Gato Preto-Capítulo 08

    0:00 min       GATO PRETO     CAPÍTULO 8
38:00 min    


CYBERTV APRESENTA
GATO PRETO


Minissérie de
Cristina Ravela

Capítulo 8 de 13






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ATO DE ABERTURA
FADE IN
CENA 1 EXT. - CASARÃO / FAZENDA SANTOS – NOITE
Todas as luzes apagadas. Apenas o ZUNIDO dos insetos.
ÂNGULO BAIXO – SOM de pegadas na grama, até um par de sapatos de couro pretos surgir na cena. A CAM sobe apenas o suficiente para vermos um canivete em mãos masculinas.
CENA 2 EXT. - CASARÃO / FAZENDA SANTOS / FUNDOS – NOITE
ÂNGULO BAIXO – SOM de alguém caminhando, sorrateiro, em direção a uma porta. Desta vez, um par de coturnos pretos.
CENA 3 INT. - CASARÃO / FAZENDA SANTOS / QUARTO DE ANA – NOITE
CAM adentra o ambiente na penumbra; Pequeno, com chão de taco, pouca mobília, incluindo uma cama de solteiro. Revela-se Ana, de costas, trajando pijama, diante da janela entreaberta. Ela usa fone de ouvido, bastante concentrada em seu celular. CAM vai se aproximando, lentamente.
            ANA
(murmura)
Não é possível!...Foi ele que matou a Catarina! (T) Que horror!
Ana retira o fone, espantada. No que olha para a CAM /
Apavora-se, mas não tem tempo; A CAM avança e abafa seu grito.
CENA 4 EXT. - CASARÃO / FAZENDA SANTOS – NOITE
No meio da mata, alguém corre, sem que possamos ver quem é. Para, um instante, olha para a FACHADA do casarão. Foge dalí.
FADE TO BLACK
FIM DO ATO DE ABERTURA

CAPÍTULO 8
À NOITE, TODOS OS GATOS SÃO PARDOS

PRIMEIRO ATO
FADE IN
CENA 5 INT. - CASARÃO / FAZENDA SANTOS / QUARTO DE ALICE – DIA
No que Alice abre a porta, Walter já vai entrando, angustiado. Alice fecha a porta, preocupada.
            ALICE
Walter, se alguém te pega aqui /
            WALTER
Sou teu tio, não?
            ALICE
(aponta o dedo / arisca)
Não lembrou disso quando me beijou, né?
            WALTER
Olha, eu já to bastante envergonhado, não me olhe assim. (T) Desculpa.
Alice respira fundo, cruza os braços. Tenta não cruzar os olhos com os dele.
            ALICE
Tudo bem. A gente ficou afastado por dez anos. Nem eu consigo te ver como tio…
Alice cala-se, repentinamente. Walter a olha, deslumbrado, tenta conter o sorriso de esperança.
            ALICE
Você entendeu /
            WALTER
(por cima / acanhado)
Claro! Inclusive, você também me deve desculpas. (Alice aguarda, afrontada) Você aceitou meu beijo.
            ALICE
Mas era só o que me faltava! Me culpar pelo seu ato incestuoso!
            WALTER
Não acho que seja incesto /
            ALICE
Ah, Walter, vaza, vai!
Alice pega-o pelos ombros e sai empurrando-o, mas ele estaca bem a sua frente.
            WALTER
Eu só queria dizer que a Ana não vai contar nada. Ela sabe ser discreta. Tenha certeza disso.
Em Alice, sem ação.
CAM BUSCA Noel, atrás da porta, chocado com tudo que ouviu. Ele afasta-se, com a mão na boca, sem acreditar.
CENA 6 INT. - CASARÃO / FAZENDA SANTOS / COZINHA – DIA
Noel adentra, afoito.
            NOEL
Ana!
Noel não vê ninguém. Olha o próprio relógio; Estranha.
CENA 7 EXT. - CASARÃO / FAZENDA SANTOS / QUARTO DE ANA – DIA
Noel bate na porta umas três vezes. Arrisca-se e prepara-se para abrir.
            NOEL
Ana? To entrando, esteja vestida, hen.
Noel ENTRA no
QUARTO
E o seu sorriso esvai-se, dando lugar a um semblante assombrado. ÂNGULO BAIXO enquadra o corpo de Ana, caído no chão. Seu olhos abertos, expressão de aflita, não restam dúvidas; Ana está morta.
CENA 8 INT. - CASARÃO / FAZENDA SANTOS / SALA – DIA
Noel surge do corredor, desesperado.
            NOEL
Gente, pelo amor de Deus! A Ana! A Ana, ela /
Alessandro descendo as escadas, Noel vai até ele, agarra-o pelo braço.
            NOEL
Alessandro, eu fui procurar a Ana, ela tá lá /
Alessandro, ríspido, solta-se dele.
            ALESSANDRO
Me solta! Que é? Ela não preparou o seu leitinho, é, malandro?
A essa altura, Cícero, Maria José e Walter no topo da escada. Avelino e Mazinho chegando da outra ponta.
            MAZINHO
Ó o escandaloso alí. Sabe que horas são?
Avelino prepara-se para descer, de cara amarrada.
            AVELINO
Eu não podia começar pior a minha manhã.
Walter desce, em seguida, nota a expressão de horror em Noel.
            WALTER
Deixa ele falar. Que cara é essa, Noel?
Noel mal consegue falar; Gesticula, nervoso.
            NOEL
A Ana...A Ana tá morta!
No espanto nos demais. Em Walter, absorto.
FADE OUT
FADE IN
CENA 9 INT. - CASARÃO / FAZENDA SANTOS / SALA – DIA
Todos na expectativa. Avelino despeja uísque em seu copo, Mazinho oferece gelo.
            AVELINO
Vai sem gelo mesmo porque to sem paciência. (Bebe tudo num gole só) Merda! Não faltava mais nada! Não precisava envolver a polícia nisso.
            ALESSANDRO
E a gente tem culpa que o Lucas bateu aqui? Ele disse que queria muito falar contigo.
Noel entreolha Alice, cúmplice. Avelino bate o copo sobre a mesa, raivoso. Lucas e mais três agentes adentram, vindo da direção da cozinha. Todos se posicionam, curiosos.
            WALTER
(ansioso)
E então? Foi mesmo um acidente?
            LUCAS
Ainda não temos certeza, mas tanto pode ter sido um acidente doméstico ou /
            MAZINHO
Ou?
            LUCAS
Ou um homicídio.
            CÍCERO
Pobrezinha...Mas quem ia querer fazer mal a Aninha?
            NOEL
(revoltado)
Um monstro, claro! Ela deve ter descoberto algum podre de um de vocês.
Avelino já o encara com ódio; Avança, com o dedo em riste.
            AVELINO
A única coisa podre que tá aqui é a presença de vocês dois! (para Noel e Alice / Alessandro segura o pai) Sempre que vocês pisam aqui, uma desgraça acontece.
            ALICE
Não é a nossa presença que matou duas pessoas no mesmo lugar.
            AVELINO
Você cala a tua boca!
            LUCAS
Já chega, por favor! O laudo não foi conclusivo, mas se for comprovado o crime, vocês terão motivos para discutirem.
Avelino encara Lucas e faz um sinal discreto com a cabeça para que ele o acompanhe. Walter dá uma olhada rápida para Alice, sem perceber que Noel e Maria José percebem.
CENA 10 INT. - CASARÃO / FAZENDA SANTOS / ESCRITÓRIO – DIA
Três maços de dinheiros sendo dispostos sobre a mesa. Avelino acaba de dispor a grana e descansa as mãos na mesa.
            AVELINO
O que acha? O que devo, pago.
Lucas coça o pescoço, pensa um pouco; Pega um dos maços e analisa.
            AVELINO
Não é falso.
            LUCAS
Tem muito mais aqui do que foi oferecido.
            AVELINO
Entenda como juros. (contorna a mesa) Será que podemos reatar a nossa amizade?
Avelino estende a mão, mas fica com ela suspensa, sob o olhar crítico do policial.
            LUCAS
Tenho um suposto crime para investigar, seu Avelino, mas vou gostar da sua cooperação.
Quando Lucas vai cumprimentar, Avelino abaixa a mão. Lucas deixa escapar um sorriso discreto de escárnio.
            AVELINO
Achei que tivéssemos um acordo, homem. Você sabe que um escândalo desse pode pôr em risco a minha reputação.
            LUCAS
Muitas coisas poderiam pôr em risco a sua reputação, seu Avelino. Já conversamos sobre isso...Não é?
            AVELINO
Qual é, cara? To te pagando em dobro!
Lucas apanha os dois maços e esconde por dentro da farda.
            LUCAS
Guarda esse outro para pagar quem realmente pode te destruir. Com licença.
            AVELINO
Lucas! Lucas!
Lucas SAI e bate a porta. Volta em Avelino, socando a mesa.
            AVELINO
Merda!
CENA 11 EXT. - CASARÃO / FAZENDA GUERRA / GALPÃO – DIA
Paulo está sentado numa grande pedra, cotovelos sobre os joelhos, mãos cobrindo parte da boca; Olhar vidrado, perdido em algum pensamento, denota aflição e tristeza. Um rapaz negro, forte, vem do interior do local.
            RAPAZ #1
Paulo, cê me ajuda a trazer o saco de fenos? (Paulo nada responde) Paulo?
            PAULO
Quê? Ahn...Pede pro Vítor, eu to sem cabeça.
O rapaz não questiona e SAI dalí. Helô surge do lado oposto, temerosa, esfrega as mãos uma na outra.
            HELÔ
Paulo?
Paulo, de súbito, olha para ela com os olhos marejados e levanta-se.
            PAULO
Dona Helô...A senhora deseja alguma coisa?
            HELÔ
Você já soube, né? A Ana era sua grande amiga.
Paulo limpa os olhos, abaixa a cabeça.
            PAULO
De infância, dona. Ela vivia pegando no meu pé pra eu comprar um celular e eu…
Paulo engole o choro; respira fundo.
            HELÔ
Uma lástima...Tão jovem. Você tá liberado hoje, ok? Já falei com o João.
Helô nota um Paulo agitado, tentando não chorar, e sem encará-la.
            HELÔ
(desconfiada)
Você esteve com ela ontem?
Paulo a encara, tenso. Antes de desabar em lágrimas, ele cobre a boca e SAI dalí, abalado.
Em Helô.
CENA 12 INT. - CASARÃO / FAZENDA GUERRA / ESCRITÓRIO – DIA
Helô, alterada, diante de João.
            HELÔ
Eu sei que você mandou o Paulo invadir a igreja, João. Tudo por conta de um cartão de memória que pode ter ido parar nas mãos da Ana.
            JOÃO
(mãos na cintura / estupefato)
Você anda ouvindo atrás da porta, mulher?
            HELÔ
João, o Paulo tá desnorteado. Ele tá se sentindo culpado, com certeza!
João contorna a mesa, fazendo a negativa.
            JOÃO
Não, não! Não há com que se preocupar! Até agora, tudo indica que pode ter sido um acidente. Acidentes acontecem.
            HELÔ
Coincidências, não. (encaram-se) João, se foi homicídio, você sabe quem seria o assassino, né?
João anda por alí. Coloca as mãos na cintura, depois esfrega a mão na boca, nervoso.
            JOÃO
Não...Não teria como. Ninguém mais sabia que o cartão tava lá, menos ainda que estaria com a garota. Não inclua mais drama nesse roteiro, por favor!
            HELÔ
Então, o Paulo tá escondendo alguma coisa. E você conhece bem a pessoa que contratou.
João encara-a, pensativo.
CENA 13 EXT. - CASARÃO / FAZENDA SANTOS / QUARTO DE ANA – DIA
O CORREDOR vazio. Avelino surge de uma das extremidades, sorrateiro, olha para trás. Até que avança sobre uma porta, tenta abrir, sem sucesso. Nervoso, abaixa a maçaneta várias vezes.
            AVELINO
Mas que merda! Quem trancou isso?
            MAZINHO
(O.S / murmura)
Ei!
Avelino chega a pôr a mão no peito. Susto.
            AVELINO
(murmura)
Porra, Mazinho! Quer que eu morra também?
            MAZINHO
(murmura)
Cê tá fazendo o que aí? Não sabe que a polícia proibiu todo mundo de entrar no quarto dela?
Ambos continuam de murmurinhos.
            AVELINO
(gesticula / inquieto)
O Lucas proibiu porque tá de sacanagem com a minha cara. Tá querendo brincar de agente fodão, mas comigo não. Vamos, me arranja a chave reserva.
            MAZINHO
Se alguém te pega aqui, vão achar que tem culpa no cartório, to avisando.
            AVELINO
Então vamos ser rápidos! Quero saber se não há nenhuma prova contra mim aí. Depois das notas falsas, tudo é possível. Bora invadir.
            MAZINHO
Para e pensa, irmão! Se tu entrar, aí mesmo que tu vai deixar uma prova, malandro. Nunca assistiu CSI não?
Avelino pensa rápido. Dá um soco na parede.
            AVELINO
Que saco! Tudo acontece nessa casa!
Avelino se afasta da porta e vai seguindo o corredor. Mazinho atrás.
            MAZINHO
Cê devia era tá preocupado com a prova que a Maria José tem contra você, hen. Ela e aquele velho são mais perigosos do que a Ana. (T) Coitada (ri), não devia saber metade do que acontecia aqui.
Os dois atravessam a tela e somem. Ao fundo, Walter aparece, de olhar estranho para eles; Ouviu tudo. Olha, em seguida, para a porta.
Fecha nele.
CENA 14 EXT. - CASARÃO / FAZENDA GUERRA / CAMPO – DIA
VISTA AÉREA – Várias ovelhas espalhadas pelo pasto, desordenadas. No meio delas, Paulo sobre seu cavalo, inerte.
EM TRAVELLING, percorremos o pasto até alcançarmos o rosto angustiado de Paulo, em transe.
= = FLASHBACK DA CONVERSA DE PAULO COM ANA (CENA 13 – CAP 4) = =
            PAULO
[...] (olha para trás, preocupado) Agora é melhor você ir. Deve tá na hora do seu patrão chegar.
Ana faz que sim, ambos abraçam-se.
            ANA
Tchau! E vê se compra um celular.
= = FIM DO FLASHBACK = =
            JOÃO
(O.S)
Paulo! Paulo!
Paulo desperta e encontra João a sua frente, agitado.
            PAULO
Patrão, desculpe…
            JOÃO
Falei pra você tirar o dia, não falei? Olha as ovelhas! Já me bastou o prejuízo que o Avelino me deu.
Paulo observa dois empregados pastoreando os animais, tentando controlá-las.
            PAULO
Mil desculpas, patrão. Isso não voltará a acontecer.
            JOÃO
(com olhar de reprovação)
Vamos conversar, Paulo. Acho que você tem algo a me dizer.
Na expressão de medo em Paulo.
CORTE DESCONTÍNUO
CENA 15 INT. - CASARÃO / FAZENDA GUERRA / ESTREBARIA – DIA
Paulo acaba de deixar seu cavalo e fechar a portinhola. João aguarda, sem deixar de encará-lo.
            JOÃO
Eu entendo seu sofrimento, Paulo, (joga) mas a Ana sofreu um acidente. Infelizmente, acidentes domésticos acontecem.
            PAULO
(pensativo / amargurado)
Ela não merecia isso...Podia ter sido evitado…
            JOÃO
(toca seu ombro)
A gente sempre acha isso, mas a hora de cada um chega. Foi difícil pra mim também aceitar a perda da minha filha, mas /
            PAULO
(explode)
A Ana foi assassinada! Mataram a garota, patrão! E a culpa foi minha, MINHA!
Paulo chora, copiosamente. João, em choque.
CENA 16 INT. - IGREJA  – DIA
TRAVELLING percorre pelos pequenos cômodos até adentrar o
BANHEIRO
SOM de chuveiro ligado. Pela porta de aço, a sombra de alguém sentado, no canto. CAM atravessa a porta e dá com Batista, nu, debaixo d’água, abraçando os joelhos. Sua expressão consternada; Olhar vago.
FADE OUT
FIM DO PRIMEIRO ATO

SEGUNDO ATO
FADE IN
CENA 17 INT. - CASARÃO / FAZENDA GUERRA / ESTREBARIA – DIA
Continuação da cena 15.
            JOÃO
Você podia ter falado antes, Paulo! Era só ter pedido a Ana o celular, e pronto.
            PAULO
Eu sei, eu sei! Mas eu não queria que o senhor soubesse que eu queria ver as provas antes do senhor. Nunca vou me perdoar por isso.
            JOÃO
Também não é assim. O culpado é o assassino. (pensa) Só que, como ele ia saber disso?
Paulo se cala, desvia o olhar, com medo.
            PAULO
Não sei...(titubeia) Ahn...O seu Cícero foi o único que nos viu conversando...Ele pode ter sacado alguma coisa.
            JOÃO
Raposa velha! Se ele pegou ou não esse cartão, saberei hoje.
            PAULO
Como assim? A Ana já morreu por conta disso.
            JOÃO
Paulo, eu entendo o seu sofrimento, mas também não temos certeza se o bandido pegou o cartão. Como você mesmo disse, ele pode ter escutado o seu barulho e fugido. Ou seja, ele pode tentar pegar de novo, mas eu pegarei antes.
Paulo mostra-se preocupado; João, confiante.
CENA 18 INT. - CASARÃO / FAZENDA GUERRA / SALA – DIA
Noel anda de um lado e de outro, com as mãos na cintura. Em segundo plano, Wagner descendo as escadas, rápido.
            WAGNER
Aconteceu mais alguma coisa? Cadê minha filha? Não veio?
            NOEL
Não, vai ter que se contentar comigo mesmo (sorri / estende a mão). Tudo bem?
Wagner hesita, mas cumprimenta.
            WAGNER
A tua mãe tá em algum lugar da casa. E a Tarsila já capinou pro restaurante.
            NOEL
Na verdade, meu assunto é contigo mesmo (Surpresa em Wagner). Acho que ainda não te agradeci por ter me salvado da ira do meu pai.
            WAGNER
Olha, garoto, eu só fiz aquilo porque /
            NOEL
(corta / simpático)
Porque o senhor é contra a violência, eu sei. Mas quero agradecer de qualquer maneira, e também por não ter ficado contra mim quando soube que eu realmente roubei o meu pai.
            WAGNER
o que você fez foi péssimo, sabe disso né?
Noel põe as mãos na cintura, pensa um pouco.
            NOEL
Aham, eu sei. Mas alguém precisa tirar essa autoridade toda que ele tem na cidade. Soube que o policial Lucas tá empenhado em descobrir quem matou a Ana? Em outros tempos, o caso seria abafado, como o da Catarina.
            WAGNER
(mão no queixo, chocado)
Mataram mesmo a garota? Mas, menino!
            NOEL
Ninguém sabe, mas a polícia tá achando que sim. Lucas tava com sangue nos olhos (ri).
            WAGNER
Tua sorte é que você não é querido pelo seu pai, mas você não pensou no teu irmão, não, moleque?
            NOEL
Relaxa! Lucas vai se vingar do meu pai tornando-o o fazendeiro mais azarado da região, com duas mortes em menos de dois meses. O senhor vai ver.
            WAGNER
O importante é pegarem o assassino. Agora, preciso ir. Eu volto hoje pro serviço. Mais tarde ainda tem o enterro.
Wagner vai saindo, mas Noel segura em seu braço.
            NOEL
Esqueci de te dizer outra coisa. Melhor saber por mim, do que por aí.
Wagner aguarda, ansioso.
            NOEL
Eu posso tá enganado, mas acho que a Alice pode ser vítima de outro escândalo. O senhor precisa fazer alguma coisa. Querem que a gente perca esse jogo de qualquer maneira.
            WAGNER
(raiva)
O que aquele Mazinho andou aprontando? (fecha os punhos)
Olha, eu ainda to com uma vontade de enfiar a mão naquela cara, que você /
            NOEL
(Por cima)
É o Walter. (Wagner não entende) Ele beijou a Alice na boca, tio! Beijou a própria sobrinha!
Wagner vai pra trás, chocadíssimo.
CENA 19 INT. - CASARÃO / FAZENDA SANTOS / SALA – DIA
NA TELA DA TV – Cenas tensas da série SEAS:
INT. EMPIRE - CABINE DE LÍVIA - NOITE
Caio mostra imagens em seu celular para Lívia e Regina, perplexas. Lívia encara Regina, em choque.
            LÍVIA
A Kênia foi atrás da Lia pra armar pra cima desse bandido e pegá-lo! Então quer dizer... Não, não pode ser ele, Caio!
            CAIO
Mas é. Tá aqui. O tempo todo. Foi tudo uma emboscada. Eu saquei tudo pelo o que o Orlando me disse! Como se ele quisesse que eu descobrisse! Agora a questão que não quer calar é.../
CAM CORTA para Mazinho, sentado no sofá e com as pernas repousadas sobre a mesinha. O áudio da série não é ouvido.
            MAZINHO
Olha lá! Sempre soube, nunca me enganou esse filho da puta. Cara boa pinta, ri da própria desgraça, muito prestativo e sorrateiro. Tinha que ser ele um bandidão.
Noel adentra pela porta da frente e pega Maria José, num canto, ao lado de Cícero. Este, disfarçando o sorriso arteiro. Noel olha Mazinho, de costas, assistindo a série.
            NOEL
Nem fico admirado em ver o senhor se divertindo, enquanto vivemos um cenário policial.
            MAZINHO
Isso aqui é aprendizado, bicho. A gente aprende a perceber os bandidos a nossa volta.
Cícero gargalha.
            CÍCERO
Mas você não precisa disso, Mazinho; É só se olhar no espelho (risadinha).
Mazinho levanta-se, irado.
            MAZINHO
Tu cala essa boca, seu velho babão!
            MARIA JOSÉ
Devia ter mais respeito com o meu pai, Mazinho. (maliciosa) Ele, às vezes, fala demais…
Mazinho encara-a, sacando a mensagem. Apanha o controle remoto e aperta uma tecla. Desliga a TV.
            MAZINHO
Querem saber de uma coisa? Pra mim, a Ana foi morta sim. Tem gente por aqui capaz de qualquer coisa pra culpar inocentes e tirar o Alessandro da reta. E a Ana vivia de fofoca com a Alice e o Noel, diz aí, Noelzinho.
             NOEL
Ué, chama a polícia pra mim, tio. Se quiser, eu mesmo me conduzo até lá.
             MAZINHO
Se faz de santo comigo não, malandro. Tu já fingiu ter sido dopado só pra me culpar pelo seu acidente, e ainda roubou o seu pai. Fala, quem foi que arranjou aquelas notas falsas, fala! Foi a Alice? Ela se deitou com quem pra conseguir isso?
            WALTER
CALA A BOCA, MAZINHO!
Todos se assustam ao olhar Walter, no alto da escada, com uma cara furiosa como se nunca se viu. Walter vem descendo, fitando o irmão.
            WALTER
Você nunca mais fale mal da Alice, ouviu bem?
            MAZINHO
Qualé, irmão! A cidade inteira já sabe que ela e o João fazem o trelêlê nas estrebarias da vida, ué! (gargalha)
            WALTER
Infeliz!
Walter, enche-se de ódio e pula em Mazinho, acertando-lhe um SOCO. Mazinho CAI no sofá, aturdido. TODOS se espantam.
           MAZINHO
Walter?! Irmão?! Que isso?
           WALTER
Isso sou eu não aguentando mais ver tanta asneira sair da sua boca. Se eu tivesse feito isso lá atrás, as coisas, hoje, seriam diferentes.
Walter passa por Noel e SAI pela porta. Maria José observa, excitada com aquela atitude.
CAM encontra Alice, no alto da escada, tendo presenciado tudo.
POV DE ALICE – Mazinho ainda atordoado pelo acontecido.
CENA 20 EXT. - CIDADE DE MANGARATIBA / RIO DE JANEIRO – DIA
Uma GERAL pela praia, quiosques movimentados. Takes rápidos, até encontrarmos a fachada do cemitério.
CENA 21 INT. - CEMITÉRIO – DIA
VISTA AÉREA – Um caixão está ao lado da cova, cercados por algumas pessoas, além do padre Batista.
            BATISTA
Deus, Pai, todo Poderoso, estamos reunidos este dia para recordar a vida preciosa de Ana Maria da Silva de Oliveira. Jovem, de muitos sonhos e vida difícil, Ana Maria nos deixou para reunir-se com Deus, nosso Pai.
TRAVELLING percorre por entre as pessoas, trajando luto e de expressões tristes, até parar em Noel e Alice, próximos a uma árvore.
            ALICE
Eu não acredito que você fez isso, Noel. Contar pro meu pai?
            NOEL
Desculpa, tá? Mas só quero evitar que você caia numa cilada. Se todo mundo souber, será mais um escândalo pra você.
            ALICE
É...(vacila o olhar/ titubeia) Aquilo não vai mais acontecer. Não vai.
            NOEL
Aquilo foi incesto. Nossa, sabia que ele tinha algo de estranho. Cê sabe que, pra mim, ele seria um ótimo aliado, na verdade, ele é, mas sempre o achei down, sabe? Paradão demais, frio demais, sem muita reação...
            ALICE
O que você quer dizer?
            NOEL
Deus que me perdoe, Alice, mas eu ouvi ele te dizendo que a Ana não ia contar nada sobre o beijo de vocês. E não vai contar mesmo!
Alice cobre a boca, surpresa. Balança a cabeça, negando aquela ideia.
            ALICE
Que horror! Não...Se ele fosse um assassino, não acha que ele teria dado um susto na Maria José?
            NOEL
Sei lá. To perdido nessa série. Mas que eu não to mais engolindo essa serenidade toda dele, isso não to não.
Os dois são enquadrados pela CAM a uma certa distância. O ponto de vista é de Mazinho ao lado de Alessandro.
            MAZINHO
Espia só, Alê! Eles devem tá rindo da minha cara.
           ALESSANDRO
Mas o que deu no tio Walter, hen? Tão pacato…
           MAZINHO
Panaca, você quis dizer né? A Alice deve ter feito a cabeça dele. Mas ela e o Noel me pagam, tu vai ver.
OUVIMOS um choro. As pessoas abrem espaço para Paulo que, aos prantos, cai de joelhos e abraça o caixão. A atitude comove os que assistem. Batista abaixa a cabeça, engole o choro. Entre o povo, João vem caminhando, ao telefone. Olha ao redor, disfarça.
            JOÃO
E aí? Encontrou alguma coisa?
CORTE DESCONTÍNUO
CENA 22 INT. - CASARÃO / FAZENDA SANTOS / QUARTO DE ANA – DIA
Um homem alto, moreno, 35 anos, trajando roupas despojadas e um pouco sujas, procura algo, enquanto fala ao telefone.
            HOMEM #1
Nada, patrão. Fiz o que mandou, não deixei nada fora do lugar, mas o celular da garota sumiu!
O capataz ainda dá uma última olhada por alí.
FADE OUT
FADE IN
CENA 23 EXT. - CIDADE DE MANGARATIBA / RIO DE JANEIRO – DIA
Takes pontuados da praça, passando por um ônibus que acaba de estacionar, até pegar a igreja. Último take na fachada do restaurante.
Legenda: Dias Depois...
CENA 24 INT. - RESTAURANTE / COZINHA – DIA
Na mão masculina usando uma FACA para cortar a carne. Walter, com o uniforme branco e a touca da mesma cor, vai despejando os cubos de carne numa grande panela; Uma garota corta o alho e a cebola. Walter leva a faca à pia; abre a bica.
            WALTER
Só coloque os temperos quando a água ferver, ok?
A garota faz que sim.
Wagner, trajando camisa branca e calça social cinza, aparece alí.
            WAGNER
Você tem muito amor pelo que faz mesmo, né Walter?
           WALTER
Opa! Cozinhar é uma arte, amigo. Minha maior paixão.
           WAGNER
E a sua segunda paixão? (T) Quem é?
Walter ri, bobo, sem saber o que responder. Wagner olha para a ajudante. Walter saca.
           WALTER
Amélia, cê pode pegar o caldo de picanha na dispensa? Hoje, vou mudar o tempero.
           AMÉLIA
Claro!
A garota SAI.
            WAGNER
(bravo)
Agora cê pode me explicar que negócio é esse de dar em cima da minha filha, rapaz?
Em Walter, sem ação.
FADE OUT
FADE IN
CENA 25 INT. - RESTAURANTE / COZINHA – DIA
Continuação imediata da cena anterior.
De sério, Wagner ri. Walter mostra-se petrificado.
            WAGNER
Se tu visse a sua cara agora...Relaxa, tá? É que, às vezes, eu tenho que parecer um pai durão.
             WALTER
(confuso)
Não entendi.
Wagner põe a mão em seu ombro, compreensivo.
             WAGNER
Eu já soube que você beijou a minha filha, mas ó, tenha mais cuidado da próxima vez, tá? Esse povo é muito cheio de mimimi e o escândalo sempre sobra pra mulher, né?
             WALTER
Não vai existir próxima vez, Wagner; O que eu fiz foi errado. (murmura) É incesto!
            WAGNER
Ah, balela! Vocês não se veem há dez anos. E se vocês forem pra outra cidade, ninguém vai precisar saber.
            WALTER
Wagner, você...Você apoiaria? Quero dizer, se fosse o caso...
Wagner aproxima-se, verifica os lados.
            WAGNER
Vou te contar um segredo: Minha primeira namorada era minha tia (ri, safado). Minha mãe foi a única que me apoiou. Ela dizia: Pelo menos, fica tudo em família.
Wagner gargalha, sem fazer muito barulho, deixando Walter perplexo.
            WAGNER
(recompõe-se)
Olha, você parece uma boa pessoa. Basta não me decepcionar, tudo bem?
Walter não consegue dizer nada, consternado. Wagner ri da sua cara, quando a garota da cena anterior, ENTRA.
            WAGNER
Bom trabalho, Walter! Vou voltar pro meu posto. Gerenciar as coisas (ri).
Wagner SAI. Fecha em Walter.
CENA 26 EXT. - CASARÃO / FAZENDA SANTOS  – DIA
Dois carros de polícia estacionados diante do imenso casarão.
CENA 27 INT. - CASARÃO / FAZENDA SANTOS / SALA – DIA
Lucas e mais dois policiais posicionados no meio do cenário, diante dos olhos curiosos de Cícero, Maria José, Avelino, Mazinho, Alice e Noel.
            LUCAS
O laudo da perícia foi conclusivo; Ana teve traumatismo craniano após ter caído sobre um móvel.
Avelino respira, aliviado. Dá uma sacada em Lucas, uma olhada cúmplice. Lucas disfarça um sorriso.
            LUCAS
Porém...Foram encontradas marcas no pescoço da vítima que indicam tentativa de enforcamento. (susto nos demais) Há sinais de luta, mas parece que não foi uma luta desigual.
CAM percorre os olhares de cada um: Cícero, com aquele sorrisinho de escárnio, como sempre; Maria José, roendo as unhas; Avelino e Mazinho, temerosos; Alice, tensa; Noel, na expectativa.
           LUCAS
(cont.)
Quem quer que tenha sido o assassino, ele não conseguiu dominar a vítima muito bem. Lamentavelmente, ela se desequilibrou e caiu. (T) Todos da casa serão intimados a depor.
Em cada um deles. Avelino cruza o olhar com Lucas, em sinal de reprovação.
FADE OUT
FIM DO SEGUNDO ATO

ATO FINAL
FADE IN
CENA 28 INT. - DELEGACIA – DIA
Numa placa sobre a mesa, com a seguinte inscrição: Delegado Alcântara. A imagem nos revela, em seguida, um homem (37 anos, moreno, olhos verdes, trajando roupas sociais), sentado logo atrás da placa. Segura uma caneta, mantém um olhar incisivo.
            ALCÂNTARA
Onde o senhor estava na hora do crime?
Avelino, já nervoso, diante dele.
            AVELINO
Adivinha? Dormindo na minha casa?
            ALCÂNTARA
Vou pedir que modere o tom, seu Avelino. (T) O senhor tem um álibi?
Avelino olha rápido para Lucas, que sorri, discretamente.
            AVELINO
Seu delegado, eu não tenho como provar que eu tava dormindo. Nunca coloquei câmeras na minha casa, mas eu pagava a garota em dia. Por que raios eu mataria a minha empregada de confiança?
Alcântara, bufa. Espia Lucas, que faz a negativa.
CORTE DESCONTÍNUO
            ALCÂNTARA
O senhor não ouviu nada?
Agora, é Mazinho, a sua frente, largado na cadeira e com a mão sobre o encosto, bem à vontade.
            MAZINHO
Ouvi, não, brou. Eu tava assistindo Seas. Inclusive, um carinha lá parece muito contigo, hen (ri).
SÉRIE DE PLANOS:
a)                                      O delegado, sem que possamos ouvir, interroga Maria José. Ela gesticula bastante, como a desenvolver uma história muito consistente.
b)              A vez de Alessandro, esboça lamento durante o interrogatório.
c)              Walter, cabeça baixa, em alguns momentos, titubeia; Cobre o rosto, lamentando o ocorrido.
d)              Cícero fala normalmente, e até dá uma risadinha no final.
Chega a vez de Alice e Noel, juntos, diante de um delegado cansado.
            ALCÂNTARA
Soube que a chegada de vocês tem causado alguns transtornos. A filha de João Guerra, Catarina, sofreu um acidente; Vocês passaram a disputar a herança dela com Alessandro; Você, Noel, também sofreu um acidente, pelo menos, o que ouvi dizer. E agora, um assassinato. A que atribuem tudo isso?
            ALICE e NOEL
(em uníssono)
Ao nosso azar.
Alice dá de ombros. O delegado recosta na cadeira, esgotado.
FADE OUT
FADE IN
SONOPLASTIA: Teto de Vidro - Pitty
CENA 29 EXT. - FAZENDA GUERRA / ESTREBARIA – NOITE
SOM de cigarra. Pouca luminosidade por alí. Paulo surge de um dos lados, pensativo, ainda desolado.
 = = FLASHBACK = =
CENA 30 EXT. - PRAÇA – NOITE
Paulo se apressa até um orelhão; tira o fone do gancho, mas antes, dá uma espiada para ver se alguém está por perto. Disca. OUVIMOS o toque de chamada.
            PAULO
Atende, Ana!
Paulo desiste. Coloca o fone no lugar.
            PAULO
Eu preciso pegar aquele cartão de qualquer maneira!
O rapaz segue seu rumo, decidido.
= = FIM DO FLASHBACK = =
VOLTA À CENA
Paulo respira, com ar de lamento.
FUSÃO PARA
CENA 31 INT. - CASARÃO / FAZENDA SANTOS / QUARTO DE WALTER – NOITE
Walter está parado perto da janela, pensamento longe; Olhar perdido.
= = FLASHBACK = =
CENA 32 EXT. - CASARÃO / FAZENDA SANTOS / QUARTO DE ALICE – NOITE
Walter caminha rápido, decidido. Avança sobre a porta e quando vai bater /
CORTA PARA O INTERIOR DO QUARTO
Alice abre a porta e Walter adentra, impetuoso. Mal fecha a porta, pega a garota pela cintura e a prensa de contra a parede. Beija-a, fervorosamente e Alice corresponde. Tempo no beijo deles. Até Alice afastá-lo.
            ALICE
A Ana já sabe da gente, quer que mais gente saiba também?
VOLTA EM WALTER
Ainda parado no EXTERIOR DO QUARTO, estacado. Era tudo delírio dele. Walter fecha o punho, desiste e segue o corredor, em direção a escada.
= = FIM DO FLASHBACK = =
VOLTA EM WALTER
Com o mesmo olhar perdido; Sem reação.
FUSÃO PARA
CENA 32 INT. - CASARÃO / FAZENDA SANTOS / QUARTO DE HÓSPEDES – NOITE
Na cabeceira da cama, um copo de uísque. A mão masculina pega e, ao levar até a boca, revela-se Cícero, deitado e rindo para um celular.
            CÍCERO
Melhor coisa que nos aconteceu, minha filha, foi isso aqui (risadinha). Vida longa pra gente, não?
Maria José, próxima à janela, com um prato cheio de pipoca.
            MARIA JOSÉ
Ainda bem que eu tenho o senhor.
Ambos trocam sorrisos maliciosos.
FUSÃO PARA
CENA 33 INT. - IGREJA / QUARTO – NOITE
Nas mãos unidas, segurando um terço. Batista reza, concentrado, testa franzida; Expressão sofrida. Abre os olhos, marejados, mas agora, mais firmes. Batista faz o sinal da cruz e beija o terço.
FADE OUT
FADE IN
CENA 34 EXT. - CIDADE DE MANGARATIBA / RIO DE JANEIRO – DIA
Takes rápidos e pontuados. A calmaria da praia; Alunos descendo do ônibus; Pessoas lendo jornal perto de uma banca. Último take na fachada da fazenda Santos.
MUSIC OFF
CENA 35 INT. - CASARÃO / FAZENDA SANTOS / SALA – DIA
Walter desce as escadas, correndo. Esbarra em Alessandro, já apanhando sua bolsa do sofá.
            ALESSANDRO
Tá atrasado, é, tio? Vai tomar café, não?
            WALTER
Não dá. Tá indo também?
            ALESSANDRO
Sim, bora!
Walter e Alessandro se apressam, mas o primeiro não percebe quando sua carteira CAI do bolso detrás.
Do alto da escada, Alice VÊ a carteira, mas não faz nada. Pelo seu PONTO DE VISTA, Walter e Alessandro SAEM. Alice, então, desce as escadas, e apanha a carteira, que acaba abrindo. Curiosa, Alice vê algo que chama sua atenção.
POV DE ALICE – A foto dela (vista na cena 1, capítulo 6). Ao virar a aba, depara-se com a foto de Catarina (vista na cena 2, capítulo 7). A mão de Alice puxa a foto.
            ALICE
(O.S)
Walter tem uma foto da Catarina?
Ao virá-la, encontra a dedicatória, também vista na cena 2, capítulo 7.
“É sempre bom encontrar pessoas que sabem nos ouvir. Com carinho, Catarina”.
FIM DO POV DE ALICE
No rosto da garota, desconfiada.
FADE TO BLACK
FIM DO CAPÍTULO

APRESENTANDO

CHRISTIANA UBACK.......................Maria Alice Pimentel
JOÃO VÍTHOR OLIVEIRA........................…...Noel Santos
MARCO PIGOSSI.............................Alessandro Santos
OSVALDO MIL..................................Mazinho Santos
JULIANA LOHMANN...........................Maria José Guerra
LUCINHA LINS....................................Helô Castro
HERSON CAPRI…................................Avelino Santos
LUCCI FERREIRA................................Walter Santos
MURILO GROSSI............................…………...João Guerra
TONICO PEREIRA................................Cícero Guerra

PARTICIPAÇÃO ESPECIAL

BIA ARANTES.................................Catarina Guerra


ELENCO SECUNDÁRIO
RAPHAEL VIANA..................................Paulo Borges
CAIO BLAT.....................................Padre Batista
CLÁUDIA NETTO..............................………………Tina
DANI BARROS...................................Tarsila Santos
MARCO RICCA..................................Wagner Pimentel

ATORES CONVIDADOS NESSE CAPÍTULO

LUÍZA VALDETARO..........................................Ana
RICARDO PEREIRA....................................Alcântara

TRILHA SONORA

TETO DE VIDRO..........................................Pitty





Essa obra não possui nenhum vínculo/contrato com os atores citados acima.



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