0:00 min       RAÍZA 2ª TEMPORADA     SÉRIE
0:35:00 min    


WEBTVPLAY APRESENTA
RAÍZA 2


Série de
Cristina Ravela

Episódio 14 de 23
"Reverência"



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FADE IN
CENA 1 RUAS DA CIDADE [MANHÃ]
Vemos ruas movimentadas, ouvimos buzinas, trânsito tranquilo.
Corta para o interior de um carro.
Um homem de 27 anos, moreno, barba por fazer dirige nervoso, olha o relógio de pulso rapidamente. Close no velocímetro que marca 100 KM/h.
Corta para outro ponto da cidade.
A uma pouca distância, Ari, Raíza e Joana caminham pela calçada enquanto conversam. Joana segura um pacote de biscoito de polvilho e divide com as amigas.
ARI: Essa festa na Curto-Circuito com certeza vai bombar.
JOANA: É, mas vê lá, hen Raíza se você não vai fazer o número do ‘derrubando a mesa’.
RAÍZA: Gente eu nem queria isso.
JOANA: Se anime! É seu aniversário.
RAÍZA: Não dá pra trocar de data?
As três passam pela tela.
Corta
Um homem magro aparentando 28 anos, moreno, cabelos grandes e pretos surge por detrás de uma das pilastras que sustentam o viaduto. Ele vem andando e, na medida em que se aproxima da tela vemos que sua camisa está desabotoada no final, fazendo com que apareça o cano da arma em sua cintura.
Volta à cena anterior
Ari e Joana riem de alguma coisa que Raíza diz. Elas estão para atravessar a rua.
RAÍZA: É sério, gente. Eu nunca tive a minha primeira vez, porque estão rindo?
JOANA (mastiga rápido o biscoito): Sabe o que é? (pausa) Cael já sabe?
ARI: Um dia desse ele descobre.
Risos.
ARI: Ah, mas eu acho bonito assim, sabe? Quem dera minha primeira vez fosse com o Dcr.
JOANA: Reconstitui, ué.
ARI: Hã? (ela entende) Ah, sua boba!
Mais risos.
RAÍZA: Medo de vocês, sabia?
Joana olha para trás e a câmera se mostra dentro de uma vitrine. Ela abre o bocão, animada.
JOANA: Gente! Eu acho que tenho o presente ideal para você, Raíza.
Ari e Raíza olham e riem.
A vitrine é de um sex shop.
RAÍZA: Gente e não vou usar isso, não.
JOANA: Uniforme de enfermeira ia ficar tão bem em você.
Ari põe a mão na boca horrorizada, mas logo ri.
Raíza se distrai olhando para o lado e o som das outras duas conversando fica em segundo plano.
[POV de Raíza]
Aquele homem de 28 anos caminha pela calçada, começa a atravessar e um carro ultrapassa um caminhão. Ouvimos o som dos pneus cantarem no asfalto, o carro parece que vai bater no que vem de frente, se desgoverna e sobe na outra calçada.
RAÍZA: CUIDADO!
Algumas pessoas se desesperam. Raíza corre, atravessa a pista, o homem fica sem saber pra que lado ir e Raíza o empurra. Os dois acabam atingindo o vidro de uma loja. Baque.
VOLTA À CENA
Joana olha atenta para a vitrine.
JOANA: Então, Raíza? O que cê acha?
Raíza não responde.
JOANA: Raíza?
Ari se mantém quieta e entreolha Joana.
Raíza continua olhando na direção da calçada.
Corta para o interior do carro da primeira cena.
O homem dirige ainda nervoso. Ouvimos o celular tocar. Ele põe a mão no bolso da camisa, tenta retirar o aparelho e se atrapalha.
Corta para o exterior, adiante.
O homem de 28 anos para na calçada e olha para a esquerda de onde um caminhão de carga vem adiante. Dá tempo. O homem começa a atravessar.
Ari, Raíza e Joana também começam a atravessar.
JOANA: Tá na minha hora, mas juro que volto pra comprar seu presente, Raíza.
Raíza vê a mesma cena de sua visão.
= = Music On = =

O carro ultrapassa o caminhão, ouvimos os pneus cantarem no asfalto e parece que vai bater no outro carro que vem de frente. Desgoverna e sobe a calçada.
RAÍZA: CUIDADO!
Algumas pessoas se desesperam. Raíza corre, atravessa a pista, o homem de 28 anos fica sem saber pra que lado ir e Raíza o empurra dando um giro com ele.
[efeito câmera lenta]
Os dois acabam atingindo o vidro de uma loja que se estilhaça.
Corta para o interior da loja de onde vemos os dois caírem [fim do efeito].
Ouvimos o carro frear bruscamente.
As pessoas estão assustadas.
Raíza está por cima do homem com cacos de vidros espalhados sobre eles.
HOMEM (assustado): Nossa...Eu pensei que eu fosse partir dessa pro inferno.
RAÍZA: Você tá bem?
Ele a fita como a reconhecê-la.
HOMEM: Tô vivo(pausa). Qual o nome da minha heroína?
Raíza o encara, esbaforida.
RAÍZA: Raíza.
Close na expressão de admirado dele.
= = Music Off = =
FADE OUT


2X14
REVERÊNCIA


FADE IN
CENA 2 RUAS DA CIDADE
Há uma movimentação na porta da loja, carros de polícia e ambulância. O motorista do carro desgovernado presta depoimento, mas não ouvimos a conversa.
Ari, Joana, Raíza e o tal sujeito estão na calçada conversando.
JOANA: Gente! Isso foi ce-na-de-fil-me! E eu que pensei que se jogar em cima de mesa fosse sua especialidade, Raíza.
RAÍZA: Joana, cê não tá atrasada, não?
JOANA: Ahn...(ela olha todos com um sorriso amarelo) Me empolguei. (para o sujeito) Eu ainda não sei seu nome...
HOMEM: Ramirez. Arthur Ramirez.
Joana estende a mão jogando charme.
JOANA: Mara. Joana Abjumara.
Ele a cumprimenta gentilmente.
RAMIREZ: Bem, eu preciso ir. (ele olha Raíza fixamente e pega sua mão) Foi um prazer (ele beija).
Ele vai embora deixando as garotas de boquiaberta.
ARI: Gente, que isso? De onde saiu um cavalheiro desse?
JOANA: Ah, minha filha, de onde saiu não sei, mas bem que podia entrar na minha vida.
Ari acha graça, enquanto Raíza, séria, o vê partir.
Ramirez se distancia e olha para trás.
FADE OUT
FADE IN
= = Passagem de Tempo = =
CENA 3 FACHADA - ED. CIRANDA DE PEDRA [MANHÃ]
Corta para o APTº 403 – SALA
Joana sai da cozinha seguida por Josué.
JOSUÉ: Como é que é? Raíza salvou um desconhecido?
JOANA: É, foi espetacular. Tinha que vê.
Os dois param e olham algo fora da tela.
Ari está ao lado da porta aberta e Marco diante deles.
MARCO: Bom dia. Ouvi que Raíza salvou alguém?
Josué passa a frente de Joana se mostrando forçadamente gentil.
JOSUÉ: Senta, Marco. Quer alguma coisa?
Marco se prepara para sentar quando Raíza surge do outro corredor.
RAÍZA: Ele sempre quer alguma coisa.
Marco desiste de sentar e a olha.
MARCO: Nem no seu aniversário você dá folga aos necessitados, hen.
Raíza põe as mãos no bolso da calça e vira o rosto, insatisfeita.
Marco se aproxima, põe a mão por dentro do paletó e retira um porta-joia.
MARCO: Meu pai mandou te entregar.
RAÍZA: E por que ele não mandou o Cael?
ARI: Deve ser por que o Marco tá sempre aqui, né?
Marco olha pra ela seriamente. Ari disfarça, coça a nuca.
MARCO: Feliz aniversário, querida. (ele faz que vai abraçá-la / ela se esquiva) Ahn...Espero que goste...Do presente dele.
Raíza reluta, o encara, mas acaba pegando. Quando abre se mostra surpresa. Ela retira e exibe a todos um colar com pingente de cruz prateada.
JOANA: Esse seu pai tem bom gosto, hen.
Josué está apreensivo com alguma coisa.
João chega na sala.
JOÃO: Ganhando presente do sogro...Imagine depois que casar com o Cael...
Raíza se incomoda, guarda o colar.
RAÍZA: Diz pro seu pai que agradeço o presente, mas não posso aceitar. Isso deve ter sido caro.
MARCO: É presente. Não vai fazer essa desfeita, vai?
JOANA: Raíza, aceita. Como é que tu vai recusar o presente do seu sogro?
RAÍZA: É que eu preferia que ele me desse pessoalmente (encara Marco).
Marco faz cara de desagrado, pega o colar e abre.
MARCO: Meu pai disse pra não aceitar ‘não’ como resposta.
Ele coloca o colar no pescoço dela de frente deixando-a indignada. Todos observam.
Marco fica cara a cara com ela, desliza a mão por seu pescoço e nota-se um clima.
Ele toca o pingente caído sobre seu peito e ela segura sua mão para retirar. Nesse instante, a expressão dele é de estranho prazer.
RAÍZA: Vai demorar?
Marco se infla.
MARCO: Vim cumprimentar vocês, saber como estão...
Raíza sai de perto.
RAÍZA (corta): Então vou esperar lá fora.
JOÃO: Como você é desagradável, Raíza. É feio sair quando a visita chega.
RAÍZA: Não é a mim que ele quer saber como está.
Raíza deixa o porta-joia sobre a mesa de centro, abre a porta e sai.
Josué e Marco se encaram. João olha para Ari e sorri maliciosamente. Joana vê.
CORTA PARA
CENA 4 ED. CIRANDA DE PEDRA [EXT.]
Raíza caminha até o portão e se encosta ao batente da porta. Toca o pingente e olha paralisada como se fosse ter uma visão.
MARCO (O.S): Gostou do presente, hen.
Raíza se assusta e caminha até a calçada. Marco segue.
RAÍZA: Seu pai tem bom gosto.
MARCO: Ele acredita que... Quem anda com uma cruz (fica de frente para ela) sempre estará protegido.
RAÍZA (pouco caso): Se ele acredita, né...
MARCO: Espero que fique no seu pescoço...
RAÍZA (o encara esperta): Acha que vou vender para tentar pagar uma parte da hipoteca? (ele dá de ombros) Essa é uma causa perdida pra mim. Eu já entendi que moro nesse apartamento, mas sinto como se ele não fosse meu.
MARCO (cínico): Você podia ter escolhido qualquer dia para ser pessimista, menos hoje.
Raíza franze as sobrancelhas denotando impaciência.
RAÍZA: Eu estaria mais otimista se meu tio não estivesse devendo a você.
MARCO: Ele não me deve mais nada e eu não o mandei hipotecar o apartamento. Assunto encerrado.
RAÍZA: Não, assunto encerrado não. Você pagou a cirurgia do João, (Marco ergue a cabeça impaciente) paga o tratamento dele e eu não acho que isso tudo vai sair por apenas um cafezinho todos os dias aqui.
Marco põe as mãos nos bolsos da calça.
MARCO: Você realmente não acredita em benevolência, não é? (cínico, faz sinal de negativo com a cabeça) Sabe (olhando ao léu) Eu tenho que admitir que o Cael soube dar a volta por cima...Eu dei a volta por cima (Raíza bufa / ele a encara) Mas você continua a mesma.
Raíza faz que não entende.
MARCO (cont.): Continua focada em mim (Raíza se indigna). Você devia ficar preocupada com seus estudos pra não repetir de novo. Nesse passo você não ficará a altura do seu namorado, querida.
RAÍZA: Escuta aqui...!
HOMEM (O.S): Com licença.
Marco e Raíza olham para frente. Ramirez sorri simpático.
RAMIREZ: Atrapalho alguma coisa?
Raíza respira fundo.
RAÍZA: Oi, Ramirez. O que faz por aqui?
Marco olha o cara de cima a baixo.
RAMIREZ: Eu vim trazer isso pra você.
Ramirez exibe uma caixa de presente e a estende.
RAMIREZ: Eu não sabia como agradecer o que você fez por mim hoje, (ela pega e vai abrindo) espero que goste.
Raíza se admira ao ver se tratar de um celular ultra moderno.
Marco dá aquele sorriso safado.
MARCO: Amigo novo e já recebe presente caro de aniversário?
RAMIREZ (surpreso): É seu aniversário? Então você merecia dois presentes. Parabéns!
Ele, de repente, toca seu rosto e o beija deixando Marco tenso.
RAÍZA (guardando o presente na caixa): ‘Brigada’, mas... Não posso aceitar.
RAMIREZ (preocupado): Por quê? É de coração. Vou me sentir ofendido se você não aceitar. É a minha maneira de agradecer.
MARCO(malicioso / para Raíza): Um celular desse está caro. O que você fez pra merecer isso?
Raíza fecha a cara e o encara.
RAMIREZ: Ela salvou a minha vida hoje. Eu poderia estar morto a essa hora.
Marco sorri debochado.
RAÍZA: Não é por causa disso que você precisa me dar presente. A sua vida não vale (fita Marco) um celular.
RAMIREZ: ‘Cê’ não deve tá acostumada a receber nada em troca, não é?
Raíza paralisa com a pergunta. Marco dá uma olhada rápida pra ela.
RAÍZA (desconversa): Como você me achou aqui?
MARCO (irônico): Deve ter sentido o cheiro de heroína (sorri pra ela).
RAÍZA (impaciente): Você quer parar com isso? Por que não vai trabalhar?
RAMIREZ: Desculpe, são namorados?
MARCO (olhada sacana): Cunhados.
RAMIREZ: Eu volto numa outra hora, então...
Ele pega na mão dela, beija e a olha como um verdadeiro cavalheiro.
Uma imagem se abre como um flash.
VISÃO DE RAÍZA
É noite. Ramirez está num estacionamento diante de Marco e apontando-lhe um revólver.
RAMIREZ: Eu não aponto uma arma pra ninguém sem atirar!
FIM DA VISÃO
Ramirez solta a mão dela delicadamente.
RAMIREZ: Com licença.
Ele vai embora deixando Raíza absorta e Marco incomodado.
CORTA PARA
Takes da cidade.
= = Passagem de Tempo = =
CENA 5 FACHADA – CURTO-CIRCUITO [MANHÃ]
Corta para seu interior
A câmera caminha pelo salão. Cadeiras estão por cima de mesas, Bárbara limpa a bancada e outros funcionários ajeitam o local.
CAEL (O.S): Você acha mesmo que esta é a solução? Se contar a verdade você poderá provocar uma briga na família, mas se esconder você estará privando o Bruno de pensar numa estratégia.
Cael e Dcr estão sentados de frente para o outro. Há um copo de whisky para Cael na mesa.
DCR: Que estratégia? Eles já perderam o apartamento para o Marco. Não vejo estratégia nenhuma que possa salvar essa família.
CAEL: Você sabe que por mim o Marco já poderia estar preso, não sabe? Mas por você eu ainda não tomei as minhas providências.
Dcr relaxa no encosto da cadeira.
DCR: Você não acredita que eu possa convencer a Rafaela a se livrar do Marco, não é?
CAEL: Eu apenas não acredito que ela queira se livrar dele. (pausa) Mas enfim, é sua amiga e não sou eu que vou fazê-la ser presa junto dele.
DCR: De qualquer maneira, preso ou não, Marco vai acabar tomando posse do apartamento. Se não for por que Josué não cumpriu com algum acordo, será por vingança.
CAEL (firme): Se isso acontecer a Raíza terá que escolher: Ou ela aceita a minha ajuda ou vai pra sarjeta com aquele tio que não se importa com a vida dela.
Dcr se surpreende com aquilo e olha para algo fora da tela.
BRUNO: Oi. Aproveitei o horário de almoço. (ele se senta) Qual o assunto?
Cael e Dcr se entreolham.
CORTA PARA
CENA 6 COFFEE BREAK – SALÃO DE JOGOS [INT. / MANHÃ]
Há mesas de jogo, um rapaz limpa o balcão do bar e uma garota varre o chão.
Rafaela surge na porta, dá uma vistoriada pelo local.
BARMAN: Rafaela, vamos precisar de mais whisky, ok?
RAFAELA: Ah sim. Anota tudo que tá faltando que depois entrego pro chefe.
Ouvimos o toque de um celular.
RAFAELA: Só um minutinho, gente.
Ela põe a mão no bolso e pega seu celular. Levanta a aba e se afasta.
RAFAELA: Pode falar (pausa). O quê? (olha pra trás, mas ninguém está olhando) Como ele descobriu? (pausa) Tá, eu vou falar pra ele. ‘Brigada’.
Ela desliga, abismada.
RAFAELA: Gente, eu já volto.
Ela sai. O barman olha estranhamente para ela.
CORTA PARA
CENA 7 COFFEE BREAK – SALÃO
Rafaela quase sai pela porta, mas volta rápido ao presenciar algo fora da tela. Ela se esconde.
Valentina está sentada, com o cotovelo apoiado sobre a mesa e segurando um cigarro. Conversa com alguém sob o olhar de Rafaela ao fundo.
VALENTINA (tom baixo): Então quer dizer que já conheceu a Raíza (pausa / aproxima o rosto). Então não espere mais. Eu quero a cabeça daquela vadia ainda hoje.
A câmera revela que a sua frente está Ramirez. Ele a encara balançando a cabeça afirmativamente. Em segundo plano, Rafaela observa, assustada.
A tela se fecha num baque.
FADE IN
CENA 8 FACHADA - ED. CIRANDA DE PEDRA [FIM DA MANHÃ]
Corta para o interior do APTº 403 – COZINHA
Close numa faca cortando a cebola sobre a tábua.
Ouvimos o bater da porta. Josué olha para trás, ignora e torna a cortar a cebola.
Close em suas costas, alguém se aproxima. De repente, alguém o pega pelos ombros e os faz se voltar. Susto em Josué.
JOSUÉ: Bruno? O quê...
BRUNO (grosso): Você já sabia, né? Já sabia e tava esperando a gente perder o apartamento pra eu descobrir? É isso?
Corta para o banheiro
Ari sai, para e ouve atenta, assustada.
VOLTA À CENA
Bruno, nervoso empurra Josué de contra a mesa e uma panela cai.
BRUNO: A gente comprou junto esse apartamento, você o hipotecou e agora deu de bandeja pro bandido do Marco!
Josué ainda segura a faca, tenta se mostrar arrependido.
JOSUÉ: Eu deixei de pagar dois meses, mas quando vi ele já tinha pagado, o que posso fazer?
BRUNO: Você arranjou essa droga de dívida, você se virasse, mas não colocasse o nosso apartamento em jogo! (ele põe a mão na testa) Meu Deus do céu! O dinheiro que juntamos durante anos agora no lixo! (pausa / ele o fita) Agora ‘cê’ vai me dizer. O que esse cara quer em troca pra devolver o apartamento? Anda, diz!
JOSUÉ: Ele só comprou pra garantir que nenhum estranho comprasse...
Bruno agarra sua gola.
BRUNO: Eu já sei de tudo! Você não queria que ninguém pagasse a hipoteca, porque sabia o que iam descobrir. Agora Marco quer alguma coisa de você pra devolver isso aqui!
JOSUÉ: ‘Cê’ tá me machucando...
BRUNO (o sacode): Anda! Diz!
JOSUÉ: Eu já disse que ele só comprou...
Bruno o empurra contra a parede e derruba alguns potes.
BRUNO: Eu tô me cansando, Josué! Eu não queria ter que fazer isso, mas... Se não contar eu falo pro João que você é o pai que teve vergonha de assumi-lo!
Josué se espanta.
JOSUÉ: Você não pode fazer isso! E eu não tive vergonha de assumi-lo, ‘cê’ sabe.
Bruno larga dele.
BRUNO: Mas é isso que vou dizer. Vamos ver a reação do garoto ao saber que nosso irmão morreu, porque você deixou o sogro dele pensar que ele largaria a filha grávida.
Ele dá as costas. Josué se desespera...
JOSUÉ: Não faça isso!
...Ele o agarra pelo braço e o faz voltar. Naquela luta, Josué acerta a faca em seu braço, causando um corte. Bruno geme de dor.
Josué está ligeiramente perturbado, larga a faca e sai da cozinha.
Dá de cara com Ari, assustada.
JOSUÉ (indignado e surpreso): Você tava o tempo todo aí, garota?
ARI: Eu ouvi uma discussão e vim ver...
Josué a empurra e passa zampado.
Bruno a olha com o braço sangrando. Ari põe a mão na boca, horrorizada.
= = Passagem de Tempo = =
CORTA PARA
CENA 9 QUARTO DE BRUNO E JOSUÉ [INT.]
Josué está de costas olhando pela janela. Bruno se aproxima, seu braço está enfaixado.
BRUNO (calmo): Josué (este olha para trás, sério). Você sabe que eu não vou contar nada, não é?
JOSUÉ: Não sei. Você parecia tão convincente.
Bruno se senta na beirada da cama. Josué aponta discretamente para o braço enfaixado dele.
JOSUÉ: Machucou muito?
BRUNO: Isso é o de menos, Josué. Eu só queria saber até que ponto você tá envolvido com o Marco.
Josué caminha pra perto dele, faz expressão de desconsolo.
JOSUÉ: Ele sabe (pausa). Ele sabe que João é meu filho (ele balança a cabeça negativamente), Não me pergunte mais nada, Bruno, por favor. (mente) Se esse Marco fez o que fez com alguma intenção eu não sei...Juro.
Bruno apoia o cotovelo no joelho e põe a mão no rosto, desolado.
= = Passagem de Tempo = =
CORTA PARA
CENA 10 COLÉGIO FRANÇA – PÁTIO [INT./TARDE]
O local está cheio de alunos, muita conversaria e há uma janela que dá no corredor do colégio que se destaca. Raíza está debruçada olhando o movimento. Cipriano surge ao seu lado.
CIPRIANO: Pensando na vida?
RAÍZA (sem tirar os olhos do pátio): Os alunos conversam na sala, conversam no pátio, conversam na hora da saída. E parece nunca ser o bastante.
Cipriano também se debruça sobre a marquise da janela.
CIPRIANO: Eu sempre soube que aniversário causa crise, mas achava que era na faixa dos 30.
Raíza sorri.
CIPRIANO: O que aconteceu?
Corta para o corredor.
Ela se coloca de frente pra ele.
RAÍZA: Hoje eu salvei um cara (Cipriano ouve atento). Salvei a vida de quem nem conheço. Acho que meu tio tá certo eu...Eu me preocupo com os que estão de fora mesmo que involuntariamente.
CIPRIANO: Você não tem que se culpar por isso. João não tá naquela cadeira por sua culpa.
RAÍZA: Mas eu tava lá. Eu podia ter evitado.
CIPRIANO: Vamos pensar o seguinte: Salvar um desconhecido que você não sabe o que fez ou o que fará contigo, tanto faz. Mas salvar quem você conhece muito bem, faz toda a diferença. Você só fez sua escolha.
RAÍZA: Cipriano...Eu empurrei meu primo daquele viaduto. Não foi uma escolha; Eu nem pensei na hora. Meu tio tá certo em sua teoria. Não tem sido fácil mentir pro meu pai e saber que o Marco foi a única testemunha ocular.
Cipriano cruza os braços, a olha sabiamente.
CIPRIANO (envenena): Josué não parece o tipo que age pela emoção. Se ele tá certo em sua teoria é porque tem alguma evidência. Não acha? (Raíza faz que não entende / ele vê alguém fora da tela).
Raíza olha para trás.
RAÍZA: Ramirez?
RAMIREZ: Oi, tudo bem?
RAÍZA: Tudo...(ele a encara / ela se constrange) Ahn...Esse aqui é meu tio Cipriano (ele cumprimenta Ramirez). Cipriano, este é Ramirez. O cara que eu te falei.
RAMIREZ: Opa, beleza?
CIPRIANO: Beleza...
Ramirez põe as mãos no bolso e olha para Raíza sorrindo.
RAMIREZ: Eu vim saber como você está, onde estuda (olha ao redor) É bem bonito aqui.
Raíza olha para Cipriano com cara de tacho.
RAÍZA: Ahn...Lembra o colégio onde estudou ou...Um local de trabalho?
RAMIREZ: Onde estudei. Você tá em que ano?
RAÍZA: Terceiro. Já era pra ter terminado, mas desta vez não passa. Vou acabar com isso, escuta.
RAMIREZ (ri): Minha frase predileta...
Cipriano olha desconfiado pro cara.
CIPRIANO: Você trabalha em quê?
Ouvimos o sinal tocar.
RAMIREZ: Poxa, ‘cê’ tem que ir, né?
Raíza se distrai olhando para Cipriano e Ramirez toca seu rosto beijando-a.
RAMIREZ: Vou nessa. A gente se vê.
Ele dá as costas enquanto Raíza e Cipriano se entreolham curiosos.
CORTA PARA
CENA 11 COLÉGIO FRANÇA [EXT.]
Ramirez está se aproximando do portão, Josué surge segurando sua pasta e os dois param, um encara o outro.
Josué continua e Ramirez olha para trás.
RAMIREZ: Josué?
Josué se volta, abismado.
JOSUÉ: Sim. Te conheço?
RAMIREZ: Sua sobrinha me fez um grande favor hoje e eu quero retribuir.
Josué o olha de cima a baixo como a analisar a criatura.
JOSUÉ: Você deve tá se referindo ao episódio de hoje cedo, né? Em que ela te salvou.
Ramirez estende a mão para cumprimentar.
RAMIREZ: Com certeza (Josué troca a pasta de mão e o cumprimenta). Você tem uma sobrinha de ouro.
Josué se limita a balançar a cabeça afirmativamente, desconfiado daquele cara.
RAMIREZ: Por isso, (ele põe a mão no bolso traseiro da calça e tira um cheque) eu achei que precisava salvá-la também.
JOSUÉ: O que é isso?
RAMIREZ (com o braço estendido): O suficiente para vocês se livrarem da hipoteca (Josué se surpreende), uma garota como Raíza não pode viver preocupada se amanhã vai estar morando no mesmo lugar ou não, concorda?
JOSUÉ (se irrita): Foi ela que pediu isso? Meu Deus do Céu! Ela anda espalhando os problemas familiares por aí...
RAMIREZ (calmo / estranha): Ela não disse nada.
JOSUÉ: Ah claro. Olha você guarda seu dinheiro, ok? Eu já falei pra ela que eu vou resolver isso sozinho.
Ele dá as costas, Ramirez puxa a camisa pra cima discretamente revelando uma arma na cintura.
RAMIREZ: Eu não vou desapontar a garota.
Josué se volta e se assusta com a ameaça.
CORTE BRUSCO
= = Passagem de Tempo = =
CENA 12 ED. CIRANDA DE PEDRA [EXT. / FIM DE TARDE]
Raíza vem de frente, andando apressadamente com um fone no ouvido. Josué vem lá trás igualmente apressado.
JOSUÉ (nervoso): RAÍZA! (pausa) RAÍZA!
Raíza sobe a calçada, se aproxima do portão e Josué a puxa violentamente.
JOSUÉ: Eu tô falando com você, garota!
Ela retira os fones, assustada.
RAÍZA: Que isso? Que violência é essa?
Ele coloca o cheque na sua cara.
JOSUÉ (raiva): Tá vendo isso aqui? É o presentinho que o seu novo amigo me obrigou a aceitar para pagar a hipoteca.
RAÍZA: Do que tá falando?
JOSUÉ: Que você salvou um assassino! (Raíza se espanta) O seu amiguinho me ameaçou com uma arma para eu aceitar isso!
RAÍZA (pensativa): Ramirez...?
JOSUÉ: É, é esse mesmo. É teu hobby sair por aí salvando bandidos?
RAÍZA (irritada): Eu não sabia...
JOSUÉ (nervoso e sarcástico): Não, você não sabia. Quando se trata de evitar algo pior pro João sua vidência não funciona, você nunca sabe de nada!
Raíza olha ao redor para não ser ouvida.
RAÍZA: Às vezes eu acho que teria sido melhor o senhor não saber que posso ver o futuro. Vidência não é a luz de nossa casa que a gente pode acender e apagar quando quiser!
JOSUÉ (irritado): O que tá querendo dizer? Que essa sua vidência tem algum problema com o João? Que Deus prefere que você salve os bandidos que,(sarcasmo) oh! Coitadinhos! Clamam por socorro?
Raíza se irrita, respira fundo.
RAÍZA: O senhor tá assim por causa da dívida que contraiu por causa do Marco. Se cuidasse mais da sua vida tanto quanto cuidou pra arruiná-la em bebida e jogo, talvez não tivesse dando chilique por causa de um cheque.
Josué aperta seus ombros...
JOSUÉ: Olha como tu fala comigo!
Um Toyota para, a porta se abre e Cael sai apressado.
CAEL: Eeei! O que tá havendo aqui?
Josué solta Raíza.
JOSUÉ: O que tá havendo, Cael? É que enquanto você cuida da sua boate, sua namorada fica recebendo presentinhos de outros caras.
RAÍZA: Não é nada disso! (ela dá um empurrão no tio que se mantém firme).
Cael a segura, a abraça e observa o colar.
RAÍZA: Ele tá dizendo que o cara que eu salvei hoje o obrigou a aceitar um cheque para pagar a droga da hipoteca, mas eu juro que não tenho nada a ver com isso, Cael.
CAEL: Talvez só assim pra você aceitar pagar logo isso, não é Josué? Ou tá esperando perder o apartamento?
JOSUÉ (indignado): Você não se meta! Não sabe dar conta da namorada e vem dizer o que devo fazer!
RAÍZA: Isso tudo é culpa do Marco! Se ele não existisse, nossa vida não estaria assim!
JOSUÉ: Não estranho esse tipo de pensamento com o João naquela cadeira.
Os dois se fitam. Josué sai batido deixando Cael esbabacado.
Raíza se mostra revoltada.
RAÍZA: Tá vendo, Cael? Como é que eu posso com esse cara?
CAEL: Que eu saiba é por esse cara que você não aceitou a minha ajuda.
Raíza desvia o olhar e balança a cabeça afirmativamente.
RAÍZA: É, e é assim que ele me paga. Com acusações.
CAEL: Raíza, essa dívida não é sua. Venha morar na minha casa, você, seu pai e o João. Você sabe que irei recebê-los muito bem, não sabe?
RAÍZA: Você disse bem: Sua casa. Meu pai nunca que ia aceitar morar no que não é dele, seria um golpe e tanto pra quem sempre lutou pra ter o próprio canto.
Cael nada mais diz e a olha com pesar.
CORTA PARA
CENA 13 ED. CIRANDA DE PEDRA [INT.]
Acompanhamos Raíza pelas costas subindo a escada. Tensão. Algo no ar. Assim que vira à esquerda, a mão de alguém toca seu ombro. Susto.
RAMIREZ (murmura): Calma! Sou eu.
RAÍZA (murmura): Ramirez? O que veio fazer aqui?
RAMIREZ: Eu vi o que aconteceu lá fora. Eu acho que não tô sabendo corresponder a tua ajuda.
RAÍZA: Ainda com isso? Pelo amor de Deus! Chega de confusão por hoje, já basta meu tio achar que te pedi dinheiro pra pagar a hipoteca...(pausa / respira fundo) Que aliás...Como soube?
Ramirez toca seus cabelos de olhar vidrado.
RAMIREZ: Eu queria te dar uma coisa que você realmente precisasse, mas tem gente no caminho. Não quero cometer o mesmo erro. Diga...Diga o que você quer que eu faça pra te agradecer e depois eu sumo da sua vida. Peça qualquer coisa que eu faço.
Raíza se mostra surpresa e confusa com a proposta.
CORTE BRUSCO
O corte é feito diretamente numa mão engatilhando um revólver calibre 38.
A câmera sobe revelando Ramirez de semblante decidido. Logo ele sai da tela.
A tela se fecha num baque.
FADE IN
CENA 14 HDM CONSTRUTORA – ESTACIONAMENTO [EXT./NOITE]
O local tem poucos carros, mal iluminado. A porta do elevador adiante, de lado, abre e Marco sai segurando uma pasta. Vindo na direção da câmera ele põe a mão no bolso da calça e retira a chave do carro.
INSERT – Chave
Ele coloca a chave na ignição do carro e o som coincide com o barulho de uma arma sendo engatilhada.
VOLTA À CENA
Marco olha para trás, Ramirez lhe aponta o revólver, decidido.
CORTA PARA
CENA 15 HDM CONSTRUTORA [INT./NOITE]
O elevador se abre. Raíza e Dcr saem rapidamente, a secretária olha surpresa para eles.
SECRETÁRIA: Raíza? Aconteceu alguma coisa?
DCR (pra si mesmo): É o que a gente teme...
A secretária faz que não entende. A porta é aberta e Bruno sai com sua pasta, fecha a porta e Raíza vai até ele, afoita.
RAÍZA: Pai!
Bruno se assusta.
BRUNO: Raíza? Aconteceu alguma coisa?
Dcr e a secretária se entreolham.
RAÍZA: (ela olha seu braço) O que houve com seu braço?
BRUNO: Ahn...Me machuquei numa obra...E você? Parece agitada.
RAÍZA: Pai, o Ramirez esteve aqui?
BRUNO: Quem?
RAÍZA: Ah! O senhor não sabe...(ela o puxa até o canto longe da curiosidade da secretária) O Marco já foi?
BRUNO: Já, mas...Por quê? Não me diga que ele andou aprontando...?
RAÍZA: Não, pai, mas vão aprontar pra cima dele e em meu nome.
Bruno se mostra confuso.
BRUNO: O quê? Como...?
RAÍZA: Eu salvei a vida desse Ramirez essa manhã e ele, como agradecimento, quer me dar a cabeça do Marco!
BRUNO: Meu Deus! Ele é um assassino? Você deixou escapar...?
RAÍZA: Eu só disse que queria minha paz de volta...
Os dois se olham meio desconsolados.
BRUNO (passa a mão na cabeça): A essa altura ele deve tá no estacionamento.
DCR: Estacionamento?
Ele e Raíza se entreolham como a receberem uma luz.
RAÍZA: Vamos!
BRUNO: Ei! O que eu faço?
RAÍZA: Chama a polícia!
Eles entram no elevador e a secretária olha assustada para Bruno esperando alguma ordem.
BRUNO: Ahn...Chama a polícia.
CORTA PARA
CENA 16 CURTO-CIRCUITO [EXT. / NOITE]
Cael está na frente da casa de shows, anda até a calçada e olha o relógio, preocupado.
JOSUÉ (O.S / irônico): Será que ela foi salvar mais alguém hoje?
Cael lhe dá uma olhada e nada responde.
CORTA PARA
CENA 17 HDM CONSTRUTORA – ESTACIONAMENTO [EXT./NOITE]
= = Music On – Suspense = =
O corte é feito no momento em que Marco é empurrado contra uma pilastra.
MARCO (assustado, mas mantém a pose): Quem foi que te mandou aqui, hen?
Ramirez ainda lhe aponta a arma.
RAMIREZ: Eu nunca digo o nome dos meus clientes.
MARCO: Foi a Raíza? Ela não se contentou com o presente e exigiu a minha cabeça como agradecimento? Foi isso?
Tensão. Ramirez lhe acerta o rosto com a arma, Marco se volta sangrando.
RAMIREZ: Escuta cara, eu tô acostumado a matar pelos outros, mas nunca encontrei alguém como Raíza. Era pra ela estar morta e acabou que foi ela quem me salvou.
Marco está surpreso.
MARCO: E por isso você está aqui? Ela, tão boazinha, te pediu esse favor?
RAMIREZ: Você tirou a paz da garota; É justo que eu devolva a ela.
Ele se prepara para atirar.
Raíza e Dcr aparecem adiante.
RAÍZA: Espere!
Ramirez olha abismado.
RAMIREZ: Raíza? Não se preocupe; Vou te dar a paz que você tanto quer, tá?
Raíza vai se aproximando cautelosamente e dá a volta do outro lado da pilastra.
RAÍZA: Ramirez, você me entendeu mal. Eu não pedi que você o matasse.
Marco se mantém estático na pilastra e a olha de soslaio.
RAMIREZ: Mas você disse...
RAÍZA: Eu sei o que eu disse, mas a minha paz não é a morte dos outros. Eu não conseguiria viver em paz se você matasse alguém em meu nome.
Ramirez vai abaixando a arma.
RAMIREZ: Não entendo. Essa é sua chance de se livrar desse encosto. Foi você quem disse que se ele não existisse, sua vida não estaria do jeito que tá.
Marco se surpreende e Dcr faz expressão de “Ih, meu Deus”.
RAMIREZ (parece entender / se exalta): Já vi tudo. Você gosta dele, né? Apesar de tudo, você gosta dele?
RAÍZA: Não é nada disso, só que...Que...
DCR (completa): Heróis não matam e nem mandam matar. (Ramirez o encara com olhar ruim) Ela te salvou, não?
Ramirez olha pra cada um deles estranhamente.
RAÍZA: Pelo amor de Deus, Ramirez! Se quer me agradecer por alguma coisa, não faça isso!
Ele continua a encará-la estranhamente.
RAMIREZ: Eu não aponto uma arma pra ninguém sem atirar.
Ele aponta para Marco, ouvimos sirene de polícia. Ramirez se perturba.
RAMIREZ: Quem foi que chamou a polícia?
Clima tenso. Ele olha para Dcr, Marco e por fim, Raíza. Esta o encara com medo, semblante preocupado com sua reação.
RAÍZA: Eu não podia deixar...
Ramirez fecha a cara e aponta a arma em sua direção.
RAMIREZ: Desgraçada!
Ele atira em seu peito causando susto nos demais, ela bate de costas no capô de um carro e cai no chão, de bruços.
RAMIREZ: (sacode a arma com raiva) Droga! Droga! Droga! (para Marco) Você me obrigou a fazer isso! (aponta a arma) Agora eu vou mandar você pro inferno!
POLÍCIA (O.S): Polícia! (Ramirez paralisa / Marco desmonta de alívio) Coloque a arma no chão e mãos para cima!
Ramirez se mantém quieto. Depois vai agachando, põe a arma no chão e cautelosamente, se ergue com as mãos pra cima.
A polícia chega por trás e o prende.
Dcr e Marco se agacham para ver Raíza. Ela vai se virando. Bruno vem por entre os policiais desesperado.
BRUNO: Filha, você tá bem? (ao léu) Uma ambulância!
DCR: Isso...Isso é incrível!
Todos se entreolham e Raíza olha para o que ele vê. A câmera desce revelando a cruz de seu cordão amassada pelo impacto da bala.
Raíza se admira e Marco se mostra estupefato.
= = Music Off = =
FADE TO BLACK
FADE IN
CENA 18 FACHADA – HOSPITAL CENTRAL [NOITE]
Ouvimos sirene de ambulância.
Corta para o interior de um quarto.
A câmera se aproxima da cama onde Raíza está deitada. De cada lado, Dcr e Bruno de pé.
RAÍZA: Gente, o que eu tô fazendo aqui exatamente?
BRUNO: Você levou um tiro, bem ou mal, mas levou. Para você aquele impacto não foi nada, mas pros médicos...
DCR: É, minha cara. Nem com poderes você escapa do hospital.
Risos.
Ouvimos a porta abrir. Drº Letícia entra com um prontuário e um sorriso no rosto.
DRº LETÍCIA: Raíza, Raíza...Quanto trabalho dá a seu pai, hen?
Raíza sorri.
RAÍZA: Já posso ir?
DRº LETÍCIA: Primeiro você passará por mais um exame de rotina. Depois será liberada.
DCR: Vai demorar muito? Falta menos de 6 horas pro aniversário dela terminar e ela não quer passar aqui.
A doutora se admira.
DRº LETÍCIA: Ah, é seu aniversário? Parabéns! Bem-vinda à vida!
RAÍZA: ‘Brigada’.
DRº LETÍCIA: Com licença.
Raíza a espera sair. A porta é fechada.
BRUNO (curioso): Agora me conta, Raíza. Quem te deu o colar?

Ela pega algo debaixo do lençol e mostra a cruz amassada. Alisa cuidadosamente com carinho.
RAÍZA: Foi o drº Bedlin (olha para Dcr em cumplicidade). E vocês sabem o que isso significa, né?
Dcr e Bruno se entreolham.
DCR: Ele sabia o que ia acontecer e quis te proteger?
BRUNO: Vocês ainda pensam que ele é vidente?
DCR: A Liga da Justiça não existiu com um só herói.
Raíza e Bruno acham graça. Ouvimos alguém bater na porta e logo é aberta.
Cael aparece segurando uma caixa preta de presente.
CAEL (fecha a porta): Se a montanha não vai até Maomé, Maomé vai até a montanha.
Raíza sorri sem graça.
BRUNO (para Dcr): Vamos tomar café?
DCR: Tá bom. Eu deixo o senhor pagar.
Eles riem, cumprimentam Cael com a cabeça e saem.
Cael senta na beirada da cama. Raíza mexe em seu colar sobre sua barriga. Os dois se olham, faz que vão dizer algo.
CAEL e RAÍZA: Você...(eles sorriem sem graça).
RAÍZA: Não tá chateado comigo, né? Eu sei que você preparou a festa com tanto carinho e...
Cael toca suas mãos.
CAEL (disfarça o incômodo): Claro que não. Você foi evitar um assassinato. Não posso lutar contra isso.
RAÍZA: Eu podia ter morrido.
Ele, tocando suas mãos, pega a cruz olhando estranhamente.
CAEL: A fé te salvou (sorri forçado).
RAÍZA: Eu diria que seu pai me salvou. Não sei como agradecê-lo.
CAEL (sem entender): Meu pai? O que ele tem a ver com isso?
RAÍZA: Ele me deu esse presente. Bom, o Marco me deu por ele.
Cael faz uma cara de desagrado.
CAEL: O Marco? Parece que meu pai anda com problemas de memória (Raíza faz que não entende / ele entrega a caixa preta para ela). Ele te mandou outro presente e pediu desculpas por não ter mandado cedo.
Raíza segura a caixa, abismada. Abre e puxa um porta-retrato muito bonito, de vidro com pinceladas vermelhas do lado.
Ela olha para Cael desconfiada.
CORTA PARA
CENA 19 DELEGACIA [INT.]
A câmera se aproxima da carceragem. Ramirez está sentado num banco, uma das pernas sobre ele e o braço esquerdo apoiado no joelho. Olha para alguém fora da tela e se levanta rapidamente em nossa direção.
RAMIREZ: Como ela tá? Vai ficar bem?
Marco olha ao redor como a analisar o local.
MARCO: Você deu um tiro no meio do peito dela. Era pra ela ficar bem depois?
Ramirez bate na grade, nervoso.
RAMIREZ: Não enrola! Eu vi que ela tava consciente, fala logo!
Marco dá aquele sorrisinho de canto.
MARCO: Me dê o nome de seu cliente(dá de ombros), troca justa.
Ramirez torce o nariz, desvia o olhar. Torna a encará-lo.
RAMIREZ: Fique satisfeito que não era você o alvo. Era ela.
Marco se surpreende.
MARCO: E você não ia cumprir? Por quê?
RAMIREZ: Ela salvou a minha vida. A vida de quem ela nem imaginava o que faria com ela depois. (pausa) Quantas vezes isso já aconteceu contigo?
Marco põe as mãos nos bolsos da calça, incomodado. Eles se encaram.
MARCO: O nome do cliente, pode ser?
Pausa.
RAMIREZ: Trabalha na Coffee Break como garçonete.
Marco faz expressão de raiva, balança a cabeça afirmativamente. Dá as costas.
Ramirez segura na grade.
RAMIREZ: Ei! E a garota?
MARCO (se volta): Serviço incompleto.
Ramirez se mostra aliviado e Marco vai embora.
CORTA PARA
CENA 20 COFFEE BREAK – ESCRITÓRIO [INT./NOITE]
O corte é feito direto no tapa que Valentina recebe.
VALENTINA (revoltada): ‘Cê’ tá maluco? (Marco a encara friamente / ela parte pra cima dele) Seu desgraçado!
Marco segura seus braços e consegue contê-la.
MARCO: Isso é pra você aprender a não fazer as coisas sem me consultar, sua vagabunda!
Ele a empurra fazendo-a cair sobre a poltrona vermelha. Os dois se encaram.
VALENTINA: Do que ‘cê’ tá falando?
MARCO (nervoso): Você contratou um bandido para matar Raíza e eu quase fui morto no lugar dela!
Valentina se levanta, estupefata.
VALENTINA: Ele não fez o serviço?
MARCO: Não só não fez, como ia me matar para agradar a garota. Quando é que você vai aprender a agir com a cabeça?
VALENTINA (revoltada): Mas que saco! Essa garota atrai pena até de bandido, que inferno!
MARCO (nervoso): Ela o salvou da morte hoje cedo e por isso ele não quis matá-la.
VALENTINA (quase cuspindo de ódio): Olha só quanta consideração pela Olívia palito! O que esperar de um matador de aluguel se você também foi salvo por ela e a quis viva?
Marco a segura pelos ombros com raiva.
MARCO: Escuta aqui! Se você não colaborar te jogo daqui com uma mão na frente e outra trás, está entendendo?
Ele a solta, vai até a porta, abre e sai por ela. Bate a porta com força. Valentina se mostra ainda revoltada.
FUSÃO PARA
CENA 21 FACHADA - CURTO-CIRCUITO [NOITE]
Ouvimos o som vindo da casa de shows: ‘I Don’t Know Why – Moony’.
Corta para o interior.
A câmera se aproxima de algumas pessoas, dentre elas Ari, Josué, João Batista, Joana e Ângela. Elas olham para alguém que vem de frente e abrem passagem. Há um bolo cortado sobre a mesa.
Cael se mostra indignado, Raíza disfarça o descontentamento, Dcr e Bruno não gostam.
BRUNO: Não esperaram a aniversariante?
Josué, segurando um copo de refrigerante, se mostra sarcástico.
JOSUÉ: Desculpe, mas...A gente não podia esperar a Raíza salvar o Marco...Mais uma vez.
Cael denota raiva.
RAÍZA (impaciente): Eu não fui salvar ninguém e obrigada por me esperar.
Ari e Joana vão até ela, preocupadas.
JOANA: A gente quis te esperar. Como é que ‘cê’ tá?
RAÍZA: Tô bem (olha com desprezo para Josué e João).
ARI: Feliz aniversário! (As duas se abraçam).
Ângela também vem abraçá-la enquanto Joana pega uma caixa grande de presente sobre uma cadeira.
JOANA: Eu e Ari compramos, mas só abre em casa, hen (pisca).
Raíza sorri.
CIPRIANO (O.S): Parabéns, Raíza.
Ela se volta e vê Cipriano com uma caixa de presente. Os dois se abraçam e pelo ponto de vista dele, Bruno e Josué o encaram.
CIPRIANO: Espero que goste.
Raíza abre. É um diário de capa azul.
CIPRIANO: Eu não sabia bem o que te dar, então lembrei que sua mãe adorava um diário. Não que sua vida seja um segredo.
Eles riem.
RAÍZA: ‘Brigada’. ‘Brigada’ a todos.
JOÃO: E você, Cael? Qual é o seu presente? (sorri debochado).
Cael sorri sacana e envolve Raíza num abraço.
CAEL: Vou raptá-la agora mesmo para dar meu presente. (alguns riem, menos João e Josué). (para Raíza) Vamos?
Ela assente e sorri para todos. Joana sorri maliciosa e pisca. Ari disfarça o riso.
= = Music Off = =
CORTA PARA
CENA 22 CURTO-CIRCUITO [EXT.]
Cael e Raíza saem sorrindo e Marco surge ao lado deles como quem não quer nada.
MARCO: Boa noite (Cael fecha a cara e Raíza se mostra sem graça). Soube que ia ter uma festa aqui. Acabou?
CAEL: Acabou pra nós.
Ele conduz Raíza até o carro.
RAÍZA: Espere (Cael faz que não entende).
Ela vai até Marco, põe a mão no bolso da calça e tira o tal colar sob o olhar atento dele e de Cael.
RAÍZA: Por que não me disse que esse era o seu presente?
Marco respira fundo como a pensar numa explicação qualquer.
MARCO: Você teria aceitado se eu dissesse?
RAÍZA: Não (Cael sorri satisfeito). Mesmo que isso significasse levar um tiro no peito,(pausa) mas a gente não tinha como saber o que ia acontecer, não é?
Ela lhe entrega o colar, mas ele faz um gesto de recusa com a mão.
MARCO: Presente não se devolve.
Raíza pega sua mão e põe o colar nela.
RAÍZA: O seu sim.
Marco, inconformado, pega sua mão e põe o colar nela também.
MARCO: Eu não quero de volta. Faça o que quiser com ele.
Raíza faz um gesto positivo com a cabeça. Dá as costas e entra no carro. Cael fita Marco e depois dá a volta para entrar também.
= = Tocando: If Today Was Your Last Day – Nickelback = =

O carro parte. Marco observa seriamente.
FUSÃO PARA
CENA 23 COFFEE BREAK – SALÃO DE JOGOS [INT./NOITE]
Close na mesa de poker, fichas, mãos que seguram as cartas. Uma mão feminina segura uma bandeja e põe um copo de vodka sobre a mesa. A cena revela Rafaela séria, de tubinho preto, cabelos presos.
Ela olha de perfil para alguém. No segundo plano está Valentina vigiando-a da porta.
CORTA PARA
CENA 24 APTº 403 – QUARTO DE BRUNO E JOSUÉ [INT.]
O corte é feito diretamente no visor de um celular. Cenas de briga entre João e Raíza antes dele cair do viaduto (1ª temporada – Season Finale).
A cena vai se afastando, Josué, sentado, assiste com raiva que já lhe é habitual.
A câmera desliza para o lado esquerdo e atravessa a parede até o outro quarto. João, deitado, olha atentamente para uma foto que segura. A foto é de Ari e ele olha de maneira absorta.
FUSÃO PARA
CENA 25 ED. CIRANDA DE PEDRA [EXT.]
A câmera foca o topo do prédio e vai descendo até parar em Ari, Joana e Dcr sentados à beira da calçada.
JOANA: Gente, não é todo dia que um cara aparece disposto a fazer o que a gente quer, né? Eu acho tão romântico...
ARI: Aquele cara é um bandido, menina. Tipos como ele estão tão acostumados a matar que mesmo sendo salvos, encontram um motivo pra acabar com a vida dos outros.
JOANA: Vai me dizer que se você tivesse um inimigo, não ia gostar que o Dcr desse um jeito pra você?
Ari se mostra confusa por um momento. Dcr a encara.
ARI: Não é o caso.
DCR: Exatamente. E a Raíza que conhecemos não pensaria duas vezes antes de decidir pela vida de alguém.
JOANA: Pra alguém que não gosta do Marco até que ela não precisou pensar...
Ari e Dcr se entreolham, pensativos.
Um carro para perto do trio. Marco olha para eles e para o quintal do prédio.
MARCO: Boa noite. A Raíza está por aí?
Os três se olham confidentes.
JOANA: Cael disse que ia dar um presente pra ela. Será que não foram pra casa dele?
Dcr a cutuca.
Marco olha cada um deles com olhar fuzilador.
MARCO: Obrigado.
Ele arranca com o carro e parte. Ari e Dcr encaram Joana que ri.
CORTA PARA
CENA 26 MANSÃO DE CAEL – SALA [INT.]
Cael, segurando um porta-joia, está sentado diante de Raíza. O ambiente está mal iluminado e somente a luz da penumbra entra pela janela. Ele abre exibindo um lindo anel de ouro branco. Raíza está emocionada e ele retira o anel, deixa a caixa na mesinha ao lado e pega sua mão direita.
Os dois se olham apaixonados. Ele sorri, põe o anel em seu dedo e torna a olhá-la com desejo.
Toca seu rosto, desliza rapidamente por sua nuca e os dois se beijam. Pausa, olho no olho. Ele a beija novamente com ardor. Ela se mostra um pouco tensa.
CAEL: Se você não quiser eu vou entender.
Ela hesita.
RAÍZA: Eu tô aqui, não tô?
Os dois se beijam.
FUSÃO PARA
CENA 27 MANSÃO [EXT.]
Pela janela do quarto, Cael e Raíza podem ser vistos se beijando por trás da persiana.
A câmera vai se afastando, a persiana é fechada e um corte é feito para a janela do carro onde Marco está. Observa a cena de olhar fixo, analítico, expressão inerte.
Logo ele liga o carro e parte.
FADE TO BLACK
= = FIM DO EPISÓDIO = =
SÉRIE ESCRITA POR:
 
Cristina Ravela

ESTRELANDO:

Maria Flor - Raíza
Michael Rosenbaum - Cael
Pierre Kiwitt - Marco
Caio Blat - João Batista
Nathália Dill - Ari
Aaron Ashmore - Dcr
Fernanda Vasconcellos - Rafaela
Alinne Moraes - Valentina
Caco Ciocler - Josué
Juan Alba - Bruno
Thiago Rodrigues - Cipriano
PARTICIPAÇÕES:

Monique Alfradique - Joana
Vera Zimmermann - Ângela

PARTICIPAÇÕES ESPECIAIS:

Júlio Rocha - Homem
Armando Babaioff - Ramirez
Milena Toscano - Bárbara
Paulo Vilela - Barman
Marcela Valente - Secretária
Carolina Kasting - Drª Letícia


TRILHA SONORA:

I Don't Know Why - Moony
If Today Was Your Last Day - Nickelback

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