Sei lá, você deve ter algum outro inimigo por aí.

Rafaela olha para ele, firme.

RAFAELA: Marco é o meu único inimigo, Roger.

Assim que olha para a tela, Rafaela se assusta.

RAFAELA: Não pode ser!

ROGER: O quê?

Na tela, a foto de Vicky.

RAFAELA: Foi essa garota e o noivo dela que me salvaram ontem à noite.

No rosto de Rafaela, pensativa.

== FLASHBACK ==

Rafaela no ASFALTO, em pânico, até que uma forte luz de farol a ilumina. Rafaela grita.

Um carro vem em alta velocidade, pneus cantam no asfalto até parar rente ao rosto de uma Rafaela desesperada. Rafaela suspira, aliviada. Ouvimos portas se abrindo.
Nas botas pretas de duas pessoas se aproximando. Vicky ri da cena, extasiada.

VICKY: Own! Que punk, Douglas! Adoro!

Douglas se agacha, assustado ao ver Rafaela amarrada.

DOUGLAS: Que isso, gata? Ela podia ter te matado!

Douglas desamarra a garota e a apoia para se levantar.

RAFAELA: Obrigada.

VICKY: Você sabe quem fez isso?

RAFAELA: Eu imagino. É o que dá mexer com peixe grande.

VICKY (sorri debochada): Hmmm...Gente da alta hen. Adoro mexer com gente da alta, com péssimas condutas (gargalha).

DOUGLAS: A coisa é séria, Vicky. (olha pros lados) Quem fez isso deve tá por aqui ainda. E se for um serial killer? E se for o assassino da saga Nilo?

Vicky dá outra gargalhada.

VICKY: O Douglas pira com os livros de Lila Machado, gata.

RAFAELA: Olha, gente, pode deixar que daqui eu sigo, tá? Valeu aí pela ajuda.

VICKY: Não quer uma carona?

DOUGLAS: Que não seja longe, né? Porque ainda temos que dar uma lição no Hitler.

RAFAELA: Hitler?

VICKY: O nosso inimigo da alta.

Na gargalhada de Vicky.

== FIM DO FLASHBACK ==

Em Roger, espantado.

ROGER: Caramba!

Lila já chegou ali.

LILA: O que houve, gente? Descobriram o assassino?

ROGER: Você não vai acreditar, amiga. Foi a Vicky que salvou a sua assistente da morte.

Em Lila, admirada.

CENA 5 CURTO-CIRCUITO [INT. / MANHÃ]

Algumas pessoas arrumando as mesas, Raíza passa por ali com uma prancheta na mão, e Dcr está debruçado no balcão acessando um laptop.
Na porta, Douglas entra(usando camisa social preta, calça social cinza, um visual longe de ser punk) e se aproxima, mostrando-se abatido. Raíza repara em seu visual.

DOUGLAS: Eu quase desisti de voltar aqui.

DCR: Douglas!

Dcr sai detrás do balcão e os dois se abraçam.

DCR: Lamento pelo o que aconteceu. A polícia veio aqui atrás de você.

Douglas e Raíza se cumprimentam à distância, um olhando estranho para o outro.

DOUGLAS: Parece que eu virei o principal suspeito. Como nos livros de Ágatha Christie, óbvio demais.

RAÍZA: Você tem um suspeito?

Douglas pensa um pouco.

DOUGLAS: A única pessoa que chegou a declarar guerra contra ela, foi o diretor.

DCR: (sem acreditar) O Josué? Ele ameaçou a Vicky de morte?

DOUGLAS: Quase isso. Ameaçou de interná-la num hospício, como fez com você (para Raíza). Isso é a morte pra qualquer um...Não é?

Raíza só o encara, fria, depois se afasta.

DCR: Mas você acha que ele seria um assassino? Só se ele quisesse acabar com a reputação do colégio que ele mesmo dirige, né?

DOUGLAS: (olhar ao léu, pensativo) Não sei...A única coisa que eu sei é que aquela imagem dela caída na rua não me sai da cabeça. Passo o dia pensando que se eu tivesse tentado impedir, se a gente não tivesse ido ao colégio aquela noite/

Dcr toca seu ombro, compreensível.

DCR: Sei como é. A sensação de culpa, de achar que poderia mudar/

DOUGLAS: (cont.) ...O Passado. (Dcr emudece) Eu sei que você não gosta desse assunto e, nunca fomos amigos pra falar sobre isso, mas você me entende né? Aquilo que a Lila escreveu...Sobre você retroceder/

DCR: Não! (Dcr volta para o balcão) Aquilo foi invenção da Lila pra ganhar dinheiro e ibope...Quero dizer...Ela aumentou a história para torná-la mais interessante. Mas só.

DOUGLAS: A Vicky não achava isso. Ela tinha certeza de que você renegava seu próprio personagem, porque a Lila não omitiu nada a seu respeito. Ela era a sua fã.

DCR: Eu não sabia que ela era obcecada pelos livros da Lila. Muito menos que era minha fã.

DOUGLAS: Vicky dizia que como todo herói, você merecia uma parceira.

E olha para Raíza de costas, do outro lado.

DOUGLAS: Alguém que, como você, queira esconder o passado que teve.

DCR: Eu não sou um herói, Douglas. Sou apenas o cara que teve a infeliz sorte de perder a noiva no dia do casamento, sofrer um atentado, e acabar me tornando alvo da imprensa e herói literário. No fim, todas as atenções se voltaram para o vilão.

Douglas o observa, admirado.

DOUGLAS: Mas é do herói que todos gostam...

VOZ MASCULINA: Douglas Souza?

Douglas vê dois policiais adentrando a boate, um deles com um papel na mão.

POLICIAL #1: Poderia nos acompanhar?

Douglas olha para eles e, em seguida, dá uma olhada rápida para Raíza.
Raíza olha esperta para ele.
CORTA PARA

CENA 6 DELEGACIA [INT. / MANHÃ]

O corte é feito diretamente em Douglas, de pé, e nervoso.

DOUGLAS: Eu já disse! Eu quis fazer uma brincadeira com a Vicky. O senhor tá achando que eu matei a minha noiva?

QUEIROZ: Eu não to achando nada, Douglas. Eu só quero entender por que um adulto brincaria de se esconder da noiva, de noite, dentro de um colégio.

DOUGLAS: Eu devia ter um advogado, não? Eu tenho esse direito.

QUEIROZ: (sarcasmo)Ah, então você conhece os seus direitos, mas não cumpre com as suas obrigações? Não sabe que é errado invadir um colégio?

DOUGLAS: Vou ser preso?

QUEIROZ: Se me entregar seus amigos, talvez eu possa pegar leve contigo. E acho que você não precisa de advogado pra me contar exatamente o que aconteceu naquele colégio.

Douglas, nervoso, põe as mãos na cintura, pensa um pouco. Em seguida, põe as mãos sobre a mesa, e se aproxima do delegado.

DOUGLAS: A Vicky era uma garota muito intensa, se é que o senhor me entende...

QUEIROZ: Continue...

DOUGLAS: Ela gostava do perigo, então...Eu a deixei sozinha. Foi quando eu a vi correndo de um sujeito de capa preta. Pensei que fosse um dos nossos amigos, mas aí...

= = FLASHBACK = =

COLÉGIO FRANÇA [INT. / NOITE]

Vicky correndo, aos risos, e o sujeito atrás. Douglas surge na escuridão, sorrindo, e segue atrás, discretamente. Até que, na
CALÇADA
o sujeito para de costas.

VICKY (O.S): Aqui você não pode me fazer nada; Eu já to fora do colégio.

Douglas faz que vai dizer algo, quando o sujeito saca, de dentro da capa, um revólver com silenciador, aponta para a direita e dispara três vezes.
Douglas, assustado, corre de volta ao

COLÉGIO
e se esconde no banheiro. À espreita, Douglas vê quando o sujeito entra na sala da diretoria.

= = FIM DO FLASHBACK = =

Volta em Douglas diante do delegado.

DOUGLAS: Seja lá quem era...Era alguém muito audacioso e seguro, a ponto de não se intimidar com quatro pessoas no colégio.

QUEIROZ: Você conhece alguém assim?

Em Douglas, sacana.

CORTE DESCONTÍNUO EM

Josué, se voltando com uma expressão surpresa.

JOSUÉ: Eu? (T) Eu não tinha nada contra aquela garota!

Queiroz, sentado, diante de sua mesa.

QUEIROZ: Segundo uma aluna, o senhor chegou a ameaçar a vítima de mandá-la pro hospício, como fez com a sua sobrinha. Isso é verdade?

Josué se senta, mais calmo.

JOSUÉ: Olha só, eu to acostumado a ser mal interpretado. Talvez eu tenha me excedido um pouco e dito qualquer coisa, mas/

QUEIROZ: (por cima) Eu fiquei sabendo que alunos que não seguem suas regras, são enviados ao psicólogo. Que regras seriam essas?

JOSUÉ: Não admito que alunos apareçam fantasiados no colégio. Piercings, tatuagens à mostra; celulares durante as aulas, bagunça nos corredores...Eles têm que entender que colégio não é boate.

Queiroz o analisa, discretamente.

QUEIROZ: O senhor acha que essa morte tem o envolvimento de algum grupo rival?

JOSUÉ: O que eu acho, seu delegado, é que é abominável existir pessoas que promovem a violência para punir a educação e o bom senso. Eles são capazes de usar a violência sem razão de ser, por um motivo qualquer.

QUEIROZ: O senhor acha que violência tem que ter um bom motivo, seu Josué?

Josué dá uma pausa dramática, franze o olhar, ofendido.

JOSUÉ: Não foi isso que eu quis dizer, seu delegado.

QUEIROZ: E quanto ao prejuízo? Acho que depois da morte dessa garota, os alunos vão passar a temer qualquer tipo de violência contra o seu colégio. Concorda?

JOSUÉ: Eu não to entendendo, delegado.

Queiroz faz um sinal e um policial traz uma sacola transparente com uma capa preta.

QUEIROZ: O senhor reconhece essa capa?

JOSUÉ: Nunca usei nada parecido.

QUEIROZ: Ela foi encontrada em cima de sua mesa e, segundo o noivo da vítima, o assassino usava uma capa idêntica a essa. O que o senhor me diz?

JOSUÉ: (chateado) O senhor tá me acusando de ser o assassino?

QUEIROZ: Eu to apenas averiguando os fatos.

JOSUÉ: Eu não sei que capa é essa e nem como ela foi parar na minha mesa, ok? É óbvio que querem me incriminar.

QUEIROZ: A sua gestão parece propícia para isso.

JOSUÉ: É porque eu não sou condescendente com vândalos. Agora, se a minha gestão e essa capa ridícula são motivos pro senhor achar que eu sou um bandido, é porque nada que eu tenha feito pelo colégio valeu a pena.

Josué se levanta, aborrecido.

JOSUÉ: Eu faço tudo para contribuir pela educação desses alunos, seu delegado, então me acuse de ter feito o que eu fiz, não de ser o que não sou. Se eu puder ir agora...

O delegado apenas estende a mão, concordando. Josué sai batido dali. Queiroz bate com a caneta na mesa e espia o escrivão.

QUEIROZ: (desconfiado) Um diretor implacável e moralista. Interessante...

Takes da cidade / Corta

CENA 07 RUA DA CIDADE [TARDE]

Tela de um tablet sendo segurada por mãos masculinas. A página mostra a coluna de Lila Machado com o seguinte título: “Colégio França se torna palco de um crime – O caso está sendo visto como enigmático pela polícia tanto quanto foi o caso Nilo”.
A mão começa a digitar a mensagem: “Você também pretende transformar a nova e turbulenta gestão do diretor Josué em livro?”. A mensagem é assinada com o nome de “Mestre”.

Vista aérea da cidade / Transições do dia para a noite / Corta

CENA 08 COLÉGIO FRANÇA – CORREDORES [INT. / NOITE]

Legenda: 48 horas depois

Na penumbra, uma sombra passa pela extrema esquerda e ouvimos risos. Um tempo depois, mais uma sombra passa pela mesma direção.

Corta rapidamente em um rapaz com visual punk prensando a GAROTA #1 da cena 2 na parede.

GAROTA #1: Você não acha perigoso a gente voltar aqui? O cara da capa preta pode ter a mesma ideia.

GAROTO #1: Desta vez a gente tá preparado, gata. Vamos capturar esse assassino e nos tornarmos heróis da noite?

GAROTA #1: O título de herói não combina com você, gato.

GAROTO #1: Não faça a garota má, Bianca.

E os dois se beijam ardentemente. OUVIMOS um rangido de porta, Bianca se assusta.

BIANCA: O que foi isso?

GAROTO #1: Acho que alguém teve a mesma ideia.

Medo na expressão de Bianca.

Corta em Bianca e o seu parceiro, de frente, andando sorrateiramente por um dos corredores. Bianca se mostra ofegante, medo total.

BIANCA: Vamos “rapar” fora, Edu, pelo amor de Deus!

Bianca faz que vai se voltar quando os dois são GOLPEADOS com uma cadeira escolar por um sujeito de capa preta.
Bianca e Edu no chão, inconscientes. Bianca é arrastada dali.

A tela se fecha num baque.

TERCEIRO ATO

FADE IN
Vista aérea do Colégio França cercado por carros de polícia, curiosos e jornalistas.

CENA 09 COLÉGIO FRANÇA – DIRETORIA [INT. / MANHÃ]

Bianca está morta em cima da extensa mesa do diretor, com o pé da cadeira de ferro estacado sobre suas costas. Vários flashes em cima dela. O perito se afasta com a câmera. Corta para o

CORREDOR

Onde Lila, Roger e Rafaela olham surpresos para algo fora da tela. Hans chega por trás e se surpreende também, posicionando a câmera.

HANS: Parece que temos um serial killer por aqui.

Hans tira uma foto.

RAFAELA: Neste caso, (para Lila) temos que traçar o perfil dele antes que aconteça outra morte.

ROGER: Como no caso do palhaço assassino, mas desta vez fica claro qual é o perfil dele.

CAM revela para onde eles estão olhando. Uma pichação em vermelho na parede com a inscrição: “Mais uma no lugar errado”.

ROGER: Será que a polícia ainda acredita que foi o diretor? Tá na cara que ele não ia querer acabar com a própria gestão, né?

VOZ MASCULINA (O.S): Agradeço a defesa.

Todos olham para Josué, que se aproxima discretamente.

JOSUÉ: Mas acho que virei o suspeito número 1.

Josué observa Rafaela lhe encarando.

JOSUÉ: Bom saber que você tá viva...E bem.

RAFAELA: Pena que não posso dizer o mesmo da sua gestão. Quero dizer, alguém tá querendo a sua renúncia, não?

HANS: O senhor pretende renunciar ao cargo?

JOSUÉ: (sarcasmo) Se a polícia encontrar provas contra mim, acho que fica difícil gerir um colégio de dentro da prisão.

Hans faz cara feia e Roger disfarça o riso.

LILA: Acha que esse seria o objetivo desse assassino?

Josué respira fundo, faz um suspense.

JOSUÉ: Eu não acho nada, Lila. Quem deve achar e rápido é a polícia.

Josué sorri forçado, dá uma olhada em Rafaela e sai de cena. Rafaela, tensa.

ROGER: É impressão minha ou o diretor deu, tipo, um confere em você, Rafaela?

Rafaela volta a si.

RAFAELA: Que confere? Tá maluco?

Rafaela sai. Lila desconfiada para Roger.

Vista panorâmica da mansão de Cael

CENA 10 MANSÃO DE CAEL [INT. / MANHÃ]

Mãos masculinas seguram uma foto de Cael, Marco e Bedlin juntos. CAM busca Lara, sentada no sofá.

LARA (arrogante): Esses são meus filhos com o Emanuel Bedlin.

Alexandre entrega a foto, chateado.

ALEXANDRE: Quem diria que o Marco seria o seu filho.

LARA: E o seu jornal ajudou a espalhar uma falsa verdade sobre ele.

ALEXANDRE: O jornal tem o compromisso de deixar as pessoas informadas, além disso, o vídeo deixou claro que ele matou a garota.

LARA: E se ele fosse o seu filho? (Alexandre a encara, de repente) Já pensou se você ajudou a prender o seu filho com uma falsa acusação?

ALEXANDRE: Ele é meu filho?

Lara, com raiva.

LARA: Já disse que o nosso filho que você abandonou nasceu morto, não disse?

Alexandre se aproxima e senta ao seu lado.

ALEXANDRE: Lara, eu juro que quando eu soube da sua gravidez eu fiz de tudo pra vir atrás de você/

LARA: O seu irmão foi bastante convincente ao dizer que você viajou para estudar jornalismo. Você realmente tinha viajado, Lex.

ALEXANDRE: Eu fiz a besteira de pedir pra ele dar o meu recado. A viagem era muito importante pra mim, mas eu queria que você me esperasse.

Lara se levanta, nervosa.

LARA: O Afonso disse que você já sabia da minha gravidez e que não ia perder uma oportunidade por minha causa.

Alexandre se levanta também, altera a voz.

ALEXANDRE: Ele mentiu! Ele queria ficar contigo, e achou que se você se decepcionasse comigo, ficaria com ele.

LARA: Bonito da sua parte, Lex, falar mau de quem não tá mais por aqui pra se defender.

ALEXANDRE: E você acha que ele confirmaria a minha história? Lara, você lembra que eu e o meu irmão não tínhamos uma boa relação. Ele sempre quis tudo que era meu.

LARA: Eu nunca fui sua, Lex! E se você só queria saber do seu filho, já sabe. Cael e Marco são meus filhos com o Emanuel. Os únicos filhos com quem me importo.

CAEL (O.S): Não minta que é feio, dona Lara.

Cael chegando, brincando com o molho de chaves na mão. Lara, apreensiva.

CAEL (cont.): Não combina com a sua personalidade clara e direta.

Cael sorri cinicamente e estende a mão para Alexandre.

CAEL: O senhor não é o editor-chefe da Carioca News?

Alexandre dá a mão, cumprimentando.

ALEXANDRE: Sim, você é o...Micael, acertei?

CAEL: A imprensa sempre a par de tudo, não é? (encara Lara) Ou não?

LARA: Eu pedi que ele viesse para convencê-lo a não publicar mais nada sobre o Marco até o julgamento.

CAEL: E a senhora pretende convidar um por um? Não é melhor oferecer um jantar para todos os jornais do país?

Na expressão sem graça de Alexandre e ódio de Lara.

LARA: Eu te levo até a porta, Alexandre.

Cael observa os dois saírem e se mostra desconfiado.

CENA 11 REDAÇÃO CARIOCA NEWS [INT. / TARDE]

Rafaela acaba de retirar umas folhas da impressora, e quando se volta, dá de cara com Douglas atrás da mesa.

DOUGLAS: Oi, lembra de mim?

Rafaela o olha de cima a baixo, desconfiada.

RAFAELA: Claro...Você e sua noiva salvaram a minha vida. Como me encontrou aqui?

DOUGLAS: (admirado) Você é uma heroína. Ajudou a prender um assassino.

Rafaela se sentando.

RAFAELA: Eu só entreguei umas provas contra ele. (mente) O vídeo não foi obra minha. Mas você não veio pedir um autógrafo, né?

Douglas checa ao seu redor, faz suspense.

DOUGLAS: Não, é que...Você sabe que se a Vicky não tivesse freado a tempo, você teria morrido, não é? Isso deve ter deixado o assassino muito frustrado, não acha?

RAFAELA: Eu imagino que sim, mas onde você quer chegar com isso?

DOUGLAS: E se ela foi morta por ter te salvado? Se foi uma retaliação?

RAFAELA: Nesse caso, você deveria ter sido o segundo da lista, e não a Bianca, não?

DOUGLAS (desconcertado): Isso eu não sei...Talvez o diretor esteja fazendo um jogo até chegar em mim ou/

RAFAELA: O diretor? Cê tá dizendo que o assassino é o Josué?

DOUGLAS: Ele virou o principal suspeito, não sabia?

RAFAELA: (atônita) Sim, mas...Não, Douglas, isso é impossível. Se você acha que mataram a Vicky porque ela me salvou, o mais lógico seria se esse assassino fosse o Marco ou alguém a mando dele, não acha?

DOUGLAS: Você quer a verdade? (T) Em muitos livros de suspense que eu li, um tipo como o Marco seria óbvio demais como o vilão da história.

Na cara tensa de Rafaela. Roger chegando ali, chateado.

ROGER: Rafaela, foi você que pegou a minha pasta rosa, por acaso? Eu já não falei pra você que não gosto que mexam nas minhas coisas?

Rafaela volta a si.

RAFAELA: (desdém) O tal projeto negro na pasta rosa? (Rafaela puxa a pasta rosa por baixo de outras) Nem me fez cócegas para saber do que se trata, tá?

Roger arranca a pasta de sua mão, enfurecido.

ROGER: Você abriu a pasta?! Quero vê o que você vai achar quando eu invadir o teu espaço, tá?

Roger vai embora, Rafaela se levanta e vai atrás.

RAFAELA: Roger, eu não invadi nada, eu só dei uma espiada, Roger!

Douglas observa a cena e olha para o computador de Rafaela.

Vista aérea da cidade / Corta

CENA 12 CARIOCA NEWS – ESTACIONAMENTO [INT. / TARDE]

Rafaela vem andando apressada, ajeitando a mochila no ombro. Quando vai passar a frente de uma pilastra, Marco a aborda de repente. SUSTO.

MARCO: (sarcasmo) Te assustei, querida? Anda com medo de alguma coisa?

RAFAELA: Eu devia ter medo? Agora eu ando sob escolta policial, Marco. Quero vê você tentar algo contra mim como fez ontem.

MARCO: E o que eu fiz ontem? Vai começar com as suas falsas acusações?

RAFAELA: Você me dopa, me joga amarrada no meio da estrada, e vem me perguntar o que você fez? Mas é muito cínico mesmo.

MARCO: Mas vejam só! Tem alguém querendo te matar, querida? Quem seria? Talvez o verdadeiro assassino de Ari?

RAFAELA: Vá despejar teu sarcasmo em cima da sua amada Raíza, vai!

Rafaela faz que vai sair, mas Marco a segura pelo braço.

MARCO: Você acha que eu te jogaria viva na estrada? Olha, querida, se eu tivesse uma mente assassina e psicótica, é claro que uma tortura psicológica como essa cairia bem em você, mas não. No mínimo eu te jogaria morta numa vala, mas eu não sou assassino, ouviu bem?

Rafaela ri, sarcástica.

RAFAELA: E você ter matado o Afonso Abjumara* te torna o quê? Hã?

*Episódio 2x07

MARCO: E quem disse que eu o matei?

RAFAELA: Ah, você não começa/

MARCO: Alguma vez eu afirmei isso? (em Rafaela, paralisada) Eu nunca afirmei nada, Rafaela. Deixei você pensar o que seria útil pra mim. Quem quer que tenha feito isso me beneficiou e muito. Mas assassino, eu não sou.

RAFAELA: Você matou a Ari. O mundo inteiro já sabe disso. (irônica) Os fãs do Nilo já começaram a te perseguir, querido?

MARCO: Os fãs dele vão começar a te perseguir quando descobrirem que foram enganados. Como você acha que ficará a sua carreira quando souberem da sua armação? (Rafaela, pressionada) Você entregou uma câmera para a Ari gravar a própria morte, você achava que eu a mataria naquele dia, mas não avisou à polícia... Você é perversa, Rafaela.

RAFAELA: (explode) Quem é você pra falar em perversidade, hen? Eu e o Danilo podíamos estar mortos naquele atentado e por sua culpa! Então não me venha falar em perversidade, ok?

MARCO: Você está encobrindo o verdadeiro culpado porque deve ser alguém a quem você deve obediência, não é?

RAFAELA: Você é o assassino, Marco. E eu espero voltar a te ver só nos tribunais.

Rafaela vai saindo, fingindo-se segura. Marco ao fundo.

MARCO: Você sabe que é a única testemunha (Rafaela para, preocupada). O verdadeiro assassino não deve estar gostando disso. Você teve a prova ontem.

Rafaela respira fundo, e sai da tela.

Takes da cidade em movimentos rápidos/ Corta

CENA 13 CURTO-CIRCUITO [INT. / TARDE]

Dcr e Joana estão chegando à boate, enquanto conversam seriamente.

DCR: Eu ainda acho arriscado, Joana. De fisioterapeuta a enfermeira de hospício?

JOANA: Se é pra viver sob tensão, prefiro que seja pelo trabalho, do que por culpa da ameaça do Marco.

DCR: E por causa disso você tinha que topar uma coisa dessas? Tem certeza que não quer desistir?

JOANA: Vou ganhar bem mais do que antes, até porque eu não serei uma enfermeira qualquer, né?

Marco aborda os dois já na calçada.

MARCO: Danilo, a gente precisa conversar.

Danilo, em fúria, agarra Marco pelo colarinho.

DCR: Seu desgraçado! A última vez que eu vou querer olhar na tua cara vai ser no banco dos réus!

MARCO: Eu não matei a garota, Danilo, aquilo foi armação da Rafaela!

DCR: Armação é o que eu vou fazer na tua cara se você continuar aparecendo na minha frente!

Marco se desvencilha de Dcr, com raiva.

MARCO: Aquilo foi montagem! Uma montagem armada pela mesma pessoa que fingiu ser sua amiga enquanto gravava a morte da Ari.

Os dois se encaram, firmemente.

Cael e Raíza surgem da porta.

CAEL: O que você tá fazendo aqui, Marco? (sarcasmo) Pretende matar alguém em frente ao meu estabelecimento?

Marco avança em Cael, e Dcr o contém.

MARCO: Isso é coisa tua, não é? A Rafaela não teria como fazer nada sozinha.

CAEL: Deixa ele, Danilo. Não é o que você faz que me agride; É saber que eu ainda me sinto culpado pelo o que você se tornou.

Marco ali, com ódio, vê Cael, Dcr e Joana entrarem na boate. Marco vai até a calçada, bufa, muito irritado.

RAÍZA: (sarcasmo) Difícil lidar com a má reputação, né?

Marco se volta, se aproxima ao máximo de Raíza, charmoso como ele só.

MARCO: Difícil mesmo é você ser minha noiva, mas saber que é na cama do meu irmão que você se deita.

RAÍZA: Ele não me obriga a fazer nada que eu não queira, Marco.

MARCO: Parece que eu andei me boicotando, não é?(Raíza séria, encarando-o) Só que eu já pareci o que não era; Hoje eu sou o que não pareço.

Marco vai embora. Raíza franze o olhar, estranhando.

CENA 14 CURTO-CIRCUITO – ESCRITÓRIO [INT. / TARDE]

Dcr, pensativo, seguindo logo atrás de Cael, que apanha umas folhas de cima de uma mesa.

DCR: Cael, você acha que se a Rafaela tivesse que forjar alguma prova, ela teria como fazer isso sozinha?

CAEL: Você quer saber se eu a teria ajudado a forjar um vídeo? (T) Eu não to acreditando que você vai entrar na paranoia do Marco, Danilo.

Dcr anda pela sala, mãos na cintura, incomodado.

DCR: Apenas me diga se seria possível?

Cael apoia as mãos sobre a mesa, olhar firme para Dcr.

CAEL: Aquele vídeo não é fake, Danilo. A Rafaela não seria idiota de cometer um crime. Por que isso agora?

Dcr respira fundo, pensa um pouco.

DCR: Você deve ter razão; Acho que to ficando paranoico.

Cael toca em seu ombro, passando confiança.

CAEL: Marco será condenado e você poderá enterrar essa história definitivamente. Imagine se a Rafaela tivesse gravado e forjado o vídeo? Isso é dizer que ela anda encobrindo o verdadeiro culpado. Não é?

Cael dá as costas, e enquanto ele sai da sala, Dcr ali, pensativo. Ele olha para o laptop na mesa. Em Dcr, esperto.

Vista aérea da Carioca News

CENA 15 CARIOCA NEWS [INT. / TARDE]

Lila e Roger vem andando pelo corredor, enquanto conversam.

ROGER: Não, Lila, cê tem que mandar a real pra Rafaela. Tá no contrato que ela tem que se meter nas minhas coisas?

LILA: Roger, se você reclama dela aqui, como é a sua convivência com ela no seu apartamento?

ROGER: Tirando os dias em que ela coloca pimenta na comida sabendo que sou alérgico? Fora o atentado que sofremos? Tudo normal, mas aqui...

Lila para diante de uma cafeteira, apanha uma xícara e despeja café.

LILA: Vou falar com ela. E sobre o atentado? (toma um gole) Alguma novidade?

ROGER: Ela afirma que foi o Marco. Mas sei lá, muita falta de psique alguém fazer aquilo, não? Marco parece um tipo tão sentimental.

Os dois voltam a caminhar.

LILA: Sempre achei isso.

Lila chega a sua mesa, liga o monitor e se senta.

ROGER: (pensa alto) Um tipo sentimental não seria um assassino frio, não?

LILA: Meu Deus! O que é isso?

Na tela do computador, aparece uma mensagem em vermelho com fundo preto: “Você vai esperar que mais mortes aconteçam como a da Vicky e Bianca, ou vai transformar logo o caso em livro?”.

Roger, chocado.

ROGER: Que isso, Lila?! Que mensagem é essa? Apaga isso!

Roger aperta uma tecla, mas nada acontece.

LILA: Um hacker invadiu meu computador, Roger. Isso só vai sumir depois de alguns segundos...

E a mensagem some.

LILA: Só pode ser uma brincadeira, né?

Em Roger, duvidando.

Vista aérea da cidade à noite

CENA 16 COLÉGIO [EXT. / NOITE]

Ouvimos risadas e gemidos vindos a uma certa distância. Ouvimos passos, enquanto a CAM vai se aproximando, passa pela janela, e vemos um casal se agarrando dentro da sala de aula. Muito suspense.
CORTA PARA

COLÉGIO - PÁTIO [INT. / NOITE]

CAM vai ganhando o corredor, às escuras.

GAROTO #2 (O.S): Eu vou na frente, gata. A gente se encontra na esquina.

Pela penumbra, a mão enluvada segura um pedaço de pau, à espreita de uma porta.

CORTA PARA

O EXTERIOR DO COLÉGIO

Onde o garoto #2, vestido como gótico, corre sorrateiramente pelos fundos, olha para os lados e logo SALTA o muro. O garoto se ajeita na
CALÇADA
Quando a CAM se posiciona entre o garoto e a janela logo atrás do 2º andar do colégio.

VOZ FEMININA (O.S): NÃÂÂÂO!

O garoto se assusta, e o vidro da janela se estilhaça com o corpo da garota #2, também gótica, sendo arremessado de lá. A garota cai no asfalto, morta, de olhos arregalados, com uma marca de pancada na testa e muito sangue.
O garoto dá um grito apavorado.

CORTA PARA

SÉRIE DE SEQUÊNCIAS / NOITE

  1. Uma gótica correndo assustada no corredor de um COLÉGIO, ouvimos um tiro e a garota cai no chão, morta.

  2. Mais um tiro e uma gótica cai sobre as carteiras de uma sala de aula.

Ouvimos fotos sendo tiradas de cada uma das garotas, até chegar na garota #2.

CORTE CASADO

CENA 17 CARIOCA NEWS – ESCRITÓRIO [INT. / MANHÃ]

A foto anterior é segurada por mãos masculinas.

LILA (O.S): O senhor acha que o assassino é um obcecado pelos meus livros?

Um policial, que segura a foto, está ao lado de Roger. Este se mostra pensativo.

POLICIAL #1: Todas as evidências levam a isso. As últimas mensagens de um sujeito chamado “Mestre’, em seu blog denunciam uma indignação pelo fim da saga Nilo. E as cinco vítimas eram noivas.

Alexandre está de pé, com um copo d’água em mãos.

ALEXANDRE: Mas isso é uma retaliação?

ROGER: (pensa) Isso é fanatismo...

ALEXANDRE: O que disse?

ROGER: Seu polícia, o Douglas Souza ainda é suspeito dos crimes, não é?

Close no policial, Lila e Alexandre.

CORTA PARA

CENA 18 CASA DE DOUGLAS - SALA [INT. / TARDE]

Dois policiais, apontando suas armas, invadem uma SALA branca, com mobília antiga cheia de livros, sofá preto, quadros com pinturas clássicas.

POLICIAL #1: Verifica o quarto! Rápido!

O policial #2 entra num corredor e some.

POLICIAl #2 (V.O): Vem dar uma olhada nisso!

CORTE DESCONTÍNUO PARA

Um mural repleto de recortes de jornal com as fotos de Dcr, Marco, Rafaela, em noticiários antigos. HQ de heróis como Super-Man, Batman, X-Men; Livros de Lila, Ágatha Christie e Allan Dick (3x05) espalhados pela mesa, com destaque para a capa de um deles: “Inimigo Oculto – A verdade por trás de um herói | Allan Dick”.
POLICIAL #1: Esse cara é louco.

O policial vai olhando a mesa até se deparar com um laptop fechado. O policial abre e vê uma sinopse televisiva.

O assassino de Ari continua livre e cometendo outros crimes, obstinado em sua jornada criminosa. É a sina do sociopata quando comete o primeiro crime...Talvez o segundo. Ele não para, não cede e não gosta de ver seu principal inimigo ovacionado pela imprensa. Está na hora do herói salvar a sua mentora desse louco.”

O policial #1 encara seu colega.

POLICIAL #1: Vamos para a Carioca News, agora!

CORTA PARA

CENA 19 CARIOCA NEWS – ESTACIONAMENTO [INT. / NOITE]

Lila vem andando depressa com o celular no ouvido.

LILA: Ele mentiu, Danilo. Fica claro que o assassino é obcecado pela sua história e por qualquer outra de suspense. A Vicky era noiva de um fanático literário.

Um sombra passa atrás de Lila. Lila olha para trás e só vê carros.

LILA: Eu acho que o Marco não foi bem aceito como o vilão da história.

CORTA PARA

Dcr, sentado na mesa do ESCRITÓRIO.

DCR: E os fãs esperam que você invente um?

VOLTA PARA LILA. CLOSE.

LILA: Na verdade, ele parece querer só um motivo pra eu continuar a saga.

Forte suspense. A mão com luva preta cobre a boca de Lila e ela some da tela.

A tela se fecha num baque.

QUARTO ATO

 

FADE IN

Noite. Fachada de um prédio inacabado e abandonado, apenas no tijolo, com as suas aberturas para portas de sacada e janelas, cercado por muito matagal / Corta

CENA 20 PRÉDIO ABANDONADO - CORREDOR [INT. / NOITE]

O local é iluminado apenas pela luz natural que entra pelas aberturas. Muita sujeira, pedaços de viga e madeira expostas.

LILA (O.S): EI! Cadê você? (T) Me tira daqui!

CAM passeia pelos corredores e ouvimos o chamado de Lila mais alto.

LILA (O.S): Eu sei que é você, Douglas. Apareça! Vamos conversar.

CAM alcança uma porta aberta e Lila está na sala, sentada no chão e com as mãos voltadas para trás. Lila nos encara, séria.

LILA: Douglas, que lugar é esse? O que você quer de mim?

Douglas, em trajes punk, sorri com um olhar alucinado.

DOUGLAS: O que a gente espera de uma escritora. Que escreva. (sorri) Eu quero que você volte a escrever a saga Nilo.

LILA: Douglas, eu só comecei a saga pra chamar a atenção da mídia e não deixar que o caso ficasse esquecido. O caso já foi resolvido.

Douglas faz a negativa, enquanto caminha pela sala.

DOUGLAS: Não, não...Toda boa história contendo um assassino passa por seis fases: (Douglas conta no dedo) O crime, a investigação, o suspeito número 1, as pistas falsas, um novo crime prestes a ser cometido nos mesmos moldes que o anterior e o confronto entre o herói e o vilão. Como o suspeito número 1 é flagrado cometendo o crime e só após meses de investigação, o vídeo aparece?

LILA: Nem toda história segue o mesmo padrão.

DOUGLAS: Então pode haver uma parte 2 de uma história, não pode? E desta vez, com um personagem novo. Eu!

Douglas ri, louco. Lila com medo.

DOUGLAS: Você percebe o cenário? Um prédio inacabado, uma donzela em perigo...Não tá lembrando nada não, senhorita Lila? (Lila, tensa) Tá com cara de mais um crime, não é? Só que não! (risos) Se todos os nossos convidados receberam a minha mensagem, eles já devem estar chegando...

LILA: “Eles” quem?

Douglas aproxima o rosto, animado.

DOUGLAS: O vilão da história e os heróis para nos salvar. Não será digno de livro, linda Lila?

Em Lila, temerosa.

CENA 21 PRÉDIO ABANDONADO [EXT. / NOITE]

Dcr e Raíza espreitam pelo mato.

DCR: Já sabe, Raíza: apenas em situações extremas, use o seu lado heroína.

RAÍZA: Não seria nessa hora que você retarda o tempo e salva a sua amada?

Dcr faz careta e Raíza sorri cínica.

DCR: Eu posso retardar mil vezes o tempo, mas não posso mudar a cabeça de alguém.

RAÍZA: Não há dúvidas de que você é um herói; todo herói adora uma frase de efeito.

Dcr faz careta novamente.

CENA 22 PRÉDIO ABANDONADO – SALA [INT. / NOITE]

Vários ângulos mostram Douglas batendo a cabeça num pedaço de madeira, sendo jogado contra a parede, batendo novamente na madeira. Lila, horrorizada, fecha os olhos para cada ação. Douglas está sozinho, se auto agredindo, até que para, exausto.

DOUGLAS: (em tom de narrador) “Douglas conseguiu se libertar das cordas e tentou salvar a bela escritora, amarrada numa cadeira. Mas o vilão, implacável, agrediu o bom moço e estava disposto a matar a mentora de seu inimigo Nilo”. E aí, Lila? Tá curtindo o enredo?

LILA: Douglas, cê não precisa disso.

DOUGLAS: Como não? Tem que dar veracidade à história, senão você não consegue convencer os fãs.

LILA: O que você quer afinal? Sair como o herói ou como vilão?

DOUGLAS: Heróis nós já temos. E vilão só existe um que persegue os heróis até ele finalmente morrer. Eu sou o motim que fará o vilão sair da toca e tornar a matar. É assim que eu vou aparecer no seu livro, entendeu?

Ouvimos um barulho.

DOUGLAS: Espero que o vilão tenha chegado primeiro.

CORTA PARA O

CORREDOR

Por onde Douglas caminha sorrateiramente. Ele se aproxima de outra porta, muito suspense, close em seu rosto, até ele receber um golpe na testa. Douglas vai para trás, mas se mantém de pé.

DOUGLAS: (animado) Senhor diretor...Eu sei que é você.

O sujeito de máscara e capa preta o segura pelo colarinho e o arremessa para o INTERIOR de uma SALA.
Douglas cai sobre um entulho de madeiras.

CORTA IMEDIATAMENTE PARA

Dcr e Raíza, já na entrada do PRÉDIO. Os dois ouvem o barulho e saem correndo.

VOLTA EM DOUGLAS

Sendo arremessado várias vezes de contra a parede pelo sujeito da capa preta que o segura pela cabeça.

LILA (O.S): Douglas! Pelo amor de Deus, o que tá acontecendo?!

Quando o sujeito solta, Douglas cai no chão com a testa toda ferida.

O sujeito SAI da sala.
Corta para Lila que olha para a tela, com medo.

LILA: Eu não to gostando dessa brincadeira, me tira daqui AGORA!

O sujeito a levanta com força sob seus GRITOS.

SÉRIE DE SEQUÊNCIAS

  1. Dcr e Raíza correndo, seus passos ecoam pelo local.

  2. Lila leva um TAPA.

  3. Douglas se levantando, machucado.
    DOUGLAS: Lila! Eu vou te salvar!

  4. Lila é jogada de contra a parede, Douglas chega no local e, quando vai pra cima do sujeito, este se volta com uma braçada, acertando a cara de Douglas.
    Douglas cai, inconsciente. O sujeito encara Lila e vai pra cima dela novamente.

  5.  [Efeito câmera lenta] Dcr e Raíza estão alcançando a sala onde eles estão.

O sujeito agarra Lila pelo braço, prestes a lançá-la para fora do prédio.
No que Dcr e Raíza entram, Dcr, traumatizado, estaca ao ver a cena, e num efeito digital, a CAM dá um giro de 90º revelando ARI no lugar de Lila, vestida de noiva e sendo arremessada pelo mesmo sujeito. VOLTA em Dcr que, tomado de fúria, avança rapidamente, empurra o assassino e segura Lila já com o corpo fora do prédio. [Fim do efeito câmera lenta] Lila e Dcr se encarando, aliviados.

O sujeito se volta, e dá com Raíza, segurando um pedaço de madeira na entrada. Ouvimos sirenes de polícia.

RAÍZA: Daqui você não passa.

Atrevido, o sujeito avança e empurra Raíza para fora da SALA, mas ela se apoia no assassino, um FLASH DE LUZ se abre revelando uma sequência rápida:

  1. Uma arma sendo apontada para Afonso Abjumara (2x07) e disparando um tiro.

  2. Um frasco com líquido amarelo ouro sendo analisado. Ouvimos vozes distorcidas.

  3. Hans e Marco olhando para alguém fora da tela.

  4. Um cenário sombrio onde mesas sustentam pequenos frascos com poções, um pequeno altar com velas, até chegar em alguém de costas, de sobretudo preto. Quando a pessoa vai mostrar o rosto/

VOLTA EM RAÍZA

Nitidamente fraca e que leva um tapa do sujeito. O sujeito sai em disparada.

FADE TO BLACK

FADE IN

CENA 23 PRÉDIO ABANDONADO [EXT. / NOITE]

Policiais no local, Douglas sai do prédio algemado.

DOUGLAS (ensandecido): Era o diretor, eu to dizendo. Ele ia matá-la, mas aí o herói dela apareceu, exatamente como deveria ter acontecido com a Ari, vocês entendem?

Logo atrás, vem Lila apoiada em Dcr.

DCR: Tá tudo bem agora, tá? Vou te levar pra casa.

LILA: (ofegante) Eu vi a hora que eu ia morrer, Danilo. Eu tive tanto medo da sua história se repetir. (Dcr a encara, pensativo) Me desculpe...Foi minha culpa.

DCR: Você não é a primeira escritora, nem eu o primeiro herói a atrair esse tipo de fã, Lila. Vamos pra casa.

Lila faz que vai dizer algo mais, mas Roger surge abraçando o casal.

ROGER: Ai, graças a Deus, meus amigos vivos! E o bandido da capa preta? Foi pego?

DCR: Infelizmente, não. Ele agrediu a Raíza e conseguiu fugir.

ROGER: Como é que é?

Roger vê Raíza saindo do prédio, cansada, e a abraça.

ROGER: Raíza, amada, ele te bateu muito?

RAÍZA: Eu to bem, Roger. Sobrevivi.

Em Raíza, contendo a raiva.

FADE OUT

FADE IN

Vista aérea da cidade à noite / Corta

CENA 24 DELEGACIA – CARCERAGEM [INT. / NOITE]

Lila está sentada, ouvimos som de porta se abrindo. Douglas entra, e ao ver Lila, sorri feliz e se senta imediatamente.

DOUGLAS: Eu sabia que você viria, Lila. Olha, o meu nome pode ser Allan ou Vlad, não sei...(pensa) Acho Vlad meio vilanesco...

LILA: Esqueça, Douglas! Eu não vou te incluir no meu livro, muito menos continuar a saga Nilo por sua causa. Você me expôs ao perigo, me colocou na cena de um crime.

DOUGLAS: Você devia me agradecer (Lila se espanta). Graças a mim você passou por uma experiência incrível. Esteve nas mãos do assassino, tem ideia do ótimo material que você tem pra um livro?

LILA: A única ideia que eu tenho é que você é maluco. Eu podia ter morrido, e quem você acha que escreveria a sua história? Sidney Sheldon?

Douglas põe os cotovelos sobre a mesa, pensativo.

DOUGLAS: Confesso que não calculei muito bem o roteiro. Subestimei o inimigo...Muito perspicaz. Um vilão a altura do herói.

LILA: Douglas, eu vim aqui saber se você matou aquelas garotas apenas para ter um papel em meu livro ou para incriminar o diretor Josué?

DOUGLAS: (zangado) Você acha que eu sou o quê? Um insano? (Tempo / risos) Foi uma jogada de mestre, não foi? O diretor mata a minha noiva, acha que acabou com o que ele chamava de desordem no colégio, de repente outras mortes acontecem seguindo o mesmo padrão, fazendo a polícia cair em cima dele.

LILA: E...?

Douglas aproxima o rosto, faz segredo.

DOUGLAS: E que uma investigação mais pesada levaria todos a descobrirem que o senhor diretor é o arqui-inimigo do Nilo.

Lila vai para trás, com cara de besta.

LILA: Não acredito...

DOUGLAS: Agora você entende?

LILA: Você matou a sua noiva, matou as outras garotas só para tentar incriminar uma pessoa de quem você não gosta?

DOUGLAS: Eu já disse que não matei a Vicky! Eu sou que nem o Nilo, perdi a minha noiva, preciso que você dê destaque pra isso.

Lila vai se levantando, chateada.

LILA: Você quer se comparar a uma pessoa de caráter como o Nilo? Ele nunca mataria alguém para incriminar quem quer que seja.

Douglas segura sua mão, ríspido.

DOUGLAS: Eu fiz tudo que fiz pra você continuar a saga, Lila!

Lila tenta desviar, Douglas se levanta e sacode seus braços.

LILA: Me solta! GUARDA!

DOUGLAS: A polícia tem que investigar o diretor, me escuta!

A porta abre, um guarda entra e segura Douglas com força, o arrastando dali.

DOUGLAS: Você tem que continuar a história, Lila! Eu sou a pessoa que revela o assassino! Cê precisa fazer isso por todos nós!

Em Lila, muito impressionada.

CENAS FINAIS

FUSÃO PARA

CENA 25 CURTO-CIRCUITO – ESCRITÓRIO [INT. / NOITE]

Dcr digitando no laptop de Cael. A tela exibe uma janela com uma lista de documentos, históricos e pastas. Dcr lamenta, faz que vai se levantar, quando ouvimos um alerta. A tela exibe uma janela de chat e uma pessoa com o Nick “Rafa” chamando.
Dcr pega o fone sobre a mesa e se prepara para a conversa.

Na tela, Rafaela aparece para surpresa de Dcr.

RAFAELA: Cael, preciso falar contigo.

Dcr começa a digitar com o nome de Cael.
CAEL: Por agora, prefiro digitar. Aconteceu alguma coisa? (joga) Tem a ver com o nosso plano?”

RAFAELA: Sim (Dcr se mostra afoito). Depois do que houve com o Douglas, muitos fãs estão acreditando que pode haver outro assassino da Ari. Sabe o que isso significa, não sabe?

Ouvimos um celular tocar, Rafaela atende e olha para a tela do pc, assustada. Em seguida, o chat é desligado. Dcr, sem entender.

Plano geral e alto da sala vista através de uma câmera escondida.

CORTE DESCONTÍNUO EM

Cael, observando tudo pelo seu tablet, e ao celular, acabando de fazer uma ligação. Ele está sentado num sofá em plena movimentação na CURTO-CIRCUITO.

FUSÃO PARA

CENA 26 CLÍNICA NOVO HORIZONTE – JARDIM [MANHÃ]

Joana, de uniforme branco e o crachá de “enfermeira”, acaba de falar com uma paciente, quando vê Erom e Valquíria se dirigirem a uma sala. Joana caminha sorrateiramente, saca um celular de dentro do bolso, até se aproximar da sala.

Pela fresta da porta, Valquíria está sentada, meio absorta, enquanto Erom injeta uma substância em seu braço. Valquíria arregala os olhos, parecendo hipnótica.

Volta em Joana, já com o celular a postos.

JOANA: Pode não ser nada, mas o que eu to vendo aqui não é procedimento comum desta clínica.

CORTA PARA

CENA 27 RUA DA CIDADE [MANHÃ]

Roger, ao celular, vem andando pela calçada.

ROGER: Seja cuidadosa, Joana. Essa gente pode ser da máfia.

Roger se aproxima de um carro, para um instante.

ROGER: Mantenha contato e registre tudo que você achar estranho (T), quero dizer...Algo mais estranho que o normal de um hospício, ok?

E Roger desliga o celular, abre a porta do carro e entra, já pegando Alexandre no banco do motorista, ao celular.

ALEXANDRE: Não se preocupe, Lara, não pretendo mais te atormentar com isso.

Alexandre desliga o celular e olha para Roger fingindo que nada ouviu.

ROGER: O senhor disse que tinha um serviço pra mim, boss?

ALEXANDRE: Um serviço fora de sua ossada, Roger. Você conseguiria uma amostra para DNA (Alexandre tira do bolso da camisa duas fotos) dessas pessoas?

Roger dá uma olhada nas fotos de Cael e Marco. Roger não entende.

ROGER: Tem algo a ver com o caso Nilo ainda?

ALEXANDRE: Tem algo a ver com o aumento de salário que eu pretendo te dar, se manter o sigilo.

Roger quase titubeia, mas sorri, animado.

CENA 28 RUA DA CIDADE [NOITE]

Rafaela anda rapidamente por uma calçada, sempre olhando para trás, tensa. Suspense. Mãos masculinas agarram Rafaela e a prensa de contra uma parede. Susto na garota.

RAFAELA: (se refaz do susto / irônica) Você não perde essa delicadeza, não é?

Josué a encara, sedutor.

JOSUÉ: E não foi por isso que você aceitou o meu convite?

= = TOCANDO: Devil Wouldn’t Recognize You – Madonna = =

Os dois se beijam ardentemente, depois Josué a beija no pescoço e notamos a expressão tensa no rosto de Rafaela, olhando ao redor.

FUSÃO PARA

CENA 29 APTº 3011 – QUARTO [INT. / NOITE]

Ângulo Alto de Dcr deitado na cama, pensativo. Dcr desvira um porta retrato sobre a sua barriga e pelo seu PONTO DE VISTA, a foto mostra ele e Lila abraçados. Dcr abre o porta retrato e retira uma outra foto oculta, revelando ele e Ari no dia em que se casaram na mansão de Cael (2x15).
Dcr deixa escorrer uma lágrima.

FUSÃO PARA

CENA 30 NOVO DIA [INT. / MANHÃ]

Tela de um computador exibindo a seguinte matéria:
“Jornalista da Carioca News é alvo da própria história – Boatos de que se tratava de um golpe de marketing ganha a rede”.

Hans, sentado, está lendo a própria matéria, extasiado. O celular toca, Hans apanha o telefone de cima da mesa e dá um giro na cadeira, todo se achando.

HANS: Não ficou perfeito? Quem vai comprar a história do Douglas depois disso?

CORTE DESCONTÍNUO PARA

Cipriano, de costas, e ao celular em seu PORÃO.

CIPRIANO: Meu amigo Erom está sendo muito eficiente em te ajudar, caro Hans. Tenha certeza de que ninguém vai se preocupar em descobrir a veracidade dos boatos...

E Cipriano se volta, segurando uma CAPA PRETA.

CIPRIANO: Não queremos dar publicidade a uma fantasia, não é?

CAM vai se aproximando da capa até que

A imagem se funde com a tela preta.
A música termina nos créditos

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