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WEBTVPLAY APRESENTA
RAÍZA


Série de
Cristina Ravela

Episódio 15 de 20




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FADE IN
= Music On - Suspense =
CENA 1   ED. CIRANDA DE PEDRA [EXT./NOITE]
A cena mostra o quintal do edifício visto de cima.
Corta para o portão de entrada e vemos apenas os pés de um homem. Vira-se e pára. Close no chão de frente para ele onde há um chaveiro em forma de 'R'. Ele pega e pelo seu ponto de vista ele olha para o lado esquerdo do prédio. Caminha até lá calmamente.
O corredor é escuro e estreito. A mão desse alguém afasta um galho de planta da sua frente.
Adiante há uma garota de costas. O sujeito espreita-se pelas paredes e de repente, ouvimos um barulho. Olha para baixo e ele levanta a sola revelando uma pedra. Quando torna a olhar pra frente, a tal garota vira avançando com um cabo de vassoura. É Raíza.
= Music Off =
FADE OUT


1X15 ATAQUE

FADE IN
CENA 2   HDM CONSTRUTORA  [INT./MANHÃ DO MESMO DIA]
Ouvimos alguém bater na porta e em seguida, Bruno entra com um papel na mão.
BRUNO: Com licença (ele fecha a porta) Vim trazer os custos do novo empreendimento... (se aproxima da mesa).
O escritório é arejado, janela de persiana branca, pisos caramelos, mesa, móveis e poltronas pretas. Dois quadros de pintura colorida e intensa enfeitam a sala.
A cadeira atrás da mesa vira-se e Marco esboça um sorriso irônico. Bruno não esconde a surpresa. Ele vê uma placa na mesa escrita ‘Marco Bedlin – Administrador’.
MARCO: Espero que não esteja desapontado.
Bruno faz aquela cara como se admirasse a ousadia da pergunta.
BRUNO: Surpreso, apenas. Seremos colegas de trabalho.
Marco levanta e dá a mão.
MARCO (irônico): Será um prazer trabalhar contigo.
Bruno olha para a mão estendida e para o dono dela. Se mostra arredio, mas acaba por apertar sua mão e rapidamente soltá-la.
BRUNO: Eu só vim trazer isso.
E põe a folha sobre a mesa e sai.
Marco olha para a própria mão, devagar vai abaixando-a com uma expressão nada amistosa.
CORTA PARA
CENA 3   LAN-HOUSE - FACHADA [MANHÃ]
[INT.]
A cena mostra a tela do computador com uma página aberta no blog ‘Dirce me Disse’. Há um vídeo sendo carregado.
RAÍZA (V.O): Vamos ver quem será a próxima vítima.
ARI (V.O): Olha só isso: ‘Colabore você também!’ pelo visto ela não tá sozinha.
RAÍZA: É a máfia dos blogs.
As duas riem.
O vídeo é exibido. Ambiente de muitas luzes, lembra uma casa noturna. Música alta e pessoas dançando. No meio delas, close em Raíza.
[vídeo]
RAÍZA (entre dentes): Será que você pode falar só com a boca? Não precisa ficar me tocando!
Ela se solta bruscamente, se desequilibra e cai nos braços de Cael.
A moça o olha fixamente.
CAEL: Posso saber o que tá havendo aqui?
[Raíza olha o vídeo, estarrecida]
Tudo que aconteceu na festa de Cael ali, exposto pra todo mundo ver.
RAÍZA: Não tô acreditando...(ela pára a exibição e clica em links antigos).
[P.O.V de Raíza]
Ela clica no link do mês de fevereiro. Um vídeo carrega e abre exibindo novamente a casa noturna.
RAÍZA: Não pode ser...Isso foi na festa à fantasia!...
Ari observa tão assustada quanto a amiga.
RAÍZA: Isso não pode tá acontecendo, Ari. Tem alguém interessado na minha vida.
As duas se olham, assustadas.
FADE OUT
FADE IN
CENA 4   LAN-HOUSE  [EXT./MANHÃ]
Ari e Raíza saem da Lan e caminham até a calçada. Raíza olha para os lados e as duas andam para atravessar.
ARI: ‘Cê’ podia falar com o Dcr; De repente ele descobre de onde essa Dirce anda publicando esse blog.
RAÍZA: E o que importa? Meio milhão de gente já deve ter visto...
Ela pára, de repente, assustada.
Raíza avança o braço direito no estômago de Ari fazendo-a parar também. Um carro preto passa a sua frente, devagar, estranhamente, devagar. Não é possível ver quem está dentro devido ao insulfilm.
Ari não entende nada. Raíza puxa Ari até a calçada oposta.
RAÍZA: ‘Cê’ viu isso Ari? De onde surgiu aquele carro?
Ari olha para trás e não vê nada.
ARI: Do que você tá falando, Raíza? Por que ficamos paradas no meio da rua?
RAÍZA: Ai Ari! Aquele carro (ela aponta para o nada, na direção para onde o carro parecia ter ido) O carro preto que quase nos pegou!
ARI: Não vi nada, Raíza. Nenhum carro passou por aqui agora.
RAÍZA: Isso não é possível, Ari. Eu vi! Eu vi!
A expressão dela é de certeza.
CORTA PARA
CENA 5  MANSÃO – FACHADA  [MANHÃ]
[INT.]
Alguém acaricia um mini frasco, líquido na cor magenta, do lado de fora de uma bolsa. 
LARA (V.O): Valentina?
Valentina guarda o frasco na bolsa e a fecha, rapidamente. Ajeita os longos cabelos para disfarçar.
VALENTINA (sorriso largo): Ah, como vai, dona Lara? Eu tô esperando por Cael...
Lara contorna o sofá.
LARA: Não podia ser por mim, não é? (ela senta no outro sofá) Como anda seu relacionamento com ele? É pra casar mesmo?
VALENTINA: O que depender de mim...
LARA: Nunca entendi por que você preferiu o Cael ao Marco...
CAEL (V.O): Ela ainda tem bom gosto, mãe...
Cael está parado entre o corredor e a sala, mãos nos bolsos e sorriso fechado. Caminha até o sofá, leva a mão na cabeça de Valentina e lhe dá um beijo na boca.
LARA: Parece que a cena que aquela menina, a...(finge esquecer) A...
CAEL: Raíza.
LARA: Sim. Parece que o que ela fez outro dia não abalou em nada a relação de vocês, hein.
Valentina segura a mão de Cael.
VALENTINA: Aquela garota não significa nada pra gente (ela levanta a cabeça para Cael) Não é, meu amor?
Cael olha para a mãe, confuso e apenas sorri.
CORTA PARA
CENA 6   HDM CONSTRUTORA  [INT./MANHÃ]
A cadeira está virada pra janela. E nela está Marco.
MARCO (V.O): Vamos ver se dessa vez você acerta. (pausa) É apenas um susto...(sarcástico) Acho que todo mundo devia levar um pra aprender a não se meter onde não se deve.(pausa) Não, dessa vez eu quero ver se ela vai se salvar...
A cadeira vira, Marco está ao celular, segura a caneta de outro.
MARCO: Temos que arrancar o mal pela Raíz...Za...
E sorri, um sorriso estremecido, e batendo com a caneta sobre a mesa de forma irritante...
CORTA PARA
CENA 7   APTº 403 – COZINHA  [INT./FIM DA MANHÃ]
Bruno está sentado à mesa, diante do prato de comida. Gira o garfo no prato como se quisesse arrancá-lo.
Ouvimos o som de chave na porta da sala. João, diante do fogão, prepara o próprio prato.
Ari e Raíza entram na cozinha e esta se surpreende ao ver o pai almoçando.
RAÍZA: O que houve, pai? Nem nos esperou pra almoçar...
JOÃO: Ele trabalha, Raíza. Não achou que ele fosse esperar vocês saracotear por aí, ‘né’?
Josué entra e vai direto pro armário.
JOSUÉ: Ele tá certo, Raíza. Ele tem serviço assim como eu.
Raíza olha para Ari não gostando muito. Esforça em ignorar. Bruno larga o garfo no prato.
BRUNO: Se eu te contar quem é o mais novo sócio da HDM você não ia acreditar.
RAÍZA (prepara-se para sentar à mesa): E se não me contar eu não tenho como saber.
JOSUÉ: Raíza, você lavou essas mãos?
Raíza fita seu tio, levanta em seguida.
RAÍZA: Eu só ia me sentar, tio...(vira-se pro pai) Então pai? Quem é o novo sócio?
BRUNO: (pausa) Marco...Marco Bedlin.
Raíza faz uma cara daquelas e se põe na defensiva.
RAÍZA: Ó, toma cuidado, hein! Ele já roubou o irmão dele e duvido muito que ele pense duas vezes antes de fazer o mesmo contigo.
JOÃO (põe o prato na mesa e senta): ‘Cê’ andou bebendo, Raíza?...De novo? (todos o olham surpresos e Raíza mais ainda) Esse cara não roubaria teu pai por que teu pai não é dono e nem sócio de lá.
Não se ouve nenhuma reclamação por parte do pai nem pelo tio. Raíza lança um olhar sério para o primo que não se mostra incomodado. Ao contrário dela que, sem graça, não consegue nem falar direito com o pai.
RAÍZA: Pai, ele pode estragar com os seus projetos...Empacar...Sei lá...
JOÃO (se serve de suco): Devia largar logo esse emprego antes que seja tarde ( se dirige à prima novamente) A Raíza pode pedir outro emprego pro senhor lá pro Cael...
RAÍZA (soca a mão na mesa, irritada): Você quer parar com isso, que saco! (todos se assustam) Acha que ele vai passar a vida ajudando a gente é?
JOÃO: É...Pensando bem... (ele leva o copo com suco de laranja à boca, dá um gole e pára o copo na mão) Depois do que ele descobriu sobre o irmão acho até que ele vai querer te cobrar por não ter dado um fim nele...
BRUNO: Por favor, João! (ele apóia os cotovelos sobre a mesa) Acha que a Raíza faz as coisas pra ter algo em troca?
RAÍZA: Deixa, pai. Parece até que ele não me conhece...O senhor não vai largar esse emprego. Esse infeliz do Marco vai ter que te engolir!
E sai da cozinha, apressada. Josué levanta os olhos, surpreso e desconfiado. Ari nota sua expressão de dúvida quanto a alguma questão dita ali.
CORTA PARA
CENA 8  ÔNIBUS  [INT./INÍCIO DA TARDE]
A maioria dos passageiros são alunos. De um lado está Raíza, sentada com olhar pra janela. A pessoa que está ao seu lado levanta. Ari senta em seu lugar.
ARI: Por que quis pegar ônibus se você pode ir à pé?
RAÍZA: Não quis ir junto com meu tio. Inventei que ia numa loja.
ARI: Você...Ficou assim depois que o seu tio concordou com a grosseria do João?
Raíza vira pra ela, ar insatisfeita.
RAÍZA: O problema não é sempre quando ele fala, mas...Quando ele e meu pai se calam.
Ela se levanta e puxa a cigarra. As duas vão para a porta, o ônibus pára.
ÔNIBUS [EXT.]
As duas descem, Raíza ajeita sua bolsa e Ari amarra seus cabelos.
Do lado oposto, em outro ângulo, Raíza olha aquela rua de quando quase foi atropelada por Cael. São coisas que ela não consegue esquecer.
ARI: Vamos atravessar? (ela segura em seu braço e a puxa).
Raíza, distraída, se deixa ser puxada. Na curva, um carro preto faz uma virada brusca.
RAÍZA (balbucia assustada): Aahn...
Empurra Ari pra calçada e caem.
ARI: Caraca, Raíza! Isso já não tinha acontecido? Com você?
Raíza não consegue responder tamanho o susto.
RAÍZA (em OFF): Tão querendo me matar...Tão querendo me matar...
Não seria a primeira vez que teria uma idéia fixa.
FADE OUT
FADE IN
CENA 9   COLÉGIO FRANÇA - DIRETORIA [INT./INÍCIO DA TARDE]
 Raíza põe a bolsa sobre a mesa e apóia as mãos nela. Está visivelmente assustada.
RAÍZA: Tio! Eu quase fui atropelada!
Josué está sentado, de frente com um diário de presença nas mãos.
JOSUÉ (expressão aborrecida): De novo? Será que você nunca vai aprender, Raíza?
A garota se espanta com a reação dele.
RAÍZA: Tio, presta atenção: Hoje cedo eu tive uma visão de um carro quase me pegando...
JOSUÉ: E mesmo assim você não tomou cuidado? Me diga, pra que serve suas visões se você mal consegue escapar do seu próprio futuro?
A garota continua espantada, esboça um riso de incrédula.
RAÍZA: Tio, pelo amor de Deus. (tentando manter a calma) Eu quase fui atropelada. Entende isso? A-tro-pe-la-da! Se a Ari fosse pega talvez não tivesse a mesma sorte que eu de escapar. E ao invés d’eu receber seu apoio o senhor ainda acharia correto eu ser pega por aí?
JOSUÉ: Não foi isso que eu quis dizer, não distorça o que eu disse.
RAÍZA (alterada): Não distorcer? Hoje o João zombou de mim ao insinuar que eu tivesse bebido e o senhor? O que fez? Concordou com ele.
JOSUÉ: Não, eu não concordei...
RAÍZA: Desde o momento que não falou nada é por que concordou sim! Se pensou que eu falei uma bobagem quem garante que não tá pensando a mesma coisa agora? Parece que o senhor ainda não acredita que posso ver o futuro...
JOSUÉ: O problema (ele levanta segurando o diário) é que você, às vezes, implica de mais com seu primo, só isso.
A garota solta as mãos da mesa, vira o rosto com raiva.
RAÍZA: O problema é que o João passou dos limites! Tenho medo até que ele tenha a cara de pau de ir pedir um emprego ao Cael ainda alegando eu ter salvado a vida do irmão dele e dele próprio na boate!
Josué abaixa a cabeça, com aquele jeito dele, e desvia o olhar rapidamente. Coça o rosto, levemente.
JOSUÉ: Ué, Raíza você salvou por que quis...Ninguém pediu nada...O negócio agora é aguentar as consequências.
A garota ainda está incrédula pelo o que ouve. Bate com a mão na cadeira.
RAÍZA: Quer saber? Não salvo mais ninguém nessa vida! Vai que eu salve um assassino e ele mata o João ‘né’? É capaz d’eu ir presa por omissão de socorro!
JOSUÉ: Raíza, não foi isso que eu quis dizer...
RAÍZA (alterada): Não, mas isso foi pra eu aprender a não me meter na vida de mais ninguém. Meu pai é que tinha razão: O futuro só a Deus pertence! Eu não quero mais saber do futuro de mais ninguém!
E sai batendo a porta.
Em seguida, com a mão direita na maçaneta, o cenário é outro. Cenário escuro. O vento bate em seus cabelos.
Há um prédio do seu lado e um muro do outro. A garota olha para a mão direita e vê que segura um pequeno cabo de vassoura cortado. Nota-se que está com medo.
Ouvimos um barulho, ela se volta tão assustada que esmurra com o cabo da vassoura ao léu.
Depara-se com o primo sendo golpeado por alguma coisa. Ela olha atenta a cena, João cai e Cipriano surge a sua frente.
CIPRIANO: Raíza? Tudo bem?
Raíza se assusta, o cenário é o corredor do colégio. Ela se dá conta que segura a maçaneta da porta, ainda.
Os dois se fitam.
CORTA PARA
CENA 10   COLÉGIO FRANÇA - PÁTIO [INT./TARDE]
Raíza e Cipriano estão próximos à janela que dá no corredor.
RAÍZA: Então, Cipriano? Você já teve que salvar alguém?
Cipriano faz uma cara de bom conselheiro.
CIPRIANO (falso): Todos os dias salvamos vidas, Raíza. Quando a gente escuta o próximo, quando damos um conselho e até quando sorrimos.
RAÍZA: Tá, mas eu falo de evitar um acidente, uma morte...Acha que devemos fazer tudo que está ao nosso alcance?
CIPRIANO: Pergunte a si mesma se todas as pessoas que você ajudou até agora valeram a pena?
A garota suspira.
RAÍZA: Nem todas...
CIPRIANO: E algumas delas até te deram as costas, não é mesmo? Me diz se vale a pena dedicar seu tempo para elas? Você acaba se esquecendo da sua própria vida.
RAÍZA: É que... (ela faz que vai dizer a verdade, mas se contém) Ahn...Eu...Eu acho que se eu vejo alguém em perigo não posso fingir que nada tá acontecendo.
CIPRIANO: Você tem que ter cuidado pra não pôr seu segredo em risco...( ele tenta tocar o terror nas idéias da moça) Se não será muito cobrada...
RAÍZA: Cobrada? Você acha que as pessoas exigiriam que eu salve as pessoas?
CIPRIANO: Por que não? Passariam a te culpar quando algo de ruim acontecesse. Como aqueles que dizem prever o futuro...
RAÍZA (gagueja): Fu-futuro?
CIPRIANO: Sim, o futuro. Se a pessoa erra a previsão ou não diz tudo que vai acontecer por uma questão de bom senso, podem ser até mortos...
Raíza arregala os olhos. Esboça medo, fricciona o pulso sobre a calça, disfarça.
RAÍZA: Talvez fosse melhor ignorar meus poderes...
CIPRIANO: Ignorar o que lhe salvou? (pausa) Não dá pra ignorar que você é especial. Aliás, a cruz revela um poder oculto a quem dela faz uso...Você sabe...Não sabe?
RAÍZA: NÃO!...(gagueja) Que-quero dizer, que poderes ocultos? Do que fala?
CIPRIANO: Nem eu sei. Eu queria saber. Mas só sei que são poderes que lhe trarão muita responsabilidade...Talvez, algo que traga angústia e, ao mesmo tempo, satisfação.
RAÍZA (em OFF): Será que esse tal poder oculto seria o futuro?...
CIPRIANO: Não os ignore. Mas também não os deixe de usar pra você mesma. Você não pode evitar o futuro dos outros sempre e...(Raíza dá uma olhada pra ele, tensa) Às vezes, a pessoa precisa passar por certas coisas para mudar o jeito de pensar...
A cena mostra os dois de lado. De frente, Josué os observa pela janela, atento.
FADE OUT
FADE IN
CENA 11  COLÉGIO FRANÇA – CORREDOR  [INT./INÍCIO DA NOITE]
Os alunos descem as escadas e entre eles está Raíza. Atravessa o corredor e olha para a porta da diretoria.
RAÍZA (em OFF): Eu que não vou esperar pelo meu tio...
GAROTA: Professor chato esse de matemática ‘né’?
Raíza olha pra garota e em seguida, para a porta. Ela é aberta, Raíza puxa a garota e as duas saem.
[EXT.]
GAROTA: O que houve?
RAÍZA: Ahn...Tô com pressa...Olha a hora!
GAROTA: Por isso que digo: ô professor mala esse de matemática. Sempre nos largando tarde.
As duas riem.
Adiante, há um carro preto estacionado fora da calçada.
CARRO [INT.]
O dedo de um homem bate nervosamente sobre o volante. Pelo retrovisor, olhos franzinos observam a saída dos alunos.
COLÉGIO FRANÇA  [EXT.]
Raíza e a tal garota caminham até a estrada e lá se dispersam.
RAÍZA: Tchau Helana!
HELANA: Tchau! Vai com cuidado, hein!
Raíza atravessa e caminha apressando os passos. De repente, ela olha para trás estranhando algo. Torna a caminhar.
= Music On - Suspense =
A estrada está vazia de repente, estranhamente vazia. O carro preto vem atrás. Raíza olha para trás e a luz projeta em seu rosto, ela desvia e a luz se apaga.
CARRO [INT.]
[POV do motorista]
Ele vê Raíza apressar o passo, olhar para trás com ar desconfiada. Ela corre.
CARRO [EXT.]
O carro acelera e a garota acaba mudando de rumo, desesperada. Diante daquelas luzes das ruas, Raíza não tem coragem de ficar invisível. A rua por onde entra está mais vazia que a anterior. Não se ouve nenhum som além da aproximação daquele carro.
Raíza abre a bolsa, apanha o celular e disca. Olha para trás.
RAÍZA: João? João, pelo amor de Deus! Tô sendo seguida! (pausa) Eu...Eu não sei que rua é essa! Não sei! (pausa) É um carro, o carro está na minha cola!
Acaba tropeçando, cai na calçada de um viaduto, seu celular desliza adiante.
O carro pára. Um rapaz sai dele trajando um sobretudo marrom, capuz preto. Anda na direção da garota e saca, de dentro da roupa, uma arma.
Ele olha de cima Raíza caída no chão, olhando para ele, temerosa. A garota rasteja para trás enquanto o rapaz aponta-lhe o revólver.
RAÍZA: O que você quer de mim? ( indaga, nervosa, com uma daquelas perguntas fora de hora)
O rapaz nada responde. Engatilha e continua a mirar.
INSERT – arma
[efeito câmera lenta] O dedo do sujeito desliza pelo gatilho, aperta, a bala sai e segue a trajetória.
VOLTA À CENA
Raíza, tensa fecha os olhos forçando uma concentração.
Quando a bala chega perto [FIM do efeito câmera lenta] Raíza desaparece e a bala atravessa o nada.
O sujeito se espanta e pelas suas costas está Raíza, de pé.
RAÍZA: Quem te mandou aqui?
O sujeito se volta, sobressaltado e aponta novamente a arma.
HOMEM: Como é que ‘cê’ fez isso, garota? Como é que ‘cê’ fez isso?
Foi a vez dela de não responder. Aquele silêncio irrita o rapaz de olhar aceso.
HOMEM: De uma você escapou, mas dessa aqui...
Mais uma vez ela some e reaparece pelas suas costas. Sua expressão é de medo e dúvida, talvez por ainda estar ali e não sumir de vez.
Quando o sujeito se volta, Raíza, tomada por um desespero, aperta seu braço e o ergue até que ele atira pro alto. Ela aperta tanto que ele deixa a arma cair.
HOMEM: ‘Tu’ tá me machucando! Me solta! Me solta! (ele trinca os dentes tentando medir forças com ela)
Ele dá um grito de dor, escorre lágrimas de seus olhos e seu rosto já não cabia de tanta ruga de expressão.
HOMEM: PÁRA! PÁRA! ASSIM ‘TU’ VAI ARRANCAR MEU BRAÇO!
Raíza não diz nada, apenas o olha fixo de um jeito descontrolado.
Os olhos do rapaz expressam dor.
Raíza lhe dá um empurrão e o sujeito, cai no chão. Vai se rastejando, para o meio da pista, de costas com os cotovelos. Assustado, mescla horror e desorientação.
HOMEM (balbucia, espantosamente): Não me mate!...Não me mate...
Tenta se levantar quando não vê o menor sinal de que aquela garota fosse exterminá-lo ali.
O som de um carro se aproxima na curva, o sujeito olha assustado e a luz projeta forte em suas vistas.
Não há tempo. O carro o atropela.
Raíza leva um susto, mas ao vê-lo estirado no asfalto trata de apanhar seu celular e sumir dali.
= Music Off =
FADE OUT
FADE IN
CENA 12   ED. CIRANDA DE PEDRA  [EXT./NOITE]
Raíza chega do portão, espavorida. Pára para respirar melhor.
De repente, olha para o lado esquerdo do quintal, desconfiada. Caminha até lá.
INSERT – bolsa
Um chaveiro em forma de ‘R’ cai.
VOLTA À CENA
Raíza adentra aquele breu, sorrateiramente desconfiada de que alguém, talvez, estivesse ali. Sua curiosidade é maior que o medo.
ED. CIRANDA DE PEDRA – PORTARIA  [EXT.]
João desce a escada e vai até o portão.
JOÃO: Onde será que essa garota se meteu que nem celular ela atende?
POV de João
A rua está calma.
Olha o relógio, se volta e vê um chaveiro com a letra “R” no chão. Abaixa-se e pega. Analisa e logo olha para o lado esquerdo do prédio.
Em primeiro plano, caminha até lá, corredor escuro. Adiante está Raíza de costas. Espreita-se pelas paredes, ouvimos um barulho. João olha para baixo e levanta a sola revelando uma pedra.
Raíza, tensa, rapidamente pega um cabo de vassoura, segura firme e se volta esmurrando ao léu.
Surpresa vê algo golpeando o primo na cabeça.
RAÍZA (assustada): João!
A tela se fecha num baque.
FADE IN
CENA 13  HOSPITAL – FACHADA  [EXT./NOITE]
[INT.]
João está deitado na cama, consciente diante dos tios. Expressa dor e põe a mão na cabeça.
JOÃO: É como eu ‘tava’ dizendo. A Raíza me ligou dizendo que ‘tava’ sendo seguida por um carro...
JOSUÉ: De novo essa história do carro. Ela fica dando mole, isso que dá.
BRUNO (surpreso): Josué!
JOÃO (falso): Aí eu fiquei preocupado e desci pra esperá-la já que se depender de ligar pra ela, ‘né’?
BRUNO: Hã, e o que mais?
JOÃO: Foi quando eu encontrei o chaveiro dela jogado no chão...Segui a direção em que ele ‘tava’ e vi a Raíza...Parada naquele breu. Ela se assustou e voltou com o cabo de vassoura...
JOSUÉ: Ela te deu um golpe? Foi ela?
JOÃO: Não...Não sei (finge confusão) na hora pisei numa pedra, me distraí...
Josué dá as costas, inconformado e torna a olhar pra ele.
JOSUÉ (crédulo): Eu não tô acreditando nisso.
JOÃO (falsa complacência): Quem sabe ela não achou que fosse outra pessoa?
JOSUÉ: Muito estranho. Ela liga avisando que está sendo seguida depois de ter reclamado de você pra mim, daí ela some, deixa cair um chaveiro no quintal...Parece até armadilha...
Bruno, espantado com tal insinuação, tenta falar, mas João se adianta.
JOÃO: Será que ela não andou tomando...Ai eu não devia ter brincado com ela essa manhã...
JOSUÉ (irritado): Você tá justificando as atitudes de sua prima?
BRUNO: Peraí gente! Raíza não é viciada e tampouco assassina. Vocês estão falando da minha filha!
JOSUÉ: ‘Cê’ vai me desculpar Bruno, mas ela não é mais a mesma desde que voltou...Desde que...Desde que voltou, ‘cê’ sabe...
A porta é aberta e Raíza adentra o quarto. Pára diante daqueles olhares. O clima não está muito bom e João disfarça um sorriso estremecido nos lábios.
CORTA PARA
CENA 14  CASA DE VALENTINA  [INT./NOITE]
A cena adentra um corredor, ouvimos som de talheres. Na sala de jantar, Valentina e Cael estão sentados um de frente pro outro.
Cael limpa a boca no guardanapo olhando para a namorada.
CAEL: Eu já tinha me esquecido como é jantar aqui.
VALENTINA: Não farei você esquecer mais, certo?
Ele sorri, levanta e cambaleia.
VALENTINA (falsa): O que foi? Se sente mal?
Ele puxa a gola da camisa azul para um lado e faz uma expressão de calor.
CAEL: Acho que essa comida estava um pouco quente...
Ele caminha até a janela, deixa o ar tocar seu rosto. Valentina surge por trás tocando seus ombros. A expressão dele é de prazer.
VALENTINA: Você está tenso, meu amor...(ela massageia seus ombros) Tente relaxar.
Ela o aperta e o abraça. Cael se vira e Valentina o beija na boca, devagar.
CAEL (murmura): Eu...Eu tô com muito calor...Essa comida...
Ela o pega pelo braço.
VALENTINA: Vem comigo. Você tá precisando relaxar...
QUARTO...
Os dois entram se beijando, arrancando a roupa um do outro e caem na cama.
Cael pára, em cima dela e a olha estranhamente. Ao invés de Valentina, vê Raíza. Respiração ofegante, Cael torna a beijá-la.
CORTA PARA
CENA 15    HOSPITAL [EXT./NOITE]
QUARTO [INT.]
Raíza está de frente pra cama onde João mantém um olhar acusador pra ela. Josué e Bruno estão, cada um de um lado da cama.
RAÍZA: Gente, Eu juro por Deus! Eu não fiz nada!
JOSUÉ (tom acusador): Então quem foi, Raíza? O João garante que só havia vocês dois lá.
RAÍZA: Olha eu vi alguma coisa golpeá-lo, parecia invisível que nem aquela vez que eu caí do barranco, lembra?
JOSUÉ: E por que você estava com um cabo de vassoura nas mãos? Quem estava atrás de você?
A garota faz uma pausa profunda, olha para o pai que tem uma expressão de que acredita nela.
RAÍZA: Eu fui perseguida, tio! Tentaram me matar! Daí achei que havia mais alguém que tivesse vindo atrás de mim.
BRUNO (se aproxima, preocupado): Que isso, filha? Como assim? Te fizeram alguma coisa?
A notícia não causa espanto algum para Josué.
JOSUÉ: E você foi num beco escuro se certificar de que não havia ninguém mais atrás de você? (João esconde um riso) Depois esmurrou seu primo pensando ser o seu agressor, é isso?
RAÍZA (se altera): Eu já disse que não!
JOÃO: Raíza eu vou entender se você disser que agiu sem pensar.
RAÍZA (raiva): Vocês não têm nada pra entender por que eu não fiz nada! Será que vou pagar pelo resto da minha vida o escândalo que fiz na boate?
JOÃO: Depois daquela, não duvido de mais nada...
BRUNO: Pára com isso, João! (pausa. Olha para Josué) Ela também sofreu um atentado. Será que dá pra parar com as acusações?
Raíza vira, põe as mãos no quadril.
JOSUÉ: Ninguém aqui tá acusando ninguém, Bruno (Josué mantém uma calma irritante até o último fio da barba) O João só afirmou o que viu.
A garota se volta rindo, nervosa.
RAÍZA: Agora é assim. Tudo que ele afirma é lei!
JOSUÉ: Não foi bem isso que eu quis dizer...
RAÍZA: Esse é o problema! Nada que o senhor diz é exatamente o que o senhor queria dizer. Será que isso só vale pra mim?
JOSUÉ (ignora): E o que você quer que eu diga? Que você não esmurrou seu primo? Mesmo sem querer? Que ele está mentindo?
Raíza o encara com um cansaço nítido no olhar manchado de vermelho depois da noite que teve.
RAÍZA (série e firme): Não...Eu só queria que o senhor perguntasse se eu to bem...
Ela dá as costas e sai quase batendo a porta. Bruno vai atrás.
João deixa esboçar um sorriso.
CORREDOR...
Bruno pára a filha e ela se volta, revoltada.
BRUNO: Você viu o futuro de novo, num é? Viu que o João seria atacado?
RAÍZA: O que adianta isso agora? Ele foi atacado e eu também.
Bruno toca seu rosto e seus ombros com ar preocupado.
BRUNO: Foi tentativa de assalto? Te fizeram alguma coisa?
RAÍZA: Não, pai, não. Parece que aquele lá foi encomendado pra me matar...
JOSUÉ (O.S): O estranho (Josué aparece) É que você tenha visto o futuro do seu primo e nem pôde evitar o próprio...Você viu o que ia te acontecer?
A garota não esconde o semblante de raiva pelo tio duvidar dela.
RAÍZA: Talvez por me preocupar demais com o futuro dos outros, eu acabo me esquecendo de cuidar do meu.
FADE OUT
FADE IN
CENA 16  CASA DE VALENTINA – QUARTO [INT./NOITE]
A cena mostra roupas espalhadas pelo chão, sapatos, as pernas do casal na cama.
Valentina está com o cigarro na boca, acende, sob a luz do abajur. Cael olha para o teto com o braço direito por trás da cabeça.
CAEL: Eu pensei que você soubesse que eu não fumo.
Valentina tira o cigarro da boca e olha para ele.
VALENTINA: Desculpe. (ela apaga o cigarro no cinzeiro e se volta) Foi só pra relaxar...
Ela acaricia o peito do namorado jogando os cabelos de um lado do ombro.
VALENTINA: Espero que essa noite se repita muitas vezes, hein...
Cael se deixa ser beijado no rosto enquanto olha para o lado, de olhar perdido.
CORTA PARA
CENA 17   HOSPITAL [EXT./NOITE]
CORREDOR [INT.]
Marco caminha, procurando alguém ou alguma coisa. Depara-se com Josué e Bruno na sala de espera. Sorri de forma temerosa e ao mesmo tempo, cheio de esperança.
SALA DE ESPERA...
MARCO: Bruno? Josué? (ele cumprimenta com a mão na maior cara de pau) Aconteceu alguma coisa com a Raíza?
RAÍZA (O.S): E deveria ter acontecido?
Marco vira-se e vê Raíza, mãos na cintura, expressão de ataque.
MARCO: Desculpe. Eu só fiquei preocupado...
Raíza fixa os olhos nele.
RAÍZA: Nota-se...
Marco se mostra calmo, mãos nos bolsos da calça e vira o rosto para o lado de Bruno e Josué.
MARCO: Mas então? Aconteceu alguma coisa?
RAÍZA: O João...Sofreu um...Pequeno acidente.
JOSUÉ: Pequeno por que não foi contigo, ‘né’?
Bruno o cutuca.
MARCO: Espero que não seja grave...
Ele sorri para a garota e vai saindo enquanto a encara. Raíza o segue com os olhos e fecha a boca fazendo movimentos de quem quer falar e não pode. Seus olhos lacrimejam e não é de tristeza...É de ódio.
FADE OUT
FADE IN
CENA 18   HOSPITAL – QUARTO  [INT.]
A porta é aberta de repente e Raíza entra, fecha a porta e caminha até a beirada da cama.
RAÍZA: Agora você vai me dizer o que tá havendo.
João mantém aquele semblante de vítima, irritantemente falso e a olha com medo.
RAÍZA: Não se preocupe; Eu não vim terminar o que você supõe eu ter começado.
JOÃO: Ó eu nem falei nada e você já vem na defensiva.
A garota fecha a mão e vai na direção dele. Porém, se controla.
RAÍZA: Você me acusou de tentar te matar! O que há contigo? O que eu te fiz?
JOÃO: Esse é o problema. Você não faz! Enquanto até o Marco é salvo por você eu sou agredido. EU! Seu primo!
Ela dá as costas, põe as mãos por dentro dos bolsos.
RAÍZA: Pára de me lembrar daquele dia infeliz! Qualquer coisa já é motivo pra ‘tu’ meter ele no meio!
JOÃO: Tudo bem. Vamos falar de nós. Você ‘tava’ lá e nada fez pra evitar o que aconteceu.
Raíza põe as mãos na cabeça e comprime o rosto.
RAÍZA: Mas será possível? Você sabe que pela distância não fui eu quem te golpeou, não fui eu!
JOÃO: E quem acredita em papai Noel?
Raíza desmonta, surpresa e não diz nada.
CORTA PARA
CENA 19   CASA Nº 77 – SALA  [INT./NOITE]
CIPRIANO (O.S): Fez um bom trabalho. Não poderia ter se saído melhor.
Ele está de costas para um bar e vira-se, olha para Camilo com cara de arrependido.
CAMILO: Pensei que a Raíza ter estado lá fosse obra sua.
CIPRIANO (dois copos nas mãos): Não sei o que ela faz, mas sempre aparece na hora certa...
CAMILO: E se o João tivesse morrido?
Cipriano estende um copo para ele e, Camilo, pega.
CIPRIANO: Seria um a menos (ele toma um gole) Mas ele ainda tem proveito.
CORTA PARA
CENA 20  HOSPITAL  [EXT./MANHÃ]
CORREDOR  [INT.]
Raíza e Ari chegam em passos rápidos e Raíza para de repente.
ARI: O que houve?
RAÍZA: Eu acho que eu não devia estar aqui.
Ari se aproxima e suspira.
ARI: Vai vê ele nem sabe por que falou aquelas coisas...
Raíza aponta-lhe o dedo, objetiva.
RAÍZA: É nisso que o João quis que eu acreditasse quando ele afrouxou o ferro daquela sacada para eu cair. Como fui burra de ter relevado...
ARI: Raíza, vocês ficaram perdidos no tempo, acordaram quatro anos depois... A mente dele deve estar confusa.
RAÍZA: Ele não parecia confuso na última conversa que tivemos...(ela olha pra qualquer lado) A gente não acredita que um parente vai tentar contra nós...Acho que eu não quis aceitar o que tava claro e agora não posso fingir que tenho um primo em quem posso contar.
Ari toca seu ombro num gesto complacente.
Raíza olha adiante e Ari faz o mesmo.
João sai do quarto acompanhado de Bruno e Josué.
Marco chega por trás das garotas, ao mesmo tempo e, com aquele sorrisinho sacana, se dirige a todos.
MARCO: Olá, bom dia! (se dirige a João) Pelo visto já está melhor.
JOÃO: Nada como um dia após o outro.
Marco sorri e quando olha pra Raíza, semblante fechado, ele fecha o sorriso.
MARCO: Espero que esteja tudo bem com você mesmo.
JOÃO: Obrigado.
RAÍZA (indignada): Você ainda agradece, João? (Ari tenta apertar seu braço, em vão) Ele lá espera que esteja tudo bem contigo! Ele deve tá pouco se lixando!
JOÃO (rebate): E você tá?
Raíza se cala, deixa João e seus tios passarem enquanto olha de soslaio para a direção deles.
Marco, por sua vez, com os braços voltados para trás, não faz o menor sinal de abalo. Aproxima por suas costas.
MARCO: Sei que você não deve ter tido um bom dia ontem. Vou relevar. Você deve estar...Nervosa.
Ele sai deixando-a morder os lábios de raiva.
RAÍZA: A vontade que tenho... (resmunga) Ele tinha que levar uma bifa!
ARI (cochicha): Controle sua raiva, Raíza. Imagine o estrago que seria se você usasse sua raiva junto com seus poderes?
Raíza lhe dá uma olhada, temerosa.
Tocando: Teardrop – Massive Attack ->

RAÍZA: Talvez... Eu já os tenha usado...
FUSÃO PARA
CENA 21 QUARTO  [INT.]
Close no aparelho cardíaco. Ouvimos seu som.
A cena mostra Matias deitado na cama e respirando através de aparelhos.
MARCO (V.O): Como ele está?
MÉDICO (V.O): Muito mal. Além de fraturar a coluna, seu braço quase foi quebrado...A pessoa que fez isso devia estar com muita raiva.
QUARTO [EXT]
Os dois estão olhando o paciente pelo vidro. O médico segura um prontuário nas mãos.
MARCO: Como assim?
MÉDICO: Humm...O motorista disse que antes de desmaiar, o rapaz balbuciou ‘Não me mate’. E tinha uma expressão perturbada.
Marco faz cara de quem sabe o que pode ter acontecido.
MARCO: Será que...
MÉDICO: Sabe de algo?
MARCO (inventa): Ahn...É que quando ele trabalhava pra mim ele tinha o costume de falar sozinho...Falava alto, brigava e quando ele me via dizia que estava nervoso...Sempre achei normal, mas depois dessa...
MÉDICO: Ele não tem ninguém da família?
MARCO: Ninguém...
O médico olha o prontuário, cabisbaixo.
MÉDICO: Então você acha que ele tem problemas...?
MARCO (semblante calmo): Eu não acho nada; O doutor é quem tem que achar alguma coisa.
O médico torna a olhar para o quarto, olha o prontuário e anda sem tirar os olhos da prancheta.
MARCO: Já tem uma opinião?
O doutor se volta, o encara penalizado como se pensasse que Marco fosse se importar.
MÉDICO: Me procure mais tarde para eu lhe indicar uma clínica psiquiátrica para ele...
O doutor dá as costas e Marco se vira para o lado do vidro.
Close no rosto dele, sorriso cínico.
FADE TO BLACK
FIM DO EPISÓDIO

 

Autora:

Cristina Ravela

Elenco:

Raíza (Maria Flor)
João Batista (Caio Blat)
Bruno (Juan Alba)
Josué (Caco Ciocler)
Cael (Michael Rosenbaum)
Marco (Pierre Kiwitt)
Rafaela (Fernanda Vasconscellos)
Ari (Nathália Dill)
Valentina (Alinne Moraes)
Cipriano (Thiago Rodrigues)

Participação Especial:

Lara (Jane Saymour)
Helana (Ariela Massoti)
Matias (Ângelo Paes Leme)
Médico (Mateus Solano)

Trilha Sonora:

Teardrop – Massive Attack


Produção:

Bruno Olsen
Cristina Ravela


Esta é uma obra de ficção virtual sem fins lucrativos. Qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.


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