0:00 min       FOLEY BOYS     SÉRIE
49:00 min    

WEBTV APRESENTA
FOLEY BOYS


Série de
EDUARDO SOARES DE AVELLAR


Episódio 11 de 21







FADE IN
Hospital – Ext. Noite
Imagem mostra a fachada de um hospital, onde se lê “Hospital Memorial de Tudor”. Uma ambulância passa e ouvimos sua sirene sendo desligada, porém continua com seus sinais luminosos ligados. Notamos que há pessoas na entrada do hospital. Ainda há vestígios de neve pelo chão. Corta para o interior de um corredor, onde há movimentação de enfermeiros, médicos e pacientes. Vemos um casal vindo apressadamente em direção à câmera. Eles passam por um homem, e param quando chegam a uma enfermeira.
Mulher (sobressaltada) – Com licença, meu nome é Susan Morgan e esse é o...
Homem (sério/ cortando-a) – Eu sou Eddie Morgan, somos pais de um adolescente e estamos procurando por ele. Nos deram a informação de que...
Ethan (em off) – Mãe!
Eddie e Susan olham rapidamente para o lado, e veem Ethan vindo de outro corredor. Eles se aproximam rapidamente de Ethan, enquanto a enfermeira segue seu caminho pelo corredor.
Susan (confortada) – Ethan!
Ethan (chorando) – Mãe!
Susan e Ethan se abraçam fortemente. Ethan fecha os olhos e notamos que uma fina lágrima escorre de seu rosto.
Eddie (sério) – Mas o que foi que aconteceu, Ethan? (Susan e Ethan terminam o abraço)
Ethan (enxugando o rosto/ leve desespero) – Eu tava dirigindo e fui fazer a curva e... Foi um acidente, pai. Eu juro!
Susan (abraçando-o novamente) – Calma, meu filho, calma!
Eddie – Quando recebemos a ligação do hospital levamos um susto, achando que você estava acidentado. (olhando para Ethan de cima a baixo/ põe as mãos na cintura) Mas pelo visto está tudo bem.
Susan (chamando a atenção) – Eddie!
Eddie – O que?
Ethan – Eu peguei o carro na garagem e saí dirigindo por aí, só que...
Eddie (interrompendo) – Eu reparei que ele não estava na garagem. Mas enfim, você resolveu se aventurar sem minha permissão e, é claro, vai sofrer as consequências. Agora acho que já podemos voltar pra casa.
Susan (ainda abraçada a Ethan) – Você não quer saber por que estamos aqui, Eddie?
Eddie – Oras, tá tudo bem! (aponta para Ethan/ olhando para Susan) Não tá vendo?
Susan se desvencilha de Ethan, aproximando-se, assim, de Eddie.
Susan (apontando o indicador) – Seu filho está num hospital e você não quer nem saber por que nos ligaram para vir buscá-lo?
Ethan – Mãe, pai. Por favor, não briguem aqui no hospital também. Por favor!
Susan (olhando seriamente para Eddie) – Tudo bem, meu filho. (olha para Ethan) Mas... Prossiga.
Ethan (chorando) – Eu tava dirigindo, aí meu celular tocou. Eu vi que era a ligação de vocês e simplesmente não quis atender porque eu tava farto das brigas, e... (suspira) Aí, foi quando... (engole a saliva) Foi quando eu vi... Aquela... (suspirando) Aquela garota atravessando bem na minha cara.
Susan (curiosa) – E aí?
Ethan põe a mão nos olhos, tentando esconder o rosto, e apoia a cabeça no ombro de Susan.
Susan (pasma) – Oh, meu Deus! Você atropelou a menina?
Eddie cruza os braços e olha para o lado, bufando furioso.
Susan (preocupada) – Onde ela está, Ethan? Que idade ela tem? De onde ela é?
Ethan (ainda com a cabeça apoiada) – Ela devia ter mais ou menos a minha idade. Não sei, estava escuro e...
Susan – Como assim “devia”?
Eddie (furioso) – Mas que moleque irresponsável! Ela morreu? Ela morreu, claro! Ela está aqui no hospital também?
Ethan (erguendo-se do ombro de sua mãe/ olhos cheios de lágrimas) – Ela não morreu! (pausa) Eu desviei o carro, mas ainda assim eu ouvi um barulho no capô quando...
Eddie suspira e começa a caminhar de um lado para o outro, enquanto Susan leva sua mão à boca.
Ethan (continuando) – Aí eu só me lembro de ter acordado na sala de emergência, com a enfermeira ligando pra vocês.
Susan (com as mãos na cabeça de Ethan) – Mas está tudo bem com você, meu filho?
Ethan – Está. (enxugando as lágrimas) Eu... Só desmaiei, depois tomei um remédio e fui liberado... (suspira) Estou bem agora.
Susan – Que remédio?
Ethan – Eu não sei.
Susan (olhando para o lado) – Eu vou atrás da enfermeira. Sabe o nome da enfermeira que te atendeu? (Ethan nega com a cabeça) Tenho que saber que tipo de medicação ela te deu, pois você é alérgico a algumas coisas. (olhando para Ethan novamente) Mas e a menina? Como ela está?
Ethan – Pela última vez que soube, ela ainda estava inconsciente, fora de perigo. (respira fundo) Mas... Por que vocês demoraram a chegar? Eu fiquei aqui por horas até ser liberado, não tenho mais notícias da menina e... Nem sei da família dela...
Susan – Calma, Ethan. Nós vamos procurar saber dessas coisas. E você deve se sentar. (apontando para o banco) Ali. Senta ali, enquanto eu e o seu pai resolvemos o que tiver que resolver. (Ethan se senta)
Eddie (furioso) – E o meu carro?
Susan e Ethan – O que?
Eddie (tom de voz elevado) – E o meu carro? Eu quero saber do meu carro.
Ethan (começando a chorar novamente) – Eu não sei. Eu desmaiei, vim direto pra cá, fiquei acordado por horas esperando vocês e não saí daqui!
Eddie (indignado) – Brincadeira! O que te deu na cabeça, hein moleque? Você tem 16 anos, não é mais uma criança! O que, você acha que pode sair por aí fazendo o que quiser, que nada vai pegar pro seu lado?
Susan – Eddie, olha o tom da sua voz. Estamos em um hospital e...
Eddie (quase gritando) – Que se dane! (algumas pessoas começam a olhar) Que se dane isso aqui! (tom de voz normal) Tem uma garota inconsciente lá dentro e meu carro com certeza está destruído lá em não sei aonde. Você quer que eu sorria e dê um presente a esse irresponsável? Eu acho que não!
Ethan começa a chorar novamente e Eddie se aproxima dele.
Eddie (pegando-o pelo braço) – Escuta aqui, moleque!
Ethan (comprimindo os olhos/ com dor) – Ai! Meu braço tá doendo!
Eddie – Por que você pegou o carro, ainda mais sem minha autorização? Hein? Por quê?
Susan (empurrando Eddie) – Solta ele!
Ethan respira fundo, se levanta do banco, enxuga as lágrimas e o encara.
Ethan – Porque eu já estava de saco cheio dessas discussões, essas brigas de você com a minha mãe que não levam a nada! Só por isso!
Ethan sai andando pelo corredor, chorando.
Susan – Ethan!
Eddie (com as mãos na cintura) – Deixa, ele... Em casa a gente conversa e ele vai ver o que é bom pra tosse!
Susan (incrédula) – É inacreditável!
Eddie (bufa) – O que eu fiz agora, hein!? Tudo agora vai ser motivo pra você reclamar? Pra você botar a culpa em mim de algo que não fiz? Eu só estou aqui tentando corrigir a burrada que esse moleque inconsequente fez!
Susan (com os olhos marejados) – Ele fez besteira sim, Eddie. Mas tudo se resolve na base da conversa, coisa que anda sendo bem difícil pra nós dois, não é? (pausa) O que mais me chocou não foi o que ele fez, porque aquilo foi sem querer, mas sim o fato de você dar mais importância ao seu estúpido carro, ao invés de se preocupar com a saúde do seu filho e com a garota que ainda está inconsciente.
Eddie suspira e olha para o lado, passando as mãos na cabeça.
Susan (encarando-o) – Eu vou atrás do Ethan e... Ver se eu acho alguém da família da garota. (aponta para qualquer lado) Vai lá. Vai atrás do seu precioso carro. Aquele monte de ferro é mais valioso que a sua família mesmo!
Susie gira os calcanhares e segue. Imagem mostra Eddie ainda furioso.
FADE OUT


    
FADE IN
Casa de Leo – Int. Manhã seguinte
Imagem abre na cozinha da casa de Leo. Vemos os dois sentados à mesa, tomando café da manhã. Leo está com o jornal em mãos, enquanto Liam coloca leite em um prato com cereais.
Leo (rindo) – Aqui, você viu o Kane?
Liam – Não, o que?
Leo – Foi demonstrar um show de malabarismo e acabou caindo na barraca de dardos.
Liam – Típico dele.
Liam come seu cereal e Leo fecha o jornal, pondo-o de lado.
Leo – Bom... E as novidades?
Liam (mastigando) – Nenhuma.
Leo (enche sua caneca com café) – Tem certeza?
Liam – Tenho.
Leo – Mas eu te vi com a Chelsea patinando no gelo.
Liam (abaixa a cabeça/ mexendo o cereal com a colher) – Viu?
Leo – Vi. (toma um gole do café)
Liam – Hum... (come seu cereal)
Ambos ficam em silêncio por alguns momentos.
Leo – Então... Vocês estão namorando sério?
Liam – Não sei.
Leo – Ah, não?
Liam – Não. Nós decidimos continuar desse jeito até ver no que vai dar. Até porque nenhum de nós dois namorou alguém antes, então...
Leo (ajeitando-se na cadeira) – Olha, filho...
Liam – Para.
Leo – O que?
Liam – É feio ouvir você me chamar de filho.
Leo – Mas é o que você é, desculpa.
Liam – Ok, continue.
Leo – Então. Tudo bem que você esteja curtindo tudo isso com a Chelsea, mas...
Liam – “Mas” o que?
Leo – É que... Toma cuidado, viu.
Liam (mexendo o cereal com a colher) – Ok.
Leo – É que... Eu digo... Você tem 16 anos, os hormônios estão à flor da pele e... Tudo pode ser novo pra você. Digo, tudo é novo pra você. Então só cuidado pra não se empolgar demais com certas coisas e acabar fazendo alguma besteira.
Liam – Pai, pode ficar tranquilo. Só estamos dando uns beijos aqui e ali.
Leo – Não, eu sei. Só estou falando mesmo por que... Eu quero estar presente.
Liam (arregalando os olhos) – Presente no que?
Leo – Eu não digo presente entre vocês, no meio dos amassos. (Liam fica aliviado) Eu digo no sentido de estar por dentro das coisas, afinal eu sou o seu responsável e o que acontecer com você ou com ela, vai sobrar pra mim de qualquer jeito.
Liam (sério) – Saquei o que está acontecendo aqui. Você está achando que eu vou logo querer transar com ela e ter um filho, é isso?
Leo – Assim você me ofende. Eu já falei um zilhão de vezes que o que aconteceu entre mim e sua mãe foi um acidente. Não foi por falta de instrução, sabe? Mas o que está feito, está feito e eu estou muito feliz com o resultado.
Liam – Eu sei, desculpa. (pausa) Eu sou responsável e não penso em fazer sexo por agora. Mentira, eu penso sim, como qualquer garoto da minha idade, mas... Fica tranquilo que se eu resolver fazer “alguma coisa” com ela, vai ser tudo cautelosamente.
Leo – Liam.
Liam – E vai ser tudo conversado antes, como se deve. Ok?
Leo – Ok!
Liam – E nem sei por que todo esse assunto de sexo, se eu e ela nem estamos namorando.
Leo – Eu sei, mas... Pelo menos eu já estou avisando antes e deixando tudo bem claro, pra depois não dizer que eu não avisei.
Liam – Ok.
Liam continua a comer seu cereal, enquanto Leo toma um gole do café. Leo continua olhando para Liam, que percebe.
Liam (para com a colher no ar) – Que foi?
Leo – Como é gostar de alguém?
Liam (pondo a colher de volta no prato) – Pai!
Leo (se ajeita na cadeira) – Qual é, filhão? Tá com vergonha agora, é?
Liam – Não!
Leo – Que bonitinho você ficando vermelho.
Liam – Eu não tô vermelho.
Leo – Então fala.
Liam – Até parece que você não sabe como é gostar de alguém.
Leo – Sei, mas... Isso tudo é novo pra você! (dando uma tapinha no ombro de Liam) Vamos lá, eu quero saber o que se passa nessa sua cabeça de almôndega.
Liam (desconversando) – Podemos mudar de assunto agora?
Leo – Sim, claro. À vontade. Só quero que saiba que estou aqui por você. (sorrindo) Quando se sentir pronto pra conversar... Estou aqui.
Leo termina seu café num gole e Liam continua o encarando, com certa estranheza.
Liam – Eu te vi com a Julia.
Leo (ergue as sobrancelhas) – Jura?
Liam – Sim.
Leo – Pensei que íamos mudar de assunto.
Liam – Sim, saímos do sexo pra falar de amor.
Leo – Liam...
Liam – Ah, então eu tenho que falar as minhas coisas e você não pode me falar as suas?
Leo (girando os olhos) – Ok. (pausa/ suspira) Eu e ela nos beijamos ontem, no festival...
Liam – Eu vi vocês dois juntos.
Leo – Então é isso aí.
Liam – Namorando? Saindo? Outro sexo casual?
Leo – Já não falei pra largar de vez esse papo de sexo casual? Eu sei que isso não é exemplo pra ninguém. Simplesmente aconteceu e morreu, ficou no passado enterrado com várias coisas. Ok? Seguindo em frente agora.
Liam – Desculpa. Então vai ser o que?
Leo – Não sei. A Julia é legal e eu curti muito ter ficado com ela ontem à noite.
Liam – Devia ligar pra ela.
Leo – Você acha?
Liam – Totalmente! (pausa/ olha para o nada) Nossa! Pareci uma líder de torcida falando isso, só que sem os trejeitos. (volta a olhar para Leo) Mas enfim, hoje é sábado e você não tem nada pra fazer... Enfim. Chama ela pra sair.
Ouvimos o som de batidas na porta da cozinha.
Leo (gritando) – Entra! (a Liam) Ok, então eu vou ligar pra ela.
Aiden entra, fecha a porta e se aproxima com um papel dobrado nas mãos.
Aiden (radiante) – Rapazes!
Leo – Que bicho te mordeu?
Aiden (suspira) – Nenhuma. (Liam sorri) Digo, nenhum. Quer dar licença, Pirralho?
Liam (levanta-se com o prato nas mãos) – Agora eu tenho que me retirar de um cômodo da minha própria casa? (põe o prato na pia)
Aiden – Sim.
Liam olha para Aiden e sai em direção à sala.
Leo – Depois volta aqui e lava a louça. Hoje é a sua vez.
Liam (em off) – Até parece!
Ouvimos o som de pisadas nos degraus da escada, o que dá a entender que Liam acabara de subir.
Leo – E aí?
Aiden (sentando-se) – Tá tudo bem e você?
Leo – Ótimo!
Aiden – Tava falando com a Claire agora a pouco.
Leo – Ah, sua irmã! Como ela vai?
Aiden – Bem. Recebi umas fotos de onde ela tá morando. Lugar fantástico. Não vejo a hora de ir passar uns tempos por lá.
Leo – Sinceramente?
Aiden – O que?
Leo – Não tenho vontade nenhuma em conhecer a Califórnia.
Aiden – Tá de sacanagem?
Leo – Serinho. Pelo menos não por hora. (pensativo) Sei lá. Mas enfim, e ela e o Jason?
Aiden – Estão bem. O casamento está ótimo, o emprego uma maravilha... Mandaram um abraço pra você e ainda vão decidir quando vão aparecer por aqui pra visitar a gente.
Leo – Legal.
Aiden – Mas isso ainda vai levar um tempinho. Minha mãe que tá toda boba porque ela ligou, mas quer saber? Assim é bom, que ela se esquece de mim por um instante.
Leo (olhando para as mãos de Aiden) – E que troço é esse aí na sua mão?
Aiden (abrindo o papel /mostrando-o) – Tá vendo isso aqui?
Leo (olhando) – O desenho que o meu filho fez da sua cara. E daí?
Aiden – Não é que... Uma vez você foi lá se exibir com o seu desenho, então agora eu vim exibir o meu. Vou mandar fazer uma camisa com essa imagem e depois vou mandar emoldurá-la.
Leo – Ah, então quer dizer que você largou a lanchonete com o Bill cuidando de tudo sozinho e veio aqui só pra exibir a sua cara feita por grafite.
Aiden – Você sabe mesmo como ser uma pessoa desagradável.
Leo – Anos de prática. (Aiden guarda o papel de volta) Então... (movimentando as sobrancelhas) Hanna, hein?
Aiden – É…
Leo – De onde mesmo?
Aiden – A dentista, cara!
Leo (lembrando-se) – Ah, sim é verdade! Olha, com todo o respeito. Ela é super sexy!
Aiden (sorrindo) – Eu sei. Fui levar ela em casa ontem à noite.
Leo (curioso) – E aí?
Aiden – Não rolou nada. Ficamos sentados nos degraus da entrada do prédio dela conversando até tarde. (olhando para o nada/ sorrindo) Me senti um adolescente novamente.
Leo – Ih, olha ele apaixonado...
Aiden para de sorrir, voltando a encarar Leo seriamente.
Leo – E não rolou nadinha?
Aiden – Não. Esse é meu primeiro encontro depois da minha separação com a Jen.
Leo – E a Mary Ann?
Aiden – Eu não considero esse como um encontro, porque nem cheguei a beijá-la por causa do lance com o meu dente. Digo, eu cheguei a beijá-la, mas... Meu dente não quis e eu me afastei.
Leo – Mas você também não beijou a Hanna e aposto que seu dente não reclamou.
Aiden (olhando para o lado/ pensativo) – É verdade. Então esse é meu segundo encontro. Nossa, estou impressionado!
Leo – Eu também, companheiro. Eu também.
Corta para:
Quarto de Liam – Int. Manhã
[música: “Doesn’t Remind Me” – Audioslave tocando no aparelho de som]
Liam está sentado à mesa, mexendo em seu laptop. Notamos que a TV está ligada. Seu celular, que está em cima da mesa, próximo ao notebook, começa a tocar. Ele olha para o lado e o pega. Vemos no visor do celular “Ethan chamando”.
Liam (atende) – Alô? (pausa) Não, só tô terminando de baixar alguns episódios de séries antigas...
Liam gira a cadeira, ficando de costas para a mesa, de frente para a câmera.
Liam – Por quê?
[música cessa]
Corta para:
Hospital Memorial de Tudor – Int. Tarde
Liam e Ethan caminham devagar por um corredor em que há pouca movimentação.
Ethan – Mas... Valeu aí por ter vindo comigo. Acho que não conseguiria vir sozinho.
Liam – Tudo bem.
Ethan – Falou com o seu pai?
Liam – Sim, ele me trouxe aqui.
Ethan – Vocês contaram pra alguém?
Liam – Não. (Ethan respira aliviado) Mas a Sophie viu meu pai saindo de carro e o parou pra ficar conversando.
Ethan (preocupado) – E aí?
Os dois param de caminhar.
Liam – Aí meu pai disse que tinha que me levar no hospital, ela perguntou o que houve comigo, aí eu disse que não era comigo...
Ethan – Entendi. Aí uma coisa levou à outra e agora a cidade toda já deve estar sabendo que eu atropelei alguém.
Liam – Desculpa.
Ethan – Tudo bem. E, ah! Pensei que você odiasse Audioslave.
Liam – Não, eu gosto.
Ethan – Tá perdoado. Pelo menos não era The Smiths.
Liam – Pode parando.
Os dois começam a caminhar.
Liam – Mas enfim, o lance... Foi tudo aquilo mesmo que você me contou pelo telefone?
Ethan – Sim. E ontem mesmo minha mãe falou com alguém da família dela, se desculpou, eles estão bolados... Ah, e a propósito, o nome dela é Lucy e estuda no colégio.
Liam – A Lucy do último ano?
Ethan – Não essa aí é a “liberal”, se é que você me entende. A Lucy que foi atropelada é a do nosso ano.
Liam – Não sei quem é, me desculpe.
Ethan – Tudo bem.
Liam – Coitada!
Ethan – Mas ela está bem agora. Já acordou e está apenas com o braço quebrado, por sorte a minha. (pausa) Sabe, eu me sinto tão culpado pelo que aconteceu... Se eu não tivesse agido por impulso, nada disso teria acontecido.
Liam – Eu sei, mas não adianta ficar se culpando, muito menos se lamentando. O que passou, passou. E não pense que é frieza da minha parte, mas é que você deve se preparar pro que vem pela frente.
Ethan (abaixa a cabeça) – Eu sei, mas... Imagina se eu tivesse ido ao festival com você. Nada disso teria acontecido se eu tivesse ido. Sabe, eu fiquei muito saturado com mais uma das brigas dos meus pais e... (olhando para cima) Meu Deus. Eles sempre brigaram e eu sempre deixei pra lá.
Liam – Ethan, às vezes a gente se sente mesmo cheio de algumas coisas. É normal. Não lembra quando eu reprovei pra tirar a carta de motorista?
Ethan – Mas você viu o que eu fiz? Cara, eu só me lembro de ter girado o volante e ter ouvido um barulho no capô do carro em seguida. Ah, e meu pai foi no depósito e falaram pra ele que o carro foi retirado do muro totalmente destruído. Resultado: tô de castigo pra resto da minha vida.
Liam – Nem sei o que te dizer.
Ethan (suspira) – Não, tudo bem. Só de você estar aqui comigo pra visitar a Lucy já me dá mais coragem de olhar nos olhos dela e lhe pedir desculpas. Olha, aquele ali é o médico que nos atendeu ontem. (aproximando-se do médico) Doutor Calvin!
Dr. Calvin (vindo em direção contrária) – Pois não?
Ethan – Eu sou o Ethan, de ontem à noite.
Dr. Calvin – Ah, sim. Como vai? (os dois apertam as mãos) Tem sentido alguma dor ou...
Ethan – Não, não. Comigo já tá tudo bem, foi só o desmaio mesmo. Eu só... Queria saber sobre a Lucy. Como ela tá?
Dr. Calvin – A menina que você atropelou?
Ethan (sem jeito) – Sim.
Dr. Calvin – Está acordada. Se quiser vê-la... Fique à vontade, o horário de visitas se encerra em 15 minutos.
Ethan – Tudo bem. (vira-se) Liam quer ir comigo?
Liam (olhando ao redor) – Não, é melhor esperar aqui. Em outra oportunidade eu conhecerei ela melhor.
Ethan – Você tem medo de hospital?
Liam – Não.
Ethan – Tudo bem, eu devo fazer isso sozinho mesmo.
Dr. Calvin – Vamos?
Ethan confirma com a cabeça e segue o doutor, enquanto Liam se senta num banco próximo.
Corta para:
Academia Body Gym – Ext. Tarde
[música: “Living in a Dream” – Finger Eleven]
Imagem mostra a fachada da academia. Notamos a rua molhada, ainda com vestígios de neve. Câmera desce e vemos Leo saindo da academia. Imagem foca seu rosto. Ele para, comprime um pouco os olhos, tentando enxergar algo ao longe, passa a mão no cabelo em seguida e bebe um gole de água de sua squeeze. Leo olha para um lado e segue pelo outro. Vemos movimentação de algumas pessoas, que caminham com vestimentas de frio, apesar do dia ensolarado. Emily vem em direção contrária.
[música cessa lentamente]
Emily – Já está saindo?
Leo – Estou... Hoje foi brabo. Acordei tarde, então não deu pra vir de manhã. E você? Chegando agora?
Emily – Sim... Meu horário sábado é de manhã, mas hoje eu troquei com o Duncan. Tive que... (suspira) Resolver algumas coisas.
Leo – E aí, como vão as “algumas coisas”?
Emily (olhando para o lado) – Bem. As coisas vão bem.
Leo – Tem certeza?
Emily – Sim.
Leo – E o lance... Com...
Emily – O lance com o meu pai, você quer dizer?
Leo (sem jeito) – Desculpa. Não sabia se podia tocar no assunto.
Emily – Não, tudo bem. Você é meu amigo, me apoiou quando precisei... Então tem o direito de saber.
Leo – Mas você não precisa se sentir na obrigação de contar.
Emily – Não, tudo bem. (pausa/ ajeita o cabelo) Eu... Dei um ultimato pro meu pai.
Leo – Ultimato?
Emily – É. Ou ele conta pra minha mãe sobre a traição, ou conto eu.
Leo – Sei...
Emily – Se ele não contar, pelo menos eu prefiro que eles se separem.
Leo – Mas se isso acontecer, você ia contar pra ela depois ou não?
Emily (olha para o lado/ pensativa) – Aí eu não sei.
Leo – Aí você tem que pensar bem, por que... Eu não conseguiria conviver com esse segredo dentro de mim pra sempre.
Emily – É verdade.
Homem (em off/ se aproximando) – Ora, ora, ora! Quem eu vejo por aqui.
Emily vira para trás, num susto.
Leo – Reverendo Harry?
Harry (fingindo surpresa) – Leo! Você ainda está vivo. Que bom.
Leo – É... Graças a Deus.
Harry (comprimindo as sobrancelhas) – Engraçado... Eu não tenho te visto na igreja… Eu já te fiz vários convites e até hoje nada.
Leo (coçando a cabeça) – É que...
Harry – E você, jovem moça?
Emily – Eu o que?
Harry – Tem ido à igreja?
Leo (à Emily) – Há!
Emily – Tenho sim!
Harry – Ah, é verdade! (Leo fica sem-graça) Te vi lá no domingo passado. Diferente de certas pessoas que rejeitam Deus nos dias de hoje.
Leo – Eu não rejeito Deus. Muito pelo contrário. E não é só porque não vou à igreja que eu rejeito Deus.
Harry – Então por que recusou meu convite?
Leo – Eu sou um homem ocupado, reverendo.
Harry – Tudo bem, eu entendo. Você tem um filho e vive em prol dele... É aceitável. (Leo sorri) Pelo menos espero que compareçam no evento de hoje à noite.
Harry entrega alguns panfletos a Leo e Emily e começa a caminhar, passando por eles.
Leo (lendo/ estranhando) – Caminhada contra a violência?
Harry para e volta. Leo e Emily ficam de frente para ele.
Emily – É hoje à noite?
Harry – Exatamente. Vocês já devem estar cientes do ocorrido de ontem.
Emily (olhando para o panfleto) – Sim, mas...
Harry – O índice de violência da cidade aumentou...
Leo – De uma noite pra outra?
Harry (continuando) – E o Conselho da cidade decidiu reunir todos os moradores para realizarmos essa caminhada de 3 km.
Emily – Mas o senhor é o presidente do Conselho!
Harry – Eu sei!
Leo – Mas todos ainda devem estar cansados do festival de ontem, sei lá. E outra, foi apenas um acidente e não houve mortes, nem nada.
Harry – Arrumando outra desculpa, Leo?
Leo – Ei, ei, ei. Isso não tem a ver com Deus.
Harry – Mas tem a ver de participar dos eventos da cidade, coisa que você não faz.
Leo – Mas eu vim ontem no festival.
Harry – Claro, todos gostam de festas. Quero ver você participar assiduamente na organização, como todos os outros moradores.
Leo – Ok. Quer saber, eu vou nessa tal caminhada. Vou ter que desmarcar o... (olha para Emily) O que marquei pra hoje, mas tudo bem. Eu vou!
Harry – Devia se empolgar assim pra ir à igreja. (Leo movimenta as sobrancelhas rapidamente) Até mais ver, cidadãos.
Harry sai, enquanto Leo e Emily permanecem, achando tudo um absurdo.
Corta para:
Quarto do hospital – Int. Tarde
Câmera mostra uma garota deitada coberta, com um braço enfaixado. Com a outra mão, ela segura o controle remoto da televisão, que está ligada. Vemos um leve sorriso em seu rosto, enquanto assiste ao programa. Ethan entra no quarto devagar e para, olhando fixamente para a menina. Ela para de sorrir e olha para Ethan. Os dois se entreolham por alguns momentos, sendo que Lucy está receosa.
Lucy – Quem é você?
Ethan (sem jeito) – Eu... Eu… M-meu nome é… Ethan. (abaixa a cabeça)
Lucy se ajeita na cama e desliga a TV. Ela olha atentamente para Ethan.
Lucy – Você é algum primo meu que não conheço?
Ethan – Não, na verdade eu... (suspira) Não me bate, ok? (olha para ela) Fui eu que te atropelei ontem à noite.
Ambos ficam em silêncio, enquanto os olhos de Lucy se enchem de lágrimas.
Lucy – E o que você tá fazendo aqui?
Ethan dá alguns passos, passando a ficar ao lado dela.
Ethan – Na verdade eu... Vim aqui te pedir desculpas.
Lucy (lágrimas escorrem por seus olhos) – E você acha que “desculpas” vai fazer o meu braço voltar pro lugar ainda hoje?
Ethan – Eu sei que isso é pouco, mas... Não foi minha culpa. Digo, meio que foi, mas... Eu tava dirigindo e... Não te vi, e ainda tentei girar o volante, mas ainda sim ouvi o barulho da pancada. Aí eu só me lembro de ter acordado aqui... Foi complicado pra mim, mas eu sei. Eu sei que pra você foi pior.
Ambos ficam em silêncio por um breve momento.
Lucy (chorando) – Eu tinha acabado de brigar com meus pais, e... Saí sem olhar. Quando eu vi o carro, ainda tentei pular pro lado, mas não deu. (pausa longa) Sorte que eu girei pra pelo menos cair em cima do meu braço. (sorri, em meio às lágrimas) Tive sorte e sofri algumas fraturas. (torna a ficar séria) Se isso não desse certo, com certeza eu teria caído de cabeça e não estaria aqui pra contar a história.
[música: “Fair” – Remy Zero]
Lucy funga e passa o braço no nariz. Logo, enxuga as lagrimas que escorreram.
Ethan (com os olhos marejados) – Olha, Lucy. (pega na mão de Lucy/ ela abaixa a cabeça) Sei que nada vai justificar o meu erro, mas eu tô aqui de coração pra te pedir desculpas. Te atropelar não foi a minha intenção.
Lucy o encara com os olhos marejados. Silencio por um tempo.
Lucy (abaixa a cabeça) – Olha, Ethan. Eu… Pelo eu pude perceber, acho que você é um cara legal, sabe. (pausa) Acho que se fosse outra pessoa, nem teria vindo aqui.
Ethan – Eu fiz besteira e... Eu sei que todo ato traz consequências. Então eu tenho que arcar com elas, mesmo que seja difícil, afinal, fui eu que arrumei o problema. (pausa) Então mais uma vez... Me desculpa.
Lucy – Muito maduro da sua parte. (Os dois sorriem)
Ethan – Você disse que tinha acabado de brigar com seus pais?
Lucy – Sim, e foi feio.
Ethan – Coincidência ou não, eu meio que... (coçando a cabeça) Digo, não foi coincidência. Meus pais que estavam brigando e eu estava de saco cheio. De todas as três conversas que eles têm durante o dia, quatro são brigas.
Lucy – Entendo...
Ethan – Mas então. (puxa uma cadeira e se senta ao lado da cama) Você estuda no Bronx High, certo?
Lucy (estranhando) – E como você sabe?
Ethan – Eu... Fiquei sabendo. Digo, procurei saber.
Lucy sorri timidamente e os dois continuam conversando.
Corta para:
Praça – Ext. Noite
Câmera mostra a praça vista de cima. Vemos as ruas com vestígios de neve e um pouco molhadas. Há alguns carros passando e temos uma movimentação de pessoas que começam a se reunir em certo ponto da praça. Câmera mostra um carro passando e o acompanha. Corta para dentro do mesmo e vemos Monica dirigindo, e Liam no banco do carona.
[música anterior cessa lentamente]
Monica (olhando a movimentação) – Que aglomeração é essa aí? O que, vão acender a fogueira do amor dessa vez? Dançar a dança da chuva?
Liam – Não sei, eu estava fora. Ah, e obrigado por me buscar no hospital. Não consegui falar com meu pai e eu tava doido pra sair de lá. Assim como ele, eu odeio hospitais.
Monica – Só você mesmo, não é, pirralho? Só você mesmo pra me fazer vir a esse buraco que vocês chamam de cidade.
Liam – Desculpa, ué! Mas você disse no telefone que estava passando por perto, aí eu aproveitei e pedi a carona.
Monica – Humm!
Liam – E nessa carona, que quero pedir outro favor.
Monica – Ih, lá vem.
Liam – Eu tenho um trabalho de alemão e queria que você...
Monica (cortando-o) – Nein! Nicht! Não vou mais fazer nada de trabalho nenhum pra você. (olhando para Liam) O que é? Te dou a mão e você quer a perna? O braço? Vamos parando com o abuso! (olhando para a rua) Está cada dia mais parecido com seu pai, isso sim.
Liam – Na verdade o trabalho já tá pronto e só queria que desse uma olhada.
Monica (aliviada) – Ah... Por que não disse antes?
Liam olha seriamente para Monica. Ele percebe alguém passar do outro lado da rua, em segundo plano.
Liam (falando rápido) – Para o carro, para o carro, para o carro!
Monica freia repentinamente.
Monica – Tá maluco, garoto?
Liam – Não, acho que vi uma amiga minha.
Monica (acelerando) – Ah, me poupe!
Liam (olhando pela janela, procurando por alguém) – Espera, espera, espera! (Monica freia o carro) Acho que a vi passando por aqui.
Monica (olhando para Liam) – Quem, meu Deus do céu?
Liam (olhando pela janela) – Calma.
Monica – Seja quem for, já deve estar na praça.
Monica acelera o carro.
Liam (apontando) – Ali, não falei? Para aí!
Monica – Que?
Liam – Para o Carro, Monica!
Liam abre a porta do carro e em seguida, Monica o freia.
Monica – Tá maluco? Se eu passasse por um poste e amassasse a minha porta, eu amassaria a sua cara em seguida.
Liam (sai do carro e fecha a porta) – Obrigado pela carona e segunda-feira meu pai leva meu trabalho pra você conferir.
Monica – Que abuso!
Liam – Tchau! (vira e dá alguns passos)
Monica – Ei, ei, ei! (Liam volta) Como eu vou embora daqui desse buraco?
Liam (apontando para a rua) – Você vai ali na frente, onde tem um cruzamento, entra à direita. Depois à direita e depois...
Monica – À esquerda?
Liam – Não, à direita de novo. Aí você vai sair de novo na praça, vai fazer o contorno nela e vai embora pegando a principal.
Monica – Por que você não disse apenas pra eu dar a volta no quarteirão?
Liam – Ah, você entendeu!
Monica – Ok.
Liam segue andando e a imagem o acompanha. Ele anda um pouco depressa, procurando por alguém. Em segundo plano, vemos o carro de Monica dando ré. Liam olha.
Liam (para de andar) – Ei! O que você tá fazendo?
Monica (freia o carro) – Você acha mesmo que eu vou lá no inferno pra fazer o retorno? É ruim hein!
Liam – E você vai voltar de ré até a praça?
Monica – É claro, meu bem. (acenando) Tschüss!
Monica acelera e Liam faz um sinal negativo com a cabeça. Câmera acompanha Monica, que está virada para trás com um braço apoiado no banco do carona, enquanto o outro braço guia o volante. Ela chega à esquina da praça, passa a marcha e acelera. Ao olhar para frente, avista Aiden saindo da lanchonete. Ela freia o carro repentinamente e abaixa o vidro.
Monica – Hey!
Aiden (franzindo a testa) – Oi.
Monica – Você não deve se lembrar de mim. (empolgada) Sou a-mi-císsima do Leo.
Aiden – Ahhh, me lembrei de você do jantar na casa dele.
Monica – Exato. Escuta... (enrolando o cabelo com o indicador/ olhando Aiden de cima a baixo) E aonde você vai com tudo isso? Digo... Com você... Digo... Enfim. “Aonde você vai?”, eu quis dizer.
Aiden (sorrindo) – Tô largando da lanchonete agora e tô indo pra casa.
Monica – Não vai participar do... “que quer que seja” na praça? Parece ser importante. Estão todos reunidos ali na frente.
Aiden – Não, não. Eu geralmente não curto muito os eventos do povo maluco dessa cidade. (Monica sorri) Bom, se me dá licença, eu... Tenho que ir pra casa.
Monica – Tchau, até mais. (Aiden segue/ cochicha maliciosamente) Delícia!
Monica acelera e some da tela. Corta para outro ponto da praça, onde Liam ainda procura por alguém. Ele fixa o olhar numa direção e segue para onde olhou.
Liam – Chelsea!
Chelsea (virando-se/ radiante) – Liam!
Eles se aproximam com empolgação. Ao ficarem de frente para o outro, ficam sem jeito e param de sorrir.
Liam (olhando ao redor) – Por que estão todos com roupas de ginástica?
Chelsea – Caminhada contra a violência.
Liam (estranhando) – Caminhada contra a violência? Mas aqui nem tem violência!
Chelsea – É sobre o que aconteceu com o Ethan.
Liam (erguendo ambas as sobrancelhas) – Ah, sim...
Chelsea – Vamos caminhar 3 km em volta da praça, acredita?
Liam – 3 km?
Chelsea – Sim. O reverendo Harry, que é o organizador, disse que a rua que contorna a praça tem mais ou menos 500 metros de comprimento. Então, vamos dar mais ou menos umas... (fazendo as contas) 6 voltas. (arregalando os olhos) Meu Deus! É muita coisa.
Liam (sorrindo) – E você vai pra essa insanidade?
Chelsea – Meus pais estão lá no meio... (sorri) Então sim.
Liam – E que horas começa esse troço?
Chelsea – Daqui à uma hora. Quer vir?
Liam – Não... Esse negócio de ginástica, malhação, caminhada... Isso não é pra mim.
Chelsea (um pouco desapontada) – Hum...
Liam – Escuta... E como você está?
Chelsea – Bem, e você?
Liam – Um pouco dolorido no... Aqui atrás por causa do tombo na patinação, mas tudo bem. Eu gostei.
Chelsea (rindo) – Tá com a bunda roxa?
Liam (rindo) – Palhaça.
Chelsea – Bom, tenho que ir.
Liam – É, eu também. Tenho que encontrar meu pai, fiquei o dia todo fora.
Chelsea – Ok.
[música: “Our Love” – Drake Bell]
Chelsea gira para sair, porém Liam a puxa de volta, fazendo com que eles fiquem mais próximos.
Liam – Oi.
Chelsea – Oi.
Eles se encaram por alguns momentos. Imagem mostra, em close, os rostos se aproximando. Notamos Chelsea nervosa. Liam para de se aproximar a pouco dos lábios de Chelsea.
Chelsea – Liam.
Liam – Por que será que eu fico nervoso, só de estar perto de você?
Chelsea (respirando profundamente) – Eu também fico assim.
Música toma conta o ambiente. Imagem mostra os dois bem próximos um do outro. Notamos que eles estão de mãos dadas. Imagem pega os dois em close novamente. Eles se beijam timidamente. Aos poucos, ambos vão se entregando ao beijo. Logo, Chelsea se afasta.
Liam – O que houve?
Chelsea – É que... Meus pais estão ali e... Eu meio que ainda não contei a eles que tô gostando de você.
Liam (sorri/ se afastando lentamente) – Ok.
Chelsea – Ok.
Liam – Mas... Estamos bem?
Chelsea (sorri) – Sim.
Eles ficam se encarando, com leve sorriso em ambas as faces. Os dois se viram ao mesmo tempo e seguem seus caminhos.
[música cessa]
Corta para:
Casa de Leo – Ext. Noite
[música: “I Don’t Want To Grow Up” – Ramones]
Câmera mostra a fachada da casa de Leo. Vemos as luzes de duas janelas localizadas ao lado da porta se apagarem. A luz da varanda permanece acessa.
[música cessa]
Leo sai de casa e fecha a porta, ainda cantando a música.
Leo (ainda cantando) – “When I see my parents fight, I don’t want to grow up...”
Ao virar-se para seguir caminho, dá de cara com Grayson e Kelly, que já estão parados do lado de fora do jardim, próximos à cerca.
Leo (aproximando-se) – E aí galera. Tudo beleza?
Leo para de frente para o portão, enquanto Grayson e Kelly permanecem do lado de fora.
Grayson – Leo, precisamos conversar.
Kelly – Que roupas são essas? Ginástica a essa hora da noite?
Leo – É que...
Kelly – Já jantou?
Leo – Não, o Liam vai estar aqui quando eu voltar e jantaremos juntos...
Kelly – Não, porque fazer malhação depois de comer faz mal.
Leo – Eu não vou malhar.
Grayson – Precisamos conversar.
Kelly – Põe mais um casaco.
Leo – Não, está bom assim, obrigado pela preocupação.
Grayson – Precisamos conversar. (Kelly puxa ar para falar) Se sua mãe deixar, é claro.
Kelly – Desculpe, querido.
Leo – O que fazem aqui?
Grayson (suspira) – Precisamos conversar.
Leo – Ok. Fala.
Grayson – Não vai nos convidar pra entrar?
Leo (olhando para o relógio) – Olha, vai ter uma caminhada pela paz agora lá na praça, então tenho que estar lá.
Kelly – Caminhada pela paz?
Leo – Sim. Na verdade, a caminhada é contra a violência, mas dá no mesmo.
Kelly – Ah, então é por isso. (Grayson olha para o lado, impaciente)
Leo – “Por isso” o que?
Kelly – Que você está com essas roupas.
Grayson – Será que podemos ter essa conversa?
Leo – Ah, sim, claro.
Leo abre o portão, sai e o fecha novamente. Os três começam a caminhar lentamente.
Grayson – Não vai trancar o portão?
Leo – E por que eu trancaria?
Grayson – Suponho eu que se você vai para uma caminhada pela paz, é porque as coisas não devem estar boas por aqui. Isso significa que coisas devem ser trancadas.
Leo – Não precisa.
Grayson (sério) – Você tem um filho! E se acontecer alguma coisa com ele? Seu irresponsável!
Leo suspira, volta até o portão e mexe em algo na maçaneta. Leo volta a acompanha-los.
Leo – Pronto.
Grayson – Não tem chave?
Leo (bufa) – Pai!
Grayson – Leo!
Kelly – Rapazes!
Leo – Eu ativei a trava secreta, ninguém vai invadir a minha casa e o senhor pode ficar tranquilo. Ok? Eu tenho que ir e gostaria muito de saber sobre o que é essa tal conversa que o senhor quer ter desde mil anos atrás, enrola tanto e não diz nada.
Grayson – Bom, é o seguinte. (tira um papel do bolso e o entrega)
Leo – O que é isso?
Grayson – Pelo que eu sei, você já aprendeu a ler. Está até cursando uma faculdade!
Leo (lendo) – Jantar semana que vem?
Grayson – Sim.
Leo – Você enrolou mil anos e disse “precisamos conversar” umas quinhentas vezes pra me entregar esse papel?
Grayson – É um assunto muitíssimo importante.
Leo – Pai.
Grayson – Tem a ver com a integridade da nossa família.
Leo (bufa/ olha ao redor) – Não acredito nisso.
Grayson – E diz respeito a você e ao Liam.
Leo – Então por que não me diz isso aqui e agora? Tem que ter um jantar de enfeite e ter mais enrolação?
Grayson (firme) – Sim. Até lá!
Grayson segue sem olhar pra trás e Kelly dá de ombros, sem entender. Os dois seguem e Leo suspira.
Corta para:
Praça – Ext. Noite
Liam e Ethan estão sentados em um banco. Câmera os mostra de frente.
Ethan – Aí foi isso.
Liam – Que bom que agora está tudo mais ou menos bem.
Ethan – Ela me disse que os pais dela vão ficar indo todo dia lá no hospital. Aí quando ela receber alta, eu vou na casa dela pedir desculpas pra todo mundo.
Liam – E quando ela vai receber alta?
Ethan – Não sei. Mas ela disse que fraturou o braço inteiro em três partes. Tudo vai voltar ao normal e ela vai ter que fazer fisioterapia também. Tipo, o médico disse que ela até pode voltar pra casa, mas ela pediu pra ficar lá mais tempo. Então ele vai querer acompanhá-la de perto.
Liam – Mas por que ela pediu pra ficar no hospital?
Ethan – É um meio de evitar brigas com os pais.
Liam – E pelo visto vocês conversaram bastante, né?
Ethan – Sim, falamos do colégio, das nossas famílias e... (arregala os olhos) Meu Deus!
Liam – O que foi?
Ethan – Eu tô de castigo! Não era nem pra eu estar aqui!
Liam (sorri) – Ethan, Ethan...
Imagem mostra em segundo plano, várias pessoas passando por trás deles carregando algumas velas, murmurando algo em conjunto. Liam e Ethan, ainda sentados, viram-se para olhar. Vemos o reverendo Harry guiando o enorme grupo.
Harry (erguendo a vela/ olhando para cima) – E livrai-nos de toda a violência que nos cerca, Senhor! Amém! (abaixa a vela)
Grupo de senhoras (cantando) – Aleluia, Aleluia. Jesus está entre nós... Aleluia...
O grupo continua a cantar e a seguir caminho lentamente. No meio do grupo, vemos Leo, aparentemente entediado e acompanhado de Emily. Liam acena para ele, que o olha seriamente com a vela na mão. Liam sorri, enquanto o grupo continua a passar. Notamos que as pessoas que estão mais atrás, não cantam. Liam e Ethan viram-se de volta, ficando normalmente no banco. Câmera pega os dois de frente novamente.
Liam (apontando para o grupo com o polegar/ sem olhar para trás) – Sabe que tudo aquilo é por sua causa, certo?
Ethan, com as mãos juntas, faz cara de inocente e sorri levemente. Ele se levanta de repente e sai correndo. Liam olha novamente para trás, e observa as pessoas caminhando. Ele avista Chelsea e acena timidamente para ela, que retribui.
Grupo de senhoras (cantando/ mais distante) – Aleluia, Aleluia, Aleluia!
FADE OUT
- - - - - - - - - - - - - - -
OPENING CREDITS
Starring:
Aiden Turner AS Leo Foley
Asher Book AS Liam Foley
Cameron Mathison AS Aiden Dixon
Chris Warren Jr AS Ethan Morgan
Jane Sibbett AS Monica Führ
Piper Perabo AS Emily Drewan
Kathy Bates AS Kelly Foley
Special Appearance:
Victor Garber AS Grayson Foley
Guest:
Damon Wayans AS Eddie
Karyn Parsons AS Susan
Kirby Bliss Blanton AS Chelsea
Dylan Walsh AS Dr. Calvin
Caitlin Wachs AS Lucy
Larry Miler AS Rev. Harry
Created by: Eduardo Avellar
Written by: Eduardo Avellar
Music Theme: "Where the Lines Overlap" performance by Paramore
Music end of episode: " Black Horse and the Cherry Tree" performance by KT Tunstall
Soundtrack:
"Doesn’t Remind me" – Audioslave
"Living in a Dream" – Finger Eleven
"Fair" – Remy Zero
"Our Love" – Drake Bell
"I Don’t Want To Grow Up" – Ramones
END CREDITS

FOLEY BOYS™ 1x11: AGAINST THE VIOLENCE
©COPYRIGHT 2011 - ALL RIGHTS RESERVED
Relacionados

0 comentários: