0:00 min       RAÍZA 2ª TEMPORADA     SÉRIE
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WEBTVPLAY APRESENTA
RAÍZA 2


Série de
Cristina Ravela

Episódio 04 de 23
"Vingança"



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FADE IN
CENA 1 RUAS DA CIDADE DO RIO DE JANEIRO [NOITE]
Vista aérea da cidade iluminada.
CORTA PARA
ESTACIONAMENTO [INT.]
Há muitos carros e a câmera anda para perto de uma parede enquanto ouvimos vozes.
RAFAELA (O.S): Você não me chamou aqui pra dizer que tá com medo da reação do Cael não, tá?
MARCO (O.S): Você está muito petulante, menina (a câmera, ao virar, focaliza as costas de Rafaela de frente para Marco) Você está na faculdade que queria, faz estágio, tem dinheiro, o que mais você quer?
RAFAELA (firme): O meu sossego (Marco sorri debochado) Você sabe o que é ter que fazer as coisas para não perder outra? Sabe? Eu tenho que fingir pro meu tio que fala pra minha mãe que tô bem, mas eu não tô. Eu quase morri e você age como se eu fosse um objeto.
Marco escora na parede, mãos nos bolsos, olhar calmo.
MARCO: Eu tinha me esquecido que foi o seu sentimentalismo que te levou a fechar a matrícula...(sorri cínico). Você pensa que sou seu inimigo, mas Valentina pode ser muito pior do que eu quando quer. Ela não vai aceitar perder o Cael por sua culpa.
RAFAELA: Eu ainda tô fazendo um favor a ele ou você acha que ele tá com ela por amor, hen? (Marco fecha a cara / se incomoda) Ele a atura por piedade e o que eu fiz vai até ajudá-lo a ficar logo com a Raíza que é isso que ele quer.
Marco a pega pelos ombros e a sacode.
MARCO (raiva): Você não entregou aquelas fotos nem aquele vídeo para ajudar sua amiga, você queria que o Cael acabasse comigo, ou você acha que nasci ontem?
RAFAELA (tenta soltar as mãos dele / irônica): Esse nervosismo todo é pelo que falei? Olha que todos vão começar a desconfiar, hen?
Marco a empurra contra o capô de um carro.
A nossa visão muda para o interior de um carro mais atrás. Mãos femininas seguram firme o volante e pelo ponto de vista vemos Marco e Rafaela discutindo, mas não ouvimos a discussão. Pelo retrovisor podemos perceber que se trata de uma mulher, cabelos pretos com franja, óculos escuros.
Rafaela empurra Marco e o deixa falando sozinho. À medida que vai andando, o carro é ligado e passa a segui-la. Marco observa.
Close na marcha do carro sendo puxada.

O carro acelera, trilha incidental de suspense. O som do carro se aproximando faz Rafaela olhar para trás, o farol acende na sua cara que, assustada não consegue se desviar. Tensão.
A câmera move-se para trás rapidamente e vemos o impacto da batida. Rafaela rola pelo capô, voa por cima do carro e cai na nossa frente inconsciente. Sua testa sangra.
Music fade
A tela se fecha num baque.


2x04

VINGANÇA


FADE IN
CENA 2 FACHADA - ED. CIRANDA DE PEDRA [MANHÃ]
= = Legenda: Algumas horas antes = =
Ouvimos a campainha soar.
Corta para o interior do APTº 403 [INT.]
Alguém abre a porta e Dcr sorri.
DCR: Oi.
Ari tem um sorriso largo e não disfarça um certo contentamento. Ela cumprimenta e o deixa entrar.
ARI: Quer falar com a Raíza? Vou chamá-la...
Dcr a impede, meio constrangido.
DCR: Ah, não...Eu...Eu vim saber se...Se você não quer sair comigo?(ele disfarça) Quero dizer...Você sempre sai com a Raíza, né? Então achei que...
ARI: Tá.
DCR (cara de bobo): Hã? Ah, então...Pode ser hoje no fim da tarde?
Ari se mostra contente.
ARI: Claro, estarei esperando.
Silêncio. Os dois ficam sem jeito, um olhando para o outro.
ARI: Você quer tomar café? O seu Bruno acabou de...
DCR: Ah, não obrigado. Tenho que ir agora.
Dcr anda de costas, bate de contra a porta e os dois riem. Ele abre e Ari vai até ele.
DCR: Ahn...Tchau...
Ari sorri e fecha, João aparece ao fundo, sério.
JOÃO: Você vai sair sem pedir permissão ao Bruno?
Ari se volta sobressaltada.
ARI: Ai, João! Que susto! (pausa) O seu Bruno conhece o Dcr, a família dele...Não acho que...
JOÃO: Como eu pensei. (pausa) Ari, você não tá presa (ele bate as mãos na cadeira de rodas) entende? Não tem que pedir permissão pra sair.
Ele sai balançando a cabeça negativamente. Close no rosto de Ari que se mostra envergonhada.
CORTA PARA
CENA 3 APTº 403 – COZINHA [INT.]
Uma xícara de café é levada até a boca e vemos se tratar de Bruno.
BRUNO (acaba de dar um gole): Quer dizer que o Dcr te convidou pra sair? Eu sempre soube que ele tinha uma queda por você.
Ari, sentada, ri envergonhada.
ARI: Ai seu Bruno, foi só um convite.
RAÍZA: É só um encontro (sorri).
João toma o café com os olhos pregados em Ari e de cara feia.
JOSUÉ: Que bom, né? Pelo menos vai sair da aba da Raíza.
Ari sorri sem jeito com o comentário e observa João que a encara como a dizer “Viu? Você precisa da permissão deles pra sair”.
RAÍZA: A Ari não tá na minha aba, tio. Ela sai pra onde quiser.
JOÃO: Depois que espalhar pra todo mundo pra onde vai.
Clima.
BRUNO: Não há mal nenhum em dizer pra onde vai. É questão de preocupação e não de privação.
JOÃO: Bom, no meu caso deve ser os dois (sorri cínico).
Todos se entreolham. Ari abaixa a cabeça.
CORTA PARA
CENA 4 FACHADA - MANSÃO DE CAEL [MANHÃ]
Corta para o interior do escritório.
Close num mouse sendo clicado. A câmera sobe, focaliza a tela do laptop. Há uma lista de e-mails e alguns não lidos. Um dos destinatários se identifica como “Amigo”. Clica.
Aparecem fotos antigas de Marco e Valentina aos beijos, as mesmas fotos que um dia João tirou. Abaixo há um vídeo que logo é carregado.
Vemos Valentina e Marco aos beijos num canto da boate L.A House. A câmera revela Cael, estarrecido com o que assiste.
VALENTINA (O.S): Oi amor. Que cara é essa?
Cael a olha estranhamente. Valentina, com um tubinho preto e botas da mesma cor, está encostada ao batente da porta.
CAEL (debochado): A cara que meus pais me deram.
Valentina ri sem entender.
CAEL: Mas que bom que você chegou. Preciso te perguntar uma coisa.
VALENTINA: Pergunte.
CAEL: (joga o verde) Há quanto tempo está me traindo?
Valentina se mostra incrédula e disfarça a tensão.
VALENTINA: O quê? Que brincadeira é essa? O que tá acontecendo?
CAEL (se levanta): O que tá acontecendo é que abri os olhos, Valentina. Fiz papel de trouxa dentro da minha própria casa!
Valentina se aproxima apressada.
VALENTINA: Quem inventou essa calúnia? Foi o Marco, não foi? Você não devia acreditar em tudo que...
Ela para de falar ao ver suas fotos no laptop. Ela fica sem reação por instantes.
CAEL (faz cara de quem a pegou): Eu nem citei o nome dele...
Close na expressão dela de assustada.
= = Passagem de Tempo = =
A câmera está atrás de Cael que de frente para a escada, observa Valentina descer por ela com duas malas. Ao chegar perto dele, Cael arranca sua mala com força e a coloca em cima de uma mesa por trás do sofá. Ele a abre sob o olhar surpreso da ex-namorada.
VALENTINA: Isso é humilhante! Eu não peguei nada que não fosse meu!
Cael, mexendo na mala.
CAEL: Eu fui traído pelo meu irmão duas vezes. Mais humilhado do que eu você não foi.
VALENTINA (exaltada): Aquilo é montagem, Cael! Você sabe como tem gente invejosa nesse mundo (pausa) A Raíza é uma delas!
Cael segura um porta-jóia e encara Valentina. Ele abre e vemos um lindo colar.
CAEL: Essa jóia era da minha mãe e ela fez questão que eu te desse quando completamos 2 anos de namoro. (ele fecha o porta-jóia e joga no sofá) Você não a merece.
Valentina está pasma.
VALENTINA (tom agressivo / quase chorando): Você quer acreditar que eu te traí porque você quer ficar com a Raíza, não é? Isso foi só uma desculpa, você nem se dá o trabalho de investigar quem te mandou, se é montagem...Você só quer se livrar de mim...
Cael a segura pelo braço para ela parar de falar.
CAEL: Para de bancar a vítima! Você sabe que não tem montagem nenhuma naquilo! E ainda achou que foi o Marco quem te denunciou. Acha mesmo que ele ia querer nos separar? Pra quê? Ele não ia querer algo sério contigo.
VALENTINA: Isso por que você não tá com ela...
Cael lhe dá uma olhada daquelas. Revira a mala e encontra outra jóia. Valentina, com raiva no olhar e lágrimas de frustração tenta impedir que ele tire da mala, mas ele joga no sofá.
CAEL: São jóias de família. Você não levará nenhuma.
Ele fecha as malas, entrega a ela e faz um sinal para ela se retirar.
Valentina mantém a expressão de raiva contida, maquiagem se borrando pelas lágrimas e trinca os dentes. Ela sai.
A tela se fecha no rosto aliviado de Cael.
FADE OUT
FADE IN
CENA 5 FACHADA – ED. CIRANDA DE PEDRA [MANHÃ]
Corta para o interior do APTº 403 – SALA [INT.]
Josué surge do corredor e logo em seguida João Batista vem atrás com olhar estranho para alguém fora da tela.
JOSUÉ: Bom, eu tenho que ir agora...
A câmera revela Valentina que levanta do sofá, retira os óculos escuros e sorri para os dois.
VALENTINA: Eu não vou me demorar.
JOSUÉ: Não se preocupe. (Se dirige a João) A Rafaela já deve tá chegando, tá?...Tchau pra vocês e tenham um bom dia.
Valentina o espera sair e assim que ele o faz encara João seriamente.
JOÃO (insosso): O que você quer?
VALENTINA (cara de poucos amigos): Saber como você está. Como anda sua vida depois do...(ela olha com desdém para as suas pernas) acontecido?
JOÃO: Ótima, como você pode ver.
VALENTINA: Fiquei sabendo que a Rafaela é sua fisioterapeuta. Bom saber que está entre amigos.
JOÃO: Você veio aqui pra tricotar?
Valentina sorri forçadamente e vai se aproximando.
VALENTINA: O que fez com aquelas fotos que você tirou de mim e do Marco?
JOÃO: Fotos? (sonso) Que fotos?
VALENTINA: Ah, eu tinha esquecido que sua memória foi afetada no acidente.
JOÃO: Nem tanto...Ainda dá pra lembrar de como você se divide entre dois caras.
Valentina avança, se apoia em sua cadeira e o empurra contra a parede ao lado da rack. João faz cara de falso susto.
VALENTINA (raiva): Foi você que mandou aquelas fotos e o vídeo pro Cael, não foi? FALA!
JOÃO (interrompe): Tem vídeo também? Nossa, mas como você é descuidada.
Valentina bate com a cadeira na parede e João sorri debochado.
VALENTINA (irritada): Foi a Raíza que mandou você fazer isso, não foi?
João junta as mãos sobre o colo numa expressão de calma irritante. Faz cara dramática e a olha, penalizado.
JOÃO: O Cael te deu um passa fora, né?
Valentina se ergue e o encara de forma medonha. Não gostou do que ouviu.
VALENTINA: Foi ela, não foi?
JOÃO: Ela já teve tempo o suficiente pra conquistá-lo. Acho que ela não tá mais preocupada com isso.
Valentina bate sua cadeira contra a parede novamente.
VALENTINA: E quem mais teria interesse nisso, hen?
Ouvimos tocar a campainha.
João faz um gesto como quem diz “dá licença?”.
João vai até a porta, abre e Rafaela vai entrando.
RAFAELA: Desculpa o atraso, mas é que...
Ela estranha a presença de Valentina que a encara com imponência.
VALENTINA (sorriso falso): Olá. Como vai doutora?
Rafaela não entende o que ela faz ali e sorri disfarçando a tensão. João ainda mantém a porta aberta e Raíza adentra estranhando a cena também.
RAÍZA: O que tá havendo aqui?
Valentina pega a bolsa sobre o sofá, põe os óculos e sorri.
JOÃO: Mas que falta de educação a de vocês. Cumprimentem-se. O que Valentina vai pensar de nós?
RAÍZA: Ela me parece com pressa...
Tão logo ela acaba de falar, Valentina estende a mão. Rafaela entreolha João e Raíza que, aceita o cumprimento. Num efeito digital, a câmera paralisa nas mãos delas, adentra em flashes e vemos uma cena ocorrer.
VISÃO DE RAÍZA:
Pelo ponto de vista, vemos um lugar cheio de carros e nossa câmera se movimenta como a estar dentro de um carro. Adiante há uma garota de costas. De repente, Ari entra no nosso campo de visão, faz que vai empurrar a garota, olha para a câmera e no momento que haveria a batida...
FIM DA VISÃO
Valentina larga a mão dela deixando Raíza meio tonta com o que viu. Valentina encara Rafaela, cumprimenta com a mão e sai.
Close no rosto de Raíza preocupada.
CORTA PARA
CENA 6 ED. CIRANDA DE PEDRA [EXT.]
Valentina sai irritada, resmungando e limpando a mão no vestido.
VALENTINA: Gentinha estúpida, sem futuro...

Abre a porta do carro, entra e bate com a porta. Abre a bolsa, apanha o celular e disca.
VALENTINA: Alô? (pausa) Preciso de sua ajuda (pausa / revira os olhos) Não esse tipo de ajuda seu pervertido... Quero o que me pertence...(cara de ódio).
CORTA PARA
CENA 7 MANSÃO DE CAEL – ESCRITÓRIO [INT./MANHÃ]
Uma garrafa de uísque entornando num copo preenche a tela. A mão de alguém suspende o copo e Cael, em pé, toma um gole enquanto analisa um papel. Em segundo plano, vemos uma sombra passar no corredor. Cael olha abismado, mas não dá importância. Em seguida, ouve-se um barulho.
CAEL: Lara?
Não obtendo resposta, Cael larga o uísque e o papel na mesa e vai até a porta. Close em suas costas. Ouvimos o som de uma arma sendo engatilhada. Cael se vira cuidadosamente e vê um homem mascarado apontando-lhe a arma.
HOMEM: Me leve até seu cofre.
Close no rosto assustado de Cael.
= = Passagem de tempo = =
QUARTO [INT.]
Cael é empurrado para dentro do quarto. O homem se mostra impaciente e faz movimentos com a arma para ele ser mais rápido. Cael vai devagar até a parede ao lado da cama onde há um quadro. Ele retira o quadro devagar, revelando o cofre e, de repente se volta bruscamente acertando o mascarado.
Cael corre e sai do quarto.

= = Music On – Ação = =
Cael corre pelos corredores, desce as escadas e no fim dela outro homem surge pela esquerda e o segura pelos ombros. A câmera os mostra de frente, enquadrando-os do piso, os dois se desequilibram e se jogam no chão. Há uma luta. Cael recebe socos, mas consegue se levantar, pega uma garrafa e acerta na cabeça do sujeito. Outros dois homens surgem apontando a arma. O 1º homem desce a escada, apressado e dá uma ordem para os outros com a cabeça.
Os outros seguram Cael, o 1º homem aponta a arma para sua testa.
HOMEM: Não tirei o dia pra ficar brincando com você. Diz logo a senha.
Cael resiste.
O cano da arma marca sua testa.
CAEL: Quem mandou vocês aqui?
HOMEM: Sua tataravó, que descanse em paz. Agora diz logo a senha por que se não, além de você ir se encontrar com ela, todos que estão a sua volta também partirão.
Cael ainda reluta, mas desiste.
CAEL: 041219.
O homem parece satisfeito, de repente lhe acerta com o cano em sua cabeça. Cael cai no chão com sangue escorrendo pela testa.
= = Music Fade = =
CORTA PARA
Dois DVD’s são entregues a alguém. A câmera revela Valentina recebendo com ar de satisfação. O lugar parece um galpão abandonado.
VALENTINA: Espero que não o tenham machucado muito.
HOMEM: Ele não vai morrer.
Valentina sorri e logo fica séria.
FADE TO BLACK
FADE IN
CENA 8 FACHADA - HOSPITAL CENTRAL [FIM DA MANHÃ]
Ouvimos som de sirenes para depois cortar para o interior do hospital.
QUARTO [INT.]
Lara está diante de Cael, deitado com o rosto marcado e expressão de dor. A cena vai se aproximando.
LARA: Você precisa aumentar a segurança. Sabe-se se Deus se eu estivesse lá. Ou voltar a fazer artes-marciais...
Cael faz que vai dizer algo, mas faz cara de dor. Se recompõe.
CAEL: Não fala besteira! Não sou Jackie Chan pra dar conta de 4 homens.
LARA: Aposto que se fosse o Marco...
CAEL: A senhora não veio aqui pra me atormentar mais não, né?
Lara leva a mão como quem diz “Tá bom, tá bom” e levanta.
LARA: A polícia quis saber se você conseguiria identificar os bandidos.
CAEL (nervoso): Eles estavam mascarados. Não tenho visão de raio-x pra saber, né?
LARA: Calma! Eles levaram algumas jóias, dinheiro...Coisa que você recupera bem rápido. Muito diferente da boate...
CAEL (irônico): Nossa...Que consolador.
LARA: Não é verdade? Ou você perdeu algo mais nesse assalto?
Cael se cala com raiva nítida em sua feição.
CORTA PARA
CENA 9 CAFETERIA [INT.]
Valentina está diante de Marco com ar de deboche. Os dois estão sentados. Na mesa, capuccino para ela e café puro para ele.
MARCO: Você está me dizendo que pediu minha ajuda para surrar o pobre do meu irmão e lhe roubar um DVD?
VALENTINA: Seu senso de humor é brilhante mesmo.
MARCO: Meu erro foi achar que ele não lhe mostraria o cofre. Ele sempre foi cuidadoso.
VALENTINA: E eu curiosa. Mas não se sinta traído, querido. É só você me dar dinheiro e a cabeça de quem mandou aquelas fotos para ele.
Marco toma o gole do café e a olha com ar sagaz.
MARCO: E desde quando eu sou vidente?
VALENTINA: Desde que você não queira se tornar o suspeito número 1 do incêndio na boate...(Marco se recosta na cadeira abismado) É, por que a confissão de Paulo no DVD deixa claro que, se você foi capaz de desviar dinheiro, também seria para chegar a esse ponto.
Marco sorri forçadamente.
CORTA PARA
CENA 10 APTº 303 [INT./FIM DA MANHÃ]
Rafaela olha atenta para seu celular. Em segundo plano, Alberto aparece da porta.
ALBERTO: Pensei que fosse almoçar lá.
Rafaela, assustada, guarda o celular na bolsa. Alberto nota, entra e a observa.
ALBERTO: Ultimamente você anda muito nervosa. O que é?
RAFAELA: Ah...Trabalho, estudo...Essas coisas...
ALBERTO: Isso inclui seu blog, né?
Rafaela para, não sabe o que dizer.
Alberto acaricia seus longos cabelos.
ALBERTO: A sua mãe não pode está aqui sempre e eu quero poder ser, não só teu tio, mas teu amigo também. Você nunca gostou de medicina e tenho quase certeza que você será uma péssima médica.
RAFAELA: Tio!
ALBERTO: Você gosta de jornalismo e daqui a pouco, em vez de escrever receitas no prontuário, você vai estar escrevendo uma matéria.
Rafaela desvia dele, pega sua bolsa.
RAFAELA: Jornalismo não dá mais diploma e meus pais sonham com isso. Não quero decepcioná-los.
ALBERTO: A prova que diploma não vale mais nada...
Rafaela o encara sem saber o que dizer. Sai do quarto deixando Alberto pensativo.
= = Passagem de Tempo = =
CENA 11 APTº 403 [INT./TARDE]
Close na penteadeira onde vemos, dentre vários objetos, porta-retrato de Raíza com os amigos. Um pente é pego e pelo reflexo do espelho, Ari penteia o cabelo, feliz. O reflexo de Raíza, preocupada, surge logo atrás.
ARI (sorri): Oi...(ela se vira) Gostou? Tô experimentando o vestido que vou usar hoje.
Ari está usando vestido longo azul estampado e uma sandália branca. Raíza sorri sem graça.
RAÍZA: Vai matar o coitado do Dcr, menina; ‘Cê’ tá um arraso!
Ari dá um leve tapa em seu ombro com o pente.
ARI: Ai para! (as duas riem) Eu não queria parecer cafona.
Raíza se mostra inquieta e se senta na cama. Ari nota e senta também.
ARI: O que aconteceu? ‘Cê’ tá assim desde que a Valentina esteve aqui, né?
Raíza reluta, mas abre o jogo.
RAÍZA: É...Ari...Você sabe que todos nós aqui só queremos seu bem, né?
Ari assente.
RAÍZA: ‘Cê’ sabe que quando tenho uma visão, essa visão se realiza, né?
ARI: ‘Cê’ tá me assustando, Raíza. Você viu alguma coisa comigo? Com o Dcr?
RAÍZA: Eu peço pra você adiar sua saída com ele. (Ari não gosta) Quando toquei a mão da Valentina, te vi assim mesmo, com essa roupa, sabe. E sei que era num estacionamento...
ARI: Eu morria?
RAÍZA: Não sei, mas...
ARI: Se você não me via morrer, é por que há uma chance, não?
RAÍZA: A chance está em você não ir.
Ari se levanta inconformada.
ARI: Mas se não for a minha hora, Raíza eu não morrerei.
RAÍZA: Será que meu pai estaria vivo se eu não tivesse evitado sua morte? Será que Dcr estaria te pedindo um encontro se eu não o tivesse salvado um dia?
ARI: Quantas vezes eu preciso dizer que você não é heroína do mundo? Deus não vai deixar as pessoas se ferrarem se você não estiver lá para ajudá-las.
Raíza se levanta notando a irritação na amiga.
RAÍZA: Eu sei o que você pensa, mas acha que é fácil saber o que vai acontecer e ficar de braços cruzados?
Ari se cala, se mostra chateada.
Josué chega da porta, dá uma batida.
JOSUÉ: O Marco quer falar com você, Raíza.
RAÍZA: Manda ele esperar.
JOSUÉ: É sobre Cael. Ele está hospitalizado.
Raíza se preocupa, olha para Ari em cumplicidade.
JOSUÉ: Vamos logo que eu ainda tenho que voltar pro colégio.
Raíza sai do quarto. Josué olha estranho para Ari que se mostra incomodada com o pedido de Raíza.
CORTA PARA A SALA
Raíza está diante de Marco, surpresa com o assalto à mansão de Cael.
RAÍZA: Eu pensei que aquilo tivesse muita segurança.
MARCO: Aquilo quem? A mansão ou o Cael?
Ela apenas o encara. Ele sorri debochado.
MARCO: Vamos! Eu te levo.
RAÍZA (sorriso falso): Vou sozinha. Só vou pegar minha bolsa.
Josué coça a testa para disfarçar o clima ruim. A tela se fecha no rosto chateado de Marco.
CORTA PARA
CENA 12 FACHADA – HOSPITAL CENTRAL [TARDE]
Ouvimos sirenes de ambulâncias ao mesmo tempo em que vemos pessoas passando de um lado e de outro.

Corta para o interior de um QUARTO.
Close na porta sendo aberta. Raíza coloca a cabeça para dentro e a câmera se move mostrando Cael deitado e vendo-a.
RAÍZA: Oi...Vim saber como está o mais novo paciente do hospital.
CAEL (sorri): Eu já estava me acostumando a ser o visitante...Seu, no caso.(os dois riem) Eu pensei que você não viesse.
RAÍZA (fecha a porta): Aproveitei pra passar aqui antes de ir pro colégio. Tenho que confessar que se não fosse o Marco eu nem saberia o que houve.
CAEL (abismado): Marco? Ele que te contou? Quando? Onde?
RAÍZA: Ele não sai mais lá de casa desde que se achou no direito de se sentir o (faz graça com a voz) anjo da guarda de João. (ela ri e se senta ao seu lado).
CAEL: Às vezes eu acho que ele se sente sozinho. Mas não faz sentido ele querer se apegar a sua família.
RAÍZA: Ele acha que depois que pagou a cirurgia de João e testemunhou a meu favor ele tem algum direito a visitas. O pior que será esse inferno até que, pelo menos, meu tio pague a ele o que deve. Mas e você? Como foi isso?
Cael tenta se ajeitar, Raíza puxa o travesseiro para cima e Cael a observa tão perto dele.
CAEL: Quatro homens me pegaram. Eu não tive como resistir.
Silêncio. Raíza solta um riso e Cael faz o mesmo.
RAÍZA: Você não acabou de fazer piada com isso, não né?
CAEL (ri): Quase isso. (ele se mostra sério agora) Eles não queriam só as jóias e o dinheiro, Raíza. Eles roubaram os DVD’s em que Paulo confessa seus crimes e aquele em que ele quase te matou.
RAÍZA (sem entender): Você não tá achando que isso...
CAEL: Marco pode estar apenas fazendo média com você até conseguir os DVD’s de volta.
A tela se fecha na expressão preocupada de Raíza.
FADE IN
CENA 13 FACHADA – ED. CIRANDA DE PEDRA [TARDE]
Corta para o interior do APTº 403 – sala.
Rafaela empurra a cadeira de João atravessando a sala.
RAFAELA: Eu realmente preciso ir, João. ‘Cê’ jura que vai ficar bem? Que vai dizer ao seu Josué que esperei pela Ari?
João faz aquela cara de sonso.
JOÃO: Claro! É alguma coisa com seu tio? Ou... (ele vacila a voz fingindo achar que se intrometeu de mais) Ah, foi mal...Não é da minha conta.
RAFAELA: Tudo bem...
Ouvimos o barulho de chave. A porta se abre e Ari entra com cara de cansada. Todos a encaram.
ARI: Ah oi Rafaela...Já tá indo?
Rafaela faz que vai responder, mas João é mais rápido.
JOÃO: Ela só estava te esperando.
RAFAELA: Bem, tô indo então. Tchau pra vocês.
ARI: Tchau...
Rafaela sai rapidamente. Ari fecha a porta e passa direto por João. Ele vai atrás com um sorrisinho sacana.
Corta para
QUARTO DE RAÍZA
Ari segura o celular e joga a bolsa sobre a cama. Olha para o visor com cara de quem precisa tomar uma decisão. João surge atrás e para com as mãos sobre o colo.
JOÃO: Não vai se arrumar para o encontro?
Ari se volta sobressaltada. Ela titubeia.
ARI: Pois é (sorri sem vontade)...Eu...Acho que não vou.
JOÃO: Vai dar bolo? O que aconteceu?
Ari se senta ainda segurando o celular.
ARI: Ah...(abaixa a cabeça) Tô sem vontade, sabe? (faz que não se importa) Acho melhor deixar pra outro dia.
JOÃO: Ah, pensei que você tinha se dado conta da besteira que ia fazendo...
Ari não entende e ele faz que falou de mais.
JOÃO: Não, é que...(pausa) Deixa pra lá, né? (ele vai pra trás).
Ari o segura pela roda.
ARI: O que você ia dizer? Que besteira é essa?
João se volta com cara de quem se vê forçado a contar.
JOÃO (falso): ‘Cê’ sabe, né? Pessoas como nós dependemos sempre da boa vontade dos outros...Raíza te protege como se você fosse um cristal; Meu tio acha que você vive nas barras dela e o Dcr...
ARI: O que tem ele?
JOÃO: Você sabe que o pai dele tem problemas e...Isso gera nele uma vontade de querer proteger pessoas que estiveram na mesma situação que ele.
ARI: Ele não é obrigado a me proteger. Se o faz é por gosto.
João, falso como nunca, segura em suas mãos.
JOÃO: Tomara viu? Tomara mesmo. Não deve ter nada pior que alguém estar com a gente por pena.
Ari engole a saliva, apreensiva.
CORTA PARA
CENA 14 FLORICULTURA [EXT./FIM DE TARDE]
Dcr acaba de pagar por um buquê de rosas vermelhas que logo lhe é entregue. Sorriso largo de bobo, Dcr caminha pela calçada, satisfeito com o que comprou. De repente, para olhando para as rosas.
DCR (pra si mesmo): Será que é muito cafona?
Ele põe a mão no bolso e pega o celular. Close no visor. Dcr aperta um número e aparece o nome de Ari.
Ouvimos a mensagem: “Esse número se encontra fora da área de cobertura ou desligado...”.
Dcr não entende.
DCR (pra si mesmo): Será que é muito cedo se eu for agora?
Em seguida, observa algo fora da tela que lhe chama atenção. A câmera dá um giro de 90º e vemos Rafaela andar apressada, com o celular no ouvido, até um ponto de ônibus. Dcr acena, mas Rafaela não vê e faz sinal para um ônibus. O ônibus para e logo parte.
CORTA PARA
CENA 15 APTº 403 – SALA [INT.]
A porta é aberta e Raíza entra com cara de cansada. Lança a chave sobre a mesa central, atravessa a sala e entra no...
QUARTO
Joga a bolsa sobre a cama e nota o celular de Ari desligado. Faz cara de alívio.
Começa a tirar a blusa do colégio quando é surpreendida por João na porta.
JOÃO (calmo): Podia fechar a porta e me poupar dessa cena desagradável, né?
Raíza torna a vestir a blusa de cara feia.
JOÃO: Viu? A Ari tá aprendendo com você deixando o celular em casa...
RAÍZA: Como assim? Ela...
Raíza perde a fala.
RAÍZA: Ela...Ela foi ao encontro com o Dcr?
JOÃO: Não sei...Ela parecia bem chateada...Mas o Dcr não combinou com ela aqui?
= = Music On - suspense = =
Raíza pega a bolsa e sai apressada do quarto. João sorri, malicioso.
Corta para a SALA
Raíza procura pela chave, nervosa. João segue atrás, vê a chave sobre a mesa e finge que não é com ele.
JOÃO: Calma, Raíza. Vai correr atrás dela como se ela fosse uma criança? Deixa ela respirar!
Raíza ainda procura a chave.
RAÍZA: Você não entende, João! Você não entende!
JOÃO: Então me faça entender. Por que ela não podia ter saído assim? Aliás, foi você que botou na cabeça dela pra ela não ir ao encontro com o Dcr?
Raíza para e o encara sem saber o que responder.
Corta para trás da porta.

Dcr, de buquê nas mãos, ouve a conversa. Assustado como a pressentir algo, ele sai da tela.
= = Music fade = =
FADE OUT
FADE IN
CENA 16 RUAS DA CIDADE DO RIO DE JANEIRO [NOITE]
Vista aérea da cidade iluminada.
CORTA PARA
ESTACIONAMENTO [INT.]
Há muitos carros e a câmera anda para perto de uma parede enquanto ouvimos vozes.

RAFAELA (O.S): Você não me chamou aqui pra dizer que tá com medo da reação do Cael não, tá?
MARCO (O.S): Você está muito petulante, menina (a câmera, ao virar, focaliza as costas de Rafaela de frente para Marco) Você está na faculdade que queria, faz estágio, tem dinheiro, o que mais você quer?
RAFAELA: O meu sossego (Marco sorri debochado) Você sabe o que é ter que fazer as coisas para não perder outra? Sabe? Eu tenho que fingir pro meu tio que fala pra minha mãe que tô bem, mas eu não tô. Eu quase morri e você age como se eu fosse um objeto.
Marco escora na parede, mãos nos bolsos, olhar calmo.
MARCO: Eu tinha me esquecido que foi o seu sentimentalismo que te levou a fechar a matrícula...(sorri cínico). Você pensa que sou seu inimigo, mas Valentina pode ser muito pior do que eu quando quer. Ela não vai aceitar perder o Cael por sua culpa.
RAFAELA: Eu ainda tô fazendo um favor a ele ou você acha que ele tá com ela por amor? (Marco se incomoda) Ele a atura por piedade e o que eu fiz vai até ajudá-lo a ficar logo com a Raíza que é isso que ele quer.
Marco a pega pelos ombros e a sacode.
MARCO (raiva): Você não entregou aquelas fotos nem aquele vídeo para ajudar sua amiga, você queria que o Cael acabasse comigo, ou você acha que nasci ontem?
RAFAELA (tenta soltar as mãos dele / irônica): Esse nervosismo todo é pelo que falei? Olha que todos vão começar a desconfiar, hen?
Marco a empurra contra o capô de um carro.
A câmera vai para trás e Ari surge na frente dela.
ARI (para si mesma / raiva): Vamos ver se a visão da Raíza se realiza ou não...
Ela olha adiante e só consegue ver Rafaela sendo agarrada por braços masculinos sobre o capô.
Ari sorri sem entender, pois parece uma cena entre um casal.
A nossa visão muda para o interior de um carro do outro lado. Mãos femininas seguram firme o volante e pelo ponto de vista vemos Marco e Rafaela discutindo, mas não ouvimos a discussão. Pelo retrovisor podemos perceber que se trata de uma mulher, cabelos pretos com franja, óculos escuros.
Rafaela empurra Marco e o deixa falando sozinho. À medida que vai andando, o carro é ligado e passa a seguí-la. Marco observa.
Close na marcha do carro sendo puxada.
ARI: Rafaela!
Ninguém escuta.
Ari então apressa o passo e, diante de tantos veículos, não percebe a aproximação do estranho carro.
Este acelera, trilha incidental de suspense. Ari entra no campo de visão da motorista.
ARI: Rafaela...

O farol ilumina as duas que olham para trás. Assustadas, elas não conseguem se desviar. Tensão.
De repente, Dcr se joga sobre elas e as empurra para o outro lado. Os três caem no chão e o carro passa batido a tempo de vermos que a placa está coberta. Algumas pessoas observam a cena, horrorizadas e se aproximam. Adiante, Raíza chega apressada e para ao presenciar a cena.
= = Music Off = =
Marco vai embora sem ser visto.
Rafaela se levanta e Dcr ajuda Ari.
= = Music On = =
DCR: Vocês estão bem?
RAFAELA (cara de dor / assustada): Eu quase quebrei a costela, mas é melhor que perder a vida.
DCR (para Ari): E você?
ARI: Eu vou ficar bem...
Rafaela olha para todos os lados com medo e vai se afastando.
DCR: Ei! Tá tudo bem mesmo?
RAFAELA (vai saindo): Sim, tenho que ir...
DCR: Nossa...(se volta para Ari) E você, hen? Por que não me esperou? O que aconteceu?
Ari reluta em responder.
ARI: Olha, Dc, não tinha nada a ver esse encontro, tá? Você não é obrigado a passear comigo só pra eu sair da barra da saia da Raíza.
Dcr segura sua mão e ela solta.
DCR: O que tá dizendo?
ARI: Sei que deve sentir pena de mim e não quero forçar ninguém a se preocupar comigo. Você já tem o seu pai pra se preocupar e...
Dcr a puxa pela cintura e lhe beija na boca.
As pessoas curtem e aplaudem.

Ari e Dcr se olham após o beijo. Ela, sem graça.
DCR: Isso sim foi forçado.
E os dois riem.
Raíza, ao longe, sorri feliz.
= = Music Fade = =
FADE OUT
FADE IN
CENA 17 FACHADA - ED. CIRANDA DE PEDRA [NOITE]
Corta para o interior do APTº 403 – Quarto de Raíza
Raíza aparece da porta distraída e dá com Ari, se olhando no espelho. As duas se encaram e Raíza entra, vai até sua cama e pega sua bolsa. Abre o guarda-roupa e joga a bolsa dentro.
ARI: Pensei que te veria lá no tal estacionamento...
Raíza nota o sarcasmo.
RAÍZA: E eu pensei que você estaria morta...
Ari se volta e Raíza vai até o espelho ignorando-a.
ARI: Eu quase morri atropelada. (Raíza finge que não se importa) Se não fosse o Dcr...
Raíza a encara como a dizer “É mesmo?”.
ARI: Olha, eu sei que o que fiz foi errado tá? Arrisquei minha vida, desafiei sua visão, mas...Eu só queria que você entendesse como me sinto...(pausa) um dia vou morrer e não quero que seja presa nesta casa tendo que ouvir do seu tio que vivo debaixo de sua saia.
RAÍZA: Eu sei...E eu só queria que você entendesse que pra mim é muito difícil ver as coisas e deixar que elas aconteçam.
ARI: Não acha que é muito árduo você fazer o trabalho de Deus? Você não pode saber tudo que está pra acontecer. Por que você não viu que Rafaela era o alvo?
RAÍZA: É...Se não fosse o Dcr salvar vocês duas...
ARI: Então você esteve lá, né?
RAÍZA: Mas Dcr foi mais rápido (franze as sobrancelhas estranhando a história) Por que Valentina ia querer matá-la?
ARI: Eu não sei, mas parece que eu mudei o curso dessa história.
RAÍZA: No fim, você e Dcr salvaram o dia.
A tela se fecha na expressão sorridente de Ari.
FUSÃO PARA
CENA 18 ED. CIRANDA DE PEDRA [DIA SEGUINTE / MANHÃ]
Corta para o interior do APTº 403 – quarto
Alguém observa Ari calçando as sandálias de costas. Quando se vira, Ari se assusta.
ARI: Ai, João, ‘cê’ tá aí...
JOÃO: Eu queria saber de ontem. Você não ficou chateada com o que eu disse não, né?
ARI: Mas você não disse nada demais, não?
JOÃO: É que eu pensei que você saiu ontem daquele jeito...
ARI (pegando a bolsa): Aquilo não tinha nada a ver com você, João. Esquece isso.
JOÃO: E o Dcr?
ARI: O que tem?
JOÃO: Você não disse a ele o que eu...’cê’ sabe...O que eu insinuei?
ARI: Não, ele mal me deu tempo...(sorri) Me pediu em namoro.
RAÍZA (O.S): Tá pronta, Ari?
ARI: Tô indo! (para João) Vou lá, tchau.
Ari sai e João sorri decepcionado.
FUSÃO PARA
CENA 19 ED. CIRANDA DE PEDRA [EXT./ MANHÃ]
Dcr chega do portão e se encontra com Ari e Raíza saindo do prédio. Ele e Ari não escondem a alegria um pelo outro.
ARI: Dcr...Tudo bem?
DCR: Tudo ótimo! (sorrindo) E as mocinhas? Aonde vão?
RAÍZA: A gente ia visitar o Cael.
DCR: Ah sim. Soube do assalto. Ele tá bem mesmo?
RAÍZA: Sim, deve sair agora de manhã.
ARI: Sabe Dc...Tenho uma curiosidade; Como você sabia que eu estaria naquele estacionamento?
Dcr olha para Raíza estranhamente e sorri para Ari.
DCR: Era por lá que passaríamos se você tivesse me esperado.
Ari acredita. Raíza nota um certo ar de cumplicidade dele para com ela, mas ignora.
RAÍZA: Bom, eu tô indo...A gente se vê lá, Ari?
Ari sorri e faz que sim. Raíza parte.
DCR: Sabe do que tive mais medo ontem? (Ari não sabe responder) De você morrer sem eu dizer que você é muito importante pra mim.
Ari se encanta e os dois se abraçam.
FUSÃO PARA
CENA 20 APTº 303 – QUARTO [INT.]
Fotos de Rafaela ao lado de Ari, Dcr e Raíza no colegial estampam a tela. Ouvimos alguém bater na porta. A câmera dá um giro e vemos Alberto escorado na porta. O quarto está só na penumbra.
ALBERTO: O que faz aí no escuro?
Rafaela está sentada na cama, séria e assustada.
RAFAELA: Pensando na vida.
Alberto entra, vê as fotos e pega uma.
ALBERTO (sorri): Velhos tempos hen?
Rafaela se mantém quieta nesse instante. Alberto nota sua seriedade.
ALBERTO: Por isso que está triste? Vocês não são mais amigos como antes?
RAFAELA: É...Talvez...
ALBERTO: É difícil manter uma amizade por muito tempo. Mas quem sabe o que o futuro lhe reserva?
RAFAELA: Eu não sei o que o futuro me reserva. E é disso que tenho medo.
Alberto não entende. A tela se fecha na expressão de preocupada dela.
FADE IN
CENA 21 CASA DE VALENTINA [INT./MANHÃ]
Ouvimos vozes enquanto a câmera caminha pelo corredor até alcançar a sala.
VALENTINA (nervosa/O.S): Eu por mim tinha acabado com a raça daqueles três! (pausa) Ninguém anotou por que tratei de cobrir a placa, não sou imbecil! (pausa)...
Valentina, de bata azul e calça jeans, está na janela, com o celular no ouvido.
VALENTINA: Você tá me pedindo pra esquecê-la? Aquela garota acabou com a minha vida com aquela mania de fuxicar a vida alheia. É muito fácil pra você não? (pausa) Fazer as pessoas se afastarem de Raíza dará muito trabalho (pausa/ close em seu rosto) É, você sempre diz que dará um jeito, mas eu darei o meu...
CORTA PARA
CENA 22 HOSPITAL CENTRAL – QUARTO [INT.]
Cael acaba de se vestir quando ouvimos a batida na porta. A porta abre e Raíza espia.
RAÍZA: Com licença...
Cael sorri e faz sinal pra ela entrar.
RAÍZA: Tive receio da Valentina estar por aqui...
CAEL: Ela não tem por que (Raíza não entende). Terminei com ela.
Raíza finge pesar.
RAÍZA: Ah...Vocês pareciam tão bem...
Cael abotoa a camisa branca com feição tranquila enquanto Raíza analisa o peitoral dele.
CAEL: É, eu nem te disse, mas...Ontem cedo alguém mandou fotos e vídeos que a mostravam como ela me era fiel com o Marco.
Raíza faz cara de paisagem, pois já sabia há muito tempo. Depois se mostra confusa; faz uma expressão de que se lembra de algo. Anda até um pequeno sofá e deixa a bolsa ali.
RAÍZA: Tem ideia de quem te mandou isso?
CAEL: Não, mas não é difícil saber. (pausa / olha para Raíza e se aproxima) Certamente alguém que a odiasse ou tem consideração por mim.
Ele toca seus cabelos carinhosamente.
RAÍZA: Você não tá achando que fui eu não, né?
CAEL: Ah, devo entender por isso que você tem consideração por mim? (sorri).
Raíza sorri também sem graça.
CAEL: Quem quer que seja que tenha feito isso, me fez um favor. E eu sei que você jamais faria uma coisa dessas.
Os dois se olham, muito perto um do outro.
CORTA PARA
CORREDOR
Marco, ao celular, vem andando apressado e com aquele sorrisinho sacana.
MARCO: Eu já te disse, minha querida. Não se precipite (pausa) O que você pretende fazer, Valentina?(pausa) Não vá meter os pés pelas mãos (pausa) Alô?...Alô?
Ele fecha a aba do celular meio irritado. Põe a mão na maçaneta da porta e abre devagar. Acaba presenciando Cael e Raíza se beijando. Marco observa sério, sem reação, olhar fixo.
Fecha a porta devagar, engole a saliva com uma expressão estranha, de desconsolo e sai da frente da câmera.
FADE OUT
FADE IN
CENA 23 APTº 303 [INT./MANHÃ]
Close na porta. Ouvimos a campainha tocar. A mão de alguém abre e vemos um menino moreno segurando uma caixa.
MENINO: Mandaram te entregar isso.
RAFAELA: Quem?
MENINO: Uma moça muito bonita. Disse que era sua amiga, mas que tava com pressa.
Rafaela pega e, o menino sai correndo. Ela estranha e fecha a porta na nossa cara.
[INTERIOR]
Rafaela segura a caixa estranhando a situação e caminha até o...
QUARTO
Abre o pacote cuidadosamente e puxa a aba.
[POV de Rafaela]
É uma bomba-relógio faltando 10 segundos para explodir.
= = Music On - Suspense = =

Rafaela se desespera e tenta ser rápida.
INSERT – Relógio marcando 08 segundos
[efeito câmera lenta]
Rafaela corre até a janela.
INSERT – Relógio marcando 06 segundos.
Rafaela se atrapalha ao puxar a cortina.
INSERT – Relógio marcando 04 segundos.
Rafaela abre a janela violentamente.
INSERT – Relógio marcando 02 segundos.
[Fim do efeito]
FADE TO BLACK
= = Music Off = =
Ouvimos a explosão.
= FIM DO EPISÓDIO =
Série escrita por:
Cristina Ravela
Elenco:
Raíza (Maria Flor)
João Batista (Caio Blat)
Bruno (Juan Alba)
Josué (Caco Ciocler)
Cael (Michael Rosenbaum)
Marco (Pierre Kiwitt)
Valentina (Alinne Moraes)
Rafaela (Fernanda Vasconcellos)
Ari (Nathália Dill)
Dcr (Aaron Ashmore)
Cipriano (Thiago Rodrigues)

Participação Especial:

Alberto (Craig Sheffer)
Bandido (Ed Oliveira)
Lara (Jane Saymour)

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