0:00 min       RAÍZA 2ª TEMPORADA     SÉRIE
0:30:00 min    


WEBTVPLAY ORIGINAL APRESENTA
RAÍZA 2


Série de
Cristina Ravela

Episódio 10 de 23
"Superficial"



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FADE IN
Takes da cidade do Rio de Janeiro iluminada.
CENA 1 RUAS DA CIDADE [NOITE]
ÂNGULO ALTO

Câmera mostra Ari e Raíza à distância carregando as bandejas forradas.
À medida que elas caminham, a câmera se aproxima.
RAÍZA: Eu não sei como ainda tenho estômago pra dirigir a palavra ao meu tio.
ARI: Ah, Raíza você fala de um jeito como se ele fosse seu inimigo. Vocês só não se dão bem, só isso.
Elas passam por um cachorro deitado na calçada que estica a cabeça como a sentir cheiro de alguma coisa no ar.
RAÍZA: Um tio que parece querer me ver pelas costas só pode ser meu inimigo.
O cachorro se levanta e passa a ir atrás delas. Ari percebe e gruda em Raíza com medo.
ARI: Ai, um cachorro, Raíza! Não olhe pra ele, não olhe...
Raíza se mantém quieta e elas caminham para o outro lado, abismadas. O cachorro se aproxima mais ainda deixando Ari nervosa. Ela escora em Raíza que é prensada no muro.
ARI: Sai cachorro! Sai!
RAÍZA: Cuidado com as bandejas, menina!
O cachorro ameaça pular e, Ari acaba deixando cair alguns doces do tabuleiro. O cachorro come esfomeado e as garotas apressam o passo.
Ouvimos suas vozes ao longe.
RAÍZA: Coitado. Ele só tava com fome.
ARI: Coitada de mim que quase fui derrubada.
Enquanto falavam, close na cara do cachorro que acaba de comer o doce.
Suspense.
= = Passagem de Tempo = =
CENA 2 CASA DA ÂNGELA – QUINTAL [NOITE]
Ouvimos tocar a música “Single Ladies – Beyoncé”.
Câmera de cima mostra algumas pessoas, casais, mesa com doces, salgadinhos e refrigerantes.
Corte rápido para no meio das pessoas, entre elas estão Ari e Raíza sem as bandejas conversando com Joana.
JOANA (feliz): Obrigada por ajudarem. Minha mãe não ia dar conta.
RAÍZA: É pra isso que servem as primas e (olha para Ari) as amigas.
Elas riem.
JOANA: E o João? Não vem?
RAÍZA: Aquele lá? (Ari discretamente a cutuca) Bem...Sim...Meu tio não estava a fim de vir então a gente vai voltar pra buscá-lo.
ARI: Não sai daí, hen.
Joana ri.
JOANA: Não tenho outro lugar pra ir mesmo.
Ari e Raíza saem.
= = Passagem de Tempo = =
Ari e Raíza conversam animadamente quando param e veem algo sem entender. Câmera distancia e abaixa revelando o tal cachorro todo esticado no chão. Há alguns curiosos no local, alguns reprovando aquela cena, outros compadecidos.
Raíza se aproxima, temerosa.
RAÍZA: Gente, o que aconteceu aqui? Ele tá...Morto?
RAPAZ: Sim...Tão dizendo que foi envenenado. Que maldade fazem com o bicho, né?
Raíza engole a saliva, aflita. Olha para Ari que entende de imediato o que poderia ter causado a morte.
RAÍZA: Não pode ser...
= = Music ON – Suspense = =
As duas saem correndo voltando para a casa de Joana.
Corte rápido
As duas alcançam a calçada, não ouvimos mais a música, somente burburinhos de pessoas assustadas.
As duas entram no quintal, close em suas expressões estarrecidas.
A câmera dá um giro lento de 90º e para na cena de alguns corpos caídos no chão e pessoas chorando assustadas sem saber o que aconteceu. Uma delas é Ângela que chora debruçada sobre o corpo morto de Joana.
Ari e Raíza se encaram visivelmente abaladas.
= = Music Off = =
FADE TO BLACK


2x10
SUPERFICIAL


FADE IN
CENA 3 CASA DA ÂNGELA [EXT./NOITE]
Faixas amarelas impedem que curiosos entrem no quintal e ambulâncias e carros de polícia cercam o local. Ouvimos policiais conversando com convidados da festa.
Corte rápido
POLICIAL DIEGO: Você encomendou os doces que causaram a morte de 6 pessoas?
A cena dá um giro revelando Raíza de frente para ele.
RAÍZA: Sim...Eu peguei hoje à tarde e levei para a festa com a Ari, minha amiga.
POLICIAL DIEGO (instiga): Mas depois que pegou a encomenda você passou em algum lugar antes de ir para a festa?
RAÍZA: Fui pra casa me arrumar.
POLICIAL DIEGO: Então você não foi direto pra festa. (Raíza não reage / ele faz anotações em um bloco) Qual sua relação com as vítimas?
RAÍZA: Uma delas era a minha prima. Era o aniversário dela.
O policial ergue os olhos, desconfiado, pra cima dela.
POLICIAL DIEGO: Sua prima, é?
Raíza fica sem reação com o tom desconfiado dele.
Ângela se aproxima deles triste com os olhos vermelhos, mas olha para Raíza penalizada.
ÂNGELA: Eu sei que você não teve culpa de nada. Mas quem fez quer te ver pelas costas...
Ângela abaixa a cabeça e sai.
POLICIAL DIEGO: Compareça à delegacia amanhã.
Close no rosto apreensivo de Raíza.
CORTA PARA
CENA 4 DELEGACIA [INT./MANHÃ SEGUINTE]
Corte direto no rosto de Raíza.
RAÍZA: Eu encomendei há três dias os doces com a dona Diana.
A câmera gira para o delegado que usa óculos de grau.
DELEGADO: Tem certeza de nunca ter recebido encomendas de uma moça chamada Raíza há três dias?
A câmera torna a girar e vemos agora Diana, morena, cabelos pretos e olhos verdes.
DIANA: Nunca. Se quiser mostro os recibos que faço desde a última semana. Sou muito metódica com isso.
Corta para o delegado.
DELEGADO: Por que o senhor mesmo não levou seu sobrinho à festa?
JOSUÉ: Não gosto de festas. Ainda mais com tantos jovens. Me sinto um peixe fora d’água, entende?
Corta para o delegado novamente.
DELEGADO: Sabe de alguém que teria interesse em matar Joana ou qualquer outra vítima? Ou talvez, prejudicar Raíza?
Dessa vez é Ari quem está diante dele. Ela olha para o policial Diego ao lado do delegado, vacila o olhar. Close em suas mãos unidas, apertadas.
ARI: Não que eu saiba...
Ela abaixa a cabeça, tensa.
= = Passagem de Tempo = =
O delegado está fazendo anotações, Diego chega e coloca uma papelada sobre a mesa.
O delegado o olha por cima dos óculos.
POLICIAL DIEGO: São os recibos da dona Diana no caso da festinha envenenada. O nome Raíza não consta em nenhum.
DELEGADO: Ou essa garota está mentindo ou essa Diana não entregou todos os recibos.
Fecha na expressão assentida do policial.
FADE OUT
FADE IN
CENA 5 FACHADA – ED. CIRANDA DE PEDRA [MANHÃ]
Corta para o interior do APTº 403 – SALA
A cena inicia-se numa discussão entre Raíza, Josué e Bruno.
RAÍZA: O senhor fala de um jeito como se eu fosse realmente culpada desse crime! Fico admirada que não tenha me acusado pra polícia.
JOSUÉ (irritado): Você já reparou que depois do seu pai, você nunca consegue evitar o pior com seus parentes? ‘Cê’ anda fazendo seleção, é?
Raíza faz que vai partir pra cima, mas Bruno entra no meio, põe as mãos na frente de cada um.
BRUNO: Quer parar com isso, Josué! Isso aqui não é um ringue e vocês não são inimigos.
JOSUÉ: Isso que tá acontecendo é o passado vindo cobrar o que ela devia ter pagado lá trás (eles não entendem) O acidente do João.
Raíza resmunga chateada.
RAÍZA: Ainda isso, meu Deus! Por que não me leva arrastada pra delegacia e me acusa logo? Por que é só isso que tá faltando, só isso!
Ouvimos a campainha tocar.
Bruno encara os dois querendo ter certeza que eles não vão se engalfinhar.
Raíza dá as costas e Josué cruza os braços.
Bruno atende a porta e um homem engravatado lhe entrega um papel.
HOMEM: Bom dia. Raíza Maciel, por favor.
Raíza aparece na porta, curiosa.
RAÍZA: Sou eu.
O homem lhe entrega um papel.
HOMEM: Sou oficial de justiça. Essa é uma intimação para você comparecer à delegacia e prestar novo depoimento sobre a morte de seis pessoas em uma festa.
Raíza encara o pai, preocupada. Este olha para Josué que expressa já esperar por aquilo.
Ao fundo, João Batista observa curioso.
CORTA PARA
CENA 6 DELEGACIA [INT./TARDE]
Raíza e Diana estão sentadas lado a lado. Raíza se mostra confiante e Diana tem cara de que tanto faz estar ali ou não.
DELEGADO: Você, Raíza, afirma ter encomendado doces com essa dona há três dias?
Raíza olha para ela e balança a cabeça afirmativamente.
RAÍZA: Sim.
DIANA (se adianta / indignada): Eu nunca vi essa garota na minha vida!
Raíza quase tem um troço.
RAÍZA: Como assim? Eu estive na sua casa ontem pra buscar os doces, como pode não lembrar de mim?
DIANA: Seu nome não está nos meus recibos. E eu tenho boa memória.
Raíza se levanta nervosa e se dirige ao delegado.
RAÍZA: Seu delegado, ela tá mentindo! Ela deve ter jogado fora o recibo que ela fez da encomenda.
DELEGADO: Se acalme, menina. Você poderá provar isso se tiver a cópia do recibo que ela te deu.
Diana passa a mão pelo queixo, ainda indignada.
DIANA: Isso é um completo absurdo! Periga d’eu perder meus clientes com essa acusação descabida.
RAÍZA (para o delegado / firme): Eu trarei o recibo.
= = Passagem de Tempo = =
Vemos o corredor da delegacia e Diana vem andando na nossa direção. Raíza vem atrás apressada e a pega pelo braço.
RAÍZA: Que negócio é esse de fingir que não me conhece? Deve ter algo a ver com os assassinatos pra dar uma de esquecida, né?
DIANA: Eu devia te processar por usar meu nome como culpada desses crimes. Por que não se lembra onde esteve com os doces depois que saiu da minha casa?
As duas se encaram. Diana larga do braço dela e dá as costas.
Pensativa, Raíza para um instante, mas logo vai atrás dela de novo.
CORTA PARA
Vemos vários repórteres na porta da delegacia fazendo algazarra para tentar um furo.
Diana sai e recebe um flash de foto na cara, e em seguida vem Raíza que se assusta com a repercussão.
REPÓRTER 1(para Raíza): O que você tem a dizer sobre a morte de 6 pessoas incluindo a filha da promotora Ângela Flamarion?
REPÓRTER 2: É verdade que você já esteve envolvida com a polícia no caso do acidente do seu primo e agora luta pra se livrar dessa acusação por homicídio?
Diana e Raíza saem empurrando os jornalistas.
Bruno segura a filha pelo braço e coloca o braço na frente tirando os microfones da direção dela.
REPÓRTER 3: Raíza, Raíza! É verdade que você não se dá bem com seus primos?
Diana entra em seu carro.
Raíza entra no carro do pai e ele acelera.
Os repórteres ficam frustrados por nenhuma declaração.
CORTA PARA
CENA 7 AEROPORTO – SALA DE ESPERA [INT./TARDE]
Close na TV onde é dada a notícia do envenenamento coletivo. Raíza sai amparada pelo pai sob perguntas instigantes dos jornalistas.
Cael está sentado na cadeira ao lado de outras pessoas. Assiste surpreso e preocupado.
VOZ NO ALTO FALANTE: Atenção passageiros do voo 747 com destino a Los Angeles. Se dirigir ao portão 5.
Cael se levanta com a bagagem e segue direção contrária ao voo.
CORTA PARA
CENA 8 APTº 403 – SALA [INT./TARDE]
O corte é feito direto em Bruno e Raíza que estão de pé ao lado da porta. Raíza está de braços cruzados, visivelmente aborrecida.
BRUNO: Não acho que a Ângela tenha chamado os jornalistas. Alguém fez isso e contou a história do acidente de João.
RAÍZA: Agora usam isso como argumento para me acusar. (olha desconfiada para Josué e Marco) Nem imagino quem possa ter feito isso.
JOSUÉ: Agora num é hora de pensar em quem fez o que e sim, em como você vai nos livrar dessa encrenca.
Raíza não acredita no que ouve.
RAÍZA: O quê? Livrar vocês da encrenca? Estão me acusando de assassinato e o senhor só pensa em como livrar vocês dessa encrenca?
MARCO: Querida...
Raíza lhe aponta o dedo com raiva.
RAÍZA: E você não me chama de querida! Já não basta aturar a tua cara quase todo dia aqui.
Marco sorri debochado.
JOSUÉ: Acho bom tratá-lo melhor, pois é ele quem vai contratar um advogado pra você.
Raíza cruza os braços e tenta se controlar.
RAÍZA: Em que momento da conversa eu pedi a ele um advogado? É capaz d’eu ser acusada dos crimes dele.
BRUNO: Vai devagar, Raíza...
Raíza olha para o pai, aborrecida e sai da frente deles em direção a rack do computador.
BRUNO: O que vai fazer?
RAÍZA: Vou ligar pro Cael (ela põe a mão no gancho).
JOSUÉ: Não acho que Cael vá fazer algo por você. (ela para segurando o fone) Nunca fez. A prova disso é o Marco estar aqui e não na prisão.
Marco o fuzila no olhar.
RAÍZA (coloca o fone no lugar): Tá se ouvindo dizer? O senhor sabe que tipo de pessoa coloca aqui dentro e mesmo assim o defende?
JOSUÉ: Não foi isso que eu quis dizer (Raíza bufa) eu só queria que você entendesse que se Cael realmente gostasse de você teria posto o irmão na cadeia pra te agradar já que você havia cismado com ele.
Marco esboça satisfação pelo o que ouve e Bruno percebe. Raíza se mostra pasmada.
RAÍZA: O senhor acha que Cael é desse tipo? (pausa) Aliás, o senhor poria alguém na cadeia pra agradar outro?
Tensão.
Antes que Josué dissesse que não foi bem aquilo que quis dizer, João surge logo atrás de Raíza, incrivelmente humilde.
JOÃO: Raíza, posso falar com você um instante?
Close no rosto dela.
CORTA PARA
CENA 9 QUARTO DE JOÃO [INT.]
A mão de alguém entrega um pote preto.
Raíza olha, pega e faz que não entende a atitude do primo.
RAÍZA: O que é isso?
JOÃO: Monóxido de carbono. O mesmo produto que causou a morte daquelas pessoas.
Raíza se surpreende e analisa o pote.
RAÍZA: Onde você encontrou?
JOÃO: Na lixeira da cozinha. Alguém que esteve aqui fez isso de propósito e agora quer te acusar. Some com essa coisa, porque você não saberia explicar como isso veio parar aqui em casa.
RAÍZA: Por que tá fazendo isso?
João anda em sua cadeira para trás dela e notamos uma expressão amável nele como há tempos Raíza não via.
JOÃO (ele se volta): Eu sei que não tenho sido um primo bacana com você e ultimamente tenho agido pior, mas...É que é difícil se acostumar (ele aponta pra cadeira) com essa nova vida, entende?
RAÍZA: Isso quer dizer...?
JOÃO: Eu acredito na sua inocência. (pausa) Você não teria coragem de matar ninguém, ainda mais alguém da família (close em Raíza que desvia o olhar) Não é?
Close na expressão dela paralisada.
RAÍZA: É.
A cena fecha no rosto assentido de João.
= = Passagem de Tempo = =
CORTA PARA
CENA 10 FACHADA - DELEGACIA [TARDE]
DELEGADO (O.S): Você tá me dizendo que perdeu o recibo?
Corta para o interior
Raíza, sentada ao lado de Diana mostra-se tensa diante da pergunta instigante do delegado Queiroz.

RAÍZA (meio sem jeito): Ahn...Sim, mas...Eu juro que...

DELEGADO: Parece que método não é uma de suas qualidades, Raíza. Sem o recibo não dá pra confirmar que você fez a encomenda na casa de dona Diana aqui presente.

DIANA: Ela perdeu o recibo, porque não existe recibo algum.

Raíza, nervosa, a ignora.

RAÍZA: Seu delegado deve haver alguma testemunha. Investigue, pergunte aos vizinhos dela, tem que haver um jeito.

Diana se mostra chateada.

DELEGADO: Raíza, recentemente você esteve internada por causa de alguns alucinógenos...

RAÍZA: Ah não, não acredito nisso...O senhor não vai querer usar aquele atentado contra mim pra me acusar não, né?

DELEGADO: Calma, eu não quero te acusar de nada que você não tenha feito, mas (pausa / incita) problema de relacionamento com parentes é muito comum. Talvez você esteja um pouco confusa e não se lembre dos fatos, mas se você me ajudar eu poderei te ajudar também.

RAÍZA (começa a se revoltar): Como é que é? Então essa é a estratégia? Me pressionar pra confessar uma coisa que não fiz, pra te poupar de continuar a investigação?

DELEGADO (engrossa): Por um acaso você está me desacatando? (Raíza se mantém irada e nada responde / ele modera) Escuta, menina. Não seria a primeira vez que você se vê envolvida numa tragédia com um primo seu, mas...Talvez o fato de Joana ser irmã de João Batista tenha pesado demais.

Baque. Raíza faz que não entende.

RAÍZA: Quê? Do que o senhor tá falando?

DELEGADO: Do acidente de seu primo há alguns meses. Acidente esse que o deixou numa cadeira de rodas. Só que com a irmã dele foi mais grave.

RAÍZA (se segurando para não explodir): Eu não tive nada a ver com aquele acidente e menos ainda com a morte de Joana. Será possível, meu Deus?

DELEGADO: É...Você teve boas testemunhas (pausa)...Ah, mas vá, você não é a primeira e nem será a última a ter desavenças com seus parentes, não é?... Eu mesmo tive um primo difícil e vontade de jogá-lo de algum lugar alto, mas (pausa) adivinha? Alguém se encarregou disso antes.

Raíza o encara, fixamente com a raiva estampada no rosto.

RAÍZA (descontrola): Mas que saco! Eu não matei a Joana! Será que dá pro senhor investigar antes de me acusar só porque eu não tenho o recibo?

DELEGADO: Modere o tom, menina. Eu apenas estou fazendo o meu trabalho. Você é a nossa principal suspeita.

RAÍZA (raiva / o enfrenta): Não, eu não sou a principal suspeita; Pro senhor eu sou a única. Tá usando o meu passado pra tentar me jogar na cadeia. O que mais falta? Me acusar de ter jogado seu primo de sei lá da onde?

DELEGADO: Já chega.
O delegado faz sinal para um policial que se aproxima de Raíza.
RAÍZA: Ei, o que vai fazer?
O policial segura em seu braço e há resistência.
RAÍZA (se sacode): ‘Cês’ não podem me prender! Eu não fiz nada!
DELEGADO (firme): Ninguém te ensinou a não desacatar uma autoridade?
Nesse momento, a porta é aberta e um policial adentra seguido de Cael e uma mulher loira bem arrumada.
POLICIAL: Seu delegado, a advogada de Raíza chegou.
Raíza se volta e sorri aliviada ao ver Cael.
A mulher se aproxima da mesa, o delegado se levanta e ela o cumprimenta.
MULHER: Cristiana Delano. O senhor sabe que não pode iniciar um depoimento sem a presença de um advogado?
DELEGADO (cínico): Ela não disse que tinha um.
Cael e Raíza bufam.
CRISTIANA (ignora): Por que vão prender a minha cliente?
DELEGADO: Ela me desacatou. A senhora já deve estar a par de tudo que aconteceu (ela assente). A moça chegou aqui alegando que perdeu o recibo, prova esta que poderia inocentá-la e ficou nervosa por causa de algumas perguntas.
RAÍZA (irada): Perguntas não, acusações.
CRISTIANA: Entrarei com o pedido de hábeas corpus.
Cael toca o rosto de Raíza.
CAEL: Não responda mais nenhuma pergunta que lhe fizerem e mantenha a calma. Vamos tirar você daqui.
Raíza assente.
DELEGADO (para o policial): Pode levá-la.
Raíza é levada olhando para Cael com um semblante triste.
Close na expressão arrasada dele.
= = Passagem de Tempo = =
CORTA PARA
CENA 11 FACHADA - ED. CIRANDA DE PEDRA [TARDE]
A câmera desce, vemos um carro de polícia parado e dois investigadores remexendo o lixo.
INVESTIGADOR 1: Isso que chamo de trabalho sujo.
INVESTIGADOR 2: Só espero que a denúncia esteja certa.
O 1º investigador faz uma expressão de que encontrou algo.
INVESTIGADOR 1: Amadores...
Vemos um pote preto nas mãos enluvadas dele.
INVESTIGADOR 2: Vamos levar pra análise.
Eles entram no carro e assim que partem a câmera permanece na direção do muro. Cipriano anda até a portaria de olhar calmo.
A cena se fecha num baque.

FADE IN
CENA 12 FACHADA – DELEGACIA [FIM DE TARDE]
Corta para o interior de uma sala reservada.
Cipriano está sentado de frente para Raíza que se aproxima dele para que ninguém os ouça.
RAÍZA: Que história é essa de Joana ser a irmã do João?
Cipriano finge surpresa.
CIPRIANO: Nossa! Eu não sabia disso. Quem te contou?
RAÍZA: O delegado. Será que a Joana morreu sabendo disso?
CIPRIANO: Vai saber, não? Mas isso não é o mais importante. (ele verifica se ninguém está olhando) Raíza encontraram monóxido de carbono na lixeira do prédio. O mesmo que causou a morte daquelas pessoas.
Raíza se mostra em choque.
Cipriano verifica novamente se o policial não está atento, apoia os braços sobre a mesa e faz segredo.
CIPRIANO: Soube que foi denúncia.
RAÍZA (murmura): Não pode ser...
CIPRIANO: Você não tocou nesse pote, não né?
Raíza, ainda em choque, cambaleia e senta, desolada.
RAÍZA: Não acredito que caí nessa, meu Deus (pausa) Maldito João...(se enerva) Eu devia ter desconfiado, eu devia!
Cipriano segura suas mãos para acalmá-la.
CIPRIANO (murmura): Se encontrarem suas digitais, você não sai mais daqui.
Raíza põe as mãos na boca, aflita.
RAÍZA: Tô ferrada...O que vou fazer?
CIPRIANO (murmura): Você sabe o que tem que fazer. (os dois se encaram) Fuja. Você sabe que pode.
RAÍZA (murmura): Tá maluco? Aí eu estarei assinando atestado de culpa.
CIPRIANO: Você pode ganhar tempo e descobrir quem é o assassino e provar que seu primo quis jogar a culpa em cima de você. Pode ter sido ele pra te incriminar, já pensou nisso?
Raíza começa a se desesperar, mas controla-se.
RAÍZA: Meu primo...Não vai ter advogado no mundo que vai conseguir provar a minha inocência...
CIPRIANO (murmura): Você só tem uma chance...
CORTA PARA
= = Passagem de Tempo = =
CENA 13 DELEGACIA [NOITE]
Cristiana, Cael, Bruno e Josué estão na sala de frente para o delegado. Ela está estendendo um documento para ele.
CRISTIANA: Aqui está o habeas corpus. Quero minha cliente livre até amanhã.
O delegado pega, faz uma expressão de dúvida e até de deboche.
DELEGADO: Creio que não será muito útil...A sua cliente está muito mais encrencada do que vocês imaginam.
CAEL: O que aconteceu?
DELEGADO: Recebemos uma denúncia de que ela teria jogado um pote de monóxido de carbono na lixeira, o mesmo usado para matar os seis jovens na festa e...Encontramos não só o pote, mas as digitais dela também.
BRUNO (surpreso): Eu nunca a vi com esse produto, isso é um completo absurdo.
CAEL: Calma, Bruno. Deve tá havendo algum engano.
DELEGADO: Não há engano. Há provas contundentes. Se Raíza não souber explicar o que fazia com um pote desse tipo, ela permanecerá presa.
Nesse instante, a porta é aberta e o policial Diego adentra seguido por Ângela.
POLICIAL DIEGO: Seu delegado, a dona Ângela, mãe de uma das vítimas, quer falar com o senhor.
Ângela vai até a mesa, cumprimenta os presentes e se dirige ao delegado.
ÂNGELA: Eu vim pra dizer que...Que eu era o principal alvo desses crimes.
Todos se surpreendem.
DELEGADO: Continue.
ÂNGELA: Quem fez isso não pensou nas vidas inocentes. Queria me atingir de qualquer maneira.
CRISTIANA: A senhora tem um suspeito?
ÂNGELA: Tenho.
Quando se prepara para revelar, um policial adentra a sala, espavorido.
POLICIAL: Seu delegado! A Raíza...
CAEL: O que tem ela?
POLICIAL: Ela fugiu!
O delegado se levanta subitamente.
DELEGADO: Não é possível! Mas como?
Close em Bruno que entreolha Josué nitidamente nervoso.
CORTA PARA
CENA 14 ED. CIRANDA DE PEDRA – QUINTAL [NOITE]
A câmera desce dando um close na grama. Imediatamente, a grama se mexe como alguém a correr sobre ela.
Corta para o APTº 403 – sala
Ari e João estão assistindo ao noticiário. Tensão no ar.
A cadeira de João é empurrada para frente por alguém invisível, ele bate a cabeça na mesa central e cai no chão. Ari se levanta desesperada e tenta ajudá-lo.
Raíza aparece para eles com o ódio estampado no rosto.
RAÍZA: Você me traiu! E eu que pensei que 'cê' realmente queria me ajudar.
ARI: O que tá havendo, Raíza? Você não tava presa?
JOÃO (mão na testa, aparenta dor): Tá claro que ela fugiu da prisão e tô vendo como.
Raíza tira a cadeira do caminho, pega João pelos ombros e o vira violentamente.
RAÍZA (irada): Você me entregou aquele monóxido de carbono e me fez deixar minhas digitais lá. Depois me denunciou à polícia. Que espécie de primo é esse que tenho?
JOÃO: O mesmo que você tentou matar naquele viaduto?
Clima.
Raíza se dá conta que ele nunca esqueceu do que aconteceu naquele dia fatídico.
RAÍZA: Tô admirada que não tenha me denunciado.
JOÃO (cara de esperto): E perder a oportunidade de te ver condenada por 6 mortes? (pausa / olho no olho) Eu acho que nem se eu fosse vidente daria tanta sorte.
Raíza lhe acerta um tapa.
RAÍZA (perversa): E que tal se eu brincasse de vidente e dissesse que daqui a 20 minutos você estará nos noticiários?
Ela o levanta e Ari a ajuda a colocá-lo na cadeira.
ARI: Por favor, Raíza o que vai fazer?
RAÍZA: Vamos dar uma voltinha...
A garota empurra a cadeira de frente e olhando fixo para João.
ARI: Pelo amor de Deus, Raíza! Pensa no seu pai.
RAÍZA: Eu penso sempre. Tá na hora d’eu pensar em mim.
Quando ela alcança a entrada do corredor para os quartos, ouvimos passos rápidos pela escada. Raíza para, vira o rosto para trás. Close nela que pressente o perigo.
RAÍZA: Droga!
João abre os braços e se firma para impedir sua passagem.
JOÃO: Deve ser a polícia. Daqui você não passa.
Raíza atravessa a sala correndo, a porta é aberta e a polícia entra seguida por Ângela, Bruno e Josué.
POLICIAL DIEGO: Parada, senão atiro!
Raíza adentra a cozinha...
BRUNO: Não atira, por favor!
...Ela esbarra num prato vazio que cai e se quebra. A polícia a segue. Ela vai à direção da janela à esquerda, abre, mas não há tempo de pular; A polícia atira, atinge o vidro da janela assustando a garota.
Corta para o lado de fora.
Raíza despenca da janela, bate contra um toldo da cozinha de baixo, rola e vai de encontro ao chão sob os GRITOS do pai lá do alto.
Raíza cai de frente apoiando as mãos sobre o chão e com o rosto virado para a câmera.
Close em seu rosto assustado. A câmera adentra seus olhos e, num efeito digital, todas as cenas anteriores retrocedem rapidamente, até que a câmera se afasta de seus olhos de forma bruta.
BRUNO (O.S): Raíza! O que aconteceu aí, menina?
A câmera se distancia e vemos que ela está no chão da cozinha diante de um prato quebrado. Ela se levanta, aturdida, vê o recibo dos doces sobre a mesa.
RAÍZA: A polícia!
Ela vai até a...
SALA
E encontra seu pai sentado, Josué lendo uma revista e João com cara de sonso. Ari aparece do corredor e estranha a cara de preocupada da amiga.
ARI: Raíza, ainda não foi buscar os doces?
Raíza faz que não entende.
ARI: A festa. O aniversário de Joana, esqueceu?
Raíza empalidece. Dá alguns passos, olha para a porta. Nada de polícia.
JOSUÉ: Pelo jeito fez alguma arte na cozinha pra tá com essa cara.
ARI (ignora): Então, Raíza? Vamos buscar os doces e ir direto pra lá ou...
RAÍZA (murmura pra si/ voz quase não sai): Meu Deus...Tudo aquilo...
JOSUÉ: Algum problema, Raíza? Será que eu é que vou ter que pegar esses benditos doces com a Ari?
Raíza demonstra raiva, mas se contém.
RAÍZA (ainda meio absorta): Não. Imagina te dar esse trabalho.
Ari e Bruno não entendem sua estranha expressão.
FADE OUT
FADE IN
CENA 15 RUAS DA CIDADE [NOITE]
ÂNGULO ALTO

Câmera mostra Ari e Raíza à distância carregando as bandejas forradas.
À medida que elas caminham, a câmera se aproxima.
RAÍZA: Eu não sei como ainda tenho estômago pra dirigir a palavra ao meu tio.
ARI: Ah, Raíza você fala de um jeito como se ele fosse seu inimigo. Vocês só não se dão bem, só isso.
RAÍZA: Ah! Não vamos repetir essa cena, por Deus! (pausa) Já não basta tudo que vivi (ela e Ari se encaram) No futuro...
ARI: Isso foi muito tenso. Joana morta envenenada e você presa. E ainda me foge da polícia!
RAÍZA: E como se isso não fosse o pior, tinha a idiota aqui confiando no João que me traiu na cara dura. (balança a cabeça negativamente) Ah, se a polícia não tivesse chegado na hora, nem sei o que eu teria feito.
ARI: E o que você faria se tudo isso viesse acontecer mesmo? Teria coragem de jogar seu primo pela janela com cadeira e tudo na mesma hora em que ele tentasse te enganar?
Raíza pensa um pouco, mas desiste.
RAÍZA: Ah, Ari, não me tente.
ARI (faz graça): Quem está tentando é você com esses doces que você fez em cima da hora. ‘Tu’ nunca foi uma boa cozinheira, né?
As duas riem.
Um cachorro se aproxima e Raíza percebe.
RAÍZA: Ari, não se apavore, mas tem um cachorro na sua cola...
ARI (segura o espanto): Ai, Jesus... É nessa hora que eu gritava?
RAÍZA: Calma que eu tô no esquema.
Enquanto Ari vai escorando em Raíza, esta pega um doce que está na beirada da bandeja e joga pro cachorro. Ele come vorazmente e logo as garotas apressam o passo.
Ouvimos suas vozes ao longe.
RAÍZA: Espero que ele não tenha uma indigestão...
Ari ri.
Enquanto falavam, close na cara do cachorro que acaba de comer o doce.
Suspense.
= = Passagem de Tempo = =
CENA 16 CASA DA ÂNGELA – QUINTAL [NOITE]
Ouvimos tocar a música “Single Ladies – Beyoncé”.
Câmera de cima mostra algumas pessoas, casais, mesa com doces, salgadinhos e refrigerantes.
Corte rápido para no meio das pessoas, entre elas estão Ari e Raíza sem as bandejas conversando com Joana.
JOANA (feliz): Obrigada por ajudarem. Minha mãe não ia dar conta.
RAÍZA: É pra isso que servem as primas e (olha para Ari) as amigas.
Elas riem.
JOANA: E o João? Não vem?
RAÍZA: Aquele lá? (Ari discretamente a cutuca) Bem...Sim...Meu tio não estava a fim de vir então a gente vai voltar pra buscá-lo.
ARI: Não sai daí, hen.
Joana ri.
JOANA: Não tenho outro lugar pra ir mesmo.
Raíza dá uma olhada ao léu lembrando de já ter escutado aquilo. Ari e Raíza saem.
= = Passagem de Tempo = =
Ari e Raíza conversam animadamente quando param e veem algo sem entender. Câmera distancia e abaixa revelando o tal cachorro todo esticado no chão. Há alguns curiosos no local, alguns reprovando aquela cena, outros compadecidos.
Raíza se aproxima, temerosa.
RAÍZA: Gente, o que aconteceu aqui? Ele tá...Morto?
RAPAZ: Sim...Tão dizendo que foi envenenado. Que maldade fazem com o bicho, né?
Raíza engole a saliva, aflita. Olha para Ari que entende de imediato o que poderia ter causado a morte.
RAÍZA: Não pode ser...
= = Music ON – Suspense = =
As duas saem correndo voltando para a casa de Joana.
Corte rápido
As duas alcançam a calçada, ouvimos ainda a música tocar e alguns jovens próximos ao muro, conversando.
Raíza passa por eles derrubando seus copos e causando estranhamento. Ari segue atrás.

Não há nada de errado acontecendo.
[POV de Raíza]
Um rapaz se aproxima do tabuleiro de doces. Tensão.
[efeito câmera lenta]
Raíza corre, o rapaz está preste a pegar o doce e Raíza salta sobre a mesa derrubando algumas bandejas e refrigerantes.
[fim do efeito]
Espanto geral.
Pelo ponto de vista dela, todos a encaram curiosos, e entre eles surge Joana sem entender o ataque.
JOANA: O que te deu, mulher?
Raíza olha para todos os lados, sem graça.
FADE TO BLACK
FADE IN
Legenda: Três dias depois...
CENA 17 FACHADA – ED. CIRANDA DE PEDRA [MANHÃ]
Corta para o APTº 403 – SALA
Diante de Josué, João, Ari e Cael, Bruno entrega dois envelopes brancos a Raíza.
BRUNO: Saiu o resultado da análise que você mandou fazer nos doces. Tanto os da dona Diana, tanto os seus.
Raíza pega sob o olhar apreensivo de todos. Abre os dois de uma vez e retira os papeis. Sua expressão de espera angustiante se mostra frustrada.
JOSUÉ: Então, Raíza? O que deu?
RAÍZA: Não dá pra acreditar nisso. Deu negativo.
Josué se mostra aliviado, João, frustrado e Ari estranha o resultado. Bruno abraça a filha.
BRUNO: Pelo menos ninguém quis tentar contra a vida de ninguém naquela festa.
RAÍZA (pensativa): Ou não tiveram tempo...
Ninguém entende.
RAÍZA: O cachorro morreu logo depois de comer o doce. Eu pensei que...
JOSUÉ (indignado): Foi você quem fez os doces, Raíza. Você colocaria veneno em algum deles? O cachorro já devia estar passando mal, pensa bem, pelo amor de Deus!
Raíza fecha a cara e guarda os papeis nos envelopes rapidamente.
RAÍZA: Deixa pra lá...(ela se dirige a Cael) Você tem que viajar, né? Não quero te prender aqui.
Cael a beija na boca e Bruno pigarreia pra disfarçar. Cael e Raíza riem.
CORTA PARA
CENA 18 CALÇADA – ED. CIRANDA DE PEDRA [MANHÃ]
Cael, com as malas na calçada está abraçado a Raíza próximo a seu carro.
CAEL: Você devia escrever um livro. Tem muita imaginação.
RAÍZA: Tá falando isso pelo meu ataque de investigadora criminal?
CAEL (sorri): Sim, mas até que você fica bonitinha de Sara Sidle.
RAÍZA: Prefiro Stella Bonasera.
Os dois riem e se beijam.
Ele pega as malas, guarda nos porta-malas e a fecha. Entra no carro e assim que fecha a porta, Raíza se aproxima da janela.
RAÍZA: Vai, antes que você perca o voo 747.
CAEL (estranha): Como é que...?(ele entende, fazendo graça) Ok, Sara Sidle (ele ri e acelera).
Raíza pensa em corrigi-lo, mas desiste e ri ao vê-lo partir.
Ari caminha por trás dela e vemos as duas olhando a direção pra onde vai o carro.
ARI: Seria bom se ele também soubesse, né?
Raíza olha para ela e não faz nem que sim nem que não.
ARI: O que eu não entendo é por que você achou que os doces estavam envenenados se foi você mesma quem fez?
RAÍZA: Por que a gente tem a mania de achar que o perigo tá sempre aqui fora...
ARI: Isso quer dizer...?
Raíza a encara.
RAÍZA: Que eu, mais do que ninguém devia saber que não...
Ari faz que entende.
= = Music On – Suspense = =
= = Music Off = =
FADE OUT
FADE IN
= = Passagem de Tempo = =
CENA 19 CASA DE ÂNGELA [INT./MANHÃ]
A cena mostra a sala mobiliada por móveis pretos, tapetes vermelhos e eletrônicos modernos.
ÂNGELA (O.S): Você ligou pra ter certeza se eu acreditei naquela história, isso sim, até parece que você ficou preocupado com a festa de Joana (pausa).
A câmera atravessa o corredor e a voz se torna mais forte.
ÂNGELA (O.S): Ela me parece bem ciente do que faz e eu não espantaria se o alvo daquela história fosse eu... (pausa / A câmera atravessa a porta e vemos Ângela de costas) Pra quem já teve coragem de deixar o irmão pagar pelo o que nem fez...
Ouvimos alguém bater na porta.
ÂNGELA: Tenho que desligar. (ela desliga) Entra!
Joana entra.
JOANA: Falava com quem?
Ângela guarda o celular na bolsa.
ÂNGELA: Um amigo da promotoria...
JOANA: Mãe...O que a senhora realmente acha da Raíza? Às vezes ela parece tão...Tão...
ÂNGELA (completa): Segura do que faz?
JOANA: É. Mas também desconfiada de tudo. Sabe quando sabemos o que vai acontecer, mas não sabemos quando? (A mãe faz que sim) É assim que ela parece ficar o tempo todo.
Ângela a abraça, suspira profundamente e encosta sua cabeça na da filha.
ÂNGELA: Pra sobreviver naquela casa, com certas pessoas, não duvido nada...
Close alterna do rosto de Joana para Ângela.
FUSÃO PARA
CENA 20 FACHADA – ED. CIRANDA DE PEDRA [MANHÃ]
A câmera desce. Raíza e Cipriano estão sentados na calçada e a conversa já está iniciada.
CIPRIANO: Você realmente achou que alguém fosse morrer naquela festa, hen. Você anda acreditando demais em sonho, não?
RAÍZA: Acho que passei a ter mais fé depois daquele sonho com a Ari. Acabou que eu paguei o maior mico.
Os dois riem.
RAÍZA: Mas sabe...Nesse sonho eu ia presa pelo crime e...Você foi me visitar para me dar um conselho...
Cipriano finge curiosidade.
CIPRIANO: E o que eu aconselhei?
Raíza pensa um pouco.
RAÍZA: E o que mais você poderia ter aconselhado?
Cipriano não move uma ruga para pensar em responder.
RAÍZA (mente): A ter paciência, que a verdade ia aparecer.
CIPRIANO: Pelo menos, nesse sonho, alguma coisa foi verdade.
Raíza meneia a cabeça e sorri.
Ela levanta, câmera focaliza Cipriano, enquanto Raíza dá as costas e segue para o interior do prédio.
Cipriano sorri esperto.
FUSÃO PARA
CENA 21 APTº 403 – SALA [INT.]
[efeito câmera lenta]
Raíza acaba de fechar a porta, caminha pensativa.
RAÍZA (off): Pode ser que eu acredite demais nos meus sonhos. (ela se aproxima do corredor) O envenenamento não ocorreu assim como o Cipriano não me daria o conselho de fugir da prisão.
Ela para, escora na parede e olha discretamente para o quarto de João. Ele está conversando com Josué coisas que não escutamos.
RAÍZA (Cont./off): Mas não era um sonho...
A cena focaliza João e Josué distraídos.
FADE TO BLACK
[fim do efeito]
= FIM DO EPISÓDIO =


Série escrita por:
Cristina Ravela
Elenco:
Raíza (Maria Flor)
João Batista (Caio Blat)
Bruno (Juan Alba)
Josué (Caco Ciocler)
Cael (Michael Rosenbaum)
Marco (Pierre Kiwitt)
Valentina (Alinne Moraes)
Rafaela (Fernanda Vasconcellos)
Ari (Nathália Dill)
Dcr (Aaron Ashmore)
Cipriano (Thiago Rodrigues)

Participação Especial:

Diana (Ana Cecília Costa)
Diego (Jorge Pontual)
Joana (Monique Alfradique)
Ângela (Vera Zimmerman)
Cristiana (Viétia Zangrandi)
Delegado Queiroz (Walter Breda)

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