0:00 min       RAÍZA 2ª TEMPORADA     SÉRIE
0:30:00 min    


WEBTVPLAY ORIGINAL APRESENTA
RAÍZA 2


Série de
Cristina Ravela

Episódio 19 de 23
"Quebra de Sigilo Parte 1"



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FADE IN

= = Flash-Forward = =
= = Tocando: Meet Me Halfway – The Black Eyed Peas = =
Vista aérea da cidade do Rio de Janeiro
FUSÃO PARA
CENA 1 COFFEE BREAK – SALÃO DE JOGOS [INT. / NOITE]

Vemos uma roleta rodando, ouvimos muita conversa e, o dado para no número 18.
Algumas pessoas comemoram.

CAM vai passando por entre garçons que servem os clientes, alguns deles namoram, mulheres de vestidos sensuais encorajam seus acompanhantes, o bartender prepara mais um coquetel.
Dois seguranças abrem uma porta rapidamente e sobem a escada. CAM avança, atravessa paredes e, enquanto ouvimos os passos se aproximando o nosso foco muda para um corredor...

Music Fade / Music On Ação

...Onde uma porta se abre violentamente e dele sai Dcr apressado, de smoking. Valentina surge da mesma sala, surtada.

VALENTINA: Eles vão comer teu fígado, seu imbecil!

Dcr corre, ouvimos vozes, e ele para no meio do corredor. Close em seu rosto, assustado.
Alterna para as escadas onde dois seguranças sobem armados, um deles está com o rádio se comunicando.

SEGURANÇA #1: Não deixe o intruso sair, ok?

Volta em Dcr que corre, para diante de uma porta, tenta abri-la, sem sucesso.
Tenta em outras, mas nada.
Os passos se tornam mais próximos, o desespero em seu rosto é nítido, então ele corre, dobra à esquerda, para a cena inicial e vai de encontro à janela que se estende do teto ao chão. Close em seu rosto, angustiado, e decidido. O suspense aumenta.
De repente, ele é atingido na testa com o cano de uma arma fazendo-o cair para trás. Zonzo, sua testa sangra e ele tenta abrir os olhos.

[POV de Dcr]
Marco surge a sua frente e sorri cinicamente.

MARCO: Vamos dar uma volta.

Ele ainda sorri, sua imagem vai embaçando até se fechar completamente.


2X19
QUEBRA DE SIGILO Parte I

FADE IN

CENA 2 FACHADA - ED. CIRANDA DE PEDRA [MANHÃ DO DIA ANTERIOR]

Corta para o interior do APTº 403 – QUARTO DE JOÃO

Os pés descalços de João, sobre o apoio da cadeira de rodas, pisam no chão com cautela. Pouco a pouco vemos as mãos apoiando o braço da cadeira para, logo em seguida, João estar de pé. Ele sorri, anda firme até uma escrivaninha, abre uma gaveta e pega uma foto.

Pelo seu ponto de vista, vemos a foto de Ari ser contemplada.

JOÃO (O.S / murmura): Por que você tinha que ir pra longe de mim, hen?

João torna a guardar a foto na gaveta e a fecha. Quando se volta, susto; Raíza está ao batente da porta com um sorrisinho sacana.

RAÍZA: Fingir cansa, num é?

João permanece estático.

CORTA PARA

CENA 3 APTº 403 – COZINHA [INT.]

Raíza e João, sentados, trocam olhares. Ele, temeroso; Ela, sagaz. Bruno observa o clima.

BRUNO: Aconteceu alguma coisa, gente?

JOÃO: Nada não.

Raíza lhe encara, séria.
Josué adentra, para e encara com raiva Cael, à mesa.

JOSUÉ (resmunga): Já cedo...

CAEL: Bom dia pra você também, Josué.

Climão.

RAÍZA: Já sabe da novidade, pai?

João fica tenso.

JOÃO: Depois a gente conversa, Raíza, por favor.

BRUNO: Agora quero saber.

RAÍZA: Eu vi o João de pé no quarto.

João a encara mesclando raiva e medo.

JOSUÉ: O quê? Como?

JOÃO: (rápido) Não é bem isso...Eu tava tentando me manter de pé, mas aí eu caí na cama...

RAÍZA: (finge sorrindo) Mas era isso mesmo que eu ia dizer, João. (sarcasmo) Eu te vi de pé no quarto, treinando. Joana vai gostar de saber que ela tá fazendo um ótimo trabalho.

Ela sorri cinicamente, se levanta. Bruno e Cael notam seu sarcasmo e observa um João nervoso.

JOSUÉ: Isso é verdade, João? Por que não contou? Não é bom que você faça isso sozinho.

Raíza segura a cafeteira enquanto se aproxima de João.

RAÍZA: Acho que ele não gosta de fazer as coisas na frente dos outros, não é, João?

João sorri sem vontade.

RAÍZA (para ele): Mais café?

Ela nem espera a resposta e acaba derrubando café em sua perna.

JOÃO: Olha o que você fez!

Josué pega uma toalha e tenta ajudá-lo.

JOSUÉ: Cê tem que ter mais atenção, garota.

Raíza se mostra surpresa pela falta de reação em João.

RAÍZA: Desculpe. Queimou muito?

João emudece e, quando Raíza olha para Cael, este a olha, curioso.

CORTA PARA

CENA 4 ED. CIRANDA DE PEDRA [EXT. / MANHÃ]

O corte é feito diretamente na expressão estupefata de Cael diante de Raíza.

CAEL: Você está me dizendo que ele pode andar?

RAÍZA: Desde sempre, Cael. Ele ta enganando todo mundo.

CAEL: Mas você disse que o viu de pé, e não andando. O que ele ganharia fingindo esse tempo todo?

RAÍZA: (relutante / mente) Sei lá...Talvez ele quisesse sustentar essa mentira para que o meu tio sentisse mais pena dele e raiva de mim, não sei...

CAEL: Mas raiva ele já tem. (pausa) Olha, eu sei que vocês dois não têm um relacionamento dos melhores, eu entendo disso, mas...Talvez você queira vê-lo de pé justamente para que seu tio não lhe culpe mais pelo o que aconteceu...

RAÍZA: Tá dizendo que eu to louca? Que eu imaginei o João andando?

CAEL: Não, não foi isso...

RAÍZA: Mas é isso que ta parecendo. E não to nem aí se meu tio acredita ou não em mim.

CAEL (desconfiado): Mesmo?

RAÍZA (insegura): Mesmo.

Os dois se encaram. Raíza se mostra vencida.

RAÍZA: Olha eu não sou de ferro, ta legal? Ele acha que o João é um santo, me culpa, indiretamente, pelo o que aconteceu, mas se ele soubesse a verdade...

CAEL: (corta) Não ia mudar nada. (Raíza emudece) Raíza, ele já demonstrou que não é de confiança. Você sabe disso. Não é ele que está de santo nesta história; É você.

RAÍZA: Eu não acredito que ele ficaria indiferente ao saber que o João o enganou. Ele se endividou por ele!

CAEL (instiga): Uma dívida que é dele, só dele.

RAÍZA: Dele, mas sou eu que tenho que pagar...

Raíza para de repente, percebe que falou demais.

CAEL: Como assim, você tem que pagar? Josué tem uma dívida com o Marco e ainda perdeu o apartamento para ele...A menos que... (Raíza está apreensiva) Outro dia eu te fiz uma pergunta, mas eu vou perguntar de novo: Ele pediu algo pra te livrar da cadeia? (p) Ele quer algo para devolver o apartamento?

RAÍZA (enrola): A única coisa que ele quer é acabar com o meu sossego. Ele e o João.

Cael balança a cabeça afirmativamente, mas desconfiado.

CAEL: Voltando nele... Você o culpa unicamente pela dívida que seu tio contraiu e acredita que ele finge não poder andar para te provocar, certo? (Raíza não faz nem que sim, nem que não) Mas você sabe que para alguém fingir estar preso numa cadeira de rodas precisa de uma motivação justa, algo que o faz pensar que futuramente isso valerá a pena. (p) Você sabe de algo mais que João esteja querendo?

RAÍZA (segurando a raiva): Não...Eu não sei.

Cael acaricia seu rosto, preocupado.

CAEL: Hmmm, sendo assim, se você não tem nada a mais a me dizer sobre o assunto, então o melhor é esperar o milagre se fazer e vermos João andar na frente de todos, certo?

Raíza apenas o encara.

CORTA PARA

CENA 5 FACHADA – COFFEE BREAK [MANHÃ]

Corta para o interior do escritório de Marco

Marco acaba de se sentar com certo ar de vitorioso, brinca com a caneta por entre os dedos.

MARCO: Aceita um café? Especialidade da casa.

Ari está diante dele, inquieta.

ARI (seca / sagaz): Não curto as especialidades da casa, ok?

MARCO: Hmmm, creio então que tem uma resposta para mim.

ARI: Eu preciso de um tempo, ta? Não é tão fácil trair uma amizade quanto é pra você.

MARCO: Eu gosto do teu sarcasmo. Mas vamos, continue. De quanto tempo estamos falando?

ARI: Olha, a formatura dela ta chegando, o primeiro natal depois de muitos que ela passou longe do pai e...

MARCO: E você quer deixar pro ano que vem o nosso acordo? (Ari se mantém quieta) Eu já esperava por isso, tratar de negócios com pessoas sentimentais sempre atrasa a nossa vida. (ele para de brincar com a caneta e apóia os braços sobre a mesa) Portanto, eu concordo em esperar até o ano que vem...(pausa / ele se levanta, coloca a mão no bolso da calça e saca um celular) Não quero lhe pressionar, Ari, você é uma boa moça. Sei que vai cumprir o acordo direitinho.

Ari estranha, enquanto ele vai andando.

MARCO: Agora, se me der licença, tenho que resolver uns assuntos. Fique à vontade.

Close em Ari, pensativa e preocupada.

CORTA PARA

CENA 6 COFFEE BREAK [EXT. / MANHÃ]

Ari sai do café, apressada, close em seu rosto.

VOZ FEMININA: Sempre tão agitada...

Ari se volta e se surpreende.

ARI: Vó Anita?

ANITA (sisuda): Pra você, apenas dona Anita.

Ari engole a saliva, apreensiva.

A tela se fecha num baque

FADE IN

CENA 7 APTº 215 – QUARTO DE HELENA [INT.]

Vemos uma bolsa feminina ser remexida por mãos masculinas. Em meio a alguns cartões, a mão segura um que chama atenção.
“HDM Construtora – Adm. Marco Bedlin [...]”.
O cartão é virado e nele há números de telefone.

CAM acompanha o braço até o rosto de Dcr, intrigado.
Helena entra rápida e os dois se encaram.

HELENA (olhando fixamente para o cartão): O que ta fazendo? Por que cê ta mexendo nas minhas coisas?

DCR: Eu tava procurando o telefone de uma clínica, sabe, eu ando me sentindo mal esses meses...Aí eu encontrei isso.

Helena tenta avançar, mas Dcr recua.

DCR: O que um cartão do Marco faz na sua bolsa, tia?

Helena pensa rápido.

HELENA: Eu devo ter esquecido aí naquela vez em que você quase morreu na minha loja e, ele ofereceu o cartão para o caso da gente precisar.

Ela se aproxima, segura o cartão, sofre pequena resistência sob o olhar desconfiado do sobrinho.

DCR: Três números de celulares...? Ele realmente quis mostrar eficiência.

HELENA: Ele só quis ser gentil. (ela pega o cartão)

Ari surge da porta afobada.

ARI: Dcr, preciso falar contigo.

CORTA PARA

CENA 8 APTº 215 – QUARTO DE DCR E ARI [ INT.]

Dcr senta na cama, assustado.

DCR: A sua vó veio te cobrar o passado? (p) Meu Deus, mas não se bastasse os outros, agora ela também quer vingança?

ARI (abismada): Que outros?

DCR: Ahn...Outros, tipo...Generalizando, né. Marco cria a sensação de que o universo está contra nós.

ARI: Falando na peste...Eu pedi um tempo a ele.

DCR: E aí?

ARI: Ele aceitou.

DCR: Sério? Não faz muito o tipo dele, mas isso vai nos ajudar naquele nosso plano.

Ari segura nas mãos de Dcr, inquieta.

ARI: Se o plano der certo ou não ainda tem a minha vó. Se ela descobre que existe uma chance d’eu ser presa pela morte do filho dela, ela não vai sossegar até conseguir isso.

DCR: Se a sua vó tivesse negócios ilícitos por aí...(Ari o encara, séria) Ok, to nervoso, estão querendo separar a minha esposa de mim, e a gente nem deu início ao nosso plano A.

ARI: Isso porque não havia a minha vó. Desse jeito vamos ter que partir pro plano B logo.

DCR: Calma, Ari. Não estava em nossos planos adiantar a invasão ao território de Marco. Primeiro o plano A, depois o B. E por fim o C.

ARI: C?

DCR: O plano de tirar sua vó da reta, com todo o respeito, claro. A gente só precisa avisar a Raíza que o esquema será adiantado e que não podemos esperar mais. (pausa / toca seu rosto) Depois de tanto trabalho, acha mesmo que vou deixar que separem a gente?

Ari sorri e recebe um abraço dele. CAM focaliza a porta a frente deles.

Corta para EXT. / QUARTO

Helena está atrás da porta, admirada e esperta ao mesmo tempo.

CORTA PARA

CENA 9 FACHADA - ED. OLÍMPIA [INT. / MANHÃ]

DRº MUNHOZ (V.O): Ele não vai te dar trégua, você sabe.

Corta para o interior do escritório

Drº Munhoz está em pé, pondo café nas xícaras.

DRº MUNHOZ: Se você não tivesse me mandado fazer aquele serviço, talvez aquela moça ainda estivesse viva.

HOMEM (O.S / irônico): Não se faça de modesto, doutor.

Munhoz serve ao seu interlocutor que está sentado e CAM acompanha o gesto, revelando Cael diante dele. Choque.

CAEL: Você foi muito bem pago pelo seu serviço. (Bebe um gole rápido)

DRº MUNHOZ: E me arrependo, acredite. (ele senta diante de Cael e bebe seu café) É só uma questão de tempo para ele acabar com nós dois. Ter contado a sua advogada sobre o meu passado atiçou ainda mais o ódio dele.

CAEL (sagaz): O estrago poderia ter sido pior se isso tivesse ido parar na OAB.

DRº MUNHOZ: É, estou numa sinuca de bico mesmo. Ultimamente eu não consigo conversar com alguém sem sofrer ameaças.
CAEL: Ossos do ofício, doutor. (põe a xícara na mesa / sarcástico) Mas eu não vim pra discutir a relação. Vim pra dizer que você está contratado.

DRº MUNHOZ: Contratado? Mas você dispensou...

CAEL: (corta) Como meu informante. De agora em diante, quero ser informado de tudo que o Marco pretender fazer. E você pode começar agora me contando o que o Marco tanto queria com a prisão de Raíza.

DRº MUNHOZ: Parece que eu não tenho muita escolha, não é?

Cael força a expressão de dúvida.
Munhoz vai pra trás, descansa o corpo no encosto da cadeira.

DRº MUNHOZ: Bem...O que eu sei é que o Marco queria entrar num acordo com a Raíza, mas para isso, precisava deixá-la sem saída. E antes que me pergunte, ele não me disse que tipo de acordo era esse.

CAEL: Então perdi o meu tempo?

DRº MUNHOZ: (leva a mão pedindo calma) Entretanto, certa vez, ele me procurou querendo saber de que maneira ele poderia defender uma pessoa acusada de tentativa de homicídio de modo que, futuramente, ele pudesse mudar seu testemunho sem que isso o prejudicasse. (pausa) Isso ajuda em alguma coisa?

Cael se mostra sério, um tanto surpreso. Ele logo se levanta, pensativo, põe as mãos nos bolsos da calça, mantendo-se de costas.

DRº MUNHOZ (O.S): Marco não me procura pra outra coisa a não ser que envolva teu nome e o nome de sua namorada. (pausa)E então? Sabe algo a respeito?

Cael se volta esboçando incômodo.

CAEL: Você é meu informante, doutor, não eu. Quando você tiver algo mais contundente, já sabe o que fazer. (pausa) Tenha um bom dia.

DRº MUNHOZ: Serei pago pelas informações? (Cael para) Você é conhecido por ser um bom pagador.

CAEL: E assim continuarei.

DRº MUNHOZ: Como nos velhos tempos?

Cael demora um pouco para responder.

CAEL: Como nos velhos tempos.

Ele abre a porta, sai e a fecha em seguida.

No mesmo ângulo, close na expressão preocupada de Munhoz.

CORTA PARA

CENA 10 FACHADA - CAFÉ-VEIGA [FIM DA MANHÃ]

Corta para o seu interior

Entre muitos clientes, CAM vai se aproximando, enquanto ouvimos vozes.

JOANA (O.S): Mas o João pode andar, nós vimos, Raíza.

RAÍZA (O.S): Eu sei, mas ele não reagiu ao café quente.

Joana e Raíza estão sentadas, cada uma com um café e mate, respectivamente.

RAÍZA: (põe a mão no queixo / analisa) Teria sido um espetáculo...(volta à realidade) Mas não foi dessa vez (toma um gole do mate).

JOANA: Cê tem que ter mais cuidado, Raíza. Agora é capaz do João ficar mais atento e acabar virando o jogo contra você.

CIPRIANO (O.S): Sua amiga tem razão.

Joana olha para trás, sobressaltada.

RAÍZA: Cipriano...Nem vi você entrar.

CIPRIANO: Desculpe se assustei. (puxa a cadeira) Posso?

RAÍZA: Claro!

Cipriano senta sustentando o ar de bom moço.

CIPRIANO: Adoro o cappuccino daqui (faz um sinal para o atendente) Por favor, um cappuccino. (olha para as garotas) Quer dizer que o João pode andar mesmo, é? (olha para Joana / brinca) Você é mesmo boa no que faz, hen.

Joana ri.

JOANA: O pior é que pra mim é difícil fingir que não sei de nada, sabe? Me sinto uma idiota dando dicas pro seu Josué de como cuidar do João.

CIPRIANO: Josué também se sentiria um idiota se soubesse a verdade. (se dirige à Raíza) A menos que ele já saiba.

Raíza ri incrédula.

RAÍZA: Uma das dívidas dele inclui a cirurgia e o tratamento de João, pagos com a grana do Marco. Ele não pode estar ciente disso.

Cipriano faz que vai dizer algo, o atendente traz seu cappuccino e Cipriano faz um gesto de agradecimento.

CIPRIANO: Então o João está muito seguro de que ninguém vai descobrir a verdade, não é mesmo? (bebe um gole do cappuccino) E se não é alguém que está naquele apartamento de acordo com essa farsa, como João consegue se mostrar tão insensível?

JOANA: Neste caso não é ele, são as pernas dele (ri com um deboche involuntário / bebe seu café).

CIPRIANO (distorce): Está dizendo que o João consegue manter as pernas insensíveis? (Joana para o copo por entre os lábios) Que produto é capaz de fazer isso?

Joana se mostra sem reação, também surpresa com a pergunta.

JOANA: Ahn, não sei. Nem sei se isso existe, se seria possível. O que eu entreguei a ele foi um óleo contra escaras que o próprio hospital concedeu. E ele não faz mais que hidratar.

CIPRIANO: Bom, enquanto vocês pensam sobre o assunto, vou pegar mais açúcar. Licença.

Ele se levanta e sai de cena.
Raíza encara Joana, em seguida esta vê algo a sua frente que chama a sua atenção.

JOANA: Danilo.

Danilo vem caminhando com as mãos nos bolsos, acena e, pelo seu ponto de vista, Cipriano não é visto por ele.

DCR: Oi meninas, preciso falar com vocês.

Dcr senta sem muita cerimônia, um tanto elétrico.

DCR: Vocês se lembram daquele nosso plano?

Joana se mostra confusa.

JOANA: Aquele plano? Mas o que tem?

DCR: Precisamos adiantar as coisas. Ou colocamos nosso plano de invadir o território de Marco em ação ou...

CIPRIANO (O.S): Com licença?

Dcr se assusta com a presença de Cipriano e acredita que ele escutou.

CIPRIANO (segura um pote de açúcar / finge que não ouviu): Tudo bem com você, Danilo?

Dcr não tem tempo de responder.

CIPRIANO: (senta) Já conseguiram descobrir o caso da insensibilidade de João?

Dcr olha para cada uma de suas amigas sem entender.

RAÍZA: Então, ‘D’, a gente acha que o João anda usando algum produto que deixa as pernas insensíveis. Isso explicaria a falta de reação dele como se realmente não pudesse andar.

DCR: E isso existe?

RAÍZA: É o que pretendo descobrir.

DCR: Hmmm, sendo assim...Ele quase conseguiu ser um excelente farsante.

Ele olha rapidamente para Cipriano que mexe o cappuccino com a colher de forma despreocupada.
CORTA PARA

CENA 11 CAFÉ-VEIGA [EXT. / FIM DA MANHÃ]

Dcr está na calçada com as mãos nos bolsos e de costas para a lanchonete. Logo atrás, Cipriano sai do Café, observa Dcr meio distraído e se aproxima sorrateiramente.

CIPRIANO: (coloca as mãos nos bolsos) Preocupado?

Dcr se volta sobressaltado.

DCR: Hã? Como?

CIPRIANO: Você parece preocupado. Foi o telefonema que você recebeu?

DCR (cara de besta): Telefonema?

CIPRIANO: Você saiu de lá dizendo que seu celular vibrou.

DCR: (se atrapalha) Ah...(ele tira o celular do bolso) É...Quer dizer, não...Foi nada importante.

Cipriano se posiciona ao seu lado, não o encara o tempo todo.

CIPRIANO: Eu não queria atrapalhar, juro. Mas acho difícil a Raíza falar de qualquer outro assunto que não seja o João.

DCR: (não o encara também) Deu pra perceber.(ele olha para a lanchonete, faz que vai andar)

CIPRIANO: Você realmente acredita que o Marco esteja ajudando o João em sua armação?

DCR (incomodado / se esquiva): Ahn...Não sei, aquilo foi apenas uma hipótese. Só tentei ajudar.

CIPRIANO: Também era uma hipótese querer mandá-lo pro inferno?

Os dois se encaram finalmente.

DCR (bancando a esperto): Nunca ouviu falar em força de expressão? Eu não consigo mandar nem uma mosca pro inferno, quanto mais uma pessoa.

CIPRIANO (força a simpatia): Sabe, gosto da maneira como defende seus amigos, tomando suas dores, desejando que seus inimigos morram como se fossem os seus, mas...(Dcr olha para trás de novo) Acho que você iria precisar muito mais que boa vontade para driblar a segurança da Coffee Break.

Dcr o encara, tenso.

DCR: (gagueja) N-não entendi.

CIPRIANO (sonso): Ah, me desculpe, é que ouvi uma parte da sua conversa. Você disse algo sobre invadir o território de Marco...Ter que adiantar as coisas...

DCR (nervoso): Não, peraí eu não disse nada disso! Quero dizer, foi apenas modo de dizer...

CIPRIANO (corta): Me desculpe então se interpretei mal. (joga) Não é você que vai invadir, não é? Pensou em Raíza, hmmm. (Dcr fica sem reação) Pra ela seria fácil, mas ela está tão empenhada em desmascarar o primo...

DCR: (nervoso / indignado) Você ta colocando palavras na minha boca, Cipriano. Isso...Isso é bem absurdo. Aquilo foi apenas força de expressão.

CIPRIANO (tranquilo): Cuidado então para suas forças de expressão não ganharem formas, meu caro, porque invasão de propriedade não é trabalho para amadores, muito menos, simples mortais.

DCR: Eu agradeço o conselho, mas não vou precisar. Com licença. (Ele dá as costas)

CIPRIANO: Ok, eu só queria ajudar (Dcr para). Mas pense bem em quem vai fazer esse serviço, já que você não é Raíza para passar despercebido.

Close no rosto de Dcr com raiva, e ao mesmo tempo, tenso. Ele some da tela sem olhar para trás enquanto Cipriano mantém um semblante calmo e confiante.

CORTA PARA

CENA 12 APTº 403 – QUARTO DE JOÃO [INT. / TARDE]

CAM vai se aproximando de uma cômoda. Ao chegar perto, uma gaveta é aberta onde há uma agenda telefônica logo de cara. A mão feminina tateia ao fundo da gaveta e para, voltando em seguida com uma foto de Ari. A mão torna a colocar no lugar e tateia novamente. Ao voltar, a mão segura o que seria um spray com óleo hidratante.
CAM sobe lentamente revelando Raíza com olhar sagaz.

A música de suspense marca.

CORTE BRUSCO PARA

CENA 13 FACHADA - APTº 303 [TARDE]

Ouvimos a campainha tocar.

Corta para o Aptº 303 [EXT.]

A porta se abre, Rafaela se surpreende.

DCR: Será que podemos conversar?

CORTA PARA o QUARTO [INT.]


Rafaela se mostra com medo.

RAFAELA: O quê? Eu posso pagar pelos erros dele? Do que você ta falando?

DCR: O Cael já pensou em denunciar o cassino e deixar que a polícia resolva investigar. Eu pedi por você, entende? Não quero que você esteja lá quando tudo acontecer.

Rafaela, tensa, cai sentada na cama e cerra os lábios.

DCR: Mas a gente mesmo pode dar um jeito no Marco, veja (ele abre a bolsa, pega uma caneta e a exibe) Tá vendo isso?

RAFAELA: Uma caneta, e daí?

DCR: Não é só uma caneta, é uma caneta espiã. Observe essa minúscula lente.

Rafaela olha para a caneta, olha para Dcr, e faz que não gosta.

RAFAELA: Não era você que me condenava por isso?

DCR: As coisas mudaram, e tenho certeza de que você ainda gosta de um furo de reportagem.

RAFAELA: Como você disse, as coisas mudaram. Não posso filmar o Marco, muito arriscado, você acha que ele não fica de olho em mim? Ele fica sim. (pensa) Mas diz aí, você queria o quê? Que eu o filmasse conversando com alguém suspeito?

DCR: Não exatamente. A idéia era você “esquecer” esta caneta na mesa do seu chefe tempo suficiente para pegarmos a senha do cofre/

RAFAELA: (levanta assustada) Quê?! Cê ta maluco? Tá querendo que eu morra, é?

DCR: É tão difícil assim pra você fazer algo que já fez antes?

RAFAELA: Não tem nem comparação, Danilo. E depois? Se acaso eu aceitasse, quem arrombaria o cofre? (Dcr apenas a encara) Você realmente perdeu a noção do perigo, né não Danilo? (nervosa) Você tem ideia do que o Marco é capaz de fazer? Não, você não tem. Você pensa como super herói, quer agir como super herói, mas você não é um super herói, entende?

DCR: Mas eu preciso fazer alguma coisa para frear esse cara, Rafaela. Ele ta ameaçando a Ari com um documento que a declara sã, sem contar o apartamento da Raíza que ele comprou. Eu não posso esperar o próximo passo dele.

Rafaela faz uma expressão de esperta, meneia a cabeça inconformada.

RAFAELA: Ah, agora entendi tudo. Você não ta aqui por mim, e sim pelos seus dois amores, né?

DCR (cerra os olhos): Hmmm, uma coisa leva a outra.

RAFAELA: Esquece, Danilo! (ela volta na bolsa, fecha o zíper, coloca sobre o ombro) Não sei como pôde passar pela sua cabeça que eu arriscaria meu pescoço numa coisa dessas, não sei mesmo.

DCR: É, tem razão, acho que seu perfil combina mais em bancar a amante de maus tipos como Josué.

Rafaela se volta, esbabacada e encara o amigo.

RAFAELA: O que foi que você disse?

Dcr, esperto, coloca a mão por dentro do bolso da camisa xadrez e saca uma foto. Pelo ponto de vista de Rafaela, é uma foto dela beijando Josué num restaurante.

RAFAELA: (decepcionada) Você...Você não fez isso...

DCR: Eu não tenho nada contra as suas escolhas amorosas, aliás, péssimas escolhas, mas acredito que/

RAFAELA (corta / não dá ouvidos): Você ta usando isso pra me chantagear, Danilo?! É isso?

DCR: NÃO! Não é isso/

RAFAELA: É assim que você quer me ajudar? É assim que você é meu amigo?

Dcr não consegue reagir. Rafaela aperta a foto contra o peito dele, enraivecida.

RAFAELA: Então, toma! (estica o braço) Vai em frente! Você só ta aqui pra ajudar sua esposa e sua amiga Clark Kent, porque a mim você quer mesmo que se lasque!

Olho no olho. Ela sai de cena deixando Dcr frustrado com sua ação.

CORTA PARA

Takes da cidade do Rio de Janeiro

CENA 14 RUAS DA CIDADE [TARDE]

Ouvimos um celular tocar.

MARCO (V.O): Marco Bedlin...

Corta para o interior do escritório da COFFEE BREAK

Marco está sentado em sua cadeira habitual.

MARCO: Hmm, fazendo ligação privada de novo? Da próxima nem atendo.

ALTERNA

RUAS DA CIDADE [TARDE]

Cipriano, com o celular no ouvido, caminha por uma calçada.

CIPRIANO: E você não quer saber onde está Raíza agora? (p) Testando um spray hidratante para as pernas.

MARCO (V.O): Isso é alguma piada?

CIPRIANO: Pensei que isso fosse te excitar.

Volta em Marco que revira os olhos.

COFFEE BREAK – ESCRITÓRIO [TARDE]

CIPRIANO (V.O): Ela já sabe que João pode andar, isso lhe diz alguma coisa?

Marco se ajeita na cadeira, curioso.

MARCO: Mas será possível? Não me surpreenderia se ela descobrisse o terceiro e verdadeiro segredo de Fátima.

CIPRIANO (V.O): Ela tem um plano. E acho que você pode ajudá-la.

MARCO: Como assim?

ALTERNA

RUAS DA CIDADE [TARDE]

CIPRIANO: Chegou o momento que você tanto esperava, meu caro.

Volta em Marco que ouve atento ás instruções.

COFFEE BREAK – ESCRITÓRIO [TARDE]

MARCO: (falso lamento) Pobre João...Mas devo confessar que este plano é o melhor que já ouvi.(pausa)Ok, até.

Marco desliga o telefone, pousa o cotovelo sobre a mesa e encosta o celular no queixo, pensativo. Seu olhar inquieto demonstra incomodar-se com alguma coisa.
Seu celular toca. Ele confere no visor e esboça saber muito bem quem é.

MARCO: Que prazer falar com a senhora (pausa)... Ah, sim, me desculpe, esqueci que...Você não gosta de formalidades. Em que posso ser útil? (pausa / surpresa) Ora, ora, isso é realmente uma surpresa para mim...Agradeço imensamente a preocupação. (sorrisinho sacana)De que maneira eu poderia retribuir? (pausa) Ah sim, essa é a sua retribuição? (pausa) Hmmm, Não vejo problema nisso, afinal (ele se vira, close em sua expressão sagaz) não dispenso um bom carrasco.

CORTE BRUSCO PARA

CENA 15 MANSÃO DE CAEL – ESCRITÓRIO [INT. / TARDE]

Dcr acaba de se sentar e, alguém coloca uma papelada diante dele.

HOMEM (O.S): Essa é a planta da Coffee Break onde consta o subsolo.

DCR (animado): Own! A prefeitura anda liberando plantas sob que pretexto?

O homem que já conhecemos se trata de Silas e se senta ao lado de Dcr. Cael está diante dos dois com as mãos sobre a mesa.

CAEL: Com o tempo você aprenderá em como utilizar bem o seu dinheiro, Danilo. Enquanto isso, temos que pensar no nosso plano.

DCR (para a planta): Posso dar uma olhada?

Cael estica a planta na direção dele. Dcr analisa.

SILAS: Marco é um cara safo. Não seria mais sensato deixar que a polícia resolva o caso?

Cael encara Dcr que parece não dar ouvidos.
POV de Dcr – A planta da Coffee Break é muito bem analisada.

CAEL (O.S): Não queremos envolver a polícia nisso. Mesmo porque, cheguei a conclusão de que podemos resolver tudo através de acordo. Não é mesmo, Danilo?

A planta é retirada do nosso campo de visão, Cael nos encara.

DCR: Ahn...Claro, claro. E...Quando o plano será executado?

CAEL: Breve. (notamos o ar de decepção em Dcr) Já conversou com a sua amiga? Ela está ciente do que pode acontecer se ela permanecer lá?

DCR: Ahn...Ela tem medo, entende? Mas isso é normal, ela teme represália e/

CAEL: E não podemos fazer mais nada por ela (Dcr e Silas se entreolham). Você tinha me dito que havia um jeito de convencê-la a aceitar sua ajuda, por isso esperei. Mas parece que você não teve coragem de pôr em prática esse jeito, não é?

Dcr emudece.

CAEL: Danilo, muitas vezes os fins justificam os meios. Por medo de parecer mau caráter, você acaba ganhando a culpa por algo que você poderia ter evitado. E depois...Não há mais volta.

Silas assente.

DCR: Mas mesmo que eu a tivesse convencido, o plano não seria executado por agora, não?

CAEL (desconfiado): Tudo a seu tempo, Danilo. Você já fez a sua parte, deixe que do resto eu cuido.

Fecha na expressão angustiada de Dcr.


CORTA PARA

CENA 16 MANSÃO [EXT.]

Dcr vem andando pensativo, olhando para baixo. Logo para, dá uma olhada para trás, lembra de alguma coisa.

Flashback

ARI: [...] Se ela descobre que existe uma chance d’eu ser presa pela morte do filho dela, ela não vai sossegar até conseguir isso.

CORTA PARA

DCR: [...] Depois de tanto trabalho, acha mesmo que vou deixar que separem a gente?

CORTA PARA

CIPRIANO: Ok, eu só queria ajudar (Dcr para). Mas pense bem em quem vai fazer esse serviço, já que você não é Raíza para passar despercebido.


Em seguida...
Fim do Flashback / Dcr volta a olhar para frente, indeciso.

INSERT DE ÁUDIO

RAFAELA: [...] Você pensa como super herói, quer agir como super herói, mas você não é um super herói, entende?


Dcr pensa um pouco. Sorri estranhamente, se enche de coragem, e some da tela.

FADE OUT

FADE IN

CENA 17 RUAS DA CIDADE [FIM DE TARDE]

Dcr vem caminhando pela calçada, mãos nos bolsos, preocupado. Para diante de um portão, olha ambos os lados como se fosse fazer algo ilegal e toca o interfone. Apenas ouvimos o fone sair do gancho.

DCR: Oi, ahn...Sou eu, Dcr.

O portão de madeira é destrancado. Dcr entra, meio tenso e admirado com os arvoredos do lugar. Ouvimos um barulho forte, Dcr olha assustado para trás; Foi o portão que se fechou.
Ele respira fundo, logo, ele sobe o lance de escadas e aproxima-se da porta principal. Ouvimos quando esta é destrancada e aberta.

DCR: Eu espero não me arrepender disso.

CAM gira e para em Cipriano que sorri satisfeito.

A tela se fecha num baque.

FADE IN

= =
Tocando: Meet Me Halfway – The Black Eyed Peas = =
Vista aérea da cidade do Rio de Janeiro à noite
FUSÃO PARA
CENA 18 COFFEE BREAK – SALÃO DE JOGOS [INT. / NOITE DO DIA SEGUINTE]

O bartender prepara um coquetel, enquanto joga charme para duas mulheres. CAM mostra alguns lances do ambiente bem movimentado e com jogo de luzes. Garçons passam a frente da tela, algumas pessoas em volta da mesa de jogo vibram e logo a câmera sobe, a luz azul do refletor cobre a tela por instantes enquanto a câmera atravessa o teto.

= = Music Off = =
= = Music On – Devil Wouldn’t Recognize You - Madonna = =

Rapidamente passa pelo salão principal do café que também está movimentado e logo atravessa outro teto.

= = Music Fade = =

O corredor está vazio, há uma janela no final do mesmo que se estende do teto ao chão, e outro corredor à esquerda. O chão é de lajotas estampadas em tom de barro, há vasos brancos nos cantos das portas.
Dcr, de smoking, surge a frente da tela, pé por pé. Acaba se esbarrando num vaso branco sobre a plataforma e segura para que não caia. Ele ajeita o paletó de forma elegante.
Inesperadamente, um faxineiro sai por uma porta, Dcr faz cara de vencido, mas o faxineiro não o vê.

INSERT-Imagem

Numa tela de computador, a imagem da câmera de segurança exibe o corredor por onde o faxineiro passa, mas nem sinal de Dcr. Ele está invisível.

VOLTA À CENA

Imediatamente, um corredor à esquerda nos é mostrado, o faxineiro caminha por ela, assoviando uma música qualquer enquanto empurra seu carrinho com vassoura, balde e esfregão. Ele abre uma porta a sua direita e a câmera vai se aproximando até adentrar o ambiente...

SALA [INT.]

...O faxineiro recolhe um saco de lixo ao lado da mesa e sai, fechando a porta.
Reconhecemos ser ali o escritório de Marco. CAM nos mostra lentamente a mesa com um computador ligado exibindo a logomarca Coffee Break, algumas pastas, canetas e dois cd’s, depois o armário de madeira preta envernizada, uma poltrona vermelha, as paredes, até chegar num quadro de pintura moderna.
CAM atravessa a parede, adentra um cofre e nele há uma papelada, muito dinheiro e jóias. Ouvimos uma porta bater e, bruscamente o corte é feito diretamente em Rafaela entrando na sala.

Ela acaba de colocar uma papelada sobre a mesa, quando se volta, Dcr está a sua frente, estacado feito uma múmia e assustado. Rafaela, tomada de susto cai sentada na cadeira.

RAFAELA: Danilo?! Como você entrou aqui? Cê ta maluco?

Close na expressão de encurralado em Dcr.

CORTA PARA

CENA 19 COFFEE BREAK – SALA DE CÂMERAS [INT. / NOITE]

Telas de computador exibem imagens do centro da mesa de jogo, entrada do cassino, café e corredores do 2º piso.
A imagem de um corredor específico onde há a porta aberta do escritório de Marco é focalizada. Em seguida, a porta é fechada.
Um rapaz observa a tela, curioso, saca um transmissor e liga.

CORTA PARA

CENA 20 COFFEE BREAK – BAR [NOITE]

Em meio ao movimento costumeiro, Valentina, por trás do balcão, saca o transmissor de sua cintura.

VALENTINA: Ela chegou ao escritório?

RAPAZ (V.O): Sim, senhora, e parece que quer ficar sozinha.

Fecha na cara de poucos amigos de Valentina.

CORTA PARA

CENA 21 COFFEE BREAK – ESCRITÓRIO DE MARCO [INT. / NOITE]

Rafaela tenta se manter firme diante de um Dcr em cólicas.

RAFAELA: Então quer dizer que o Marco pediu pra falar com você aqui? (Dcr faz que sim, titubeando) Pelo amor de Deus, né Danilo! Como se eu não conhecesse as regras deste inferno. Se alguém quer falar com o Marco tem que esperar lá embaixo.

DCR (agitado / enrola): Eu poderia ser um caso especial, não poderia?

RAFAELA: Até poderia, mas você não sabe mentir, né Danilo. Quem ta te ajudando?

DCR: Não tem ninguém me ajudando.

RAFAELA: Você não passou no teste para ser 007, Danilo. Como eu me recusei a te ajudar, você encontrou outra pessoa pra te colocar aqui dentro. Quem foi? Um dos seguranças? (ameaça) Se eu chamar todos eles, será que todos eles te acobertariam?

DCR (decepcionado): Quê? Você vai chamar os seguranças pra mim?

RAFAELA: Você ta me obrigando a isso. Você quer se ferrar, vai se ferrar sozinho.

DCR: Você teria coragem?

RAFAELA: Não é essa questão/

DCR: Você ta me atrapalhando, Rafaela. Não quis me ajudar, agora fica me pressionando. Vai que depois eu vou.

RAFAELA: Eu só saio daqui com você.

A porta é aberta abruptamente por Valentina.

VALENTINA (firme, cara feia): Os dois ficam (susto em Dcr e Rafaela). Eu vou ter o prazer de ver os dois serem levados pelos seguranças.

Fecha em seu rosto.

CORTA PARA

CENA 22 APTº 403 – SACADA DA SALA [EXT. / NOITE]

O ambiente está escuro pela falta de luz no local. Raíza segura o ferro da sacada com firmeza, de olhar fixo, pensativa. Logo atrás, surge Joana, preocupada, com um spray nas mãos.

JOANA: Raíza.

RAÍZA: (sem olhar para trás) Já fez o de sempre?

JOANA: Do jeito que combinamos. (pensa) Cê não acha arriscado demais?

Raíza se volta de olhar sinistro.

RAÍZA: E o que poderia dar errado, Joana?

Joana permanece inquieta.

CORTA PARA

CENA 23 COFFEE BREAK – ESCRITÓRIO DE MARCO [INT. / NOITE]

Valentina pressiona Rafaela.

VALENTINA: Se você não tem nada a ver com isso, (ela coloca o transmissor à força nas mãos de Rafaela) então prove! Chama os seguranças e manda que eles deem uma surra no intruso.

Rafaela não reage. Dcr a encara, meio que implorando no olhar para ela não fazer nada.

VALENTINA: Anda, sua palerma! Tá esperando o quê?

Rafaela, decidida, faz que vai ligar o transmissor sob o olhar tenso de Dcr.

DCR: Não faça isso, Rafaela!

VALENTINA: Anda logo!

Valentina se estressa, arranca o rádio de suas mãos.

VALENTINA: Me dá isso aqui que eu resolvo.

Dcr não pensa duas vezes. Avança em Valentina, Rafaela se joga pra trás, surpresa e assiste a luta.
Dcr tenta segurar suas mãos onde está o transmissor, batem de contra a parede e os dois medem força.

VALENTINA: Me solta, seu covarde! Eu vou acabar com você!

Ela se livra dele usando o salto fino sobre sua barriga, lhe dá um soco de esquerda, mais um soco, mais um, até que na quarta, com a boca sangrando, Dcr se esquiva, fazendo a megera socar o ar. Rapidamente, ele a segura pelas costas, comprimindo sua barriga e tentando torcer seu braço para trás onde está o rádio. Valentina se contorce, mas não se esforça muito...

VALENTINA: Seu imbecil! Você ta perdendo tempo; Eles já sabem que você ta aqui.

Ele consegue pegar o objeto e a empurra fazendo-a cair no chão. Meio consternado, ele olha para Rafaela sem saber o que fazer.


CORTA PARA

= = Tocando: Meet Me Halfway – The Black Eyed Peas = =
Vista aérea da cidade do Rio de Janeiro

CENA 24 COFFEE BREAK – SALÃO DE JOGOS [INT. / NOITE]

Vemos uma roleta rodando, ouvimos muita conversa e, o dado para no número 18.
Algumas pessoas comemoram.

CAM vai passando por entre garçons que servem os clientes, alguns deles namoram, mulheres de vestidos sensuais encorajam seus acompanhantes, o bartender prepara mais um coquetel.
Dois seguranças abrem uma porta rapidamente e sobem a escada. CAM avança, atravessa paredes e, enquanto ouvimos os passos se aproximando o nosso foco muda para um corredor...

Music Fade / Music On Ação

...Onde uma porta se abre violentamente e dele sai Dcr apressado. Valentina surge da mesma sala, surtada.

VALENTINA: Eles vão comer teu fígado, seu imbecil!

Dcr corre, ouvimos vozes, e ele para no meio do corredor. Close em seu rosto, assustado.
Alterna para as escadas onde dois seguranças sobem armados, um deles está com o rádio se comunicando.

SEGURANÇA #1: Não deixe o intruso sair, ok?

Volta em Dcr que corre, para diante de uma porta, tenta abri-la, sem sucesso.
Tenta em outras, mas nada.
Os passos se tornam mais próximos, o desespero em seu rosto é nítido, então ele corre, dobra à esquerda, para a cena inicial e vai de encontro à janela. Close em seu rosto, angustiado, e decidido. O suspense aumenta.
De repente, ele é atingido na testa com o cano de uma arma fazendo-o cair para trás. Zonzo, sua testa sangra e ele tenta abrir os olhos.

[POV de Dcr]
Marco surge a sua frente e sorri cinicamente.

MARCO: Vamos dar uma volta.

Ele ainda sorri, sua imagem vai embaçando até se fechar completamente.

FADE IN

CENA 25 RUAS DA CIDADE [EXT. / NOITE]

Quatro carros pretos vêm pela rua, até então vazia, ladeada por casas velhas, terrenos baldios e galpões abandonados. Um gato preto atravessa a estrada, assustado. Os carros param, homens mal encarados saem deles, inclusive Marco que abre a porta do carona.
Sapatos brutos descem dele e nos revela Helena, olhando para os lados.

HELENA (sarcástica): Gostei da vizinhança.

Marco sorri.
DESFOQUE para o porta-malas sendo aberto. Dcr está acordado, com as mãos amarradas para trás, e desesperado diante dos caras.

SEGURANÇA#1: O que fazemos chefia?

MARCO: (frio) Apague. Não queremos que o novo milionário veja o lugar decadente aonde ele vai se despedir do mundo.

Helena faz que aprova.
No momento em que Dcr vai levar um soco...

...A tela se fecha num baque

FADE IN

CENA 26 CURTO-CIRCUITO [EXT. / NOITE]

Carros freiam bruscamente deixando as pessoas em pânico. Movimentos rápidos. Portas se abrem, quatro homens encapuzados saem deles deixando Ari e Anita atônitas. Ari tenta correr, mas acaba sendo agarrada por dois deles.

ARI: Ai, que isso?! Me solta, me soltaaaaaaaaa!

Cael, da porta da boate, assiste a tudo, surpreso.
Ari é jogada para dentro do carro e todos aceleram.

CORTE BRUSCO PARA

CENA 27 RUAS DA CIDADE [EXT. / NOITE]

Ângulo de cima
Os carros da cena anterior param em frente a um terreno extenso e murado que leva ao galpão.
Corta para as portas que se abrem, os caras encapuzados retiram Ari à força, também encapuzada, que se debate.
Marco retira o capuz dela deixando-a descabelada. Ari se apavora.

ARI: Marco? O que ta acontecendo?

MARCO: Você não sentiu falta do seu esposo, minha querida? Resolvi promover um encontro.

CORTA PARA

CENA 28 APTº 403 – QUARTO DE JOÃO [INT. / NOITE]

Raíza pega a xícara da bandeja que está sobre a cômoda.

RAÍZA: Melhor tomar logo antes que esfrie.

João se volta, arredio, pega a xícara da mão dela com raiva.

JOÃO (desconfiado): Eu já disse que não quero tomar agora.

Ele coloca a xícara de volta no lugar com força. Uma estranha ventania adentra o quarto assustando Joana.
De repente, a vela tomba, cai sobre as pernas de João, e no momento que levanta o fogo...

O GALPÃO da cena seguinte é incendiado. Ari se desespera.

ARI: DCR! DCR!

A tela se fecha num baque.

A ser continuado…


SÉRIE ESCRITA POR:
Cristina Ravela

ESTRELANDO:

Maria Flor - Raíza
Michael Rosenbaum - Cael
Pierre Kiwitt - Marco
Caio Blat - João Batista
Nathália Dill - Ari
Aaron Ashmore - Dcr
Fernanda Vasconcellos - Rafaela
Alinne Moraes - Valentina
Caco Ciocler - Josué
Juan Alba - Bruno
Thiago Rodrigues - Cipriano

PARTICIPAÇÕES:

Monique Alfradique - Joana
Aramis Trindade - drº Munhoz
Rodrigo Veronese - drº Silas
Thaís de Campos - Helena
PARTICIPAÇÃO ESPECIAL:

Nicete Bruno - Anita

TRILHA SONORA:

Meet Me Halfway - The Black Eyed Peas
Devil Wouldn't Recognize You - Madonna

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