Gato Preto-Capítulo 10

    0:00 min       GATO PRETO     CAPÍTULO 10
39:00 min    


CYBERTV APRESENTA
GATO PRETO


Minissérie de
Cristina Ravela

Capítulo 10 de 13




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ATO DE ABERTURA
FADE IN
CENA 1 EXT. - CASARÃO / FAZENDA SANTOS – NOITE
Na fachada, algumas janelas com luz acesa.
            AVELINO
(V.O)
Pode começar.
CENA 2 INT. - CASARÃO / FAZENDA SANTOS / ESCRITÓRIO – NOITE
Avelino, detrás da mesa, furioso; Discute com alguém fora da tela.
            AVELINO
Como conseguiu esse vídeo? Hen?
A CAM, lentamente, BUSCA o interlocutor da cintura pra cima. Trata-se de Walter, ainda segurando o celular do capítulo anterior.
            WALTER
(cara amarrada)
Isso não importa.
            AVELINO
Foi a Maria José, não foi?
            WALTER
Isso não importa!
Avelino SOCA a mesa.
            AVELINO
É claro que importa, cacete! (sonso)
Esse vídeo só mostra eu dando um agrado pro meu amigo Lucas, que mal há nisso?
            WALTER
Avelino, eu não vim discutir a propina que você dá aos outros /
            AVELINO
Não era propina, caralho!
            WALTER
(por cima / alto)
Eu só quero que você pague o que deve aos seus irmãos!
Avelino vai pra trás, baqueado. Põe a mão no peito, fingindo pesar.
            AVELINO
Você? Justo você tá me chantageando?
Walter aproxima-se, sério, realmente outra pessoa.
           WALTER
Você devia me agradecer, Avelino, que esse vídeo veio parar nas minhas mãos, porque se fosse nas mãos do Noel ou da Alice, não ia ter acordo algum.
           AVELINO
(indignado)
E tu pretende fazer o quê com a grana? Sair da fazenda, caçar teu rumo?
           WALTER
Só saio daqui com a Alice e o Noel.
Avelino vai contornando a mesa.
            AVELINO
Você vai mesmo insistir nisso? Usando um vídeo manipulado?
            WALTER
Não tem nada manipulado aqui, você sabe muito bem /
Avelino abraça Walter, que mantém-se firme.
            AVELINO
Tenho muitos amigos, caro irmão. Você devia saber que eu não cheguei aonde cheguei sem ter feito amizade com gente da alta.
           WALTER
(sagaz)
Você já fez amizade com o novo delegado, Avelino? (Avelino desfaz o abraço, sério) Já retomou a cumplicidade com o Lucas? (T) Eu vou esperar você reunir os irmãos e entregar a nós o que é de direito.
Walter passa por ele, abre a porta e ainda dá uma última olhada para o irmão; SAI.
Avelino alí, contorcendo-se de raiva.
CENA 3 INT. - CASARÃO / FAZENDA SANTOS / QUARTO DE HÓSPEDES – DIA
Maria José abre a porta e, ao ver Mazinho, ela tenta fechar, em vão; Mazinho empurra a porta, e ela salta pra trás, apavorada.
            MAZINHO
Tu escapou na primeira, quero ver agora.
            MARIA JOSÉ
(arfante)
Foi o Avelino que mandou aqueles caras atrás de mim, né? Eu sei. Você devia ter vergonha de ficar do lado dele.
            MAZINHO
Ninguém mandou você gravar aquele vídeo. Tu tá sacando a besteira que tu fez, né?
            MARIA JOSÉ
Tá falando do vídeo que gravei no jardim?
Mazinho segura o pescoço da garota, que arregala os olhos.
            MAZINHO
Tu não se faz de sonsa comigo não, hen, vadia! Tu armou a presepada, agora é hora de pagar.
Mazinho JOGA a garota sobre a cama, aos GRITOS dela. Mazinho vai pra cima, acerta DOIS TAPAS, nem dá chance dela revidar; Ele a domina.
CORTA PARA O CORREDOR – Noel caminha, tranquilo, quando OUVE a discussão. Pensa um pouco, mas segue até a porta e
VOLTA PARA O INTERIOR DO QUARTO – Arreganha a porta e voa pra cima de Mazinho, de costas.
            NOEL
Solta ela, seu covarde!
            MAZINHO
Não se meta, moleque!
Noel insiste, puxa o tio pelo pescoço; Maria José já encontra-se desacordada, boca sangrando. Mazinho é puxado de cima dela; Tenta se desvencilhar, até que mete uma COTOVELADA no estômago do sobrinho. Noel URRA de dor e vai pra trás, dando chance a Mazinho de lhe dar um SOCO. Noel CAI no chão, perto da SACADA, gemendo de dor.
            MAZINHO
Frouxo! Sempre foi um frouxo! Vamos! Se defenda!
No olhar de ódio de Noel. Ele vai se levantando, mas Mazinho não tem paciência e agarra-o pelo colarinho, forçando-o a levantar-se.
            MAZINHO
Eu vou te ensinar a nunca mais bancar a herói da fazenda, seu desgraçado!
No que Mazinho empurra Noel na direção da sacada /
CENA 4 EXT. - CASARÃO / FAZENDA SANTOS – DIA
Na pickup prata estacionada bem em frente. Alessandro SAI, vê um carro de polícia ADENTRAR. Alcântara desce do carro e acena para Alessandro.
É quando Noel DESPENCA sobre o carro e o ALARME soa. A cena é estarrecedora, baqueando até mesmo Alessandro, e deixando o delegado espantado.
Em Noel, inconsciente, de bruços, sobre o carro.
FADE OUT

FIM DO ATO DE ABERTURA

CAPÍTULO 10
ANTES TARDE DO QUE NUNCA

PRIMEIRO ATO
FADE IN
No rosto de Noel, todo machucado; Olhos fechados e semblante sereno.
CENA 5 INT. - HOSPITAL / QUARTO DE NOEL – DIA
Ele abre os olhos, com dificuldade, e logo se assusta com algo diante dele.
É Avelino, encarando-o, sério, de braços cruzados.
            AVELINO
Você tem sempre que chamar atenção, né garoto?
            NOEL
(raiva)
Mazinho me empurrou /
            AVELINO
(aproxima-se, ameaçador)
Repete isso pra polícia e da próxima você nem acorda.
            NOEL
O teu sonho é me sepultar, né pai?
Encaram-se, por instantes. BATIDAS na porta. Do PONTO DE VISTA de Noel, Alcântara ENTRA.
            ALCÂNTARA
Bom dia, bom dia! O médico disse que o garoto aí estaria bem.
            AVELINO
Claro, meu filho é forte.
Os dois cumprimentam-se. O delegado faz o mesmo com Noel.
            ALCÂNTARA
Será que podemos conversar?
Avelino prepara-se para sentar /
            ALCÂNTARA
A sós, se não for problema.
            AVELINO
Ahn...Não, tudo bem… (para Noel / ameaça velada) Melhoras viu, filho? Não me dê mais um susto como esse.
Enquanto ele sai, o delegado encara Noel, simpático. O garoto aguarda.
CENA 6 INT. - CASARÃO / FAZENDA SANTOS / QUARTO DE HÓSPEDES – DIA
Alice adentra, olha para Maria José deitada na cama com uma compressa de gelo no rosto. Cícero ajudando.
            ALICE
Você tá bem, Maria José?
Maria José não a encara, contém o choro com uma expressão de ódio.
            CÍCERO
(sereno / disfarça)Ela tá chocada com o que aconteceu, né menina? E como tá o Noelzinho?
            ALICE
Vai ficar bem. (para Maria José) Por favor, Maria, o que aconteceu contigo? Mazinho tá dizendo que foi acidente. Que ele achou que o Noel tava te importunando, só que /
            MARIA JOSÉ
Quer que eu morra, garota? Desde que você chegou só tem acontecido desgraça. Se eu abrir o bico, eu morro!
BAQUE em Alice. Um clima estranho paira no ar.
            ALICE
Quem tá te ameaçando? O Mazinho? Pode falar, você sabe /
            MARIA JOSÉ
Sei o quê? Que posso contar contigo? (ri, incrédula) Ah tá…
            ALICE
Mazinho te bateu, não foi? Ele já tentou me matar. Se você continua aqui é porque tem uma carta na manga, então porque se sujeitar a isso?
            CÍCERO
(calmo)
Menina Alice, a minha filha tá querendo descansar. Depois vocês conversam, né?
Alice respira fundo, mas compreende.
            ALICE
Ok.
Alice dá as costas e SAI. Tempo em Maria José encarando o pai, insegura, até que Mazinho vem da direção do banheiro.
           MAZINHO
Muito bem, mais um dia que você escapa, Maria José.
A garota encara-o; Mazinho ri, debochado.
CORTA PARA O CORREDOR
Alice, escorada na porta, ouviu tudo. Ela SOME da tela.
CENA 7 EXT. - HOSPITAL – DIA
Movimento da entrada de carros; Gente chegando.
CENA 8 INT. - HOSPITAL / QUARTO DE NOEL – DIA
Alcântara, de olhar analítico, diante de Noel.
            ALCÂNTARA
Então você foi socorrer essa tal de Maria José, porque ela levou um tombo? E então, seu tio Mazinho, achando que você estava machucando a garota, brigou contigo /
            NOEL
(mente)
E eu me desequilibrei. Caí da janela.
            ALCÂNTARA
Ahn...Entendi. Pelo que me contou, você e Maria Alice não são muito benquistos na fazenda, né? Você tem problemas com a sua família /
            NOEL
Eu não tenho problemas com ninguém, seu delegado. Eles é que têm comigo, fazer o quê? Há dez anos, Alice foi acusada de traficar drogas. Uma acusação injusta e sem provas contundentes. E só porque fiquei do lado dela, meu pai me deserdou.
Alcântara caminha pelo local, mãos nos bolsos da calça.
            ALCÂNTARA
Hmm...Então, conseguir a herança de Catarina seria a sua salvação, não é?
            NOEL
Como?
            ALCÂNTARA
Você e Alice foram expulsos da fazenda. Seu pai te deserdou, mas agora vocês têm a chance de cumprir um acordo para abocanhar essa grana. (aproxima-se, enigmático)
Estranho se numa disputa por herança, não houvesse ameaças e...Tentativas de homicídio, não é? Mas o teu caso foi apenas um acidente.
            NOEL
A cidade é pequena, seu delegado. Acho difícil eu conseguir esconder alguma coisa.
            ALCÂNTARA
Também acho.
Na troca de olhares.
CENA 9 INT. - CABANA – DIA
Tina e Batista, um de frente para o outro, sentados à mesa. Sobre esta, um baralho aberto com três cartas dispostas sem que possamos identificar. Tina analisa, preocupada.
            TINA
Eu não vejo coisa boa, garoto.
(faz a negativa, aflita)
Eu não vejo.
            BATISTA
Eu só preciso saber que rumo vai dar essa história.
Tina, subitamente, aperta suas mãos que cobrem as cartas distribuídas. Batista permite, ansioso.
            TINA
Não esteja aqui pra ver, Batista. Não esteja. O diabo não tem amigos; Tem aliados. E aliados são os primeiros a caírem.
            BATISTA
Por que tá me dizendo isso? De que aliados a senhora tá falando?
            TINA
Você sabe quem matou as meninas, não sabe?
O padre não sabe o que dizer; Mostra-se tenso, retira as mãos de Tina, mas ela segura novamente. Ele se assusta.
            TINA
Você sabe que o que me disser aqui, ficará aqui, né?
            BATISTA
(treme os lábios / toma coragem)
Eu sei. Eu sei quem matou.
(Tina larga as suas mãos e vai pra trás) Mas não vou lhe dizer.
            TINA
Como não? Você não confia em mim?
            BATISTA
Quanto menos gente souber, menos um pra morrer. Veja o que houve com a Ana. Além do mais, eu fiz um acordo. Essa pessoa tem tanto interesse quanto eu de acabar com o Avelino.
            TINA
Você não precisa dizer mais nada. Mas escuta o que vou te dizer: Ou você vai embora da cidade ou alguém fará você ir de qualquer maneira.
Na expressão apreensiva do padre.
CENA 10 INT. - CASARÃO / FAZENDA GUERRA / SALA – DIA
Helô entra, indignada; Alice, logo atrás.
            HELÔ
Cê devia ter me falado isso lá no hospital, Alice. Noel fica defendendo aquela garota e depois sobra pra ele.
            ALICE
Noel sabe que se contar a verdade, ela pode desmentir. É claro que ela apanhou do Mazinho, mas tá sendo ameaçada.
Helô, mãos na cintura, não para quieta.
            HELÔ
Isso não vai ficar assim. Esse Mazinho tentou matar o meu filho, Alice! Mas o meu filho, não! Desta vez, ele vai ter que pagar na cadeia! Na cadeia!
            ALICE
(desconfiada)
Desta vez? Que outros crimes ele cometeu, dona Helô?
Helô não sabe o que dizer; Esfrega a mão na testa, ajeita os cabelos; Nem a encara.
            HELÔ
É modo de dizer, minha filha. Mazinho já foi meu cunhado, lembra?
Alice segura no queixo de Helô e a faz olhar para ela.
            ALICE
Eu já tenho quase 30 na cara, dona Helô. Vai mesmo me tratar como criança? (T) Qual foi o crime do Mazinho?
Em Helô, sem saída.
CENA 11 INT. - CASARÃO / FAZENDA GUERRA / ESCRITÓRIO – DIA
Alice acaba de sentar, estupefata; Segura um papel.
            ALICE
A Catarina era adotada? Ela morreu nas terras que pertenciam a ela?
Diante dela, Helô, sentada à mesa e com os braços sobre, faz que sim.
            HELÔ
Eu soube há pouco tempo. Uma família inteira azarada.
            ALICE
O azar deles foi o Avelino e o Mazinho, dona Helô. Os pais da Catarina foram mortos por eles e não duvido que foi um deles que a matou.
Helô pega o papel das mãos de Alice e coloca de volta à gaveta.
            HELÔ
De novo essa história, Alice? (levanta-se) A polícia já não viu que foi um acidente?
Alice levanta-se, impetuosa.
            ALICE
Qual polícia? A polícia que eles compram? (entreolhares) A senhora sabe que eu não minto. Chega a ser irônico, a garota que só queria unir as famílias, teve a própria destruída. (lacrimeja) Não é justo!
Helô vai até ela e a abraça. Tempo nelas.
           HELÔ
Onde quer que ela esteja, deve estar melhor que aqui.
            ALICE
E eu quase recusei vir ao casamento. Sem saber que seria pela última vez.
Alice se afasta de Helô e a encara, lembrando de algo.
            ALICE
Será que eu posso visitar o quarto dela?
Em Helô.
CENA 12 EXT. - VETERINÁRIA – DIA
Um carro de polícia estacionado.
CENA 13 INT. - VETERINÁRIA – DIA
Alessandro está de pé, diante do computador. Ele porta luvas de látex e direciona-se à pia. Ao fundo, o delegado dá uma leve batida na porta.
            ALCÂNTARA
Com licença.
Alessandro olha para trás.
            ALESSANDRO
Ô, seu delegado! Entra.
Alcântara aproxima-se dando uma geral pelo local.
            ALCÂNTARA
Não quero atrapalhar o seu trabalho.
            ALESSANDRO
Imagina! Ainda é sobre o acidente do Noel?
            ALCÂNTARA
Sim. Ahn...Ele e o pai não têm uma relação muito amigável, não é?
Alessandro retira as luvas.
PLANO-DETALHE – Assim que s luvas são retiradas, resíduos de TALCO caem sobre a pia.
VOLTA EM ALCÂNTARA
Observando a cena, curioso.
            ALESSANDRO
Na verdade, seu delegado, quase ninguém tem uma relação amigável com aqueles dois (encaram-se), a Alice e o Noel.
Alcântara faz que sim. Alessandro abre a tampa de lixo com o pé e joga fora as luvas.
            ALCÂNTARA
Parece que ele tem problemas com o pai, tio, irmão, espírito santo e amém, né? (ambos riem) Esse Mazinho costuma ser estressado com todo mundo?
Alessandro abre a torneira e lava as mãos.
            ALESSANDRO
Meu tio é estourado, sabe? Qualquer coisa já tá xingando. Coisa dele. Mas é cão que ladra e não morde, entende?
            ALCÂNTARA
(sinuoso / joga)
E você? Se estressa fácil também ou age mais tranquilamente?
Os dois fitam-se. Clima estranho. Alessandro fecha a torneira e apanha um papel toalha da parede. Seca as mãos.
            ALESSANDRO
Eu cuido de animais, delegado. Acho que isso já diz muito sobre mim.
            ALCÂNTARA
Hmm...E do seu irmão? Você cuida? Digo, por você a relação seria perfeita?
            ALESSANDRO
Desculpe, mas...Isso é um interrogatório?
            ALCÂNTARA
(coça a barba / disfarça)
Não, de maneira alguma. Isso é apenas uma conversa informal.
            ALESSANDRO
(sério)
Sendo assim, se não for problema, eu preciso voltar ao trabalho.
            ALCÂNTARA
Claro! Ahn...Só mais uma coisa, essas luvas de látex costumam ficar só aqui ou você traz de casa?
Alessandro não entende, espia a mesa contendo uma caixa cheia de luvas.
            ALESSANDRO
Elas ficam aqui. Por quê?
            ALCÂNTARA
Curiosidade. (estende a mão) Obrigado e desculpe o incômodo.
Alessandro hesita, desconfiado, mas cumprimenta.
CENA 14 EXT. - CASARÃO / FAZENDA SANTOS / ESTÁBULO – DIA
Avelino está encostado à porta, de costas; Logo atrás, vem o capataz (o mesmo da cena 7 – capítulo 3) mastigando um fiapo de trigo.
            AVELINO
(de costas para o capataz)
Já sabe o que tem que ser feito. A polícia já tá fechando o cerco contra a fazenda, nada pode dar errado, ok?
            CAPATAZ
E o seu Walter?
            AVELINO
Primeiro a Maria José; Depois, o Walter. Eu quero os dois fora de combate!
Avelino nem olha para o rapaz e SAI. No capataz, seguro.
FADE OUT


FIM DO PRIMEIRO ATO

SEGUNDO ATO
FADE IN
CENA 15 EXT – MANGARATIBA / RIO DE JANEIRO – DIA
VISTA AÉREA da praia, pegando os quiosques e a estrada principal. Um jipe verde alcança uma das ruas.
CORTA PARA o mais próximo do jipe, que avança sobre uma calçada, e para.
O muro da casa é baixo, apenas no cimento. É possível ver que a casa é bem simples, inacabada e pobre. Há sacos de pedras e areia perto do portão. Lucas surge lá de dentro, enquanto Avelino desce do carro.
            LUCAS
O que veio fazer aqui?

            AVELINO
Eu sei que você aproveita suas horas de folga pra ver como anda sua obra.
(mãos na cintura, admira o local) Vai ficar bonita, ainda mais com aquela grana que te dei.
            LUCAS
Me pagou, o senhor quis dizer. Qual é o assunto?
            AVELINO
Nem me convida pra entrar?
Lucas cruza os braços, apenas encarando-o, seriamente. Avelino, safado, ri.
            AVELINO
Ok, rapaz, não vamos discutir. Eu acho que andei me precipitando em algumas coisas. Você acabou não me dizendo quem deturpou a minha conversa.
            LUCAS
Pensei que o senhor soubesse de tudo. (T) Tenho que ir.
Lucas mal dá as costas /
            AVELINO
(O.S)
O novo delegado sabe onde você tava na noite do crime?
Lucas para, imediatamente. Encara um Avelino sacana, dando de ombros. CLOSE em Lucas.
= = FLASHBACK = =
CENA 16 EXT. - CASARÃO / FAZENDA SANTOS – NOITE – NOITE DO CRIME
Todas as luzes apagadas. Apenas o ZUNIDO dos insetos.
ÂNGULO BAIXO – SOM de pegadas na grama, até um par de sapatos de couro pretos surgir na cena. A CAM sobe, revela um canivete em mãos masculinas. Mais um pouco, o rosto de Lucas, enfurecido.
            LUCAS
É hoje que você me paga, Avelino.
Lucas segue em direção ao casarão.
CENA 17 INT. - CASARÃO / FAZENDA SANTOS / CORREDOR – NOITE – NOITE DO CRIME
Silêncio. Uma sombra atravessa em um ponto; Atravessa em outro. ÂNGULO BAIXO – Sapatos de couro pretos, andando cautelosamente por alí. Lucas vem diante da CAM, até deparar-se com alguém.
            LUCAS
Acho que temos contas a acertar, não?
Em Avelino, assustado.
CENA 18 INT. - CASARÃO / FAZENDA SANTOS / QUARTO DE AVELINO – NOITE – NOITE DO CRIME
Avelino vem empurrando Lucas; Fecha a porta.
            AVELINO
Você tá maluco?!
Lucas mostra o canivete.
            LUCAS
Você é quem deve estar. Te ajudei pra caramba, cara, e agora fica de graça pra me pagar?
            AVELINO
Eu já não falei pra tu que vou pagar? Tu acha que vou deixar um grande amigo, a quem tenho enorme apreço, na mão?
            LUCAS
(sagaz)
Grande amigo, é?
Lucas põe a mão no bolso de trás. Avelino, meio cabreiro, esquiva-se. Lucas saca um celular e aperta uma tecla.
INSERT – ÁUDIO:
            AVELINO
(V.O)
A polícia come aqui, ó, na minha mão, idiota! O Lucas faz tudo que eu mandar, aquele imbecil. (T) Ele não precisa de grana, precisa é tomar vergonha naquela cara, isso sim! (T)Ele não serve pra nada, não presta pra nada, não me ajuda em nada, e só sabe ser inconveniente /
FIM DO AÚDIO
Na cara de tacho de Avelino. Lucas guarda o celular.
            AVELINO
Eu tava falando do velho do Cícero, cara! A Maria José manipulou tudo, aquela vagabunda!
            LUCAS
(alterado)
Você me chamou de imbecil, Avelino! Eu que já fiz tudo pra você. Inclusive, mentir pro seu João que a filha dele caiu do cavalo porque a cela tava solta. (bate no peito / ressentido)
Eu percebi que alguém manipulou a cena, Avelino. Eu percebi e fiquei calado.
            AVELINO
Ficou calado porque eu te paguei muito bem. Ora, vá! Eu tava nervoso. Eu xingo até os meus irmãos, cara.
           LUCAS
(aponta o canivete)
Você vai ou não vai me pagar?
           AVELINO
Amanhã. A grana tá no escritório. Alguém pode ver e achar estranho.
Em Lucas, satisfeito.
= = FIM DO FLASHBACK = =
Avelino aguardando Lucas.
            AVELINO
E então?
            LUCAS
(pensa um pouco)
Ok. Foi o Noel.
Avelino dá um SOCO na lataria do carro.
            AVELINO
Merda! Não podia ser ele! Não podia!
            LUCAS
É mais difícil quando é um parente nosso, né?
            AVELINO
Parente...Parente é o inimigo mais próximo que a gente tem.
(contorna o carro)
Inferno!
Avelino entra no carro, sob o olhar de Lucas. O carro arranca, cantando pneu.
CENA 19 INT. - CASARÃO / FAZENDA GUERRA / QUARTO DE CATARINA – DIA
Alice acaba de entrar, fecha a porta, nostálgica.
 = = FLASHBACK – ALICE E CATARINA CONVERSAM NO DIA DO CASAMENTO DELA (CENA 6 – CAPÍTULO 1) = =
           CATARINA
(suspira)
Ah...Eu gosto do Alê. Mas é que...(respira fundo / toma coragem) Eu fui na dona Tina.
           ALICE
Ai, garota! Você, às vezes…
Catarina ri, mas logo fecha a cara. Nota-se a angústia.
           CATARINA
Ela previu uma desgraça se o casamento acontecer.
Maria Alice volta a sentar e segura em suas mãos, confiante.
           ALICE
(séria, faz suspense)
Amiga, esse casamento já é uma desgraça.
Catarina solta de suas mãos e se levanta, chateada. Alice deita na cama, rindo.
          CATARINA
To falando sério e você fica de graça, poxa! Você sabe que ela sempre acerta, né?
          ALICE
Sim, como quando ela disse que sou eu que trago o problema. Não confio em gente que fala o óbvio.
Catarina apanha uma almofada de cima da poltrona e arremessa na amiga.
= = FIM DO FLASHBACK = =
Alice passa a mão pela penteadeira, olha um porta-retratos.

POV DE ALICE – A foto é dela com Noel e Catarina, ainda crianças.

FIM DO POV
Alice respira, saudosa. Aproxima-se do guarda-roupas, desliza a mão até a maçaneta; Abre. Alice mexe nas roupas, cuidadosa, até que ela descobre uma boneca de pano. A garota sorri, pensativa.
= = FLASHBACK – ALICE PRESENTEIA CATARINA COM A BONECA (CENA 28 – CAPÍTULO 9) = =
Alice entrega um embrulho de presente. Catarina rasga e abre, afoita. Trata-se de uma BONECA DE PANO vestida de noiva e de cabelos pretos. Catarina abraça Alice.
            CATARINA
(feliz)
É a boneca que eu pedi pro meu pai.
= = FIM DO FLASHBACK = =
Alice deixa escapar uma lágrima. Ela apanha a boneca, mas quando puxa, algo agarra no pano. Ela insiste e a boneca solta de um jeans, já desfiada.
            ALICE
Ai, meu Deus, o que eu fiz?
POV DE ALICE – O pescoço da boneca está descosturado. A mão de Alice tenta ajeitar, porém, o pano rasga e revela um papel muito bem dobrado. A garota arranca dalí, com dificuldade, fazendo o pano abrir-se mais.
FIM DO POV
Alice deixa a boneca em cima da cama; abre o papel. Em seu olhar curioso, até ganhar um tom de surpresa.
            ALICE
Mas...Não acredito...(tira os olhos do papel, atônita) A Catarina...A Catarina tinha um tumor no cérebro?
Forte suspense, até /
CENA 20 INT. - CASARÃO / FAZENDA GUERRA / SALA – DIA
Alice desce as escadas, espavorida. Helô levanta do sofá.
            ALICE
Cadê o seu João?
            HELÔ
Ele ainda não chegou, por quê?
Alice nem dá ouvidos, já vai saindo.
            HELÔ
Alice! Alice, o que houve?
Mas Alice já saiu. Em Helô, sem entender.
FADE OUT
FADE IN

CENA 21 INT. - CASARÃO / FAZENDA SANTOS / COZINHA – NOITE
Todos sentados, diante de uma mesa farta. Noel, com esparadrapo na testa, esfrega as mãos, ansioso.
            NOEL
Essa comidinha do tio Walter tá no capricho, hen.
            ALESSANDRO
Aí, tio, que tal o senhor sempre fornecer comida pra gente? Não precisamos nem mais contratar empregados.
Walter ri. Maria José (com a cara marcada pelos tapas) e Cícero encaram Mazinho, com raiva.
            AVELINO
Não vamos abusar do Walter, né irmão? (os dois fitam-se) Daqui a alguns dias eu contrato uma cozinheira. Ana também cozinhava bem, não é?
Maria José prepara-se para comer. Expectativa em Avelino. Cícero percebe seu olhar afoito para o prato da filha. Maria José abocanha o pedaço de carne. Lambe os beiços.
            MARIA JOSÉ
Hmm...Parabéns, Walter. Quem sabe fazer, faz bem gostoso.
Cícero pigarreia, mas ri, sacana. Walter abaixa a cabeça, envergonhado.
Alice aponta da porta, ávida. Todos a encaram.
            WALTER
Alice, fiz um prato pra você.
Alice não tem cara de recusar. Senta à mesa.
            ALICE
Obrigada.
Noel dá uma sacada em Alice, percebendo sua agonia. Alice sorri, trêmula. No clima sombrio.
CORTE DESCONTÍNUO
Todos estão jantando. Avelino estranha Maria José saboreando a sobremesa; Noel mastiga, enquanto encara Mazinho. Este, debochado. Cícero observa as cenas, comendo bem pouco.
CORTE DESCONTÍNUO
Alice larga os talheres na mesa, mas deixa-os cair. Expressa cansaço, dor.
            NOEL
Tudo bem, Alice?
Alice respira fundo; Faz que sim. Ao levantar-se, GEME de dor. Assusta a todos. Walter é o primeiro a levantar-se.
            WALTER
O que há, Alice?!
Alice põe a mão no estômago, GEME de dor novamente, mostra-se aflita.
            ALICE
Eu to passando mal, eu to passando mal!
A essa altura, todos já se levantaram. Avelino, pasmo, olha para Maria José e para Alice, confuso. Alice está pálida, ao redor dos olhos, arroxeado, semblante horrível. A garota vai cambaleando, Walter tenta segurar, mas Alice CAI no chão. Ainda consciente, a garota arfa, desesperada, nos braços de um Walter mais desesperado ainda.
            ALESSANDRO
Vamos chamar um médico! Rápido! Ela tá morrendo!
Eles entreolham-se, em pânico.
FADE OUT
FIM DO SEGUNDO ATO

ATO FINAL
FADE IN
CENA 22 INT. - CASARÃO / FAZENDA SANTOS / QUARTO DE ALICE – NOITE
No rosto de Alice, ainda pálido, porém, mais sereno. Num PLANO GERAL, Alice está deitada na cama; Walter, sentado bem ao lado dela. Um médico acaba de guardar suas ferramentas; Noel e Alessandro espiam Alice.
            WALTER
Como você tá?
            ALICE
Com sono. Pensei que eu fosse morrer.
            MÉDICO
Foi apenas uma intoxicação alimentar. Recomendo bastante água, repouso e uma alimentação equilibrada.
O doutor entrega uma receita a Alessandro, mas Noel pega em seu lugar.
             NOEL
Pode deixar, doutor. Eu cuidarei dela.
Ambos se cumprimentam.
             ALESSANDRO
Vem, eu te levo /
             NOEL
(corta)
Eu levo o senhor até porta, por favor.
Alessandro fecha a cara, mas vai junto.
            MÉDICO
Boa noite a todos.
Alessandro e Noel acompanham o médico e SAEM.
Walter aproxima-se mais de Alice, encosta o rosto, deixando-a tensa.
            WALTER
Eu fiquei com tanto medo que você morresse.
            ALICE
Walter...(tenta se afastar)
Walter segura seu rosto, impedindo-a de se levantar.
            WALTER
Não, Alice, me escuta. Você podia ter morrido. Não vou fugir do que to sentindo com medo do que vão dizer.
            ALICE
Walter, por favor, você é meu tio /
            WALTER
(por cima, respiração ofegante)
Eu te amo (baque em Alice). E eu não to nem aí para o que os outros vão dizer.
E Walter beija a garota na boca. Beijo rápido; Alice se afasta, atordoada; Levanta-se e fica sentada, de costas para o tio.
            WALTER
Por que isso, Alice? Eu sei que você também gosta de mim. Por que você sempre me evita, desde quando você saiu da fazenda há dez anos? Hen?
Alice pensa um pouco, resolve olhar para Walter.
            ALICE
Por que você mentiu pra mim?
            WALTER
Do que cê tá falando?
            ALICE
Você disse que a Catarina tinha medo do Alessandro não amá-la.
            WALTER
(levanta-se, chateado)
De novo isso?
Alice pega no braço de Walter.
           ALICE
Ela tinha pouco tempo de vida, Walter (BAQUE). Se ela era correspondida ou não, acho que o único medo dela era saber que não passaria deste ano.
Walter não reage. Os olhos chegam a lacrimejar, emocionado.
           ALICE
Você sabia, né? Por isso ela disse “É sempre bom encontrar pessoas que sabem nos ouvir”. Ela te contou.
           WALTER
Eu dei carona pra ela, certa vez. Ela tava muito abalada /
           ALICE
Quem mais sabia?
Walter demora um pouco, mas se rende.
            WALTER
Paulo. (T) O João também.
            ALICE
(incrédula)
O João? (T) O assassino não sabia disso. O assassino não ia se arriscar, sabendo que ela ia morrer  em pouco tempo.
            WALTER
Pelo amor de Deus, Alice! A polícia já encerrou esse caso, o assunto aqui é outro.
            ALICE
Eu to aqui com um objetivo, Walter. E não é só pela herança. O Alessandro e o Mazinho me fizeram acusações e eu vou provar que o assassino tá entre nós.
Em seu ar decidido.
CENA 23 EXT. - DELEGACIA – NOITE
Movimento normal; Poucos carros de polícia; Guardas na porta, conversando.
CENA 24 INT. - DELEGACIA – NOITE
Alcântara ENTRA, com um documento em mãos, seguido por Lucas. Ambos animados.
            AlCÂNTARA
Paella com frutos do mar, temperado com limão e enfeitado com tiras de pimentão vermelho. A nossa sorte é que a quentinha dada ao Paulo vem com o símbolo do restaurante, porque esse prato é típico dessa região.
            LUCAS
Quem o senhor vai mandar chamar primeiro? O dono de lá? O gerente?...
            ALCÂNTARA
O cozinheiro. Que talvez, não por ironia, seja o Walter Santos.
Lucas assente, admirado.
CENA 25 EXT. - CASARÃO / FAZENDA SANTOS – NOITE
CLOSE em uma janela do 1º andar, iluminada.
            AVELINO
(V.O / indignado)
Não deu certo. Será possível que nem eu consigo dar um cala boca nessa Maria José?
CENA 26 INT. - CASARÃO / FAZENDA SANTOS / ESCRITÓRIO – NOITE
Avelino, de costas para a porta e mergulhado na penumbra, fala ao telefone.
            AVELINO
(ao tel.)
Não! Quem quase morreu foi a Alice. Agora eu tenho que dar um tempo pr’aquele delegadozinho não suspeitar. A gente se fala.
Avelino desliga o celular. Ao voltar-se, GRANDE SUSTO! Ele dá com Walter, olhando-o com ódio.
            AVELINO
Mas que merda, Walter! Quer me matar?
            WALTER
(sisudo)
Já pensou que a essa hora você estaria velando a sua sobrinha?
            AVELINO
(dá as costas / sonso)
Mas num é? Graças a Deus isso não ocorreu /
Walter puxa-o pelo braço, com força.
            WALTER
Não meta Deus nisso, seu bandido!
            AVELINO
(chocado)
Quê?! Eu não sou bandido!
            WALTER
(por cima)
Uma pessoa que paga propina, rouba e mata, é bandido SIM!
Avelino, baqueado, treme os lábios, de nervoso.
            AVELINO
Eu não vou admitir que você grite comigo na minha casa /
            WALTER
NA NOSSA CASA! Chega de achar que é o único dono dessa merda!
(respira / choque total na cena)
Você sabia que um veneno potente levantaria suspeita, então se aproveitou que a Maria José tem alergia a castanha e usou um veneno mais fraco. Só que eu troquei os pratos por saber da alergia dela. Você achava que eu não lembraria, né?
Cara a cara. Raiva destilando entre os dois.
            AVELINO
Você tem culpa nisso. Se tivesse ficado na sua /
            WALTER
Você queria me incriminar?
(pensa rápido)
Claro...Você ia usar isso pra me chantagear, pra eu não exigir meus direitos.(T) Pois eu acho bom você se apressar. Ou você acaba comigo ou eu acabo com você.
No confronto entre ambos.
CAM BUSCA Noel, à espreita da porta.
CENA 27 EXT. - CASARÃO / FAZENDA SANTOS / QUARTO DE NOEL – NOITE
Noel caminha, sossegado, com um fone de ouvido e segurando um celular.
            NOEL
(cantarola)
Nem sempre ando entre os meus iguais. Nem sempre faço coisas legais...
Ao chegar na porta, põe a mão na maçaneta, uma mão feminina retira seu fone. É Maria José.
           MARIA JOSÉ
Oi, Noel.
            NOEL
Maria José...Sabia que é crime interromper Pitty?
            MARIA JOSÉ
(sorri)
Sorry. Não tive oportunidade de te agradecer por ter me salvado do Mazinho. Você é muito corajoso.
            NOEL
Que nada. Levei uma surra, lembra?
            MARIA JOSÉ
O que você fez prova o quanto o seu pai é injusto contigo. Não é qualquer um que tem coragem de se jogar de uma janela, não é mesmo?
Na cara de esbabacado do garoto.
           MARIA JOSÉ
Eu acabei vendo tudo.
= = FLASHBACK – CENA EM QUE NOEL DEFENDE MARIA JOSÉ = =
 Noel CAI no chão, perto da SACADA, gemendo de dor.
            MAZINHO
Frouxo! Sempre foi um frouxo! Vamos! Se defenda!
No olhar de ódio de Noel. Ele vai se levantando, mas Mazinho não tem paciência e agarra-o pelo colarinho, forçando-o a levantar-se.
            MAZINHO
Eu vou te ensinar a nunca mais bancar a herói da fazenda, seu desgraçado!
No que Mazinho empurra Noel na direção da sacada /
ENTRA CENA NÃO REVELADA ANTERIORMENTE
Noel se equilibra e SALTA da janela. Mazinho tenta segurá-lo, mas é inútil; Espantado, ele não tem nem coragem de chegar na sacada. CAM BUSCA Maria José, assistindo a tudo.
= = FIM DO FLASHBACK = =
            MARIA JOSÉ
Acordei a tempo de ver. Não se preocupe, Noel. Será o nosso segredinho.
A garota beija o rosto de Noel, ainda estático com a revelação.
FADE OUT
FADE IN
CENA 28 INT. - DELEGACIA / PALATÓRIO – DIA
Alice espera, sentada e ansiosa. A porta abre-se e um policial ADENTRA com Paulo.
            PAULO
Alice!
A garota levanta-se. Abraço deles.
            ALICE
Paulo, preciso muito que você me responda uma coisa.
            PAULO
Claro! (ambos sentam-se) O que é?
            ALICE
Eu já sei que a Catarina tinha pouco tempo de vida (Paulo se incomoda). E que além de você, Walter e o seu João também sabiam. Eu quero saber se mais alguém sabia?
            PAULO
Por favor, Alice, esse assunto…
            ALICE
Você não acredita em mim? Catarina foi assassinada, Paulo. Quem matou não sabia que ela já tava condenada.
Paulo, nervoso, esfrega a mão pelo rosto.
            PAULO
Olha, eu e o seu João, garanto a você, não contamos pra ninguém, mas esse Walter, cê sabe...Não ponho minha mão no fogo por aquela família…
            ALICE
Cê acha que/
            PAULO
Eu não confiaria em alguém que se diz contra uma família, mas convive muito bem com ela. Walter pode ser mais astuto do que você pensa.
Alice, surpresa, não sabe o que dizer. Fecha em sua expressão abalada.
FADE OUT
FIM DO CAPÍTULO

APRESENTANDO

CHRISTIANA UBACK.......................Maria Alice Pimentel
JOÃO VÍTHOR OLIVEIRA........................…...Noel Santos
MARCO PIGOSSI.............................Alessandro Santos
OSVALDO MIL..................................Mazinho Santos
JULIANA LOHMANN...........................Maria José Guerra
LUCINHA LINS....................................Helô Castro
HERSON CAPRI…................................Avelino Santos
LUCCI FERREIRA................................Walter Santos
MURILO GROSSI............................…………...João Guerra
TONICO PEREIRA................................Cícero Guerra

PARTICIPAÇÃO ESPECIAL

BIA ARANTES.................................Catarina Guerra


ELENCO SECUNDÁRIO
RAPHAEL VIANA..................................Paulo Borges
CAIO BLAT.....................................Padre Batista
CLÁUDIA NETTO..............................………………Tina
DANI BARROS...................................Tarsila Santos
MARCO RICCA..................................Wagner Pimentel

ATORES CONVIDADOS NESSE CAPÍTULO

RICARDO PEREIRA....................................Alcântara
SÉRGIO MARONE..........................................Lucas




Essa obra não possui nenhum vínculo/contrato com os atores citados acima.



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