0:00 min       RAÍZA 2ª TEMPORADA     SÉRIE
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WEBTVPLAY ORIGINAL APRESENTA
RAÍZA 2


Série de
Cristina Ravela

Episódio 17 de 23
"Xeque-Mate Parte 2"



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FADE IN

CENA EM QUE RAÍZA E DCR JOGAM XADREZ

Raíza e Dcr estão sentados à mesa, concentrados no jogo.

[OFF]: No episódio anterior...
Dcr pega sua peça e derruba outra.
DCR: Xeque-Mate!
= = Music On - Suspense = =
CORTA PARA
Dcr olha para trás e a luz do farol cobre seus rostos que, imediatamente se mostram assustados.
DCR (aturdido): Meu-Deus...
RAÍZA: COOORRE!
De repente ela o empurra para a calçada.
No que ela se volta, não dá mais tempo. Raíza atravessa o carro, bate contra a poltrona de trás e se deixa ser vista.
Aturdida, Andréa olha para o banco.
ANDRÉA: Como é que ‘cê’ fez isso, garota?
RAÍZA: CUIDADO!
[EXT.]
O carro voa, vira de cabeça para baixo até cair com a lateral no chão, derrapa para o meio da estrada e tomba.

Ouvimos buzina de um carro e som de freios cantando o asfalto. Andréa olha para a câmera, se apavora. A luz do farol a cobre.
A cena se afasta. Uma cherokee dá uma batida violenta fazendo o carro capotar pelo asfalto até parar adiante.

CENA EM QUE JOSUÉ AVISA SOBRE O ACIDENTE E INTERCALA PARA O NECROTÉRIO
BRUNO: Quem era?

JOSUÉ: A polícia. Disse que a Andréa sofreu um grave acidente ontem.
BRUNO: Meu Deus! E como ela tá?
CORTA PARA
O corte é feito numa maca onde um lençol azul é levantado por alguém. O corpo na maca é de Andréa, seu rosto está muito ferido.

JOSUÉ [OFF]: Morta.
CENA EM QUE O POLICIAL ENTREGA A ARI OS PERTENCES DE SUA MÃE
ARI: Esse colar...(ela olha para Raíza e observa seu pescoço vazio) Se parece com o seu.
RAÍZA (insegura): Não (olha o pai rapidamente). Eu esqueci o meu em casa.
CENA EM QUE RAÍZA CONVERSA COM BRUNO SOBRE A MORTE DE ANDRÉA
BRUNO: Você não tem culpa se a dona Andréa resolveu partir pra cima de vocês. Se não fosse ontem teria sido qualquer outro dia.
RAÍZA (tensa): Que seja. Eu provoquei a morte dela e isso não vai mudar.
CORTA PARA
DCR: A perícia não vai achar isso quando descobrir que tinha mais alguém com ela.
RAÍZA: Mas eles não sabem como entrei e saí, e sem provas ninguém pode fazer nada contra a gente.
Corte rápido para o interior do APTº onde João ouve atento.
CENA EM QUE CIPRIANO INDUZ MARCO A AMEAÇAR RAÍZA
CIPRIANO (cont.): O que você sabe sobre o crime?
MARCO (desconfiado): Fiquei sabendo que a Raíza e o Dcr sabem muito mais sobre a morte de Andréa do que a polícia imagina.
CORTA PARA
CIPRIANO: (faz ar confidente) Será que ela foi tentar conversar com eles e exagerou na velocidade?
Ari se enche de ódio, lança mão de sua bolsa e bate em Cipriano.
ARI: Seu desgraçado! Vai fazer piada no raio que o parta, maldito!
Cipriano consegue se livrar dos ataques, segura suas mãos e a prensa contra um carro.
CIPRIANO: Sossega! Sossega! (cara a cara / muda o tom) Você pensa que se livrou dos problemas, porque casou e sua mãe foi se hospedar no inferno, não é? (Ari tenta se soltar dele sem sucesso) Eu disse que você tinha caído numa armadilha ao guardar segredos dos outros, (a sacode) não disse?
ARI: Não vejo problema algum em guardar segredos...
CIPRIANO: Mas Josué não acredita em você!
CENA EM QUE JOÃO FAZ INTRIGA PARA ARI
JOANA: Você quer tomar alguma coisa, Ari?
ARI: Ah, não, ‘brigada’, é que eu precisava falar com a Raíza. Ela tá por aí?
JOÃO: Ela tava aqui com o Dcr... (Joana lhe dá uma olhada tensa) quando um policial veio e pediu que ela fosse à delegacia responder a umas perguntas sobre...O acidente de sua mãe.
CENA EM QUE O DELEGADO INSTIGA RAÍZA A CONFESSAR TER ESTADO COM DONA ANDRÉA NA NOITE DE SUA MORTE
RAÍZA: Havia duas semanas que ela não ia até minha casa.
DELEGADO: Ela não ia até vocês, mas você esteve com ela em algum momento, não? (ele pega um colar de cima da mesa) Isso é seu, confere?
RAÍZA (se controla): Seu delegado eu não estive com ela ontem, não vi o carro dela passar, e se era só isso que o senhor tinha pra perguntar (Raíza se levanta) então eu vou indo.
CENA EM QUE JOSUÉ AMEAÇA RAÍZA
JOSUÉ (encarando Raíza): Escuta uma coisa: Se você tiver culpa na morte da dona Andréa...
RAÍZA: Foi um acidente eu não tive culpa nisso...
JOSUÉ: Cala a boca! Porque se você tiver culpa (deboche) nesse acidente, cê vai caçar teu rumo, porque aqui você não pisará mais, ouviu bem?
Raíza o encara com ódio.
RAÍZA (petulante): O senhor não é dono de nada, só de suas dívidas!
Josué lhe acerta um tapa deixando Joana horrorizada.
Raíza limpa o rosto enquanto lacrimeja de raiva.
RAÍZA: Um dia eu acabo com tua vida!
CENA EM QUE DCR CONFIRMA AO DELEGADO TER SIDO SEGUIDO DE CARRO
DCR: Raíza é minha amiga e namorada do meu patrão que, antes que pergunte, está de viagem. Eu trabalho lá, mas acabei perdendo a noção do tempo jogando xadrez com ela.
DELEGADO: Então vocês saíram e...?
DCR: Ahn...Passei mal. Acho que foi algo que comi...
DELEGADO (joga): Antes ou depois de serem seguidos de carro?
DCR: Antes, durante e depois. Se não fosse pela Raíza me ajudar eu poderia estar morto.
CENA EM QUE DCR SAI DA DELEGACIA
Dcr desce as escadas com o celular nas mãos como quem acabou de fazer uma ligação. Para, desliga e pensa um pouco. Expressa preocupação.
FADE OUT
FADE IN
Começa o episódio 17
Xeque-Mate Parte 2

= = Music On = =
CENA 1 DELEGACIA [EXT. / TARDE]
Dcr faz que vai seguir seu caminho quando vemos Cipriano pelas suas costas.
CIPRIANO: Precisando de advogado?
Dcr para, faz uma cara de insatisfeito e se volta.
DCR: Cipriano...(irônico) Sempre presente (sorri forçado).
Cipriano caminha em sua direção.
CIPRIANO: Faço o possível. (ele para, mãos nos bolsos da calça). Parece que você e a Raíza estão com problemas. Faz bem em arrumar um advogado, ninguém é obrigado a responder as perguntas... Instigantes do delegado.
DCR (sagaz): Do jeito que fala parece até que você já pisou numa delegacia.
CIPRIANO: Sou fã de Trevor Drake*.
*Personagem de Mark Wahlberg em D:NY
DCR (irônico): Achava que Lies fizesse mais o seu estilo.
Os dois se encaram. Silêncio.
CIPRIANO: Sabe, Danilo, às vezes eu tenho a impressão de que você quer me dizer alguma coisa. (pausa) Você quer me dizer alguma coisa?
Dcr faz uma cara de esperto.
DCR: Que eu lembre foi você que veio falar comigo, não? E não deve ser pra oferecer seu advogado.
CIPRIANO (provoca): Se eu ainda tivesse um, mas nunca precisei (Dcr segura a raiva). Mas o futuro é uma incógnita, não acha? Se algum dia eu precisar irei recomendá-lo a você, tenha certeza disso.
DCR: Até lá eu não irei precisar mais, por que não pretendo me meter com a polícia.
CIPRIANO: Tenho certeza que não foi sua pretensão se meter agora. (Dcr desvia o olhar rapidamente) E uma vez metido com a polícia, a polícia sempre acaba se metendo com a gente. (ele passa a caminhar ao redor de Dcr) Seja uma multa de trânsito, um carro estacionado fora da vaga, uma acusação descabida, um assassinato. Como acusado ou... (para pelas suas costas) Como vítima.
Dcr se volta e o encara, ressabiado.
CIPRIANO: Como eu havia dito, o futuro é uma incógnita. (pausa) Boa sorte com o seu advogado. (ele faz que vai dar as costas, mas volta / coça a testa com o polegar direito) Ah,eu já ia me esquecendo. Dê meus pêsames a sua esposa.
Sorri cínico e vai embora.
Dcr o vê partir, indignado e tenso ao mesmo tempo.
FADE OUT
FADE IN
CENA 2 FACHADA ED. OLÍMPIA [TARDE]
Corta para o seu interior
Close no alto de um elevador onde a luz para no número 5.
A porta se abre e dele sai Dcr, decidido.
Ele caminha pelo corredor e se aproxima de uma porta, olha um papel em mãos e confere com o da porta: Sala 505 – Advogado Criminal – Drº Igor Munhoz da Cunha.
Corta para o interior de um escritório
Um homem magro, calvo, de olhar sisudo e sério está sentado atrás da mesa assinando uns papéis. Ouvimos o bater na porta e logo ela se abre.
SECRETÁRIA: Drº Munhoz, Danilo Rodrigues.
Dcr entra sem graça e a secretária sai, fechando a porta.
DRº MUNHOZ (simpático): Senta, meu rapaz. Drº Jorge já me adiantou alguma coisa sobre o seu caso. O que você tem a fazer é me contar exatamente o que aconteceu.
Dcr sorri forçado e senta.
DCR: Então...Er...Vou contar pro doutor o que contei pro delegado. Eu e a Raíza saímos da boate por volta da meia-noite...
Ele continua falando, mas não ouvimos.
= = Passagem de Tempo = =
Corta para a recepção
= = Music On = =
A porta do escritório é aberta, drº Munhoz sai, sorridente e confiante, ao lado de Dcr.
DRº MUNHOZ: Não se esqueça: Nada de depor sem mim.
Dcr nada diz, apenas sorri tenso, tanto pra ele quanto para a secretária, e sai.
O advogado o acompanha no olhar.
Em seguida, ele entra e fecha a porta.
Corta para o seu interior
Drº Munhoz se aproxima da persiana e põe as mãos por dentro do bolso da calça. A câmera se distancia, ouvimos a porta se abrir.
DRº MUNHOZ: Foi um risco você aparecer por aqui.
Marco está diante da porta, sorriso cínico.
MARCO: Eu sempre tomo meus cuidados.
O advogado o encara esperto, e Marco ainda sorri.
= = Music Off = =
A tela se fecha num baque.

XEQUE-MATE – PARTE II

FADE IN
CENA 3 FACHADA – CAFÉ-VEIGA [TARDE]
Corta para o seu interior.
Há bastante movimento, a câmera vai se aproximando de Dcr e Raíza sentados um de frente para o outro, tensos. Ele bebe café e ela mate.
DCR: Não adiantou a gente combinar o que íamos dizer. O delegado acabou me encurralando. Agora certamente ele vai te chamar pra esclarecer o que você não disse.
RAÍZA: Cê já avisou ao Cael?
DCR: A única coisa que consegui foi mandar um SMS, mas já contratei um advogado, não vamos preocupar o Cael.
Raíza bebe um gole de mate.
RAÍZA: De confiança?
DCR: Sim. Foi recomendado pelo drº Jorge. Cê sabe, o da herança.
Raíza olha para os lados, e aproxima-se do rosto de Dcr.
RAÍZA: Eles estavam dando o caso como acidente. Não é possível ter sido um colar que desencadeou nisso.
DCR: Acha que alguém andou falando demais?
RAÍZA (medo): Você quer dizer...Testemunha?
DCR: Eu quero dizer...Alguém que quer nos ferrar, não importando se somos culpados ou não. A idéia, talvez, é a gente não aguentar a pressão e, se entregar, entende?
Raíza pensa um pouco.
RAÍZA: Será que foi o Marco? Meu tio Josué?
DCR (olha ao léu / pensa alto): Eu pensaria em outra opção...
RAÍZA: Outra opção? (pausa) Claro! O João!
Dcr a olha desanimado.
DCR: O João, é? Você acha que ele pode saber o que aconteceu ontem à noite?
RAÍZA: Como você mesmo disse, talvez ele só queira nos ver pressionados até a gente se entregar.
DCR: Meu Deus, o cara tá na cadeira, hen. Imagine se ele saísse andando. Era capaz de ir pessoalmente à delegacia depor contra você.
RAÍZA: É...Mas ele não deve ter ligado do telefone de casa e menos ainda do celular. João é falso, e não burro. Ele tem um cúmplice.
DCR: E um celular descartável?
A câmera vai se fechando no rosto de Raíza como quem acaba de receber uma dica importante.
A tela se fecha num baque.
FADE IN
CENA 4 FACHADA – ED. CIRANDA DE PEDRA [FIM DE TARDE]
Corta para o interior de um QUARTO - APTº 403
A tela está preta. Uma porta é aberta de dentro pra fora e o rosto de Raíza aparece de frente, vasculhando algo.
Quando ela fecha, Joana entra no quarto assustando Raíza.
RAÍZA: Ai, menina! Que susto!
JOANA: Ahn, foi mal. Ouvi a porta da sala bater e imaginei que fosse você.
Raíza se levanta, tensa.
RAÍZA: O João ta aonde?
JOANA: Na cozinha. (receosa de perguntar) Tá tudo bem? Quero dizer, claro que não, mas...Aconteceu mais alguma coisa?
Raíza anda pelo quarto, meio desolada e senta na cama.
RAÍZA: Não sei o que mais faltaria acontecer.
Joana também se senta.
JOANA: Acho que o pior já aconteceu, né? Que foi o seu tio ficar contra você.
RAÍZA: Já to quase me acostumando com isso.
JOANA: Meio difícil se acostumar com um parente achando que você pode ter algum envolvimento na morte de alguém. Ele deveria acreditar mais em você.
RAÍZA: Ele não acredita em mim já faz um tempo. (Raíza a encara) E você deve saber bem o porquê.
Joana disfarça.
JOANA: Dona Andréa não era a melhor pessoa do mundo e, é óbvio que se fosse pra você colaborar na morte dela já o teria feito. Mas ela não era do tipo de bater boca na rua. Era mais fácil ela tentar jogar o carro pra cima de vocês.
Raíza a encara, séria.
RAÍZA: Eu lembro de ter mencionado não ter visto o carro dela passar.
JOANA: O que não significa que vocês não tiveram que correr de um carro em alta velocidade.
Raíza se levanta, nervosa.
RAÍZA: O que você quer dizer com isso?
JOANA: Me diga você. Vocês foram seguidos por dona Andréa, não foi? (Raíza estranha) Ela tentou atropelar um de vocês antes do acidente?
RAÍZA: Se realmente fosse isso por que eu não contaria pra polícia?
JOANA: Talvez por não querer que a mãe da Ari saísse como bandida. Claro, porque...Se você estivesse naquele carro, você sabe, a perícia ia acabar descobrindo.
Raíza se inquieta.
RAÍZA: Mesmo que fosse pra poupar a Ari, acho que o João não ajudou muito plantando nela a desconfiança.
JOANA: Ele não fez por querer, Raíza. Ele só quer te ajudar a se livrar da polícia.
RAÍZA: Me ajudar como? (Joana abaixa a cabeça / Raíza desconfia) Ele te mandou aqui?
JOANA: Não!
RAÍZA: Ele ta querendo que você arranque alguma coisa de mim, é isso?
JOANA: Há alguma coisa pra arrancar?
Raíza põe a mão na cabeça, meio revoltada.
RAÍZA: Escuta Joana, não sei se deu pra você perceber nesse tempo que você trabalha aqui, mas eu e o João não somos um exemplo de primos amigáveis, logo, ele não vai querer me ajudar.
JOANA: Pensei que estar no quarto dele fosse parte do plano de tentar uma conversa. (Raíza empalidece) Mas acho que não era bem isso que você procurava.
Raíza tenta dizer alguma coisa quando ouvimos som de rodas se aproximando.
As duas se encaram receosas.
Corta para o corredor
João está prestes a abrir a porta do quarto.
Corta para o seu interior.
Close na porta se abrindo.
João entra no quarto em sua cadeira de rodas, dá uma olhada, não vê nada. Fecha a porta em seguida. Faz que vai continuar a andar na cadeira quando se levanta da mesma.

Na sacada, Joana olha estupefata e torna a esconder o rosto.
João vai até a cabeceira da cama, levanta a cama com dificuldade e pega seu celular. Close nele que logo é discado.

JOÃO: Alô...Eu liguei pra saber como andam as coisas. (pausa) Eu não quero saber como anda a sua vida, Marco (foco em Raíza que demonstra ter certeza do que já tinha suspeita). Tô tentando fazer a minha parte, mas duvido que a idiota da Joana vá conseguir convencer a Raíza a confessar alguma coisa pra polícia. (pausa / sorri malicioso) Difícil não comover alguém com meu ar desprotegido e uma vida presa numa cadeira.
Close na expressão atônita de Raíza que olha Joana com a mesma cara.
CORTA PARA
SALA...
Raíza e Joana atravessam o corredor rapidamente.
JOANA (murmura): Você já sabia que eles eram cúmplices? Aliás, desde quando você sabia que o João podia andar?
RAÍZA (murmura): Não to preocupada com isso agora, Joana. Vamos sair e lá fora eu tento ligar pro Dcr.
Ouvimos a campainha tocar.
Raíza abre e dá com um cara aparentando uns 30 anos, moreno, usando óculos e segurando um papel.
HOMEM: Boa tarde, por favor, Raíza Maciel?
João surge logo atrás das garotas.
JOÃO: Onde vocês estavam?
JOANA e RAÍZA: No banheiro.
JOÃO: As duas?
Todos se entreolham. Raíza disfarça.
RAÍZA: Bem, eu sou Raíza. Quem é o senhor?
HOMEM: Sou oficial de justiça. (ele estende um papel) A polícia quer que você compareça à delegacia para prestar um depoimento sobre a morte de dona Andréa Torgano.
Raíza entreolha Joana com certo temor.
CORTA PARA
Takes da cidade
CENA 5 ED. ELDORADO [EXT.]
Close no portão sendo aberto. Dcr sai por ele estranhando a presença de Joana ao lado de Raíza.
DCR: Ahn...Por que vocês não quiseram entrar?
RAÍZA: É melhor a gente falar em outro lugar, Dcr.
Os dois se encaram. Dcr entreolha Joana sem entender.
CORTA PARA
CENA 6 RUAS DA CIDADE
Dcr se espanta por algo que ouve.
DCR: Eu não acredito! Então o João está com o Marco pra acabar com a gente, Raíza?
JOANA: E ainda me usou pra sondá-la. Sou uma idiota mesmo.
DCR: Ah, não fica assim, Joana. Você não tinha como saber que tipo de pessoa era o João.
JOANA: E que tipo de fisioterapeuta sou eu que nunca percebi que ele já podia andar?
RAÍZA: Já podia não; Sempre pôde.
JOANA (estupefata): Ele nunca esteve paralítico?
DCR (surpreso): João pode andar?
RAÍZA: Gente, estamos perdendo o foco. Precisamos pensar em alguma coisa.
DCR: Ok, mas dá tempo de pensar em alguma coisa? O João já ta querendo te jogar na cadeia.
RAÍZA: Não só a mim, né? Uma hora você também vai receber uma intimação, então precisamos bolar uma estratégia e rápido.
JOANA: Se vocês realmente não têm nada a ver com isso, não entendo a estratégia.
Dcr olha para Raíza, estranhando.
DCR: Você não contou...
RAÍZA: O que?...
JOANA: Anda, vai. Eu sei que vocês escaparam da mesa de necropsia no lugar da dona Andréa. (Raíza e Dcr se entreolham) Isso ta claro. O que não dá pra entender é por que vocês não dizem a verdade.
DCR: Quer saber, Joana? Ela tentou nos matar sim. (Raíza o encara, perplexa) E eu acabei contando isso ao delegado. Agora o Marco certamente vai fazer de tudo pra parecer que nós levamos dona Andréa para a morte.
JOANA: Meu Deus, mas...Tudo isso porque ele a odeia?
DCR: Tudo isso porque ela o salvou da morte.
Joana se surpreende e Raíza a encara, tensa.
CORTA PARA
CENA 7 FACHADA - COFFEE BREAK BAR [NOITE]
Corta para o interior de um escritório
Ouvimos tocar no bar Love Is A Losing Game – Amy Winehouse
Por trás da mesa, Valentina, sentada, se volta com o celular no ouvido e expressão maravilhada.
VALENTINA: Essa é a melhor notícia que já recebi. (olhar mordaz) Quais as chances dela ir presa? (pausa / abre a boca extasiada / se recosta na cadeira e põe as pernas sobre a mesa) Vou ter um prazer em fazer uma visita. Mas ela tem culpa mesmo ou... Você ta dando uma forcinha? (pausa / raiva) Mas é o que eu sempre faço nesta pocilga. Trabalho.
A porta se abre, Marco adentra com o celular em mãos. Valentina se assusta, tira os pés da mesa.
MARCO: Não lembrava de ter te promovido a assistente.
Valentina se levanta e desliga o celular.
VALENTINA: Você queria que eu falasse contigo no meio daquela gente ordinária que trabalha na cozinha?
Marco caminha em sua direção.
MARCO: Você também trabalha na cozinha, querida.
Ele passa por detrás dela.
VALENTINA: Você sabe que só aceitei esse trabalho, porque temos um objetivo em comum: Acabar com o Cael.
MARCO: (senta na cadeira) Não, você só aceitou esse trabalho, porque foi dispensada por ele, perdeu as provas que tinha contra mim e porque gosta de dinheiro.
VALENTINA (raiva): Você ta de brincadeira comigo, é?
MARCO: Você precisa de dinheiro, não? E é melhor ter você por perto do que por aí fazendo besteira. Além do mais...
Marco sorri um sorriso safado e puxa seu braço.
MARCO: Sem você aqui este lugar não faria sentido.
Ela reluta, invocada, ele puxa novamente e ela acaba sentando em seu colo.
MARCO: Tudo que faço é para o nosso bem. Faça a sua parte e estará tudo certo, hmm?
Marco tenta beijá-la, e ela se esquiva. Ele segura seu queixo à força e a beija. Ela cede.
CORTA PARA
CENA 8 FACHADA - DELEGACIA [NOITE]
Corta para o seu interior
Através da persiana, um policial conduz Raíza. A porta se abre e Raíza entra com cara de poucos amigos.
DELEGADO: Raíza, Raíza...Senta.
RAÍZA (senta): Então, seu delegado? Alguma novidade?
DELEGADO: Sim, já conversei com a filha de dona Andréa.
RAÍZA: Hmm...E chegou a alguma conclusão?
DELEGADO: Não. Ainda falta uma peça nesse jogo de xadrez (sorri sagaz). Mas você pode me ajudar. Soube que você tirou a Ariadne da clínica Novo-Horizonte há mais de um ano sob circunstâncias suspeitas. Poderia explicar isso?
Raíza franze as sobrancelhas, cerra os lábios, expressa tensão.
RAÍZA: Circunstâncias suspeitas? Como assim?
DELEGADO: A clínica é particular. Ninguém entra ou sai sem passar pela portaria e, segundo informações na própria clínica, nem a paciente quis explicar o ocorrido.
RAÍZA (desconversa): E o que isso tem a ver com o caso?
DELEGADO: Tem que, dona Andréa não deve ter gostado nada disso. Principalmente porque da segunda vez seu pai se fez passar por padrasto para raptar sua amiga da clínica Bem-Viver.
RAÍZA: Ele ainda tinha a guarda dela. Dona Andréa a internou sem falar com ele.
DELEGADO: Mas dona Andréa deve ter ficado possessa, hen. Pra ela insistir tanto em manter a filha presa é porque alguma essa Ari sabia e não podia contar.
RAÍZA: Aí eu já não sei.
DELEGADO: Mas eu sei o que aconteceu.
Raíza faz que vai dizer algo quando um policial adentra a sala, acompanhado de Dcr.
DELEGADO: Ah, sim. A nossa outra peça do xadrez. (Raíza estranha) Vem, senta, Danilo.
RAÍZA: O que significa isso?
DELEGADO (cínico): Apenas uma acareação.
DCR: Nós não vamos responder nada sem a presença do nosso advogado.
DELEGADO: Correto. Mas vocês não precisam falar nada por agora. Eu é que vou dizer. (Dcr senta e entreolha Raíza) Ontem à noite vocês esperavam por um táxi. Danilo passou mal, o carro de dona Andréa veio em alta velocidade, vocês escaparam e...Ela perdeu a direção.
Raíza e Dcr se mantêm quietos, porém atentos.
DELEGADO (cont.): Você, Raíza, disse não ter visto dona Andréa passar por vocês, mas...Seu amigo mesmo passando mal conseguiu essa proeza.
RAÍZA: Eu disse que não a vi, porque não tenho visão de raio-x. Podia ter sido qualquer pessoa.
DCR: Eu também não a vi, apenas deduzi que era ela quem nos seguia quando soube de sua morte.
DELEGADO: Até aí eu já entendi. (para Raíza) Mas eu queria saber a parte em que você entrou no carro e saiu.
Raíza congela.
RAÍZA: Como?
DELEGADO: Seu colar foi encontrado dentro do carro e sua amiga Ariadne garantiu que você esteve com ele durante essas duas semanas.
DCR: Isso é um absurdo!
DELEGADO (para Raíza): Supondo que você tenha entrado pela porta, ahn...Como fez para entrar e sair do carro sem deixar alguma digital? Seria um truque mágico?
Raíza apenas o encara.
DELEGADO: Ora, vamos. Eu vou entender o lado de vocês. Só preciso que me ajude.
Um policial bate na porta deixando o delegado meio frustrado. O policial adentra ao lado de drº Munhoz com uma expressão nada boa.
DRº MUNHOZ: Senhor delegado (ele estende a mão e cumprimenta), sou o drº Munhoz, advogado de Raíza e Danilo. O senhor sabe que não pode iniciar um depoimento sem a presença do advogado?
DELEGADO: Tudo bem, só estávamos conversando.
DCR: Conversando não. O senhor tava acusando a Raíza sem uma prova concreta.
DELEGADO: Está querendo dizer que sua esposa mentiu?
DRº MUNHOZ: Dona Ariadne é uma moça especial como o delegado deve saber. Ainda teve o casamento, a briga com a mãe, a perda dela...Certamente ela se confundiu.
Raíza resmunga.
RAÍZA: É mais fácil ela nunca ter dito aquilo...
DELEGADO: Está dizendo que eu estou inventando?
DRº MUNHOZ (desconversa): Se o delegado não tem uma acusação formal a fazer peço que libere meus clientes.
Nesse momento, Marco adentra a sala ao lado de um policial.
MARCO: Com licença. (Raíza e Dcr não entendem) Vim saber se posso ajudar em alguma coisa.
Ele cumprimenta drº Munhoz que corresponde.
DRº MUNHOZ: Bem Marco por aqui já está tudo resolvido, não é seu delegado?
RAÍZA: O que você ta fazendo aqui?
Marco faz uma falsa expressão de que não entendeu.
MARCO: Eu pensei ter dito que vim saber se podia ajudar em alguma coisa.
RAÍZA: E desde quando você ajuda alguém?
DRº MUNHOZ: Calma, gente. Marco é um dos meus grandes amigos e cliente. Foi ele que me pediu pra pegar esse caso.
RAÍZA (se levanta): Quê? Mas...Mas foi o Dcr quem foi te procurar.
DCR (surpreso): Exatamente.
DRº MUNHOZ: Eu sei, mas antes de você ir até meu escritório, Marco já havia comentado sobre o assunto. Ele deve gostar muito de vocês, hen.
DCR (firme): Mas nós não gostamos dele e se eu soubesse que o senhor o tinha como amigo eu nem teria passado da porta daquele prédio.
DRº MUNHOZ: Que isso, rapaz? Eu não sabia que vocês tinham um problema com o Marco.
DCR: Nós não temos mesmo, é ele quem tem. E se ele queria ajudar, não precisava ter aparecido, a gente nem ia ficar sabendo.
DELEGADO: Será que dá pra vocês se acalmarem?
MARCO: É, Danilo, calma. Você não quer ficar como seu pai, não é?
Clima.
Dcr parte pra cima dele.
DCR: Não fale do meu pai!
A polícia e drº Munhoz intervêm. Dcr ainda tenta resistir, mas Raíza o contém.
RAÍZA: Não, Dcr! Não vê que é isso que ele quer?
Ela encara Marco que a olha sarcástico.
DELEGADO: Cês “tão” pensando que aqui é um ringue, é?
Marco ajeita seu paletó.
MARCO: Me desculpe, seu delegado. Eu não devia ter tocado nesse assunto. O pai dele está numa clínica psiquiátrica e, isso mexe com os nervos de qualquer um.
Raíza e Dcr demonstram raiva.
DELEGADO: Ah sim...O pai e a esposa com problemas desse tipo...Deve ser algo perturbador para você, não Danilo?
DCR (tentando se conter): O que ta insinuando? Que eu estou louco?
DELEGADO: Não, mas...Talvez você não tenha visto as coisas como realmente aconteceram. Sabe, no calor da emoção talvez tenha lhe escapado...
RAÍZA (corta / altera-se): O senhor ta pressionando a gente a contar uma versão dos fatos que não aconteceu. Isso pra quê? Pra ganhar alguma promoção?
DCR: Ou talvez já faz tempo que o senhor não pega um caso de verdade?
O delegado se levanta já nervoso.
DELEGADO: Vocês estão me desacatando. (ele faz um sinal para o policial) Prenda esses dois! Vão esfriar a cabeça na cela.
DRº MUNHOZ: Seu delegado, meus clientes não tiveram intenção, eles estão nervosos.
RAÍZA: Não se esforce tanto. Você não é mais o nosso advogado. (para o delegado) Nós queremos escolher outro.
DELEGADO: Você irá escolher, mas lá dentro. Anda, leva esses dois!
O policial leva Raíza e Dcr com raiva que encara o advogado. Este sorri sonso para Marco.
CORTA PARA
CENA 9 FACHADA – ED. CIRANDA DE PEDRA [NOITE]
Corta para o interior do APTº 403 – SALA
A mão masculina coloca o telefone no gancho. Josué se mostra indignado.
JOSUÉ: Era só o que faltava: Raíza e Dcr foram presos!
Joana e João se surpreendem.
JOANA: Como assim? Por quê?
JOÃO: Será que foi o depoimento de alguém?
JOSUÉ: Pior! Eles armaram um quiprocó depois que descobriram que o advogado deles era amigo do Marco.
BRUNO (surpreso): É isso mesmo que ouvi? Raíza foi presa?
Bruno acaba de entrar no apartamento.
JOSUÉ: E isso só aconteceu porque eles desacataram o delegado.
BRUNO: Certamente esse advogado deve ter contribuído pra isso. Vou vê-la.
Bruno sai em seguida.
Todos se entreolham, abismados.
CORTA PARA
CENA 10 DELEGACIA – CARCERAGEM [INT. / NOITE]
Raíza, atrás das grades e sozinha na cela, anda de um lado pro outro. Ouvimos uma porta se abrindo e passos arrastados se aproximando.
CARCEREIRO (O.S): Dez minutos, hen.
Raíza encara alguém fora da tela com olhar fixo, expressão de raiva.
RAÍZA (abre os braços): Veio fazer o que aqui? Veio rir da minha cara?
A câmera revela Marco diante dela, olhar desafiador, sorriso malicioso.
MARCO (cínico): Não entendo o seu nervosismo. Foram vocês que desacataram o delegado.
RAÍZA (furiosa): Com a sua ajuda. Você provocou o Dcr. Você está aqui pra EU estar exatamente aqui onde estou.
MARCO: Sinto a fúria de suas palavras, mas não entendo nada do que você diz.
Raíza somente o encara, furiosa.
MARCO: Shakespeare, querida.
RAÍZA: Veio fazer o que aqui mesmo?
MARCO: Vim lhe propor um acordo (sorri falso).
RAÍZA: (aproxima-se da grade) Eu não faço acordo com você. O Cael já deve ta sabendo o que aconteceu, a menos que você o tenha matado.
MARCO (cínico): Que idéia trágica você faz de mim. Eu sei que você vai aceitar meu acordo sem maiores dramas.
Os dois se encaram. Ele disfarça um sorriso no canto da boca.
CORTA PARA
CENA 11 ED. ELDORADO [EXT. / NOITE]
Ari anda apressadamente para atravessar o portão quando dá de cara com Rafaela a sua frente.
ARI: Rafaela? Tá fazendo o que aqui?
RAFAELA: Er...Eu soube da sua mãe. Sinto muito.
Ari balança a cabeça afirmativamente, desconfiada.
ARI: Hmm...Obrigada. Tenho que ir.
Ari faz que vai seguir.
RAFAELA: Ari! Espere! (Ari se volta) Eu também soube da prisão do Dcr e da Raíza. Sabe, eu sei que estamos afastadas há tanto tempo, mas...Eu queria que você soubesse que...Eu torço pra que eles saiam de lá. A polícia vai ver que foi um acidente.
ARI (sarcástica): O que mais que você sabe? Marco já te colocou a par de tudo? (Rafaela se perturba) Sim, por que até onde eu sei ele é o seu único contato naquele apartamento. A menos que...
RAFAELA: A menos que...?
ARI: Deixa pra lá, tenho que ir.
Rafaela segura em seu braço.
RAFAELA: Deixa pra lá não. O que você ia dizer?
Ari a olha de cima, imponente, sentida.
ARI: Sabe, Rafaela, o dia que você vier falar comigo como amiga e não como leva-e-traz eu terei o prazer em te ouvir.
RAFAELA: Mas eu to aqui como amiga.
ARI: Me faça acreditar nisso.
Ari vai embora deixando Rafaela frustrada.
CORTA PARA
CENA 12 DELEGACIA – CARCERAGEM [INT. / NOITE]
Raíza olha incrédula para alguém fora da tela.
RAÍZA: Cê deve ta inventando isso, só pode.
MARCO: Todos nós temos nossos segredos. Não achou que o Cael fosse santo, não é?
RAÍZA: Devo presumir então que por isso você boicotou a boate dele e mandou incendiar?
MARCO (sarcástico): Os créditos do incêndio são todos seus, querida. Eu teria arruinado a vida dele muito antes sem a sua interferência.
RAÍZA: Você quer se vingar de nós dois, é isso? Cê não vê que ele ta pouco se lixando pra você? Que você não consegue destruí-lo porque ele não se importa contigo?
MARCO: Isso por que ele ainda não perdeu você pra mim.
Baque em Raíza.
RAÍZA: O-o-o quê?
MARCO: Sabe, Raíza, você não faz meu tipo, mas que sacrifício o homem não faz para atingir seus objetivos, não é?
RAÍZA (atordoada): Cê perdeu o juízo? Acha que vou dar uma de Valentina e me tornar sua amante só pelo teu prazer em se vingar do Cael? O que andam colocando em seu uísque?
MARCO: Eu jamais lhe colocaria em uma situação desagradável, querida. Mesmo porque não quero que meu futuro sogro pense que sou um aproveitador (sorri forçado).
RAÍZA: Eu prefiro a morte. Tá ouvindo? A morte.
MARCO (sorri malicioso): Jura?
Raíza não disfarça a raiva.
MARCO: Sabe, não vejo graça na morte quando podemos fazer alguém sofrer mais um pouco. Aliás, não foi por isso que você não deu um fim no seu primo quando teve oportunidade? Ou será que você não soube fazer?
Clima.
Raíza o agarra pela gravata e o traz até a grade. Olho no olho. Tensão.
RAÍZA: Eu não sou uma assassina, tá ouvindo? Não sou! E você sabe muito bem disso!
MARCO (segura em suas mãos com força / firme, mas sem perder a calma): O delegado pode ter uma opinião diferente depois de conhecer seu histórico perturbador (ele se livra dela / ajeita as abotoaduras). Drogas, ataques de heroísmo, envolvimento em dois crimes...
RAÍZA (se perturba): A polícia não vai dar crédito pra um bandido que nem você. É só o Cael contar o que sabe...
MARCO (corta): O que ele tem contra mim? O depoimento de um maluco como o Paulo que já está morto há quase 1 ano? (Raíza desvia o olhar) Que aliás, morreu enquanto mantinha você sob cárcere privado (faz ar pensativo). Interessante, não acha? Será que posso incluir em seu rol de crimes?
RAÍZA: Eu não matei aquele cara!
MARCO (sonso): Ora, não seja modesta. Você foi brilhante, ninguém desconfiou. Uma pena que de uns tempos pra cá você tenha perdido suas habilidades criminais, tanto para com o seu primo, quanto para com a dona Andréa. Lamentável esse episódio.
Raíza agarra na grade, enfurecida.
RAÍZA: Escuta aqui: Dane-se as suas idéias distorcidas, ta? Você quer se casar comigo pra se vingar do Cael, mas se eu for presa você vai ter que caçar outra maneira pra isso, porque você só precisa de uma oportunidade pra agir, e eu não serei essa oportunidade, não ta?
Ele aproxima-se da grade, a olha com certo charme.
MARCO (debochado): Mesmo depois de tudo que eu disse sobre o Cael, você ainda o defende?
RAÍZA: Não foi o suficiente.
MARCO (controla-se): Hmmm...Sinto que você está dificultando as coisas. Acha que sua vida na prisão será mais fácil do que aqui fora?
RAÍZA: Não tem nada que prove que eu tava naquele carro...!
MARCO: A não ser por uma testemunha. (Raíza emudece) O delegado desconfia que você estava naquele carro. Tudo aponta pra isso. (faz um movimento com as mãos) E de repente surge alguém disposto a contar o que viu...
Os dois se encaram, e Marco libera aquele sorriso de novo, no canto da boca, expressão sagaz.
RAÍZA: GUARDA! GUARDA!
MARCO (calmo): O que pensa que tá fazendo?
RAÍZA: Seu tempo acabou. Vou ligar pro Cael e ele vai me tirar daqui.
MARCO: Você não vai ligar pra ninguém...
RAÍZA: GUARDA!
MARCO: Você não vai ligar.
RAÍZA: Ô GUARDA!
De repente, Marco leva a mão, segura sua nuca e traz seu rosto com força para a grade. Tensão na expressão dela.
MARCO (raiva): Quando eu digo que você não vai ligar é porque você não vai ligar, entendeu?
RAÍZA (range os dentes): Tá me machucando.
Marco força ainda mais.
MARCO: Sabe pra onde sua família querida vai se você não aceitar minha sincera ajuda? Sabe? Pro olho da rua! (aperta seus cabelos) Pra debaixo da ponte! (aperta mais uma vez) E o mais longe...Pro quinto dos infernos!
RAÍZA: Me solta!
Raíza, enfim, se solta dele gritando, descabelada e assustada.
RAÍZA (ofegante): Do que é que ‘cê’ tá falando?
MARCO (se achando): Do apartamento onde você e sua família moram de favor. (tensão em Raíza) Eu o comprei.
Baque na expressão dela que permanece calada.
MARCO: (sarcástico) Não precisa dizer nada, sei o quanto deve estar emocionada. Mas não se preocupe, o apartamento não significa nada pra mim. (falso lamento) Já para o seu pai...Significa uma vida...
Raíza empalidece.
RAÍZA: Cê não vai fazer nada contra meu pai.
MARCO: Mas eu jamais faria algo contra ele. Estou apenas dizendo que, para o seu pai, um homem de poucos recursos, saber que não mora mais no lugar que comprou com tanto custo seria como a morte.
RAÍZA: Ele já morreria ao saber que perdeu o apartamento justo pra você.
MARCO: Querida...Ninguém perdeu nada para mim. Eu apenas quis evitar que o seu tio levasse o apartamento a leilão. O que não impede que o seu pai, após receber uma promoção na empresa, consiga tê-lo de volta (Close em Raíza, angustiada). É claro que você também poderá presenteá-lo com um apartamento novo, pois pretendo ser um marido generoso, só que vou precisar fazer uns cortes no orçamento. (força o ar pensativo) Pensei em cortar o João Batista, ele anda me dando muitas despesas.
Raíza está possessa, o olha de cima quase lacrimejando de ódio.
RAÍZA: Sai daqui. Você enlouqueceu. Eu não preciso do seu advogado pra nada.
MARCO: Mas ele não está aqui como meu advogado, querida. Eu estou aqui para te convencer a aceitar o advogado que o TEU amigo escolheu (sorri forçado).
RAÍZA: O Dcr deu azar de escolher o TEU advogado, mas não somos obrigados a aceitá-lo.

MARCO: O seu amigo não pensa como você (Raíza estranha).
Eu não comentei, mas acho que ele disse alguma coisa sobre...(cínico) Amar muito a esposa.
RAÍZA (indignada): Você o ameaçou, num é?
MARCO: Não, de maneira nenhuma. O que aconteceu entre nós foi um diálogo passível de um resultado feliz pra todo mundo.
Raíza bufa.
MARCO (continua): Você devia seguir o exemplo dele, por que... Você ama seu pai pelo menos, não?
RAÍZA: Tá ameaçando meu pai de novo, é?
MARCO: Ora Raíza, estou aqui pra te ajudar. Sua estada neste lugar pode prejudicar e muito a carreira em ascensão de seu pai. (suspira fingindo desolação) Uma carreira tão brilhante... Ele poderia ir muito longe se continuasse neste ramo.
RAÍZA (raiva): Tá usando o meu pai pra me forçar a aceitar a sua ajuda, mas cê não vai conseguir o que quer.
MARCO (se aproxima da grade / firme): O quê? Deixar você atrás das grades por um crime que você cometeu? Ver você pagar pela morte de dona Andréa? Assistir seu pai (ênfase) agonizando de desgosto? Ou seria...Te convencer a casar comigo? O que será que eu quero?
Raíza o encara, firme e com a raiva estampada no rosto.
MARCO: Aproveite o silêncio da cela para pensar.
Marco a encara sério e convicto de uma resposta positiva; Raíza faz expressão de estar encurralada.
CORTA PARA
CENA 13 DELEGACIA [EXT. / NOITE]
Marco desce as escadas, satisfeito e se direciona ao carro. Ari está do outro lado, de costas, encostada ao carro.
MARCO: Ari?
Ari se volta séria e decidida.
ARI: Quero falar contigo.
Marco faz que sim, abre a porta e entra. Em seguida, Ari faz o mesmo.
MARCO: Não tive tempo de te dar meus sinceros sentimentos...
ARI: Não tente ser agradável, tá? Não vim pra você me dar os pêsames.
Corta para o interior
MARCO (debochado): Hmmm...Dona de si, hen.
Ari lhe dá aquela olhada mantendo um semblante fechado.
ARI: Eu vim porque tô disposta a contar o que você tanto quer saber sobre a Raíza...
MARCO (surpreso): Nossa...Não imaginava...
ARI: Mas além da sua proposta...Em troca quero que você livre a Raíza e o Dcr da prisão.
Marco a olha de maneira sarcástica enquanto ela o encara firme.
MARCO: Tudo bem. Estou esperando.
ARI: Primeiro a liberdade deles. Quem me garante que você vai cumprir o acordo?
MARCO: E quem me garante que VOCÊ vai cumprir?
ARI: A minha palavra vale muito mais que a sua.
MARCO: Dessa maneira fica muito difícil. Como quer fazer um acordo se não confia em mim?
Ari o olha, impaciente.
MARCO: Se você quer a minha ajuda, me incentive a isso...Minha querida (sorri).
Ari respira fundo, insatisfeita. Faz que vai dizer quando alguém bate na janela. É Bruno. Ari se assusta, sai do carro, preocupada.
EXTERIOR
ARI: Seu Bruno?
BRUNO: Ari, o que faz no carro desse cara?
Marco está saindo do carro com a cara mais lavada possível.
MARCO: Bruno, tudo bem com você?
ARI: Seu Bruno, é que...
MARCO: Eu a chamei para falar da situação do marido dela. Ele mesmo já contratou um advogado...
BRUNO (nervoso): Sei bem o advogado que o Dcr contratou. Onde está o Cael? Eu não quero você defendendo a minha filha, tá ouvindo?
MARCO: Mas quem vai defender é o advogado dela.
Bruno tenta partir pra cima dele, mas Ari o segura.
BRUNO: Eu vou meter a mão na tua cara, seu infeliz!
ARI: Por favor, seu Bruno, vamos sair daqui, vem.
Bruno ainda encara Marco seriamente enquanto este ajeita o colarinho que nem foi desarrumado.
FUSÃO PARA
Takes da cidade à noite
= = Passagem de Tempo = =
CORTA PARA
CENA 14 DELEGACIA – CARCERAGEM [INT. / NOITE]
Raíza está sentada numa cama baixa, pensativa. Ouvimos passos de salto alto, e ela olha para o lado, curiosa.
A câmera foca a grade pelo lado de dentro e Valentina surge lentamente com aquele olhar medonho como se quisesse apreciar a cena.
Raíza levanta imediatamente e se aproxima da grade.
RAÍZA: Tá fazendo o que aqui?
As duas se encaram, de repente Valentina COSPE em Raíza.
VALENTINA: É o que você tava merecendo há muito tempo.
Raíza avança, puxa Valentina pelos cabelos e prensa seu rosto contra a grade.
RAÍZA: Agora eu vou te mostrar o que você merece.
VALENTINA: Me solta! Me solta, sua louca!
CORTE BRUSCO PARA
CENA 15 APTº 403 - SALA [MANHÃ SEGUINTE]
A cena começa numa discussão entre Cael, Bruno e Josué.
CAEL (indignado): Eu não mandei a minha advogada, por que o Dcr me mandou uma mensagem avisando que já tinha arrumado. De repente descubro que Raíza e Dcr estão sendo defendidos pelo advogado do Marco?
BRUNO: O Dcr foi vítima de uma armação do Marco, Cael. A essas alturas a Raíza já foi ameaçada pra aceitar o advogado dele, sabe se Deus usando que argumentos.
CAEL: E você, Josué? (Este o olha com cara de santo) Eu liguei pela madrugada, você disse que estava tudo certo. (Bruno encara o irmão, surpreso) Qual parte você achou que estava certo? A parte em que o Marco entra em cena, ou a prisão da sua sobrinha?
JOSUÉ: Você tá preocupado com o que, Cael? Com a prisão de Raíza ou com o fato do Marco ter chegado primeiro?
Cael esboça um ódio de repente e parte pra cima de Josué, segurando em seu colarinho.
CAEL: Seu desgraçado! Eu não sou um moleque! Não me trate como um (tensão em Josué). Eu sei que você quer rever o apartamento, mas parece que não é nenhum sacrifício ficar do lado do Marco, não é?
Josué segura em suas mãos tentando se desvencilhar.
JOSUÉ: (trinca os dentes) Me largue! Me largue!
CORTE BRUSCO PARA
CENA 16 DELEGACIA [INT. / MANHÃ]
O delegado Queiroz, Marco, dona Diva, Ari e um homem sentado estão presentes. Um policial atravessa a entrada conduzindo Raíza e Dcr. Esta olha a todos com medo.
DELEGADO: Danilo e Raíza. Por favor, aproximem-se.
Dcr e Raíza chegam perto e se entreolham.
DELEGADO: (se dirige a testemunha) Então, Mauro? Reconhece os dois da noite de ontem?
Mauro olha para ambos. Todos se entreolham. A câmera vai mostrando um por um e o suspense paira no ar.
A ser continuado...


SÉRIE ESCRITA POR:
Cristina Ravela

ESTRELANDO:

Maria Flor - Raíza
Michael Rosenbaum - Cael
Pierre Kiwitt - Marco
Caio Blat - João Batista
Nathália Dill - Ari
Aaron Ashmore - Dcr
Fernanda Vasconcellos - Rafaela
Alinne Moraes - Valentina
Caco Ciocler - Josué
Juan Alba - Bruno
Thiago Rodrigues - Cipriano

PARTICIPAÇÕES:

Monique Alfradique - Joana
Júlia Lemmertz - Diva
Jorge Pontual - Policial Diego
Walter Breda - Delegado Queiroz

PARTICIPAÇÃO ESPECIAL:

Aramis Trindade - Drº Munhoz
Murilo Grossi - Mauro

TRILHA SONORA:

Love Is A Losing Game - Amy Winehouse

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