Gato Preto-Capítulo 07

    0:00 min       GATO PRETO     CAPÍTULO 7
39:00 min    




CYBERTV APRESENTA
GATO PRETO


Minissérie de
Cristina Ravela

Capítulo 7 de 13




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ATO DE ABERTURA
FADE IN
CENA 1 EXT. - CASARÃO / FAZENDA SANTOS – DIA
CLOSE na fachada imponente.
CENA 2 INT. - CASARÃO / FAZENDA SANTOS / QUARTO DE WALTER – DIA
Corta diretamente na foto de Alice (vista na cena 1 – capítulo 6) sendo guardada, por mãos masculinas, dentro de uma carteira marrom. Quando a aba da carteira é virada, encontramos uma outra foto, do avesso. Nela está escrita a seguinte mensagem:
“É sempre bom encontrar pessoas que sabem nos ouvir. Com carinho, Catarina”.
A mão retira a foto e revela Catarina ao lado de Walter. CAM busca lentamente de quem é o ponto de vista; É de Walter, que olha ao léu, pensativo.
CENA 3 EXT. - IGREJA – DIA
VISTA PANORÂMICA da fachada. O sino TOCA.
CENA 4 INT. - IGREJA – DIA
Local vazio; Silêncio profundo. CLOSE na imagem de Jesus no altar. Até que desviamos para o fundo, próximo ao confessionário; Uma SOMBRA atravessa.
CORTE RÁPIDO
CENA 5 INT. - IGREJA / QUARTO DO PADRE – DIA
Ação rápida. Alguém revira a cama; Abre gavetas; Caça algo nos bolsos de uma batina; Abre portas do armário, faz uma busca por alí, quando nos deparamos com um celular. A mão masculina apanha e, em clima de suspense, CAM descobre que o ponto de vista é de Paulo, satisfeito.
CENA 6 EXT. - IGREJA – DIA
Num ÂNGULO DISTANTE, Paulo SAI da igreja, sorrateiro; tenta ser discreto, à medida que cumprimenta quem passa. Numa de suas sacadas para verificar o seu redor, ele olha para nossa tela. Tenso, procura se apressar dalí.
Walter surge na tela, curioso com a cena.
CORTE DESCONTÍNUO
Paulo anda cada vez mais rápido; Olha para trás, bastante nervoso. Alcança uma caminhonete, puxa a maçaneta, mas no que abre /
Outra mão segura a porta. Paulo leva um susto ao deparar-se com Walter.
            WALTER
Algum problema, amigo?
            PAULO
Seu Walter! Quanto tempo…
Paulo chega a suar de nervoso.
FADE OUT

FIM DO ATO DE ABERTURA

CAPÍTULO 7
LOBO EM PELE DE CORDEIRO
PRIMEIRO ATO

FADE IN
CENA 7 EXT. - CAMINHONETE – DIA
Paulo coça a nuca, disfarça o nervosismo. Walter encarando-o, estranhamente.
            WALTER
Já tem um tempo que a gente não se fala, não é mesmo?
            PAULO
Dona Catarina ainda era viva. Que Deus a tenha.
            WALTER
(abaixa a cabeça) Sim...(fita Paulo) E como tem passado? Vi você saindo da igreja, nervoso. Espero que esteja bem.
            PAULO
Ah...Gosto de ir à igreja. Faz bem rezar, né?
Walter balança a cabeça, faz que sim, não acreditando muito.
            WALTER
Ah sim, não sabia que você tinha um pé na igreja católica...E como está a dona Tina?
            PAULO
Bem, muito bem. Me desculpe, mas agora eu preciso ir. Meu patrão tá me esperando.
            WALTER
Claro, manda um abraço pro pessoal lá.
Paulo faz que sim e entra rapidamente no carro. Walter espia o carro zarpar dalí.
Nele.
CENA 8 INT. - CASARÃO / FAZENDA SANTOS / QUARTO DE NOEL – DIA
Noel coloca sobre a cama, uma bolsa carteiro tipo lona. Abre-a, enquanto direciona-se a Alice.
            NOEL
Tá tudo aqui, Alice, veja.
Noel mostra dois maços de dinheiro, enrolados por um elástico.
            NOEL
É a grana que o meu pai pagaria ao policial por ter dado prejuízo ao seu João.
            ALICE
Noel! Isso vai dar ruim. Se esse policial se sujeita a isso, pode muito bem matar o seu pai.
            NOEL
Relaxa, Alice! Ele ainda quer a grana, e o meu pai certamente vai arrumar. Mas a reputação já tá manchada. Ele já perdeu um pouco da confiança dele. Agora, fala, foi ou não foi um golpe de mestre?
            ALICE
(séria / mãos na cintura) Você e o seu João hen...Cês tão pro crime. (abre o sorriso) Gosto disso!
Ambos riem.
            ALICE
Mas o que pretende fazer? Vai entregar pro seu João? Acho justo.

            NOEL
Justíssimo, penso em fazer isso agora/

Noel olha para trás, receoso. Alice não entende. Noel fecha a bolsa, joga para debaixo da cama.

            ALICE
O que houve?

Noel faz sinal de silêncio e vai até a porta. Abre, repentinamente. Dá uma espiada

PELO CORREDOR. Não há ninguém.

VOLTA NELE, aliviado.

            NOEL
Juro ter achado que tinha alguém nos ouvindo. Melhor a gente descer pra não dar bandeira, né?

            ALICE
Aqui o que mais tem é gente fofoqueira.

Noel concorda.

CENA 9 INT. - CASARÃO / FAZENDA SANTOS / ESCRITÓRIO – DIA

Avelino volta-se, irado, com o celular a postos.

            AVELINO
Você tá me ameaçando de novo, Lucas? Eu já disse que eu te paguei tudo que devia. (T) Você acha que eu tenho essa grana dando sopa por aqui?

A porta é aberta, Mazinho entra.

            AVELINO
Escuta, Lucas...Lucas? Desgraçado! Desligou na minha cara!

            MAZINHO
Aí, irmão, melhor pagar esse cara, hen. Ele sabe muita coisa sobre você.

Avelino deixa o celular sobre a mesa.

            AVELINO
O que ele sabe é que ele tem mais a perder do que eu. Eu não vou cair nessa ameaça, não vou!

            MAZINHO
Ele falou o quê?

CAM BUSCA atrás da porta. Ana OUVINDO, atenta.

CENA 10 INT. - IGREJA – DIA

Walter fazendo o sinal da cruz. Batista vem no sentido oposto, semblante confuso.

            BATISTA
Seu Walter? O senhor por aqui?

Ambos dão-se as mãos.

            WALTER
Como vai, padre? Será que podemos conversar?

            BATISTA
Claro! (faz que vai sentar no banco)

            WALTER
No confessionário.

Batista se refaz; balança a cabeça, afirmativamente.

CORTE DESCONTÍNUO
CENA 11 INT. - IGREJA / CONFESSIONÁRIO – DIA
Walter, sentado, abaixa a cabeça mostrando-se envergonhado.
            BATISTA
(O.S)
Mas isso é pecado, irmão!
            WALTER
Eu sei! Ou não, nem sei. Padre, eu não queria, mas aconteceu. Foi mais forte do que eu.
            BATISTA
(pasmado)
Isso...Isso é horrível. O irmão parece muito perturbado. Vou lhe passar algumas orações; Irá se sentir melhor.
             WALTER
Padre, eu vim aqui desabafar, porque não posso contar isso pra ninguém, mas contar em confissão corro menos risco.
             BATISTA
Você só veio desabafar? Não pensa em fazer nada contra esse sentimento impuro?
             WALTER
Amar não devia ser algo impuro.
             BATISTA
Amar a própria sobrinha, sim! (BAQUE) Saia da fazenda (em Walter, preocupado). Vá para algum lugar mais afastado, e evite contato com ela.
             WALTER
Já ficamos afastados por dez anos, padre /
             BATISTA
Você veio desabafar, mas é minha obrigação fazê-lo encontrar o caminho do bem. Essa garota tem má reputação, e você é um homem respeitado /
             WALTER
Chega! Eu pensei, pensei, e fiz besteira. (vai se levantando) Eu nem devia ter vindo.
            BATISTA
Walter!
Walter já SAIU. Batista abre a porta, chateado.
            BATISTA
Família podre. E pensei que ele se salvava.
Nele.
CENA 12 INT. - CASARÃO / FAZENDA SANTOS / COZINHA – DIA
Ana pega sua bolsa e já está quase saindo; Esbarra em Paulo, afoito, todo suado.
            ANA
Paulo! O que houve?
Paulo dá uma espiada no ambiente; Não há mais ninguém. Puxa, do bolso da camisa, o cartão de memória e mostra a Ana.
            PAULO
Ana, cê poderia trocar seu cartão de memória rapidinho?
            ANA
Eu to indo pro mercado, Paulo. Já falei pra você comprar um celular, não falei?
            PAULO
É coisa rápida, Ana. Por favor!
Ana bufa. Coloca a bolsa sobre a mesa, abre e saca um celular.
            ANA
(cabreira)
O que tem nesse cartão, hen?
            PAULO
Ainda não sei, vou saber agora.
Ana retira a tampa traseira do celular e seu cartão de memória. Paulo entrega o dele, e Ana coloca no lugar; Fecha a tampa. Paulo mostra-se ansioso e pega o celular das mãos dela, deixando-a curiosa.
            CÍCERO
(O.S)
Bom dia, povo!
Paulo se assusta e acaba jogando o celular dentro da bolsa de  Ana. Cícero percebe.
            ANA
Seu Cícero...Eu já tava indo pro mercado. Mas quer alguma coisa?
            CÍCERO
Não, minha jovem, eu mesmo posso pegar minha água, viu? Paulo, como vai lá na fazenda do rival de Avelino? (risadinha) Soube que ele perdeu umas ovelhas...É verdade, filho?
            PAULO
É verdade, sim senhor. Bom, eu só vim dar um “oi” pra Ana. Passar bem, seu Cícero.
Cícero acena. Paulo sai, apressado, e Ana sorri, sem graça para o idoso.
CENA 13 EXT. - CASARÃO / FAZENDA GUERRA – DIA
VISTA AÉREA do local muito arborizado.
            JOÃO
(O.S)
Como assim você não trouxe o cartão?
CENA 14 INT. - CASARÃO / FAZENDA GUERRA / ESCRITÓRIO – DIA
João está por trás da mesa, com as mãos fechadas sobre ela; Muito aborrecido.
            JOÃO
Paulo, esse cartão de memória pode ser a minha salvação, como é que você deixa no reduto inimigo?
            PAULO
(nervoso)
Eu fui rapidinho cumprimentar a Ana. Eu tava nervoso, nunca na vida tinha invadido a propriedade de ninguém, patrão, menos ainda uma igreja. Deixei cair, provavelmente lá.
João dá um SOCO na mesa; Contorna-o, esfrega a mão no rosto; Pensa um pouco.
            JOÃO
Se você voltar lá agora, vai dar bandeira. Mas eu preciso que você recupere isso pra mim e pra ontem! É a minha chance de acabar com o Avelino.
Em Paulo, concordando, mas apavorado já.
CENA 15 EXT. - CASARÃO / FAZENDA GUERRA – DIA
Tarsila vem saindo, ao celular, e apressada. Logo atrás, Helô, no mesmo ritmo. As duas olhando ao redor a fim de não serem vista.
            TARSILA
(ao tel.)
Alice, presta atenção. Quero que você faça algo pra mim. (T) Não, mas pode acontecer, me escuta: Procure um cartão de memória aí, pode tá na cozinha, caído no chão...Tá me ouvindo? (T) Alice? Droga!
Tarsila guarda o celular na bolsa, preocupada.
            TARSILA
A ligação caiu.
            HELÔ
Isso ainda vai acabar em desgraça, Tarsila. O que vamos fazer?
            TARSILA
Acho que só tem um jeito.
Helô aguarda, ansiosa.
CENA 16 EXT. - RESTAURANTE – DIA
Um grupo de pessoas entrando no local. Bom movimento, carros estacionando perto da praia.
Alice vem pela calçada, em passos largos e rápidos. Assim que se aproxima do grupo, algumas delas a olham com desprezo; Afastam-se e cochicham entre si. Alice não se abala, procura por Tarsila, enquanto tenta entrar.
            MULHER #1
(O.S)
Além de amante de fazendeiro, falsa amiga, também quer furar a fila?
Alice dá uma olhada na figura; Mulher de estatura média, gorda, usando um vestido florido e horroroso. Torna a olhar para o interior do restaurante.
            MULHER #2
Uma vagabunda mesmo. Traficante de drogas e assassina.
            MULHER #1
A piranha não fala nada não?
Alice volta a encarar a mulher, desta vez, de cima a baixo.
            ALICE
Não costumo rebater gente recalcada, mas se quer saber, eu pego o homem que eu quiser mesmo (burburinhos), trafico a droga que eu quiser e ainda mato quem se opor. Gostou dessa?
Povo ouriçado, alguns até vibram. A mulher, chateadíssima, levanta a mão para bater em Alice, mas a garota segura a tempo.
            ALICE
Vai bater por quê? Faltou argumento?
Algumas mulheres e homens avançam, fazem algazarra. Um homem vem lá de dentro tentando entender a situação, enquanto Walter e Tarsila vem logo atrás. O homem tenta acalmar os ânimos, aos gritos. Walter sai puxando Alice dalí.
CENA 17 EXT. - CASA DE VILA – DIA
Walter segura Alice pelo braço e aproximam-se de uma parede.
            WALTER
Precisava cair no papo deles, Alice? Precisava? Eles iam te linchar!
Alice solta do braço dele, revoltada.
            ALICE
Eu fui humilhada, Walter! Acusada de coisas que eu não fiz. Você queria que eu fizesse o quê? Fingisse que não era comigo?
            WALTER
Eu sei que não é fácil, mas pensa nos teus pais. Eles podem perder o emprego.
            ALICE
(mãos na cintura / inconformada)
Claro! Tenho que pensar neles e ficar calada, porque ter alguém pra bater de frente com essa gente e me defender seria demais, não?
            WALTER
Esse povo acreditou no boato que espalharam. Dar trela pra eles é piorar as coisas, Alice.
            ALICE
Isso só tá acontecendo por causa de seus irmãos, Walter! Tu já foi roubado, traído e alvo de piada, porque sim, aquele velho do Cícero não deve ter te poupado das piadinhas dele com a Maria José, mas não, tu tá aí, defendendo os irmãos.
            WALTER
(exalta-se)
Eu não to defendendo ninguém, caramba!
            ALICE
E nem acusando. Você não tem um posicionamento, cara! Age friamente, como pode? Você fica dando voltas e mais voltas só pra constatar o que todo mundo já sabe; Que você é um frouxo!
Walter arregala os olhos, afrontado.
            WALTER
Alice…
            ALICE
Frouxo! Você não age, não faz nada! É um frouxo!
Walter tenta conter a pressão, mas AGARRA Alice pela nuca e a prensa de contra a parede; Ambos com os rostos muito próximos, respiração ofegante, até que ele a beija apaixonado, intenso. Alice corresponde, chega a abraçá-lo, mas resiste; Afasta-o. Os dois encaram-se, sem acreditar, em silêncio. Mas Alice vê algo fora da tela que a deixa perplexa. Walter faz o mesmo.
Ana, com duas sacolas de compras, do outro lado da calçada. A garota flagra a cena, chocada. SAI dalí, rapidamente.
Em Alice e Walter, sem saber o que fazer.
CENA 18 INT. - CASARÃO / FAZENDA SANTOS / CORREDOR – DIA
Avelino por alí, sem rumo, preocupado. Passa por uma porta entreaberta; Pensa um pouco, mas decide abrir e entra no
QUARTO DE NOEL
Observa, faz cara feia.
            AVELINO
Eu ainda vou ter que aturar esse garoto por mais onze meses…
Avelino olha ao redor, vê uns objetos em cima da penteadeira; Perfume, porta-retratos com Noel e Alice, loção pós-barba e pente. A cama arrumada, local bem organizado.
            AVELINO
Esse garoto sempre foi arrumadinho demais. Nada fora do lugar.
Aproxima-se da cama e pisa em alguma coisa, fazendo-o olhar para baixo. Avelino agacha-se e encontra a bolsa carteiro; Coloca-o sobre a cama.
            AVELINO
Bolsa debaixo da cama não faz o tipo desse moleque.
Sem o menor constrangimento, Avelino abre a bolsa, vasculha e encontra o envelope pardo. O cara nem acredita, põe-se a abrir o envelope e saca a grana envolvida por um elástico.
            AVELINO
Ah, agora eu te pego, seu filho da puta!
Ao fundo, Noel, ao batente da porta, sem ação. Avelino olha para trás. Nos olhares entre os dois.
FADE OUT
FIM DO PRIMEIRO ATO

SEGUNDO ATO
FADE IN
CENA 19 INT. - CASARÃO / FAZENDA SANTOS / QUARTO DE NOEL – DIA
Noel recebe um SOCO na cara e vai ao chão. Espavorido, mas ainda mantendo a pose diante da fúria do pai.
            AVELINO
Você vai me pagar caro por ter me roubado, seu moleque!
Avelino pega o garoto pela gola, lutando para se esquivar, e o arremessa de contra a penteadeira; derruba tudo. Noel levanta rápido.
            AVELINO
Todo mundo vai saber que tu é um ladrão, seu filho de uma égua! Agora eu tenho um bom motivo pra te jogar na rua! BANDIDO! LADRÃO! FILHO DESNATURADO!
             NOEL
Isso! Grita! Aproveita pra dizer que essa grana era pra ajudar o seu João que teve prejuízo lá na fazenda. (joga) O senhor me deu essa grana pra eu entregar pra ele, lembra?
             AVELINO
Seu filho da puta!
E ele dá outro SOCO em Noel, que cai sobre a cama. Ambos encaram-se, com ódio. O rosto do garoto já manchado de sangue.
CENA 20 INT. - CASARÃO / FAZENDA SANTOS / SALA – DIA
Alice adentra, desnorteada. Alessandro atrás, com aquele ar de deboche.
            ALESSANDRO
Que é, dona Maria Alice? Ouvi dizer que você fez barraco no serviço do tio Walter. Além de tudo, tu é barraqueira também, hen. Que vexame.
Alice respira fundo, muito envergonhada e abalada. Alessandro aproxima-se, curioso.
            ALESSANDRO
A santa do pau oco não diz nada?
            WAGNER
(O.S)
Se você quiser eu digo.
Alessandro encara Wagner com as mãos na cintura.
             WAGNER
E então? O gato perdeu a língua?
VOZES ALTERADAS chamam a atenção. BARULHO de objetos caindo, quebrando.
             WAGNER
O que tá acontecendo nessa casa?
Ana desce as escadas, esbaforida. Alice, tensa, nem a encara.
             ANA
Por favor, ajudem! O seu Avelino tá espancando o Noel!
Wagner, indignado, corre na direção da escada. Alessandro e Alice fazem o mesmo.
CENA 21 INT. - CASARÃO / FAZENDA SANTOS / QUARTO DE NOEL – DIA
Avelino sacode Noel, aos gritos.
            AVELINO
Diz pra mim como é que você fez? Hen? Você sabia pra quem era essa grana? ANDA! DIZ, SEU IMPRESTÁVEL!
Wagner ADENTRA e já tira Avelino de cima do garoto.
            WAGNER
Solta ele, tá maluco?
Avelino reluta e esquiva-se de Wagner, agitado. Alice vai até Noel, todo amarrotado, cabelos desgrenhados, supercílio e boca sangrando.
            AVELINO
Não me segura, que eu vou arrancar o couro desse moleque!
Wagner segura seu braço, enquanto Alessandro, mão na boca, acha graça da cara de Noel.
            WAGNER
Vão parar com isso? Que coisa feia pai e filho brigando.
            ALESSANDRO
O que você aprontou, hen Noel? Boa coisa não foi, porque/
            ALICE
Cala essa boca! Olha o estado que esse monstro deixou o Noel.
            AVELINO
Olha como tu fala comigo, sua moleca!
Wagner se coloca diante de Avelino, imponente, cara fechada.
            WAGNER
Olha você como fala com ela. Não é porque ela tá na tua casa que você pode fazer o que bem entender não.
Alessandro vai até a cama e, abismado, apanha o envelope com a grana.
            ALESSANDRO
Que tanto de dinheiro é esse aqui?
            AVELINO
É meu, mas o Noel afanou. Tão burro que escondeu muito mal.
Noel tenta avançar, mas Alice o contém.
            NOEL
Essa grana é minha! Eu ia dar pro seu João pagar o prejuízo que um bandido deu a ele.
Avelino se enfurece, empurra Wagner, mas não tem jeito; Wagner faz o jogo duro e se põe na frente de Noel.
            WAGNER
Você não vai bater em mais ninguém aqui! Olha o estado do moleque. Já to começando a achar que ele tem razão. Você é pior do que eu imaginava.
            ALESSANDRO
(levanta-se, firme)
Pega leve aí, seu Wagner. Também não é assim. Noel apronta desde pequeno /
            WAGNER
(arranca o envelope da mão dele)
E você apronta desde agora, pronto! Se ele tá dizendo que a grana é dele e é pra uma boa causa, que seja, caramba!
Wagner devolve o envelope a Noel, que abre um sorriso de escárnio para o pai.
            AVELINO
Isso não ficar assim, garoto. Não vai.
Avelino abandona a cena. Alessandro quase sai, mas volta.
            ALESSANDRO
(para Noel)
Se você estiver mentindo, tu vai se ver comigo.
Alessandro SAI. Wagner verifica o machucado no rosto de Noel. Faz a negativa, chateado com aquilo.
CENA 22 INT. - CASARÃO / FAZENDA SANTOS / ESCRITÓRIO – DIA
Avelino entrando feito um touro, Alessandro atrás, impede dele fechar a porta.
            ALESSANDRO
O senhor pode me explicar que grana era aquela?
Avelino volta-se, quase empurrando o filho.
            AVELINO
(cuspindo ira)
É do Noel, você não ouviu?
Avelino dá as costas, reprimindo o ódio. Alessandro aguarda, paciente, até que o pai volta-se novamente a ele.
            AVELINO
Tu vai fazer um negócio pra mim. Tu vai pegar essa grana e é pra já!
            ALESSANDRO
Mas a grana não é do Noel?
            AVELINO
Eu tava de ironia, porra! Tu vai pegar essa grana e rápido! Antes que ele entregue mesmo pro João.
            ALESSANDRO
(desconfiado)
Pai, essa grana é pra pagar o quê ou quem?
Avelino agarra-o pelo colarinho, assustando-o.
            AVELINO
Tu tá de brincadeira, garoto? Essa grana é minha e pronto! Faz o que to mandando!
Avelino larga-o, deixando o filho cabreiro.
CENA 23 EXT. - CASARÃO / FAZENDA SANTOS – DIA
Wagner e Alice espreitam-se pela varanda, tentando serem discretos.
            WAGNER
Não pode ser! (Murmura) Sério isso?
            ALICE
Pai, o Noel não fez por mal. A Ana contou pra ele que o meu tio pagou pra matarem as ovelhas do seu João. Ele é um criminoso!
            WAGNER
Os dois, né? Mas sabe que adorei isso? Vocês têm o meu apoio, viu?
Alice abraça-o, e Wagner sorri, animado.
            WAGNER
Nessa confusão toda esqueci de te falar. Sua mãe tentou falar contigo agora há pouco, né?
            ALICE
Sim, mas a ligação caiu.
            WAGNER
Então, é que ela ouviu uma conversa  - pelo amor de Deus, nem o João sabe, hen – que ele mandou o Paulo roubar um cartão de memória do padreco.
             ALICE
Gente, tá todo mundo indo pro lado do crime. Mas qual o interesse do seu João?
             WAGNER
Parece que o padreco sabe muita coisa sobre o velhaco do Avelino. João quer usar pra se vingar, né? Acho justo até, mas a questão é que o Paulo perdeu esse cartão e eles acham que pode tá aqui.
             ALICE
Aqui?! Mas a essa altura alguém já achou.
             WAGNER
Ou não. Que tal a gente procurar?
Em Alice, encorajada.
CENA 24 EXT. - CIDADE DE MANGARATIBA / RIO DE JANEIRO – DIA
CAM dá uma geral pela cidade, as praias, a praça cheia de jovens estudantes. Corta para as áreas verdes, sítios, algumas no alto do morro, escondidas pelos grandes arbustos.
Até chegarmos na CABANA da dona Tina.
CENA 25 EXT. - CABANA – DIA
A porta abre e Tina leva um baque. Noel diante dela com o rosto marcado pela agressão sofrida. Nos olhares marcantes.
CENA 26 INT. - CABANA – DIA
Tina disfarça, arruma o sofá, sacode a almofada.
            TINA
Seu pai sabe que você tá aqui, garoto?
            NOEL
(aponta para o próprio rosto)
Ele fez isso comigo. Acha que ele tá preocupado com os lugares para onde vou?
Tina engole a seco. Aproxima-se e tenta tocar seu rosto.
            TINA
Talvez eu possa cuidar disso /
            NOEL
(retira sua mão, abrupto)
Eu já cuidei.
Ambos encaram-se. Tina mostra-se envergonhada.
            NOEL
Eu só vim saber quanto a senhora cobra pra tirar as cartas pra mim?
            TINA
Hoje eu fechei as cartas. Não to muito bem.
            NOEL
Ah, claro, só tá bem pra receber o meu pai, né? (Tina esmorece) Disse a ele que o futuro dele é duvidoso? Que a senhora viu grana e dor?
            TINA
Do que você tá falando?
            NOEL
Cazuza. (sorri, mas logo fecha a cara / caminha pela sala) Claro.
Noel vê as cartas dispostas sobre a mesa, viradas do avesso. Quando leva a mão para pegar uma /
            TINA
Não toque nelas.
(Noel encara-a)
Desculpe, mas só eu posso fazê-lo, para não quebrar a energia.
Noel faz que sim, nitidamente, segurando a raiva.
            NOEL
A senhora conhece o meu pai há muito tempo, né?
            TINA
Conheço o João Guerra há mais tempo.
            NOEL
E serve a Deus e a mamon?
            TINA
O que disse?
            NOEL
A senhora sabe que o meu pai não presta, mas deixa ele fazer as atrocidades contra o seu João. A senhora joga pros dois lados?
            TINA
Escuta, garoto, eu trabalho pro bem, recebo por isso. Não posso julgar as atitudes de ninguém /
            NOEL
(incisivo)
Sim, o velho discurso “Não sou juiz pra julgar”. Aí, vão aceitando o que veem pela frente, né não?
Noel aproxima-se mais; Tina tenta recuar, mas desiste, mostra-se nervosa.
            NOEL
O que mais já encobriu do meu pai, dona Tina?
            TINA
Já chega, eu /
Tina bem que tenta se esquivar, mas Noel a puxa pelo braço; Eles ficam cara a cara. Forte tensão.
             NOEL
Vai ficar me devendo uma previsão.
Noel vai saindo, ainda encarando-a, de forma estranha.
Tina respira aliviada, mão no peito. Tempo nela, até /
CENA 27 EXT. - CABANA  – DIA
Noel, ao celular, anda em passos largos, cara amarrada.
            NOEL
Paulo roubou o padre? (risos) Mas você procurou na fazenda? (T) Certeza? (T) E você pensou no quê? (T) Tudo bem, vo pensar em algo. Espera eu chegar.
Noel atravessa a tela, e ficamos com a imagem da cabana ao fundo.
CENA 28 EXT. - CASARÃO / FAZENDA SANTOS – DIA
PLANO GERAL – Alice, aguardando no portão, ansiosa. Noel chegando, esbaforido.
            ALICE
Noel, onde esteve?
            NOEL
Fui dar uma volta. Mas então? O cartão de memória sumiu mesmo? Você acha que tava na cozinha?
           ALICE
Talvez. Eu podia ter perguntando pra Ana, já que se o Paulo esteve aqui, foi pra falar com ela, mas…
           NOEL
Mas…?
           ALICE
(disfarça)
Nessa confusão, nem consegui falar com ela...Ai, que vacilo do Paulo, né? (brinca) Despreparado pro mundo do crime.
Ambos riem.
           NOEL
Faltou pesquisa e curso intensivo. Mas ó, pensei numa coisa de alta periculosidade, vem cá.
Noel puxa Alice para outro canto, afastado do portão, mantendo o suspense.
            NOEL
Olha, a gente pode fazer com que meu pai perca um pouco a sua autoridade por aqui.
            ALICE
Tá, mas se o teu pai pagar ao Lucas, eles ficam de boa. A menos que o teu pai fizesse algo contra ele.
            NOEL
Isso!
            ALICE
(assustada / brinca)
Você vai matar o policial e pôr a culpa no teu pai?
            NOEL
Ideia boa, mas não (força o sorriso maquiavélico / Alice ri).
A gente pode provar a ele que o meu pai o trata como um capacho, que a qualquer momento pode ser dispensando, sacas? Esse Lucas é posudo, detestaria saber que o meu pai pensa o pior dele.
            ALICE
(preocupada)
Isso pode nos comprometer? Porque alguém que aceita suborno, tá disposto a tudo.
            NOEL
Relaxa, que a gente ainda sai como paladinos da cidade. E até sei quem pode nos ajudar.
Em Alice, curiosa.
CENA 29 INT. - CASARÃO / FAZENDA SANTOS / CORREDOR – DIA
Maria José saindo do quarto. Assim que vira, dá com Noel, espreitando-se pelas paredes em sua direção. Ele sorri, sedutor.
            MARIA JOSÉ
(tímida)
Noel...Oi. Sempre tão misterioso.
            NOEL
Faz parte do meu show. (inventa)Eu vim saber se você tá bem depois da palhaçada que o meu pai fez. Pensei que ia te encontrar com as malas prontas…
            MARIA JOSÉ
Do que cê tá falando?
            NOEL
(dá de ombros)
Ué, ouvi o meu pai dizendo que hoje mesmo “eles terão que sair daqui”. Parece que o meu tio Mazinho tava nessa hora…
            MARIA JOSÉ
(sorri)
Deviam tá falando de você e da Alice, depois do que você aprontou, seu danadinho.
            NOEL
Isso foi ontem.
(Maria José fecha o semblante)
Não sei o que há, porque se ele te aceitou aqui depois daquele escândalo...Melhor você falar com ele. Acho que depois do nosso acidente, os dois ficaram decididos em te tirar daqui. De um jeito ou de outro...
Maria José, paralisada, pensamento longe.
            NOEL
Mas pelo amor de Deus, não diga que falei isso, tá? A cota de paciência do meu pai comigo tá por um fio.
Maria José faz que sim, estática, olhar inquieto. Noel passa por ela com um sorriso sacana.
Nela.
FADE OUT
FIM DO SEGUNDO ATO

ATO FINAL
FADE IN
CENA 30 EXT. - IGREJA – NOITE
Na fachada iluminada. Portas fechadas. Um ou outro transeunte  por alí.
CENA 31 INT. - IGREJA – DIA
Batista acaba de fazer uma oração. Em segundo plano, a imagem DESFOCA e revela Tina, sentada. Quando o padre se volta, leva um susto.
            BATISTA
Como a senhora entrou?!
            TINA
A sua beata me deixou entrar quando tava saindo. Uma senhora querendo rezar, quem resiste?
Batista desce o pequeno degrau, intempestivo, como sempre. Tina levanta-se no mesmo instante.
           BATISTA
Não combinamos de nos falar por telefone?
           TINA
Quando você aprender a atender minhas chamadas, quem sabe?
           BATISTA
(abaixa o tom, sem graça)
Eu tava ocupado, devo ter deixado o celular no quarto.
           TINA
Eu só vim perguntar se mais alguém sabe quem é o meu filho?
           BATISTA
Acha que sou um traidor? A gente briga, mas eu jamais vou revelar algo tão pessoal. Sou melhor do que o Avelino.
Tina faz que sim, toca seu ombro, grata.
            BATISTA
Por quê?
            TINA
Ahn...O Noel me procurou. Ficou me cercando de forma estranha. Acha que ele descobriu?
            BATISTA
Não sei, mas se sim, mais fácil ele fazer algo contra o pai, porque pelo menos a dona Helô é uma ótima pessoa.
            TINA
Verdade. Você sabe o quanto sofro por isso, não é?
Batista segura as suas mãos, compadecido.
            BATISTA
Todos nós, Tina. Mas o dia do juízo final está chegando. Avelino pagará por todo mal que vem causando, pode ter certeza.
Em Tina, desconfiada daquele tom.
CENA 32 INT. - CASARÃO / FAZENDA SANTOS / QUARTO DE AVELINO – DIA
Avelino abre e encontra Maria José esperando, de cara amarrada.
            AVELINO
Não bastou os meus irmãos, agora quer investir em mim, moleca?(sorri, safado)
Maria José empurra-o e vai entrando. Avelino, fecha o sorriso e deixa a porta entreaberta. Aponta o dedo na cara da garota.
            AVELINO
Cê tá muito abusada, garota. Seja lá o que veio fazer aqui, eu to sem paciência. Bora, sai!
            MARIA JOSÉ
O senhor sabe que eu ainda tenho aquela gravação, não sabe?
Avelino avança, mas ela recua rapidamente. Avelino só assusta, mas recua também.
            AVELINO
Se veio pedir grana /
            MARIA JOSÉ
Seria ótimo, pois meu pai é idoso, precisa de cuidados especiais.
            AVELINO
Ele não precisa de grana, precisa é tomar vergonha naquela cara, isso sim! Não é à toa que nem o irmão o suporta.
            MARIA JOSÉ
Eu só vim saber se o senhor anda planejando a nossa saída daqui? Por que andei ouvindo umas coisas…
            AVELINO
Ouviu mal! Devia ficar na tua pra não ouvir coisa demais. Você e seu pai só sabem mamar nas minhas tetas, cacete! Ele não serve pra nada, não presta pra nada, não me ajuda em nada, e só sabe ser inconveniente /
Maria José acerta um TAPA na cara dele. Avelino, possesso de raiva, devolve o TAPA e segura-a, em seguida, pelos ombros, assustando-a.
            AVELINO
Sua cachorra! (vai empurrando) Sai daqui, sai daqui, antes que eu meta um tiro na tua cara, vagabunda!
            MARIA JOSÉ
Se acontecer alguma coisa comigo, o meu pai vai contar tudo pra polícia.
            AVELINO
A polícia come aqui, ó, na minha mão, idiota! O Lucas faz tudo que eu mandar, aquele imbecil. Agora some daqui!
A garota é enxotada para o
CORREDOR
Noel se esconde ao lado da parede, enquanto segura seu celular.
Avelino bate a porta na cara de Maria José, que esboça tensão e cólera. Ela sai dalí e passa por Noel, sem vê-lo. Noel espia o celular, animado.
            NOEL
(murmura)
Bingo!
SÉRIE DE PLANOS:
a. Batista apanha seu celular, dá alguns cliques, mas logo estranha algo. Nervoso, abre o compartimento; Apavora-se.
b. João, debruçado na janela, mostra-se pensativo. Logo atrás, Paulo surge, fazendo João voltar-se, na expectativa. O peão balança a cabeça, negativamente. João torna a olhar pela janela, frustrado.
c. Tina, sentada em seu sofá, deixa uma lágrima cair, enquanto admira uma foto. CAM VAI BUSCAR a imagem de um menino aloirado, cerca de 2 anos de idade.
d. Clima tenso durante o jantar na fazenda Santos. Todos entreolhando-se, cada um com seu motivo; Maria José fita Avelino; Walter e Alice trocam olhares envergonhados e acabam encontrando Ana, observando-os. Walter lhe dá uma olhada séria. Noel percebe, mas não vê que Cícero sorri estranho para Ana.
FIM DA SÉRIE DE PLANOS
FADE OUT
FADE IN
CENA 33 EXT. - DELEGACIA / ESTACIONAMENTO  – NOITE
Lucas acaba de acionar a porta do carro. Abre-a e entra, batendo com a porta. Assim que vira a chave na ignição, CLOSE no rosto de Lucas. Forte suspense.
Noel aparece da janela. Lucas assusta-se.
            LUCAS
Tá maluco, rapá? Que “que” tu quer?
            NOEL
Boa noite, seu policial, eu só vim porque fiquei preocupado com o que o meu pai anda fazendo.
            LUCAS
Eu não tenho nada a ver com os seus problemas familiares, agora se puder me dar licença/
Noel TOCA em seu ombro, tentando evitar que ele saísse, e Lucas encara-o, ríspido.
            NOEL
Eu já sei que ele tá te devendo uma grana.
Lucas arregala os olhos, abre a porta do carro, no impulso – Noel afasta-se, temeroso – e desce.
            LUCAS
(arrogante)
Seu pai te mandou aqui? Ele agora manda o filhinho no lugar dele?
            NOEL
Todo mundo sabe que a gente não se bica. Não vim a mando dele; Vim pra evitar que sobre pra mim.
            LUCAS
Como assim?
Noel saca o celular do bolso da calça sob o olhar atento do policial.
            NOEL
Meu pai encontrou uma grana comigo e tá paranoico, achando que é dele, mas é meu. Saquei pra ajudar o seu João. (faz-se de desentendido) Cê soube, né? Mas pra se safar, ele dirá que eu roubei. Por favor, seu Lucas, peço que não acredite.
            LUCAS
(desarma-se)
Eu não sou bandido, garoto. Fiz um serviço aí pro teu pai, mas to de boa. Ele disse que vai me pagar e eu acredito.
            NOEL
Você é um bom policial, não merece se enganar tanto (Lucas não entende / Noel aperta uma tecla). Ouça.
INSERT – ÁUDIO:
            AVELINO (V.O)
A polícia come aqui, ó, na minha mão, idiota! O Lucas faz tudo que eu mandar, aquele imbecil. (T) Ele não precisa de grana, precisa é tomar vergonha naquela cara, isso sim! (T)Ele não serve pra nada, não presta pra nada, não me ajuda em nada, e só sabe ser inconveniente /
FIM DO AÚDIO
De estupefato, Lucas mostra-se indignado.
Noel finge compadecer-se pelo policial. Fecha no olhar rancoroso do policial.
FADE TO BLACK
FIM DO CAPÍTULO


APRESENTANDO

CHRISTIANA UBACK.......................Maria Alice Pimentel
JOÃO VÍTHOR OLIVEIRA........................…...Noel Santos
MARCO PIGOSSI.............................Alessandro Santos
OSVALDO MIL..................................Mazinho Santos
JULIANA LOHMANN...........................Maria José Guerra
LUCINHA LINS....................................Helô Castro
HERSON CAPRI…................................Avelino Santos
LUCCI FERREIRA................................Walter Santos
MURILO GROSSI............................…………...João Guerra
TONICO PEREIRA................................Cícero Guerra

PARTICIPAÇÃO ESPECIAL

BIA ARANTES.................................Catarina Guerra


ELENCO SECUNDÁRIO
RAPHAEL VIANA..................................Paulo Borges
CAIO BLAT.....................................Padre Batista
CLÁUDIA NETTO..............................………………Tina
DANI BARROS...................................Tarsila Santos
MARCO RICCA..................................Wagner Pimentel

ATORES CONVIDADOS NESSE CAPÍTULO

LUÍZA VALDETARO.........................………………....Ana
SÉRGIO MARONE.........................
…………..Policial Lucas



Essa obra não possui nenhum vínculo/contrato com os atores citados acima.


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