0:00 min       RAÍZA     SÉRIE
30:00 min    


        WEBTVPLAY ORIGINAL APRESENTA
RAÍZA


Série de
Cristina Ravela

Episódio 2 de 20




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No episódio anterior...
O dia está claro, som dos pássaros cantando por perto. O rosto de Raíza é sereno. Ela abre os olhos subitamente.
CENA 1 RUAS DA CIDADE [ EXT./Manhã]
Raíza se levanta e olha por todo o ambiente. Caminha, em passos curtos e de olhar perdido. Olha por todos os lados, esbarra nas pessoas e acaba se afastando demais de João.
Este acorda muito tempo depois e olha estranho pro ambiente. Ele senta e logo se levanta à procura da prima. Aflito, ele corre até a estrada, mas não a vê.
Adiante, a boate L.A House. Raíza anda devagar e atravessa a rua.
Olha o relógio; Está parado em 17:40. Observa seu pulso cicatrizado e vermelho e logo volta à cor natural. Diante de teus olhos.
CORTA PARA
CENA 2 L.A HOUSE – ESCRITÓRIO [ INT.]
Uma papelada é jogada com força em cima de uma mesa pelas mãos de um homem. A cena sobe e revela Cael, visual diferente, cabeça raspada, rosto mais liso. Cara de desagrado.
CAEL: Eu confiei a você um patrimônio de meu pai e olha o resultado.
Marco, de cabelos mais curtos e de pé, põe as mãos na cintura.
MARCO: Você está me acusando de alguma coisa? Você manda fazer uma vistoria baseada em não sei o quê e agora sobra pra mim?
CAEL: Você é o administrador, o que quer que eu pense?
MARCO (calmo): Que eu não cuido de tudo sozinho?...Ah, aposto como não pensou nisso.
CAEL: Tudo tem que passar pela sua mão, Marco.
MARCO: Como tudo passa pela sua?
Cael desvia o olhar e fricciona os lábios.
MARCO (de um cinismo irritante): Você delegou poderes a mim como eu posso delegar poderes a outro. A não ser que você seja contra as futuras promoções dos empregados.
CAEL: Acontece que esses empregados não são seus sócios.
Foi a vez de Marco desviar o olhar. Ele passa a mão pelo rosto. Aproxima de Cael, de repente.
MARCO: Quem está me acusando? De quem foi a idéia de me difamar?
Cael limita-se a guardar a papelada numa pasta preta de polionda.
Marco dá um soco na própria mão.
MARCO: Eu devia saber! Foi meu pai! Ele não perde uma oportunidade de me ver pelas costas!
CAEL: Ele não te acusou de nada. Você que já está com mania de perseguição.
MARCO (da calma aparente para irritado): Está vendo! Já está querendo que eu me culpe. (tom de conformidade) Já fui sentenciado. Não vou ficar aqui pra ouvir mais nada.
Abalado ele dá as costas.
Cael contorna a mesa, joga a pasta sobre ela e segura no braço do irmão.
CAEL: Espera! Eu ainda não terminei...
MARCO: Espera nada! (ele se desvencilha) Você não quer ouvir minha versão, já tirou suas próprias conclusões. Está esperando o quê pra chamar a polícia?
Marco sai da sala. Cael fica parado, sem reação aparente.
L.A HOUSE [EXT.]
Nesse momento, Raíza se aproxima da boate. Olha tudo ao seu redor, confusa.
L.A HOUSE [INT.]
Marco desce as escadas rapidamente. Ao chegar ao pé da escada, ouve Cael chamar.
CAEL: Marco, vamos conversar direito!
Marco continua em passos largos, põe a mão no bolso da calça, tira um molho de chaves. Abre a porta de vidro e sai...
L.A HOUSE [EXT.]
...Marco pára na calçada, faz um movimento com a chave.
De repente, Raíza observa um pedaço de concreto cair do parapeito da casa noturna.
Marco destrava a porta do carro.
RAÍZA: EI! CUIDADO!
Marco vira o rosto para o lado contrário.
Raíza corre e se a joga nele. (efeito câmera lenta) Os dois caem na calçada, alguns pedaços do concreto atingem a moça que protege o rosto do rapaz, inconsciente ao bater com a cabeça no chão. (fim do efeito)
Cael aparece da porta, afobado e vê a moça sobre o irmão. Os dois se entreolham estranhamente.
Close no rosto de Raíza.
João Batista, ao longe, assiste à cena assustado com a resistência da prima.
FADE OUT


1X02 FUTURO

FADE IN
CENA 3 HOSPITAL [INT.]
No corredor, Cael toca nos ombros arranhados de Raíza, preocupado. A olha nos olhos e, ela o encara.
CAEL: Você tem certeza que não quer fazer uns exames?
RAÍZA: Não...(ela dá uma pausa e, constrangida pelo seu olhar, disfarça) Espero que eu não tenha piorado as coisas pro seu irmão...
CAEL: Tenha certeza que uma garota cair sobre ele foi melhor que um concreto.
Ela ri.
CAEL: Desculpe, nem me apresentei: meu nome é Cael e o seu?
RAÍZA: Raíza.
CAEL: Humm (Ele a observa com cara de desconfiado).
CAEL [Em OFF]: Parece que eu a conheço de algum lugar...
RAÍZA [Em OFF]: Por que ele me olha assim?
CAEL: Nunca nos esbarramos por aí? O seu rosto...Me parece...
MÉDICO: Por favor, o senhor já pode ver seu irmão.
Cael segura em sua mão e, ela olha, sem jeito.
CAEL: Vamos?
Os dois trocam olhares.
CORTA PARA
CENA 4 HOSPITAL - QUARTO [INT.]
Marco está sentado na cama, com uma faixa na perna, nada grave e, despenteado. É observado pelo irmão e pela visitante.
Ele olha a moça com um olhar esnobe e mortal. Depois pra Cael.
CAEL: Marco, esta é Raíza , a garota que te salvou, se lembra?
MARCO (sério): Não. Ela deve ter vindo voando...Eu só senti o baque.
CAEL: Que grosseria é essa, Marco? Você poderia estar morto! Já imaginou um pedregulho daquele em cima de você?
MARCO: E faz alguma diferença um pedregulho ou uma acusação?
Cael vira o rosto em direção a moça e ela abaixa a cabeça, sem graça.
CAEL: A gente conversa em casa, agora agradeça a moça e vamos embora.
MARCO: Eu não pedi pra ser salvo.(ele torna a olhar a moça com um olhar desprezível).
CAEL: Marco!...
MARCO: Eu preferia estar morto a ser chamado de traidor!
Close no semblante estupefato de Cael.
CORTA PARA
CENA 5 HOSPITAL – CALÇADA [EXT.]
Raíza faz que vai atravessar a rua e ouve um grito logo atrás.
VOZ MASCULINA: Raíza!
Ela volta-se, o vento joga seus cabelos em seu rosto e adiante estão Cael e Marco.
CAEL: Você não quer uma carona?
Raíza hesita na presença de Marco e Cael insiste.
CAEL: O Marco me disse que é o mínimo que podemos fazer por você.
MARCO (murmurando): Eu não disse nada disso...
Raíza aceita. O sorriso de Cael a faz mudar de idéia.
CORTA PARA
CENA 6 TOYOTA – ESTRADA [INT.]
Cael dirige, olha pelo retrovisor. Seu irmão está inquieto na poltrona de trás. Raíza, ao seu lado, olha pela janela.
CAEL: Pensei que morasse perto da boate...Você ia pra algum lugar àquela hora? Voltava da escola? (ele olha pro uniforme dela desalinhado).
Os outdoors e as casas arrumadas pro natal chamam a atenção da garota que não ouve a pergunta. Ele insiste.
RAÍZA: Ah, não lembro. Acho que sim.
CAEL: Eu falei pra você fazer uns exames, hein. (ele sorri).
A garota se mantém quieta.
CAEL: Algum problema?
RAÍZA: Hã? Ah, eu ‘tava’ olhando esses outdoors...
CAEL: Poluição visual, você quis dizer ‘né’. Não que eu não goste de natal, mas...
Raíza se volta, surpresa e sem entender bulhufas.
RAÍZA: Natal?
CAEL: Sim, natal. Você costuma viajar nos fins de ano?
Raíza levanta as sobrancelhas, abismada.
RAÍZA: Natal... (ela sorri, incrédula).
MARCO (calma irritante): Não gosta de natal?
A garota olha para trás repentinamente. Aquela pergunta soa séria demais para a garota. Não é uma brincadeira.
Raíza [Em OFF]: Natal? Como assim natal? Isso é impossível!
CAEL: Você está bem? Ficou pálida de repente...
RAÍZA (confusa): Hã?...Não...Eu só estou um pouco cansada...Num vejo a hora de chegar em casa, viu.
Enfim, chegam a frente da casa nº 137. Cael tenta se apressar, mas Raíza abre a porta sem esperar por ele.
MARCO (irônico): Chato não poder ser cavalheiro, não é?
Cael esboça impaciência e bate com a porta do carro. Marco ri.
RAÍZA: Pai! Pai abre aqui!
Uma senhora vem atender. A garota, surpresa, não entende.
SENHORA: Pois não?
RAÍZA (retruca): Pois não o quê?
SENHORA: O que deseja?
RAÍZA: Ué, meu pai (ela faz que vai entrar e a senhora impede).
SENHORA: Que brincadeira é essa, mocinha? Quem são vocês?
CAEL (cochicha para Raíza): Será que você não se enganou de casa?
SENHORA: Mas é claro! Eu moro aqui com meu marido e minha filha há quatro anos!
A garota arregala os olhos mesclando surpresa e incredulidade.
RAÍZA: O quê? Num é possível...
Cael a segura pelo braço e tenta levá-la dali. Marco observa atento àquela cena pelo vidro do carro.
RAÍZA: Não! Eu moro aqui, gente!...Que absurdo...(ela se dirige, agora, à moradora) senhora, esse não é o número 137? Como que meu pai ia se mudar da noite pro dia? Hoje mesmo eu falei com ele de manhã...
SENHORA: Olha eu não sei o que ele falou pra você e nem sei se estamos falando da mesma pessoa...
CAEL: Podemos resolver isso se disser o nome do vendedor.
SENHORA: Qual o nome do seu pai, mocinha?
RAÍZA (afobada): Bruno Maciel Ferraz.
SENHORA: Hum...É esse mesmo.
Raíza está arrasada. É como se acabassem de tirar seu chão. Ao mesmo tempo, muito confusa, não entende absolutamente nada do que está ocorrendo.
CAEL (toca seu ombro): Vem comigo, Raíza. Vamos pra minha casa. Talvez você se lembre pra onde seu pai se mudou.
RAÍZA (balbucia, aturdida): Não...Isso não tá acontecendo.
Ela se afasta da casa e vai pro meio da rua, aturdida. Close em seu rosto. Ela se vira de frente pra casa.
Agora ela pode notar que a casa está diferente, pintura branca, grades por cima do muro. Impossível alguém mudar tudo num único dia. Impossível aquela senhora estar mentindo.
FADE OUT
FADE IN
CENA 7 MANSÃO [EXT./MANHÃ]
A fachada da mansão é azul, detalhes largos em pedras. Janelas de vidros, uma comprida e estreita dos dois lados que são mais a frente em relação à porta; Uma larga embaixo e outra igual acima. De ambos os lados, outras janelas, mas com sacadas. O caminho do portão até a entrada da casa é longo. Uns cinqüenta metros mais ou menos.
MANSÃO – SALA [INT.]
Cael, Marco e Raíza adentram no corredor. Cael guia a garota que tropica na escada que leva a sala. Acaba apoiando uma das mãos no braço de Marco que fecha a expressão, mas logo sorri debochado.
MARCO: Efeitos daquela queda?
RAÍZA: Desculpe.
Marco esboça mais um sorriso e Cael o encara fazendo um olhar pra ele se retirar.
MARCO: Com licença. Vou ao escritório. Depois quero falar contigo, Cael.
Marco entra no escritório.
Raíza observa a sala enorme, sofá de costas para onde eles entraram. Lajotas grandes e azuis, uma grande árvore de natal vermelha no canto à direita, bar mais a frente e um tom fechado no ambiente.
CAEL: Vou pedir a empregada pra te levar pro quarto. Você deve tá querendo tomar um banho, comer alguma coisa...
Raíza vira pra ele, ainda com cara de quem não acredita no que está acontecendo.
RAÍZA: Obrigada.
CAEL: Você tem certeza que morava naquela casa? O Rio de Janeiro é grande, você pode...
RAÍZA: Absoluta. (ela abaixa a cabeça e levanta, angustiada) Aquela boate fica longe da minha casa?
Cael disfarça um leve sorriso como quem não entende ainda o uso daquele pronome possessivo.
CAEL: Não muito. (ele acaricia seu rosto) Você vai se lembrar onde seu pai está. Tenho certeza.
Ela estremece um sorriso.
CORTA PARA
CENA 8 MANSÃO - ESCRITÓRIO [INT.]
A porta é aberta, Cael entra, fecha a porta e passa por Marco, sentado na poltrona verde com a perna esticada.
MARCO: Você não a conhece e já vai abrigando assim qualquer um?
Cael tira o paletó e coloca atrás da cadeira.
CAEL: Era o mínimo que eu podia fazer depois daquela desfeita que você a fez passar ‘né’?
O ambiente é um escritório pequeno, pouco iluminado devido a árvore próximo à janela, mesa de frente para a porta, alguns objetos como canetas, laptop, papéis e luminária.
MARCO (com as mãos juntas no colo): Se é só por isso dê um dinheirinho pra ela e pronto. Vai hospedar uma doida? O pai dela se muda e ela nem toma conhecimento. Vai vê fugiu de casa. Você não a conhece, Cael.
CAEL: E será que eu te conheço? Eu coloco uma jovem pra dentro de casa, mas te garanto que se ela aprontar eu até sentirei pena de mandá-la embora...
MARCO: Está me mandando embora?
CAEL: Entenda como quiser.
Close em Marco.
FADE TO BLACK
FADE IN
CENA 9 MANSÃO [EXT.]
A cena mostra um sujeito de costas saindo de um carro e indo até o portão.
A cena se aproxima pelas suas costas e ele se volta, assustado. É Paulo.
PAULO: Que isso? Quem é você?
JOÃO: Desculpe. Eu fiquei sabendo que a minha prima Raíza veio pra cá...É verdade?
Paulo não entende.
MANSÃO – ESCRITÓRIO [INT.]
Paulo adentra a sala ao lado de João. Cael surge da porta do escritório juntamente de Marco.
CAEL: Paulo, queria falar comigo?
PAULO: Sim (ele olha pro Marco e o cumprimenta )Você está bem? Parece meio...
MARCO (irônico): ...Quebrado? Sofri uma pequena queda...
Raíza ouve, mas finge que não ouviu. Adentra a sala, sorridente.
RAÍZA: João? (ela o abraça).
Nota-se uma estranheza por parte dele.
MARCO (debochado): Que emocionante...Juntos novamente.
Cael nem retruca.
RAÍZA: Desculpe gente. Eu não devia ter...
MARCO: Imagine... (tom irônico) Finja que a casa é sua.
Cael lhe dá uma olhada enquanto Raíza sai com o primo.
CORTA PARA
CENA 10 MANSÃO – QUARTO DE HÓSPEDES [ INT.]
Raíza está sentada na cama em cima de sua perna enquanto a outra esticada. João senta ao seu lado, curioso.
JOÃO: Você está bem? Não se machucou?
RAÍZA: Você tá falando...
JOÃO:...Daquele concreto que caiu sobre você...Você conhece esses caras?
RAÍZA: Nunca vi antes.
JOÃO: Então por que se arriscar pra salvar a vida de quem não conhece? Aquele pedregulho podia ter te matado.
RAÍZA: Eu não sei o que me deu...Foi Deus que me salvou.
JOÃO: E você salvou aquele homem...(pausa) Onde você estava antes? (Ele engole a saliva) Se lembra?
Raíza levanta, caminha e vira-se.
RAÍZA: Eu só consigo lembrar de quando fui atropelada...Eu tinha um trabalho pra entregar...
João respira e de costas, inquieta o olhar. A prima volta a sentar e ficar de frente pra ele.
RAÍZA: Você não sabe o que fiquei sabendo...
JOÃO: Sei sim...Quatro anos, não é?
RAÍZA: Hã?
JOÃO: Tem quatro anos que se passou e que nossa família se mudou.
RAÍZA: E você acreditou nisso? (a moça faz um gesto com a mão pra cima) Aquela velha viajou!
JOÃO: Será que não fomos nós que viajamos?...
A cena pára no rosto de Raíza.
CORTA PARA
CENA 11 MANSÃO – ESCRITÓRIO [INT.]
Cael, ainda sentado, assiste a um vídeo. Paulo está sentado do outro lado e Marco, de pé, tem as mãos por dentro dos bolsos da calça. No vídeo, mostra um funcionário, diante de um computador. Na tela, números são alterados. Cael está possesso.
CAEL (alterado): Essa é a sala do Marco(olhar acusador pra cima do irmão) e você, Paulo também tem acesso. Eu deixei o Camilo por sua conta. Como foi deixar isso acontecer?
PAULO: Me desculpe, Cael...Eu me deixei levar pela amizade, quis dar uma chance a ele assim como você fez comigo.
MARCO: A generosidade, Paulo é uma qualidade bastante insignificante nos negócios...
O irmão o olha meio de canto demonstrando não gostar daquela frase. Desliga o vídeo e levanta com ar de decidido.
CAEL: Eu não posso ficar no prejuízo...A polícia tem que saber disso...
MARCO: É só isso que você tem pra dizer? Por que comigo faltou cuspir.
Cael põe as mãos na cintura e demonstra impaciência.
CAEL: Marco...Vê se contenha a sua implicância...
Marco sorri sem muita vontade.
CORTA PARA
CENA 12 PRAÇA [EXT./FIM DE TARDE]
Raíza e João Batista estão sentados num banco. A praça tem pequenos arvoredos e gramado em quase toda a sua extensão.
Ela está nervosa, tensa, angustiada e não há mais sentimentos que traduzem seu estado de espírito.
RAÍZA (quase chorando): Perdemos tudo, João! Perdemos tudo! Quatro anos de nossas vidas e nós não temos nada pra contar do que vivemos nesses anos.
JOÃO: Então você foi ao colégio ‘né’? Eu devia ter ido contigo, viu...
RAÍZA: Daí, seriam dois com cara de paspalho, ‘né’. Poxa! Eu cheguei lá e encontrei uma professora, daí, quando eu falei do trabalho que não consegui entregar a tempo, ela se admirou que eu ainda lembrasse, ‘cê’ tem idéia do mal que senti na hora? Ela achou que a essas alturas eu já estaria na faculdade, sabe...
João a segura nos ombros pra tentar acalmá-la. Raíza está tão eufórica que não percebe que seu primo mantém um semblante inquieto.
RAÍZA: E você? Foi lá no seu emprego?
JOÃO: Emprego? (ele afrouxa o riso em desagrado) Três! Eu disse Três que já passaram pela minha vaga...Eles ficaram felizes por que eu fui encontrado, sabe? Você entende isso? Encontrado...Parece que fomos sequestrados...
RAÍZA: Mas não lembro de nada...Que sequestro mais estranho...(ela levanta as sobrancelhas, espantada) Ei! Se fomos sequestrados, então...Estamos sendo procurados?
JOÃO: Nem se anime, viu, porque eles disseram que a polícia encerrou o caso já dando a gente como mortos.
RAÍZA: Mortos? Meu pai pensa que morri?
Close em sua expressão estarrecida.
FADE OUT
FADE IN
CENA 13 MANSÃO [EXT.]
Raíza e o primo chegam à mansão. A garota vira-se de frente pra ele e segura em suas mãos.
JOÃO: Vou ver se encontro um lugar, um beco qualquer pra dormir...
CAEL (O.S): Você vai deixar seu primo dormir por aí?
Raíza e João olham para cima e vêem Cael na sacada. Os dois se entreolham, sem graça.
MANSÃO - CORREDOR [INT.]
Os dois caminham pelo corredor e Cael desce as escadas. Ele veste uma camisa preta e fina, de manga comprida e calça social da mesma cor. Nota a expressão fechada no rosto de Raíza.
CAEL: Você me parece tão triste...Não descobriu o paradeiro de seu pai?
JOÃO (murmura de cabeça baixa): Não sabemos os nossos...
CAEL: Hã?
JOÃO (desconversa): Não! Não descobrimos nada...
CAEL: O melhor remédio para a tristeza é sair...Como vocês não vieram almoçar aqui, convido-os a conhecer a minha casa noturna. Aceitam?
Apesar da pergunta no plural ele fixa-se na garota.
Raíza fricciona os lábios, olha para o primo e faz uma expressão indecisa. Cael nem espera sua decisão.
CAEL: Não aceito ‘não’ como resposta, hein.
Sorrindo acaba cativando a garota.
= = Passagem de Tempo = =
CENA 14 MANSÃO – ANTE SALA [INT./NOITE]
Raíza desce as escadas trajando um vestido simples e preto no momento em que uma moça, de beleza exótica, entra na mansão. Alta, esbelta, lábios grandes e volumosos, cabelos escorridos e uma tenebrosa franja cobre as sobrancelhas. Ela se mostra possessa. Os olhos, assim como a boca são grandes e miram naquela garota magrinha, com jeito delicada, pele clarinha e cabelos negros.
Na hora, Marco aparece no corredor do lado oposto com olhar malicioso para a cena.
MARCO: Valentina! Já conhece a nossa hóspede? (João também surge no alto da escada) ou melhor, nossos hóspedes?
VALENTINA: Não...Parentes do meu namorado? (ela enfatiza).
Cael sai do escritório por trás do irmão.
CAEL: Não...Eles são meus amigos.
Valentina vai até Cael e o beija na boca. O rapaz fica sem jeito.
VALENTINA: Meu namorado adora fazer caridade, ‘né’?
Raíza e o primo se olham não gostando nada daquela mulher. Marco observa Raíza.
MARCO: O vestido é simples, mas ficou muito bem em você... (ele se dirige ao irmão) Perdendo a sofisticação, Cael? Pensei que compraria algo...
CAEL: Ela não quis nada que fosse caro...
Valentina desprende-se do abraço e olha desconfiada para o namorado.
VALENTINA: Você comprou um vestido pra ela? Aliás, que amigos são esses que...
MARCO: Querida, acho que você borrou seu batom...
Valentina passa a mão próximo aos lábios, hesita, encara a garota, mas se dá por vencida por enquanto.
VALENTINA: Vou me retocar...
O banheiro fica no mesmo corredor da ante sala com uma parede separando do corredor à porta principal.
MARCO: Raíza acho que você também precisa retocar seu batom, querida.
CAEL: Não precisa não.
MARCO: Cael...O que você entende disso? Ia deixar a pobre da Valentina sair borrada daquele jeito.
RAÍZA [Em OFF]: Acho que eles querem ficar sozinhos, só pode...
Ela desce, olha para Marco e em seguida para Cael. Passa por eles e entra no corredor.
BANHEIRO [INT.]
Valentina dá uma pausa com o batom erguido à boca ao ver Raíza adentrar. Raíza ajeita os cabelos sob o olhar fixo da moça.
VALENTINA (retocando-se): Vai demorar muito?
Raíza pára por um instante de se ajeitar e depois continua.
RAÍZA: Já tô saindo...
VALENTINA: Me refiro à sua estada aqui...Eu que sou a namorada ainda não consegui essa proeza...
RAÍZA: Cael quis me ajudar...
VALENTINA: Cael? (interrompe) Já o chama assim? Não fico admirada que até convite pra ir à casa noturna, você tenha ganhado...
RAÍZA: E o que tem isso de errado?
VALENTINA: Nada...Só espero que você não tenha feito nada de errado pra conseguir isso...
Raíza entende de imediato e vai logo dando as costas.
RAÍZA: Não sou dada a essas baixezas.
VALENTINA: De quais baixezas você acha que me refiro?
Raíza volta-se e torna a dar as costas, enquanto Valentina provoca.
VALENTINA: É melhor passar longe da cama dele, hein.
RAÍZA: Ah, mas eu nem sei pra que lado fica...
Valentina vira-se, afrontada, mas Raíza sai sem se incomodar. Valentina se recompõe e dá graças a Deus. Apanha um dvd em sua bolsa e sai do banheiro. Espreita-se pelo corredor até o escritório do namorado. Entra e lá, coloca o dvd embaixo de algumas folhas e sai.
VALENTINA (murmura): Aquele imbecil de marca maior vai ver só com quem se meteu...
CORTA PARA
L.A HOUSE [INT./NOITE]
A música na boate e aquelas luzes coloridas, alternadas deixam Raíza e o primo meio tontos. Eles estão sentados a uma mesa próxima da chapelaria.
Marco, do outro lado está sentado em frente ao bar junto da cunhada.
Valentina dá um gole em seu coquetel. Marco faz o mesmo e coloca o copo sobre o balcão.
MARCO: Diz o Cael que ela salvou a minha vida...
VALENTINA: Aí Marco, hein...Salvo pela magrela (Ela ri).
Marco esboça desagrado.
MARCO: O pior é que agora, depois de esquecer o caminho de casa, ela vai ficar infiltrada lá em casa...
VALENTINA: Infiltrada? Acha que é uma espiã? Uma bandida?
Marco observa a moça ao longe.
MARCO (murmura): Acho que ela pode ser uma pedra no meu caminho...
VALENTINA: Hã? O que disse?
MARCO: ...Eu disse que...Ela pode ser uma pedra no seu caminho...
VALENTINA: No meu caminho? O que você sabe? Diz logo, homem!
MARCO: Ah...A moça é bonita, não é? Meu irmão até comprou roupas pra ela...
Valentina larga o coquetel na mesa.
VALENTINA: Isso que não gostei...Ele não tinha nada que dar roupas pra ela, isso não se faz.
MARCO: Não entendo o espanto...Não foi assim que vocês se conheceram?
Valentina morde os lábios, irada.
CORTA PARA
CENA 15 MESA PRÓXIMA À CHAPELARIA
Raíza nem toca no coquetel. Fita na direção de Valentina.
RAÍZA: Tá vendo, João? (observa) eles estão falando de nós, aposto.
JOÃO: Deve ser o seu cabelo...Deve ta fora de moda.
Raíza dá uma olhada pra ele que logo se cala.
JOÃO: Desculpe, eu também não gosto de lembrar que estamos quatro anos à frente, mas se é fato, fazer o que? Que bom que ainda temos onde ficar ‘né’?
RAÍZA: Disfarça que aquela metida ta vindo pra cá...
VALENTINA: Olá! (ela vê o coquetel) Aposto que o coquetel está sem álcool. ‘Peraí’ que vou te dar algo quente.
RAÍZA: Não, eu não bebo nada alcoólico!
VALENTINA (tom desafiador): É fraca pra bebida?
RAÍZA: Não. Sou forte pra ela.
João segura o riso. Valentina não entende a moça.
RAÍZA: Sou forte demais pra precisar de uma bebida.
VALENTINA: Isso não é desculpa pra esconder a sua fraqueza? (ela aumenta o tom de voz) Ou será que você nunca bebeu e tá com medo de viciar?
Algumas pessoas olham e uns, até debocham de Raíza. Marco bebe sem tirar os olhos daquela cena.
A moça tenta ser solidária. De verdade.
RAÍZA: Acho que você bebeu demais...Não quer sentar um pouco?
VALENTINA: Eu só queria que vocês me acompanhassem na bebida. (ela levanta o copo).
JOÃO (brinca): O seu copo não te acompanha o suficiente?
Valentina fecha a cara. Olha para o pessoal e, disfarçadamente, faz sinal pra uma garota de cabelos ruivos. Valentina sorri fingindo achar graça de João Batista. Nesse instante, a tal ruiva vai a direção da mesa onde eles estão e derruba, propositalmente, seu copo em Raíza.
GAROTA: Ai como sou desastrada. Deixa eu tentar limpar isso.
VALENTINA: Leva ela pro banheiro, sua doida. Vai acabar manchando o vestido novinho da menina.
BAR...
Marco assiste a tudo satisfeito. Larga o coquetel e sobe as escadas. Cael faz o inverso.
MARCO: Aonde você vai?
CAEL: Beber alguma coisa...Por quê? Não posso? (ele desce e dá um giro com os olhos).
CAEL [EM OFF]: Ué...Cadê a Raíza?...
TOILLETE [EXT.]
Raíza passa a mão pelo vestido manchado até parar diante do espelho. Ao olhar, sua feição é de dor e seu vestido preto tem outro estilo. A imagem ao fundo é de muitas pessoas fantasiadas. Raíza se volta e o que vê é uma confusão armada no meio do palco.
RAÍZA (aturdida): Mas o que tá havendo?(ela vira pro espelho novamente).
Ouve-se gritos, um estrondo abala o chão e a lâmpada acima do espelho quebra. Raíza se abaixa pra evitar o impacto no rosto, sai do banheiro correndo e dá com João na porta.
RAÍZA: Vamos sair daqui, João!
João fica sem reação e ela o puxa para a porta dos fundos.
CORTA PARA
CENA 16 RUAS DA CIDADE (NOITE)
Raíza está sentada no meio-fio, cabisbaixa, enquanto João anda de um lado e de outro por trás dela.
JOÃO: Eu não consigo entender...Você achou que a boate ia explodir?
RAÍZA (murmura): Ouvi gritos...Aquele estrondo quase me faz cair no chão.
João olha adiante.
[POV de João]
A L.A House continua bombando.
JOÃO: Parece que tá tudo normal por lá...
Raíza olha na mesma direção e volta a ficar cabisbaixa.
RAÍZA: Eu vi aquela multidão...Aquilo não podia tá acontecendo...Não podia.
João se agacha ao seu lado.
JOÃO: Olha Raíza, eu sei que o que aconteceu com a gente foi algo inédito e que nunca poderemos dizer isso a alguém, mas...Achar que a boate ia pelos ares é um tanto fantasioso demais, né?
Raíza dá aquela olhada incrédula pra ele e olha para a boate ao longe.
RAÍZA: Você acha que tô inventando isso?
JOÃO: No mínimo, você deve estar muito confusa.
Raíza abaixa a cabeça.
RAÍZA: Você já teve a sensação de ter estado num lugar que nunca esteve antes?
JOÃO: Como assim?
Raíza ergue a cabeça e titubeia.
RAÍZA: Assim...Você...Entrou num lugar que nunca entrou antes, mas... Era como se já tivesse entrado algum dia.
João a encara por alguns instantes.
JOÃO: Se isso aconteceu comigo, não lembro. Mas seja lá o que for isso que você sentiu o importante é que só ficou na sensação.
Ele levanta e faz um gesto pra ela fazer o mesmo. Raíza se levanta sem querer dar um passo a frente. Em seguida, o encara estranhamente.
RAÍZA: Quem te vê assim até pensa que sempre nos demos bem. Eu tenho notado...Tá diferente comigo...
JOÃO: Estamos no mesmo barco...Sozinhos, sem eira nem beira. Dependendo da bondade de estranhos...(pausa) Precisamos nos unir.
Raíza assente.
JOÃO: Vem. Se caso a boate ir pelos ares você não vai estar sozinha.(Os dois riem) Além do mais, se o Cael der por nossa falta você não vai querer dizer que previu uma catástrofe pra boate dele, né?
Os dois riem novamente e a cena se afasta mostrando-os ao longe, caminhando na direção da boate.
= = Passagem de Tempo = =
FADE IN
CENA 17 MANSÃO – ESCRITÓRIO [ INT./FIM DE NOITE]
A luz da luminária projeta-se sobre um dvd que um homem segura sem muita firmeza. Ouve-se a batida na porta. Cael olha e Raíza aparece à soleira.
RAÍZA: Com licença.
Cael coloca o dvd por entre uns papéis.
CAEL: Raíza! Também sofre de insônia? Entre!
Raíza fecha a porta e sorri, sem graça.
RAÍZA: O quarto é muito grande...Acho que não tô acostumada...Deve ser isso.
Ele sorri e faz um gesto pra ela se sentar. Raíza senta e não consegue pronunciar mais nada.
CAEL: Eu acho que você não veio só dar boa noite, não?
Ela sorri.
RAÍZA: É que...Eu queria perguntar uma coisa.
Cael pousa os braços sobre a mesa a olhando nos olhos.
CAEL: Pergunte.
Raíza estufa o peito como quem precisa tomar coragem.
RAÍZA: Você já teve a sensação de ter estado num lugar onde nunca pisou antes?
CAEL: Como se aquilo já tivesse acontecido, mas que a gente não lembra?
RAÍZA: Isso!
Cael demora um pouco pra responder, a encara com um olhar bondoso.
CAEL: Uma vez eu quase atropelei uma garota...Quando saí do carro e a encarei, era como se aquilo voltasse a acontecer e não que era a primeira vez. Foi uma sensação estranha.
RAÍZA: E ela? Falou com ela?
CAEL: Ela sumiu. Só a pouco tempo voltei a vê-la.
RAÍZA: E como foi?
Ele a encara novamente.
CAEL: Ela não me reconheceu.
Raíza sorri sem graça.
CAEL: E você? Qual foi sua sensação?
Raíza faz que vai falar, gagueja.
RAÍZA: E-eu ti-tive a...(ela pára um pouco) Eu tive a sensação de...já ter estado aqui...Foi isso!
CAEL: Espero que tenha sido uma ótima sensação.
RAÍZA (sorrindo): E foi. (ela levanta) Agora não vou te incomodar mais...
CAEL: Espere! Agora sou eu que quero perguntar uma coisa.(pausa) Se você acusasse seu primo baseada em falsas evidências e se desse conta que errou, o que faria?
Raíza apóia a mão na cadeira.
RAÍZA: Pediria perdão. Pode não resolver 100% as coisas, mas com certeza é o caminho certo pra isso.
Cael sorri admirável.
RAÍZA: Boa noite.
CAEL: Boa noite.
Raíza sai e Cael tira de dentro das folhas o dvd. Olha-o atento e torna a olhar pra frente como se tivesse acabado de tomar uma decisão. Close em seu rosto.
FADE OUT
FADE IN
CENA 18 MANSÃO – SALA DE JANTAR [INT./MANHÃ SEGUINTE]
A mesa com tampa de granito azul é grande e comprida de 12 lugares. Cael e Marco estão sentados, cada um, em uma ponta. Raíza e João, lado a lado.
A mesa tem pães, bolos, geléias, sucos e café. Raíza come o pão, timidamente enquanto no prato do primo há três pãezinhos.
Cael observa os dois.
CAEL [Em OFF]: São dois estranhos, mas parece que eu os conheço há tanto tempo...
MARCO (para os hospedados): Foi proveitosa a noite ontem pra vocês?
RAÍZA: Apesar de não gostar de tanto barulho até que foi bacana.
MARCO (malicioso): Pergunto isso por que quase não os vi ontem...Só quando você, Raíza foi ao escritório no fim da noite...
Raíza olha pra ele e para Cael, tímida.
CAEL (servindo-se de suco): Ela estranhou o quarto e veio conversar comigo.
Marco olha para o casal, mas se dirige ao irmão.
MARCO: Estranhou é? (malícia) Normal (ele se serve de café puro) Eu também estranhei; Não estava acostumado a dormir sozinho.
Raíza até então comendo o pão, quase joga tudo pra fora. O encara com indignação.
CAEL: Não foi essa estranheza que ela teve.
MARCO: Desculpe.
Silêncio.
CAEL (para Marco): Depois quero falar contigo.
MARCO: Novas acusações? (sarcástico)
Os hóspedes olham para ele e Cael respira fundo e se dirige ao casal.
CAEL: Vocês têm irmãos?
RAÍZA: Não. Somos filhos únicos.
JOÃO (murmura): Por enquanto...
CAEL: Hã? Não ouvi.
Raíza engole rapidamente o café.
RAÍZA: Ele quis dizer ‘Por enquanto’...É...Por enquanto somos filhos únicos porque meu pai pode se casar de novo...
CAEL: Ah...Ele é separado?
RAÍZA: Viúvo.
Cael olha para o rapaz que nem espera pela pergunta.
JOÃO: Meu pai levou um balaço no meio dos cornos...
Raíza quase se engasga e Marco pára de comer, de repente.
RAÍZA: Tá maluco, cara! O que ele vai pensar?
JOÃO: Mas é verdade! Ele não quis me assumir e meu avô deu conta de tudinho...Daí, coitado, morreu do coração ao saber que minha mãe me largou ainda criança pra sumir no mundo...
RAÍZA: Tá bom, chega, Credo! Café da manhã não é hora pra autobiografia.
Marco continua a comer e Cael o olha quieto, pensativo.
CORTA PARA
CENA 19 MANSÃO – SALA [INT./ MANHÃ]
Cael está sentado no sofá de couro verde com um controle nas mãos. Seu rosto é de vergonha. Alguém entra na sala, Cael vira o pescoço. Marco olha a televisão de plasma exibindo um vídeo pausado.
MARCO: Me chamou aqui pra assistirmos a um dvd? Qual que é? Quase Dois Irmãos? Um dia de Fúria?
CAEL: Chega de sarcasmo! ( ele aponta o controle e o vídeo sai da pausa) Tá vendo isso?
MARCO: Como? Me parece um vídeo caseiro...Mas ele é o...
CAEL: Paulo. Ele confessa que maquiou os números...Que me roubou!
No vídeo, Paulo aparece de frente, parece bêbado.
PAULO(no vídeo): Um otário esse Cael(risos) Ele me paga pra ferrar com a boate dele( ele desvia o olhar da câmera e parece ouvir alguém, mas não ouvimos nada). Ele só me empregou pra mostrar seu lado solidário, você acha que ele fez isso por amizade a mim?
Marco ajeita a gravata e esconde sua saliva escorrer pela goela abaixo.
MARCO: Mas...Como ele ia confessar isso?
Cael desliga, levanta e joga o controle no sofá.
CAEL: Isso eu não sei. (Ele coloca as mãos na cintura) Encontrei esse dvd nas minhas coisas... Mas o que importa? Eu mandei prender um inocente!
MARCO [Em OFF]: Azar o seu...
MARCO: E você me chamou aqui pra quê? Pra te consolar?
CAEL: Eu mereço o teu sarcasmo.(ele se aproxima) Você é meu único irmão e eu não fui capaz de dar ouvidos a você.
Marco recua um passo, apreensivo.
MARCO: É só isso que o vídeo mostra? Olha, eu não sei a sua intenção com isso, mas...
CAEL: Eu peço que me perdoe por ter desconfiado de você. Eu nem sequer tentei conversar contigo. Se eu cuidasse melhor da boate, do cassino eu jamais teria te acusado daquela maneira...
Marco o olha desconfiado. Cael abre os braços e sorri um sorriso fechado.
Os dois se olham e Marco devolve o abraço olhando para o vídeo.
Raíza surge no corredor e observa os dois. Ela e Cael se olham e sorriem. Ele, de forma agradecida.
FADE OUT


FIM DO EPISÓDIO

Autora:

Cristina Ravela

Elenco:

Raíza (Maria Flor)

Bruno (Juan Alba)
Josué (Caco Ciocler)
João Batista (Caio Blat)
Dcr (Aaron Ashmore)
Ari (Nathália Dill)
Rafaela (Fernanda Vasconcellos)
Cael (Michael Rosenbaum)
Marco (Pierre Kiwitt)
Cipriano (Thiago Rodrigues)

Produção:

Bruno Olsen
Cristina Ravela


Esta é uma obra de ficção virtual sem fins lucrativos. Qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.


REALIZAÇÃO


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