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WEBTVPLAY APRESENTA
RAÍZA


Série de
Cristina Ravela

Episódio 14 de 20




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FADE IN
FLASH FORWARD
CENA 1 L.A HOUSE [EXT./NOITE]
[Legenda: 21 de Março: 20:40 hs]
Há uma movimentação na entrada da boate.
[INT.]
Tocando: Lose ControlEvanescence ->

No meio de tanta gente, tanta luz piscando, ouvimos o som de uma garrafa se quebrar. As pessoas olham, assustadas.
RAÍZA (O.S): NÃO TOQUEM EM MIM! NÃO TOQUEM EM MIM!
Raíza está curvada, João e Valentina, cada um de um lado, a segura. João oculta a prima quando ela levanta. Há uma garrafa quebrada em sua mão. Ela machuca o primo no pescoço e derruba os dois sobre um grupo de pessoas.
Seu olhar aceso, sua expressão desnorteada denuncia um estado nada normal. O espanto é geral.
MARCO (deboche): Coitada dela! Ela precisa de ajuda.
Raíza olha a sua direção com raiva.
RAÍZA: Ajuda quem vai precisar é você!
E avança nele tapando sua boca.
CAEL (a tira de cima de Marco): POR FAVOR, RAÍZA!
A garota se volta.
Todos a olham, espantados e outros, com ar de reprovação. Ela vai olhando cada um e entre eles está Dcr, Rafaela, Ari e João balançando a cabeça negativamente. As imagens se entortam a sua frente.
Ela sai empurrando todo mundo e corre.
[EXT.]
CAEL (grita): Raíza!
ARI (grita): Pra onde é que ‘’ vai?
Raíza entra, correndo, dentro de um carro qualquer, bate com a porta.
INSERT – chave do carro
Ela vira a chave e liga.
VOLTA À CENA
Cael corre, bate na janela, mas ela sai cantando pneus, enfurecida.
ARI (grita pra Cael): CORRE! CORRE!
Ao mesmo tempo, Dcr observa a cena com ar desconfiado.
Cael abre a porta de um outro carro e alguém põe a mão na janela.
MARCO (reprovando): O que pensa que vai fazer com o meu carro?
CAEL: É melhor você tirar essa mão daí.
Cael entra, bate a porta e sai em disparada.
CARRO – RAÍZA [INT.]
Raíza está de olhos arregalados, olhar fixo para frente.
O visor de velocidade ultrapassa os 120 km/h.
VOLTA À CENA
CARRO - RAÍZA [EXT.]
CAEL: PÁRA ESSE CARRO, RAÍZA!
RAÍZA (balbucia): Cael...
Raíza olha para baixo, olha para frente, ouve-se a voz de Cael embaralhar e se transformar em vozes que ecoam. A expressão de seu rosto é confusa, põe a mão na cabeça, aturdida.
INSERT – Freios
Raíza pisa em tudo que é lado menos nos freios.
RAÍZA: Eu não consigo frear! Eu não consigo!
Lá adiante, uma curva. A imagem vai escurecendo deixando-a desesperada. Até que toda a imagem se torna negra.
TOYOTA [EXT.]
Cael tenta emparelhar com o carro onde Raíza está e a vê com o rosto caído sobre o volante.
CAEL: RAÍZA!
Cael desacelera.
Um caminhão vem pela transversal à direita.
Cael se desespera.
O carro onde Raíza está chega na transversal, o caminhão bate, joga o carro adiante. O carro capota pela estrada.
Cael sai do carro, deixa a porta aberta e corre. Quando ele vira a rua, pára, chocado.
FADE OUT


1X14 DESCONTROLE

FADE IN
CENA 2 RUAS DA CIDADE [MANHÃ]
[Legenda: 21 de Março: 09:00 hs]
A cena acompanha os passos de alguém calçando tênis azul e branco e calças compridas.
Caminha até chegar em frente a um grande portão de madeira. Olha pra cima.
A cena mostra uma placa: Clínica de Repouso e de Recuperação Novo Horizonte.
CLÍNICA NOVO HORIZONTE – CALÇADA [INT.]
A pessoa abre uma porta, entra e fecha em seguida. Anda até uma cama baixa, com colchão fino. Não vê ninguém.
VOZ MASCULINA: Pensei que só viesse mais tarde.
Vemos Daniel com um singelo sorriso.
A cena mostra Dcr, em seguida, com um olhar triste.
DCR: Eu precisava te ver, pai.
CORTE RÁPIDO
CENA 3 CONT.
Dcr, de pé, abre uma sacola enquanto o pai, sentado na cama o olha fixo.
DANIEL: Não deixa eles me darem mais remédio, filho. Eu tô bem, veja!
Dcr vira-se pra ele com um pacote de biscoito nas mãos.
DCR: Pai, da última vez que eu estive aqui o senhor atacou violentamente uma parede como se achasse capaz de derrubá-la!
DANIEL: Eu queria sair, filho! Mas acho que foi aquele remédio que eles dão...
DCR: O remédio é pra te acalmar, não o contrário.
Daniel faz uma pausa. Olha pra baixo e depois, ao redor do quarto.
Um quarto pequeno, com uma janela no alto, um frigobar, armário e um banheiro.
DANIEL: Eu não preciso de remédio...Eu preciso é sair daqui!
DCR: O senhor sabe por que está aqui, não sabe?
Daniel torna a dar uma pausa.
DANIEL: Eu sei que eu bebia demais, mas...Nem eu sei como tudo aconteceu...De repente, vim parar aqui.
DCR: O senhor agrediu minha tia e quase atropelou uma criança. O senhor ‘tava’ irreconhecível, pai! (pausa) Eu trouxe esse biscoito. Fiquei sabendo que o senhor não tem ido ao refeitório comer.
DANIEL (pega o pacote): Quando vou sair daqui?
DCR (senta na cama oposta): Quando o médico lhe der alta.
DANIEL: O que depender dele eu só saio daqui morto!
DCR: Pai!
DANIEL: Mas é verdade, filho. Por conta desses remédios eu ando tendo pesadelos até com seus amigos, acredita?
Dcr se levanta e vai até o armário.
DCR (finge dar importância): Ah é? E...(ele abre o armário) Quem aparecia nos teus pesadelos?
Daniel põe a mão na cabeça, coça a testa.
DANIEL: Sabe aquela garota...A...A...Raíza! Esse é o nome dela ‘’? Então, sonhei tê-la visto aqui, certa vez, toda descabelada...Cheguei a pedir ajuda a ela e nem sei por que...
Dcr se volta, estranhando.
DCR: A Raíza? (ele ri, mas contém o riso diante da seriedade do pai) Mas quando foi isso?
DANIEL: Ah...Tem tempo. Aquela sua outra amiga ainda estava por aqui...
DCR (em OFF): Isso é loucura...Ahn, bem...Vindo dele...Mas como duas pessoas podem sonhar com a mesma coisa?
CORTA PARA
CENA 4 MANSÃO – SALA [INT./MANHÃ]
[Legenda: 09:45 hs]
Marco desce as escadas, de andar cauteloso e olhar atento.
CAEL (V.O): Discrição sempre foi teu forte?
Marco se volta, sobressaltado.
MARCO: Me chamou aqui pra quê? (sarcástico) Será que é pra me convidar pra sua festa de aniversário?
Cael está sentado numa poltrona, de costas para onde Marco entrou.
CAEL: Não seria por gosto, tenha certeza... (ele se levanta e põe as mãos no bolso) Mas pela minha mãe você pode aparecer por lá. Mesmo por que a boate não é restrita somente a convidados.
MARCO: Claro! Eu ainda sou sócio...
CAEL: Até o fim desta noite...
Marco faz cara de desentendido.
MARCO: O que você quer dizer com isso?
Cael caminha até o bar, vira e encosta-se ao balcão.
CAEL: Eu quero comprar suas ações.
Marco anda até ele olhando-o nos olhos.
MARCO: E quem te disse que eu venderia?
Cael sorri, maliciosamente.
CAEL: O seu bom senso. Depois de tudo que você fez...Não fica bem continuar trabalhando comigo.
MARCO: Você quer ficar com a boate só pra você. Sempre quis ser o único dono. O meu pai cedeu o terreno pra nós dois! Ouviu bem?
CAEL: Você quer que eu diga a ele as minhas razões?
Marco vira o rosto.
CAEL (cont.): Estou tentando resolver o assunto da melhor maneira possível. Eu poderia denunciar seus crimes como omissão de criminoso, lavagem de dinheiro e tentativa de assassinato, mas não! Eu quero resolver tudo de um jeito que nem eu e nem você saiamos prejudicados.
MARCO (contendo a raiva): Você já deve ter o apoio do meu pai, não?
CAEL: É justamente por ele que não te denuncio.
Os dois se fitam.
CORTA PARA
CENA 5 LAN-HOUSE [INT.]
[Legenda: 10:20 hs]
Raíza senta de frente para um computador. Olha para a tela e vê uma página já aberta deixada por algum distraído.
[POV de Raíza]
Raíza leva a seta até o botão ‘fechar’, mas desiste. É um blog de fofocas cujo nome é: Dirce Me Disse.
Passeando por entre os links, Raíza, sem querer, clica no link do mês de janeiro. Aparecem vídeos, cada um com nome impactante.
RAÍZA (lê em OFF): ‘O calor do heroísmo’ Que brega! Deixa eu ver o impacto que isso vai me causar...
O vídeo é exibido. Vemos duas pessoas, um terreno, um carro em chamas e em seguida, o rosto de Raíza aparece nítido abrindo a porta do carro.
RAÍZA (em OFF): Mas...O que é isso?
Receosa, Raíza clica em outros links e encontra fotos de Valentina com Marco naquele beco.
RAÍZA (põe a mão na boca): Isso não pode tá acontecendo...Tem alguém me vigiando...(pausa)Mas, se o Dc garante que nunca que aquele cd saiu da casa dele, então...(sua expressão contrai) João!
CORTA PARA
CENA 6 CASA Nº 77 – PORÃO [INT.]
Cipriano está de costas. Vira-se exibindo na mão, três comprimidos rosa.
CIPRIANO: Acho que é disso que você tá procurando...
Ele estende a mão e uma outra faz que vai pegar. Porém, Cipriano esquiva-se.
CIPRIANO: Eu levarei pra você, na festa de hoje à noite.
A cena revela Marco que observa os comprimidos.
CIPRIANO: É preciso misturar isso à bebida alcoólica. Os três de uma vez!
MARCO: Pode levar à morte?
CIPRIANO: Você quer isso pro seu irmão?...
CORTA PARA
CENA 7 RUAS DA CIDADE
[Legenda: 10:35 hs]
Raíza caminha pela calçada com o celular na orelha. Desliga em seguida, nervosa.
RAÍZA (voz baixa): Droga! O Dcr não atende. (longa pausa) Se o João tiver alguma coisa a ver com isso eu nem sei, nem sei.
CORTA PARA
ED. CIRANDA DE PEDRA [INT.]
Raíza chega ao 4º andar, põe a chave na fechadura e abre. Pára com a porta aberta diante da cena. Cael, sentado no sofá ao lado de João Batista e Ari, em pé, param de falar ao vê-la chegar. Raíza fecha a porta, lentamente, estasiada e mirando no rapaz.
RAÍZA: Bom dia...
A garota atravessa a sala sem mais olhar para Cael.
ARI: Raíza, ele veio falar contigo também.
Cael se levanta e sorri um sorriso meio que sem graça.
CAEL: Eu quero desfazer a má impressão que deixei outro dia (pausa) Eu espero não ter vindo muito cedo...(pausa) E nem em cima da hora pra...
JOÃO: Ele veio nos convidar pra uma festa na boate, Pronto! Falei!
Raíza lhe dá uma olhada como se não quisesse nem que ele se pronunciasse. Joga a bolsa no sofá e coloca as mãos por detrás dos bolsos da calça.
RAÍZA (para Cael): Festa, é?...Não gosto de festas...
JOÃO: Raíza! O cara veio até aqui nos convidar e, claro, tentar fazer as pazes com você, ‘’...
RAÍZA (seriamente / olha para João): Pazes? (olha para Cael) E estamos brigados, por acaso?
Cael sorri, sem graça de novo.
CAEL: Eu pensei que...Da última vez...
ARI: Raíza, é aniversário dele.
RAÍZA: Hoje é seu aniversário, Cael? (séria) Parabéns!
CAEL: Obrigado (ele engole a saliva, sua expressão é de frustração) Será que posso contar com a sua presença?
Os dois se encaram. Raíza esfrega os lábios, pensativa.
RAÍZA: É...Se der eu passo lá.
Raíza pega a bolsa e deixa a sala.
CORTA PARA
CENA 8 APTº 403 – QUARTO DE RAÍZA [INT.]
[Legenda: 10:50 hs]
Raíza está sentada na cama com uns papéis sobre ela. Desconcentra-se.
RAÍZA (em OFF): Acho que fiz tudo errado...(pausa) Acabei destratando quando na verdade, eu queria...Eu queria...
João entra sem cerimônia.
JOÃO: Eu posso saber o que te deu?
RAÍZA: Ai João! Que susto, !
JOÃO: Consciência pesada ‘’? Aposto como tá arrependida pelo o que fez. Você praticamente mandou o Cael pastar!
A garota pára com o papel na mão e em seguida, torna a mostrar-se concentrada.
RAÍZA: Não precisa forçar o drama, ‘’?
JOÃO: Drama? (ele tira o papel de suas mãos com força) Você dispensa uma mina de ouro dessas e...
Raíza, finalmente, o encara.
RAÍZA: Olha, qualquer dia desse eu mando ele vim pedir a mão do meu pai pra se casar contigo por que você, meu filho! Tá pedindo pra ficar com o Cael, hein!
JOÃO: Raíza...Ele tá louco pra voltar às boas contigo, será que você não percebe isso?
RAÍZA: Não delira, João! Mas que inferno! Vai você nessa festa logo!
JOÃO: Qual é o teu problema, hein, Raíza? Chegou com uma cara de que ia matar um e agora tá aí! O que tá pegando?
Ouve-se o som de um celular. Raíza pega a bolsa atrás dela, apanha o celular e atende.
RAÍZA: Dcr! Ai que bom que você retornou.
DCR (V.O): Recebi suas três chamadas. Fiquei até preocupado.
RAÍZA: ‘D’, escuta: Tem alguém me vigiando.
DCR (V.O): Quê? Não entendi.
RAÍZA: Eu descobri um blog chamado Dirce me Disse no qual postaram um vídeo daquela vez que eu salvei o Camilo.
João observa, atento.
RAÍZA: Diz pra mim, Dcr: Como isso pôde acontecer?
DCR (V.O / Gagueja): Ah...E-eu ne-nem sei co-como isso foi...Acontecer...(pausa / fala normal) Você sabe ‘’? Hoje em dia qualquer um com câmera se torna cineasta...
RAÍZA: Mas e as fotos do Marco? Só você e o pessoal daqui que sabia!
DCR (V.O): Eu jamais violaria um documento dos outros, você sabe. Eu trabalho com isso.
Raíza olha para o primo como se acabasse de matar a charada, de vez.
RAÍZA: Foi mal, Dcr. Não quero que pense que tô te acusando, mas...(pausa) Tudo bem, eu sei que você entende (pausa) Tchau.
Ela desliga o celular e o aponta para o primo.
RAÍZA (desconfiada): Você tem alguma coisa a ver com isso, João?
JOÃO: Eu? Do que ‘’ tá falando?
RAÍZA (levanta, caminha até ele): Você mandou as fotos do Marco com a Valentina pra Internet. De quem é esse blog, hein? Você é um dos colaboradores ‘’?
JOÃO (anda pra trás): Você pirou? Tô tão surpreso quanto você.
Raíza mostra querer tirar a verdade dele a todo custo.
RAÍZA: Não pensa que eu esqueci daquela vez que você me fez passar por louca, não viu. Inventou que nunca tirou aquelas fotos da Valentina com o Marco. Nem pra assumir seu erro você foi capaz!
JOÃO: Eu não acredito que você guardou ressentimento, menina (sonso) Eu nunca tive intenção de te fazer passar por uma louca, mas você não me deu alternativa...
RAÍZA: “Não me deu alternativa...” sei, sei. Daqui a pouco ‘’ vai tá fazendo coisas erradas e jogando a culpa em cima de mim.
JOSUÉ: Mas o que tá acontecendo aqui?
JOÃO: É ela, tio. Tá me acusando de publicar umas fotos do Marco e a Valentina na Internet. Nem sei de foto nenhuma.
JOSUÉ (olha repreendendo Raíza): Mas ainda isso? Seja quem for que tirou essas fotos o problema não é nosso.
A garota fica irada, mas controla-se.
RAÍZA: Não é só isso. Alguém filmou o momento que eu salvei o Camilo. Tem alguém me vigiando.
JOSUÉ (incrédulo): E por causa dessa paranóia você quer acusar seu primo?
RAÍZA: Paranóia? (olhar de cumplicidade) Tio, alguém pode tá querendo transformar minha vida num reallity show e o senhor chama de paranóia?
JOÃO: O que tem de tão surpreendente nesse vídeo, Raíza? Você fez uma coisa que qualquer um faria...Não?
Raíza e o tio se entreolham.
JOSUÉ: O João tá certo. Certamente esse alguém quer mostrar que ainda existem pessoas boas nesse mundo. ‘’ tá nervosa à toa, Raíza.
RAÍZA: À toa?
JOSUÉ (cont.): Eu sei que ultimamente andam acontecendo coisas e...
RAÍZA (interrompendo): Não são as coisas que me deixam nervosas, tio... (ela mira no primo que esboça um sorriso) São as pessoas...
CORTA PARA
CENA 9 MANSÃO – SALA [INT.]
[Legenda: 11:15 hs]
Cael está no bar, se servindo de whisky com duas pedras de gelo. Pára com o copo na mão e olha erguido para frente.
Em segundo plano, à soleira da porta está uma mulher de uns 50 anos, cabelos amarrados e ruivos, bonita e de olhar irônico.
MULHER: Não parece animado para sua festa...
Cael se vira com ar surpreso.
CAEL: Mãe?...(ele larga o copo na mesa e vai até ela) Por que a senhora não avisou que vinha?
A mulher desvia do abraço dele e caminha até o sofá.
MULHER: Eu detesto recepção. (ela se senta e cruza as pernas). Essa sua falta de ânimo se deve a quê?
Cael contorna o sofá.
CAEL: Nossa, estou impressionado! (irônico) Quase 1 ano sem nos ver e é isso que tem pra me dizer, senhora Lara Bedlin?
LARA: E o que quer que eu diga? Que minhas viagens foram ótimas até que lembrei ter dois filhos? E que o pai de nenhum dos dois se digna a vir visitá-los?
Cael fecha a cara e volta pro bar.
CAEL: Eu só considero o drº Bedlin como meu pai. (ele apanha o copo) Que mania de me lembrar do outro que nem meu nome deve saber direito.
LARA: Está nervoso...(ela olha as unhas) Ansiedade pela festa?
Ele está de costas, vira a cabeça pro lado, mas não diz nada.
LARA: E onde está o Marco?
CAEL: Digamos que ele...Tirou umas férias dessa casa...
LARA (raiva): Você mandou ele ir embora? O que você fez dessa vez?
Cael se volta esboçando um sorriso indiferente.
CAEL: Eu não preciso fazer nada...(murmura) Ele faz sozinho...
LARA: Como disse?
CAEL: Ele tem sua própria vida...A senhora sabe que quando ele decide uma coisa...
LARA (desconfiada): Pelo menos ele vai à sua festa?
CAEL: Se ele ainda quiser comemorar comigo o meu aniversário...(ele toma um gole)
LARA: Espero que ele vá por que senão a festa será um fiasco...
CAEL: E eu espero que ao menos hoje a senhora não estrague tudo com seu mau humor...
CORTA PARA
CENA 10 APTº 403 – COZINHA [INT.]
[Legenda: 11:30 hs]
Raíza está diante da mesa com uma faca na mão. Corta a cebola enquanto Josué está no fogão cozinhando.
Ouve-se o telefone tocar. Raíza larga a faca, seca as mãos numa toalha de prato e sai para a...
SALA...
...Vai até a rack do computador e atende o telefone.
RAÍZA: Alô?...Cipriano?...(ela estranhamente fica séria)
Josué descansa o ombro à soleira da porta e, sem cerimônias, se põe a escutar a conversa. A garota observa e não gosta.
RAÍZA (ao telefone): Festa? Ah! Fiquei sabendo sim...Por quê? Você vai?
CIPRIANO (V.O): Pensei em ir contigo. Nunca saímos para um passeio antes, não?
RAÍZA: Eu não vou. O Cael veio me convidar, mas...
CIPRIANO (V.O): Mas aí você achou que é muito cedo pra compartilhar uma alegria com ele depois do que aconteceu, ‘’?
Raíza suspira.
RAÍZA: Não me sentiria bem por lá. Sei que poderei ser tratada como uma coisa qualquer.
CIPRIANO (falso conselho): Você vai deixar que ele pense que o primeiro desentendimento de vocês já é motivo de separação? Muita água ainda pode rolar até que vocês entendam que é preciso compreender os erros dos outros pra se perdoarem...
A garota não tem argumentos. Suspira, mais uma vez.
RAÍZA: Falou bonito, hein, mas...Na prática é bem mais difícil. (pausa) Mas vou pensar. Quem sabe eu não mudo de idéia? (pausa) Pra você também, tchau!
Ela abaixa o fone devagar, desliga o telefone.
JOSUÉ: Se você não quer ir à boate, não vá, hein.
RAÍZA: Sabia que é feio ficar ouvindo a conversa dos outros?
JOSUÉ (tom sarcástico): ‘’ tem mais algum segredo que eu não saiba?
Os dois se fitam estranhamente.
CORTA PARA
CENA 11 L.A HOUSE [INT./NOITE]
O som da música é alta, ensurdecedora. As luzes piscam freneticamente e as pessoas dançam sem olharem pros lados.
A cena vira e mostra Raíza vestida com um conjunto preto. Tem um semblante tenso, incerto.
Olha para Cael lá adiante segurando uma taça de champanhe vazia.
Ele sorri para ela, feliz. Os dois fazem menção de se aproximarem quando ele pára, de repente.
Sua expressão é confusa. Ele passa a mão pela nuca, esboça fraqueza. Olha para o copo e a deixa cair.
[efeito câmera lenta] O copo cai e se espatifa no chão.
Cael, tonto, cambaleia entre as pessoas e vem cair nos braços de Raíza. A moça o apóia até o chão. [Fim do efeito]
RAÍZA: Cael?...(ela o sacode) CAEL?
Marco se agacha e toca seu pulso. Olha para Raíza e esboça um sorriso sarcástico discretamente.
MARCO: Ele está morto.
A imagem esmorece e no lugar aparece o azulejo do banheiro do...
APTº 403.
Raíza está sentada olhando para a parede com cara de aflita.
RAÍZA (murmura): Vão tentar matá-lo no dia do aniversário!
CORTA PARA
CENA 12 L.A HOUSE [EXT.]
[Legenda: 19:30 hs]
Entre tantos carros, um verde pára próximo à calçada, a porta é aberta e Raíza sai, num vestido preto, cabelos amarrados e um singelo batom rosa.
Cipriano bate a porta e contorna o carro.
CIPRIANO: Me explica de novo; Você disse que sonhou ter visto o Cael passar mal?
RAÍZA: Sim. Eu (pausa) Eu sei que é absurdo, mas...Você sabe como eu ligo pra esse negócio de sonho, ‘’?
CIPRIANO (desconfiado): Sei...O que eu sei é que você dá muita importância a isso...
Os dois caminham até a entrada.
[INT.]
Assim que Raíza entra na boate, atrai os olhares de algumas pessoas, inclusive de Valentina que a olha de cima em baixo.
Valentina está elegante com seu vestido branco, reto e cheio de brilho; como se estivesse repleta de lantejoulas. O cabelo amarrado realça seu rosto sério e descontente com a presença de Raíza.
VALENTINA: Ora! Pensei que por um bom tempo não a veria por aqui.
RAÍZA: Boa noite pra você também, Valentina. (ela procura com os olhos por Cael) Como tem passado?
VALENTINA: Graças a você, viva...Não?
CIPRIANO: E o aniversariante?
CAEL: Alguém me chamou? Eu tô aqui.
Cael e Raíza se olham fixamente. Tanto um quanto o outro faz menção para se abraçarem e, naquele vai ou não vai, Marco aparece interrompendo.
MARCO (sorriso malicioso): Raíza! Que bom te ver...Tão linda...
Valentina revira os olhos, chateada. Raíza, por sua vez, nada responde.
RAÍZA: Ahn...Licença, Eu vou até ali.
21 de Março: 19:35 hs
Ari pára o que está fazendo, de trás do balcão, quando a amiga se aproxima.
ARI: Menina!...Essa produção toda é pro...
RAÍZA: Nem termina o que começou, hein (ela sorri e apóia o cotovelo direito sobre o balcão) Me conta: como tem sido o serviço aqui?
ARI: Ah, eu gosto muito daqui. O chato é quando alguém vem pegar a bolsa de volta e dá por falta de alguma coisa. Aí quer me acusar... ‘’ já viu ‘’?
RAÍZA: E como é que você faz pra sair dessa?
ARI: Mantenho a calma. Às vezes, o Marco até que me ajudava viu...Eu sei que ele é o que é, mas no trabalho, pelo menos...
Raíza nota que Marco a olha, de braços voltados para trás e com aquela cara de cínico.
RAÍZA: ‘’ abre o olho com ele, hein...Aquilo ali não vale o que come...
As duas riem. Em seguida, Raíza olha por todo o salão.
RAÍZA: Ah! Olha o Dc ali em má companhia...
Dcr está ao lado de João Batista no balcão de bebidas.
ARI: Mas aquele ali é o seu primo, amiga...
RAÍZA: Por isso que digo...
Ela sai e vai atravessando a pista. Alguém a puxa pelo braço.
VALENTINA: O que pretende, hein? Você não devia ter vindo...
Raíza solta seu braço do dela.
RAÍZA: O Cael me convidou...Dizem que negar um convite é...Feio.
VALENTINA: Eu só espero que você não tenha nenhum ato heróico em mente.
Raíza engole a saliva e olha, inquieta para os lados.
RAÍZA: Ato heróico?
VALENTINA: É! Ato heróico. Eu não sei o que você arruma, mas onde você tá sempre acontece algo de surpreendente. Não vá querer chamar a atenção, hein!
Raíza dá as costas, ar preocupado. Caminha em direção ao bar, pensativa.
RAÍZA (em OFF): Será que ela desconfia de alguma coisa? Será que ela viu algo que não devia?
JOÃO (cínico): Você veio, prima?
Raíza dá uma parada diante dele e uma olhada daquela.
RAÍZA: Precisa mesmo que eu responda?
DCR: O que houve, Raíza? Algum problema?
RAÍZA (em OFF): Ai que saco! Sempre essa pergunta: O que houve? Algum problema?...Parece que eu vivo carregada disso...
JOÃO: Ih Dcr, topou com o Marco, aposto.
A brincadeira arranca risos de Dcr.
RAÍZA: Não, gente, tá tudo bem...
A garota não pára de olhar para o lado de Cael e, ao mesmo tempo, para o garçom.
CORTA PARA
CENA 13 21 de Março: 20:00 hs
Lara chega com seu vestido bege cheio de brilho. Marco se aproxima e pega sua bolsa.
LARA: Essas luzes, um dia me mata!
Marco sorri e vai até a chapelaria. Entrega a bolsa e sorri para Ari.
MARCO: Tem tido problemas aqui?
Ari dá as costas e guarda a bolsa de Lara.
ARI: Pouco. Com o tempo vou tirar de letra.
Ele apóia o cotovelo sobre o balcão e olha para trás.
MARCO: A Raíza que me parece não estar muito bem...
Ari olha adiante e vê Cipriano de cochichos com Camilo no bar.
BAR...
Cipriano abaixa a cabeça diante de Camilo a fim de disfarçar.
CIPRIANO: Você já sabe o que tem que fazer, não?
CAMILO: Eu sei. Só espero que você também saiba...
CIPRIANO: Eu sempre sei o que tenho que fazer.
Ele olha para trás e vê Marco do outro lado.
CIPRIANO: As coisas nem sempre saem conforme planejamos...
CAMILO: E tudo isso por conta de um sonho da Raíza...
CIPRIANO (ele torna a olhar para Camilo): É isso que tem que ser. Apenas um sonho.
CHAPELARIA...
Rafaela se aproxima do balcão e sorri para Ari. Marco está de costas.
RAFAELA: E aí, Ari? Tudo bem? A Raíza já chegou?
Marco se vira com aquele sorrisinho de canto.
MARCO: Olá. Parece que o Cael tem bastantes amigos, hein.
Rafaela sorri meio que sem saber o que dizer. Em seguida, olha adiante.
RAFAELA: Não parece, apenas.
Os dois sorriem, mas nota-se que Marco não gosta da resposta, diminuindo o sorriso.
BALCÃO...
Camilo caminha na direção de Raíza com a bandeja com três coquetéis. Ele estende a bandeja, João pega o dele, Dcr faz o mesmo e quando Raíza leva a mão, Rafaela pega no lugar dela.
RAFAELA: Bebendo, hein, Raíza. O que seu pai diria disso?
Todos riem.
Em segundo plano, Cipriano observa apreensivo.
Rafaela entrega o coquetel a Raíza e esta leva a boca. Camilo olha, ansioso e Raíza nota.
RAÍZA: Quer me dizer alguma coisa, Camilo?
CAMILO: Ahn...Não...Com licença.
Ele sai.
DCR: Esse cara é sinistro, hein.
RAÍZA: Humm...
Raíza bebe de uma só vez, close na taça.
JOÃO: Raíza, ‘’ não tá acostumada. Vá com calma.
RAÍZA: Sua preocupação é tocante.
Rafaela e Dcr riem, mas não notam a ironia em sua frase.
21 de Março: 20:15 hs
Cael se aproxima pelas costas de Raíza.
CAEL: Raíza.
Ela se volta, seus olhos estão avermelhados.
CAEL: Obrigado por ter vindo. Eu pensei que não viesse...(pausa) Seus olhos...Estão vermelhos.
RAÍZA: Deve ser essas luzes.
Um garçom passa com apenas um coquetel. Se dirige à Cael, mas Raíza se antecipa e pega em seu lugar.
RAÍZA (toma tudo de uma vez): Desculpe. Não resisti.
Ele a olha, sorri meio desconfiado de sua ação.
CAEL: Algum problema, Raíza?
Ela lhe dá uma olhada rápida, abaixa a cabeça.
RAÍZA: Tá tudo bem comigo...
CHAPELARIA...
Ari observa a amiga e faz que vai sair detrás do balcão.
MARCO: Aonde você vai?
ARI: Eu preciso falar com a Raíza.
MARCO: Acho que o Cael não vai gostar se você abandonar a chapelaria. (pausa) Se quiser eu a chamo aqui.
Ari ora olha para Raíza, ora para Marco.
ARI (desconfiada): Faria isso?
Ele sorri em tom malicioso.
CORTA PARA
CENA 14 APTº 403 – COZINHA [INT./NOITE]
Bruno entra apressado e Josué vem atrás. Bruno parece querer ignorá-lo e o irmão é insistente.
JOSUÉ: A Raíza está acusando o João de uma coisa que ele não fez! Se ele tivesse tirado aquelas fotos, ele teria me dito.
Bruno abre a geladeira.
BRUNO: Você tá querendo me dizer que a Raíza deu pra mentir?
JOSUÉ: Não foi isso que eu quis dizer...
BRUNO: Tenho certeza que ela deve ter tido seus motivos.
JOSUÉ: Agora é você que acha que o João tá mentindo?
Bruno pega a garrafa d’água e fecha a geladeira.
BRUNO: Eu não disse isso. Acontece que ela sempre acerta quando diz que viu o futuro.
Josué senta à mesa e Bruno apanha o copo.
JOSUÉ: Você confia demais nos poderes dela. Qualquer um pode falhar.
BRUNO: Deve ser por isso que você concordou em não contar o segredo dela para o João? (ele coloca água no copo) Ele pode falhar na missão de guardar o segredo?
Os dois se fitam.
CORTA PARA
CENA 15 L.A HOUSE [INT.]
21 de Março: 20:20 hs
Raíza não tira os olhos de Cael do outro lado perto de Valentina.
As luzes passam pelo seu rosto mostrando seus olhos mais vermelhos. Ela olha adiante.
[POV de Raíza]
As luzes piscam freneticamente, as pessoas dançam, se sacodem e na visão de Raíza tudo começa a se fundir, embaralhar.
JOÃO: Que cara é essa, Raíza? Algum problema?
A garota lhe dá uma olhada seca.
RAÍZA: Por quê? Tô com cara de quem tá com problemas?
Ela dá as costas e caminha na direção do banheiro.
JOÃO: Minha nossa!
Marco a puxa pelo braço e se assusta com sua expressão.
MARCO: Algum problema, querida?
RAÍZA (alterada / imitando o que já ouviu): ‘O que houve? Algum problema?’ (ela repete fechando as mãos) Sempre essa pergunta...Será que não posso ter a cara que eu quiser sem ter um problema?
MARCO: Uh! Está nervosa? (ele ainda segura seu braço e aproxima o rosto, murmura) Eu te deixo nervosa?
Ela mira na mão dele a apertando.
RAÍZA (compassadamente): Dá pra me soltar?
MARCO: Isso é porque o Cael não está lhe dando atenção?
Ouvem-se vozes altas por parte de Marco que se misturam ao som da música, mas apenas Raíza ouve o som estridente. Ela fecha os olhos, abre, nota-se que se perturba.
RAÍZA (entre dentes): Será que você pode falar só com a boca? Não precisa ficar me tocando!
Ela se solta bruscamente, se desequilibra e cai nos braços de Cael.
A moça o olha fixamente.
CAEL: Posso saber o que tá havendo aqui?
Tocando: Lose ControlEvanescence ->

Na visão de Raíza, o rosto de Cael parece se dividir em dois, sua voz sai leve e distante. A garota fita seus lábios se mexerem, pisca os olhos como se tivesse dificuldade pra enxergar.
Ela toca seus ombros e aperta, deixando-o tenso. Rapidamente, a garota toca seu rosto e o rapaz disfarça um prazer. Acaricia sua nuca, ele fecha os olhos e subitamente abre. Ela lhe dá um beijo na boca.
Algumas pessoas, como Marco, Valentina, João, Dcr e Rafaela olham estarrecidos.
VALENTINA: SOLTA ELE, SUA LOUCA!
LARA (murmura): Aquela magrinha, sem graça é bem ousada, hein...
Valentina dá um tapa em Raíza causando alvoroço.
Rafaela já está com sua câmera a postos.
Marco segura Raíza pelas costas.
RAÍZA (se debate): Me solta!... Me solta!... ME SOLTA!
VALENTINA (aponta-lhe o dedo): EU FALEI PRA VOCÊ NÃO APRONTAR NADA, SUA LOUCA!
21 de Março: 20:35 hs
As imagens para Raíza dão voltas, as luzes se fundem violentamente.
CAEL: SOLTA ELA, CARAMBA! (ele puxa o braço do irmão).
Enfurecida, Raíza volta pro balcão, apanha uma garrafa, dá um giro e bate no rosto de Marco.
MARCO: Aaai!
JOÃO (murmura, possesso): Ela perdeu o juízo, meu Deus!
Marco toca o rosto que sangra.
MARCO: Seguranças! Tirem essa doida daqui!
Cael o contém.
CAEL: Você não manda mais aqui, Marco!
LARA: Como é?
MARCO: Olha o que ela me fez, Cael? Olha! Quer que ela faça o mesmo com você? Quer?
Raíza ainda mantém a garrafa nas mãos, olhar fixo, vermelhos, medonhos.
RAÍZA (ainda com a garrafa na mão): Você é um cínico, descarado! Aposto como é você que quer matar seu irmão!
Ouvimos vozes de surpresa.
LARA: Você perdeu a noção, garota?
MARCO (tentando manter a calma): Isso é um absurdo!
VALENTINA: Faça alguma coisa, Cael!
Ele mira em Raíza e a vê perturbada, estranhamente perturbada.
RAÍZA: Tô te falando, Cael! Ele (ela aponta a garrafa de olhos arregalados) Alguém quis te matar, só pode ser ele!
CAEL: Por que insiste nisso? Se baseia em quê?
RAÍZA (olhar parado): Eu vi...Eu vi...(sua voz é ofegante)
Marco a pega pelo braço.
MARCO: É melhor você sair daqui, está tumultuando.
Ela levanta o braço e dá-lhe outra garrafada.
João a puxa pelo braço a força.
JOÃO (entre dentes): ‘’ já deu seu showzinho, agora vamos embora!
RAÍZA (murmura): Me larga...
VALENTINA: Eu quero garantir que você vai sair daqui.
Ela segura a garota por outro lado e nota-se a expressão nervosa em Raíza. Esta se curva para baixo tentando se desvencilhar.
21 de Março: 20:40 hs
RAÍZA (O.S): NÃO TOQUEM EM MIM! NÃO TOQUEM EM MIM!
Raíza está curvada, João e Valentina, cada um de um lado, a segura. João oculta a prima quando ela levanta. Ela mete a garrafa no pescoço do primo e derruba os dois sobre um grupo de pessoas.
Seu olhar aceso, sua expressão desnorteada denuncia um estado nada normal. O espanto é geral.
MARCO (deboche): Coitada dela! Ela precisa de ajuda.
Raíza olha a sua direção com raiva.
RAÍZA: Ajuda quem vai precisar é você!
E avança nele tapando sua boca.
CAEL (a tira de cima de Marco): POR FAVOR, RAÍZA!
A garota se volta.
Todos a olham, espantados e outros, com ar de reprovação. Ela vai olhando cada um e entre eles está Dcr, Rafaela, Ari e João balançando a cabeça negativamente. As imagens se entortam a sua frente.
Ela sai empurrando todo mundo e corre.
[EXT.]
CAEL (grita): Raíza!
ARI (grita): Pra onde é que ‘’ vai?
Raíza entra, correndo, dentro de um carro qualquer, bate com a porta.
INSERT – chave do carro
Ela vira a chave e liga.
VOLTA À CENA
Cael corre, bate na janela, mas ela sai cantando pneus, enfurecida.
ARI (grita pra Cael): CORRE! CORRE!
Ao mesmo tempo, Dcr observa a cena com ar desconfiado.
Cael abre a porta de um outro carro e alguém põe a mão na janela.
MARCO (reprovando): O que pensa que vai fazer com o meu carro?
CAEL: É melhor você tirar essa mão daí.
Cael entra, bate a porta e sai em disparada.
CARRO – RAÍZA [INT.]
Raíza está de olhos arregalados, olhar fixo para frente.
INSERT – visor de velocidade
A marcação ultrapassa os 120 km/h.
VOLTA À CENA
CARRO - RAÍZA [EXT.]
CAEL: PÁRA ESSE CARRO, RAÍZA!
RAÍZA (balbucia): Cael...
Raíza olha para baixo, olha para frente, ouve-se a voz de Cael embaralhar e se transformar em vozes que ecoam. A expressão de seu rosto é confusa, põe a mão na cabeça, aturdida.
INSERT – Freios
Raíza pisa em tudo que é lado menos nos freios.
RAÍZA: Eu não consigo frear! Eu não consigo!
Lá adiante, uma curva. A imagem vai escurecendo deixando-a desesperada. Até que toda a imagem se torna negra.
TOYOTA [EXT.]
Cael tenta emparelhar com o carro onde Raíza está e a vê com o rosto caído sobre o volante.
CAEL: RAÍZA!
Cael desacelera.
Um caminhão vem pela transversal à direita.
Cael se desespera.
O carro onde Raíza está chega na transversal.
O caminhão bate, joga o carro adiante. O carro capota pela estrada.
Cael sai do carro e corre. Quando ele vira a rua, pára, chocado.
O carro está com a porta aberta. Cael anda devagar e vê Raíza caída no chão sem ferimentos.
A música termina...
FADE OUT
FADE IN
CENA 16 HOSPITAL [EXT./NOITE]
Ouvimos o som de ambulância.
QUARTO [INT.]
Raíza está no soro, desacordada.
SALA DE ESPERA [INT.]
O relógio marca 21:30 hs.
Josué, desassossegado, anda de um lado e de outro com as mãos voltadas para trás. Bruno, sentado no banco de espera, segura sua mão assim que tem oportunidade.
BRUNO: Dá pra ficar quieto, por favor!
Josué pára, finalmente e leva a mão para frente, fechando-a.
JOSUÉ: Você tem idéia da gravidade, Bruno? Sua filha bebendo e tomando remédios!
BRUNO: Minha filha não faria isso por vontade própria. Não mesmo.
Josué abaixa a cabeça, olha para ambos os lados.
JOSUÉ (murmura querendo gritar): Eu não sei. Eu só sei que ultimamente ela anda muito nervosa...Não se esqueça que hoje ela acusou o João sem fundamento e ainda o agrediu!
BRUNO (pensativo): Sei, mas...Essa não seria uma atitude sensata dela. Ela nunca se drogaria e não acho que o Cael permitiria isso.
JOSUÉ (nervoso): Ele é dono de uma casa noturna. Que tipo de ambiente você acha que é?
Os dois se encaram.
BRUNO: Tem algo errado nessa história.
JOSUÉ: Claro que tem! O médico encontrou uma quantidade absurda de remédio no organismo dela. O suficiente para matá-la. E veja bem! (murmura) é remédio pra cabeça você entende ‘’?...
Em segundo plano, Dcr está no bebedouro, escuta paralisado e ainda desconfiado.
FADE OUT
FADE IN
CENA 17 HOSPITAL – QUARTO [INT./NOITE]
A porta é aberta e João Batista, com um curativo no pescoço, entra, pára perto da porta e olha para a prima. A garota está com olheiras profundas, pálida e sem força pra se levantar.
JOÃO: Como se sente depois do vexame?
RAÍZA: Se veio aqui me avacalhar...
JOÃO (ele encosta a porta): Parece que você não está tão mal assim; Já tá querendo me agredir, de novo.
A garota tenta se ajeitar na cama, incrédula.
RAÍZA: De novo, João?
JOÃO (agressivo): Não se lembra? (ele põe o dedo no pescoço) tá vendo isso aqui? Obra sua! (pausa) Enquanto você dá uma de heroína a quem nada seu é eu quase morri essa noite.
RAÍZA: Eu não estava em mim, garoto!
João aproxima e quase encosta o rosto no dela.
JOÃO: Mentira! Como é que você se lembra então? Se não estava em si devia ao menos ter se esquecido.
RAÍZA: Eu não sei!
JOÃO: Mas eu sei. Você pensa que fui eu quem publicou aqueles vídeos lá e queria acabar comigo ‘’? Sei que lúcida você não faria, mas aí você se drogou pra tomar coragem não?
RAÍZA: Francamente, João? (irritada) Se fosse pra te matar não seria num lugar tão cheio de gente ‘’?
Josué está atrás da porta, espantado.
CORTA PARA
CENA 18 QUARTO [INT./NOITE – mais tarde]
Ouvimos alguém bater na porta.
RAÍZA: Entra!
A porta é aberta e aparece Cipriano, sorriso meigo, fingido. Ele entra e fecha a porta.
CIPRIANO: Vim saber como você está.
RAÍZA (sorri): Como você pode ver, deitada após passar por uma sessão de desintoxicação.
Os dois sorriem. Ele chega perto e senta na beirada da cama.
CIPRIANO: Como isso foi acontecer, hein?
RAÍZA: Eu não sei. Mas aposto como aquilo era pro Cael. Veja como tudo se encaixa: Cael tomaria a bebida e, como cada um pode responder diferente ao remédio, o irmão poderia dá-lo como incapaz de dirigir seus negócios ou...o mataria logo!
Cipriano a olha fingindo estar impressionado e ao mesmo tempo, incrédulo.
RAÍZA: Você acha loucura minha ‘’?
Ele toca suas mãos.
CIPRIANO: Raíza, será que não é cisma sua? Afinal, você acreditou no seu sonho e olha quem está aqui.
RAÍZA (pensativa): É...Tem razão.
Ele sorri mal intencionado.
CORTA PARA
CENA 19 MANSÃO [EXT./NOITE]
MARCO (V.O): Posso saber por que a Raíza tomou o coquetel no lugar do Cael? (pausa) Como assim você não faz idéia?
As vozes vêm de dentro de um carro. Marco, com um curativo no rosto, está ao telefone.
MARCO: Eu sei que ela tomou os dois coquetéis dirigidos ao Cael, mas por que ela fez isso? Parece até que estava adivinhando.
CIPRIANO (V.O / calmo): Já ouviu falar em intuição feminina? Ela disse que teve um sonho ruim com o seu irmão. Talvez vem daí a atitude dela.
MARCO: Não me venha com gracinhas. Você acha mesmo que alguém se arriscaria por causa de um sonho?
CIPRIANO (V.O): Você devia perguntar se o sonho fosse contigo se ela arriscaria tanto assim pra te salvar.
Marco faz uma cara de dúvida, titubeia.
MARCO: Mas ela já se arriscou, um dia.
CIPRIANO (V.O): Quando nem te conhecia...Direito.
Close na expressão sentida de Marco.
CIPRIANO: Lamento se ela anda te dando trabalho...
O telefone é desligado. Marco desliza o fone pelo rosto com ar pensativo.
CORTA PARA
CENA 20 MANSÃO – ESCRITÓRIO [INT./NOITE]
Marco entra com as mãos dentro dos bolsos da calça.
Cael está sentado atrás da mesa, tranquilo.
MARCO (irônico): Pensei que fosse fazer serão no hospital...
Cael vira a folha na direção do irmão que o olha com deboche. Cael observa a cicatriz em seu rosto.
CAEL (aponta o dedo / debochado): Ainda dói muito?
MARCO: Isso não foi nada (ele tira as mãos dos bolsos e apóia sobre a mesa) E a festa de hoje? Vai doer por quanto tempo?
Cael põe os braços sobre a mesa, desprende os lábios numa expressão indiferente.
CAEL: A única coisa que lamento foi a Raíza ter sofrido o acidente. (Ele puxa a caneta de dentro de um pote e a coloca sobre os documentos) E juro que foi a única coisa da qual lamento.
Marco olha para o papel, para o irmão e, seriamente, segura a caneta com tanta força que dá a impressão de que vai quebrar.
Assina sob o olhar de Cael com os cotovelos na mesa e as mãos juntas.
CAEL: Agora você está oficialmente fora da boate.
Em segundo plano, Lara, pela fresta da porta, observa a cena, inconformada.
FUSÃO PARA
CENA 21 HOSPITAL – QUARTO [INT./NOITE]
A cena mostra as costas de Dcr sentado na beirada da cama.
DCR: E então, Raíza? Aquela bebida era pra outra pessoa ‘’?
A cena vira e mostra Raíza, deitada sem saber o que dizer.
DCR: Você sonhou ‘’?
A garota esboça surpresa.
DCR: Se foi sonho eu acredito viu. Imagine você que meu pai sonhou ter te visto naquela clínica do mesmo jeito que você disse ter sonhado?
Raíza desvia o olhar, sem entender.
RAÍZA: Sério?
DCR: Te juro por Deus! Pelo Marco mortinho da silva!
A garota se põe a rir.
DCR: Parece coincidência viu, mas acho que você pode ver o futuro!
Raíza pára de rir.
DCR: Tô brincando. (sorri) Mas acho estranho você ter tomado duas vezes a bebida dirigida a Cael...Por que fez aquilo?
RAÍZA: Ahn...Eu...Eu já tinha tomado umas e...Acho que nem sabia o que fazia...
DCR: Humm...(desconfiado) Você não se arriscaria por qualquer um, não?
RAÍZA: Dc! Eu não fiz aquilo pra salvar ninguém, que coisa! (pausa) Diz aí, o que era exatamente a substância que encontraram no meu organismo?
DCR: Era uma dose exagerada de remédio pros nervos...É incrível que você não tenha morrido...Pelo contrário, até dirigir você dirigiu...Quando foi que você tirou a carteira?
A garota não sabe o que responder e se mostra tão surpresa quanto ele.
DCR: Ah, entendo. Você não tirou a carteira...(Ele sorri e ela se mostra sem graça) Deu medo, viu.
RAÍZA: Você teve medo...De mim?
DCR: Qualquer um teria. Foi horrível pensar que você poderia acabar como o meu pai...
RAÍZA: Seu pai? O que tem ele?
Dcr mostra-se que falou demais. Aperta sua mão e fecha os olhos abrindo-os rapidamente.
DCR: Você teve os mesmos sintomas que ele no ano passado...Ele começou a se irritar facilmente, não falava coisa com coisa até que, agindo como louco, ele bateu com o carro.
RAÍZA: Dcr!...Então...Ele tá internado? Aquele...Aquele sonho que tive era verdade?
DCR: Não é espantoso?
Raíza segura suas mãos, mas o semblante de Dcr é calmo.
DCR (esperançoso): E hoje, Raíza, graças a você, eu me dou conta de uma coisa importante.
RAÍZA: O que eu fiz dessa vez?
DCR: É que, das três vezes que ele voltava pra casa a gente dava o remédio, exatamente esse que você tomou e...Só que ele bebia. A mistura o deixava fora de si. Você sabe o que isso significa ‘’?
RAÍZA: Que ele nunca esteve louco?
DCR (sorri): É.
A garota demonstra felicidade, mas uma ruga de expressão em sua testa denota temor.
RAÍZA: Será que mais um pouco eu poderia ser internada num lugar assim?
Tocando: So Far AwayStaind ->

Dcr levanta os ombros.
FUSÃO PARA
CENA 22 HOSPITAL [EXT./MANHÃ SEGUINTE]
QUARTO [INT.]
A cena mostra a porta, ouvimos alguém bater e abrir em seguida.
Cael põe a cara para dentro e sorri um sorriso fechado.
CAEL: Posso entrar?
RAÍZA: Claro!
Ele entra com um ramalhete de rosas brancas e fecha a porta. Tem um brilho nos olhos, uma expressão animada.
CAEL: Eu vim ontem, mas você estava dormindo...(ele mostra as rosas) Dizem que branca é a cor da paz, então...
RAÍZA: Pelo o que eu soube, estraguei sua festa ‘’?
Ele se aproxima, põe as rosas do lado da cama e senta.
CAEL: Não diga isso. O importante é que você está bem. É de admirar que depois de ter ingerido tantos remédios e bater com o carro você tenha saído ilesa...
Raíza demonstra vergonha.
RAÍZA (finge): Eu não lembro disso...
CAEL: Nem de quando...
RAÍZA: De nada.
Cael não esconde uma certa frustração.
CAEL: Embora você não se lembre...Você salvou minha vida ontem...Eu não sei se eu tivesse bebido...
Ela o olha sentida como se acreditasse que ele é apenas grato e que sua amizade se resumisse a isso. Gratidão.
Ele nota Raíza a olhá-lo, quieta.
CAEL: Tá tudo bem?
Ela sorri, timidamente.
RAÍZA: Ahn...‘’ é tão diferente do seu irmão...
CAEL: Melhor não falarmos dele, não é mesmo?
Ela sorri novamente.
CAEL: ‘Taí’ alguém que eu gostaria que você esquecesse.
Ela se levanta, se ajeita na cama e segura sua mão.
INSERT – Mãos dos dois
Ela acaricia e ele corresponde.
VOLTA À CENA
RAÍZA: Eu esqueci de muita coisa, mas tem algo que eu lembro de não ter feito ontem.
Cael não entende e tão logo recebe um abraço dela. Surpreso, ele não reage.
RAÍZA: Ainda dá tempo de um abraço de feliz aniversário?
Ele fecha os olhos e apóia o queixo sobre seu ombro correspondendo ao abraço. Sorri.
A cena vai se afastando...
FADE TO BLACK
FIM DO EPISÓDIO
A música termina nos créditos...




Autora:

Cristina Ravela

Elenco:

Raíza (Maria Flor)
João Batista (Caio Blat)
Bruno (Juan Alba)
Josué (Caco Ciocler)
Cael (Michael Rosenbaum)
Marco (Pierre Kiwitt)
Rafaela (Fernanda Vasconscellos)
Ari (Nathália Dill)
Dcr (Aaron Ashmore)
Valentina (Alinne Moraes)
Cipriano (Thiago Rodrigues)

Participação Especial:

Camilo (Sérgio Marone)
Lara (Jane Saymour)
Daniel (Zecarlos Machado)

Trilha Sonora:

Lose Control – Evanescence
So Far Away – Staind

Produção:

Bruno Olsen
Cristina Ravela


Esta é uma obra de ficção virtual sem fins lucrativos. Qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.


REALIZAÇÃO


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Proibida a cópia ou a reprodução
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