0:00 min       RAÍZA 2ª TEMPORADA     SÉRIE
0:32:00 min    


WEBTVPLAY APRESENTA
RAÍZA 2


Série de
Cristina Ravela

Episódio 20 de 23
"Quebra de Sigilo Parte 2"



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FADE IN

= = Music On – Suspense = =

CENA EM QUE ANITA PROCURA ARI

Ari sai do café, apressada, close em seu rosto.

[OFF]: No episódio anterior...


VOZ FEMININA: Sempre tão agitada...

Ari se volta e se surpreende.

ARI: Vó Anita?

CENA EM QUE ARI E DCR CONVERSAM SOBRE ANITA

DCR: A sua vó veio te cobrar o passado?
[...]
ARI: [...] Se ela descobre que existe uma chance d’eu ser presa pela morte do filho dela, ela não vai sossegar até conseguir isso.
[...]
DCR: [...] Depois de tanto trabalho, acha mesmo que vou deixar que separem a gente?

CENA EM QUE CIPRIANO MANIPULA DCR

CIPRIANO: [...] Acho que você iria precisar muito mais que boa vontade para driblar a segurança da Coffee Break.
[...]
DCR: Eu agradeço o conselho, mas não vou precisar. Com licença. (Ele dá as costas)

CIPRIANO: Ok, eu só queria ajudar (Dcr para). Mas pense bem em quem fazer esse serviço, já que você não é Raíza para passar despercebido.

CENA EM QUE RAFAELA NÃO ACEITA AJUDAR DCR EM SEU PLANO DE INVADIR O ESCRITÓRIO DE MARCO

RAFAELA: (levanta assustada) Quê?! Cê ta maluco? Tá querendo que eu morra, é?

DCR: É tão difícil assim pra você fazer algo que já fez antes?

RAFAELA: [...] Você tem ideia do que o Marco é capaz de fazer? Não, você não tem. Você pensa como super herói, quer agir como super herói, mas você não é um super herói, entende?

CENA EM QUE CAEL É DURO COM DCR

CAEL: [...] Você tinha me dito que havia um jeito de convencê-la a aceitar sua ajuda, por isso esperei. Mas parece que você não teve coragem de pôr em prática esse jeito, não é?
[...]
DCR: Mas mesmo que eu a tivesse convencido, o plano não seria executado por agora, não?

CENA EM QUE DCR PROCURA CIPRIANO

CAEL (V.O / desconfiado): Tudo a seu tempo, Danilo. Você já fez a sua parte, deixe que do resto eu cuido.

Takes da cena em que Dcr chega à casa de Cipriano.
Ele sobe o lance de escadas e aproxima-se da porta principal. Ouvimos quando esta é destrancada e aberta.

DCR: Eu espero não me arrepender disso.

CAM gira e para em Cipriano que sorri satisfeito.

CENA EM QUE DCR PERDE A INVISIBILIDADE NA COFFEE BREAK E TRAVA UMA LUTA COM VALENTINA

Dcr avança em Valentina, Rafaela se joga pra trás, surpresa e assiste a luta.
Dcr tenta segurar suas mãos onde está o transmissor, batem de contra a parede e os dois medem força.

VALENTINA: Me solta, seu covarde! Eu vou acabar com você!

Ela se livra dele usando o salto fino sobre sua barriga, lhe dá um soco de esquerda, mais um soco, mais um, até que na quarta, com a boca sangrando, Dcr se esquiva, fazendo a megera socar o ar. Rapidamente, ele a segura pelas costas, comprimindo sua barriga e tentando torcer seu braço para trás onde está o rádio. Valentina se contorce, mas não se esforça muito...

VALENTINA: Seu imbecil! Você ta perdendo tempo; Eles já sabem que você ta aqui.

Ele consegue pegar o objeto e a empurra fazendo-a cair no chão.

CENA EM QUE DCR É DESCOBERTO PELOS SEGURANÇAS

[...] Dois seguranças abrem uma porta rapidamente e sobem a escada. [...]

Dcr corre, close em seu rosto, angustiado, e decidido. O suspense aumenta.
De repente, ele é atingido na testa com o cano de uma arma fazendo-o cair para trás. Zonzo, sua testa sangra e ele tenta abrir os olhos.

[POV de Dcr]
Marco surge a sua frente e sorri cinicamente.

MARCO: Vamos dar uma volta.

CENA EM QUE MARCO SENTENCIA A MORTE DE DCR

Quatro carros pretos vêm pela rua, até então vazia, ladeada por casas velhas, terrenos baldios e galpões abandonados. [...] Os carros param, DESFOQUE para o porta-malas sendo aberto. Dcr está acordado, com as mãos amarradas para trás, e desesperado diante dos caras.

SEGURANÇA#1: O que fazemos chefia?

MARCO: (frio) Apague. Não queremos que o novo milionário veja o lugar decadente aonde ele vai se despedir do mundo.

Helena faz que aprova.
No momento em que Dcr vai levar um soco...

...A tela se fecha num baque / Music Off


2X20
QUEBRA DE SIGILO parte II


FADE IN

CENA 1 CURTO-CIRCUITO - CHAPELARIA [INT. / NOITE]

A casa está cheia. Ari acaba de colocar a bolsa de uma cliente no guardador, e volta olhando firme para o seu celular na segunda bancada abaixo do balcão.

ARI (p/si): Ai meu Deus, será que deu tudo certo?

Um segurança se aproxima deixando-a sobressaltada.

SEGURANÇA#3: Dona Ariadne? Tem uma senhora lá fora querendo falar contigo. Disse ser sua vó.

Ari se perturba.
Cael, do alto da escada, observa quando ela sai.

CORTA PARA

CENA 2 CURTO-CIRCUITO [EXT. / NOITE]

Ari atravessa o portão procurando alguém. Ela vê Anita do outro lado da rua, próxima a um poste.
DESFOQUE em Ari já diante da avó.

ARI: Fala logo, o que é?

ANITA: Continua petulante, hen garota. É o seguinte, eu andei pensando muito naquilo que você me falou, e eu não quero prejudicar ninguém inocente por conta de seus crimes. (Ari retorce os olhos) Entretanto, como tudo na vida tem um preço e, pro seu maridinho isso não seria problema/

ARI (cortando): Olha, eu já entendi, ta? E sei muito bem onde isso vai parar. A senhora pega a grana, some, depois volta alegando que a grana acabou.

ANITA: Que isso, garota? Olha o respeito! Só estou lhe pedindo uma ajuda de custo. Um valor razoável de 7 dígitos deve ser melhor do que a prisão.

ARI: Meu marido não ta por aqui. Não vai dá pra extorqui-lo agora.

ANITA: Eu espero você ligar pra ele.

ARI: Não vou ligar coisíssima nenhuma. Estou no meu horário de trabalho, se me der licença...

Corta para os carros que freiam bruscamente deixando as pessoas em pânico. Movimentos rápidos. Portas se abrem, quatro homens encapuzados saem deles deixando Ari e Anita atônitas. Ari tenta correr, mas acaba sendo agarrada por dois deles.

ARI: Ai, que isso?! Me solta, me soltaaaaaaaaa!

Cael, da porta da boate, assiste a tudo, surpreso.
Ari é jogada para dentro do carro e todos aceleram.

ANITA (maliciosa): Bem feito.

CORTA PARA

CENA 3 RUAS DA CIDADE [NOITE]

Ângulo de cima
Os carros da cena anterior param em frente a um terreno extenso e murado que leva ao galpão.

Corta para as portas que se abrem, os caras encapuzados retiram Ari à força, também encapuzada, que se debate.
Marco retira o capuz dela deixando-a descabelada. Ari se apavora.

ARI: Marco? O que ta acontecendo?

MARCO: Você não sentiu falta do seu esposo, minha querida? Resolvi promover um encontro.

O suspense marca.

CORTA PARA

CENA 4 GALPÃO [INT. / NOITE]

O corte é feito direto na expressão de desespero em Ari.

ARI: DCR! DCR! (Marco a segura / ela se debate) Seu desgraçado! O que cê fez com ele?

MARCO: (ele consegue dominá-la / mantém a calma irritante) A pergunta é: O que você acha que eu deveria fazer com quem entra em meu escritório sem ser convidado?

Ari reage surpresa.

MARCO: Você está surpresa? Não devia. Aquela história de deixar o nosso acordo para o ano que vem era para ganhar tempo, não era? (tensão em Ari) Eu entendi tudo. Fico profundamente triste pela sua falta de palavra.

ARI (perturbada): Não, olha, não é nada disso, eu (vacila) eu não sei o que houve, ta? Não precisa fazer nada contra ele/

MARCO (corta / cínico): Mas eu não quero fazer nada contra ele, minha querida (Ari se chateia, com olhos já molhados). Eu sou um homem bom, você, apesar de tudo, é uma boa moça, e não precisamos transformar isso num drama, correto?

ARI: Marco, pelo amor de Deus, deixa ele fora disso/

Ele toca seu rosto suavemente para limpar as lágrimas.

MARCO (corta): Me entregue o segredo de Raíza, e você poderá levar seu amado esposo daqui.

Close em Ari, pressionada que olha para algo fora da tela.
[POV de Ari]
Dcr está caído no chão úmido, próximo a caixas de papelão e isopor.

CORTA PARA

CENA 5 APTº 403 – CORREDOR [INT. / NOITE]

CAM acompanha os passos de alguém enquanto segura uma bandeja com uma vela acesa e uma xícara de leite.
Ao adentrar o QUARTO, João, em sua cadeira de rodas, observa sua aproximação; Joana nos encara com certo temor.

RAÍZA (O.S): Trouxe teu leite, João.

Ela sorri estranhamente.

As cenas seguintes se ALTERNAM.

CENA 6 GALPÃO [INT. / NOITE]

Helena, encapuzada, acende o isqueiro deixando Ari nervosa.

ARI: O que vai fazer?

MARCO: Isso vai depender de você.

ARI (entrando em desespero): Por favor, Marco, você não é tão ruim assim...

Helena ergue a mão com o isqueiro aceso deixando a chama iluminar a face de Ari, aflita. Marco balança a cabeça positivamente [efeito câmera lenta na mão de Helena abaixando]...

CENA 7 APTº 403 – QUARTO DE JOÃO [INT. / NOITE]

Raíza pega a xícara da bandeja que está sobre a cômoda.

RAÍZA: Melhor tomar logo antes que esfrie.

João se volta, arredio, pega a xícara da mão dela com raiva.

JOÃO (desconfiado): Eu já disse que não quero tomar agora.

Ele coloca a xícara de volta no lugar com força. Uma estranha ventania adentra o quarto assustando Joana.
De repente, a vela tomba [efeito câmera lenta na vela caindo].

CENA 8 GALPÃO [INT. / NOITE]

[Efeito câmera lenta] Ari grita desesperada. O instante em que o isqueiro cai sobre o chão úmido levantando o fogo coincide com a...

CENA 9 APTº 403 – QUARTO DE JOÃO [INT. /NOITE]

Em que a vela cai sobre as pernas de João e incendeia. Ele grita desesperado, Raíza vai para trás, assustada. Joana grita, mas cobre a boca em seguida, espavorida.

Josué chega da porta e se desespera freneticamente.

JOSUÉ: Meu Deus! João!

Rapidamente, Josué pega uma colcha e sacode sobre as pernas de João que já lacrimeja de dor.

Raíza está consternada. Atrás dela, aparece Bruno estarrecido.

BRUNO: Meu Deus! Mas o que houve aqui?

Já ouvimos a voz de Josué vinda da cena seguinte.

JOSUÉ (V.O): Um atentado, isso que houve ali.


CENA 10 HOSPITAL CENTRAL – SALA DE ESPERA [INT. / NOITE]

Josué já falando para Bruno.

JOSUÉ (nervoso, daquele jeito dele): A não ser que tenha outra explicação. Será que o incêndio aconteceu num passe de mágica?

BRUNO: Josué, quem ia querer fazer uma coisa dessas com o João, me diz?

Josué encara, por instantes, Joana e Raíza sentadas e tensas com a situação.

JOSUÉ (para Bruno): Cê sabe muito bem quem ia querer fazer uma coisa dessas, não sabe?

Joana se levanta exasperada.

JOANA: Seu Josué, ninguém teve culpa.../

JOSUÉ (grosso): Você fica quieta, ta bem? (Joana se senta amuada) A polícia vai decidir quem teve culpa nisso ou não.

BRUNO (surpreso): Eu não acredito que você chamou a polícia, Josué.

JOSUÉ: Não precisei. (Raíza está aflita) O próprio hospital considerou o caso como tentativa de homicídio, e é claro que eu não me opus.

BRUNO: Você ta maluco? Enquanto você não ver a minha filha mofar na prisão você não vai ter sossego!

MARCO (O.S): Isso não vai acontecer, Bruno.

Bruno retorce os olhos, Marco sorri malicioso.

MARCO: Já conversei com a polícia e expliquei que tudo não passou de um ledo engano. (pausa / Josué põe as mãos na cintura, inconformado) Evitei o máximo que eles soubessem a identidade da vítima (para Raíza) para não ter más recordações...(sorri sarcástico)

JOSUÉ: E João é que sai perdendo, não é mesmo, Marco?

MARCO: Não se aflija, Josué. Tudo vai depender da conversa que nós três (para Joana e Raíza) tivermos, pois a polícia vai querer me ouvir novamente e, eu não quero dar um falso testemunho...

BRUNO: E essa polícia não vai querer ouvir a família, não?

Marco toca o ombro de Bruno.

MARCO: Eu só quero poupá-los do constrangimento. (pausa / olha sinuosamente para Raíza e Joana) Vou esperar por vocês na lanchonete. Em meia hora.

Marco sai, Bruno está pasmo.

CORTA PARA

Takes da cidade à noite.

CENA 11 FACHADA - HOSPITAL CENTRAL [NOITE]

Corta para HOSPITAL – QUARTO [INT. / NOITE]

Dcr está deitado na cama, de olhos fechados. Seu rosto está marcado e há hematomas pelos braços. Ele abre os olhos, e sorri ao ver Ari ao seu lado.

DCR: Ari...Que bom te ver de novo.

Ari esboça tristeza, mas sorri aliviada.

DCR: Você deve ta chateada comigo, não é?

Ari aperta sua mão, fervorosamente.

ARI: O importante é que você ta bem.

Dcr sorri meio desconfiado de sua reação.

DCR: Eu devo ta com a cara horrível. (p) Você não trouxe sua maquiagem, não?

Ari ri, escondendo sua tristeza.

ARI: É bom de ter de volta.

CORTA PARA

CENA 12 HOSPITAL CENTRAL – CORREDORES [INT. / NOITE]

Ari está saindo pela porta, cabisbaixa. Marco surge de repente e a abraça, fazendo com que ela se assuste.

MARCO: Como está o seu esposo?

Ela tenta se soltar dele, com raiva, e ele força o abraço, continuando a andar com ela.

MARCO: Pelo visto ele está bem, não é? Não vai ficar com nenhuma sequela desta noite.

Ela permanece calada.

MARCO: Cumpri com o prometido, certo?

Ari não responde, chateada.

MARCO: E já que ele está bem, que tal você cumprir com o seu acordo e ficarmos todos felizes?

ARI: (irada) Não tem como eu ficar feliz, ta? Minha vó teve a mesma idéia que a sua e eu sei muito bem que grana nenhuma vai fazê-la desaparecer da minha vida.

MARCO: Hmmm...Parece que você está em maus lençóis, minha querida, mas não se perturbe.

Marco para forçando-a a parar também. Põe as mãos nos bolsos da calça e se vira de frente para ela.

MARCO: (cont.) Os bons sempre vencem, não é assim? (Ari apenas o encara, com raiva) Te espero em meu escritório em duas horas. Não se atrase.

Ele dá as costas deixando Ari possessa.

JOÃO (O.S): Ari! (pausa) Ari!

Ari olha para onde vem a voz e se depara com João na cama do quarto ao lado e com as pernas enfaixadas e suspensas.

ARI: João?

CORTA PARA

CENA 13 HOSPITAL CENTRAL – QUARTO [INT./ NOITE]

A conversa entre Ari e João já está iniciada.

JOÃO: E foi isso. Meu tio acredita que foi tentativa de homicídio.

ARI: Que absurdo! Essa obsessão que ele tem em te proteger da Raíza é delirante. Não é bem essa atitude que uma pessoa como ele deveria ter...

JOÃO: Uma pessoa como ele...Como assim?

Ari quase ia falando demais.

ARI: Ah...De bom tio...Para ambos os sobrinhos. (p) Mas você não leva fé no que ele disse, não né?

JOÃO: Ari, o único spray que uso é o que a Joana trouxe do hospital/

ARI: (corta) E por isso você acha que a Raíza trocou os sprays por um inflamável para tentar te desmascarar?

João finge expressão de dúvida.

JOÃO: Ah, sei lá...Você teria outra explicação? No fundo você acha a mesma coisa, não acha?

ARI: O que eu acho é que você deveria abrir o bico, falar logo que já pode andar, porque se a Raíza tiver alguma coisa a ver com isso mesmo, ela pode fazer coisa pior, não pode?

JOÃO: Tá vendo? Você já ta considerando a hipótese/

ARI: (nervosa) Não to considerando nada, garoto! Não distorça o que eu disse!(ele emudece, assustado) Você ta passando dos limites. Aquele papo de querer que a Raíza dissesse a verdade, que te empurrou do viaduto, era balela, eu sempre soube disso. Mas como eu tava agradecida por você ter me salvado, eu preferi guardar segredo. Mas eu não aguento mais ser cúmplice de uma cachorrada dessas.

JOÃO (ressabiado): Do que você ta falando?

ARI: Do verdadeiro motivo de você estar fingindo esse tempo todo (tensão em João). Você sabe que a Raíza não teria coragem de te jogar na cadeia com você nesse estado, não sabe?

JOÃO: Eu...Eu não sei do que/

ARI: (corta / joga) Você sabe onde está a única prova do que eu to dizendo? (João fica mudo) Não tem medo que ela apareça de repente?

JOÃO (desconversa): Você...Você ta nervosa. O que houve?

ARI (insiste): Não tem medo que ela apareça de repente?

JOÃO: (esperto, mas sincero) A única coisa de que tenho medo é que você me dê as costas, Ari. (ele pega em suas mãos / Ari se mantém fria) Quando eu levantei daquela cadeira e...E tirei o Victor de cima de você, eu...Eu juro que tinha esquecido da minha falsa condição.

ARI: Ah, João...

João a segura forte.

JOÃO: Você sabe que eu não agi com a razão naquele momento, não sabe? (Ari desvia o olhar) Quem abriria mão de um segredo para alguém que poderia a qualquer momento revelá-lo para a amiga?

Ari fica ali, só observando o truque barato de João.
CAM busca Raíza atrás da porta, ouvindo tudo.

CORTA PARA

CENA 14 HOSPITAL CENTRAL – QUARTO [INT. / NOITE]

CAM vai se aproximando da cama onde Dcr está deitado. Este abre os olhos e vê algo a sua frente que o deixa sem graça.

DCR: O-oi Cael...

Cael está parado bem diante dele, sério, e fazendo ar de quem se compadece com seu estado.

CAEL: Como está se sentindo?

DCR: Ahn...Meio quebrado, mas sobrevivo.

Cael balança a cabeça afirmativamente numa expressão de dar medo, começa a caminhar para o outro lado, enquanto toca o ferro da cama.

CAEL: Sabe, eu fiquei surpreso quando a Joana veio me perguntar se eu não tinha alguém mais capacitado para mandar invadir o escritório de Marco. Juro que fiquei sem palavras.

DCR (titubeia): Ahn...Eu...Eu posso explicar/

CAEL: (corta) A parte do “vou salvar a minha amada esposa das ameaças de Marco” eu já sei. Ari me contou. Você podia ter confiado mais em mim. Eu poderia ter te ajudado, sabe disso.

DCR: Cael, tem coisas que um homem precisa fazer sozinho, entende?

CAEL: Não um plano secreto como o nosso. Quantas pessoas já sabem?

Dcr não consegue responder.

CAEL: Entendi. Se Joana sabe, Raíza também. Você sabe o que significa a sua imprudência?

Dcr faz um gesto para seu próprio estado.

DCR: Agora sei perfeitamente.

Cael aproxima o rosto dele inesperadamente.

CAEL (rude): Isso não é uma brincadeira, Danilo! (Dcr se assusta) Eu passei meses reunindo provas, esperando o momento certo de agir, pra você acabar com tudo numa única noite. Quando você me procurou querendo saber de que maneira você poderia ajudar Rafaela a se livrar de Marco, eu estava disposto a ajudá-lo, não estava? A essa altura era pra ela estar respondendo por cumplicidade. Você também estava disposto a encarar esse trabalho como adulto, e não como um moleque.

Cael distancia o rosto dele ainda o encarando. Dcr está sem graça, mas ressentido.

DCR: Moleques não se preocupam com o futuro, porque sempre acham que tudo será eterno.

Cael põe as mãos nos bolsos da calça, desvia o olhar meio chateado ainda, passa uma das mãos na cabeça.

CAEL: Tudo bem...Você não agiu com a razão, mas...Tenho que admitir que você foi corajoso. (pausa) Mas agora, as coisas ficaram um pouco mais difíceis. Marco já está de sobreaviso.

DCR: Eu já pensei num plano B, caso ainda interesse.

CAEL: Hmmm...Talvez ganhe o meu interesse, depois que você me contar quem lhe ajudou.

DCR: Na verdade, ninguém me ajudou.

CAEL: Você vai me dizer que contou com a sorte para invadir o escritório de Marco?

Dcr faz expressão de quem entendeu a que ele se referia.

DCR: Ahn...Eu...Eu não posso contar. (gagueja) Isso-isso não posso.

CAEL: Hmmm, está protegendo alguém, entendo...Então você perdeu a confiança em mim, não é? Porque as pessoas que trabalham comigo precisam confiar em mim.

Dcr percebe ali uma ameaça velada entre suas palavras.

DCR: Não, não é isso, Cael, é que...Da mesma forma que você quer que eu confie em você, há alguém confiando em mim, sabe?

CAEL: E esse alguém está na nossa equipe?

Dcr não tem tempo de responder.

CAEL (corta/áspero): Porque eu acho que a minha equipe deve fidelidade a mim, você não concorda?

Dcr pensa um pouco, hesitante.

DCR: Olha...Você não ia acreditar.

Cael se senta na poltrona ao lado, cruza as pernas.

CAEL: Sou todo ouvido.

CAM pega os dois de cima. Dcr olha pro teto fazendo suspense, e Cael junta as mãos, só esperando. A cena lembra um consultório de psicanálise onde Dcr parece estar num divã.

CORTA PARA

CENA 15 HOSPITAL CENTRAL – CAFETERIA [INT. / NOITE]

Uma colher mexe numa xícara de café, a colher é colocada sobre o pires e, a mão masculina eleva a xícara, quando duas moças param a nossa frente.
Joana e Raíza não sustentam uma cara muito boa.

MARCO (olhando o relógio do pulso): Pontualidade inglesa. Sentem-se. Querem café? Posso pedir agora.

Joana e Raíza, já sentando.

RAÍZA: (seca) Não viemos tomar café com você. Diga logo o que quer.

Marco disfarça um sorriso de estranho prazer por aquela grosseria. Toma um gole do seu café calmamente, o que irrita suas convidadas.

MARCO: Bem, eu chamei vocês aqui para tentar encontrar uma solução para o nosso problema.

Joana e Raíza se entreolham sem entender.

RAÍZA: Nosso?

Marco tenta tocar a mão de Raíza sobre a mesa.

MARCO: Claro, minha querida (Raíza se esquiva). Josué quer encontrar um culpado para o que aconteceu, o que não é nenhuma novidade, não é Raíza? (Raíza bufa) E isto seria muito ruim para os meus negócios, já que, o apartamento está em meu nome. Mas nós três sabemos que tudo não passou de um acidente, não é mesmo?

Joana olha para Raíza que fita Marco como a esperar algo pior por vir.

JOANA (insegura): Cla-claro. Um acidente.

MARCO: Entretanto...O spray modificado de forma caseira é a única prova que contrariaria a nossa tese. (para Joana) A senhorita sabe o que isso significa em sua carreira, não sabe?

JOANA: Eu não fiz nada! Eu jamais poria a minha carreira em risco/

RAÍZA: (corta / fitando Marco) Calma, Joana. Ele sabe que você não teve culpa (Marco solta um risinho frouxo). Que nós não tivemos culpa. Mas ele não veio nos dar apoio, não é Marco?

Marco a encara, esboça levemente um sorriso de satisfação.

MARCO: Eu só estou tentando dizer que, Josué não acredita em acidente e, não vai deixar impune o que aconteceu com João. Se provada a negligência, a senhorita Joana seria a única responsável por isso.

Joana esboça pânico; Raíza, aflição.

RAÍZA: Meu tio não pode fazer isso.

MARCO: Poder ele pode, minha querida. Mas também podemos evitar que ele chegue ao extremo. Só depende de você.

RAÍZA: (tensa / direta) O que você quer que eu faça?

MARCO: O que eu quero não; O que você quer fazer para ajudar sua amiga? (raiva em Raíza) Se responsabilizar pelo o que aconteceu ou...Aceitar a minha proposta de casamento?

Raíza o encara, mesclando ressentimento e ódio. Joana ainda está insegura, olha para ela esperando uma resposta a seu favor.

MARCO: Acho que você quer pensar, não é? (p) Você tem até meia-noite de amanhã para me dar uma resposta. Não se pode demorar muito, Josué é impaciente.

Marco dá um sorrisinho de canto.
CAM sobe para a janela e revela Cael a espreita odiando o que ouviu.

= = Passagem de Tempo = =

CAM passeia por cima da cidade, onde há a Coffee Break

CENA 16 FACHADA - COFFEE BREAK [NOITE]

Corta para o interior do escritório

Mãos femininas estão sobre o colo, imóveis.
CAM revela Ari sentada, tensa e, atrás dela está Marco meio chocado.

MARCO: Você está me dizendo.../

ARI: Que o segredo dela é esse. Satisfeito?

Marco gira a cadeira onde ela está com força deixando-a assustada, e apóia as duas mãos de cada lado.

MARCO (ameaçador): Isso é alguma brincadeira, é? Você sabe o que pode lhe acontecer se isso for mentira, não sabe?

ARI: Eu sei, mas você não tem como ter certeza de outro modo se é verdade ou não. Duvido que ela algum dia conte isso e, mesmo se contar, quem iria acreditar em você?

Marco a segura pelos cabelos com raiva.

MARCO: Se você estiver mentindo, não é atrás do seu marido que eu vou, entendeu?

ARI: (dor) Não sei por que ficou nervoso. Não era isso que você queria? Hen? Não era isso?

Marco solta seus cabelos, ajeita o paletó, incomodado.

MARCO: Pode ir.

Ari se levanta, preocupada, enquanto ele se senta.

ARI: E o nosso acordo? E a minha vó? Eu não vou ser presa, não né?

MARCO: Eu já não mandei você sair?

Ari fecha a cara, o encara por instantes, e sai batendo a porta.

Marco pega uma caneta e fica batendo sobre a mesa, pensativo.

CORTA PARA

CENA 17 COFFEE BREAK [INT. / NOITE]

= = Tocando no Ambiente: Wake Up Alone – Amy Winehouse = =

Ari acaba de descer as escadas, passa pelas mesas movimentadas, e para, encara o balcão e vai até ele.
Ela fala alguma coisa com um atendente a qual não ouvimos, e sai na direção de um corredor.

CORTA PARA

CENA 18 TOILLETE – COFFEE BREAK [INT.]

Assim que Ari entra, uma moça sai. Valentina, de rabo de cavalo, avental sobre o vestido verde e seu salto fino, está lavando as mãos quando a vê pelo reflexo do espelho.

VALENTINA: Ora, ora se não é a Bond girl do 007. (ela fecha a torneira) Como ta o seu maridinho? (ela seca as mãos no papel toalha) Precisando de retoque naquela carinha bonitinha?

Ari lhe acerta um TAPA bem dado. Valentina não tem tempo de reagir, recebe um SOCO de esquerda, ela cai no chão e Ari avança.

ARI: Você que vai precisar de um retoque, sua vagabunda!

Valentina recebe mais tapas enquanto tenta se esquivar.

VALENTINA: PARA COM ISSO, SUA LOUCA! SOCORRO! PARA COM ISSO! PARA!

A porta é aberta, duas garotas se assustam com a cena e dão o alerta.

VALENTINA: Cê nunca devia ter saído do hospício, sua maldita!

Dois seguranças invadem e tiram Ari de cima de Valentina.

ARI: Isso é pra tu aprender a não se meter a besta com gente doida. (pausa / se recompõe) O que eu tinha pra fazer, eu já fiz.

Os seguranças ainda a seguram quando Rafaela aparece. Valentina está descabelada e com sangue escorrendo pelo nariz.

VALENTINA: Tão esperando o quê? Chamem a polícia, prendam essa louca, façam alguma coisa, bando de incompetentes!

RAFAELA: O chefe não vai gostar muito dessa idéia, Valentina, você sabe. Deixa que eu a levo embora. (Os seguranças resistem) Pode deixar.

Ari é liberada e vai embora com Rafaela.

= = Music Off = =

CORTA PARA

CENA 19 COFFEE BREAK [EXT. / NOITE]

Rafaela se mostra animada com o que assistiu.

RAFAELA: Eu acho melhor você tomar cuidado, hen Ari. Ela não vai querer deixar barato/

ARI: (corta / alterada) Não to nem um pouco interessada nos seus ‘achismos’, Rafaela. Isso tudo eu devo a você. Se o Dcr morresse, a culpa seria sua, ta ouvindo? Sua!

RAFAELA: Mas eu não tive culpa, Ari. Se o Marco fez aquilo com ele, pensa no que ele faria comigo? Pensa!

ARI: E você pensou nas consequências quando resolveu investigar a vida da Raíza, pensou? Você tem idéia do que eu passei, do que eu tive que fazer...? (pensa um pouco / Rafaela não entende) Eu vou te dizer uma coisa, acabou, entendeu? Acabou.

RAFAELA: Acabou o quê? Do que cê ta falando?

ARI: Dcr fez de tudo pra evitar que você pagasse pelos crimes do Marco, mas agora você escolhe: Ou você o entrega, ou eu te entrego pela morte de Afonso Abjumara.

Baque em Rafaela.

RAFAELA: Como é? Que Afonso? Que/

ARI: Não finja que não sabe, ta legal? Você não foi nem um pouco cuidadosa enquanto esteve no apartamento de favor.

RAFAELA: Peraí, Ari, eu não fiz nada, eu não matei ninguém/

ARI: Você vai explicar isso pra polícia.

Cael surge entre as duas, estranhando a cena.

CAEL: Ari?

Rafaela o encara com medo.

CAEL: (olhar desconfiado) Eu pensei que você ainda estivesse no hospital.

ARI: (sarcástica) Não, eu vim apenas cumprimentá-la. Trocar umas idéias. Falar sobre o futuro...

CAEL: Hmmm...Eu vim falar com o Marco. (para Rafaela) Será que ele se encontra em seus aposentos reais?

Rafaela encara Ari, temerosa.

CORTA PARA

CENA 20 COFFEE BREAK – ESCRITÓRIO [INT. / NOITE]

Marco está sentado, rindo muito, cheio de charme como sempre.

MARCO: E isso aconteceu aqui? (ri mais um pouco)

Valentina está diante dele, possessa, ainda com o cabelo desgrenhado e o rosto marcado.

VALENTINA: Do que é que você ta rindo, Marco?

MARCO: Da sua falta de sorte, querida. Tentou pegar o marido da outra e acabou apanhando. Você tem que ter mais cuidado, hen.

VALENTINA: Como é que é? Você pediu pra mantê-lo o máximo aqui até você chegar. Ele invadiu seu escritório sabe lá como. Eu fiz isso por você.

MARCO: Quem mais sabe disso? Para todos os efeitos, você apanhou porque se meteu com o marido da Ari. E ponto final.

VALENTINA: Escuta aqui, tu não vai fazer isso comigo não, hen, não se faça de sonso/

MARCO: Calma, minha querida, eu estou brincando. (pausa) Mas eu não posso fazer nada contra alguém que cumpriu com o meu acordo. Já se esqueceu que sou um homem de palavra?

VALENTINA: Nunca soube que você fosse um homem de palavra, Marco (ele faz beicinho). E que acordo é esse? Você anda me escondendo as coisas agora é?

Marco se levanta, sorri maliciosamente.

MARCO: Não há nada aqui escondido de você, meu bem. (A pega por trás) Mas não quero lhe aborrecer com os meus problemas. (ajeita seus cabelos, beija sua nuca) Prometo que você vai receber uma adicional de periculosidade, ok?

Ele não resiste e ri. Valentina lhe dá um safanão fazendo-o cair sobre a mesa.
O telefone toca.
Marco sorri sacana, senta na beirada da mesa e aperta um botão.

MARCO: O que é Rafaela?

RAFAELA (V.O): O Cael quer falar contigo. Posso mandar subir?

MARCO: (irônico) Mas é claro, é uma honra. (desliga o telefone / para Valentina) Se não quiser que ele te veja assim, melhor sair. Depois a gente volta a falar sobre aquele adicional.

Ele ri e ela sai furiosa.

= = Passagem de Tempo = =

Close na fachada da COFFEE BREAK [NOITE]

CORTA PARA

CENA 21 COFFEE BREAK – ESCRITÓRIO [INT. / NOITE]

Marco continua sentado na beirada da mesa. A porta é aberta, Rafaela entra e, em seguida, entra Cael. Rafaela sai e fecha a porta.

MARCO: (irônico) Cael, Cael...Estou profundamente chateado com você.

Cael vem andando calmamente, mãos nos bolsos da calça, sem pressa.

CAEL: Engraçado, eu ia dizer a mesma coisa.

MARCO: Espero que não tenha vindo brigar comigo pela péssima recepção que ofereci ao seu funcionário. Você sabe, eu fico nervoso quando sou pego de surpresa.

CAEL: Imagine então como estou depois de saber que você propôs casamento a minha namorada. (Marco esboça indiferença / provoca) Usando de meios escusos, claro, porque você não conhece outro jeito de se aproximar de alguém, não é?

MARCO: (finge que não ouviu / provoca) Ah, então já soube da novidade? Será que ela aceita, ou vai deixar a pobre Joana responder por negligência?

CAEL: Você premeditou tudo, não foi? Desde o boicote a minha boate até a prisão de Raíza pela morte de dona Andréa. Não duvido nada que você tenha alguma coisa a ver com esse incidente.

Marco se levanta e dá as costas enquanto fala.

MARCO: (suspira) Ah, meu irmão, você não aceita que sua namorada seja capaz de coisas tão baixas para se ver livre do primo, não é? (Cael emudece / Marco se volta) O que você acha? Ciúmes? Inveja? Antipatia gratuita?

CAEL: É isso que você quer, não é? Que as pessoas sejam iguais a você. É a possibilidade de semelhança que o atrai nela?

MARCO: Você já parou para pensar que em tudo pode haver um fundo de verdade? Eu não sou tão criativo assim quanto pareço.

CAEL: Mas tem se esforçado bastante para tomá-la de mim.

MARCO: (sorri, ergue as sobrancelhas) Não será tomado se ela vier de boa vontade.

Cael se enche de raiva e avança...

CAEL: Você não presta!

Cael lhe pega pelo colarinho furioso.

CAEL: Você quer me destruir, mas antes que você faça, eu o farei primeiro! (raiva em Marco) Se você quer um motivo para se vingar de mim com razão, eu te dou esse motivo, ta ouvindo? Por que o meu limite com você acabou! Acabou!

E solta dele ainda em fúria.
Cael sai da tela deixando Marco de olhar inquieto, e segurando o ódio.

CORTA PARA

Manhã / CAM pega de cima alguns prédios

CENA 22 FACHADA – APTº 215 [DIA SEGUINTE]

Corta para o interior do APTº 215- SALA

Ari e Dcr, este com marcas pelo rosto, acabam de entrar, abraçados. Diva está logo atrás, fechando a porta, sorridente.

DIVA: O médico não havia dito que você só ia sair de tarde? Vocês não fugiram não, né?

DCR: Esse era o meu plano de ontem, mas a Ari frustrou com as minhas tentativas.

Ari ri, e Helena aparece no corredor.

DIVA: O que a polícia disse sobre o caso?

Ari e Dcr se entreolham.

DCR: (mente) Ahn...A polícia vai tentar investigar, mas...A senhora sabe, os caras estavam de capuz, eu não poderia reconhecer nenhum.

ARI: Além do que ele foi confundido com alguém, né? Só pode.

DIVA: Mesmo assim eu acho.../

DCR: Vamos esquecer isso, mãe, pelo amor de Deus. Depois do que eu passei, a única coisa que quero é aproveitar cada minuto da minha vida ao lado das pessoas que eu amo.

Diva sorri contemplando o casal, e Helena vem por trás, com aquele olhar de cobra.

DCR: (cont.) E fazê-las felizes ao meu lado também, o que não é muito difícil, né? (Risos dele, de Ari e Diva) Por isso, (segura na mão de Ari e a olha nos olhos) será que você aceita esse azarado como seu legítimo esposo, para amar na riqueza ou na pobreza, em casa ou no hospital, até que a morte nos separe?

Ari ri incrédula, e feliz.

ARI: Tá dizendo...Na igreja?

DCR: Desta vez , sem rapto.

Ela o abraça forte, e Diva também os envolve no abraço.
Helena observa a cena segurando a raiva.

CORTA PARA

CENA 23 QUARTO DE DCR [INT. / MANHÃ]

Dcr se aproxima da cama, senta olhando para uma foto sobre o criado mudo, em que está ele e Ari no dia em que se casaram no civil na mansão de Cael. Ao virar-se para deitar, leva um baita susto. Cipriano está próximo à porta.

CIPRIANO: Desculpe se lhe assustei.

DCR: Como entrou aqui?

Cipriano continua ao batente da porta.

CIPRIANO: Eu acho que já podemos pular essa parte. (p) Bateram muito?

DCR: (faz gracinha) Não o suficiente para me deixar invisível.

Cipriano vem se chegando, olhando ao redor do quarto como quem não quer nada.

CIPRIANO: Eu falei pra você que era perigoso, não falei? (mente) A invisibilidade não é um sentimento que você pode controlar. (se volta / joga) Sorte sua que o Marco não te quis morto. Ele teve um certo cuidado com você.

DCR: Como assim? (vacila) Eu fui salvo, não fui? O Marco não ia me deixar vivo/

CIPRIANO (por cima): Depois de tê-lo desafiado? (Dcr o encara rapidamente). Penso que não, mas para ele poupar a sua vida só se fosse por algo muito importante. (sonso) Já pensou o que seria?

Dcr se levanta, demonstra querer ignorar a verdade.

DCR: Não, ele não poupou a minha vida. Alguém me tirou de lá. Daqui a pouco o Marco aparece pra tirar satisfação e/

CIPRIANO: Ele não apareceu no hospital? (tensão em Dcr) Será que ele não está curioso em saber como você passou pela segurança?

Dcr inquieta o olhar.

CIPRIANO: Como imaginei. Devemos presumir então que se você está vivo é porque ele quis assim, e se ele quis assim/

Dcr o encara de modo acusador.

DCR (por cima): Você veio tocar o terror, é? Se quer saber, eu nunca devia ter feito aquilo. Nem a Ari e nem a Raíza teriam permitido se soubessem da minha intenção.

CIPRIANO: Não tente acusar ninguém das suas ações, meu caro. Você já está bem grandinho para arcar com as consequências (p). Você é inteligente, no fundo sabe que não foi por um golpe de sorte que você está aqui.

DCR: O que você quer, hen? Veio até aqui pra me contar isso, por quê?

CIPRIANO: Do que você tem medo, Danilo? De encarar a verdade? De que pode haver alguém pagando por seus atos?

Cipriano vai se aproximando e fica cara a cara com Dcr.

CIPRIANO: Ou de que você não consiga defender esse alguém do Marco? (p) Eu acho que você é perfeitamente capaz pra isso, não?

Ele dá um tapinha em seu rosto e sorri.

Close na expressão abismada de Dcr.

CORTA PARA

CENA 24 APTº 403 – SALA [INT. / TARDE]

Josué anda de um lado e de outro, nervoso. João está sentado no sofá, com as pernas enfaixadas sobre a mesa central, disfarçando a ansiedade.
A porta é aberta e, Joana e Raíza adentram, dando de cara com Josué.

JOSUÉ: Até que enfim vocês chegaram. Fechem a porta.

Joana obedece, tensa.

JOSUÉ: (gesticulando de um lado, e a outra mão na cintura) Senta aqui que eu quero falar com vocês duas. (p) Aliás, não senta não, porque o meu recado será rápido.

Raíza olha para João que se mantém sério.

JOSUÉ: (cont.) Olhem bem para o João, olhem. (Joana olha penalizada) Vai ter que adiar a fisioterapia por conta dessa barbárie que aconteceu aqui.

JOANA: Seu Josué, a gente não teve a intenção. (para Raíza), diz pra ele, Raíza, diz!

Raíza se mostra estupefata por sua reação.

JOSUÉ: Não vai dizer nada! Eu só não me explodo com você, Joana, porque sei que você acabou sendo vítima disso tudo também.

RAÍZA: Tio, alguém plantou aquele spray inflamável aqui. O João usava um produto que/

JOSUÉ: (corta) Olha eu já ouvi essa história e não to com cabeça pros seus delírios, garota! (impaciente) Cê ta querendo se responsabilizar pelo crime, é isso? Vai dizer o que pra polícia? Que você quis fazer milagre que nem Jesus?

RAÍZA: Será que dá pro senhor uma vez na vida prestar atenção no que eu falo, será que dá?

JOSUÉ: Não, não dá! O único que atura suas sandices é seu pai, e futuramente seu marido. Aliás, era esse o recado que eu queria dar. A Joana pode ser vítima das suas loucuras, mas isso aconteceu enquanto ela estava aqui, em serviço. Se você não quiser que ela responda por negligência e perca todos os anos de estudos que ela se dedicou, é bom que você se case com o Marco e seja infeliz pro resto da sua vida!

JOANA: Mas seu Josué.../

JOSUÉ: Tá dado o recado.

Raíza encara o tio, olha rapidamente para João que sorri debochado.

RAÍZA (raiva / para João): Tá satisfeito?

JOSUÉ: Não começa, Raíza.

RAÍZA (aumenta o tom): Tá satisfeito com o que você fez, seu imbecil? (Josué se aproxima) Tá satisfeito?

Raíza se esquiva de Josué, abre a porta e sai furiosa.
Close em Joana angustiada.

FUSÃO PARA

Takes da cidade da tarde, em seguida, da noite

Ouvimos uma trovoada que ilumina a logotipo da Coffee Break.

CENA 25 FACHADA – COFFEE BREAK [NOITE]

Corta para o interior do escritório

O corte é feito direto num envelope pardo sendo entregue de mãos masculinas para femininas. Anita abre o envelope e aprecia o conteúdo.

ANITA: Uhh, isso é mais do que o combinado.

Marco está sentado diante dela, relaxado, cotovelos sobre os braços da cadeira e mãos cruzadas.

MARCO: A senhora merece pelo ótimo serviço prestado, minha querida (sorri sacana). Espero que, para onde quer que a senhora vá, esqueça que tem uma neta.

Anita vai abrindo a sua bolsa e colocando o envelope.

ANITA: Não vai me dizer por que quis raptá-la? Não me diga que se enrabichou pela louca?

Marco esboça serenidade. O telefone toca.
Marco tira o fone do gancho e atende.

MARCO (ao telefone): Sim? (p) Hmmm, ok. (desliga).

Marco vai se levantando.

MARCO: Um pouquinho de suspense torna a aventura mais emocionante (sorri charmoso). (Ele a envolve num abraço levando-a até a porta) Foi um prazer negociar com a senhora.

ANITA (sorrindo de canto a canto): O prazer foi meu, seu Marco. Espero que não se arrependa de ajudar a Ari, hen; Ela gosta de brincar com o fogo.

E Anita sai rindo, Marco fecha a porta, pensativo.

= = TOCANDO: Two Is Better Than One – Boys Like Girls feat. Taylor Swift = =

Ele caminha até a poltrona e se senta, relaxado, põe a mão por dentro do paletó e retira o celular. Olha por instantes, e o coloca sobre o braço da poltrona. Close no celular.

FUSÃO PARA

CENA 26 COFFEE BREAK [EXT. / NOITE]

Chove pouco.
Anita, debaixo do guarda-chuva, deixa o café e segue em direção ao táxi a frente.

CORTA PARA

TÁXI [INT.]

Anita se ajeita, sorridente, e fecha a porta.

ANITA: De volta para casa, meu rapaz.

O taxista assente e acelera.

Corta para o seu EXTERIOR

O carro avança e pega estrada.

FUSÃO PARA

CENA 27 APTº 403 – QUARTO DE JOÃO [INT. / MANHÃ]

O quarto está na penumbra. João, sentado na cama, com as pernas descansando sobre a mesma, observa uma foto. CAM vai se aproximando de sua expressão concentrada.

= = Flashback = =
INSERT de ÁUDIO

ARI: [...] Aquele papo de querer que a Raíza dissesse a verdade, que te empurrou do viaduto, era balela, eu sempre soube disso.

CORTA PARA

HOSPITAL CENTRAL – QUARTO [INT./ NOITE]

Ari diante de João.

ARI: (joga) Você sabe onde está a única prova do que eu to dizendo? (João fica mudo) Não tem medo que ela apareça de repente?

= = Fim do Flashback = =

VOLTA À CENA ANTERIOR

João olha para baixo, CAM acompanha, a foto de Ari é contemplada.

FUSÃO PARA

CENA 28 MANSÃO DE CAEL – SALA [INT. / NOITE]

Cael está ao telefone, decidido.

CAEL: Não se preocupe, irei encontrá-la.

E desliga.
Pega o paletó sobre o sofá, coloca no ombro, avança na chave do carro sobre a mesa do bar ao lado de um copo de uísque pela metade, e sai.

FUSÃO PARA

CENA 29 COFFEE BREAK [EXT. / NOITE]

Continua chovendo, agora mais forte.

Marco caminha até seu carro, com um sobretudo cobrindo suas costas e, ao lado de um segurança que segura um guarda-chuva para ele.

CAM vai se aproximando.
A porta do carro é aberta, Marco olha para a câmera, surpreso.

Raíza está molhada, o encara mesclando raiva e pesar.
Marco retira seu sobretudo rapidamente e tenta entregar a ela.

MARCO: Raíza, se cubra com isso/

RAÍZA: (coloca a mão na frente / evita o contato) Eu vim dizer que aceito. (Marco fica paralisado) Fique feliz por essa ser mais uma coisa que você consegue por seus esforços.

Marco tenta dizer algo, mas ela dá as costas.
Marco ainda sustenta o ar paralisado.

SEGURANÇA #1: Podemos ir, senhor?

Marco esboça um discreto sorriso, faz que sim, e entra no carro.
Este acelera...

FUSÃO PARA

CENA 30 RUAS DA CIDADE [NOITE]

O carro de Cael vem calmamente pelas ruelas, quando Raíza atravessa a sua frente. O carro para, Cael, assustado, olha para fora da janela.

CAEL: Raíza! Entra aí.

Raíza abre a porta do carro, entra e fecha a porta.

CARRO [INT.]

Cael tenta dizer alguma coisa, mas logo Raíza o cala com um beijo ardente na boca. Cael cede rápido.
CAM se afasta para o EXTERIOR, e eles continuam se beijando.

FUSÃO PARA

CENA 31 ESTRADA – BR101 [NOITE]

Vemos a estrada de cima e ao longe. Sinuosa, é uma estrada perigosa. Um táxi solitário corre pela alta estrada.

Corta para o seu INTERIOR

Anita está com o envelope aberto, conta o dinheiro fácil, maravilhada.

= = Music Fade = =

O taxista a olha pelo retrovisor de forma estranha.
De repente, o táxi freia bruscamente e derrapa na pista.

ANITA: Mas menino, cuidado!

= = Music On – Suspense = =

Ela vê um homem de preto se levantar do chão e vir até o táxi com outro sujeito encapuzado.
Um deles retira o taxista à força e entra em seu lugar.

Anita, com medo, segura seu envelope com afinco.
O outro sujeito entra no banco do carona com uma arma e um pano branco em outra mão.

ANITA (pânico / se faz de vítima): Pelo amor de Deus, eu sou uma velha doente, não façam nada comigo.

SUJEITO: Não vai doer nada, senhora.

O sujeito tapa a sua boca com o pano umedecido no clorofórmio. Ela se debate.

Corta para o seu EXTERIOR

O táxi acelera.
O taxista deixado para trás, já está com o celular. Faz uma ligação.

TAXISTA: Feito.

E desliga.

CORTA PARA

CENA 32 ESTRADA – BR101 [NOITE]

O táxi se aproxima de um túnel.

As portas da frente e de trás abrem e os dois sujeitos pulam, um deles segura a bolsa de Anita.

O carro adentra o túnel, no meio do breu luzes de um caminhão que vem em alta velocidade.
Ouvimos uma buzina estridente.

A cena se fecha num baque, seguida de uma forte batida.

= = Music Off = =

= = FIM DO EPISÓDIO = =


SÉRIE ESCRITA POR:
Cristina Ravela

ESTRELANDO:

Maria Flor - Raíza
Michael Rosenbaum - Cael
Pierre Kiwitt - Marco
Caio Blat - João Batista
Nathália Dill - Ari
Aaron Ashmore - Dcr
Fernanda Vasconcellos - Rafaela
Alinne Moraes - Valentina
Caco Ciocler - Josué
Juan Alba - Bruno
Thiago Rodrigues - Cipriano

PARTICIPAÇÕES:

Monique Alfradique - Joana
Thaís de Campos - Helena
Júlia Lemmertz - Diva

PARTICIPAÇÃO ESPECIAL:

Nicete Bruno - Anita

OUTRAS PARTICIPAÇÕES:

Segurança#1
Segurança#2
Segurança#3
Taxista

TRILHA SONORA:

Wake Up Alone - Amy Winehouse
Two Is Better Than One - Boys Like Girls feat. Taylor Swift

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