0:00 min       RAÍZA 2ª TEMPORADA     SÉRIE
0:35:00 min    


WEBTVPLAY ORIGINAL APRESENTA
RAÍZA 2


Série de
Cristina Ravela

Episódio 12 de 23
"Herança"



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FADE IN
= = FLASH FORWARD = =
Takes da cidade do Rio de Janeiro à noite.
CENA 1 CURTO-CIRCUITO – FUNDOS [NOITE]
= = Music ON – Suspense = =
Ouvimos passos apressados. Pernas de homem atravessam a tela numa calçada escura. Logo corta para frente dele e vemos se tratar de Dcr, semblante assustado, olha para trás a todo instante. Ele para diante de uma parede, respira ofegante.
DCR: Boca maldita...Era só uma brincadeira...
Câmera focaliza bem seu rosto aflito olhando para trás. Quando faz que vai correr novamente leva um tremendo susto. Raíza está bem a sua frente de uniforme.
DCR (espavorido): Raíza! Pelo amor de Deus, quer me matar de susto?
RAÍZA (séria): Não devia brincar com essas coisas.
Dcr a pega pelo braço e vai empurrando-a enquanto olha para trás.
DCR: Vem cá, olha...Não podemos ficar aqui. Tem um cara me seguindo, vamos tentar dar a volta...
RAÍZA: Peraí! (Dcr para a sua frente) Isso não é uma brincadeira mesmo, não, né?
DCR (tom intrigante): Você deve saber que não...
Tensão.
Um sujeito se joga em Dcr que bate de contra a parede, recebe um soco e cai no chão. Raíza tenta lhe ajudar e vê que sua boca sangra.
Um homem mascarado está diante deles apontando-lhes a arma. Ele faz um sinal com a mão para eles passarem a grana.
HOMEM: A bolsa, garota, anda!

Enquanto Dcr se recompõe, Raíza faz que vai abrir a bolsa.
HOMEM: Eu mandei você passar a bolsa, espertinha!
DCR: Espere!
Ele tenta se levantar, põe as mãos nos bolsos da calça e retira sua carteira. O homem faz sinal para ele jogar e assim Dcr o faz.
O homem abre a carteira e se irrita.
HOMEM: Que palhaçada é essa?
Ele vai até Dcr e o levanta violentamente.
HOMEM: Ninguém te ensinou a andar prevenido não, ô mané?
RAÍZA: Por favor...!
O cara empurra Dcr e se afasta mirando nele.
RAÍZA: ‘Cê’ não precisa fazer isso!
O homem nervoso lhe aponta a arma, Dcr se joga, segura seu braço fazendo-o mirar ao léu e consegue dominá-lo pelas costas.
DCR: CORRE, RAÍZA! CORRE!
RAÍZA: Não, não vou te deixar aqui!
Não há muito tempo; O mascarado acerta uma cotovelada no estômago de Dcr e ele acaba caindo na calçada, vencido.
Raíza, assustada, vai até ele e o abraça.
HOMEM (raiva): Vai bancar a herói no inferno...
Ele atira no exato momento em que a tela se fecha.
= = FIM DO FLASH FORWARD = =

2x12
HERANÇA


FADE IN
CENA 2 FACHADA – ED. ELDORADO [MANHÃ DO MESMO DIA]
Corta para o APTº 215 [EXT.]
Close na porta fechada. Ela é aberta, Dcr sorri para alguém fora da tela.
DCR: Bom dia.
O homem de uns 60 anos que está diante dele usa terno e gravata.
HOMEM: Bom dia. Meu nome é Jorge Siqueira, advogado de Danilo Costa.
DCR: Meu advogado? Em que encrenca me meti?
Jorge ri.
JORGE: Você deve ser Danilo Costa Rodrigues, neto de Danilo Costa. Seu avô materno.
Dcr se surpreende.
Corte rápido
CENA 3 APTº 215 - SALA [INT.]
Dcr e Jorge estão sentados no sofá. Jorge tem uma pasta preta sobre o colo e lhe mostra uma foto. Dcr pega e olha a foto sem entender.
JORGE: É seu avô. Reconhece essas duas ao lado dele?
DCR: Minha mãe e minha tia. Mas minha mãe disse que ele tinha morrido.
JORGE: Foi pro bem dele. Ele sofria ameaças de morte, era sargento, sabe como é... Depois que se aposentou, foi embora do país.
DCR (devolvendo a foto): Por que fala no passado? Ele...?
JORGE: É...Ele morreu. Causas naturais, mas ele vinha sofrendo de perda de memória, morreu na rua sem documentos e a identificação demorou a sair. Ele acabou sendo enterrado lá longe da família.
DCR: Poxa...Eu nem o conheci.
Jorge abre a pasta e pega uma papelada.
JORGE: Mas antes dele começar a sofrer de perda de memória ele fez o testamento (lhe entrega a papelada) Você é o único herdeiro de uma pequena fortuna por ser o neto mais velho. Parabéns!
Dcr pega o documento extasiado sem saber o que dizer.
A câmera focaliza o corredor atrás deles. Corta para a entrada de um quarto.
Helena está encostada no batente da porta espiando a conversa. Seu semblante denota ódio.
FADE OUT
FADE IN
CENA 4 FACHADA – ED. CIRANDA DE PEDRA [MANHÃ]
Corta para o APTº 403 – COZINHA
Um copo de café vazio é colocado sobre a mesa sob o olhar de Bruno logo a frente.
BRUNO: Bebe devagar, Ari. (ele olha seu relógio) Dá tempo.
RAÍZA: Ela tá louca para o último treinamento na Curto-Circuito. Vocês vão a inauguração hoje à noite?
JOÃO: Se eu não for ocupar muito o espaço com essa cadeira...
Todos se entreolham. Ari dá uma olhadela em João que disfarça, pega seu copo e dá uma golada.
JOSUÉ: Lá vai ser que nem a outra boate?
RAÍZA: Tá perguntando se lá tem cassino?
Josué fecha a cara.
JOSUÉ: Não. Tô perguntando se lá será uma boate como outra qualquer.
BRUNO: Lá será casa de shows nos finais de semana e boate durante os outros dias.
RAÍZA: Humm...Bem informado, hen (sorri).
ARI: É, parece que todo fim de semana terá um show. (sorrindo) E claro, a gente não precisa pagar entrada.
BRUNO: Somos vips.
Ari e Raíza riem.
JOÃO: Eu sempre disse que a gente se deu bem fazendo amizade com a pessoa certa.
Raíza não gosta do comentário.
Josué apoia os cotovelos sobre a mesa, passa a mão em seu cavanhaque, pensativo.
JOSUÉ (provoca): Que isso não saia daqui, mas Cael tem mostrado sua verdadeira face...
RAÍZA: O que tá dizendo agora?
JOSUÉ: Começou com o cassino. Depois ele surpreende a todos quando quase matou aquele cara...Aquele...
ARI: Victor.
JOSUÉ: Isso. Quem diria que o cara que julgou o próprio irmão por atentar contra sua vida, Raíza, fosse fazer o mesmo contra alguém?
RAÍZA: Essa é uma comparação ridícula, tio. Cael tava defendendo a Ari e o Lipe, e o Marco? Hen?
JOSUÉ: O Marco mostrou ser o que era desde o início. Parece arrependido e está nos ajudando. (Raíza bufa / Bruno desvia o olhar insatisfeito) A gente se prende ao passado e se esquece do futuro (fita a sobrinha) que está por vir. Eu sei quem é Marco, mas já não sei quem é Cael.
BRUNO (irritado): Você sempre fala da ajuda do Marco, mas as coisas que ele fez, Cael poderia ter feito também. Você que não quis.
JOSUÉ: Será?
Raíza fecha a mão, bate na mesa com raiva e se levanta.
RAÍZA: Pra mim já deu!...Saco!
ARI: Eu também já vou. Tchau gente!
BRUNO: Vai com Deus, meninas.
Ele e Josué se encaram sob o olhar atento de João.
CORTA PARA
CENA 5 CURTO-CIRCUITO [INT./MANHÃ]
Vemos um salão de pisos na cor preta e cinza, luzes estroboscópicas sendo testadas, pilastras pretas e vermelhas em alguns pontos, mesas e cadeiras , paredes com metade de azulejos retangulares e na cor cinza claro, um palco bem estruturado e pessoas trabalhando. Ouvimos barulho de teste de som.
Ari e Raíza andam pelo local observando a movimentação. Cael surge por trás do palco.
CAEL: Então, Ari? Preparada para hoje à noite?
Ele se aproxima, dá um beijo na boca de Raíza e um no rosto de Ari.
ARI: Tô um pouco nervosa, mas animada.
RAÍZA: Esse lugar ficou incrível.
CAEL: É...Sugestão de um certo alguém. Vermelho, preto e cinza. Eu não imaginava que ficaria tão bom.
Ari e Raíza se entreolham e riem.
RAÍZA: E o Dcr? Já tá lá em cima no escritório se aquecendo?
Ari ri.
CAEL: Não, mas olha ele aí.
Elas olham para trás e veem Dcr chegar extasiado ao lado de Joana e de uma garota loira, cabelos lisos e um ar despojado.
DCR: Oi gente. Chegamos juntos.
Ari vai abraçá-lo.
RAÍZA: E aí Bárbara? Pronta pro agito?
BÁRBARA: (sorri) Sempre. E curiosa ao máximo pra saber quem será a atração da noite.
JOANA (eufórica): Ai gente, eu tô louca pra saber quem será. Não rola uma dica, não?

RAÍZA: Cael nem quis me contar.
CAEL: Eu tenho certeza que será uma grande surpresa.
Eles sorriem.
BÁRBARA: Bom eu vou ajudar os meninos no som.
Ela sai. Ari observa Dcr bem agitado.
ARI: O que foi, ‘D’? Isso tudo é animação em trabalhar aqui?
Dcr parece que vai explodir de alegria.
DCR: ‘Cês’ não têm ideia do que me aconteceu...Tô milionário!
Todos se espantam.
CORTA PARA
CENA 6 CURTO-CIRCUITO [INT.]
Todos eles estão sentados em cadeiras em volta de uma mesa redonda.
RAÍZA: Você recebeu sozinho uma herança de seu avô? Mas ‘cê’ não tem uma prima?
DCR: Pois é, mas meu avô deixou claro no testamento que a herança tinha que ser pro neto mais velho administrar, sabe, mas eu pretendo dividir com ela.
Ari o abraça feliz.
ARI: Esse meu namorado não é um fofo?
Dcr cora e todos eles concordam.
JOANA: Mas sua prima é menor de idade? Por que sendo assim a parte que você der tem que ser administrada pela mãe dela, não é?
CAEL: Exatamente. Sua tia já sabe?
DCR: Eu não tive tempo de dizer isso, não queria chegar atrasado ao trabalho (sorri).
CAEL: Falando nisso, será que vou precisar contratar outro contador?
DCR: Claro que não, ‘tamo’ junto. (eles riem) Essa grana veio em boa hora (olha carinhosamente para Ari) Acho que agora não tem nada que impeça nosso casamento, não é?
É a vez de Ari corar. Cael muda o semblante de repente ao ver alguém fora da tela.
CAEL: O que veio fazer aqui?
Marco se aproxima deles, mãos nos bolsos, sorriso clássico no canto da boca. Faz sinal para trás.
MARCO: A porta estava aberta e o segurança acreditou que somos irmãos. (Cael revira os olhos) Quer dizer que vocês dois pretendem se casar mesmo? Espero que dessa vez a noiva não dê pra trás, hen.
Clima.
CAEL (mantendo a calma): Você não devia estar trabalhando? O que você faz naquela empresa?
MARCO: Preocupado com o meu trabalho? Por acaso quer a minha ajuda aqui?
CAEL: Eu não cometeria um erro duas vezes.
Marco mostra-se debochado, Cael exibe seu sorriso cínico e todos os outros só observam a cena.
MARCO: Suponho que isso vale também para o que você fez outro dia com aquele Victor.
Cael se levanta com uma expressão nada boa e todos se mostram apreensivos.
CAEL: Você veio fazer o que aqui exatamente?
MARCO: Desejar boa sorte para a inauguração e saber se os seus seguranças estão preparados para que o anfitrião não precise usar a própria arma.
RAÍZA (se contendo): Qual é o problema dele usar uma arma? (Marco a encara com olhar estranho) Até parece que você anda com uma bíblia debaixo do braço.
Clima.
MARCO: Eu não sou santo, querida. Mas se você me visse empunhando uma arma ia me acusar de ser mau caráter, não ia?
Raíza o encara, depois olha para Cael sem reação.
ARI: Ele fez isso pra nos defender.
RAÍZA (corta): Ele sabe disso, só quer provocar.
MARCO: Se Victor tivesse morrido, ainda sim (olha para Cael) sua morte seria justificada. (pausa / fita Raíza) É aquela história de que em legítima defesa qualquer assassino se torna herói.
Raíza se levanta enfurecida.
RAÍZA: Você fala isso, porque não ama ninguém! Jamais defenderia quem quer que seja!
MARCO (cínico): Você quer dizer que mataria por amor?
Raíza tenta avançar, mas Dcr, ao seu lado a segura.
RAÍZA: Não coloque palavras na minha boca!
Ari e Joana se levantam assustadas.
CAEL: Por favor, Marco! Vai embora!
MARCO: O que custa a ela admitir que mau caratismo é uma questão de ponto de vista?
Raíza fecha a cara, sai batida e com os pulsos fechados.
Todos encaram Marco que mantém o sorriso cínico.
CURTO-CIRCUITO [EXT.]
Raíza anda furiosa...
RAÍZA (resmunga): Que inferno. Agora todo mundo deu pra implicar com isso.
...Se aproxima da curva e quando vira para bruscamente, assustada com o que vê.
[POV de Raíza]
O dia, agora é NOITE.
Dcr está de costas sendo agarrado pela gola da camisa por um sujeito mascarado.
DCR (assustado): Pode levar o que quiser...
HOMEM: Cala a boca, mané! (ele vê Raíza o encarando / ela denota medo ao ser vista) Ah...Temos companhia...
O cara joga Dcr de contra a parede ao lado. Dcr vê Raíza e se desespera.
DCR: CORRE, RAÍZA! CORRE!
O mascarado lhe aponta o revólver e dá três tiros no peito. Raíza tampa a boca aflita, não acreditando no que vê. O mascarado lhe aponta a arma, a câmera mostra a cena pelas costas de Raíza e uma mão toca seu ombro a assustando.
Ela se volta e vemos que o dia está claro novamente.
RAÍZA: Cael?
Ela olha para trás e não há ninguém lá. Se dá conta de que foi uma visão. Torna a encarar Cael pressentindo o pior. Ele, por sua vez, acaricia seu rosto, preocupado.
CAEL: Não gosto quando você sai assim toda vez que o Marco fala uma bobagem. É o prazer dele.
Ela, confusa, é abraçada. A câmera foca seu rosto angustiado sobre o ombro de Cael.
A tela se fecha num baque.
= = Passagem de Tempo = =
FADE IN
CENA 7 MERCADO [INT.]
A câmera caminha por entre as seções onde há pouco movimento. Corta para uma seção de bebidas, Raíza está abaixada, diante de uma prateleira e pega uma garrafa de mate leão. Quando se levanta, dá com Cipriano, falsamente simpático.
CIPRIANO: Tudo bem?
Ele segura uma cesta vazia.
RAÍZA: Oi...Tudo e você?
Eles passam a caminhar.
CIPRIANO: Bem...(pausa) Você não parece legal...Aconteceu alguma coisa?
Raíza demora a responder visivelmente chateada.
RAÍZA: Não, é que...(pausa / olha pros lados).
CIPRIANO: É o Marco, não é?
RAÍZA (tensa): Você parece me conhecer tão bem...(pausa / eles param diante de outra prateleira). Ele insinuou que qualquer pessoa que anda armado tem pretensão de matar. E que se fosse ele eu iria questioná-lo.
Cipriano só a encara.
RAÍZA: E o pior é que ele tem razão. Eu usaria o caráter dele pra justificar o uso de uma arma, mas e o Cael?
CIPRIANO: Por que isso te incomoda tanto, Raíza? Você esperava que o Cael fosse uma Madre Tereza de Calcutá?
RAÍZA: Não é isso, é que...
CIPRIANO: Parece que você fez dele um santo. Só porque ele age muitas vezes diferente do irmão, não significa que ele não possa errar.
RAÍZA: Então você também acha que ele errou?
CIPRIANO (se esquiva): Duas pessoas estão a salvo, não é o que importa?
RAÍZA: Mas uma pessoa poderia ter morrido. (pausa) Isso faria alguma diferença, não faria?
CIPRIANO: Responda você mesma. João poderia ter morrido. Faria alguma diferença pro seu pai e seus amigos? (Raíza não sabe o que dizer). Se Cael tivesse matado aquele homem, mudaria alguma coisa pra você? (pausa)Receio que não. Você sempre soube que ele permitiu um cassino em seu estabelecimento e continua com ele. E nós dois sabemos que Cael não é do tipo influenciável.

Raíza se mostra meio impressionada quando àquele comentário.
CORTA PARA
MERCADO [EXT.]
Ari e Raíza caminham pelo extenso estacionamento onde há vários carros parados e poucas pessoas transitando.
RAÍZA: Ari, o que você faria se descobrisse que o Dcr cometeu um crime?
Ari para, assustada.
ARI: Crime? O que você sabe, Raíza? Que crime ele cometeu?
RAÍZA: É só uma suposição, menina. (Ari se acalma) Acho que você já respondeu.
ARI: Eu não acredito que ainda é por aquilo que o Marco falou?
RAÍZA: Não foi só ele, né? Foi o meu tio, o Cipriano...
ARI: Pessoas que não te amam...
RAÍZA: O Cipriano é meu tio.
ARI: Josué também.
Raíza para, insatisfeita.
RAÍZA: Por que eu tenho a impressão de que você não gosta dele?
ARI: Eu realmente não gosto. O cara surgiu há pouco tempo na sua vida, mas tudo que ele fala parece que você toma como verdade.
RAÍZA: Não é bem assim. Ele me dá conselhos bacanas, mas nunca contei a ele sobre as minhas visões. Você sabe, daqui a pouco serei pressionada a prever as guerras no mundo.
ARI: Já é difícil prever as próprias...
Raíza se inquieta, encosta no capô de um carro e Ari percebe.
ARI: O que foi? Alguma visão?
Raíza a olha sem saber como dizer.
RAÍZA: Eu me lembrei de uma coisa. (pausa) Eu tive uma visão com o Dcr.
Ari se preocupa.
CORTA PARA

CENA 8 FACHADA CAFÉ-VEIGA [MANHÃ]
Corta para o interior
Há pouca movimentação. Ari e Raíza, respectivamente, bebem suco de laranja e mate com pêssego.
ARI: Meu Deus...E por que você nunca me contou isso?
RAÍZA: Como dizer que a tia do cara com quem você namora é uma assassina?
ARI: Mas você disse agora.
RAÍZA: É, eu disse. (pausa) Mas agora você entende a minha visão? Aquilo nem de longe será assalto, pra mim essa Helena não vai se conformar de não ter a filha no testamento.
ARI: Mas, Raíza, só porque ela matou o Renán certamente porque tava envolvida com o medicamento que ele tomava, não significa necessariamente que ela mataria Dcr por uma herança. Veja o caso do Cael se ele tivesse...
RAÍZA: Ah não! Não vamos voltar a esse assunto, né?
ARI: Tudo bem, então...Veja o seu caso, se você tivesse matado...
RAÍZA: Ari. (Ari se cala) Eu já entendi. Acontece que o Renán trabalhava na mesma clínica em que o pai do Dcr tava internado e teve o mesmo surto que supostamente o seu Daniel teve. E nós sabemos que o Renán não tava louco.
Ari respira fundo.
ARI: Nossa...Isso tudo parece um quebra-cabeça. Mas o que essa dona Helena ganha com o seu Daniel internado?
RAÍZA: Dinheiro é que não é. Pelo o que sei, dona Diva tem a sua curatela, você sabe, assim como meu pai tem a sua. Ela não pode vender nada que é dele, mas recebe os benefícios de sua aposentadoria.
ARI: Certamente tem seguro envolvido e dona Helena é calculista demais pra fazer as coisas às pressas.
RAÍZA: Mas parece que as coisas não ‘tão’ saindo do jeito que ela queria, e Dcr é sua próxima cartada.
VOZ MASCULINA: Próxima cartada de quem?
Ari e Raíza se assustam com a presença de Dcr a frente delas.
FADE OUT
FADE IN
CENA 9 FACHADA - HDM CONSTRUTORA [MANHÃ]
Corta para o interior do almoxarifado
Vemos três trabalhadores com capacetes, prateleiras com caixas e materiais empilhados. Um dos trabalhadores está numa cadeira de rodas de costas e segurando uma prancheta.
Bruno, também de capacete, se aproxima do corredor, se encosta à prateleira e sorri para o outro na cadeira de rodas.
BRUNO: Seu expediente não acabou por hoje, João?
João para de anotar algo na prancheta e olha o relógio.
JOÃO (sorri): Falta uns cinco minutos.
BRUNO: Vou te esperar lá fora, tá?
João faz que sim e Bruno dá as costas.
Corte rápido
Bruno vem caminhando de frente, mãos nos bolsos, quando desvia sua atenção para algo ao seu lado onde há uma janela feita de tijolos com buracos. Ele se espreita.
[POV de Bruno]
No lado externo do almoxarifado, Marco está de costas ao celular.
MARCO: Paciência...Você já me pagou duas dívidas, não é? (pausa) Eu ainda estou sendo bonzinho em não fazer o que eu devia ter feito há muito tempo...(pausa) É, eu disse. O combinado foi esse, mas não se esqueça que ainda posso mudar de ideia, Josué.
O rosto de Bruno está em primeiro plano em dúvida. Ele sai de cena.
= = Passagem de Tempo = =
CORTA PARA
CENA 10 APTº 403 – QUARTO DE BRUNO E JOSUÉ [INT.]
Vemos cenas alternadas em curto espaço de tempo.
Bruno levantando o colchão, abrindo o guarda-roupa, revirando gavetas. Até que pondo a mão por dentro de uma abertura abaixo da gaveta ele puxa uma caixa de madeira.
Tenta abrir, mas está fechada. Então leva consigo até a cama e senta.
JOÃO (O.S): Tio! Tudo bem aí?
Bruno olha para a porta fechada.
BRUNO: Sim...O Josué já deve estar chegando com o almoço.
Ele abre a gaveta da cabeceira, foco em suas mãos que desliza por tudo que há nela. Pega uma caderneta e segura por instantes.
BRUNO: Não posso fazer isso. É do Josué.
Ele torna a colocar no lugar, mas uma chave de detalhe vermelho cai no chão. Bruno apanha, titubeia, mas abre a caixa. Ali há uma pasta. Bruno hesita, mas vira a capa e se surpreende. É a HIPOTECA do apartamento. Sua expressão denota que não acredita no que vê e põe-se a revirar as páginas. O que encontra são suas assinaturas também.
A porta do quarto é aberta...
JOSUÉ: João me disse que...
Do ponto de vista deste vemos Bruno olhá-lo de soslaio enquanto segura a papelada.
BRUNO: Eu não acredito no que tô vendo, Josué.
JOSUÉ (indignado e surpreso): Você...Você mexeu nas minhas coisas?
Josué fecha a porta com um semblante paralisado.
BRUNO: Quando foi que eu assinei isso?
JOSUÉ: Olha, você não se lembra, mas...
Bruno joga a pasta para o lado e se levanta.
BRUNO (apontando o documento): QUANDO FOI QUE EU ASSINEI ISSO?
CORTA PARA A SALA
João se assusta com as vozes alteradas e se mostra atento.
VOLTA PARA O QUARTO
Josué, surpreso, desvia da direção de Bruno.
JOSUÉ: Você não pode me culpar pelo o que fiz!
BRUNO: E o que você fez, Josué? Falsificou minha assinatura? (Josué faz que não) Eu não me lembro de ter assinado a hipoteca desse apartamento, não lembro!
Quando nervoso Josué gesticula muito.
JOSUÉ: Você estava entretido com o desaparecimento da Raíza que se esqueceu que tinha um sobrinho acidentado...
BRUNO (indignado / lembra de algo): Peraí!...
= = FLASHBACK = =
HOSPITAL CENTRAL – QUARTO DE JOÃO [INT.]
Bruno está sentado num banco acolchoado e à sua frente João está deitado e acordado. Josué entra com uma papelada.
JOSUÉ: Bruno...Assine aqui para liberar o João.
Bruno se levanta, apanha a caneta das mãos de Josué e este vai virando somente os rodapés das páginas enquanto Bruno assina.
= = FIM DO FLASHBACK = =
Bruno se enche de raiva e parte pra cima de Josué segurando a gola de sua camisa.
BRUNO: Você agiu de má fé comigo! (ele derruba o irmão na cama) Como é que você pôde fazer isso? Eu tava tão preocupado com a Raíza, com o estado do João que não me dei conta de estar assinando papel demais.
JOSUÉ: Eu ia pagar, eu não queria que tivesse sido assim.
BRUNO: Queria sim! Esse dinheiro não era pra pagar o tratamento do João coisa nenhuma; Era pra pagar uma dívida antiga no cassino, não é? E pro Marco ainda por cima.
Josué se levanta rapidamente.
JOSUÉ: Não...Esse dinheiro era pra pagar as duas coisas, tente entender! E alguém tinha que pagar a cirurgia do João enquanto você acobertava a Raíza!
BRUNO (ignora): Eu só quero saber o que você vai dar em troca pro Marco continuar pagando o tratamento do João? Hen? O quê?
JOSUÉ: Ele não pediu nada...
Bruno aperta a gola de sua camisa novamente.
BRUNO: Eu não sou idiota, Josué! Num dia ele quase mata minha filha e no outro ele é benevolente?
Josué se desprende dos braços dele com violência mudando seu semblante de repente.
JOSUÉ: E o que te faz acreditar que o Cael não ia pedir algo em troca, hen? Ah claro! Ele já tem a Raíza, pra que outro pagamento?
Bruno furioso lhe acerta um soco. Josué cai sobre a cama e vemos sua boca sangrar.
BRUNO: Você nunca mais fale da minha filha nesse tom! Nunca mais!
Ele joga o documento sobre a cama e sai batido.
Josué se recompõe, limpa a boca de sangue e vê alguém fora da tela. É João que está próximo da entrada.
JOSUÉ: Você...?
JOÃO (sonso): Eu sei que fez tudo isso pensando em mim. Eu só espero que o tio Bruno não impeça o Marco de continuar pagando meu tratamento.
JOSUÉ: Talvez eu nunca consiga pagar essa dívida...
João olha indiferente para seu tio.
CORTA PARA
CENA 11 CURTO-CIRCUITO – BAR [EXT.]
O corte é feito diretamente numa coqueteleira sendo sacudida. Logo vemos que é Cael quem o faz. Este serve num copo sobre o balcão e Dcr o olha admirado.
DCR: É, um bom empresário manja de tudo um pouco de sua empresa.
CAEL: Aprendi com Leonard, dono da ‘Open Bar’ em Los Angeles. Imagina que ele abriu a casa de shows com o dinheiro que ganhou na loteria?
DCR: Não me dê ideia.
Os dois riem. A câmera vai passando pelas costas de Dcr. Este bebe o coquetel e aprova.
DCR: Muito bom...
Cael se apoia no balcão e nota Dcr meio avoado.
CAEL: Como se sente como o mais novo milionário da praça?
Dcr pede silêncio.
DCR: Psiu! Não quero que todos saibam (risos / pausa) Apesar de que...Sinto como se todos já soubessem e tivessem me perseguindo.
CAEL: Bem-vindo ao clube!
Risos.
A câmera focaliza as costas de Dcr e Cael vê alguém fora da tela.
CAEL: Olha quem veio te pegar pro almoço?
Dcr olha para trás e se levanta para abraçar seu pai e sua mãe. Cael vem em seguida e cumprimenta com a mão.
CAEL: Sejam bem-vindos (sorri).
Daniel sorri, mas logo notamos seu ar preocupado, se dirige a Dcr e coça o supercílio.
DANIEL: Fiquei sabendo que você recebeu uma herança... Sozinho.
DCR: Pois é. (olha para a mãe) Eu não sabia que tinha um avô. E menos ainda que tava fugido.
Diva abaixa a cabeça, triste.
DIVA: Eu devia ter contado, mas deixei passar muito tempo.

Daniel a envolve num abraço.
DANIEL: E você já sabe o que fazer com o dinheiro?
DCR: A primeira coisa é casar com a Ari (sorri animado).
Daniel também sorri, mas desfaz o sorriso aos poucos.
DANIEL: Me refiro ao fato de você ser o único herdeiro de seu avô. Você sabe, tua prima tá fora.
DCR: Ah, não se preocupe. Vou dar uma parte pra ela e, tenho quase certeza que administrar no meu lugar ela não ia querer, né?
Daniel disfarça sua preocupação angustiante enquanto Diva passa a mão no rosto do filho carinhosa e feliz por ele.
CORTA PARA
CENA 12 FACHADA – HDM CONSTRUTORA [TARDE]
Corta para um dos corredores dos escritórios.
Secretárias e engenheiros circulam pelo local. Há visitantes sentados e, Bruno vira na curva apressadamente e nervoso indo em direção a uma porta fechada. Uma secretária sentada ao lado da tal porta tenta impedir.
SECRETÁRIA: Seu Bruno, o seu Marco não quer se incomodado!
Bruno invade a sala, a secretária o segue. Ele vê Marco de pé de frente para a janela e se voltando para ele.
MARCO: Algum problema, Bruno?
BRUNO (se contendo): Acho melhor você mandar sua secretária sair, porque você não vai querer que ela ouça o que eu tenho pra dizer.
Marco faz um sinal para a secretária deixar a sala. Ela sai.
MARCO: Agora pode explicar a sua invasão?
BRUNO: O que você vai querer em troca por bancar o tratamento do João?
Marco finge surpresa.
MARCO: O que disse?
BRUNO: Não se faça de desentendido! Num dia você quase mata minha filha e no outro banca a bom samaritano. O que tá querendo?
Marco, de uma calma aparente e irritante, senta.
MARCO: Bruno...Você invade a minha sala para me ofender? Estou desapontado contigo.
Bruno, contendo a raiva, se aproxima da mesa, apoia as duas mãos sobre ela e o fita.
BRUNO: Estamos só nos dois, tá ok? Então vou ser bem claro. Você pagou a cirurgia do João, tá pagando o tratamento dele e sabe que nunca poderemos te pagar, porque o Josué gastou o que não devia pra quitar uma dívida contigo. E você não é o tipo de cara que vai ficar esperando por um dinheiro que nunca virá, certo?
Marco faz uma cara de quem acha tudo aquilo surpreendente, alisa o queixo e isso deixa Bruno mais irritado.
MARCO: Você não acredita que as pessoas possam fazer o bem pelo bem? (pausa) Do jeito que fala parece até que está acostumado a lidar com marginais...
Bruno não o deixa terminar e o segura pela gola fazendo o corpo dele inclinar sobre a mesa.
BRUNO: Escuta aqui! Eu só te aturo por causa do João, porque se dependesse de mim e da Raíza você nunca mais pisava naquele apartamento!
Bruno o empurra sobre a cadeira e dá as costas.
Marco ajeita o paletó, de cara amarrada.
CORTA PARA
CENA 13 APTº 215 – QUARTO DE HELENA [INT./TARDE]
A porta é aberta, Helena entra com o celular em mãos e se mostra preocupada em não chamar atenção. Fecha a porta. Ela disca enquanto caminha até a tela.
HELENA (O.S): Sabe aquele serviço? (pausa / olha para trás e se volta/ a câmera só mostra seu rosto de perfil) Tem que ser hoje à noite. Fique esperto (pausa) É, mas quero que você leve alguma coisa, sabe. Pode pegar o que quiser. É latrocínio. (foco em sua expressão satisfeita) Você sabe que eu cumpro.
Sorrindo, ela desliga o celular. Tensão. Quando se volta dá de cara com Daniel a encarando. Ela se assusta.
DANIEL: Você vai ligar agora e desfazer o serviço, sua cobra nadja.
Os dois se encaram.
CORTA PARA
CENA 14 COLÉGIO FRANÇA [EXT./NOITE]
Ari está na calçada, de costas para o portão. Usa camisa branca sem manga, calça social preta, cabelos amarrados. Alguns alunos estão conversando perto do muro, outros entram no colégio. Nesse momento, Raíza sai apressada ajeitando a bolsa no ombro.
RAÍZA: Ari? Aconteceu alguma coisa?
ARI (se volta): É (pausa) você demorou, hen.
As duas caminham apressadamente.
RAÍZA: Esse professor de matemática ainda nos larga às nove. Mas e aí? O que aconteceu? Você não devia já estar na boate?
ARI: É, devia, mas o Dcr ligou. Ele disse que o Cael pediu pra te buscar, já que ele vai aproveitar e passar em casa pra trocar de roupa.
RAÍZA: E o seu celular tá sem crédito de novo, adivinhei?
ARI: Ahn...Não (pausa) É que...A moto dele tá no conserto e...Como ele não gosta de andar de ônibus à noite...Ele virá a pé.
RAÍZA: Tá achando que vai acontecer hoje? (Ari se mostra incomodada) O Dcr sempre anda à noite, com ou sem moto. Se eu for atrás dele todos os dias até ver quando o que eu vi vai se realizar ele vai achar estranho. Eu posso prever o que vai acontecer, mas nem sempre quando.
ARI: Na maioria das vezes sim.
RAÍZA (confusa): Como?
ARI: Lembra quando você viu que a Valentina ia atropelar alguém naquele estacionamento? (Raíza faz que sim) Você me viu lá. Por que me pediu pra não sair naquele dia? Como tinha certeza que ia acontecer naquele dia e não em outro.
RAÍZA: Você usava a mesma roupa.
ARI: Isso eu poderia ter usado em qualquer dia. Não seria pelas circunstâncias em que você se encontrava ali e acaba se esquecendo?
RAÍZA: Como assim?
ARI: Assim...Nesse exato momento você sabe o que fez minutos antes. Sabe o que fez ontem, sabe do seu passado recente, certo? (Raíza faz que sim) Então, como você foi ao futuro, qual era teu passado recente? Por que você tava ali?
Raíza se põe a pensar.
RAÍZA: Estranho como nunca pensei nisso...(pausa) Eu tava indo pros fundos da casa noturna (ela se olha) de uniforme eu (câmera focaliza seu rosto) Eu tinha acabado de receber uma ligação do Dcr (pausa) dizendo que tava sendo seguido e que precisava da minha ajuda. Se não ele não ia conseguir voltar (ela olha pra Ari) pra inauguração da Curto-Circuito!
As duas se assustam. Medo. Elas correm sumindo da tela.
A tela se fecha num baque.
FADE IN
Takes da cidade do Rio de Janeiro à noite.
CENA 15 RUAS DA CIDADE [NOITE]
Vemos uma calçada por onde anda apressadamente um par de pernas femininas. A câmera sobe e revela Raíza, de uniforme, olhando tudo ao redor. A rua tem uns poucos transeuntes, gente conversando nos portões de casa e outros vindo de encontro a ela.
Corta...
Dcr está vindo de frente numa calçada. Ao longe vemos a casa de shows Curto-Circuito iluminada. Dcr diminui os passos, apanha o celular do bolso da calça, olha para trás e disca. Alterna.
VOLTA PARA RAÍZA
Ouvimos um celular tocando. Raíza apanha do bolso da calça e nem olha o visor já imaginando quem era.
RAÍZA: Dcr?
DCR: Raíza...(tom de desespero) Tô sendo seguido...Não vai dar pra ir te buscar.
RAÍZA: ‘Cê’ tá onde?
DCR: Em frente ao posto de saúde. Mas tô indo pra uma lan-house aqui perto pra me esconder. Mas venha sozinha. Não chame o Cael, porque ele é capaz de pôr os seguranças atrás de mim e eu não quero escândalo.
Raíza desliga o celular, cismada.
Corta
Dcr desliga o celular com um sorriso sacana. Olha para a sua frente onde deveria haver um posto, mas é uma veterinária.
DCR: Vamos ver se ela acerta onde eu tô...
Ele passa a caminhar e a nossa visão começa a partir de outro ângulo onde um homem o encara.
Suspense.
CORTA PARA
= = Passagem de tempo = =
CENA 16 RUAS DA CIDADE [NOITE]
= = Music ON – Suspense = =
Ouvimos passos apressados. Pernas de homem atravessam a tela numa calçada escura. Logo corta para frente dele e vemos se tratar de Dcr, semblante assustado, olha para trás a todo instante. Ele para diante de uma parede, respira ofegante.
DCR: Boca maldita...Era só uma brincadeira...
Câmera focaliza bem seu rosto aflito olhando para trás. Quando faz que vai correr novamente leva um tremendo susto. Raíza está bem a sua frente de uniforme.
DCR (espavorido): Raíza! Pelo amor de Deus, quer me matar de susto?
RAÍZA (séria): Não devia brincar com essas coisas.
Dcr a pega pelo braço e vai empurrando-a enquanto olha para trás.
DCR: Vem cá, olha...Não podemos ficar aqui. Tem um cara me seguindo, vamos tentar dar a volta...
RAÍZA: Peraí! (Dcr para a sua frente) Isso não é uma brincadeira mesmo, não, né?
DCR (tom intrigante): Você deve saber que não...
Tensão.
Um sujeito se joga em Dcr que bate de contra a parede, recebe um soco e cai no chão. Raíza tenta lhe ajudar e vê que sua boca sangra.
Um homem mascarado está diante deles apontando-lhes a arma. Ele faz um sinal com a mão para eles passarem a grana.
HOMEM: A bolsa, garota, anda!

Enquanto Dcr se recompõe, Raíza faz que vai abrir a bolsa.
HOMEM: Eu mandei você passar a bolsa, espertinha!
DCR: Espere!
Ele tenta se levantar, põe as mãos nos bolsos da calça e retira sua carteira. O homem faz sinal para ele jogar e assim Dcr o faz.
O homem abre a carteira e se irrita.
HOMEM: Que palhaçada é essa?
Ele vai até Dcr e o levanta violentamente.
HOMEM: Ninguém te ensinou a andar prevenido não, ô mané?
RAÍZA: Por favor...!
O cara empurra Dcr e se afasta mirando nele.
RAÍZA: ‘Cê’ não precisa fazer isso!
O homem nervoso lhe aponta a arma, Dcr se joga, segura seu braço fazendo-o mirar ao léu e consegue dominá-lo pelas costas.
DCR: CORRE, RAÍZA! CORRE!
RAÍZA: Não, não vou te deixar aqui!
Não há muito tempo; O mascarado acerta uma cotovelada no estômago de Dcr e ele acaba caindo na calçada, vencido.
Raíza, assustada, vai até ele e o abraça.
HOMEM: Vai bancar a herói no inferno...
[efeito câmera lenta]
A câmera focaliza o homem de frente apontando a arma, a bala é cuspida e a cena dá um giro acompanhando a trajetória da bala. Raíza, abraçada ao amigo, está de olhos fechados.
[fim do efeito câmera lenta]
De repente um flash de luz ilumina a calçada no exato momento em que a bala atingiria os dois.
O homem olha para algo fora da tela que o deixa atordoado.
[POV do bandido]
Raíza e Dcr desapareceram e a câmera sobe revelando que a luz vem de um holofote da parede.
= = Music Off ==
A tela se fecha num baque.
FADE IN
CENA 17 ED. CIRANDA DE PEDRA – GARAGEM – TÉRREO [EXT.]
= = Music On = =
O ambiente é mal iluminado. A câmera vai passando por entre alguns carros parados até chegar num canto onde vemos Raíza e Dcr abraçados tal qual estavam antes. Ela abre os olhos, ofegante, enquanto Dcr mantém os dele apertados. Ele vai abrindo, receoso e olha abismado para o local.
DCR (murmura): Morremos? (pausa / ofegante / toca o corpo à procura de algo) Eu não sinto dor...Foi tudo tão rápido...
Ouvimos o som da carrocinha de pipoca. Ele a encara, abismado e ela acaba rindo mesclando com seu nervosismo.
RAÍZA (tocando seu ombro): Só você pra me fazer rir numa hora dessas...
Dcr está sério, acreditando mesmo estar morto.
DCR (sem entender): Isso não tá acontecendo...Acho que eu assistia demais Ghosts e Second Chance...
RAÍZA: Dc...Não morremos. A gente tá na garagem do prédio onde moro.
DCR: Como? Mas como é que...?
Ele se levanta, olha ao redor, toca a cabeça. Faz um silêncio perturbador.
DCR (olhos começam a lacrimejar): É isso...(pausa) Como você consegue guardar um segredo desse? Isso é impressionante!(Raíza não consegue dizer nada) Todo esse tempo eu tinha certeza...Eu só não imaginava do que mais você era capaz de fazer...
Ela se levanta.
RAÍZA: Do que ‘cê’ tá falando, Dc? Não é nada disso, o que aconteceu ali foi-foi coisa de Deus, sabe?
DCR (interrompe): Não, Deus não tem nada a ver com isso. E você sabe. (pausa / emocionado) Houve um tempo em que você confiava em mim o suficiente pra me contar um segredo.
Olho no olho. Raíza faz que vai dizer mais alguma coisa, mas logo é abraçada por ele.
DCR: Eu te entendo, mas você não precisa mentir. Eu nunca vou contar o que aconteceu (chora). Você salvou minha vida de novo. (sentido) ‘Brigado’.
Emoção. Raíza corresponde ao abraço, chocada com a situação.
= = Music Off = =
FADE TO BLACK
FADE IN
Takes da cidade à noite.
CORTA PARA
CENA 18 APTº 403 – SALA [INT.]
A porta é aberta e Raíza entra cabisbaixa e cansada. Bruno vai até ela preocupado, enquanto Josué está sentado no sofá, cotovelos sobre os joelhos.
BRUNO: Filha...A Ari me contou que...(ele vê João adentrar a sala) Que...Enfim...Tá tudo bem?
Raíza tira a bolsa dos ombros.
RAÍZA: Sim...Eu preciso me arrumar pra inauguração.
JOSUÉ (indiferente): Ah claro, Cael ligou umas quatro vezes. Ele não ligou pra você?
BRUNO: Isso pode esperar. Raíza, seu tio tem algo a dizer.
Josué se levanta e faz que dará as costas.
JOSUÉ: Eu não tenho nada a dizer.
BRUNO: Tudo bem, eu digo.(ele pega um documento sobre a mesa de centro) Se lembra de quando você teve aquela alucinação e achou que o apartamento tivesse sido hipotecado?
RAÍZA: Nem me lembre disso.
Ele entrega o documento.
BRUNO: Era verdade.
Raíza não crê e olha o documento, folheia e vê as assinaturas.
RAÍZA: O senhor também assinou...
BRUNO: Eu não sabia o que assinava. Josué disse que eram papeladas do hospital (encara o irmão), não é?
Raíza olha o tio por cima com raiva aparente.
RAÍZA: Preferiu que eu passasse por louca a dizer a verdade...Hipotecou pra pagar sua dívida com o Marco, não foi?
JOÃO: Ele tava desesperado, gente. Dê um desconto.
RAÍZA: Ele não me deu desconto quando eu disse a verdade! (voz sai meio embargada) Me desacreditou na frente de todo mundo...
Ela joga o documento sobre a mesa e sai da sala. Bruno encara Josué com reprovação e vai atrás. Josué, por sua vez, vê João o encarando.
CORTA PARA
CENA 19 APTº 403 – QUARTO DE RAÍZA [INT.]
Raíza entra no quarto querendo chorar e faz que vai fechar a porta, mas Bruno mete a mão pra impedir. Ela, de frente pra tela, está de costas para o pai.
BRUNO: O que houve? Pensei que você fosse descascar seu tio. Eu não ia achar ruim.
Ela se volta, passa os dedos nos olhos pra secar as lágrimas que já começam a escorrer.
RAÍZA: O Dcr já sabe de tudo, pai.
BRUNO: Como?
RAÍZA: É...Ele...Descobriu faz tempo, sabe? Já desconfiava que eu podia prever o futuro, depois me viu perder a invisibilidade no incêndio da boate...Aí hoje eu não pude esconder...Era isso ou...A gente morria.
Bruno se aproxima, preocupado.
BRUNO: Ele ameaçou contar pra alguém? Meu Deus! Dele eu não esperava...
RAÍZA: Não, não pai. Pelo o contrário. Ele garantiu que não vai contar pra ninguém. Eu sinto que posso confiar nele mesmo.
BRUNO: Então por que tá assim?
RAÍZA (respira fundo): É que eu queria poder confiar no meu tio também.
Ele a abraça, enquanto ela chora.
FADE OUT
FADE IN
CENA 20 APTº 215 – SALA [INT.]
A porta é aberta, Dcr entra e fecha a porta. Ele estranha o local.
[POV de Dcr]
Sofá fora do lugar e objetos da estante jogados no chão.
VOLTA À CENA
= = Music On – Suspense = =
Dcr se desespera e corre até o...
QUARTO
Vemos a cena por cima do ombro dele. Seu quarto está intacto. Ele vai para o outro quarto, mas a porta do outro lhe chama atenção. Ele caminha devagar e se assusta com a bagunça no quarto de Helena.
A mão de alguém toca seu ombro. Susto.
= = Music Off = =
Dcr se desfaz do susto.
DCR: Oi, mãe...O que aconteceu aqui?
Diva o olha, penalizada.
DIVA: Você não atendia o celular...(pausa) O seu pai...
DCR: O que tem ele? O cara veio atrás dele?
DIVA: Cara? Do que tá falando?
DCR: Ahn...O que aconteceu com ele?
Ouvimos uma porta bater.
Corta para a sala.
Helena, com alguns hematomas pelo braço, se surpreende ao ver Dcr. Diva vai até ela.
DIVA: Tá tudo bem contigo?
HELENA (fitando Dcr): Vou ficar bem...
DCR: Gente...O que aconteceu? (pausa) O que aconteceu com meu pai?
Diva e Helena se entreolham.
DIVA: Seu pai surtou, meu filho.
DCR: O quê? Como foi isso?
HELENA: Ele teve um daqueles sonhos e disse que você corria perigo.
DCR: Mas isso foi verdade!
DIVA (assustada): Como assim?
DCR: Eu fui assaltado e o cara por pouco não nos mata.
HELENA: Você tava acompanhado?
DCR: A Raíza (notamos o descontentamento nela) Mas e então? Cadê meu pai?
Diva vai até ele com pesar no semblante.
DIVA: Tivemos que interná-lo.
DCR: Não! Ele disse a verdade. Vamos tirar ele de lá agora!
Helena o contém.
HELENA (mostrando os hematomas): Isso aqui também é verdade, Danilo. Ele me agrediu e quase pôs tudo aqui abaixo (pausa / o encara inconformado) Eu sinto muito, mas nem o médico vai querer liberá-lo agora.
DCR: Eu quero vê-lo.
DIVA: Você conhece as regras, filho. Visitas só amanhã.
Dcr se inquieta e seus olhos lacrimejam.
DCR: Não me conformo com isso. Ele não tá louco, mãe! Não tá!
Os dois se abraçam, emocionados.
HELENA: Vou pro meu quarto.
Ela vem de frente e esboça um sorriso vitorioso.
CORTA PARA
CENA 21 APTº 215 – QUARTO DE HELENA [INT.]
Helena entra rapidamente e fecha a porta. Abre a bolsa, pega seu celular e disca. Pausa.
HELENA (murmura quase gritando): O que houve? Como foi deixá-lo escapar? (pausa) Sumiu? Ninguém some assim, você que deve ter se distraído (pausa). Tá, tá, chega! Não adianta mais nada agora (pausa). Claro que não! Aquela testemunha já causou problemas pros outros; Não quero problemas pra mim. Por enquanto, vamos deixar quieto. (close em seu rosto) Como tem o ditado: Vão-se os dedos, ficam os anéis.
Ela sorri maliciosa referindo-se a Dcr.
FADE TO BLACK
FADE IN
CENA 22 CURTO-CIRCUITO [EXT./NOITE]
Ouvimos tocar ‘I Got Feeling – Black Eyeds Peas’
A câmera, ao longe, mostra muita movimentação na porta da casa de shows. Cael sai com as mãos nos bolsos, olha ao redor, preocupado e verifica a hora em seu pulso.
Close em seu rosto, distraído, olhando pro lado contrário da tela.
MARCO (O.S / deboche): Está quente lá dentro?
Cael se volta e faz cara feia.
CAEL: Espero que não venha torrar de novo com a minha paciência.
Marco põe a mão no bolso do paletó e tira um cartão colorido.
MARCO: Bonito convite, hen. Quem é a atração surpresa? Internacional ou cantor de garagem?
CAEL (irritado): Você veio, não veio? Então senta lá e espera.
Cael torna a se mostrar preocupado com a demora de Raíza. Marco observa, debochado.
MARCO: Não parece muito confiante. É o show ou por que sua namoradinha não apareceu? (Cael nada responde) Seria muito chato da parte dela não vir te prestigiar.
Close na mão de Cael que é tocado por outra feminina. Cael se mostra feliz ao ver Raíza, de vestido verde estampado e curto, gloss e cabelos soltos.
RAÍZA: Concordo, Marco. Seria muito chato se eu não viesse.
E beija Cael na boca fazendo Marco fechar a cara.
RAÍZA (sorrindo/pra Cael): Vamos entrar? Tô louca pra saber quem irá abrir o show.
Cael sorri debochado para Marco e dá as costas.
A câmera vai se afastando. Marco fica ali, sério vendo-os entrar.
A cena sobe e dá um close na placa ‘CURTO-CIRCUITO’ brilhando em vermelho.
FUSÃO PARA
CENA 23 CURTO-CIRCUITO [INT.]
Vemos o salão do alto, cheio e animado.
Corta para Cael e Raíza cumprimentando Drº Bedlin e Lara.
LARA: Já fazia um tempo que a gente não se via, não é mocinha? O Cael não te leva lá em casa.
Cael olha para o pai fazendo cara de desagrado.
RAÍZA (sorrindo): No entanto é ele quem vai à minha casa.
LARA: Tanto quanto o Marco?
Clima. Raíza nota uma certa alfinetada em Cael.
DRº BEDLIN: Ignore, Raíza. Ela já nasceu assim. É defeito de fábrica.
Cael e Raíza disfarçam um riso, enquanto Drº Bedlin ri.
LARA: Me trouxe pra me fazer passar vergonha?
Ela dá as costas.
DRº BEDLIN: Peraí, mulher! Não vá embora que é com você que vou dançar!
Ele vai atrás pra implicar, enquanto Cael e Raíza riem.
CAEL: Seu pai, seu tio e o João não quiseram vir?
RAÍZA: Eles já devem tá apontando por aí...(ela olha adiante) Ahn...Cael eu vou ali falar com a Ari, rapidinho, tá?
CAEL: Ok. Daqui a pouco vou anunciar o show.
RAÍZA: To louca pra saber quem é (ela sorri e os dois se beijam)
Corta para o bar.
Ari e um rapaz estão fazendo coquetéis. Raíza senta na cadeira e Ari para o que está fazendo, preocupada.
ARI: Raíza! Pelo amor de Deus! Deu tudo certo? Cadê o Dcr?
Dcr surge e senta ao lado de Raíza.
DCR: Aqui, vivíssimo da silva só pra você!
Ari desmonta de alívio e os dois se beijam rapidamente.
Depois ele e Raíza se cumprimentam e trocam olhares confidentes. A música para.
CAEL (O.S): Boa noite! Peço a atenção de todos.
Corta para o palco.
CAEL: Hoje é o recomeço daquilo que um dia parecia ter terminado. Curto-Circuito é o novo nome e um novo estabelecimento para quem gosta de se divertir. Agradeço pela presença de todos. Fiquem agora com o show de BLUEBERRY!
Todos aplaudem.
Raíza, Ari e Dcr se surpreendem ao ver subir no palco Johnny Land e sua banda.
ARI: Ai gente! Quanto tempo!
DCR: Não começa a se animar não, hen.
Eles riem.
Ouvimos a banda tocar ‘Closer To The Edge – 30 Seconds To Mars’.
Cael se aproxima e segura nos ombros de Raíza.
CAEL: Gostaram da surpresa?
ARI: Eu amei! Você hen, Raíza, nem pra me contar.
RAÍZA: Mas eu não sabia.
DCR (fazendo graça): A gente não acredita em uma só palavra do que você diz.
Raíza toca o peito fingindo espanto.
RAÍZA: Isso me deixa tensa.
Todos riem. Joana se aproxima deles.
JOANA: Eu já tinha ouvido falar desses caras...Bonito o vocalista, hen.
Dcr revira os olhos.
DCR: Agora eu que fiquei tenso.
Mais risos.
CAEL (para Raíza): Vamos dançar?
Eles se afastam enquanto os amigos conversam no bar.
RAÍZA: Tá feliz?
Cael acaricia seu rosto, meigo.
CAEL: Sim...E mais ainda porque você está aqui(beija).
Adiante, Marco vê a cena contendo a raiva. Em seguida, vai se desviando das pessoas para tentar sair.
Corta para o exterior
Marco abre a porta do carro, entra e bate a porta com força. A cena revela Valentina ao seu lado.
VALENTINA: Não aguentou ficar muito tempo?
Marco lhe dá aquela olhada.
MARCO: Você devia estar trabalhando. Hoje não tem nada aqui de útil a ser visto.
Ele liga o carro e acelera.
Corta para a traseira do carro que vemos partir.
FUSÃO PARA
CURTO-CIRCUITO [INT.]
Vemos a banda Blueberry agitando a noite.
Cael e Raíza curtem o show.
A mão de alguém toca o ombro dele.
DCR: Posso roubá-la?
Eles riem e Cael assente.
CAEL: Mas por pouco tempo, hen.
Ele se afasta. Dcr e Raíza ficam meio sem jeito. Lado a lado, curtem o som, depois se encaram, abaixam a cabeça como forma de disfarçar alguma coisa. Riem.
RAÍZA: O que foi?
DCR: É que...Tenho me sentido meio Chloe Sullivan, sabe? Aquela coisa de guardar o segredo do Clark, de estar com ele para o que der e vier (pausa) Isso é...Emocionante!
RAÍZA: É...Eu sempre fui fã de Smallville e entendia o lado do Clark em querer ser normal. É um peso muito grande ter a vida de alguém em nossas mãos.
DCR: Hoje eu entendo tudo (pausa). Deve ter sido difícil pra você não conseguir evitar o acidente do João depois de salvar duas vezes o Marco, não é?
Raíza desvia o olhar, sem graça.
RAÍZA: É...É muita pressão...Fica parecendo que eu escolho quem salvar.
DCR: Fica assim, não. Até o Clark sempre salvava o Lex mesmo depois de saber que tipo de gente ele era (Raíza ri). Faz parte de todo herói.
RAÍZA (sorri): Bem... Eu espero que você entenda meu lado quando eu não conseguir evitar alguma coisa. Já basta meu tio me cobrando por eu não ter salvado o queridinho dele.
DCR: Nunca. E eu também vou tomar mais cuidado. Não tentarei descobrir outro podre seu.
Eles riem. Ela o olha como a tentar dizer algo sem acusar.
RAÍZA: Mas você sabe que o que aconteceu hoje pode se repetir, não é? Você é herdeiro único e isso não acontece todo dia.
Dcr não percebe o que ela quis dizer e faz graça.
DCR: Prevendo o futuro?
Raíza dá de ombros com ar sapeca.
A câmera vai se afastando em ângulo alto enquanto eles riem. A música predomina até terminar.
FADE TO BLACK
= = FIM DO EPISÓDIO = =
SÉRIE ESCRITA POR: Cristina Ravela

ESTRELANDO:

Maria Flor - Raíza
Michael Rosenbaum - Cael
Pierre Kiwitt - Marco
Caio Blat - João Batista
Nathália Dill - Ari
Aaron Ashmore - Dcr
Fernanda Vasconcellos - Rafaela
Alinne Moraes - Valentina
Caco Ciocler - Josué
Juan Alba - Bruno
Thiago Rodrigues - Cipriano

PARTICIPAÇÕES:

Thaís de Campos - Helena
Jane Saymour - Lara
José Augusto Branco - Drº Bedlin

PARTICIPAÇÕES ESPECIAIS:

Rainer Cadete - Bandido
Othon Bastos - Drº Jorge
Milena Toscano - Bárbara
Marcela Valente - Secretária
Jared Leto - Johnny Land
(CrossOver com a minissérie "O Dia Em Que Eu Tentei Viver")

TRILHA SONORA:

I Got Feeling - Black Eyed Peas
Closer To The Edge - 30 Seconds To Mars

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